Dirigido por
Data de lançamento
10 Jan. 1987Duração
Enfrentando um futuro incerto, Witek, um jovem polonês estudante de medicina, decide interromper seus estudos e pegar um trem para Varsóvia. Três possibilidades podem ocorrer na vida de um rapaz que pegará o trem: encontrar no vagão um grupo de comunistas, filiando-se ao partido; não conseguir subir no trem, escapar de uma prisão e viver como dissidente marginal; ou perder o embarque e tornar-se um médico desinteressado por política.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
passei o filme inteiro reparando na semelhança do ator principal, Boguslaw Linda, com o ator da parceria do Joachim Trier: Anders Danielsen Lie (Oslo, 31. august)
Impressiona a profundidade com que Kieślowski aborda temas controversos sem cair em proselitismo, pregações ou imposição de dogmas. Em "Blind Chance", isso fica evidente. O enredo é complexo e, de início, me deixou confusa até compreender que a história detalharia três possibilidades de destino para o protagonista (Witek), desencadeadas por um mesmo ponto de interseção: a partida de um trem. Cada uma das alternativas apresentava rumos completamente diferentes, inclusive no campo da espiritualidade, dos ideais políticos e dos relacionamentos.
Kieślowski parece refutar a hipótese de que temos um destino previamente traçado. Ao contrário, o filme mostra como ficamos sujeitos ao acaso, a eventos fortuitos que, independentemente de nossas escolhas, podem mudar radicalmente nossas vidas. Esse entendimento restringe a ideia de livre-arbítrio, propondo em seu lugar uma liberdade relativa, onde é possível refazer a rota em cada contexto ou simplesmente seguir o fluxo natural dos acontecimentos.
O ponto de interseção entre os três destinos representa o acaso. Pegar ou não pegar o trem? O resultado não dependia da vontade do personagem, assim como ele também não escolheu as pessoas que encontrou pelo caminho. O que então o guiou e fez com que se tornasse permeável às influências externas e às situações que se apresentavam? Provavelmente suas convicções e sua abertura emocional e intelectual. Assim, Kieślowski sugere que o entrelaçamento de todos esses fatores traça nosso destino: o acaso oferece os caminhos, as pessoas nos atraem para um deles e nossa subjetividade decide se os aceita ou não.
- trabalha muito bem as possibilidades de futuro do protagonista
- uma ideia incrível e perturbadora de que como apenas um momento pode modificar completamente e definir a vida de uma pessoa
- lutar contra o capitalismo ou ser médico? escolhas..
- a atmosfera do país é todo meia escura, decadente, eu ia querer sair de lá e ir pra um lugar com sol em todas as possibilidades
- e aquele final hein, o destino não brinca
A ideia central do roteiro é muito boa, mas não tão bem desenvolvida como poderia ter sido. O filme se divide em três atos. Os dois últimos são de longe os mais interessantes enquanto o primeiro é longo, confuso e enfadonho. O que prejudicou o resultado final da obra como um todo. Para um diretor que fez grandes trabalhos como a minissérie televisiva "O decálogo" e a série de filmes da "Trilogia das cores" eu esperava bem mais dessa produção.
Sou fã Kieślowski desde que vi trilogia da cores e não estou conseguindo me perdoar por só assistir hoje, 23.11.24, essa joia rara. Verdade é, como disse Renato Russo, "Os Bons Morrem Jovens"