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Data de lançamento
26 Set. 2020Duração
Sílvia (Débora Marçal), uma jovem e sensitiva pesquisadora de mercado, enfrenta as agruras do subemprego enquanto aguarda o resultado de um concurso público. Jerusa (Léa Garcia) , uma graciosa senhora de 77 anos, é testemunha ocular do cotidiano vivido no bairro do Bixiga, recheado de memórias ancestrais. No dia do aniversário de Jerusa, enquanto espera sua família para comemorar, o encontro entre suas memórias e a mediunidade de Sílvia lhes proporciona transitar por tempos e realidades comuns às suas ancestralidades.
Baseado no curta-metragem O Dia de Jerusa (Viviane Ferreira, 2014).
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Uma superficialidade tamanha que diminui o peso de diálogos com tanto potencial. Resultado de uma direção que parece não entender a importância da história que estava tentando contar.
- todo o texto do filme é maravilhoso
- histórias de luta, resistência, amor e cultura que sobrevivem
- léa garcia é sensacional, está ótima!
- pena que o andamento fica estranho, talvez funcionasse ainda melhor como pseudo documentário ou se fosse apresentado de outra forma, mas talvez o impacto fosse diferente
"Um Dia com Jerusa" é uma joia cinematográfica que transcende o simples ato de assistir a um filme, tornando-se uma experiência de introspecção e reconhecimento histórico. A narrativa delicada de Viviane Ferreira nos presenteia com um encontro entre gerações e memórias, oferecendo um espelho onde podemos refletir sobre nossas próprias ancestralidades.
O filme nos transporta para o cotidiano do Bixiga, um bairro que pulsa com histórias e lembranças ancestrais, personificadas por Jerusa, vivida magistralmente por Léa Garcia. Através de seus olhos, somos convidados a revisitar o passado, não apenas como espectadores, mas como partícipes de uma história que é continuamente escrita e reescrita.
Sílvia, a jovem pesquisadora sensitiva, simboliza a ponte entre o presente e o passado. Sua jornada, marcada pelo subemprego e pela espera ansiosa por um futuro incerto, ecoa a realidade de muitos brasileiros. É através de sua conexão mediúnica com Jerusa que o filme revela suas camadas mais profundas, desnudando a riqueza das histórias não contadas, das vidas não vividas plenamente, das vozes silenciadas.
A poética do filme reside na sua capacidade de capturar a efemeridade da vida e a permanência das memórias. A direção de arte e a fotografia são primorosas, conferindo uma aura quase onírica à narrativa. Cada frame é uma pintura, cada diálogo, uma poesia.
Em um mundo onde a linearidade e a praticidade são frequentemente valorizadas, "Um Dia com Jerusa" nos desafia a abraçar o subjetivo, o intangível. Nos faz questionar o que escolhemos lembrar e o que deixamos para trás. A solidão de Jerusa é um reflexo da nossa própria desconexão com o passado, uma desconexão que o filme busca reparar, ainda que de forma tênue e sutil.
Este longa é uma celebração da mulher negra, de suas lutas e conquistas, de sua resiliência e sabedoria. É um chamado à ação, um lembrete da importância de reconhecer e valorizar nossas raízes. A atuação de Léa Garcia é um testemunho do poder da memória e da história, um convite a escutar e aprender.
"Um Dia com Jerusa" não é apenas um filme. É um manifesto poético, uma homenagem às gerações que nos precederam, um convite à reflexão sobre o que significa ser brasileiro e a complexa tapeçaria de nossas identidades. Uma obra que, apesar de suas imperfeições, brilha com uma luz própria, digna de ser descoberta e apreciada.
Fazer cinema é treta bicho, maravilhoso filme!
Aprendizagens. Singelo. Marcante. Lindo demais.