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Data de lançamento
28 Ago. 2025Duração
Aos quase sessenta anos, após uma vida dedicada à poesia e aos excessos, Oscar Restrepo enfrenta uma crise existencial. Em sua tentativa de melhorar, ele conhece Yurlady, uma jovem poetisa de um bairro humilde. Determinado a ajudá-la a cultivar seu talento, Oscar busca redimir seus próprios fracassos, mas corre o risco de arrastá-la para o mesmo mundo destrutivo que o consumiu.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Muito bonito 💔
Destaco a farpa que o filme lança ao expor a tendência sectária de um identitarismo vazio e performático no meio artístico e intelectual. A cena que envolve o festival de poesia e os mentores do projeto, é bem ilustrativa.
Por outro lado, Oscar Restrepo vive em uma ficção criada por suas ilusões literárias. Acredita ser um autor maldito, um Rimbaud moderno. E nisso vem a tragicomédia, ao enxergamos nele uma figura caricata, beirando o constrangimento - por mais humano que se pareça em sua fragilidade psicológica.
O contraste surge quando encontra Yurlady, voz poética orgânica. Com ela, a poesia não assume um caráter acadêmico e pretensioso. O efeito desse choque em Oscar fica subentendido quando já no final do filme, o quadro de um autor maldito que sempre estava na parede do seu quarto, como uma referência do seu pensamento, já não está mais ali. Desso modo, o poeta parece abrir mão de suas fantasias e, quem sabe, enxergar mais o seu entorno.
Essa produção colombiana é, ao mesmo tempo, hilária e melancólica, protagonizada por um personagem que consegue ser, curiosamente, uma caricatura cheia de camadas, o típico artista sofredor e incompreendido, descolado da realidade, mas que aqui se torna um poço de carisma e humanidade, numa interpretação extraordinária de Ubeimar Rios. A poesia funciona como motor narrativo, impulsionando a história e revelando tanto uma sátira aos oportunismos do universo literário quanto uma reflexão sobre a arte como uma necessidade existencial.
u-a-u... sem palavras! daqueles que te escangalham
Impressão de ter visto algo único, nas construções de cena, câmeras e trilha sonora. Uma tragicomédia que valeu muito ter visto, retrata bem sociedade, o que é e não é valorizado, as diferentes subjetividades e dificuldades da vida.
Ainda traz referências como Alejandra Pizarnik e o sample de La Noche.