Em Sapporo, ao rever um velho yakuza doente no leito de morte que teve um papel importante em sua vida, Torajiro decide ajudá-lo a reencontrar o filho. No retorno à Shibamata, Tora recebe uma bronca da irmã Sakura insistindo que ele pare com a vida de vagabundo. Será que ele vai seguir o conselho da irmã e passar a ganhar sua vida graças ao suor de um trabalho honesto?
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O quinto filme de Tora-san marca o retorno de Yoji Yamada no papel de diretor que ele assumiu com êxito proporcional ao número de continuações na saga do vagabundo mais amado pelo público japonês. Que êxtase visual! Se comparado com os dois precedentes realizados por Morisaki e Kobayashi, este me pareceu superior até em nível fotográfico, especialmente as paisagens de Urayasu e as ferrovias em planos longos tão yamadianos.
A poesia no rosto iluminado de Tora-san e do parceiro de andanças sem rumo, o jovem Noboru, apreciando a partida do trem aqui eternizada em filme graças à contribuição inestimável do diretor de fotografia Tetsuo Takaha. Suas imagens metafóricas sobre a vida como trajetória em movimento: as passagens de trem e do Tora-san que dorme num barco sendo levado pelo rio alteram a intriga principal como as famosas 'pillow shots' do Ozu.
Que curioso pensar em seus filmes interligados! A presença marcante neste é da Chieko Baisho como Sakura, a irmã de Tora-san. Também tem Hisashi Igawa evocando o magnífico Kazoku (“Família”,1970) do mesmo ano. Muitos notam as coincidências entre os filmes dele fora da saga “Otoko wa Tsurai yo”: como se o começo de uma obra fosse a continuação de outra e, no caso de Tora-san, a dita fórmula do personagem brinca mesmo com a repetição.
E, por falar nisso, a canção tema do filme após cinco sessões fica de fato inesquecível ao trazer aquele momento de emoção tão esperado quando o personagem aceita as próprias limitações. Entre suor e lágrimas do trabalho honesto que tanto pedia a irmã Sakura, Tora-san se engana mais uma vez no que diz respeito aos sentimentos da musa do filme Setsuko, interpretada com muita delicadeza por Aiko Nagayama. A reflexão final é a perseverança de Tora-san ao conseguir ultrapassar o fracasso e terminar sorrindo, contando suas piadas.