Muito difícil fazer filmes que entendam drama sem serem exageradamente, ou irrealmente, dramáticos. Que tratem de assuntos viscerais sem sensacionalizar. Que transmitam as dores das personagens sem transformá-las em estereótipos ou representações caricatas de um único traço de personalidade. Cada personagem aqui tem o seu drama pessoal carregado ao longo de vidas que têm momentos de felicidade, de leveza, vidas completas. São vidas tristes, mas vidas contínuas. É tão realista que não queremos ver e ao mesmo tempo não queremos parar de assistir. É assim que se faz um bom drama.
Eu queria entender o porquê dessa mania IRRITANTÍSSIMA que os filmes que almejam o Oscar têm tido em arrastar de mais de duas horas com cenas mil que poderiam simplesmente não estar na trama porque só enchem linguiça. Anora fez isso com tanta maestria que ficou parecendo filme da sessão da tarde, e Marty Supreme é cria desse mesmo movimento. Eu entendi o objetivo de dinamismo, de desespero, de "TÁ TUDO DANDO ERRADO" que o filme quer passar, mas ele se passa demais. As melhores cenas, como
que a gente que passou o filme todo aceitando que a personagem principal é apenas um cuzão precisa engolir - ele de repente percebe que o sentido da vida é ter um filho e que agora vai ser tudo feliz e ele vai mudar
. É um excelente candidato a vencer o Oscar não porque é excelente, mas porque seguiu todas as fórmulas que estão em alta - mil atores renomados jogados, núcleos que não mudam EM NADA o desenvolvimento da trama ou aprofundamento das personagens, fabricação e exagero visível -, mas é o que Hollywood tem premiado, né. Fazer o quê?
Sabendo que foi o filme vencedor do maior prêmio da temporada, fiquei decepcionada. E não, não é porque queria que Ainda Estou Aqui ou Fernanda ganhassem - o Brasil ganhou muito, assim como Irã, Países Baixos, Letônia, tantos países pouco ou nada reconhecidos que com certeza têm tantos talentos como nós e só esse ano puderam brilhar. Não é sobre torcida. O buraco é mais embaixo, mesmo.
Mikey Madison é excelente atriz, despreendida ao se entregar a um papel tão expositivo, completamente imersa no papel, e o fato de a atriz ser completamente oposta à personagem demonstra isso. O problema não é Mikey, não é o brasileiro querendo ganhar, não é nem o etarismo que entrou tanto em pauta nesse período pós-Substância. O problema é que Anora não era o melhor filme indicado, simplesmente.
Em vários momentos, o filme tem diálogos pouco eloquentes, extremamente repetitivos, cenas que não agregam em nada o enredo e dinâmicas cansativas que arrastam momentos que poderiam ser muito mais impactantes se fossem mais curtos.
A cena da briga na casa dura tanto, e as falas são basicamente as mesmas repetidas mil vezes. Faria sentido na vida real, mas no cinema o tempo é diferente - e precisa ser. O mesmo se aplica à noite de busca por Ivan, com os diálogos no carro entre Anora e os "capangas" beirando o insosso, porque simplesmente nada é agregado à cena, tudo apenas se repete.
Mikey demonstrou uma capacidade imensa de controle de atuação, com nuances interessantíssimas que, infelizmente, não tanto vi em Demi Moore esse ano, mas vi em Fernanda Torres (melhor em Fernanda até por seu tempo de experiência). Mikey não merece o ódio que vem recebendo, apesar de Anora de fato não merecer o Oscar. Mas, honestamente, já perdemos muito mais injustamente em 1999, e a Academia percorreu um longo caminho até chegarmos aqui. Quem sabe daqui pra frente não vemos mais reconhecimento, ou talvez o término dessa supervalorização do Oscar? Vamos esperar que sim.
Assim que Sue percebe que sua própria beleza está em risco, se sente ameaçada e corre para tentar achar uma versão mais perfeita de si mesma, que nunca deixou de ser Elizabeth em primeiro lugar (é por isso que o monstro tem o rosto de Elizabeth, não Sue). É justamente essa corrida que nunca acaba, porque é impossível satisfazer a vontade de Hollywood por juventude e beleza, que faz o filme ser tão redondinho: mesmo as atrizes novas, que se tornam as queridinhas e aparecem em todos os lugares, depois de um tempo enjoam (e Sue corria esse risco ao ficar com as deformidades causadas pelo abuso da substância, que eu vi como apenas um modo de demonstrar como é cada vez mais rápida a obsolescênciadas atrizes hoje em dia); Jennifer Lawrence é um exemplo ótimo - foi indicada ao Oscar dois anos seguidos, era a favorita da América, e hoje não se fala mais, apenas para criticar sua comédia mais recente apontando JUSTAMENTE que está "velha demais para esse tipo de papel".
O monstro ao fim é a metáfora final para aquilo que o filme tratou o tempo todo: não existe meio de voltar atrás no tempo para rejuvenescer, e quando interferimos nesse processo natural (botox, harmonizações, implantes), o resultado pode ser monstruoso. E ele também retrata o pânico desenfreado em ser perfeito - a reação da plateia, de terror, é uma ilustração ótima disso.
Não achei tão exagerado quanto dizem, achei o uso do humor genial. E é uma questão de cruzar o limite da civilidade e chegar - literalmente - à selvageria.
Mas a gente tem de admitir que a ideia de um "Show de Truman" de terror era até boa, eles conseguiram pegar todos os estereótipos dos filmes e ainda não deixaram ficar tão previsível; eu só não diria que é um filme de terror, tá mais pra terrir.
mas acho que o documentário é bem feito, e é interessante ver como Theroux é interrompido e calado toda vez que tenta passar suas ideias. Só me resta duvidar o quanto duraria esse "legado", como seria o futuro dessas pessoas, porque eu, honestamente, não vejo nada.
Réquiem para um Sonho
4.3 4,4K Assista AgoraMuito difícil fazer filmes que entendam drama sem serem exageradamente, ou irrealmente, dramáticos. Que tratem de assuntos viscerais sem sensacionalizar. Que transmitam as dores das personagens sem transformá-las em estereótipos ou representações caricatas de um único traço de personalidade. Cada personagem aqui tem o seu drama pessoal carregado ao longo de vidas que têm momentos de felicidade, de leveza, vidas completas. São vidas tristes, mas vidas contínuas. É tão realista que não queremos ver e ao mesmo tempo não queremos parar de assistir. É assim que se faz um bom drama.
Marty Supreme
3.7 329 Assista AgoraEu queria entender o porquê dessa mania IRRITANTÍSSIMA que os filmes que almejam o Oscar têm tido em arrastar de mais de duas horas com cenas mil que poderiam simplesmente não estar na trama porque só enchem linguiça. Anora fez isso com tanta maestria que ficou parecendo filme da sessão da tarde, e Marty Supreme é cria desse mesmo movimento. Eu entendi o objetivo de dinamismo, de desespero, de "TÁ TUDO DANDO ERRADO" que o filme quer passar, mas ele se passa demais. As melhores cenas, como
a última disputa entre ele e Endo
que a gente que passou o filme todo aceitando que a personagem principal é apenas um cuzão precisa engolir - ele de repente percebe que o sentido da vida é ter um filho e que agora vai ser tudo feliz e ele vai mudar
Complicações Do Amor
3.6 221O tanto de raiva que eu passei nesse filme não tá escrito
Memórias de um Caracol
4.2 131 Assista AgoraAi gente, resumindo:
Filme triste da porra kkk amei
Anora
3.4 1,2K Assista AgoraSabendo que foi o filme vencedor do maior prêmio da temporada, fiquei decepcionada. E não, não é porque queria que Ainda Estou Aqui ou Fernanda ganhassem - o Brasil ganhou muito, assim como Irã, Países Baixos, Letônia, tantos países pouco ou nada reconhecidos que com certeza têm tantos talentos como nós e só esse ano puderam brilhar. Não é sobre torcida. O buraco é mais embaixo, mesmo.
Mikey Madison é excelente atriz, despreendida ao se entregar a um papel tão expositivo, completamente imersa no papel, e o fato de a atriz ser completamente oposta à personagem demonstra isso. O problema não é Mikey, não é o brasileiro querendo ganhar, não é nem o etarismo que entrou tanto em pauta nesse período pós-Substância. O problema é que Anora não era o melhor filme indicado, simplesmente.
Em vários momentos, o filme tem diálogos pouco eloquentes, extremamente repetitivos, cenas que não agregam em nada o enredo e dinâmicas cansativas que arrastam momentos que poderiam ser muito mais impactantes se fossem mais curtos.
A cena da briga na casa dura tanto, e as falas são basicamente as mesmas repetidas mil vezes. Faria sentido na vida real, mas no cinema o tempo é diferente - e precisa ser. O mesmo se aplica à noite de busca por Ivan, com os diálogos no carro entre Anora e os "capangas" beirando o insosso, porque simplesmente nada é agregado à cena, tudo apenas se repete.
Mikey demonstrou uma capacidade imensa de controle de atuação, com nuances interessantíssimas que, infelizmente, não tanto vi em Demi Moore esse ano, mas vi em Fernanda Torres (melhor em Fernanda até por seu tempo de experiência). Mikey não merece o ódio que vem recebendo, apesar de Anora de fato não merecer o Oscar. Mas, honestamente, já perdemos muito mais injustamente em 1999, e a Academia percorreu um longo caminho até chegarmos aqui. Quem sabe daqui pra frente não vemos mais reconhecimento, ou talvez o término dessa supervalorização do Oscar? Vamos esperar que sim.
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraTanta gente falando de como o filme se perdeu no final, mas eu achei tão coerente.
Assim que Sue percebe que sua própria beleza está em risco, se sente ameaçada e corre para tentar achar uma versão mais perfeita de si mesma, que nunca deixou de ser Elizabeth em primeiro lugar (é por isso que o monstro tem o rosto de Elizabeth, não Sue).
É justamente essa corrida que nunca acaba, porque é impossível satisfazer a vontade de Hollywood por juventude e beleza, que faz o filme ser tão redondinho: mesmo as atrizes novas, que se tornam as queridinhas e aparecem em todos os lugares, depois de um tempo enjoam (e Sue corria esse risco ao ficar com as deformidades causadas pelo abuso da substância, que eu vi como apenas um modo de demonstrar como é cada vez mais rápida a obsolescênciadas atrizes hoje em dia); Jennifer Lawrence é um exemplo ótimo - foi indicada ao Oscar dois anos seguidos, era a favorita da América, e hoje não se fala mais, apenas para criticar sua comédia mais recente apontando JUSTAMENTE que está "velha demais para esse tipo de papel".
O monstro ao fim é a metáfora final para aquilo que o filme tratou o tempo todo: não existe meio de voltar atrás no tempo para rejuvenescer, e quando interferimos nesse processo natural (botox, harmonizações, implantes), o resultado pode ser monstruoso. E ele também retrata o pânico desenfreado em ser perfeito - a reação da plateia, de terror, é uma ilustração ótima disso.
Atração Mortal
3.7 348 Assista AgoraDa série "quotes que uso e ninguém entende":
Well, fuck me gently with a chainsaw!
Game of Thrones (6ª Temporada)
4.6 1,6KSó queria dizer que Sansa Stark sempre foi foda, será que agora todo mundo vê?
Relatos Selvagens
4.4 2,9K Assista AgoraNão achei tão exagerado quanto dizem, achei o uso do humor genial. E é uma questão de cruzar o limite da civilidade e chegar - literalmente - à selvageria.
Além disso, dá vontade explodir o DETRAN inteiro, pode admitir.
A 100 Passos de Um Sonho
3.8 214"Breaks break for a reason."
O Segredo da Cabana
3.0 3,2KEu nem ligo se é bom ou ruim, depois de ter entendido o enredo, só fiquei torcendo pelo Marty.
Mas a gente tem de admitir que a ideia de um "Show de Truman" de terror era até boa, eles conseguiram pegar todos os estereótipos dos filmes e ainda não deixaram ficar tão previsível; eu só não diria que é um filme de terror, tá mais pra terrir.
A Forca
2.1 513 Assista AgoraApesar da trama e dos sustos previsíveis (até porque found footage já não tem muito como inovar), o final é bom o suficiente.
Eu sabia que tinha alguma reviravolta com a Pfeifer e a tal da namorada do Charlie, mas não TÃO reviravolta assim.
Que Horas Ela Volta?
4.3 3,0K Assista AgoraUm bando de tapa na cara, isso que esse filme é.
D.U.F.F.: Você Conhece, Tem ou É
3.3 581 Assista AgoraQuem descobriu que era o DUFF do grupo, levanta a mão o/
Rock of Ages: O Filme
3.1 1,3K Assista AgoraTom Cruise me surpreendeu de uma maneira muito boa! A trilha sonora é ótima, mas o filme se perde um pouco, do meio pro fim.
Só queria dizer que shippei Alec Baldwin e Russell Brand desde os primeiros 10 minutos de filme AHSUAUSHAS
Divertida Mente
4.3 3,3K Assista AgoraQuando um filme da Pixar faz pessoas que nunca tiveram depressão entenderem um pouco sobre a doença, você para pra ver.
O Silêncio de Melinda
3.7 509acho que esse são os papéis que Kristen Stewart pode fazer melhor que muitos;
ela se encaixa muito bem na personalidade desse tipo de pernagem.
e a vontade de gritar e de bater naquele canalha? como fica?
Operação Big Hero
4.2 1,9K Assista AgoraDisney deveria ter disclaymer de "não indicado para cardíacos:
Baymax no 'limbo' pode causar ataques e levar à morte"
A Família mais Odiada da América
4.0 12Fico sem muito o que dizer sobre a família em si,
mas acho que o documentário é bem feito, e é interessante ver como Theroux é interrompido e calado toda vez que tenta passar suas ideias. Só me resta duvidar o quanto duraria esse "legado", como seria o futuro dessas pessoas, porque eu, honestamente, não vejo nada.
Batalha Real
3.6 607 Assista Agora... porque japoneses podem levar tiros de metralhadora sem morrer, atenderem o telefone de boa, fazerem uma piada e daí sim morrerem.
Malévola
3.7 3,8K Assista Agora"Olá, fada madrinha".
"Olá, Praga".