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Formado em cinema, eterno estudante.

Últimas opiniões enviadas

  • Diego Neves Cotta

    A elegância da direção e a trilha sonora deixam suas marcas impressas no que parece se tratar de um representante do terror contemporâneo. Chamam atenção o elemento oldschool do zoom e a cena do jogo no teatro em que o diálogo se estende contínuo ainda que os cortes desloquem os personagens de ambientes sem que sejam interrompidos. Um trabalho de apuro técnico, que assume a estilização e sabe criar tensão com uma efetividade curiosa. A combinação entre a maquiagem e o CG aplicados nas formas que o monstro assume conquistou um resultado bem interessante (o grandalhão magrelo meio Frankenstein é aterrorizante). Conceber uma criatura letal, imortal, mas lenta, é a ferramenta ideal para gerar uma graduação do terror perturbador, da inquietação, que atordoa.

    O mais legal de It Follows é interpretar toda a trama como uma alegoria para o período em que os adolescentes estão para ingressar de fato em uma relação sexual. A começar pela ideia da paranoia, é coerente pensar que os jovens sentem-se constantemente perseguidos, sendo observados, fortemente pressionados a ter relações sexuais. Para os jovens, é o que os legitima socialmente. É imposta uma falsa necessidade de transar, seus pensamentos são constantemente deslocados para o campo sexual e tudo que você precisa fazer é escolher um(a) parceiro(a) qualquer, como se sua vida dependesse disso. Colocar a criatura para assumir formas dos pais das vítimas é cruelmente freudiano. O sexo muitas vezes é vazio, feito quase por obrigação, pra “cumprir a meta”, e os corpos embreagado de receios interagem à deriva. Tudo isso é resumido na cena final, quando vemos caminhando pelo passeio um casal de jovens que não se amam de mãos dadas. Atrás deles, um alguém qualquer, a presença da dúvida constante, a tensão que se recusa a desaparecer.

    Achei muito bom e com certeza assistiria de novo daqui uns anos.

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  • Diego Neves Cotta

    A grosso modo, o saldo geralmente é de que Boong faz o mais simpático dos médias, de maior plasticidade e delicadeza criativa; Gondry fica em segundo lugar com a empatia do casal e seu inusitado desfecho; e Carax, com agressividade, provoca estranhamento e confusão, apesar da fenomenal interpretação dos atores.

    O primeiro filme é quase um neo-realista japonês da modernidade, em que a precária situação financeira dos personagens é latente. Mas o principal enfoque da história está na angústia de ter que ser alguém e demarcar sua existência no mundo. É como se desejassem negar a vida adulta que os obriga a executar tarefas sem sentido e talvez fosse melhor que se refugiassem em um mundo de fantasia por mais algum tempo até que se estivessem prontos para a cidade. Um sentimento de desamparo muito comum nas grandes cidades. A história é baseada em uma HQ.

    O segundo média é talvez o mais enigmático e que valha a pena buscar um backgroud pra entender o que diabos Carax quis dizer ou o que Merde representa. Alguns textos dizem que a criatura come flores (em referência ao símbolo da família imperial japonesa) e dinheiro, como crítica à aliança do Japão à Alemanha nazista durante a segunda Guerra Mundial (note os argumentos genocidas do personagem). Daí as granadas encontradas por Merde, como se os japoneses tivessem empurrado toda essa história para debaixo do tapete, para o subterrâneo do país, e que agora vem à tona para atormentá-los. Uma afronta para fazer reagir a memória do Japão esquecida no esgoto e que como resultado acabou gerando uma criatura que afronta e se perpetua pela cultura japonesa como uma lenda urbana. Quase como o Godzilla de Carax, mas importado da França. O desfecho fantasmagórico mostra que essa memória não está disposta a morrer, que permanecerá viva em algum lugar, atormentando japoneses.

    Ainda vale a pena reparar em aspectos criativos, em especial a dinâmica das câmeras no momento do interrogatório, que divide a tela em três ou quatro quadros mostrando vários ângulos ou personagens simultaneamente, como é comum no Japão o grande número de telões ou outdoors nas ruas. O evento ou a própria aparição de Merde é tratada como espetáculo (comportamento comum da mídia televisiva). Somos todos espectadores agora e o jornal (que é bizarro desde a fúnebre música de abertura ao fato de que só a bela apresentadora tem participação) evidencia a adesão fanática do público ao caso. Um completo show de aberrações. Uma possível crítica à cultura japonesa que é repleta de coisas até mais esquisitas que isso.

    Bong Joon-ho, muito talentoso nas minúcias, encanta por todos os atributos envolvidos. A história aponta para o futuro do Japão onde as pessoas tendem a viver em reclusão, cada vez mais anti-sociais por se distanciarem do contato humano em opção à artificialidade e tecnologia tão bem sucedidas e desenvolvidas no país. No caso, até o amor está mecanizado por um botão. Uma bela triste poesia cinematográfica que fecha com chave de ouro - e alguma leveza - a trilogia que reverencia a manifestação da célebre fantasia japonesa.

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  • Diego Neves Cotta

    É engraçado que a nossa noção atual de um filme de zumbi é carrega expectativas muito distantes do que esse filme realmente é. Seu mecanismo não toca na violência ou no gore, mas sim no mistério, naquilo que está na ordem do oculto. O horror não é agressivo, se constrói gradualmente na noção do bizarro ou do sobrenatural. O medo na verdade é a curiosidade disfarçada, o misticismo desconhecido que intriga e, se surge o pavor, é pelo eventual deparar de figuras mórbidas. Sem dúvidas é uma obra bem única e o meu problema com o filme foi justamente esse choque de expectativas que tento superar. Ainda não sei muito sobre o Tourneur, mas não há nada para se queixar da direção. A decupagem é muito interessante, a precisão da narrativa, sucinta e eficiente, a grande maioria dos closes ou movimentos de câmera tem sua potência relevante.

    O que geralmente dá consistência aos filmes de zumbi é uma crítica nas entrelinhas sobre a relação entre os homens, elevando a ideia para além do mero entretenimento. E ainda que este preceda praticamente todos os zumbis do cinema, esse caso não me parecia diferente disso.

    Obviamente, o personagem que mais chama atenção é o próprio zumbi negro de olhos esbugalhados. E pra mim, o nome dele tornou tudo mais interessante. Carrefour, como sabemos, significa "encruzilhada" ou "cruzamento" em francês. Não à toa ele é encontrado posto no miolo da plantação como um guarda que marca a divisão entre os dois territórios. Estamos falando de ciência e mitologia? Do encontro entre brancos e negros? E eu fiquei pensando sobre Carrefour poder ser encarada como um parônimo de "careful", que em inglês significa "cuidadoso". Imediatamente me veio a figura do zumbi carregando Jessica nos braços, sereno, na última cena. Betsy é uma enfermeira, dedicada à cuidar, preservar a vida, mas a verdade é que historicamente o homem branco ocidental está cercado pelos cuidados dos negros desde a escravidão. Enxerga-se claramente que todo o entorno da casa é repleto de trabalhadores negros, desde o cocheiro às cozinheiras. A briga entre os irmãos pela mulher desejada poderia ser a representação da disputa egoísta, eurocêntrica, por aquilo que acabaram matando. Não à toa, a principal empregada negra do filme se chama Alma. Por isso Carrefour, o homem negro de olhos esbugalhados é oco. Vazio, de pés descalços, feito para obedecer ordens, o morto-vivo, o zumbi.

    Toda essa atmosfera soturna atua para preservar algumas entrelinhas que os estúdios não permitiriam expor tão explicitamente assim. Era preciso por o belo rosto de Frances Dee protagonizando o filme mas, na verdade, ele parece querer apontar para a crítica que faz ao choque cultural de brancos e negros. Questões amorosas são puro rodeio pra se chegar aonde se quer. Ti-Misery é a figura da proa e emblema máximo do tráfico negreiro e é com uma de suas flechas cravadas que Wesley dá fim à Jessica e em seguida entrega seu espírito ao mar. Toda a tragédia voltada para a família branca faz borbulhar interpretações variadas sobre a existência dos rituais de vodoo, que no filme pode ser lido como modo de perpetuação cultural africana ou, infelizmente, de forma antagônica, quase como uma ameaça ao homem branco. O que me pareceu pouco plausível, sobretudo, foi a presença da senhora Rand, a mãe cheia de segredos, encabeçando as cerimônias, justamente pelas questões culturais implícitas. De qualquer maneira, é feliz a arquitetura narrativa que confirma a existência das tensões entre os povos dominantes e oprimidos, o que é certamente destrutivo para ambos os lados.

    O esplendor das grandes casas dos senhores é, na verdade, repleto de tristeza, um Fort Holland falido, movido por células inertes, um organismo condenado, sem cura. Com isso, dá pra revisitar as palavras de Paul, ditas ainda no navio, com outros olhos.

    "Tudo parece bonito, porque você não entende. Os peixes voadores não pulam de alegria. Eles pulam de terror. Os peixes maiores querem devorá-los. A água luminosa obtém o seu brilho devido a milhões de cadáveres minúsculos. O brilho da putrescência. Aqui não há beleza, só morte e decadência (...). Aqui tudo de bom morre, até mesmo as estrelas".

    Nem tanto pelo encanto cinematográfico mas mais pela sutileza inteligente em pouco mais de 1h de filme. Vale a pena conhecer.

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Tarif
    Tarif

    E ai meu lindo.
    Me indique uns clássicos de uma hora e quarenta, como "12 Angry Man", comecei a ver filmes de 50/60 recentemente então começo pelos mais curtos.

  • Tarif
    Tarif

    Aquela filme que eu te pedi pra encontrar pra mim, mlianos.. se chama "Na Companhia do Medo" hahaah