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The Raspberry Reich é um filme sobre o "radical chic", especificamente o fenômeno da esquerda moderna na Alemanha, que adota as significantes posturas de extrema esquerda, os movimentos dos anos 70, particularmente a Facção do Exército Vermelho, também conhecido como o grupo Baader-Meinhof.
O filme começa com o sequestro de Patrick, um jovem que é filho de um dos banqueiros mais ricos na Alemanha, por uma gangue de incompetentes aspirantes terroristas. O que a gangue não percebe é que o pai de Patrick o deserdou e o desprezou quando ele se assumiu gay e, portanto, ele não tem valor nenhum como refém. É, nada parece dar certo para esses bem-intencionados, mas ineficazes terroristas aspirantes.
The Raspberry Reich é um filme "political porn" de arte, que como na maioria dos filmes de Bruce La Bruce, usa a pornografia como um ponto de partida para avaliar a política sexual e o radicalismo homossexual. Um exercício de gênero, que vale a pena ser assistido.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
É uma das sátiras mais divertidas e geniais que eu já vi. É tipo um filme do Gregg araki só que mais poha louca ainda.
A Grudun é uma personagem tão interessante e bem construída. Mesmo ela pagando de marxista, que luta contra o sistema capitalista e a opressão, ela acaba se tornando tão opressora quanto o que ela jura combater. Usando sua posição como líder do grupo, pra obrigar seus amigos a sempre seguirem suas ordens, sem terem o direito de questionar. Mostrando aquela irônica e dolorosa realidade. De que até mesmo os líderes revolucionários, quando tem o mínimo de poder, podem se corromper e tornar líderes autoritários. E também ela era beeem fetichista. Falando o tempo todo "a heterossexualidade é o ópio do povo" só pra ver os capachos dela se pegando.
E eu adorei ela e foda-se. Ela era uma babaca hipocrita mas não obrigava ninguém a fazer nada. Os roubos, sequestro e sexo, todos faziam por livre e espontânea vontade por puro tédio e qualquer um poderia ir embora quando quisesse. Tanto que quando o casal apaixonado resolveu fugir, o grupo todo se desfez e cada um seguiu sua vida. É muito bom assistir uma mulher meio doida da cabeça, liderando um bando de homens submissos e bobões KKKKKK e mesmo depois de aparentemente começar a viver em um relacionamento hetenormativo padrãozinho e até ter um bebê, ela continua obcecada pela ideologia política dela. É muito divertida.
E o final é perfeito. Com certeza, o melhor é o Patrick(que no início do filme visivelmente se deixou sequestrar) e o Clyde virando os novo bonnie e clyde, botando pra fuder com os bancos do papai homofóbico do Patrick. Finalmente deixando de ser apenas revolucionários performáticos, pra realmente incomodarem o sistema, como assaltantes queer.
Cabeça na revolução e calcinha no chão
ISSO É HISTÓRIA, ISSO É REVOLUÇÃO E EU PRECISO FAZER PARTE DELAAA!!
The Raspberry Reich (2004
) é um filme que se eleva ao extremo, é um edição politicamente psicodélica e muito bem retratada. O filme passeia pelo ato de se revolucionar, levando tudo ao pé da letra, as vezes parece uma sátira ao extremismo e, nas outras vezes, parece um grande enaltecimento de paradigmas comunistas.
As falas do desgraçado do Bush surgindo enquanto o grupo transa loucamente, mensagens como “FAÇA AMOR (REVOLUCIONÁRIO) E NÃO GUERRA (IMPERIALISTA)” e falas como “A REVOLUÇÃO É O MEU NAMORADO!”, “LIBERTE-SE DA SUA OPRESSÃO HETEROSSEXUAL” e “A propriedade privada não pode ser roubada, só pode ser libertada” me deixaram absurdamente maravilhado!!
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☭🏳🌈"DEATH TO THE AMERIACAN FASCIST INSECTS"☭🏳🌈
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É. É um filme com uma mão na cueca e a outra na consciência hahaha
Quase perco os dois rins pra terminar de assistir, por culpa do hiperfoco, mas felizmente fui até o fim.
É interessante como o Bruce consegue praticamente inverter a lógica do pornô mainstream: enquanto que no pornô usual, a narrativa é apenas uma ponte para a excitação que vem a seguir, aqui são justamente as cenas de sexo explícito, os punhetaços, as gozadas que preparam terreno para a narrativa. E a mistura máxima é justamente a cena do elevador: enquanto algumas coisas estão 'subindo', a loucura vai descendo em espiral.
Em alguns momentos, me lembrou muito os pornôs tchecos (a cena inicial em que o Patrick aparece é muito os filmes da BelAmi ou do Czech Hunter hahaha).
Funciona na medida em que o Bruce sabe usar muito bem a ironia da lógica ilógica dos pornôs para fazer "denúncias" que podem soar e zoar ao msm tempo com(o) o objeto de crítica.
É até interessante dizer, em paralelo, que os melhores filmes de pornô gay me parece que tenham sido feitos pela CockyBoys, com quem ele trabalhou ao fazer os curtas de "It Is Not the Pornographer That Is Perverse..." (conheci a obra por "O Diabo em Madrid").
Mesmo assim, ele ainda consegue sustentar, ainda que brevemente a seriedade do impasse posto no centro da narrativa, que aparece desde a sinopse: não há transgressão sem interdição, e é isso que acredito que mais frusta os planos da Gudrun ao descobrir que o Patrick é um rejeitado pelo próprio pai devido à sua homossexualidade. Para em seguida negociar com essa figura patriarcal que sequer entra em campo: "Ele vai querer vc de volta para confirmar a heterossexualidade compulsória dele, para que possa te 'curar'."
Fiquei sabendo dps que têm duas versões (assisti ao "The Revolution Is My Boyfriend"). E se não fossem as legendas zoadas (e incrivelmente ainda assim sincronizadas), eu teria gostado ainda mais. Inclusive, esse título é bem interessante pq aponta para as duas direções, que se reproduzem nos slogans contraditórios (ou não) da Gudrun (como na cena do 'roubo' no mercadinho: a revolução é o namorado (a revolução é o que importa); meu namorado é que é a revolução (mais subreptício, mas confrontando quando perguntam a ela se não está sendo egocêntrica).
Eu só tinha assistido o Gerontofilia, e embora esse último seja meu preferido, há aqui um exercício melhor da mistura entre pornô e filme de arte/filme experimentalista. Ou seja, é praticamente como redescobrir o Bruce LaBruce na sua filmografia anos 2000.
No fundo, valeu a pena. :)
Assistido em 12 de Fevereiro de 2024, segunda-feira.