Henry Hearst é um rico e famoso advogado que com sua bela esposa chega ao Festival de San Sebastian em San Juan, Porto Rico, dispostos a auxiliar na arrecadação de verbas para os desabrigados da ilha, vítimas da fúria de um devastador furacão. Porém, no meio da festa, ele e sua esposa são chamados para depor na delegacia por seu amigo Victor, para esclarecer o fato de, no dia anterior, Henry ter encontrado o corpo de uma garota de 12 anos. A partir de então tem início um interrogatório que faz com que Henry logo perceba que ele está sendo acusado de ter cometido o crime.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Primeiro, eu sou fã do Morgan Freeman. Antes de assistir ao filme, inclusive, fiz um post no meu Instagram dizendo que o Morgan Freeman nunca me decepcionou. Até hoje, não assisti a nenhum filme dele que tenha me decepcionado, e com esse não foi diferente.
Cara, que filme. É um filme claustrofóbico, com uma sensação de pressão constante a todo momento. As atuações são perfeitas, tanto do Gene Hackman quanto do Morgan Freeman, misturadas com uma atuação mais distante e contida da Monica Bellucci, que combina muito com a personagem.
O filme explora bastante os segredos dentro dos relacionamentos e até onde uma pessoa pode chegar para escondê-los ou protegê-los. A tensão do interrogatório é trabalhada de forma excelente do início ao fim, mantendo o espectador preso à história.
E a reviravolta final foi perfeita. Funcionou muito bem e deu ainda mais força para tudo o que o filme vinha construindo ao longo da trama.
Foi uma grata surpresa. Peguei esse filme sem pretensão nenhuma em um leilão e, para ser sincero, cheguei até a cogitar vendê-lo. Depois de assistir, não tem a menor chance. Vai permanecer na minha coleção.
Um filme muito bom, com atuações impecáveis, uma atmosfera sufocante na medida certa e uma história que prende do começo ao fim. Faltou muito pouco para eu considerá-lo excelente, mas ainda assim foi uma baita aquisição para a coleção.
#rumoaos2000
ok
22.03.2003
Para gostar de Under Suspicion, é preciso antes aceitar uma ideia que beira o inverossímil: um milionário, dono de uma firma de advocacia, cercado de dinheiro e prestígio, se submete, espontaneamente, a um interrogatório policial sobre crimes hediondos. Não só se submete, como passa horas sendo lentamente cozido numa sala abafada, em vez de simplesmente dizer: “falem com meus advogados” e seguir para o jantar de gala onde faria um discurso elegante, como os ricos fazem. O filme exige esse salto de fé. E veja só: aceitamos. Porque logo entendemos que não se trata apenas de um caso criminal, mas de um jogo psicológico em que a suspeita deixa de ser sobre estupros e assassinatos, e passa a ser sobre quem cede primeiro.
Henry Hearst, o milionário vivido com precisão dúbia por Gene Hackman, parece mais preocupado em esconder um segredo patético do que um crime abominável: ele trai a esposa. E talvez, para ele, essa traição seja mais imperdoável do que ser acusado de pedofilia e assassinato. Sim, soa absurdo, e é. Mas o filme aposta exatamente nisso: que um homem poderoso seja capaz de suportar o risco de uma acusação monstruosa para não admitir que o casamento fracassou, que o teatro social desabou.
O filme se constrói como um duelo, quase uma partida de xadrez emocional, entre Henry e o detetive Victor Benezet, interpretado com a serenidade fria de Morgan Freeman. Cada movimento é calculado: perguntas, evasivas, pequenas contradições. E o recurso estilístico mais interessante é como o filme transforma relatos em encenações: quando Henry descreve encontrar uma das vítimas, não apenas ouvimos o relato — somos transportados para a cena, e lá estão também os policiais, como se transitassem entre memória, imaginação e mentira. O suspense cresce justamente nesse espaço ambíguo onde não sabemos mais o que é fato e o que é versão.
Aos poucos, a figura altiva de Henry vai se desfiando: um cachorro que ele alega ter levado, mas que ninguém viu; fotos tiradas em locais suspeitos; um casamento que não é apenas desgastado, mas morto, com a esposa trancada em outro quarto, a 18 metros de distância. E há o detalhe incômodo: ele conheceu a esposa quando ela tinha 11 anos. O filme não faz acusações diretas, mas esse dado paira como uma nuvem tóxica. Henry tenta usar o poder para intimidar (“eu posso acabar com a carreira de vocês”), mas é desmontado peça a peça, até sobrar um homem exausto, incapaz de sustentar a própria fachada.
E então vem o final: abrupto, divisivo, e talvez o mais inverossímil de todos. A polícia identifica o verdadeiro culpado, mas Henry, ainda assim, confessa. Não porque seja culpado, mas talvez por fadiga, por não aguentar mais a desconfiança da esposa, que há muito deixou de acreditar nele. O filme sugere, então, que nem sempre confessamos por culpa — mas por desespero, ou por falência emocional. Under Suspicion é um suspense que se sustenta não pela verossimilhança, mas pela tensão psicológica e pelo embate verbal — um duelo onde cada palavra é uma lâmina. No fim, fica menos a pergunta sobre quem é culpado, e mais a sobre quem somos quando não conseguimos mais manter de pé a imagem que construímos.
Belo filme, Gene Hackman e Morgan Freeman arrasam em uma trama intrincada, na recheada de máscaras que caem e de acusações supostamente infundadas. Uma história na qual a luta de classes também é um pano de fundo, assim como as relações humanas.
Monica Bellucci também arrasa, mas o ponto franco em termos de atuação é do Thomas Jane, que entrega um personagem petulante, em uma atuação fraquíssima.
É um ótimo filme, bastante peculiar. Uma pena que as legendas do filme estão horríveis (erros ortográficos, palavras grudadas) e a qualidade da imagem é bem questionável. Que a Amazon corrija isso e entregue um bom produto para seus assinantes.