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O filme começa com uma narrativa sobre uma médica de meia-idade chamada Natasha que está vivendo uma fase de ira explosiva e agressiva após a morte de seu marido e se transforma em um conto sobre um professor inglês insatisfeito chamado Nikolai que volta e meia adormece, independente do que esteja acontecendo a sua volta.
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eu teria amado mais se o filme inteiro fosse como a primeira parte... mas entendo que a segunda também é necessária — sintoma da crise de seu tempo, a violenta perturbação coletiva ante a falência soviética.
O segmento inicial (a parte iracunda da astenia) é absolutamente genial: identifiquei-me sobremaneira e rendi-me por completo à denúncia de desolação implantada que advém daquela estupendamente discursiva fotografia em tons sépia...
De repente, o filme muda completamente de tom: assume certa metalinguagem intencional e assemelha-se a um OITO E MEIO coletivo, como seria esperado na conjuntura soviética em esfacelamento. Demorei um tantinho para entender a mensagem, para imiscuir-me naquele ambiente degradado tanto emocional quanto infraestruturalmente, mas, de repente, o bocejo contagia - e tudo fez sentido: a parte sonolenta da astenia estraçalhou-me também. Filme absolutamente genial, muito à frente de seu tempo, extremamente corajoso e estupefaciente em seu uso oportuno da nudez masculina. Amei! (WPC>)
Um filme de simbologias complexas e difíceis. Nem todas eles ficaram claras em meu entendimento muito por ignorância de minha parte possivelmente. No fundo é um retrato do homem que constantemente se equivoca em seus caminhos de vida, perdido e fragilizado pelo meio que o consome.
Masturbação estética completamente vazia e insossa. Forçando muito a barra, dá pra acompanhar com algum interesse a meia hora inicial, com a história da viúva. Mas a partir daquela cena metalinguística na sala de cinema, vira um exercício de estilo interminável e sem absolutamente nada a acrescentar.
Em tempo: os dois comentaristas abaixo nada mais fizeram do que copiar - sem mencionar a fonte - várias linhas da resenha do filme no livro "1001 Filmes pra Ver Antes de Morrer", com pouquíssimos acréscimos. Têjem desmascarados! :-P
A diretora russa Kira Muratova (1934) dirigiu em 1989 esta bela obra-prima na qual descreve com imagens poéticas um mundo caótico e desumano pontuado por dois personagens principais. No início, filmado em preto e branco acentuado com tons em cinza, acompanhamos o desespero e a loucura de uma médica chamada Natasha, papel de Olga Antonova, que não consegue se consolar ao perder o marido, a cena no cemitério é simplesmente sublime, uma das cenas mais realistas de um enterro que já pude assistir até hoje, até pensei que fosse um enterro real sendo filmado, mas quando a ficção revela-se descobrimos que tudo fazia parte do processo cênico extremamente bem realizado de Muratova. Quando o outro personagem principal da trama surge na tela passamos para o momento a cores da narrativa, o professor Nikolai, interpretado pelo co-roteirista Sergei Popov, sofre da tal síndrome astênica que dá título ao filme, e ao contrário da médica que explode em agressividade, ele simplesmente adormece não importa o barulho ou as situações que estejam ocorrendo ao seu redor. O filme exige paciência do espectador, mas o resultado é um filme simplesmente inesquecível cheio de imagens arrebatadoras como a do canil com cachorros e gatos abandonados, a cena do enterro e a cena final no metrô. É considerado um dos melhores filmes da Glasnost [Transparência] e da Perestroika [Reestruturação], período político que marcou a abertura da antiga URSS [1922-1991] com o governo de Mikhail Gorbatchev eleito em 1985.