Em um pequeno café uma jovem senta-se com frequência na mesa do canto e parece estar sempre digitando em seu laptop. A autora busca inspiração nos diálogos que acontecem ao seu redor, dando continuidade a eles e até mesmo intervindo nas conversas dos clientes. Seria ela responsável pelos dramas dos relacionamentos?
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"Você é a razão pela qual ela morreu."
Grass #Grass de #HongSangsoo Coréia do Sul,2017.
"Você fala como um poeta."
O Hotel às Margens do Rio #HotelByTheRiver Coréia do Sul,2018.
É muito difícil fazer o cinema que o coreano Hong Sang-soo faz, pois parece nada, parece simples e chegar nessa naturalidade é pra poucos, por isso encanta tanto ver suas histórias e personagens. Vi de uma vez só Grass e O Hotel às Margens do Rio, e a experiência é muito prazerosa. Grass fala de pessoas que frequentam um pequeno café, conversam, situações se repetem, mas a vida muda. Já em "Hotel" são duas histórias que se unem nesse hotel gelado no meio da neve: um velho poeta está morrendo e chama os filhos para conversar, em outro quarto uma jovem sofre a dor da traição do namorado e tem como refúgio uma amiga que vai encontrá-la. Ambos os filmes são minimalistas, quase sem ação, é o cotidiano na nossa frente, passando despercebido e modificando tudo.
#KimMinhee #JungJinyoung #KiJoobong #SeoYounghwa #KiJoobong #SongSeonmi
Um dos trabalhos mais interessantes do Hong Sang-soo. O cineasta expõe histórias semelhantes, do ponto de vista de uma (não) escritora. "Eu não sou escritora. Eu apenas escrevo."
Sang-soo hora nos coloca no papel da protagonista e hora nos transforma em uma testemunha. O interessante da estética é que, como em todos os filmes do diretor, a câmera parece pesada. Ela está, constantemente, limitada à certos planos e ângulos. Quando se move, parece se arrastar lentamente, com grande esforço. Dizendo para o telespectador o quanto é "pesado" e difícil nos colocarmos, de fato, no local do outro. A própria protagonista, que adora ouvir as histórias de desconhecidos, não consegue entender decisões simples de seu próprio irmão.
É uma obra bastante curta, mas longe de ser adequada para passar o tempo. O melhor aqui é mergulhar na melancolia dos personagens e aproveitar o poder que a fotografia tem de contar histórias.
Até agora, meu favorito do diretor: incrível como e sintético, como resume todas as suas obsessões, de maneira indicial mas não definitiva. A protagonista 'voyeur' (ou melhor, 'audieur') está soberba, e o modo como as tramas vão alinhavando-se, com vistas à inevitável metalinguagem, é impressionante, um trabalho de tessitura narrativa caro à maestria deste cineasta, que sabe repetir-se de maneira genial e surpreendente. De todos os seus filmes, este é o mais gritado (minha mãe chegou a assustar-se com o diálogo inicial) e o uso da fotografia em preto-e-branco realça os detalhes emocionais que saltam aos olhos em cada movimento delicado de câmera (delicado mesmo quando brusco - ou principalmente). Quando proclama que, "afinal, as pessoas são apenas emoções", eu gemi. Que filme lindo, que desfecho antionioniano antológico (em chave inversa, diga-se: pois, aqui, o que mais rola é comunicabilidade). E a seqüência insigne da escada? Os convites feitos e as reações inusitadas? Amei. Estou apaixonado pelo Hong Sang-Soo novamente: com ênfase! <3 (WPC>)
Uma variação da ideia voyeurista de Câmera de Claire só que um pouco mais “invasiva” – e curiosamente, também mais empática, talvez a escrita tenha esse poder mesmo.
Uma belezinha em preto e branco. Reflexivo