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Data de lançamento
29 Dez. 1971Duração
David Sumner (Dustin Hoffman) é um acadêmico americano muito calmo. Ele se casa com a inglesa Amy (Susan George) e, buscando fugir do estilo de vida da cidade grande, os dois se mudam para a zona rural da Cornualha, onde Amy cresceu. Ali, David não é bem acolhido pela população, sobretudo pelos homens. As provocações se tornam cada vez mais agressivas e um evento brutal poderá despertar o lado espantosamente violento de David.
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Um dos filmes que mais me deixou desconfortável na vida, e olha que eu já vi muita coisa. Porque o Peckinpah é muito habilidoso em ir incluindo pequenas situações desconfortáveis que todos já passamos ou já vimos alguma vez na vida, seja de alguém sofrendo uma injustiça ou alguém sendo inconveniente, e com isso acaba sendo inevitável que não nos identifiquemos com o protagonista logo nos seus momentos iniciais. Com isso, toda essa escalada de incômodos vai chegando ao final até um ponto insuportável, com o espectador ficando tão transtornado quanto o personagem, realmente achando melhor partir para um tudo ou nada.
O filme claramente levanta temas interessantes sobre violência, masculinidade e a ideia de que a civilização pode ser apenas uma camada muito fina quando as pessoas são levadas ao limite. Nesse sentido, a proposta do diretor Sam Peckinpah é provocativa e dá margem para várias interpretações.
Dito isso, confesso que achei o ritmo bem morno durante boa parte da duração. A primeira metade é arrastada e demora para realmente engatar, com várias cenas que parecem se prolongar mais do que o necessário. Existe toda uma construção de tensão na pequena comunidade do interior da Inglaterra, mas em alguns momentos ela acaba soando repetitiva.
A real é que o filme só se justifica nos seus 30 minutos finais. É ali que a chave vira e vemos a transformação do personagem do Dustin Hoffman. De um intelectual passivo a um sujeito territorialista e violento, a sequência da invasão da casa é, de longe, o ponto alto (e talvez o único momento realmente memorável).
É um clássico? Sim, pela coragem de ser desconfortável e pela direção visceral do Peckinpah no clímax. Mas é um filme esquecível em boa parte da sua duração. Vale pela curiosidade histórica e pelo quebra-pau final.
Um thriller atordoante. A tensão é crescente e explode em um final extremamente violento, marca registrada de Peckinpah.
O que seria de mim sem os filmes de Sam Peckinpah?? Em meio a tanta violência, seus personagens de uma forma ou de outra ainda conseguem mostrar humanidade, a sequência final... Em seus filmes a violência nunca é vazia, ela dói, pesa, cobra um preço mas o que permanece é a lealdade, a dignidade e a consciência trágica de que aquele mundo está acabando com os seus personagens icônicos. O que falar desse homem né?
Talvez o melhor filme de Peckinpah , tenso e incômodo desde a primeira sequência (ironicamente ele abre o filme com a crianças brincando num cemitério , ecoando seu outro clássico , "Meu ódio Será Sua Herança"). O casal central (ambos ótimos) é aos poucos arrastado para o espiral de violência e selvageria no qual não é possível racionalizar e que inevitavelmente leva a uma conclusão brutal e inesquecível. De certo modo atípico dentro da filmografia do diretor (poucos diálogos , pouca música) , o filme é um estudo arrasador dentro da temática "civilização x barbárie". Clássico!