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Data de lançamento
15 Março 1972Duração
Em 1945, Don Corleone (Marlon Brando) é o chefe de uma mafiosa família italiana de Nova York. Ele costuma apadrinhar várias pessoas, realizando importantes favores para elas, em troca de favores futuros. Com a chegada das drogas, as famílias começam uma disputa pelo promissor mercado. Quando Corleone se recusa a facilitar a entrada dos narcóticos na cidade, não oferecendo ajuda política e policial, sua família começa a sofrer atentados para que mudem de posição. É nessa complicada época que Michael (Al Pacino), um herói de guerra nunca envolvido nos negócios da família, vê a necessidade de proteger o seu pai e tudo o que ele construiu ao longo dos anos.
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As Novas Desventuras de Cliff Booth
Simplesmente "CINEMA"!
Senti muito arrependimento de não ter assistido anos antes. Agora, além de entender todas as referências que fazem ao filme, ainda solto um suspiro de satisfação. Ô filme bom.
hmmm não me pegou não...
Referência masculina.
1972, isso não tem lógica, sem tanta tecnologia, e com um filme impactante nas suas imagens, atuações, histórias, falas, demorei demais pra assistir...
~Tem uns spoilers pelo meio, mas como fui escrevendo sem focar nos spoilers, tá por aí, tome cuidado~
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Foi um filme interessante de assistir, porque quebrou totalmente o sentimento que tive antes de começar "ai, lá vem mais um filme de máfia", que no fim se tornou uma critica interessante sobre poder, família, moralidade e como as pessoas mudam a partir das suas estruturas sociais.
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Acho muito interessante a construção que o Copolla dá para a família Corleone, buscando apresentar uma 'aparência' moral que é inexistente na prática. E isso vai sendo apresentado através da forma como a narrativa constrói o Michael.
A mentira funciona quase como uma identidade da família Corleone e parece que eles acreditam no que falam, não apenas como palavras levianas sendo proferidas. E isso fica bem explicito em dois pontos no filme, que são os paralelos que ligam os "DONs".
Em uma das primeiras cenas do filme, o Don Corleone pai, durante o casamento, menciona em uma das conversas, que a família Corleone "não é uma família que mata, como outras pessoas dizem". Já no final do filme, a fala final do Michael para a Kay sobre ter ou não matado o Carlo, o Don Corleone filho afirma que não. Nesse momento fica explícito que ele se tornou o DON.
Nessa situação parece como se eles tivessem criado uma "ideia própria sobre o que é moral" ou a "moralidade da família Corleone", ou seja, as ações não seriam entendidas por eles como um mero assassinato, mas como um problema empresarial da família, deslocando completamente o significado da ação.
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Um ponto que achei muito interessante, é a forma como a narrativa nos é apresentada.
Quando o Don Corleone pai fica incapacitado e o Sonny toma o controle da família, não somente a família muda, mas toda a dinâmica narrativa se altera. Sonny é apresentado como uma pessoa impulsiva, reativa e violenta, enquanto o Vito nos é apresentado como alguém frio, calculista e organizado.
Nesse sentido, enquanto o Corleone pai está no poder, seguimos uma narrativa mais "camuflada", com muitas cenas de família, festas, conversas e reuniões.
Quando o Sonny toma o controle da família, devido ao seu caráter impulsivo, a narrativa do filme se torna instável e acelerada, pois o centro organizador da família não está mais lá.
As coisas só começam a voltar ao normal quando o Michael se torna o líder da família, se apropriando das características mais próximas das que o Vito tinha, mas com características pessoais também. A partir desse momento, a narrativa dá uma esfriada, se torna mais alinhada e com um rumo a seguir, que é a busca pelo poder.
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Se eu pudesse definir as lideranças Corleone, eu diria que:
Vito foi um líder 'performático': Buscava vender a ideia de que sua família era a essência da moral, em que existia um direcionamento muito forte na imagem e presença da família.
Sonny foi um líder 'impulsivo e violento': Não tinha foco e achava que resolveria tudo na bala, tinha interações com a família, mas eram caóticas, tinha interações com os colegas, mas eram com traições, tinha interações com os inimigos, morreu.
Michael se tornou um líder 'diretor': Passou a controlar a narrativa para o que ele queria que acontecesse. O personagem juntou as características do pai e aperfeiçoou-as. Além de aprender com o Sonny sobre o que e como não fazer algo. Transformou a 'demonstração de poder' do Sonny em um 'saber social', ou seja, ele não demonstra que é poderoso, as pessoas agem porque sabem que ele é poderoso.
Não sei se essa é a ideia do filme, mas me pareceu que a narrativa do filme segue a liderança da família Corleone, tornando-se uma linguagem própria do filme.
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Acho interessante como a mudança do Michael é mostrada em vários momentos e de várias formas, você acompanha a jornada do herói que se transforma em Don. Algo que foi muito bem feito pelo Copolla, diga-se de passagem.
Considero que um dos momentos cruciais para a mudança do personagem ocorre com a morte de Apollonia. Toda a situação pré e pós morte me geram sensação de que o Michael estava buscando naquela situação na Sicília o resquício da sua identidade do "eu-herói" de antes de ter matado o Sollozzo e o McCluskey. Mas com a morte da atual esposa, soa como se o "sonho do Michael" tivesse acabado e a realidade parece ter aparecido de uma forma bem cruel.
"Depois do que fiz, não tem mais como voltar a ser o que era antes".
Nesse momento é como se o Michael entendesse que quando matou o Sollozo e o McCluskey, ele também matou o herói.
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Algo que eu gostei muito foi a cena inicial do filme, ali você compreende muito da dinâmica que vai rolar. Aquela cena é apresentada de uma forma 'caótico-organizado', em que muita coisa acontece, mas em uma progressão que você entende que existe o palco e os bastidores.
Nesse sentido, eu mudaria um pouco essa cena inicial.
Com toda a dinâmica dos bastidores da família Corleone, acredito que teria ficado ÉPICO se tivessem gravado essa cena em um plano sequência, seguindo o Don Corleone pai em cada ambiente e situação de forma ininterrupta. Em que você vai descobrindo esse sistema a medida que ele vai recebendo as pessoas.
Minha mudança se enquadra a forma como compreendi a narrativa. Seguindo a perspectiva do Vito, compreenderíamos ele como o eixo ao qual a família gira, tornando ele o cetro desse sistema familiar e dando potencia a essa narrativa-líder.
Acredito que teria sido uma das cenas mais emblemáticas do cinema.
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Enfim, não é um filme que estaria na minha lista de filme que eu mais gosto e/ou amei assistir, mas é inegável que foi um filme muito bem feito, principalmente depois que comecei a refletir para escrever esse texto.
Se fosse baseado no meu gosto pessoal sobre o filme, daria 3,5 estrelas, mas levando em consideração as questões técnicas e a forma como compreendi a narrativa, vale fácil um 4,5.