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Últimas opiniões enviadas

  • L. A. Cardoso

    Uma pena ver uma história linda dessas contada de modo tão convencional e amador. A trilha sonora é, pra mim, o maior defeito. Não que ela seja uma trilha ruim, mas a escolha por composições orquestrais, com características clássicas, confere ao filme uma atmosfera colonizada.

    É um trilha branca, europeizada, como se fosse feita para e pelos donos de escravos, em vez de para e pelos negros que lutam por sua liberdade e contra a escravidão. Uma trilha que destoa da história da qual ela deveria funcionar com uma alma, que inspira e lhe anima. Fosse uma trilha nos moldes daquela composta por Alberto Iglesias para o filme O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener, 2005), por exemplo, o efeito seria outro, proporcionando ao filme maior autenticidade. O roteiro, esquemático, se ancora em alguns clichés que fazem com que a narrativa se torne previsível em alguns momentos. Outro problema, já apontado por outros cinéfilos, está em algumas atuações, como a de Janelle Monáe, engessadas por um formalismo que beira o teatral.

    Felizmente, a atuação de Cynthia Erivo e canção "StandUp", composta por ela e que encerra o filme, são grandes o bastante para elevá-lo um pouco acima da mediocridade. Com justiça, ambas respondem pelas únicas indicações ao Oscar que o filme recebeu, muito embora, ao meu ver, a cenografia e os figurinos também merecessem indicações.

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  • L. A. Cardoso

    Muitos têm dito que esse é filme cuja única qualidade é a atuação de Jennifer Lopez. De fato, a atuação de JLo é o coração do filme e ela rouba todas as cenas em que aparece. Concordo que ela fui injustiçada ao ser esnobada no Oscar deste ano, onde merecia uma indicação como Melhor Atriz Coadjuvante. Porém, o filme tem outras qualidades e são justamente por causa destas qualidades - não dos defeitos - que ele acabou ficando de fora do Oscar.

    É possivel traçar um paralelo entre este As Golpistas (Hustlers, 2019) e outro filme recente: O Escândalo (Bombshell, 2019), dirigido por Jay Roach. Ambos trazem mulheres como protagonistas, focam na questão do modo como as mulheres, numa sociedade machista e patriarcal, são vítimas de abusos, e tentam fazer uma espécie de reparação histórica, retratando diferentes formas de reação das mulheres à esta realidade dominada por homens, na qual são tratadas, muitas vezes, como meros objetos de prazer. Contudo, as semelhanças terminam aí.

    Se os dois filmes se irmanam com relação aos temas que abordam, por outro lado, eles se opõem no modo como esses temas são abordados. Essa divergência é mais acentuada no modo como os roteiros inserem essas histórias no contexto mais amplo, histórico, econômico e social. Em O Escândalo esse pano de fundo é apenas esboçado, quando o roteiro aborda o contexto das eleições presidenciais de 2016 nos EUA, por meio do conflito entre a jornalista Megyn Kelly (Charlize Theron) e o então candidato Donald Trump, sem, contudo, explicitar o modo como esse contexto influi na vida das personagens.

    Em As Golpistas, ao contrário, essa inserção da narrativa num contexto maior é desenvolvido de modo mais satisfatório, mostrando os impactos da crise de econômica de 2018 na vida das personagens, além de, por meio do estabelecimento dessa relação entre o que passa no plano restrito das vidas de cada personagem com o plano mais amplo, histórico, econômico e social, o filme de Lorene Scafaria faz uma crítica à essa sociedade machista e patriarcal, que sustenta e é sustentada pelo sistema econômico capitalista - aliás, sobra espaço para uma crítica ao sistema também.

    "...E então tem os filhos da puta no topo: presidentes, investidores, bancários, empresários, acionistas, assassinos de aluguel, vindo direto da cena do crime para o clube. Mas não pela frente. Esses caras não querem virar notícia. Eles entram pelos fundos. E não saem enquanto não gastarem de 10 a 15 mil por noite. E nunca se dão mal. Porque todos estão dispostos a cobrir os rastros deles. Pois no fundo, todos querem o que eles têm. Todos querem estar no topo, onde não há consequências."

    Ao final, enquanto O Escândalo oferece uma catarse, com o vilão sendo punido e as heroínas sendo justiçadas, este As Golpistas é mais sóbrio e mais pessimista. Seu roteiro não entrega, ao final, um desfecho moralizante e reconfortante que restabeleça a fé dos espectadores no sistema. Pelo contrário, ele deixa muito claro quem de fato de ganha e quem de fato perde e que, infelizmente, os verdadeiros vilões seguem impunes, pagando de mocinhos, enquanto as vítimas seguem sendo exploradas, abusadas e injustiçadas.

    "Esta cidade... esse país inteiro é um clube de strip. Tem pessoas jogando o dinheiro enquanto outras dançam."

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  • L. A. Cardoso

    Existem filmes que habitam uma intersecção entre o documentário e a ficção, entre a captura de cenas espontâneas de um determinado cotidiano e a sua encenação. Este Honeyland é um deles, e isso fica evidenciado pelo fato de, este ano, ele ter emplacado duas indicações ao Oscar: uma como Melhor Filme Internacional, outra como Melhor Documentário. Realizado na Macedônia, a menor das nações balcânicas surgidas após a dissolução da Iugoslávia, por esta peculiaridade de sua forma, ele se irmana à outras obras, como o mongol Camelos Também Choram (2003), dirigido por Byambasuren Davaa e Luigi Falorni.

    Mas, se colocarmos esses dois fascinantes filmes em paralelo, veremos outras semelhanças. Ambos se passam em rincões rurais e isolados, onde o modo de vida primitivo conferem à narrativa um tom de passado, como se aquela realidade e aqueles personagens não pertencessem à este tempo, como se pertencessem a um passado distante e superado. Ambos se passam em aldeias rurais, enfocadas como uma se fossem pedaço de um passado que tivessem sido ali encapsulado. Em ambos, um modo de vida próximo ao tribal, em dado momento se vê ameaçado pela iminência de um modo de vida globalizado, que se introduz naquela cápsula como se viesse de outro mundo. Um invasor sedento e faminto que a tudo devora de corrompe.

    Em essência, ambos o documentários (ou filmes?) falam das mesmas coisas: o conflito entre o velho e o novo, a inevitabilidade da mudança, a resiliência/resistência ante o invasor. Se em Camelos também Choram, o filhote de camelo rejeitado pela mãe figura como um símbolo de uma "modernidade" à qual os pastores nômades mongóis criadores resistem ingressar, temendo a perda sua identidade e sua territorialidade, em Honeyland o impacto da presença da família nômade de criadores de gado na vida da solitária criadora de abelhas Hatidze Muratova (que tira seu sustento produzindo mel de maneira sustentável, valendo-se de técnicas ancestrais transmitidas de geração em geração), também simboliza essa "modernidade".

    "O que distingue uma época econômica de outra, é menos aquilo que se produziu do que a forma como foi produzido." — Karl Marx

    No entanto, o que é essa tal "modernidade", senão um eufemismo criado para ocultar as relações de produção no sistema capitalista, segundo as quais o lucro deve ser priorizado sobre todas as outras coisas, não importando o resultado de sua busca inconsequente para a vida das pessoas ou para o meio ambiente?

    "A classe capitalista rasgou o véu sentimental da família, reduzindo as relações familiares a meras relações monetárias." — Karl Marx

    Em Honeyland, essa crítica ao sistema econômico vigente, fica muito clara quando nos damos conta de que todo o equilíbrio entre o ser humano (Hatidze) e o ambiente (as abelhas), é quebrado quando a regra segundo a qual nunca se deve extrair todo o mel das colmeias, é desrespeitada em nome da lógica do consumismo. E assim, modos de vida tradicionais, saberes locais e técnicas seculares são pulverizados pela "mão invisível do mercado".

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  • Zack
    Zack

    Sim. Também acessei esse mas só tem uma parte de 16 minutos, 1 de 3 não tem os outros 35 minutos.
    Fico sentido por que um poeta como Leminski e não tem em parte alguma o cobiçado documentário.
    Feliz de você que conseguiu ver inteiro.
    Agradeço por ter tentado ajudar *__*

  • Zack
    Zack

    Alguma novidade quanto ao filme "Paulo Leminski - Um coração de poeta" o amigo tem ou conseguiria para ceder ou vender?

  • Fernando Mendes
    Fernando Mendes

    Valeu! Adorei seus Favoritos. Espero que troquemos ideias. Abraço!

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