O filme sofre de uma grande falta de plausabilidade logo de início, quando a Alison Brie chama o cara para a cama e ele prefere ficar tirando uma música.
Piada feita, é bacana a situação absurda que o casal vivencia, respingando na explicação de Platão sobre almas gêmeas e também no dilema de casais sobre quão próximos devem (ou NÃO devem) ser. Essa situação é apresentada desde o início e serve para prender nossa atenção no melhor estilo 'vai dar ruim e a gente quer ver dar ruim'.
Só que o filme parece ficar patinando quando poderia muito bem assumir um estilo categórico e definitivo.
Então tem sustinho, tem humor, tem um leve drama, tem um pouco de bizarrice. Porém, nada que marque o filme dentro de cada uma dessas características. O que a gente vê na cena da cozinha, por exemplo, poderia ser o que o filme teria em todo o resto... só que não.
O final também pode ser um pouco decepcionante, já que a penúltima cena parece tentar fazer humor físico, esquecendo qualquer requinte narrativo enquanto se autoexplica (um contraste com a cena final, que mira e acerta no bizarro silencioso).
Talvez o problema aqui, em resumo, seja esse desbalanceamento.
Vale assistir, mas aceitando algum grau de frustração.
Filme que ganha a simpatia no início, decepciona um pouco no final, mas garante algum grau de diversão...
A premissa não deixa de ser chamativa: um sujeito comum, pacato e tedioso, que não sente dor, e de repente se vê mergulhado numa confusão enorme apenas porque se apaixonou.
Aí que até a metade do filme esse enredo simples cativa pelo protagonista e pela atipicidade de sua síndrome. Uma misturazinha de comédia romântica com 'super herói antes de descobrir que é super herói', o que é bem bacana.
A partir da metade, tudo isso ganha muito mais ação, que tenta (e quase sempre consegue) ser bem frenética. E com toques de violência explícita. Uma violência explícita que é confusa do jeito legal: é bizarro e desconfortável de assistir, mas ao menos tempo engraçado porque o protagonista, simplesmente, não sente dor (a cena
Mas não tem como não se incomodar com a transformação do protagonista a partir do momento em que ele cruza a porta em direção à ação. Vai ver que pensar direito tem a ver com sentir dor, e como ele não sente, então não pensa direito...
O filme abre mão de muitos elementos básicos de verossimilhança quando se torna um filme de ação, cabendo ao espectador decidir se aceita isso pelo resto do filme, ou se segue na poltrona sem se entregar completamente à história.
E ação da parte final ficou muito padrãozinho filme de ação bobo, algo burocrático, só pra fazer o filme terminar. A originalidade do início / meio se perde, salvo, é claro, a
É evidente que o filme não se queria realista, nem revolucionário no quesito ação; mas é difícil não reparar que só existem 2 policiais na cidade (ancorados numa desculpa bem besta por serem só os dois), e que o final é o mesmo final de filme ação desde os anos 80.
Ainda assim, o início é tão cativante e chamativo que é bastante pouco provável abandonar no meio do filme, por mais exigente que seja o espectador.
Então se você quiser se divertir com um filme, aqui está; diversão tão genuína que a gente nem se cansa da longa duração.
Bacana também a sutil discussão sobre religião, seja pelo seu lado mais humano e favorável (um padre bom, mas nem por isso isento de falhas, e a explicação de uma 'narrativa que pode ser falsa, mas que toca algo que sentimos'), seja pelo seu lado mais político e desfavorável (o extremismo misturado à ambição, e a conveniência do 'clubismo' da fé).
A construção do mistério é competente, e cada personagem é uma engrenagem bem lubrificada da trama como um todo. Dinâmica favorecida pela narração em off da primeira parte, e também pela própria demora da aparição do Blanc (achei particularmente elegante essa amarração da história em que o detetive aparece só pelo meio).
Só achei que o enredo não foi tão surpreendente assim. Um espectador mais versado em tramas policiais saca o que aconteceu tão logo o crime é mostrado, restando de 'plot twist' só mesmo o desenlace secundário ao crime.
Ainda assim, um bom filme para quem busca entretenimento.
O plot em si é interessante, carregado com potencial dramático e sarcástico. A crítica social embutida é na medida para gerar incômodo, mas sem pesar demais e se tornar panfletário.
O problema começa com o tom do enredo, que não sabe para qual lado apontar. Tenta trazer humor e drama, mas entrecortando (e a ideia é essa: cortes [abruptos e inesperados]) ambos de forma desconjuntada. Em alguns momentos a gente nem percebe se é para ser humor ou drama, e não do jeito bacana das comédias dramáticas bem sucedidas, e sim do jeito 'tá, o que é que o filme tá tentando mostrar, afinal?'.
A duração modesta do filme parece forçar os personagens à caricatura, o que só piora ainda mais as tiradas de humor e os picos dramáticos.
O resultado é que vai ficando cansativa a relação entre os personagens, sem nenhum deles para conquistar nossa real empatia (o garotinho é o que chega mais próximo disso).
Outro problema do filme é a sensação do desenrolar da história. Para quem assiste sem ter noção da história, vai um bom tempo até entender o que está acontecendo (o filme tenta explicar a si mesmo naturalmente, mas o resultado é a confusão no espectador). E o filme abusa de cenas curtas, com pouca noção de continuidade entre elas, fragmentos que, uma vez mais, confundem o espectador, furtado da percepção de tempo dentro da história (estão jantando, de repente os meninos estão jogando videogame, daí corta para o quarto com um dos meninos, aí volta para os adultos, vai para os meninos, aí os adultos já estão dançando, e por aí vai).
Para quem curte narrativas sobre o fim do mundo, dá para assistir, já que tem uma pegada um pouco mais corriqueira e cotidiana sobre o apocalipse, uma abordagem não tão comum assim. Porém, como filme em si, enquanto história contada, é bem fraco.
A premissa é simples, direta e com bastante potencial (jogador viciado que se vê encurralado entre dívida e vício). O protagonista, com um Colin Farrell de respeito encarnando, tem seu carisma de malandro que se acha demais enquanto afunda no caos. E a ambientação luminosa, chamativa e estilosa (mérito para a fotografia e direção de arte) prende a atenção.
O problema começa quando o filme tenta fazer acontecer. Somos expostos a uma sequência de cenas abruptas, sem continuidade, que vão se encavalando num ritmo estranho. E conforme a trama se enrola, ficamos em dúvida se tudo aquilo é real ou não (e apesar de ser uma dúvida que o próprio roteiro intencionalmente sugere, grande parte dela parece ser confusão técnica, e não aquela confusão intrigante dos filmes que enganam de forma bem enganada).
E aí o filme tenta alçar voos numa pegada mais sobrenatural, talvez surrealista (algo que lembra Cisne Negro), mas são picotes que vêm de lugar nenhum e não chegam a lugar algum.
Só no quarto final do filme é que a história parece ter calma para contar a si mesma. Mas aí, como tudo o que veio antes foi estranho e com jeito de recortes apressados de pedaços desconexos, o desenlace que poderia ter um baita impacto acaba sendo trivial. Ou seja, o final é legal, mas sem início e meio (principalmente meio) consistentes, ficou um legal esvaziado, tipo voo de galinha.
Talvez se o filme tivesse maior duração o resultado seria diferente; do jeito que ficou, a sensação é de frustração.
Pode ser a nostalgia que fala, mas é um filme menosprezado.
Reassistindo hoje em dia, a gente nota inclusive algumas sacadas de humor levemente a frente do seu tempo. Criança bebendo álcool, uma rena assassina, suspeitas sobre abuso infantil, tiradas sexuais de duplo sentido... Caísse nas mãos de um roteirista e diretor atuais, poderia ser um genuíno filme de comédia adulta.
Aliás, talvez seja essa a grande 'falha' do filme: apesar de flertar com o humor adulto, insiste em trejeitos de humor infantil, gerando uma certa dissonância. E convenhamos que o filme tinha tudo para ser um completo humor adulto (afinal, só um adulto para entender o drama do protagonista).
Quanto ao tio Arnold na sua trajetória no humor , bem, é sempre contestável; mas aqui dá pra aceitar sua performance, inclusive sendo sua limitação a chave para as melhores cenas do filme (só seu jeitão travado é que poderia dar o humor naquela cena de invasão à rádio).
No mais, menosprezado ou não, é um filme bem passável para assistir sem se preocupar, especialmente para nós, crianças do anos 90.
A produção parece sofrer uma crise de identidade: filme ou documentário? Optaram pelo filme, mas mantendo o compromisso com os fatos como se fosse um documentário. E poderia dar bom, só que não.
Basicamente, a ação, o drama e o suspense não decolam - ficam presos aos fatos todo o momento.
A ação é moderada. Quando acontece, é com a sensação de chupar bala sem tirar a embalagem: muito tiro, pouca consequência. Ok. Estamos saturados de explosões exageradas e tiroteios fantasiosos quando se trata de guerras reais; contudo, as cenas nunca mostram de onde vêm os tiros, ou onde eles chegam.
O drama, então, é tão seco que fica difícil simpatizar com qualquer personagem. Por mais que estejamos cansados da cena do militar longe de casa que fica olhando foto dos familiares e aí exerce um heroísmo altruísta pelo pelotão, faz falta ter qualquer vínculo de humanidade - mesmo que ligeiramente exagerado. O mais próximo disso é a figura do líder que espana e dos feridos que entram numa agonia perturbadora.
O suspense é o que funciona melhor - e ainda assim sem brilhar. Afinal, a situação do grupo é realmente tensa (isolados e sob o risco de ataque a qualquer instante). Mas cria-se todo um cenário de 'vai dar ruim' cuja tendência é frustrar o espectador quando as coisas realmente acontecem.
Aí que o filme chega a ter algumas cenas que são quase gratuitas. Tipo o cara que injeta morfina em si mesmo, ou a longa tomada com silêncio pós-explosão (essa ficou tão estranha que cogitei ter dado pau no streaming), ou o outro militar que sem querer é extraído antes da hora. Sem um background de drama, ação ou suspense, as cenas ficaram quase que perdidas no rolê.
Enfim, teria sido muito melhor se tivessem feito um documentário, pois o resultado é um filme que entrega 'crueza' com baixíssima dose de entretenimento, envolvimento ou mesmo diversão do espectador.
O tchan da trama é uma mistura de corrida contra o tempo + quem é o mocinho e quem (ou quantos) é o vilão. E nisso se mostra um competente filme de suspense policial, do tipo que é muito difícil não prender a atenção do espectador.
Então o filme é bem construído, bem encadeado, e, apesar de suas quase duas horas de tela, não tem excessos - tudo que é mostrado é mostrado por algum motivo, e de um jeito econômico e somente o estritamente necessário (aliás, muito bom que o enredo escapa de tentar aprofundar dramas pessoais, inserindo-os somente para contextualizar a suspeita sobre os personagens).
A ação está lá, com direito a troca de tiros e perseguição, mas não é o foco (e pessoalmente acho que o filme nem precisava ter investido tanto na parte da ação, pois o suspense em si já seguraria bem as pontas). O foco é mesmo o suspense, e é bastante imersiva a atmosfera criada pelo filme: uma casa, um dinheiro, e um grupo de personagens que não podem confiar uns nos outros.
Porém, filme tem uns excessos estilísticos bem over, estilo filme policial de quinta categoria, tipo Ben Affleck fumando nas cenas iniciais (cigarro como construção da parrudez de um persongem já tá meio passado, né), a moça sentada enquanto a poeira das marretadas caem sobre ela e ela nem aí, ou então a trocação de tiro com o Ben dirigindo com uma mão e descarregando a metranca, sem olhar, com a outra.
revelar o segredo da trama não pela trama em si, mas por coisas que não são mostradas ao espectador. Convenhamos, fica muito fácil engabelar o espectador se ele não tem todas as informações
. Só não é um filme realmente marcante por conta disso, um recurso bem apelativo e pouco respeitoso com o espectador.
De todo modo, os pontos negativos não estragam a experiência. É de assistir sem piscar - e com o bônus do Ben e do Matt, tiozões de tudo, mas sempre carismáticos e chamativos quando em cena.
Filminho honesto de terror leve, que sabe de sua humildade e tá de boa com ela.
Então não tem miraboles explicativos, não tem militares alucinados, não tem cientistas aloprados, não tem alienígenas vindos de outra galáxia (bem, até tem, mas não é o foco).
E esse 'não ter' é o charme: tem o mistério, tem o monstro, tem a situação, e tem a protagonista. O mistério é simples e não se perde (afinal, pouco tenta explicar-se), o monstro é assustador na medida (e que aranha não é assustadora, né), a situação é bacana (nada original, mas o suficiente para uma sensação de 'presos com o perigo'), e a protagonista tem seu carisma (a guria, por incrível que pareça, segura bem as pontas).
O desfecho me parece um pouco afobado, mas nada que comprometa a diversão de quem busca um terrotzinho com jeito de aventura descompromissada. .
Enfim, uma prova que ideias simples e modestas podem entregar um entretenimento adequado.
A proposta do filme é zoeira. Não a zoeira nível hard, mas o suficiente para exigir do espectador repetir diversas vezes 'tá, é pra ser zoado mesmo, então nem vou reparar'.
Entendido e aceito isso, o filme tem lá sua graça. Seu humor e sua violência são chamativas, e suas cenas e situações de ação no estilo de videogames têm um charme - pelo menos entre os gamers.
O lance da narração em off tem alguns pontos altos, alguns pontos baixos, porém de forma geral contribui para dar uma identidade própria ao filme.
Já quanto ao enredo, eu, pessoalmente, curti bastante, especialmente o desfecho (momento em que o filme, aliás, assume um tom um pouco menos zoado [e que me parece que poderia ter modulado o nível de zoeira de todo o filme, né]).
Porém, a ação do filme (e é um filme de ação...) me parece um pouco fraca. As cenas de ação não são lá nenhum primor (menção honrosa somente para o ralador de cozinha), e faltou, entre as cenas de pancadaria, um ritmo legal para manter a tensão (sabe a sensação tediosa de de 'tá, e quando é que vão cair no braço de novo?', tipo isso).
Não é uma total perda de tempo, mas também não é nada que vai marcar o gênero.
Quiseram fazer um grande bolo, mas convictos que bolos grandes só precisam de muito (muito!) fermento. Resultado é que o bolo cresceu, transbordou da forma, esparramou por tudo, e depois murchou miseravelmente - e melecou o forno por completo.
O resumo me parece esse: quiseram grandes coisas, mas o excesso não teve estrutura correspondente.
Inchaço de personagens: mais uma vez, a solução foi criar caricaturas. E não só dos novos personagens. Até os centrais vão se reduzindo, vão perdendo seus arcos, vão ficando sem graça. Até a El, tadinha, tá sem carisma algum (se falha de direção, de roteiro ou de atuação, cabe discutir).
O perigo militar: quiseram dar toda uma ação com a presença dos militares, responsáveis por serem um vilão secundário, mas toda dinâmica com eles é forçada e fonte de vários fracassos de verossimilhança. Daí que a ação com eles não consegue transmitir seriedade ou peso.
Arcos emocionais: aceitação, altruísmo, bullying, amizade, amor, sexualidade... Tudo pela metade, picotado, ou estrangulado por personagens simplificados.
Explicação multi: o que na série começou como sobrenatural, progrediu pra ficção científica, ganhou contornos psicológicos, pra então sugerir alienígenas de outra dimensão... bagunçou tudo. Ok, até que a explicação deste fim de série amarra algumas pontas soltas; mas misturou tantas frentes explicativas que não faltam coisas confusas e mal encaixadas.
Ação e correria: é visível que a série vai ficando cada vez mais de ação, perdendo o toque de aventura, suspense e drama. Se serve para 'ter sempre algo acontecendo', também serve para esvaziar a identidade que a série construiu anteriormente, deixando tudo com ares de uma série qualquer.
Enfim, o bolo final pouco lembra aquele adorável cupcake que foi a primeira temporada. A série se mantém e chega até aqui pela nostalgia; não a nostalgia oitentista genuína da primeira temporada, e sim a nostalgia do espectador sobre a primeira temporada.
É realmente decepcionante ver o desfecho tão 'traidor' do que a série prometeu ser, tendo que nos fazer engolir furos de roteiro atrás furos de roteiro na busca por uma grandiosidade desnecessária.
A experiência só não é completamente negativa porque, afinal, alguns lampejos surgem aqui e ali, recompensando minimamente quem assistiu todas as temporadas. Mas é isso: lampejos.
Sobre o possível final que não é final... Se for para apenas tacar mais fermento nesse bolo, não, né. Vamos parar enquanto ainda é possível ver fiapos do que os meninos e a El foram na primeira temporada.
Ah, mas para não perder a menção honrosa, vale ressaltar o ponto alto da temporada (não se compara ao Dustin cantando ou ao Eddie mandando ver na guitarra, mas é digno de nota): a Holly
Depois de uma terceira temporada fraca, a quarta temporada consegue entregar muito do que ficou prometido - apesar de um tanto diferente, e não de forma perfeita.
Então aqui temos um novo vilão, que tem uma pegada psicológica mais forte e um modus operandi bem mais perturbador (não só graficamente [a primeira morte é bastante impactante], mas também no 'sentido' que podemos ver nele).
Nisso, o enredo fica mais sombrio e pesado, bem além de uma ficção científica que só serve de contexto para uma aventura juvenil bobinha.
Os personagens voltaram a ter uma aura de complexidade, deixando de lado os dramas românticos superficiais que vimos na terceira temporada, e superando a necessidade de humor pastelão a todo instante (o Hopper voltando a ser Hopper, amém!).
E, claro, há uma sequência ápice na temporada, muito bem embalada pela trilha sonora (dá pra se arrepiar no solo de guitarra).
Entretanto, a temporada me parece dar umas escorregadas.
De todas até aqui, me pareceu a mais cansativa nesse esquema de núcleos narrativos paralelos. A da El demora a engrenar, enquanto o rolê na Rússia parece ficar em ponto morto esperando a hora certa de se desenrolar. Apesar de tudo fazer sentido dentro do universo e das pontas soltas anteriores, confesso que em alguns momentos ficou entediante, pelo menos até os 2 episódios finais.
De todas, também me pareceu a menos oitentista. A década está lá como pano de fundo, motivando uma ou outra referência específica ou então a trilha sonora; mas falta aquele espírito nostálgico que nos conquistou nas temporadas anteriores, especialmente na primeira.
E me parece também que o inchaço de personagens começou a cobrar um preço. Muita gente ficando escanteada ou presa num looping narrativo que parece não progredir (e sim, aqui se inclui a El). Talvez na quinta temporada tudo faça sentido.
E, por fim, também me pareceu que o Mundo Invertido foi o menos assustador das quatro temporadas. Basicamente, virou um mundo que é sempre noite e que dá pra entrar e sair quando quiser, sem real dimensão do risco - isso apesar de ter o Vecna.
Enfim... no quadro geral, a quarta temporada retoma o espectador, mas acende alguns alertas. E entre eles a duração dos episódios... 1h? Ok. 1h30? Ok, se daqueles episódios especiais. Agora, 2h20? Tão scorcesando demais isso aí.
A gente sabe que quando uma série começa sensacional o risco de perder a mão é enorme... E aqui na 3º temporada alguns deslizes nessa direção começam a aparecer.
Primeiro, o humor. Tá, a série sempre teve piadinhas, e esse não é o problema. Mas piadas do tipo Mike levando uma borrifada de perfume no rosto? Isso é engraçado onde? E o Hopper e a Joyce... reduzidos a alívio cômico? Gente, nem parecem os mesmos personagens da primeira temporada.
Segundo, o rolê dos casaizinhos. Ok, os personagens estão ficando mais velhos, sentindo comichões no ventre inferior, e descobrindo que 'gostar' vem com contrapartes. Porém, se a série como um todo é uma grande nostalgia, o rolê romântico aqui perde todo aspecto nostálgico e vira um lance de novelinha juvenil muito bobo. Periga até a gente achar sacal a Mike e o El finalmente estarem juntos.
Terceiro, a expansão da trama. Beleza, pras coisas continuarem acontecendo é preciso de mais coisas. Só que quanto mais coisas (e mais grandiosas), mais difícil pro roteiro encaixar tudo de forma coerente e coesa. Aí que todo o rolê com os russos, inclusive a base deles e todo o resto da metade da temporada para a frente, segue num ritmo atropelado e muito pouco convincente.
O que salva a temporada é, somente, o ritmo de ação e suspense, que lembra alguns filmes clássicos de abduções alienígenas em pacatas cidades americanas (um subgênero ótimo, alías). A batalha final também ficou bem feita, especialmente a iluminação (um show de neons).
Entretanto, contudo e todavia, me parece a pior temporada dentre as três primeiras. O afastamento da primeira fica evidente, indicando um perigo de não conseguir se reinventar agora que os personagens não são mais crianças e é preciso complexificar mais o mundo invertido e suas consequências.
Sua única joia genuína e marcante, digna de realmente ficar na memória, é Dusty (sempre ele!) fazendo o dueto (dizem por aí que você pode marejar os olhos enquanto ri e sente o coração amolecendo... bem, ouvi dizer, né).
A segunda temporada segue o script das séries que agradaram na primeira: manter o que estava bom, mas trazendo novos personagens, novo vilão, e expandindo o universo.
E dá para dizer que isso foi feito com sucesso.
A série continua trabalhando bem os elementos nostálgicos, continua misturando diversos gêneros (apesar de uma grande queda no quê dramático que havia na primeira), e continua entregando personagens com arcos próprios e carismáticos a sua maneira.
Então, sim, quem assistiu a primeira e gostou, vai assistir a segunda temporada e se sentir contemplado.
Só achei que aqui perdeu um pouco a mão do ritmo. Se na primeira os diversos subenredos nos envolviam e criavam a antecipação do tipo 'quando é que tudo vai se encaixar!?', aqui essa antecipação não é bem trabalhada. É tipo a diferença entre unir peças (1º temporada) e apenas juntar as peças (2º temporada).
Até mesmo o novo vilão, que é imponente e adquire ares mais psicológicos, parece perder um pouco de 'respeito' nessa falta de clímax apropriado.
E o tema mais sensível aqui (realmente não cheguei ainda a uma conclusão), é o arco da El, especialmente a parte 'fora da cabana'. Não sei se engrandece o universo da trama, ou simplesmente tira o foco; não sei se constrói mais a personagem, ou é apenas cobertura de bolo. Tá, é legalzinho ver ela
Assistindo somente agora, nos fins de 2025, entendo o frisson que causou na época do lançamento: é mesmo uma série sensacional.
Ela evidentemente se apoia na nostalgia anos 80, com franca inspiração em Goonies. E isso fica muito bem feito; é tão respeitosa a referência nostálgica, que dá até para acreditar que a inspiração maior do projeto foi mesmo uma homenagem sincera, e não apenas oportunismo comercial.
Porém, nem só de nostalgia vive essa primeira temporada.
Os personagens são surpreendentemente densos (e absolutamente carismáticos, cada qual a sua maneira). Chama muito atenção, inclusive, o elenco adulto, responsável por trazer uma profundidade dramática que, em alguns momentos, deixa a série um tanto pesadinha - o luto do Hopper e a 'paranoia' da Joyce (grande Winona!) são mais convincentes que os dramas de muitos 'filmes sérios' por aí.
Isso, aliás, é outro mérito desta primeira temporada: tem aventura e ficção científica no centro, mas brinca (com eficiência) no romance, na ação, no drama e no terror. E consegue amarrar tudo de forma convincente, sem transparecer conveniências de roteiro ou forçações de barra.
E, para mim, o grande tchan da primeira temporada é a forma quase perfeita com que os subenredos vão se emaranhando, do que quando tudo fica um enredo só (isto é, todos os personagens percebem que estão todos na mesma aventura) a gente chega a vibrar no sofá (tá, eu vibrei, me julgue).
Enfim, vale assistir, especialmente quem tem todos os recursos para aproveitar a nostalgia da série (isto é, se você também é da safra dos anos 1980).
Tenho sérias ressalvas com relação a filmes que humanizam animais dotando-os de emoções, comportamentos e habilidades exclusivas de humanos... a menos que se trate de uma preguiça sádica e vingativa, claro.
Mas, bem, falando sério, o filme não é nada sério. E mesmo que isso já fiquei evidente por se tratar de uma preguiça assassina, o filme dobra a aposta e mergulha de vez no besteirol.
Então não é um daqueles filmes de terror ou slasher com tiradas de humor: é um besteirol que usa do terror e do slasher como desculpa para existir ( desculpa fraca, por sinal, já que nem mesmo coisinhas sangrentas, nojentas e exageradas a gente tem aqui).
Por ser um filme curto, por ser absolutamente fora da casinha, e por ter uma absurda preguiça assassina, até dá para seguir até o final, porém cabe ao espectador repetir o mantra a cada minuto: não vou esperar nada desse filme, é só um besteirol.
Vale pela curiosidade, mas longe de qualquer pretensão de qualidade.
Filmes de terror zoado ambientados nos anos 80 são simpáticos por definição - pelo menos se você também é uma criança dos anos 90.
São quase catárticos, na verdade, já que brincam com os medos de toda uma geração - de novo: pelo menos se você também é uma criança dos anos 90.
Então a experiência aqui tende a ser agradável, configurando um adequado passatempo descompromissado.
A mistura de humor com terror está na medida para um público não muito exigente (dá até pra ter uns pulinhos do sofá, mas nada pesado, e dá para dar umas risadinhas, mas nada no estilo comédia escrachada).
Claro, misturar gêneros tende a gerar o risco de não agradar nenhuma parte da mistura, o que aqui pode sim se concretizar (quem espera terror não vai encontrar, quem espera comédia não vai encontrar, e sim a mistura única de quando tenta-se fazer as duas coisas).
Tem ainda um bônus de focar na amizade entre duas adolescentes, o que confere um leve contexto emocional pra história - nada que toque o âmago da experiência humana, porém o suficiente pra gente simpatizar minimamente com o drama das meninas, principalmente da protagonista.
Entretanto, é isso, um filme passatempo, cujo final revela quão despretensioso é (um daqueles finais que deixam claro que o filme quer mesmo é jogar no seguro).
Se você cresceu com medo d'O Exorcista de 1973 e busca um filme para se entreter reverberando o grande desafio da sua infância/adolescência, tá aí.
Não esperava muito, e por isso o filme foi uma grata surpresa: com uma estrutura narrativa interessante, entrega humor sarcástico dentro de um enredo de um controlado absurdo.
Aí que apesar do filme ter vários personagens, trabalha bem a rotatividade entre eles enquanto a trama se desenrola, cada qual com seu pequeno arco de tragédia.
As tiradas de humor nem sempre acertam, mas têm seus pontos altos, a depender da preferência do espectador (fico com as cenas com Jesus, no melhor estilo Porta dos Fundos).
E por mais que tudo aquilo, especialmente o desfecho, seja absurdo, não é nada que grite para nosso bom senso que é preciso abstrair toda e qualquer dose de realismo (você sabe que é absurdo, mas é elaborado o suficiente para não se tornar ofensivo).
Claro que alguns aspectos técnicos merecem críticas, mesmo para um filme dentro desse gênero. Ainda assim, os minutos rodam suaves e a satisfação do espectador é minimamente garantida.
E destaque para o final: uma suave brincadeira existencial, que confere um bem encaixado humor dramático-filosófico-melancólico pro rolê todo.
Se é um filme de temática militar, e passado nos bastidores do poder norte-americano, é claro que os clichês não iam faltar, com direito à figura presidencial idealizada (poderoso, humano e razoavelmente ponderado) e aos militares treinados para apertar botões diante de certos protocolos e só.
Então, sim, você verá mais do mesmo.
A estrutura do filme, porém, deixa as coisas um pouco mais interessantes: o tempo interno da narrativa são apenas 19 minutos, mas vamos acompanhando núcleos de personagens (todos compondo um só núcleo maior) ao longo das 2 horas. Essa estrutura é uma aposta arriscada: pode dar certo enquanto entretenimento se você 'embarcar' na proposta do filme logo de início, caso contrário, vai parecer apenas uma história que nunca sai do lugar.
Não é um filme de ação. Tá mais pra um suspense (genuíno) com pitadas de drama (clichê total quando tenta). E, de novo, se você embarcar na proposta do filme desde o início, pode acabar valendo como passatempo ao menos.
Já quanto ao polêmico final, creio que frustra como parte da mensagem pretendida - isto é, é uma frustração intencional. Afinal, num cenário nuclear de tantas incertezas, variáveis, possibilidades e uma perturbadora falta de controle, o final do filme acaba sendo coerente com o cenário retratado (mas, de novo, a menos que o espectador tenha embarcado no filme desde o início, o final vai parecer outro elemento da história que simplesmente não sai do lugar).
Enfim e em suma, vale como entretenimento, mas sem nenhuma pretensão maior, seja pela diretora, seja pela temática (que nunca sai de cena, né, mas que tem voltado à incomodar nesses esses anos recentes).
Comédia romântica que preza pela leveza, mas no caminho sacrifica boas oportunidades e um bom tanto de coerência.
Então o drama do protagonista, que não pode ser feliz sem desmaiar, é um enredo interessante e cômico o suficiente para nos deixar interessados. E quando surge uma paixão em sua vida, é claro que ficamos curiosos para ver como as coisas se desdobrarão.
Porém, tudo vai se afunilando para um desfecho cheio de conveniências e simplicidades que podem frustrar, tipo os desmaios acontecerem com coisas pequenas (ver um cachorrinho fofo), mas não quando está no flerte velado com seu par romântico.
E o filme até tinha abertura para desenvolver um drama suave do tipo 'não posso ser feliz' ou ainda provocar uma reflexão sobre o medo de ser feliz... só que não. Em vez disso, fica no mais do mesmo das trocentas comédias românticas existentes por aí. Chega a tal ponto que ao final a doença do protagonista é quase um elemento secundário, que poderia muito bem sumir e a história continuaria a mesma.
Não que seja um filme chato ou ruim (para quem busca comédias românticas, claro), é só que deixou de dar um ou dois passos para ser um pouco mais do que o básico.
Enfim, vale assistir como digestivo emocional, mas nada muito meritório.
Apesar da temática, e apesar de ser sim um filme pesado, não chega a ser propriamente apelativo, daí se situar bem entre uma peça de entretenimento e uma obra de reflexão.
Então, não, não é um daqueles filmes cujo único propósito é chocar. Consegue desenvolver bem o drama adolescente (necessidade de aceitação, paixão, dúvida) dentro de uma trama que é progressiva (a Christiane cercando o mundo das drogas até se perder dentro dele). O lance das drogas é o ponto central, porém é o meio, não necessariamente o fim.
E tem até umas tiradas poéticas que são surpreendentemente sutis, além de recursos de direção e fotografia que contribuem para essa atmosfera meio onírica - no caso, um pesadelo, né.
Assim, o ponto é: é um filme duro, cruel, pesado, mas não é o choque pelo choque, o impacto pelo impacto.
Você vai sim terminar o filme com um gosto amargo na boca, contudo, em decorrência de um filme que é honesto diante da história que quer contar.
Só não ganha mais estrelas porque, na minha opinião, sacrificou muito a parte contextual da história (nada da vida de Christiane na escola, muito pouco de sua vida familiar) e também no início e no fim (ambos super abruptos, desencaixados da história, quase que dispensáveis, especialmente o final,
Filme de terror/suspense simples e rápido, que explora elementos sobrenaturais sem fazer muita firula, mas que ganha em densidade ao inserir aí elementos dramáticos - e ao sacanear, de modo corajoso, a nossa expectativa quanto à 'moral da história', digamos assim.
Então o filme funciona como um relógio. Já na primeira cena temos a construção da protagonista e do que ela vai ter de 'superar' durante a trama. Os personagens vão sendo introduzidos de modo unidimensionais, sim, mas muito bem encaixados, engrenagens bem azeitadas dentro do mecanismo que é o enredo e seu desfecho. Enquanto que o enredo logo se lança de modo completo, deixando claro pro espectador qual será o clímax - e que clímax!
Porém, por trás disso tudo, vão surgindo pontos dramáticos que ameaçam roubar a classificação 'terror/suspense'. Adolescência, religião, autoaceitação, e, claro, bullying. Tanto é, que a sensação maior do filme é menos de medo/espanto, e mais de revolta/indignação
, seja pelo que fazem com a Carrie, seja pelo que ela acaba fazendo, né, matando mesmo quem não tinha culpa de nada
.
Enfim, uma mistura que dá super certo e que mesmo hoje, nos idos de 2023, não é comum encontrar.
Detalhe curioso é que parece estar aqui a origem dos trocentos filmes de comédia romântica que rodam sob o plot 'apostas que fazem o cara popular sair com a garota esquisita'.
E outro detalhe (para a galera dos animes) é que parece estar aqui, também, muita da inspiração para o ótimo Elfen Lied.
Para quem assistiu lá atrás, nos tempos áureos do SBT, avaliar o filme hoje em dia é uma tarefa que exige separar a nostalgia da objetividade - mas pode ser que a objetividade também seja nostálgica, né.
Então o filme é simplesmente muito bom, e envelhece como vinho. E isso por dois motivos entranhados na história.
O primeiro é a transformação do Arnie. Existe algo mais interessante, engajador, e envolvente do que um vilão com quem a gente simpatiza (pelo menos até certa parte do rolê)? A trajetória do 'coitado' que alcança algum tipo de 'poder' e com isso se corrompe, como vitimado por sua própria frustração anterior, é muito boa, e aqui, apesar de não atingir nenhum ponto dramático - tem quase nada de um conflito pessoal do Arnie ao se dar conta do que se transformou -, ainda assim dá muito caldo e, por que não?, certa profundidade pra trama.
O segundo é a natureza do carro assassino. O lance não é explicar o porquê, o como, a razão de sua maldade; ela está lá e pronto, caba ao espectador aceitar e aos personagens lidarem com isso. Acho esse recurso muito bom quando bem usado - não esmiuçar a origem das coisas -, e aqui ficou sim bem usado. A gente nem sente falta de saber sobre a 'natureza' da Christine, e as cenas iniciais, do cara perdendo os dedos e depois o outro morrendo por ter jogado as cinzas do charuto no banco, já mostram o que é preciso mostrar: o carro é do mal, ponto.
Claro, não é um filme perfeito, tem pontinhas soltas, coisas convenientes pra fazer a trama andar. Porém, tudo dentro do espírito da época em que foi feito, e nada que ofenda o espectador atual.
E bônus para a trilha sonora, escolhida a dedo, fazendo com que cada música fosse uma reação da Christine, uma tradução do que 'sentia'.
Enfim, que seja nostalgia, mas ô filme bom de assistir e reassistir.
Estrutura super batida, começo bem apelativo (quase non sense, de tão exagerado), e desfecho previsível. Ainda assim, arranca algumas risadas e dá lá um calorzinho no coração.
Então o começo já meio que entrega tudo o que vai acontecer, restando pouco de inusitado ou inédito. E até aí tudo bem, já que é comédia romântica e é difícil inovar no gênero. Me incomodou, porém, o tom bem exagerado no início, que se cristaliza na Maddie, completamente sem noção naquela forçação de barra para as coisas acontecerem. Só quando esse tom para (lá pela metade do filme) é que o filme começa a ser mais simpático.
As tiradas de humor não são todas certeiras, mas ficam compensadas por uns breves picos de originalidade e atualidade (especialmente o momento da festa).
Já quanto ao desfecho, bem, como dito, previsível. O que mantém o interesse é mesmo o carisma da Maddie. E o final, se se salva por não
entregar alguma mirabolante forma dos dois ficarem juntos, peca por terminar tudo em flores... mas aí para ser diferente só mesmo se fosse uma comédia dramática, né.
De todo modo, a jornada dos personagens é lá um tanto edificante, daí aquele calorzinho no coração. Mas não é uma comédia romântica de destaque, valendo mesmo só para passar o tempo (e para os taradões e taradonas de plantão, graças à cena na praia).
Juntos
3.3 389O filme sofre de uma grande falta de plausabilidade logo de início, quando a Alison Brie chama o cara para a cama e ele prefere ficar tirando uma música.
Piada feita, é bacana a situação absurda que o casal vivencia, respingando na explicação de Platão sobre almas gêmeas e também no dilema de casais sobre quão próximos devem (ou NÃO devem) ser. Essa situação é apresentada desde o início e serve para prender nossa atenção no melhor estilo 'vai dar ruim e a gente quer ver dar ruim'.
Só que o filme parece ficar patinando quando poderia muito bem assumir um estilo categórico e definitivo.
Então tem sustinho, tem humor, tem um leve drama, tem um pouco de bizarrice. Porém, nada que marque o filme dentro de cada uma dessas características. O que a gente vê na cena da cozinha, por exemplo, poderia ser o que o filme teria em todo o resto... só que não.
O final também pode ser um pouco decepcionante, já que a penúltima cena parece tentar fazer humor físico, esquecendo qualquer requinte narrativo enquanto se autoexplica (um contraste com a cena final, que mira e acerta no bizarro silencioso).
Talvez o problema aqui, em resumo, seja esse desbalanceamento.
Vale assistir, mas aceitando algum grau de frustração.
Novocaine: À Prova de Dor
3.2 204 Assista AgoraFilme que ganha a simpatia no início, decepciona um pouco no final, mas garante algum grau de diversão...
A premissa não deixa de ser chamativa: um sujeito comum, pacato e tedioso, que não sente dor, e de repente se vê mergulhado numa confusão enorme apenas porque se apaixonou.
Aí que até a metade do filme esse enredo simples cativa pelo protagonista e pela atipicidade de sua síndrome. Uma misturazinha de comédia romântica com 'super herói antes de descobrir que é super herói', o que é bem bacana.
A partir da metade, tudo isso ganha muito mais ação, que tenta (e quase sempre consegue) ser bem frenética. E com toques de violência explícita. Uma violência explícita que é confusa do jeito legal: é bizarro e desconfortável de assistir, mas ao menos tempo engraçado porque o protagonista, simplesmente, não sente dor (a cena
da tortura é ótima
Mas não tem como não se incomodar com a transformação do protagonista a partir do momento em que ele cruza a porta em direção à ação. Vai ver que pensar direito tem a ver com sentir dor, e como ele não sente, então não pensa direito...
O filme abre mão de muitos elementos básicos de verossimilhança quando se torna um filme de ação, cabendo ao espectador decidir se aceita isso pelo resto do filme, ou se segue na poltrona sem se entregar completamente à história.
E ação da parte final ficou muito padrãozinho filme de ação bobo, algo burocrático, só pra fazer o filme terminar. A originalidade do início / meio se perde, salvo, é claro, a
morte do vilão trespassado pelo osso, né
É evidente que o filme não se queria realista, nem revolucionário no quesito ação; mas é difícil não reparar que só existem 2 policiais na cidade (ancorados numa desculpa bem besta por serem só os dois), e que o final é o mesmo final de filme ação desde os anos 80.
Ainda assim, o início é tão cativante e chamativo que é bastante pouco provável abandonar no meio do filme, por mais exigente que seja o espectador.
Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out
3.6 240Uma boa peça de entretenimento, sem dúvidas.
Então se você quiser se divertir com um filme, aqui está; diversão tão genuína que a gente nem se cansa da longa duração.
Bacana também a sutil discussão sobre religião, seja pelo seu lado mais humano e favorável (um padre bom, mas nem por isso isento de falhas, e a explicação de uma 'narrativa que pode ser falsa, mas que toca algo que sentimos'), seja pelo seu lado mais político e desfavorável (o extremismo misturado à ambição, e a conveniência do 'clubismo' da fé).
A construção do mistério é competente, e cada personagem é uma engrenagem bem lubrificada da trama como um todo. Dinâmica favorecida pela narração em off da primeira parte, e também pela própria demora da aparição do Blanc (achei particularmente elegante essa amarração da história em que o detetive aparece só pelo meio).
Só achei que o enredo não foi tão surpreendente assim. Um espectador mais versado em tramas policiais saca o que aconteceu tão logo o crime é mostrado, restando de 'plot twist' só mesmo o desenlace secundário ao crime.
Ainda assim, um bom filme para quem busca entretenimento.
A Última Noite
2.9 109Boa ideia que dá tremendamente errada.
O plot em si é interessante, carregado com potencial dramático e sarcástico. A crítica social embutida é na medida para gerar incômodo, mas sem pesar demais e se tornar panfletário.
O problema começa com o tom do enredo, que não sabe para qual lado apontar. Tenta trazer humor e drama, mas entrecortando (e a ideia é essa: cortes [abruptos e inesperados]) ambos de forma desconjuntada. Em alguns momentos a gente nem percebe se é para ser humor ou drama, e não do jeito bacana das comédias dramáticas bem sucedidas, e sim do jeito 'tá, o que é que o filme tá tentando mostrar, afinal?'.
A duração modesta do filme parece forçar os personagens à caricatura, o que só piora ainda mais as tiradas de humor e os picos dramáticos.
O resultado é que vai ficando cansativa a relação entre os personagens, sem nenhum deles para conquistar nossa real empatia (o garotinho é o que chega mais próximo disso).
Outro problema do filme é a sensação do desenrolar da história. Para quem assiste sem ter noção da história, vai um bom tempo até entender o que está acontecendo (o filme tenta explicar a si mesmo naturalmente, mas o resultado é a confusão no espectador). E o filme abusa de cenas curtas, com pouca noção de continuidade entre elas, fragmentos que, uma vez mais, confundem o espectador, furtado da percepção de tempo dentro da história (estão jantando, de repente os meninos estão jogando videogame, daí corta para o quarto com um dos meninos, aí volta para os adultos, vai para os meninos, aí os adultos já estão dançando, e por aí vai).
Para quem curte narrativas sobre o fim do mundo, dá para assistir, já que tem uma pegada um pouco mais corriqueira e cotidiana sobre o apocalipse, uma abordagem não tão comum assim. Porém, como filme em si, enquanto história contada, é bem fraco.
Balada de Um Jogador
2.8 40 Assista AgoraFilme que tinha tudo para dar certo.
A premissa é simples, direta e com bastante potencial (jogador viciado que se vê encurralado entre dívida e vício). O protagonista, com um Colin Farrell de respeito encarnando, tem seu carisma de malandro que se acha demais enquanto afunda no caos. E a ambientação luminosa, chamativa e estilosa (mérito para a fotografia e direção de arte) prende a atenção.
O problema começa quando o filme tenta fazer acontecer. Somos expostos a uma sequência de cenas abruptas, sem continuidade, que vão se encavalando num ritmo estranho. E conforme a trama se enrola, ficamos em dúvida se tudo aquilo é real ou não (e apesar de ser uma dúvida que o próprio roteiro intencionalmente sugere, grande parte dela parece ser confusão técnica, e não aquela confusão intrigante dos filmes que enganam de forma bem enganada).
E aí o filme tenta alçar voos numa pegada mais sobrenatural, talvez surrealista (algo que lembra Cisne Negro), mas são picotes que vêm de lugar nenhum e não chegam a lugar algum.
Só no quarto final do filme é que a história parece ter calma para contar a si mesma. Mas aí, como tudo o que veio antes foi estranho e com jeito de recortes apressados de pedaços desconexos, o desenlace que poderia ter um baita impacto acaba sendo trivial. Ou seja, o final é legal, mas sem início e meio (principalmente meio) consistentes, ficou um legal esvaziado, tipo voo de galinha.
Talvez se o filme tivesse maior duração o resultado seria diferente; do jeito que ficou, a sensação é de frustração.
Um Herói de Brinquedo
2.9 598 Assista AgoraPode ser a nostalgia que fala, mas é um filme menosprezado.
Reassistindo hoje em dia, a gente nota inclusive algumas sacadas de humor levemente a frente do seu tempo. Criança bebendo álcool, uma rena assassina, suspeitas sobre abuso infantil, tiradas sexuais de duplo sentido... Caísse nas mãos de um roteirista e diretor atuais, poderia ser um genuíno filme de comédia adulta.
Aliás, talvez seja essa a grande 'falha' do filme: apesar de flertar com o humor adulto, insiste em trejeitos de humor infantil, gerando uma certa dissonância. E convenhamos que o filme tinha tudo para ser um completo humor adulto (afinal, só um adulto para entender o drama do protagonista).
Quanto ao tio Arnold na sua trajetória no humor , bem, é sempre contestável; mas aqui dá pra aceitar sua performance, inclusive sendo sua limitação a chave para as melhores cenas do filme (só seu jeitão travado é que poderia dar o humor naquela cena de invasão à rádio).
No mais, menosprezado ou não, é um filme bem passável para assistir sem se preocupar, especialmente para nós, crianças do anos 90.
Tempo de Guerra
3.2 123A produção parece sofrer uma crise de identidade: filme ou documentário? Optaram pelo filme, mas mantendo o compromisso com os fatos como se fosse um documentário. E poderia dar bom, só que não.
Basicamente, a ação, o drama e o suspense não decolam - ficam presos aos fatos todo o momento.
A ação é moderada. Quando acontece, é com a sensação de chupar bala sem tirar a embalagem: muito tiro, pouca consequência. Ok. Estamos saturados de explosões exageradas e tiroteios fantasiosos quando se trata de guerras reais; contudo, as cenas nunca mostram de onde vêm os tiros, ou onde eles chegam.
O drama, então, é tão seco que fica difícil simpatizar com qualquer personagem. Por mais que estejamos cansados da cena do militar longe de casa que fica olhando foto dos familiares e aí exerce um heroísmo altruísta pelo pelotão, faz falta ter qualquer vínculo de humanidade - mesmo que ligeiramente exagerado. O mais próximo disso é a figura do líder que espana e dos feridos que entram numa agonia perturbadora.
O suspense é o que funciona melhor - e ainda assim sem brilhar. Afinal, a situação do grupo é realmente tensa (isolados e sob o risco de ataque a qualquer instante). Mas cria-se todo um cenário de 'vai dar ruim' cuja tendência é frustrar o espectador quando as coisas realmente acontecem.
Aí que o filme chega a ter algumas cenas que são quase gratuitas. Tipo o cara que injeta morfina em si mesmo, ou a longa tomada com silêncio pós-explosão (essa ficou tão estranha que cogitei ter dado pau no streaming), ou o outro militar que sem querer é extraído antes da hora. Sem um background de drama, ação ou suspense, as cenas ficaram quase que perdidas no rolê.
Enfim, teria sido muito melhor se tivessem feito um documentário, pois o resultado é um filme que entrega 'crueza' com baixíssima dose de entretenimento, envolvimento ou mesmo diversão do espectador.
Dinheiro Suspeito
3.4 140O tchan da trama é uma mistura de corrida contra o tempo + quem é o mocinho e quem (ou quantos) é o vilão. E nisso se mostra um competente filme de suspense policial, do tipo que é muito difícil não prender a atenção do espectador.
Então o filme é bem construído, bem encadeado, e, apesar de suas quase duas horas de tela, não tem excessos - tudo que é mostrado é mostrado por algum motivo, e de um jeito econômico e somente o estritamente necessário (aliás, muito bom que o enredo escapa de tentar aprofundar dramas pessoais, inserindo-os somente para contextualizar a suspeita sobre os personagens).
A ação está lá, com direito a troca de tiros e perseguição, mas não é o foco (e pessoalmente acho que o filme nem precisava ter investido tanto na parte da ação, pois o suspense em si já seguraria bem as pontas). O foco é mesmo o suspense, e é bastante imersiva a atmosfera criada pelo filme: uma casa, um dinheiro, e um grupo de personagens que não podem confiar uns nos outros.
Porém, filme tem uns excessos estilísticos bem over, estilo filme policial de quinta categoria, tipo Ben Affleck fumando nas cenas iniciais (cigarro como construção da parrudez de um persongem já tá meio passado, né), a moça sentada enquanto a poeira das marretadas caem sobre ela e ela nem aí, ou então a trocação de tiro com o Ben dirigindo com uma mão e descarregando a metranca, sem olhar, com a outra.
E achei muito sujo o truque de
revelar o segredo da trama não pela trama em si, mas por coisas que não são mostradas ao espectador. Convenhamos, fica muito fácil engabelar o espectador se ele não tem todas as informações
De todo modo, os pontos negativos não estragam a experiência. É de assistir sem piscar - e com o bônus do Ben e do Matt, tiozões de tudo, mas sempre carismáticos e chamativos quando em cena.
Sting: Aranha Assassina
2.6 109 Assista AgoraFilminho honesto de terror leve, que sabe de sua humildade e tá de boa com ela.
Então não tem miraboles explicativos, não tem militares alucinados, não tem cientistas aloprados, não tem alienígenas vindos de outra galáxia (bem, até tem, mas não é o foco).
E esse 'não ter' é o charme: tem o mistério, tem o monstro, tem a situação, e tem a protagonista. O mistério é simples e não se perde (afinal, pouco tenta explicar-se), o monstro é assustador na medida (e que aranha não é assustadora, né), a situação é bacana (nada original, mas o suficiente para uma sensação de 'presos com o perigo'), e a protagonista tem seu carisma (a guria, por incrível que pareça, segura bem as pontas).
O desfecho me parece um pouco afobado, mas nada que comprometa a diversão de quem busca um terrotzinho com jeito de aventura descompromissada. .
Enfim, uma prova que ideias simples e modestas podem entregar um entretenimento adequado.
Um terrorzinho gostoso para fechar uma noite.
Contra o Mundo
3.2 160 Assista AgoraA proposta do filme é zoeira. Não a zoeira nível hard, mas o suficiente para exigir do espectador repetir diversas vezes 'tá, é pra ser zoado mesmo, então nem vou reparar'.
Entendido e aceito isso, o filme tem lá sua graça. Seu humor e sua violência são chamativas, e suas cenas e situações de ação no estilo de videogames têm um charme - pelo menos entre os gamers.
O lance da narração em off tem alguns pontos altos, alguns pontos baixos, porém de forma geral contribui para dar uma identidade própria ao filme.
Já quanto ao enredo, eu, pessoalmente, curti bastante, especialmente o desfecho (momento em que o filme, aliás, assume um tom um pouco menos zoado [e que me parece que poderia ter modulado o nível de zoeira de todo o filme, né]).
Porém, a ação do filme (e é um filme de ação...) me parece um pouco fraca. As cenas de ação não são lá nenhum primor (menção honrosa somente para o ralador de cozinha), e faltou, entre as cenas de pancadaria, um ritmo legal para manter a tensão (sabe a sensação tediosa de de 'tá, e quando é que vão cair no braço de novo?', tipo isso).
Não é uma total perda de tempo, mas também não é nada que vai marcar o gênero.
Stranger Things (5ª Temporada)
3.5 508Um textão do tamanho da frustração:
Quiseram fazer um grande bolo, mas convictos que bolos grandes só precisam de muito (muito!) fermento. Resultado é que o bolo cresceu, transbordou da forma, esparramou por tudo, e depois murchou miseravelmente - e melecou o forno por completo.
O resumo me parece esse: quiseram grandes coisas, mas o excesso não teve estrutura correspondente.
Inchaço de personagens: mais uma vez, a solução foi criar caricaturas. E não só dos novos personagens. Até os centrais vão se reduzindo, vão perdendo seus arcos, vão ficando sem graça. Até a El, tadinha, tá sem carisma algum (se falha de direção, de roteiro ou de atuação, cabe discutir).
O perigo militar: quiseram dar toda uma ação com a presença dos militares, responsáveis por serem um vilão secundário, mas toda dinâmica com eles é forçada e fonte de vários fracassos de verossimilhança. Daí que a ação com eles não consegue transmitir seriedade ou peso.
Arcos emocionais: aceitação, altruísmo, bullying, amizade, amor, sexualidade... Tudo pela metade, picotado, ou estrangulado por personagens simplificados.
Explicação multi: o que na série começou como sobrenatural, progrediu pra ficção científica, ganhou contornos psicológicos, pra então sugerir alienígenas de outra dimensão... bagunçou tudo. Ok, até que a explicação deste fim de série amarra algumas pontas soltas; mas misturou tantas frentes explicativas que não faltam coisas confusas e mal encaixadas.
Ação e correria: é visível que a série vai ficando cada vez mais de ação, perdendo o toque de aventura, suspense e drama. Se serve para 'ter sempre algo acontecendo', também serve para esvaziar a identidade que a série construiu anteriormente, deixando tudo com ares de uma série qualquer.
Enfim, o bolo final pouco lembra aquele adorável cupcake que foi a primeira temporada. A série se mantém e chega até aqui pela nostalgia; não a nostalgia oitentista genuína da primeira temporada, e sim a nostalgia do espectador sobre a primeira temporada.
É realmente decepcionante ver o desfecho tão 'traidor' do que a série prometeu ser, tendo que nos fazer engolir furos de roteiro atrás furos de roteiro na busca por uma grandiosidade desnecessária.
A experiência só não é completamente negativa porque, afinal, alguns lampejos surgem aqui e ali, recompensando minimamente quem assistiu todas as temporadas. Mas é isso: lampejos.
Sobre o possível final que não é final... Se for para apenas tacar mais fermento nesse bolo, não, né. Vamos parar enquanto ainda é possível ver fiapos do que os meninos e a El foram na primeira temporada.
Ah, mas para não perder a menção honrosa, vale ressaltar o ponto alto da temporada (não se compara ao Dustin cantando ou ao Eddie mandando ver na guitarra, mas é digno de nota): a Holly
sentando o rádio na coleguinha, e depois sendo estrangulada (!!!) por outro coleguinha, é tão inesperado que não tem como esquecer da cena
Stranger Things (4ª Temporada)
4.2 1,0KDepois de uma terceira temporada fraca, a quarta temporada consegue entregar muito do que ficou prometido - apesar de um tanto diferente, e não de forma perfeita.
Então aqui temos um novo vilão, que tem uma pegada psicológica mais forte e um modus operandi bem mais perturbador (não só graficamente [a primeira morte é bastante impactante], mas também no 'sentido' que podemos ver nele).
Nisso, o enredo fica mais sombrio e pesado, bem além de uma ficção científica que só serve de contexto para uma aventura juvenil bobinha.
Os personagens voltaram a ter uma aura de complexidade, deixando de lado os dramas românticos superficiais que vimos na terceira temporada, e superando a necessidade de humor pastelão a todo instante (o Hopper voltando a ser Hopper, amém!).
E, claro, há uma sequência ápice na temporada, muito bem embalada pela trilha sonora (dá pra se arrepiar no solo de guitarra).
Entretanto, a temporada me parece dar umas escorregadas.
De todas até aqui, me pareceu a mais cansativa nesse esquema de núcleos narrativos paralelos. A da El demora a engrenar, enquanto o rolê na Rússia parece ficar em ponto morto esperando a hora certa de se desenrolar. Apesar de tudo fazer sentido dentro do universo e das pontas soltas anteriores, confesso que em alguns momentos ficou entediante, pelo menos até os 2 episódios finais.
De todas, também me pareceu a menos oitentista. A década está lá como pano de fundo, motivando uma ou outra referência específica ou então a trilha sonora; mas falta aquele espírito nostálgico que nos conquistou nas temporadas anteriores, especialmente na primeira.
E me parece também que o inchaço de personagens começou a cobrar um preço. Muita gente ficando escanteada ou presa num looping narrativo que parece não progredir (e sim, aqui se inclui a El). Talvez na quinta temporada tudo faça sentido.
E, por fim, também me pareceu que o Mundo Invertido foi o menos assustador das quatro temporadas. Basicamente, virou um mundo que é sempre noite e que dá pra entrar e sair quando quiser, sem real dimensão do risco - isso apesar de ter o Vecna.
Enfim... no quadro geral, a quarta temporada retoma o espectador, mas acende alguns alertas. E entre eles a duração dos episódios... 1h? Ok. 1h30? Ok, se daqueles episódios especiais. Agora, 2h20? Tão scorcesando demais isso aí.
Stranger Things (3ª Temporada)
4.2 1,3KA gente sabe que quando uma série começa sensacional o risco de perder a mão é enorme... E aqui na 3º temporada alguns deslizes nessa direção começam a aparecer.
Primeiro, o humor. Tá, a série sempre teve piadinhas, e esse não é o problema. Mas piadas do tipo Mike levando uma borrifada de perfume no rosto? Isso é engraçado onde? E o Hopper e a Joyce... reduzidos a alívio cômico? Gente, nem parecem os mesmos personagens da primeira temporada.
Segundo, o rolê dos casaizinhos. Ok, os personagens estão ficando mais velhos, sentindo comichões no ventre inferior, e descobrindo que 'gostar' vem com contrapartes. Porém, se a série como um todo é uma grande nostalgia, o rolê romântico aqui perde todo aspecto nostálgico e vira um lance de novelinha juvenil muito bobo. Periga até a gente achar sacal a Mike e o El finalmente estarem juntos.
Terceiro, a expansão da trama. Beleza, pras coisas continuarem acontecendo é preciso de mais coisas. Só que quanto mais coisas (e mais grandiosas), mais difícil pro roteiro encaixar tudo de forma coerente e coesa. Aí que todo o rolê com os russos, inclusive a base deles e todo o resto da metade da temporada para a frente, segue num ritmo atropelado e muito pouco convincente.
O que salva a temporada é, somente, o ritmo de ação e suspense, que lembra alguns filmes clássicos de abduções alienígenas em pacatas cidades americanas (um subgênero ótimo, alías). A batalha final também ficou bem feita, especialmente a iluminação (um show de neons).
Entretanto, contudo e todavia, me parece a pior temporada dentre as três primeiras. O afastamento da primeira fica evidente, indicando um perigo de não conseguir se reinventar agora que os personagens não são mais crianças e é preciso complexificar mais o mundo invertido e suas consequências.
Sua única joia genuína e marcante, digna de realmente ficar na memória, é Dusty (sempre ele!) fazendo o dueto (dizem por aí que você pode marejar os olhos enquanto ri e sente o coração amolecendo... bem, ouvi dizer, né).
Stranger Things (2ª Temporada)
4.3 1,7KA segunda temporada segue o script das séries que agradaram na primeira: manter o que estava bom, mas trazendo novos personagens, novo vilão, e expandindo o universo.
E dá para dizer que isso foi feito com sucesso.
A série continua trabalhando bem os elementos nostálgicos, continua misturando diversos gêneros (apesar de uma grande queda no quê dramático que havia na primeira), e continua entregando personagens com arcos próprios e carismáticos a sua maneira.
Então, sim, quem assistiu a primeira e gostou, vai assistir a segunda temporada e se sentir contemplado.
Só achei que aqui perdeu um pouco a mão do ritmo. Se na primeira os diversos subenredos nos envolviam e criavam a antecipação do tipo 'quando é que tudo vai se encaixar!?', aqui essa antecipação não é bem trabalhada. É tipo a diferença entre unir peças (1º temporada) e apenas juntar as peças (2º temporada).
Até mesmo o novo vilão, que é imponente e adquire ares mais psicológicos, parece perder um pouco de 'respeito' nessa falta de clímax apropriado.
E o tema mais sensível aqui (realmente não cheguei ainda a uma conclusão), é o arco da El, especialmente a parte 'fora da cabana'. Não sei se engrandece o universo da trama, ou simplesmente tira o foco; não sei se constrói mais a personagem, ou é apenas cobertura de bolo. Tá, é legalzinho ver ela
flertando com o lado negro da força durante sua busca por autoconhecimento
Nada que faça a segunda temporada ser dispensável, mas o suficiente para gerar algumas dúvida sobre o acerto da decisão.
E no mais, só para registrar: você não é humano (ou teve anos de escola muito bons) se não se deixar levar pelo último episódio.
Stranger Things (1ª Temporada)
4.5 2,7K Assista AgoraAssistindo somente agora, nos fins de 2025, entendo o frisson que causou na época do lançamento: é mesmo uma série sensacional.
Ela evidentemente se apoia na nostalgia anos 80, com franca inspiração em Goonies. E isso fica muito bem feito; é tão respeitosa a referência nostálgica, que dá até para acreditar que a inspiração maior do projeto foi mesmo uma homenagem sincera, e não apenas oportunismo comercial.
Porém, nem só de nostalgia vive essa primeira temporada.
Os personagens são surpreendentemente densos (e absolutamente carismáticos, cada qual a sua maneira). Chama muito atenção, inclusive, o elenco adulto, responsável por trazer uma profundidade dramática que, em alguns momentos, deixa a série um tanto pesadinha - o luto do Hopper e a 'paranoia' da Joyce (grande Winona!) são mais convincentes que os dramas de muitos 'filmes sérios' por aí.
Isso, aliás, é outro mérito desta primeira temporada: tem aventura e ficção científica no centro, mas brinca (com eficiência) no romance, na ação, no drama e no terror. E consegue amarrar tudo de forma convincente, sem transparecer conveniências de roteiro ou forçações de barra.
E, para mim, o grande tchan da primeira temporada é a forma quase perfeita com que os subenredos vão se emaranhando, do que quando tudo fica um enredo só (isto é, todos os personagens percebem que estão todos na mesma aventura) a gente chega a vibrar no sofá (tá, eu vibrei, me julgue).
Enfim, vale assistir, especialmente quem tem todos os recursos para aproveitar a nostalgia da série (isto é, se você também é da safra dos anos 1980).
Garras Vorazes
2.0 56 Assista AgoraTenho sérias ressalvas com relação a filmes que humanizam animais dotando-os de emoções, comportamentos e habilidades exclusivas de humanos... a menos que se trate de uma preguiça sádica e vingativa, claro.
Mas, bem, falando sério, o filme não é nada sério. E mesmo que isso já fiquei evidente por se tratar de uma preguiça assassina, o filme dobra a aposta e mergulha de vez no besteirol.
Então não é um daqueles filmes de terror ou slasher com tiradas de humor: é um besteirol que usa do terror e do slasher como desculpa para existir ( desculpa fraca, por sinal, já que nem mesmo coisinhas sangrentas, nojentas e exageradas a gente tem aqui).
Por ser um filme curto, por ser absolutamente fora da casinha, e por ter uma absurda preguiça assassina, até dá para seguir até o final, porém cabe ao espectador repetir o mantra a cada minuto: não vou esperar nada desse filme, é só um besteirol.
Vale pela curiosidade, mas longe de qualquer pretensão de qualidade.
O Exorcismo da Minha Melhor Amiga
2.4 82 Assista AgoraFilmes de terror zoado ambientados nos anos 80 são simpáticos por definição - pelo menos se você também é uma criança dos anos 90.
São quase catárticos, na verdade, já que brincam com os medos de toda uma geração - de novo: pelo menos se você também é uma criança dos anos 90.
Então a experiência aqui tende a ser agradável, configurando um adequado passatempo descompromissado.
A mistura de humor com terror está na medida para um público não muito exigente (dá até pra ter uns pulinhos do sofá, mas nada pesado, e dá para dar umas risadinhas, mas nada no estilo comédia escrachada).
Claro, misturar gêneros tende a gerar o risco de não agradar nenhuma parte da mistura, o que aqui pode sim se concretizar (quem espera terror não vai encontrar, quem espera comédia não vai encontrar, e sim a mistura única de quando tenta-se fazer as duas coisas).
Tem ainda um bônus de focar na amizade entre duas adolescentes, o que confere um leve contexto emocional pra história - nada que toque o âmago da experiência humana, porém o suficiente pra gente simpatizar minimamente com o drama das meninas, principalmente da protagonista.
Entretanto, é isso, um filme passatempo, cujo final revela quão despretensioso é (um daqueles finais que deixam claro que o filme quer mesmo é jogar no seguro).
Se você cresceu com medo d'O Exorcista de 1973 e busca um filme para se entreter reverberando o grande desafio da sua infância/adolescência, tá aí.
Todos os Meus Amigos Estão Mortos
3.0 175Não esperava muito, e por isso o filme foi uma grata surpresa: com uma estrutura narrativa interessante, entrega humor sarcástico dentro de um enredo de um controlado absurdo.
Aí que apesar do filme ter vários personagens, trabalha bem a rotatividade entre eles enquanto a trama se desenrola, cada qual com seu pequeno arco de tragédia.
As tiradas de humor nem sempre acertam, mas têm seus pontos altos, a depender da preferência do espectador (fico com as cenas com Jesus, no melhor estilo Porta dos Fundos).
E por mais que tudo aquilo, especialmente o desfecho, seja absurdo, não é nada que grite para nosso bom senso que é preciso abstrair toda e qualquer dose de realismo (você sabe que é absurdo, mas é elaborado o suficiente para não se tornar ofensivo).
Claro que alguns aspectos técnicos merecem críticas, mesmo para um filme dentro desse gênero. Ainda assim, os minutos rodam suaves e a satisfação do espectador é minimamente garantida.
E destaque para o final: uma suave brincadeira existencial, que confere um bem encaixado humor dramático-filosófico-melancólico pro rolê todo.
Casa de Dinamite
2.9 178 Assista AgoraSe é um filme de temática militar, e passado nos bastidores do poder norte-americano, é claro que os clichês não iam faltar, com direito à figura presidencial idealizada (poderoso, humano e razoavelmente ponderado) e aos militares treinados para apertar botões diante de certos protocolos e só.
Então, sim, você verá mais do mesmo.
A estrutura do filme, porém, deixa as coisas um pouco mais interessantes: o tempo interno da narrativa são apenas 19 minutos, mas vamos acompanhando núcleos de personagens (todos compondo um só núcleo maior) ao longo das 2 horas. Essa estrutura é uma aposta arriscada: pode dar certo enquanto entretenimento se você 'embarcar' na proposta do filme logo de início, caso contrário, vai parecer apenas uma história que nunca sai do lugar.
Não é um filme de ação. Tá mais pra um suspense (genuíno) com pitadas de drama (clichê total quando tenta). E, de novo, se você embarcar na proposta do filme desde o início, pode acabar valendo como passatempo ao menos.
Já quanto ao polêmico final, creio que frustra como parte da mensagem pretendida - isto é, é uma frustração intencional. Afinal, num cenário nuclear de tantas incertezas, variáveis, possibilidades e uma perturbadora falta de controle, o final do filme acaba sendo coerente com o cenário retratado (mas, de novo, a menos que o espectador tenha embarcado no filme desde o início, o final vai parecer outro elemento da história que simplesmente não sai do lugar).
Enfim e em suma, vale como entretenimento, mas sem nenhuma pretensão maior, seja pela diretora, seja pela temática (que nunca sai de cena, né, mas que tem voltado à incomodar nesses esses anos recentes).
É Culpa da Alegria
3.2 14 Assista AgoraComédia romântica que preza pela leveza, mas no caminho sacrifica boas oportunidades e um bom tanto de coerência.
Então o drama do protagonista, que não pode ser feliz sem desmaiar, é um enredo interessante e cômico o suficiente para nos deixar interessados. E quando surge uma paixão em sua vida, é claro que ficamos curiosos para ver como as coisas se desdobrarão.
Porém, tudo vai se afunilando para um desfecho cheio de conveniências e simplicidades que podem frustrar, tipo os desmaios acontecerem com coisas pequenas (ver um cachorrinho fofo), mas não quando está no flerte velado com seu par romântico.
E o filme até tinha abertura para desenvolver um drama suave do tipo 'não posso ser feliz' ou ainda provocar uma reflexão sobre o medo de ser feliz... só que não. Em vez disso, fica no mais do mesmo das trocentas comédias românticas existentes por aí. Chega a tal ponto que ao final a doença do protagonista é quase um elemento secundário, que poderia muito bem sumir e a história continuaria a mesma.
Não que seja um filme chato ou ruim (para quem busca comédias românticas, claro), é só que deixou de dar um ou dois passos para ser um pouco mais do que o básico.
Enfim, vale assistir como digestivo emocional, mas nada muito meritório.
Eu, Christiane F.,13 Anos, Drogada e Prostituída
3.6 1,3K Assista AgoraApesar da temática, e apesar de ser sim um filme pesado, não chega a ser propriamente apelativo, daí se situar bem entre uma peça de entretenimento e uma obra de reflexão.
Então, não, não é um daqueles filmes cujo único propósito é chocar. Consegue desenvolver bem o drama adolescente (necessidade de aceitação, paixão, dúvida) dentro de uma trama que é progressiva (a Christiane cercando o mundo das drogas até se perder dentro dele). O lance das drogas é o ponto central, porém é o meio, não necessariamente o fim.
E tem até umas tiradas poéticas que são surpreendentemente sutis, além de recursos de direção e fotografia que contribuem para essa atmosfera meio onírica - no caso, um pesadelo, né.
Assim, o ponto é: é um filme duro, cruel, pesado, mas não é o choque pelo choque, o impacto pelo impacto.
Você vai sim terminar o filme com um gosto amargo na boca, contudo, em decorrência de um filme que é honesto diante da história que quer contar.
Só não ganha mais estrelas porque, na minha opinião, sacrificou muito a parte contextual da história (nada da vida de Christiane na escola, muito pouco de sua vida familiar) e também no início e no fim (ambos super abruptos, desencaixados da história, quase que dispensáveis, especialmente o final,
que só serve mesmo para sabermos que ela sobreviveu e conseguiu se livrar do vício
E como zoeira... que mãe pra frentex a dela, hein?
Carrie, a Estranha
3.7 1,5K Assista AgoraFilme de terror/suspense simples e rápido, que explora elementos sobrenaturais sem fazer muita firula, mas que ganha em densidade ao inserir aí elementos dramáticos - e ao sacanear, de modo corajoso, a nossa expectativa quanto à 'moral da história', digamos assim.
Então o filme funciona como um relógio. Já na primeira cena temos a construção da protagonista e do que ela vai ter de 'superar' durante a trama. Os personagens vão sendo introduzidos de modo unidimensionais, sim, mas muito bem encaixados, engrenagens bem azeitadas dentro do mecanismo que é o enredo e seu desfecho. Enquanto que o enredo logo se lança de modo completo, deixando claro pro espectador qual será o clímax - e que clímax!
Porém, por trás disso tudo, vão surgindo pontos dramáticos que ameaçam roubar a classificação 'terror/suspense'. Adolescência, religião, autoaceitação, e, claro, bullying. Tanto é, que a sensação maior do filme é menos de medo/espanto, e mais de revolta/indignação
, seja pelo que fazem com a Carrie, seja pelo que ela acaba fazendo, né, matando mesmo quem não tinha culpa de nada
Enfim, uma mistura que dá super certo e que mesmo hoje, nos idos de 2023, não é comum encontrar.
Detalhe curioso é que parece estar aqui a origem dos trocentos filmes de comédia romântica que rodam sob o plot 'apostas que fazem o cara popular sair com a garota esquisita'.
E outro detalhe (para a galera dos animes) é que parece estar aqui, também, muita da inspiração para o ótimo Elfen Lied.
Christine, O Carro Assassino
3.3 704 Assista AgoraPara quem assistiu lá atrás, nos tempos áureos do SBT, avaliar o filme hoje em dia é uma tarefa que exige separar a nostalgia da objetividade - mas pode ser que a objetividade também seja nostálgica, né.
Então o filme é simplesmente muito bom, e envelhece como vinho. E isso por dois motivos entranhados na história.
O primeiro é a transformação do Arnie. Existe algo mais interessante, engajador, e envolvente do que um vilão com quem a gente simpatiza (pelo menos até certa parte do rolê)? A trajetória do 'coitado' que alcança algum tipo de 'poder' e com isso se corrompe, como vitimado por sua própria frustração anterior, é muito boa, e aqui, apesar de não atingir nenhum ponto dramático - tem quase nada de um conflito pessoal do Arnie ao se dar conta do que se transformou -, ainda assim dá muito caldo e, por que não?, certa profundidade pra trama.
O segundo é a natureza do carro assassino. O lance não é explicar o porquê, o como, a razão de sua maldade; ela está lá e pronto, caba ao espectador aceitar e aos personagens lidarem com isso. Acho esse recurso muito bom quando bem usado - não esmiuçar a origem das coisas -, e aqui ficou sim bem usado. A gente nem sente falta de saber sobre a 'natureza' da Christine, e as cenas iniciais, do cara perdendo os dedos e depois o outro morrendo por ter jogado as cinzas do charuto no banco, já mostram o que é preciso mostrar: o carro é do mal, ponto.
Claro, não é um filme perfeito, tem pontinhas soltas, coisas convenientes pra fazer a trama andar. Porém, tudo dentro do espírito da época em que foi feito, e nada que ofenda o espectador atual.
E bônus para a trilha sonora, escolhida a dedo, fazendo com que cada música fosse uma reação da Christine, uma tradução do que 'sentia'.
Enfim, que seja nostalgia, mas ô filme bom de assistir e reassistir.
Que Horas Eu Te Pego?
3.3 548Estrutura super batida, começo bem apelativo (quase non sense, de tão exagerado), e desfecho previsível. Ainda assim, arranca algumas risadas e dá lá um calorzinho no coração.
Então o começo já meio que entrega tudo o que vai acontecer, restando pouco de inusitado ou inédito. E até aí tudo bem, já que é comédia romântica e é difícil inovar no gênero. Me incomodou, porém, o tom bem exagerado no início, que se cristaliza na Maddie, completamente sem noção naquela forçação de barra para as coisas acontecerem. Só quando esse tom para (lá pela metade do filme) é que o filme começa a ser mais simpático.
As tiradas de humor não são todas certeiras, mas ficam compensadas por uns breves picos de originalidade e atualidade (especialmente o momento da festa).
Já quanto ao desfecho, bem, como dito, previsível. O que mantém o interesse é mesmo o carisma da Maddie. E o final, se se salva por não
entregar alguma mirabolante forma dos dois ficarem juntos, peca por terminar tudo em flores... mas aí para ser diferente só mesmo se fosse uma comédia dramática, né.
De todo modo, a jornada dos personagens é lá um tanto edificante, daí aquele calorzinho no coração. Mas não é uma comédia romântica de destaque, valendo mesmo só para passar o tempo (e para os taradões e taradonas de plantão, graças à cena na praia).