Dirigido por
Duração
Max Fischer (Jason Schwartzman), um rapaz de quinze anos, conseguiu uma bolsa de estudos em Rushmore, uma escola preparatória para jovens de famílias ricas. Apesar de se dedicar a várias atividades extra-curricualres, Max corre o risco de ser expulso, em virtude das suas notas serem baixas. Ele se torna amigo de Herman Blume (Bill Murray), um magnata que atravessa uma depressão. Max se apaixona por Rosemary Cross (Olivia Williams), uma professora que tinha ficado viúva um ano atrás, mas há dois problemas: Rosemary acha que Max é muito novo para ela e, além disto, Herman se apaixona por Rosemary e os dois se envolvem, criando entre Fischer e Blume uma certa rivalidade.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Melhor filme de Wes Anderson e um dos meus filmes do coração.
Storytelling quase interessante sem ter uma história interessante
Encerro a minha breve maratona de filmes do Wes Anderson com aquele que, embora não seja oficialmente o seu primeiro trabalho, é, sem dúvida, a porta de entrada ao excêntrico universo cinematográfico criado pelo diretor. Assisti a esse longa, pela primeira vez, há anos atrás e, apesar de ter considerado bom, não havia o entendido por completo. O curioso é que estava no colégio e tinha quase a mesma idade do protagonista, porém, talvez por ser ainda muito jovem, somente consegui devidamente apreciar a esta obra após reassistir um bom tempo depois e já estando mais velho.
Nesta produção, o então iniciante cineasta, apesar de ainda não abusar da simetria, já apresentava alguns dos seus marcantes elementos visuais. No caso, um senso de cor singular, focando principalmente em azuis, verdes e vermelhos para criar uma realidade intensificada. Não obstante, diferentemente do que irá ocorrer no restante da carreira de Anderson, na qual o visual excêntrico será o grande chamativo, aqui presenciamos uma versão mais "limpa" do diretor, com um foco maior no roteiro e nas personagens.
O roteiro, diga-se de passagem, começou a ser escrito por Wes e Owen Wilson, antigos colegas e amigos desde a faculdade, até bem antes do seu primeiro trabalho juntos - Bottle Rocket. Além disso, a história, incluindo características dos personagens, reúne diversos aspectos extraídos das suas respectivas juventudes e por experiências que passaram ao longo da vida. Por exemplo, Wilson, assim como o protagonista do filme, igualmente havia sido expulso do colégio.
De início, o personagem Max Fischer, muito bem interpretado por um Jason Schwartzman também em início de carreira, pode parecer simples, caricato e, em determinados momentos, até irritante. Repleto de energia e ambição, ele, por outro lado, carecia da mesma motivação nos seus estudos e de discernimento na vida acadêmica. Sempre tomando decisões impulsivas e distraindo-se em atividades extracurriculares enquanto suas notas encontravam-se no fundo do poço, Fischer estava constantemente a um fio de ser expulso.
No entanto, alguns detalhes cuidadosamente deixados pelos roteiristas nos ajudam a compreender melhor o protagonista, as suas motivações e uma escondida complexidade que, à princípio, pode passar despercebida. "Sic transit gloria". Essa é uma famosa expressão, em latim, que significa "assim passa a glória do mundo", indicando que a fama, o poder e as conquistas materiais são passageiras. Essa, não à toa, também é uma das primeiras coisas que Max diz à Sra Cross e uma frase presente na lápide de sua mãe.
Em outras palavras, Anderson deixa subentendido que a mãe de Marx era uma pessoa aventureira e sonhadora, mas que morreu ainda muito jovem antes de fazer tudo aquilo que gostaria. O protagonista, por sua vez, toma isso como uma espécie de aprendizado e busca viver a sua vida ao máximo, criando clubes, escrevendo peças e realizando o máximo de atividades que for possível.
No entanto, o principal tema do filme não é sobre "viver a vida ao máximo", e sim sobre amadurecimento e como esse processo, por vezes, pode ser tortuoso durante a juventude. Veja bem, Marx tem confiança, energia e ambição de sobra, mas sem o devido foco e maturidade, tudo isso, em dado momento, acaba se virando contra, com ele perdendo a garota que amava, os seus amigos e o seu futuro acadêmico. Isso tudo somente é recuperado quando ele amadurece, entende que não se pode ter tudo, que se deve valorizar boas amizades e que, muitas vezes, é necessário perdoar e seguir em frente.
Esse tema é explorado de maneira competente pelo filme, sob a forma de humor negro inserido em um romance. E a história flui naturalmente em um roteiro bem amarrado, divertido e acompanhado de trilha sonora composta por clássicos do rock britânico, que transmitem com perfeição o espírito do protagonista e do ambiente colegial. O elenco também merece elogios, pois, além de Jason, também brilham a deslumbrante Olivia Williams e o carismático Bill Murray, em uma de suas melhores atuações da carreira - e que iniciava uma longa parceria com o diretor.
Aliás, Murray merece uma menção especial, mesmo em um papel, em tese, coadjuvante. O seu personagem, Herman Blume, é um rico homem de meia idade, que enfrenta uma crise no casamento e vive uma vida tediosa, tornando-se amigo de Marx por admirar a sua confiança e enxergar nele todas as qualidades que gostaria de ver em si próprio e em seus filhos. Mesmo com todas as diferenças entre eles, incluindo a idade, ambos eram muito parecidos, por exemplo, em sua paixão à Sra Cross, que os levava a agir de forma irracional e até infantil - e rende talvez a melhor sequência do filme. Vale destacar que Anderson e Wilson criaram o personagem tendo o veterano ator em mente e ele não decepciona.
Em resumo, "Rushmore" é não apenas o primeiro vislumbre da realidade excêntrica criada por Wes Anderson, mas um dos melhores trabalhos do diretor e parada obrigatória para quem aprecia o seu estilo diferenciado. O filme diverte, emociona e nos traz um clima de nostalgia dos tempos de colégio e da juventude, assim como todas as descobertas, paixões e frustrações que vêm junto. Recomendado.
História desinteressante, muito clichê,apesar das atuações serem boas e a trilha também,protagonista tá estranho no papel. Isso é um caso de clássico de forma muito superior ao conteúdo e a experiência foi decepção e talvez seja o pior desse grande diretor.
Visto em 11.09.2025.