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Data de lançamento
29 Set. 1948Duração
Nova York. Os detetives da polícia Collins (Fred Clark) e Candella (Victor Mature) observam um trapaceiro insignificante, Martin Rome (Richard Conte), que matou um policial, receber a extrema unção, pois acabou sendo baleado. No entanto Martin se recupera e planeja enganar Collins e Candella, pois só assim irá escapar do seu destino, que é a pena de morte. Rome recebe duas visitas no hospital: Teena Riconti (Debra Paget), sua namorada e a única mulher que realmente amou, que foi secretamente visitá-lo, e Niles (Berry Kroeger), um advogado corrupto que tenta fazer Rome assinar uma confissão dizendo que participou de um grande roubo de jóias, pois confessando ou não ele irá para a cadeira elétrica e em troca Teena receberia 10 mil dólares para começar a vida em outro lugar. Rome se recusa a assinar e Niles ameaça incriminar Teena como seu cúmplice. Preocupado que Candella, que foi seu amigo de infância, possa encontrar Teena, Rome foge da prisão e vai ao escritório de Niles para aparentemente aceitar a oferta, mas na verdade planeja deixar o país com Teena.
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O filme Cry of the City (1948) é bom, mas desperta certa frustração pela teimosia de Martin Rome. Ele teve várias oportunidades de deixar tudo para trás, mas insistiu em agir do jeito errado. Ainda assim, há momentos menores, quase discretos, que acabam se destacando no meio da trama e mostram como o filme é cheio de boas ideias e detalhes que às vezes passam despercebidos.
Logo no começo, por exemplo, há uma cena excelente em que o irmão de Martin fala em italiano ao telefone. É um detalhe rápido, mas muito inteligente — a confusão dos policiais, sem entender uma palavra, cria um contraste interessante entre o improviso da família Rome e a rigidez da lei. É uma dessas passagens sutis que revelam como o roteiro é cheio de pequenos detalhes importantes e interessantes.
Mais adiante, a cena em que Martin mata o advogado Niles é outro bom exemplo de como o personagem se perde nas próprias decisões. Ele poderia ter resolvido a situação facilmente — bastava colocar a faca na mão da garota que foi baleada por Niles, e talvez ninguém o ligasse diretamente ao crime, a menos que descobrissem o telefonema.
Fiquei com dó de Orvy —
um sujeito que, mesmo à sua maneira, conseguiu o que queria, ainda que de um jeito triste. É uma dessas pequenas histórias paralelas que mostram que, em meio ao crime e à culpa, todos ali estão tentando se agarrar a algo.
Como o próprio Candella diz no final, Martin usou as pessoas sem se importar com as consequências — e isso é lamentável, pois ele tinha uma boa família e um irmão que o via como herói, alguém em quem se espelhar e tomar como exemplo.
Hope Emerson entrega uma participação marcante, com uma personagem singular que só ela poderia interpretar. Debra Paget aparece pouco, mas o suficiente para deixar sua presença registrada, assim como Shelley Winters.
O destaque, no entanto, fica para Richard Conte e Victor Mature. Os dois são o centro do filme — personagens vindos do mesmo ambiente, mas que escolheram caminhos opostos. É compreensível que, às vezes, o crime pareça a única saída para certas pessoas, talvez até uma forma de não se humilhar em determinadas situações. Mas esse não era o caso de Martin: ele vinha de uma boa família, tinha base, e poderia ter tentado algo melhor.
Há quem simplesmente não aprenda, desperdiçando todas as chances que a vida oferece.
Cry of the City é um filme atemporal — não muito longo, mas que em alguns momentos parece se arrastar sem chegar a lugar nenhum, o que reflete bem o destino sem saída que Martin Rome escolheu para si. Mesmo assim, são justamente essas pequenas cenas e personagens secundários que tornam o filme mais rico e interessante do que parece à primeira vista.
Assistido em 30/10/2025
Assisti hoje o meu 101º noir!
Gostei muito, vide direção, elenco, direção de arte, locações e roteiro!
Destaque para a sinistra gigante Rose (Hope Emerson)!
Filme realizado na época em que o vitimismo não havia chego em Hollywood.
Cry of the City mantém um roteiro bastante atual. Candella cresceu no mesmo bairro pobre de Martin, mas não se tornou um bandido, alegando não ter oportunidades na vida. Há uma cena de dialogo entre os dois, que demonstra que nem todo mundo cai nesse papo furado. Victor Mature, como sempre, esta atuando com um bom desempenho.
Muito bom Noir!
A profundidade psicológica dos personagens é interessante, sendo muito ambíguos a maior parte do tempo, como é de costume do estilo. Com atenção especial para as femme fatales, que roubam a cena algumas vezes.
Um filme que envelhece bem pelo roteiro e personagens, porém muito mal com as cenas de ação (como do final do filme), que chegam a ser risíveis.
Bom filme policial,ainda hoje consegue ser bastante atual.