Uma garota de 17 anos chamada Shell vive e trabalha em um posto de gasolina remoto nas Terras Altas da Escócia com seu pai, Pete. Seu isolamento físico e confiança mútua causam emoções contraditórias.
A busca pelo outro se volta para dentro, como um corpo que, na falta de comida, começa a digerir os próprios músculos.
Há apenas Shell (a filha) e Pete (o pai). E quando você remove a barreira da cultura, o que sobra não é liberdade; é uma prisão de carne.
A psicanálise aponta que o desejo incestuoso é o desejo do retorno ao "Um", a fusão total, a recusa da diferença. Pai e filha no filme vivem essa simbiose parasitária.
A tensão sexual entre eles não é glamourizada. É sufocante. É o terror de perceber que a única pele quente num raio de quilômetros é a da pessoa que você não deveria tocar. O filme constrói um "pavor doméstico": o medo não de um monstro lá fora, mas do monstro que cresce no silêncio da mesa de jantar.
O final é a única solução possível, e ainda assim é devastador.
Não há final feliz no incesto, apenas a escolha entre a aniquilação mútua ou a amputação brutal.
Muito bom! Um prato cheio para os estudiosos de psicologia. Para mim (leiga em assuntos da mente) o filme é mais contemplativo, nada fica muito óbvio inicialmente, um jogo de câmera, um foco na face… A beleza da natureza, a fumaça de um café quente… Possui poucos diálogos, mas isso não prejudica o filme em nada. Tem 1h30min de duração, que passa rápido e o filme não é cansativo. O auge desse filme é a interpretação dos atores principais (pai e filha). O pai constantemente está com um semblante cheio de angústia, não sabemos se ele se culpa por ter um amor (não exatamente paterno) pela filha ou se ele sabe que ela tem um amor por ele que é diferente e ele não sabe como lidar, ou algum outro sentimento pesaroso (e ao final, isso se revela e ele toma uma atitude bem complexa). Em contrapartida, a personagem da Shell é sempre muito curiosa, e sabemos que ela tem dois sentimentos: Querer muito ir embora.. E ao mesmo tempo, ficar com a pessoa que ela mais ama. O filme é muito instigante, o final tem um fato trágico, porém muito pertinente e interessante para protagonista.
Silencioso, melancólico, triste e lindo, visualmente inclusive, flerta com situações polêmicas, mas mantem uma sutileza e ternura em todos vazio do cotidiano de Shell, gostei dos detalhes... o cabelo sempre batendo ao vento, a fumaça da xícara , o lance dos cervos e da infinitude da estrada.... adorei o filme!
Dá uma dor na gente tbm. É duro, áspero e sensível. O cenário desolador só enfatiza a imensa devastação afetiva das personagens. O silêncio fala e machuca. Cada mínimo olhar, cada gesto carrega consigo uma dor absurda enraizada numa brutal solidão. Parece que tudo está sempre a pronto de romper, de explodir num grito absurdo e vazio.
O afeto se torna incestuoso por necessidade.
A busca pelo outro se volta para dentro, como um corpo que, na falta de comida, começa a digerir os próprios músculos.
Há apenas Shell (a filha) e Pete (o pai).
E quando você remove a barreira da cultura, o que sobra não é liberdade; é uma prisão de carne.
A psicanálise aponta que o desejo incestuoso é o desejo do retorno ao "Um", a fusão total, a recusa da diferença. Pai e filha no filme vivem essa simbiose parasitária.
A tensão sexual entre eles não é glamourizada. É sufocante. É o terror de perceber que a única pele quente num raio de quilômetros é a da pessoa que você não deveria tocar. O filme constrói um "pavor doméstico": o medo não de um monstro lá fora, mas do monstro que cresce no silêncio da mesa de jantar.
O final é a única solução possível, e ainda assim é devastador.
Não há final feliz no incesto, apenas a escolha entre a aniquilação mútua ou a amputação brutal.
Muito bom! Um prato cheio para os estudiosos de psicologia. Para mim (leiga em assuntos da mente) o filme é mais contemplativo, nada fica muito óbvio inicialmente, um jogo de câmera, um foco na face… A beleza da natureza, a fumaça de um café quente… Possui poucos diálogos, mas isso não prejudica o filme em nada. Tem 1h30min de duração, que passa rápido e o filme não é cansativo. O auge desse filme é a interpretação dos atores principais (pai e filha). O pai constantemente está com um semblante cheio de angústia, não sabemos se ele se culpa por ter um amor (não exatamente paterno) pela filha ou se ele sabe que ela tem um amor por ele que é diferente e ele não sabe como lidar, ou algum outro sentimento pesaroso (e ao final, isso se revela e ele toma uma atitude bem complexa). Em contrapartida, a personagem da Shell é sempre muito curiosa, e sabemos que ela tem dois sentimentos: Querer muito ir embora.. E ao mesmo tempo, ficar com a pessoa que ela mais ama. O filme é muito instigante, o final tem um fato trágico, porém muito pertinente e interessante para protagonista.
Vc consegue sentir a solidão, e a carência por afeto que essa gera
Silencioso, melancólico, triste e lindo, visualmente inclusive, flerta com situações polêmicas, mas mantem uma sutileza e ternura em todos vazio do cotidiano de Shell, gostei dos detalhes... o cabelo sempre batendo ao vento, a fumaça da xícara , o lance dos cervos e da infinitude da estrada.... adorei o filme!
Dá uma dor na gente tbm. É duro, áspero e sensível. O cenário desolador só enfatiza a imensa devastação afetiva das personagens. O silêncio fala e machuca. Cada mínimo olhar, cada gesto carrega consigo uma dor absurda enraizada numa brutal solidão. Parece que tudo está sempre a pronto de romper, de explodir num grito absurdo e vazio.