Com somente algumas pinceladas históricas e sociológicas, o filme parece que tem pressa de terminar, mesmo abordando um tema interessantíssimo, que poderia render muito mais.
Há um encontro muito bem vindo entre a trilha e as imagens, e um roteiro que parece até mesmo um prelúdio a "A origem", mas com retornos no tempo para dar vazão à criatividade de Buñuel e do Dalí, dois gigantes. Eu particularmente sou mais ignorante e metódico, mas a curta duração ao menos fez me divertir.
O mais impressionante nos trabalhos de Miyazaki é como ele consegue criar personagens carismáticos a ponto de nos interessarmos por eles, mesmo com um fiapo de história e uns planos bem duvidosos. Parece mais algo experimental.
É bonitinho, mas se percebe de longe o olhar elitizado ao projeto, cujo produto é de fato um marketing social de uma ONG. Essa tensão no trabalho irrompido por lampejos como "ida ao cinema", "esperteza para revender", "educação", mostra como idealizamos as personagens sem atacar a estrutura, típico do carnavalesco que leva pobreza à Marques de Sapucaí.
Justiça ou vingança? Um documentário que mergulha nas dores íntimas tanto da vítima e de seus familiares como de quem executa a ação, bem como de profissionais envolvidos. Sabemos que a humanidade deu errado quando ainda existem estados permitindo legalmente matar outro ser humano (independentemente dos erros que este tenha cometido). No entanto, me incomoda um pouco a visão racionalista dos fatos, pois é absolutamente natural esse sentimento de vingança, o que é meio constrangedor forçar o perdão. Assim, com a câmera na cara de alguém fica estranho arrancar um "eu te perdoo". Veja, e isso o papel de controlar as emoções deve ser das instituições. Ainda assim, fantástica reflexão sobre o tema, não pelo documentário em si, que é bem quadrado, mas pelo apelo do assunto mesmo.
Ela é maravilhosa, mas se percebe o desconforto que é deixá-la como o foco das atenções, de modo que é um documentário estranho, tangenciando sempre que possível. Passou a sensação de ser até desnecessário tudo isso.
O filme todo é imersivo, sugestivo e reflexivo, uma câmera sem cortes vai acompanhar o interior de uma casa e suas mais variadas facetas, com cores darks e algumas cores mais claras, mostrando basicmente a energia oculta de um ambiente. Claro que é um exercício imaginativo, às vezes as imagens meio surrealistas são puro devaneio, outras vezes parece querer comunicar algo, como por exemplo, o passado de alguém, as vidas que alipassaram, ou uma depressão quase melancólica e a bsca de tornar os recintos mais coloridos, nem sempre com êxito. Ainda assim, é um filme de exercício estilístico, sem um roteiro linear, que vai seguir as imagens e consegue ora impressionar, ora cansar.
Mesmo que tente se esforçar por emular algo parecido a um personagem Kafkaniano, cumprindo sua obrigação e desolado, acompanhado do doguinho, percebo que restou muito pouco de tensão, e a mensagem ficou meio fragmentada. Acaba subitamente, o que reforça ontem episódico.
Obra-prima, impressina como até hoje é pulsante, mesmo com técnicas para lá de ultrapassadas. É um momento onde o cinema nascia como algo muito insipiente, sem saber direito do seu poder e, portanto, o filme se perde numa espécie de rito às imagens, uma festança gratuita à sétima arte, sem se preocupar tanto com o filme em si. Em certos momentos parece um carnaval, de tão maluco que é. E isso tudo é justificado: os seres humanos descobrindo como eternizar imagens em movimento. Histórico.
Ao mesmo tempo que é genuinamente lindo, e falo aqui tanto da mensagem quanto da estética mesmo, comtraços delicados mas que conseguem transmitir a emoção dos seus personagens, também é cheio de clichês de livros de autoajuda. Amizade e busca pelo amor, num roteiro simples e idílico. É um conto de fadas num ambiente com neve e personagens fofos, feito para esquecer da realidade por meia hora, mas que não sobrevivem para além daquele espaço.
Muito bonito os traços e o filme ao menos consegue passar a angústia de uma jovem adulta, ainda morando com os pais. O sentimento de solidão e busca em prazeres momentâneos é captado de forma simples e direto. Claro que poderia ser mais robusto, em especial na interação da jovem, mas conseguiu uma boa representação, ainda que não tão aprofundada quanto poderia ter sido.
Um nível de lacração mirim absurdo, e chego a cogitar que não foi o mais natural possível, mas ainda que necessário tendo em vista, como diria Foucault, pesar sobre a infância uma influência gigante de interdição.
Contudo, o documentário cansa ao apelar para uma frase que resuma determinado livro e também pela lista enviesada (mais lacração). Uma boa ideia não muito bem executada.
O trabalho quase artesanal de consertar peças em favor de materializar as condições para se levar arte a quem menos tem acesso é realmente muito digno. Mas o documentário a todo instante apela para o dramalhão típico de programas sensacionalista de auditórios: trilha maçante, histórias jogadas ao leu (pareciam cortes feitos para clipes do criança esperança), falta de conexão com um todo... Ao menos temos sinceridade em certos momentos, muito por causa do trabalho sério daqueles que consertam, mas infelizmente careciam de um trato melhor ao seu ofício.
Searit Huluf também participa de filmes como "Red" e "Soul", e faz de "self" um curta muito bonito de se ver, e sem qualquer diálogo consegue passar sua mensagem. Entretanto, os poucos minutos que tem não consegue se aprofundar naquilo que poderia ser a alma da animação: os impactos de não ser você mesmo. É bonito, tocante, mas poderia sim desenvolver melhor o argumento.
Ok, isso aqui me quebrou de um jeito que nem sei o que comentar. Lindo, um lampejo de humanidade naquele abraço e um absurdo de humanidade naquele choro do David Oyelowo.
Forçou demais em vários aspectos, como se assinar "Almodóvar" fosse garantia de tudo, até mesmo de uma espécie de coito interrompido: parece que não houve tempo de desenvolver os personagens, e termina meio abruptamente, sem clímax, sem paixão. E o grande empasse é que tinha uma história a ser desenvolvida aqui, com personagens interessantes demais para serem tão mal desperdiçados. A trilha sonora, por exemplo, é somente regular, assim como todos os enquadramentos (aliás, o do flashback é meio tosco). Ao se demorar onde não deveria (no caminhar do deserto, por exemplo) e atropelar momentos importantes (como no final), mostra somente um potencial desperdiçado. Contudo, ainda há toques de sensibilidade, como por exemplo na cena inicial em que os marmanjos se olham ou quando vão para o quarto, a jogado com o espelho, o enfoque na cama... Infelizmente não passou do superficial, sem agregar muitos elementos ao gênero.
Roald Dahl é um escritor britânico que já teve inúmeras de suas obras adaptadas ao cinema, entre elas "Matilda", "A fantástica fábrica de chocolate", "O bom gigante amigo", e até mesmo "O fantástico senhor raposo", que fora adaptado pelo próprio Wes Anderson. Aqui, o diretor novamente adapta um livro do Dahl e o faz com grande maestria e criatividade técnica. A solução para os diversos cenários e a narrativa fluida estão impecáveis. Depois de derrapar em "Asteroid City", confesso que não estava com tanta expectativa assim. A sequência me lembrou muito a introdução de "Magnólia" pela agilidade com que os fatos são narrados, pela cadência dos diálogos e o humor levemente ácido. mas além dos cenários que são econômicos, porém, muito criativos, aqui finalmente o roteiro está enxuto e linear (não espere algo muito sofisticado, o que é um alento, já que os longas dele são verdadeiros quebra-cabeças) e conta com uma opção de narrador/personagem altamente divertida, a quarta parede definitivamente desmoronada sem soar irritante, em prol de contar a história. E por mais irônico que possa parecer, senti falta de uma reviravolta ou de um momento de ápice no filme, como se o clímax ficasse meio soterrado pela fluidez de uma leitura em vídeo. Assim, o filme acaba sendo excessivamente narrado e sem uma pausa para contemplação, prejudicando em momentos decisivos, embora tudo o que tenha sido posto seja de puro agrado. É um filme maduro, no entanto, de um diretor que já tem uma identidade visual muito acertada, e que encontrou o tom condizente com o seu estilo. Mesmo que não surpreenda, tudo é muito agradável de assistir.
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Entre muros
1.5 2Com somente algumas pinceladas históricas e sociológicas, o filme parece que tem pressa de terminar, mesmo abordando um tema interessantíssimo, que poderia render muito mais.
Um Cão Andaluz
4.1 709 Assista AgoraHá um encontro muito bem vindo entre a trilha e as imagens, e um roteiro que parece até mesmo um prelúdio a "A origem", mas com retornos no tempo para dar vazão à criatividade de Buñuel e do Dalí, dois gigantes. Eu particularmente sou mais ignorante e metódico, mas a curta duração ao menos fez me divertir.
O Sol de Yuki
3.2 21 Assista AgoraO mais impressionante nos trabalhos de Miyazaki é como ele consegue criar personagens carismáticos a ponto de nos interessarmos por eles, mesmo com um fiapo de história e uns planos bem duvidosos. Parece mais algo experimental.
Anuja
3.4 49 Assista AgoraÉ bonitinho, mas se percebe de longe o olhar elitizado ao projeto, cujo produto é de fato um marketing social de uma ONG. Essa tensão no trabalho irrompido por lampejos como "ida ao cinema", "esperteza para revender", "educação", mostra como idealizamos as personagens sem atacar a estrutura, típico do carnavalesco que leva pobreza à Marques de Sapucaí.
I Am Ready, Warden
3.4 29Justiça ou vingança? Um documentário que mergulha nas dores íntimas tanto da vítima e de seus familiares como de quem executa a ação, bem como de profissionais envolvidos. Sabemos que a humanidade deu errado quando ainda existem estados permitindo legalmente matar outro ser humano (independentemente dos erros que este tenha cometido). No entanto, me incomoda um pouco a visão racionalista dos fatos, pois é absolutamente natural esse sentimento de vingança, o que é meio constrangedor forçar o perdão. Assim, com a câmera na cara de alguém fica estranho arrancar um "eu te perdoo". Veja, e isso o papel de controlar as emoções deve ser das instituições. Ainda assim, fantástica reflexão sobre o tema, não pelo documentário em si, que é bem quadrado, mas pelo apelo do assunto mesmo.
A Única Mulher na Orquestra
3.3 38 Assista AgoraEla é maravilhosa, mas se percebe o desconforto que é deixá-la como o foco das atenções, de modo que é um documentário estranho, tangenciando sempre que possível. Passou a sensação de ser até desnecessário tudo isso.
Os Simpsons: A Melhor Época do Ano
2.9 3Qual a necessidade disso? Que surto foi esse? Parece mais um comercial de Natal (no caso, de Halloween), e sem muito dos Simpsons. Desnecessário.
Os Caras Malvados: Assalto Assombrado
2.9 7 Assista AgoraAlém dos plots cansarem e serem sem graça, é tudo muuuuuuito previsível. Uma estrela somente pelo carisma dos caras mesmo, porque a história é pífia.
A Place Without Fear
3.3 4O filme todo é imersivo, sugestivo e reflexivo, uma câmera sem cortes vai acompanhar o interior de uma casa e suas mais variadas facetas, com cores darks e algumas cores mais claras, mostrando basicmente a energia oculta de um ambiente. Claro que é um exercício imaginativo, às vezes as imagens meio surrealistas são puro devaneio, outras vezes parece querer comunicar algo, como por exemplo, o passado de alguém, as vidas que alipassaram, ou uma depressão quase melancólica e a bsca de tornar os recintos mais coloridos, nem sempre com êxito. Ainda assim, é um filme de exercício estilístico, sem um roteiro linear, que vai seguir as imagens e consegue ora impressionar, ora cansar.
Bestia
3.8 72Mesmo que tente se esforçar por emular algo parecido a um personagem Kafkaniano, cumprindo sua obrigação e desolado, acompanhado do doguinho, percebo que restou muito pouco de tensão, e a mensagem ficou meio fragmentada. Acaba subitamente, o que reforça ontem episódico.
Viagem à Lua
4.4 881 Assista AgoraObra-prima, impressina como até hoje é pulsante, mesmo com técnicas para lá de ultrapassadas. É um momento onde o cinema nascia como algo muito insipiente, sem saber direito do seu poder e, portanto, o filme se perde numa espécie de rito às imagens, uma festança gratuita à sétima arte, sem se preocupar tanto com o filme em si. Em certos momentos parece um carnaval, de tão maluco que é. E isso tudo é justificado: os seres humanos descobrindo como eternizar imagens em movimento. Histórico.
O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo
4.0 157 Assista AgoraAo mesmo tempo que é genuinamente lindo, e falo aqui tanto da mensagem quanto da estética mesmo, comtraços delicados mas que conseguem transmitir a emoção dos seus personagens, também é cheio de clichês de livros de autoajuda. Amizade e busca pelo amor, num roteiro simples e idílico. É um conto de fadas num ambiente com neve e personagens fofos, feito para esquecer da realidade por meia hora, mas que não sobrevivem para além daquele espaço.
The Red Sea Makes Me Wanna Cry
3.4 1Ficou só na intenção mesmo
27
3.7 8Muito bonito os traços e o filme ao menos consegue passar a angústia de uma jovem adulta, ainda morando com os pais. O sentimento de solidão e busca em prazeres momentâneos é captado de forma simples e direto. Claro que poderia ser mais robusto, em especial na interação da jovem, mas conseguiu uma boa representação, ainda que não tão aprofundada quanto poderia ter sido.
O ABC da Proibição de Livros
3.6 31Um nível de lacração mirim absurdo, e chego a cogitar que não foi o mais natural possível, mas ainda que necessário tendo em vista, como diria Foucault, pesar sobre a infância uma influência gigante de interdição.
Contudo, o documentário cansa ao apelar para uma frase que resuma determinado livro e também pela lista enviesada (mais lacração). Uma boa ideia não muito bem executada.
A Última Loja de Consertos
3.9 33 Assista AgoraO trabalho quase artesanal de consertar peças em favor de materializar as condições para se levar arte a quem menos tem acesso é realmente muito digno. Mas o documentário a todo instante apela para o dramalhão típico de programas sensacionalista de auditórios: trilha maçante, histórias jogadas ao leu (pareciam cortes feitos para clipes do criança esperança), falta de conexão com um todo... Ao menos temos sinceridade em certos momentos, muito por causa do trabalho sério daqueles que consertam, mas infelizmente careciam de um trato melhor ao seu ofício.
Eu Mesma
3.6 6Searit Huluf também participa de filmes como "Red" e "Soul", e faz de "self" um curta muito bonito de se ver, e sem qualquer diálogo consegue passar sua mensagem. Entretanto, os poucos minutos que tem não consegue se aprofundar naquilo que poderia ser a alma da animação: os impactos de não ser você mesmo. É bonito, tocante, mas poderia sim desenvolver melhor o argumento.
E Depois?
3.2 76 Assista AgoraOk, isso aqui me quebrou de um jeito que nem sei o que comentar. Lindo, um lampejo de humanidade naquele abraço e um absurdo de humanidade naquele choro do David Oyelowo.
Estranha Forma de Vida
3.3 187 Assista AgoraForçou demais em vários aspectos, como se assinar "Almodóvar" fosse garantia de tudo, até mesmo de uma espécie de coito interrompido: parece que não houve tempo de desenvolver os personagens, e termina meio abruptamente, sem clímax, sem paixão.
E o grande empasse é que tinha uma história a ser desenvolvida aqui, com personagens interessantes demais para serem tão mal desperdiçados. A trilha sonora, por exemplo, é somente regular, assim como todos os enquadramentos (aliás, o do flashback é meio tosco).
Ao se demorar onde não deveria (no caminhar do deserto, por exemplo) e atropelar momentos importantes (como no final), mostra somente um potencial desperdiçado. Contudo, ainda há toques de sensibilidade, como por exemplo na cena inicial em que os marmanjos se olham ou quando vão para o quarto, a jogado com o espelho, o enfoque na cama...
Infelizmente não passou do superficial, sem agregar muitos elementos ao gênero.
A Incrível História de Henry Sugar
3.6 179 Assista AgoraRoald Dahl é um escritor britânico que já teve inúmeras de suas obras adaptadas ao cinema, entre elas "Matilda", "A fantástica fábrica de chocolate", "O bom gigante amigo", e até mesmo "O fantástico senhor raposo", que fora adaptado pelo próprio Wes Anderson.
Aqui, o diretor novamente adapta um livro do Dahl e o faz com grande maestria e criatividade técnica. A solução para os diversos cenários e a narrativa fluida estão impecáveis.
Depois de derrapar em "Asteroid City", confesso que não estava com tanta expectativa assim. A sequência me lembrou muito a introdução de "Magnólia" pela agilidade com que os fatos são narrados, pela cadência dos diálogos e o humor levemente ácido. mas além dos cenários que são econômicos, porém, muito criativos, aqui finalmente o roteiro está enxuto e linear (não espere algo muito sofisticado, o que é um alento, já que os longas dele são verdadeiros quebra-cabeças) e conta com uma opção de narrador/personagem altamente divertida, a quarta parede definitivamente desmoronada sem soar irritante, em prol de contar a história.
E por mais irônico que possa parecer, senti falta de uma reviravolta ou de um momento de ápice no filme, como se o clímax ficasse meio soterrado pela fluidez de uma leitura em vídeo. Assim, o filme acaba sendo excessivamente narrado e sem uma pausa para contemplação, prejudicando em momentos decisivos, embora tudo o que tenha sido posto seja de puro agrado.
É um filme maduro, no entanto, de um diretor que já tem uma identidade visual muito acertada, e que encontrou o tom condizente com o seu estilo. Mesmo que não surpreenda, tudo é muito agradável de assistir.