Three different persons, three different lives are connected in a mysterious way. 15-year old teenager suffering of misunderstanding, his glamorous and arrogant stepmother and the young untalented but full of optimism actress. Their destinies aren't predetermined and their lives are very fragile.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Star (Zvezda, no original), da premiada diretora russa Anna Melykian (que assina o roteiro em parceria com Andrey Migachev), é um retrato notável da rússia contemporânea e de como seus valores foram engolidos totalmente pelo imperialismo cultural do consumismo americano e do capitalismo.
Masha (Tinatin Dalakishvili) é uma bela jovem com pouco talento determinada a se tornar uma grande estrela do cinema. Convencida de que tem um corpo imperfeito, trabalha para pagar as cirugias plásticas que acredita serem absolutamente necessárias para que consiga bons papeis: orelhas, seios, pernas, lábios, nada escapa da ambição de ter o corpo "ideal" para conquistar a fama. Rita (Severija Janusauskaite) é uma socialite casada por interesse com um multimilonário e que tenta engravidar a qualquer custo, mas descobre estar sofrendo de uma rara doença terminal. Kostya (Pavel Tabakov) é o filho do marido de Rita, mas rejeita a própria posição social realizando pequenos furtos, ausentando-se da escola e mantendo uma relação de rancor com o pai e a madrasta.
Por acasos do destino, as vidas destes três personagens se cruzam, junto com suas ambições e anseios, mas o futuro não parece guardar coisas boas para nenhum deles. Nem o gélido pai de Kostya, com toda sua fortuna, sai imune do redemoinho provocado pela união improvável da esposa e do filho com Masha.
Além de ser um drama envolvente, com personagens bem desenvolvidos, cada qual percorrendo sua própria jornada meio sem rumo nem objetivos concretos de encontro ao próprio destino, vítimas do acaso e das próprias futilidades e escolhas, Star é, acima de tudo, uma crítica à corrupção dos valores na sociedade russa, dominada por roupas e bolsas de grife, referências a ícones culturais tipicamente americanos (Mickey Mouse aparece casualmente em mais de uma cena), e a busca do corpo perfeito idealizado e pela fama a qualquer custo.
A crítica ao mercado de arte contemporânea também é pungente, quando, entediadas, Masha e Rita cobrem os corpos de tinta e os pressionam contra telas em branco, posteriormente conseguindo expô-los em uma galeria de arte, que os compra sob a condição de que rita apresente um atestado de que realmente morrerá em três meses.
Mas talvez a cena mais icônica de Star seja a de Rita, desesperada, rezando o Pai-Nosso na cama de Masha. Ao levantar a cabeça, ao invés de deparar-se com um crucifixo, ela encara uma foto de Johnny Depp caracterizado de Jack Sparrow com os braços abertos na posição tradicional do messias - até mesmo os ícones religiosos foram substituídos pelos ícones da cultura pop americana.
Muito poderia ser discutido sobre Star, mas isto estragaria a experiência do espectador, que deve assistir ao filme sabendo o mínimo possível da história para que possa ser surpreendido pelas inúmeras surpresas que o aguardam.