Lisboa, 2027. Marta e Miguel são um casal e fazem parte de um grupo de cientistas. Os dois frequentemente assumem lados opostos no que diz respeito a questões científicas, e esse conflito é posto à prova quando dados analisados por Marta apontam para uma probabilidade alta de um enorme sismo atingir Lisboa. Os cientistas ficam indecisos sobre alertar ou não a população para a possível tragédia iminente.
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A burocracia política que atrapalha a ciência de agir como deve, de fazer o bem para todos.
A vida pessoal que pouco acontece e não tem espaço para protagonismo.
Uma obra que não funciona como filme de gênero, que não possui personagens interessantes(só a cachorrinha da protagonista) e que fica muito preso a tecnicalidades cansativas.
Sendo sincero: "Terremoto em Lisboa" talvez só conseguirá encantar mesmo àqueles que estudam terremotos.
Achei este filme bastante curioso: a partir de um mote tramático que, em determinado momento, flerta com os filmes-catástrofe tipicamente hollywoodianos, ele parte para uma discussão voltaireana sobre os limites excessivos entre vida pessoal e vida profissional, com esta última prevalecendo em relação à primeira. Provém daí uma interessante discussão sobre os paradigmas deontológicos levados a cabo por cientistas, em contraponto à falibilidade de suas ações humanas. Enquanto via o filme, curtíssimo, eu não sabia para qual lado ser conduzido espectatorialmente (por vezes, ansiava por saber mais sobre o terremoto em pauta; noutras situações, flagrava-me identificado com a 'workaholic' e forçadamente solitária protagonista), o que revela-se algo original e instigante, sobretudo na filmografia portuguesa, que tende a me fascinar pela versatilidade, diversidade e criatividade. Ao final, fica-se com a sensação de que o filme não explorou devidamente todas as vertentes enredísticas possíveis, mas, mesmo assim, propõe algo que foge da obviedade, que nos impulsiona ao debate, seja sobre o evento noticioso/espetacularizado em pauta, seja acerca de nossas decisões íntimas, comumente negligenciadas por aquilo que acontece lá fora. Curti, recomendo-o com discreto entusiasmo! (WPC>)