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comecei a assistir esse filme de madrugada.
precisei interromper e deixar para a manhã seguinte, caso contrário, teria me consumido inteira de tanto chorar.
é um filme feito de pausas, de olhares que não sabem pedir desculpas, de diálogos truncados que dizem mais pelo que não é dito. e tem uma coisa quase irônica na relação entre nora e o pai: eles são dolorosamente parecidos. na maneira contida de sentir, na dificuldade de se vulnerabilizar, no orgulho que vira muro e na solidão que pesa tanto.
e talvez o filme seja sobre isso, sobre o desconforto de perceber que carregamos traços de quem nos feriu. sobre negar essa semelhança até entender que nossos pais são humanos, falhos, frágeis. e que, gostando ou não, somos feitos dessas heranças também.
pra mim, foi um filme sobre luto. mas não só pela mãe. foi sobre o luto da infância que não se teve, do pai que não foi, e da versão idealizada que precisamos deixar morrer para enxergar o que é real.
estranhamente sexy e tenebroso. fiquei apavorada, entre outras coisas......