Um adolescente enfrenta problemas com os colegas de sua escola, que o fazem passar por maus bocados por uma suposta homossexualidade. Para provar sua masculinidade, ele conta com a ajuda de uma mulher mais velha.
Drama em Metrocolor e CinemaScope da MGM e Loew's Inc. indicado a melhor revelação masculina no Globo de Ouro, John Kerr (1931-2013); no BAFTA, foi nomeado a melhor atriz britânica, Deborah Kerr (1921-2007). O filme foi uma adaptação da peça teatral de mesmo nome de 1953, de Robert Anderson (1917-2009).
Este filme foi um fracasso de bilheteria para a MGM de acordo com registros do estúdio. Houve uma refilmagem a seguir, a produção alemã feita para a TV Tee und etwas sympathie (67). Este filme foi adaptado de uma peça da Broadway estrelada originalmente por Deborah Kerr, John Kerr e Leif Erickson (1911-1986), que recriaram seus papéis no palco neste filme. Apesar de seus sobrenomes serem pronunciados da mesma forma, Deborah Kerr e John Kerr não eram parentes. Havia apenas uma diferença de 10 anos entre Deborah Kerr e John Kerr. A estréia de Norma Crane (1928-1973).
O filme não ignora o problema que retrata. O público moderno e contemporâneo entenderia que a estória condena abertamente os colegas de classe de Tom Robinson Lee, ao mesmo tempo que simpatiza com sua disposição única. Um melodrama delicado e contemplativo que reflete as ansiedades sexuais e sociais, falando da inclusão da homossexualidade, do adultério e da prostituição na peça.
A curiosidade por conferir este filme era enorme: imaginei-me conferindo este filme ainda na adolescência, o quão consolador seria... O requinte do cineasta, reconhecível também em seus filmes dramáticos, encontra seus píncaros na utilização da trilha musical e da fotografia exuberante. Mas são as interpretações grandiosas que mais chamam a atenção, dado que o casal Kerr está sublime (apesar o sobrenome, eles não são parentes): o John entrega-nos uma personificação contrita, enquanto a Deborah (que é a legítima protagonista) dota a sua personagem de várias camadas morais, tornando a leitura da carta derradeira um dos pontos altos do filme, aquele que mais me emocionou. Fiquei extremamente incomodado durante a sessão, não apenas por causa de minha frustração espectatorial (não é um filme sobre possível homossexualismo, mas sobre redirecionamento de crises maritais), mas sobretudo pela abordagem um tanto passivo-agressiva do machismo da época. Como fizeram-me esperar um coisa (e eu deparei-me com outra), a frustração supracitada é culpa de uma publicidade transversal, e no do filme em si, que adapta com excelência a peça homônima. Certeza de que, numa revisão, ficarei ainda mais arrebatado. Muito bonito e triste - e, ainda hoje, acontece tanto... (WPC>)
Não me surpreendeu, ao ler sobre o processo de adaptação da peça do Robert Anderson (por ele próprio), que a primeira e última cenas do filme foram adições para apaziguar os censores de Hollywood, que nunca permitiriam que o conteúdo da obra original chegasse às telas em sua integralidade. Afinal, elas destoam, muito claramente, de todo o resto — ou talvez seja mais adequado dizer que *elas* são o resto. O que me surpreendeu é que, apesar de todas as modificações necessárias (e foram muitas!), Robert Anderson e Vincente Minnelli não só foram bem sucedidos em retratar os temas da peça, mas também conseguiram desenvolvê-los numa discussão de inesperada nuance e topicamente atual sobre masculinidade, papéis de gênero, heteronormatividade e opressão.
Chá e Simpatia, o filme, pode até ser mais um na infeliz lista de obras queer* violadas pela imperdoável censura homofóbica de outrora — ou mesmo de hoje, sejamos sinceros —, que sequer permitiu o uso da palavra homossexual ou que pairasse alguma dúvida a respeito do protagonista, ao fim da história, mas é extraordinário o êxito de Anderson, Minelli e todos os envolvidos em conseguir realizar um trabalho tão poderoso na Hollywood de 1956.
* Ser uma obra de temática queer não significa que seu protagonista deve, necessariamente, ser (confirmado) LGBTQ+.
Excelentemente atuado. visualmente deslumbrante e extremamente sensível.
Drama em Metrocolor e CinemaScope da MGM e Loew's Inc. indicado a melhor revelação masculina no Globo de Ouro, John Kerr (1931-2013); no BAFTA, foi nomeado a melhor atriz britânica, Deborah Kerr (1921-2007). O filme foi uma adaptação da peça teatral de mesmo nome de 1953, de Robert Anderson (1917-2009).
Este filme foi um fracasso de bilheteria para a MGM de acordo com registros do estúdio. Houve uma refilmagem a seguir, a produção alemã feita para a TV Tee und etwas sympathie (67). Este filme foi adaptado de uma peça da Broadway estrelada originalmente por Deborah Kerr, John Kerr e Leif Erickson (1911-1986), que recriaram seus papéis no palco neste filme. Apesar de seus sobrenomes serem pronunciados da mesma forma, Deborah Kerr e John Kerr não eram parentes. Havia apenas uma diferença de 10 anos entre Deborah Kerr e John Kerr. A estréia de Norma Crane (1928-1973).
O filme não ignora o problema que retrata. O público moderno e contemporâneo entenderia que a estória condena abertamente os colegas de classe de Tom Robinson Lee, ao mesmo tempo que simpatiza com sua disposição única. Um melodrama delicado e contemplativo que reflete as ansiedades sexuais e sociais, falando da inclusão da homossexualidade, do adultério e da prostituição na peça.
um filme que tá em listas de filmes gays... nada a ver. Quebra de expectativa total
A curiosidade por conferir este filme era enorme: imaginei-me conferindo este filme ainda na adolescência, o quão consolador seria... O requinte do cineasta, reconhecível também em seus filmes dramáticos, encontra seus píncaros na utilização da trilha musical e da fotografia exuberante. Mas são as interpretações grandiosas que mais chamam a atenção, dado que o casal Kerr está sublime (apesar o sobrenome, eles não são parentes): o John entrega-nos uma personificação contrita, enquanto a Deborah (que é a legítima protagonista) dota a sua personagem de várias camadas morais, tornando a leitura da carta derradeira um dos pontos altos do filme, aquele que mais me emocionou. Fiquei extremamente incomodado durante a sessão, não apenas por causa de minha frustração espectatorial (não é um filme sobre possível homossexualismo, mas sobre redirecionamento de crises maritais), mas sobretudo pela abordagem um tanto passivo-agressiva do machismo da época. Como fizeram-me esperar um coisa (e eu deparei-me com outra), a frustração supracitada é culpa de uma publicidade transversal, e no do filme em si, que adapta com excelência a peça homônima. Certeza de que, numa revisão, ficarei ainda mais arrebatado. Muito bonito e triste - e, ainda hoje, acontece tanto... (WPC>)
Não me surpreendeu, ao ler sobre o processo de adaptação da peça do Robert Anderson (por ele próprio), que a primeira e última cenas do filme foram adições para apaziguar os censores de Hollywood, que nunca permitiriam que o conteúdo da obra original chegasse às telas em sua integralidade. Afinal, elas destoam, muito claramente, de todo o resto — ou talvez seja mais adequado dizer que *elas* são o resto. O que me surpreendeu é que, apesar de todas as modificações necessárias (e foram muitas!), Robert Anderson e Vincente Minnelli não só foram bem sucedidos em retratar os temas da peça, mas também conseguiram desenvolvê-los numa discussão de inesperada nuance e topicamente atual sobre masculinidade, papéis de gênero, heteronormatividade e opressão.
Chá e Simpatia, o filme, pode até ser mais um na infeliz lista de obras queer* violadas pela imperdoável censura homofóbica de outrora — ou mesmo de hoje, sejamos sinceros —, que sequer permitiu o uso da palavra homossexual ou que pairasse alguma dúvida a respeito do protagonista, ao fim da história, mas é extraordinário o êxito de Anderson, Minelli e todos os envolvidos em conseguir realizar um trabalho tão poderoso na Hollywood de 1956.
* Ser uma obra de temática queer não significa que seu protagonista deve, necessariamente, ser (confirmado) LGBTQ+.