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Duração
Um advogado (Peter Gallagher) enfrenta problemas de caráter sexual com sua mulher (Andie MacDowell) e tem um caso com a cunhada (Laura San Giacomo), mas algo acontece com a chegada de um amigo (James Spader) de infância do marido, que grava em vídeo o depoimento de mulheres que falam da vida sexual que levam.
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Um jogo inteligente, onde dois casais formam duplos que representam, a mentira como a expressão na ausência do ato, e o sexo como ato (literal ao não) na ausência da expressão.
este é um filme que respira silêncio, desconforto e desejo contido. e eu fiquei fascinada pela atmosfera minimalista e profundamente intimista, onde quase tudo acontece nas pausas, nos olhares e nas confissões sussurradas.
o james spader é obviamente o coração estranho e fascinante dessa experiência. fico hipnotizada quando ele está em cena, principalmente fazendo personagens excêntricos e eroticamente deslocados.
seu personagem, graham, não seduz pelo toque, mas pela escuta; não pelo corpo, mas pela palavra. e o james transforma a repressão em magnetismo, e o constrangimento em uma forma inusitada de erotismo. ele faz do silêncio um gesto sensual, e da vulnerabilidade um território perigoso.
a atmosfera do filme é melancólica, quase claustrofóbica. poucos cenários, diálogos longos, uma câmera discreta que observa sem julgamentos. tudo parece propositalmente despido, como se o filme recusasse qualquer excesso para obrigar o espectador a encarar o essencial: a dificuldade brutal que temos de sermos honestos sobre o que desejamos, sentimos e escondemos.
é um filme que não provoca pelo escândalo, mas pela introspecção. um retrato delicado e perturbador da solidão moderna, onde o erotismo nasce menos do corpo e mais da confissão.
filmão!
12.05.1991
Com um enredo simples e inteligente e um estilo limpo e eficaz, o filme remete, formalmente, às peças teatrais bem construídas, e, do ponto de vista temático, aos desnudamentos psicológicos de Tennessee Williams.