A protagonista é bem sem sal, mas ela me ganhou no terceiro ato. O elenco novo é carismático e o trio original é quase uma participação de luxo e o roteiro mantém o comentários afiados de praxe sobre o cenário do cinema de horror atual e aponta os próprios clichês que será "obrigado" a seguir. Uma pena que, apesar de contar com algumas das mortes mais brutais e realistas (aquela facada entrando o pescoço😬), em comparação aos filmes anteriores, deixou a desejar nas cenas de perseguição e suspense. Há cenas tensas que começam promissoras, mas terminam num coito interrompido ou, mantendo a analogia sexual, numa ejaculação precoce. A única que realmente se destaca é a ótima cena do Ghostface no hospital
Como pode um filme bom desses ter uma nota tão baixa? Creio que o pessoal foi com ganas de ver muitas cenas de lobisomem e ficou tão vidrado nisso que não se deixou levar pela trama. É uma comédia whodunnit precisa no seu tom despretensioso. Particularmente, achei uma delícia quando em meio às confusões com o lobisomem, de repente, o filme se torna Bay of blood na neve e sem o gore.
A experiência completa é divertida. Entretanto, se esta versão concisa de Death Proof continua funcionando muito bem, mesmo com 30 minutos a menos, os 15 minutos a menos de Planeta Terror fazem falta nessa versão para o formato double feature de Grindhouse
Partindo da premissa de que Freddy é a manifestação violenta da repressão sexual de Jesse lidando com sua homossexualidade, então o filme apresenta a conformação heteronormativa - o beijo (amor) de Lisa - como a solução para os problemas do protagonista. Ou seja, Hora do Pesadelo 2 é basicamente aquele meme do " Coisas que parecem Gay e homofóbicas ao mesmo tempo."
Essa adaptação pode empalidecer diante do livro, mas certamente é muito mais eficaz do que a versão canastrona dos anos 80. Acho que a melhor adaptação de Cemitério Maldito é a dirigida por Ari Aster num universo alternativo. Hereditário, com o balanço perfeito de drama familiar e terror sobrenatural, é o mais perto que consigo imaginar da sensação de angústia e desesperança que a obra original de King me trouxe.
"Coragem é a solução para o desespero, a razão não oferece respostas. Não posso saber o que o futuro trará; temos que escolher apesar da incerteza. A sabedoria é guardar duas verdades contraditórias em nossa mente, simultaneamente, Esperança e desespero. Uma vida sem desespero é uma vida sem esperança."
Parece que Paul Shrader se tornou um pouquinho menos niilista desde Taxi Driver. Enquanto o clássico dirigido por Scorsese tende mais para o desespero,"First Reformed" - após quase duas horas de dilemas profundos, crise de fé e inquietação mental - é mais equilibrado em sua resolução. Afinal, a última cena é tão abrupta e dissonante estilisticamente do resto do filme que possibilita ao público a ambiguidade de "guardar duas verdades contraditórias em nossa mente, simultaneamente".
Nunca vi um Star Wars tão forçado, covarde, insípido e sem alma. Certamente o episódio mais fraco dos 9 da saga, SIM, incluindo o Episódio I. Pois digam o que quiserem dos equívocos de Ameaça fantasma, mas ao menos havia verdade e inovação no que estava sendo apresentado na época de seu lançamento. A Ascensão Skywalker parece mais o resultado de um algorítimo baseado em opiniões de fãs radicais do twitter. Decepção.
Apesar de The Haunting of Hill House tomar emprestado alguns elementos do romance original de Shirley Jackson – adaptado fielmente em Desafio do Além (1963) – a obra parece ter sido reimaginada como uma adaptação de um livro inexistente de outro expoente da literatura de terror.
Desde a estrutura entrecortando passado e presente, infância e vida adulta - como It e O Apanhador de sonhos - a crianças com dons paranormais numa residência maligna levando seus habitantes à loucura - como O Iluminado, Rose Red - a nova série de terror da Netflix demonstra grande influência das histórias de Stephen King. Autor com o qual o diretor e roteirista, Mike Flanagan - fã declarado de King - já possui familiaridade, tendo adaptado com sucesso Gerald’s Game.
O terror tem uma série de sub-gêneros, e, cada um desses, os seus clichês. Apesar de a primeira vista não parecer muito diferente de outros representantes que abordam o tema “Casa Mal-Assombrada”, Hill House tem identidade o suficiente para não ser apenas uma ruminação de velhas fórmulas. O terror, na verdade, é secundário, apenas um meio para desenvolver uma história que é, antes de tudo, um drama familiar trágico que trata sobre morte, doença mental, suicídio, reconciliação com o passado e fantasmas, metafóricos ou não.
Como já havia feito em "Oculus", Mike Flanagan conduz com maestria a trama complexa, entrecortada por flash backs fora de ordem, sem tornar confuso para quem está assistindo. A não ser que essa seja a intenção: nos desnortear para depois nos deixar boquiabertos.
Dotado de um preciosismo técnico admirável - com destaque para os longos planos sequência que compõem o irretocável episódio 6 - Flanagan não está interessado em encher os episódios de sustos fáceis. Mas, sim, em criar uma atmosfera lúgubre e angustiante, apresentando os personagens e o desenrolar da história de forma lenta, paciente, mas sem tornar moroso para o espectador. Para isso, dispõe de atores excelentes, em grande parte seus colaboradores habituais, o que talvez tenha contribuído para a sintonia e verossimilhança da Família Crain na tela, tanto no presente quanto no passado
A série nos faz criar afeição por esses personagens marcados por um trauma que forjou a identidade e moldou o destino de cada um dos membros dessa família disfuncional. Por consequência, nosso interesse é capturado até o episódio final, que, apesar de ter achado decepcionante, não é suficiente para macular a qualidade impar de The Haunting of Hill House.
Todo o marketing em torno de "Transtornada Obsessiva Compulsiva" apontava para uma comédia no padrão Globo Filmes focada na disputa de egos entre a personagem de Tatá Werneck e Ingrid Guimarães. Ou seja, se fosse apenas medíocre eu já teria sorte. Felizmente, foi tudo uma grande propaganda enganosa. Kika K é uma versão "mais realista" e vulnerável da persona hiperativa com a qual estamos acostumados com Tatá Werneck. Ainda que menos expansiva, a atriz mantém seu timing cômico impecável, e, sabiamente, reserva seus cacoetes habituais (que eu amo) para os momentos do filme no qual sua personagem está atuando. Inclusive,TODO o elenco está excelente e a direção acima da média consegue -na maior parte do tempo- mesclar harmoniosamente a comédia e o romance num filme com uma quantidade inesperada de momentos melancólicos e violência gráfica. Entendo que muitos aqui tenham se decepcionado um pouco, afinal, a divulgação do filme prometia uma série de piadas constantes num embate de egos entre duas comediantes brasileiras muito famosas. Mas, como não estava muito interessado no que os trailers divulgaram, pela primeira vez fiquei feliz por uma propaganda enganosa. Heheh Ingrid Guimarães tem uma participação especial apenas numa cena e em nenhum dos trailers dá pra prever que o filme vai abordar depressão, vazio existencial e suicídio. E acho que conseguiram incorporar esses elementos à trama sem trivializar o tema nem pesar demais o filme, que, no fim das contas, é uma comédia romântica. Inclusive, gostei muito como a parte romântica foi tratada,principalmente no final. E me surpreendi muito ao perceber o quanto estava emocionalmente envolvido naquele momento musical no karaokê ao som de "Nosso sonho não vai terminar" e "Eva". "Transtornada Obsessiva Compulsiva" é um bom filme, não é perfeito, mas é muito mais ambicioso e melhor executado do que estamos acostumados a receber das "Globo-chanchadas".
"Dear white People" tem como maior trunfo a forma como a estrutura dos episódios- que, à maneira de Lost,Orange is The New Black, etc, foca em um personagem por capítulo- possibilita dar complexidade a personagens que de início parecem caricaturais ou coadjuvantes. Apesar do tema forte, consegue manter um tom leve e bem humorado, mas sem se furtar a causar impacto emocional quando necessário, como, por exemplo, no excelente episódio dirigido por Barry Jenkins. Ágil, bem dirigida, importante e - o que é essencial numa comédia- realmente engraçada. O show escorrega apenas no uso arbitrário do narrador, tão ausente da maior parte do programa que parece deslocado quando é utilizado. Talvez o mais coerente fosse pegar umas lições com Jane The Virgin e Pushing Daisies ou então aposentá-lo das próximas temporadas. Falando nisso, preciso de de um capítulo focado em Joelle, de um focado em Kelsey e o sequestro de Sorbet [heheheh], de mais temporadas e, principalmente, de mais Lionel <3
Não sei vocês, mas acho que o final da história de Vicente e Elisa precisava de apenas uma alteração para corroborar com a mensagem de ciclo vicioso da vingança que pretendeu se passar na cena de Regina que encerrou a trama de Segunda :
O ato de omissão de socorro deliberada da personagem de Débora Bloch deveria ter sido mais determinante para a causa da morte de Vicente pois, da maneira como foi editada e ambientada, a cena deixava a entender que o fato de ela não pedir ajuda - ainda que servindo para concluir seu arco dramático - pouco interferiria no destino dele a partir daquele momento. Tendo em vista que o acidente ocorreu numa via movimentada, cercado de testemunhas da batida, um pedido de socorro por parte de uma daquelas pessoas era iminente. Isso poderia ter sido resolvido com o acidente sendo deslocado para uma via pouco movimentada (talvez uma BR) aonde Elisa esperaria ele morrer antes de vemos seu corpo sendo fechado no saco e o local do acidente cercado de curiosos. Dessa maneira, o prenúncio da possível vingança de Regina seria mais impactante e coerente.
Ano após ano, nas duas semanas em que abriga o Janela Internacional de Cinema, o São Luiz me presenteia com algumas das melhores experiências cinematográficas da minha vida. Rever "Pequena Loja de Horrores" com o final original não exibido nos cinemas em 1986, assistir Metropolis pela primeira vez com trilha única executada ao vivo e ouvir uma plateia de mais de 900 pessoas rindo com "Luzes da Cidade" são alguns desses momentos especiais. Como Recifense e cinéfilo, ver filas dando a volta no quarteirão e trazendo vida para as noites na Rua da Aurora - sem ser durante o Janela - me deixa eufórico de alegria. Assistir a um filme tão emblemático para a nossa cidade como "Aquarius'' realizar esse feito e presenciar a platéia vibrando, rindo e se comovendo - nas duas sessões lotadas que tive a oportunidade de ir - num lugar histórico e símbolo de resistência como o São Luiz, realmente, me deixa até emocionado.
"O Lado Bom da Vida" nos apresenta a personagens complexos e com peso dramático, e este peso se reflete na trama que, apesar de ser aliviada por momentos cômicos pontuais, não simplifica ou usa dos problemas emocionais e psicológicos de seus protagonistas para fazer graça. Entretanto, no terceiro ato (que se inicia com a aposta dupla), passa cada vez mais a se entregar aos clichês de comédias românticas - temos mal-entendidos, declarações de amor, traveling giratório durante um beijo, etc. - culminando em um Happy Ending satisfatório, mas banal. Inicialmente, recriminei o filme por isso. Três anos atrás eu escrevi aqui no Filmow: "Um filme que faz você relevar todos os clichês aos quais ele se entrega devido a seus personagens interessantes." Mas revisitando a obra recentemente, percebi o filme de maneira diferente. Pat acredita na tal "Silver Lining", que existe uma saída mesmo para os momentos mais difíceis, e, por isso, busca ser positivo em relação às adversidades da vida. Em certo momento, enraivecido pelo final deprimente de "Farewell to Arms" de Hemingway, chegando a atirá-lo pela janela, o personagem de Bradley Cooper discursa sobre como as obras de ficção são cheias de pessimismo e sobre como a vida já tem problemas o suficiente. Foi nesta cena que percebi o equívoco da minha primeira avaliação. NÃO, o clichê no qual a trama mergulha no seu desfecho não precisa ser relevado como se este fosse um aspecto que diminuísse a qualidade do filme. O clichê não é um defeito, faz parte da coesão temática-narrativa do estabelecida conscientemente pela direção e roteiro, sendo, na verdade uma ressonância do tal "Lado bom" a que Pat tanto se refere.
Pessoas, alguém, por favor, me explica qual o motivo das mortes? Faz anos que vi esse filme e lembro que não tinha entendido a razão por detrás dos assassinatos. Lembro apenas que eles deram uma razão que que eu achei que não tinha feito o menor sentido. heheheh
Divertido, competente e , como a maioria dos filmes da Marvel studios, esquecível. Mas, para quem conhece as tretas da pré-produção do filme e é fã do trabalho do talentosíssimo Edgar Wright como eu, fica difícil não imaginar como "Homem Formiga" poderia ter sido, de fato, memorável caso o diretor de "Scott Pilgrim" não tivesse se sentido obrigado a sair do projeto às vésperas do início das gravações pela famigerada justificativa de "diferenças criativas".
Pânico
3.4 1,1K Assista AgoraA protagonista é bem sem sal, mas ela me ganhou no terceiro ato. O elenco novo é carismático e o trio original é quase uma participação de luxo e o roteiro mantém o comentários afiados de praxe sobre o cenário do cinema de horror atual e aponta os próprios clichês que será "obrigado" a seguir.
Uma pena que, apesar de contar com algumas das mortes mais brutais e realistas (aquela facada entrando o pescoço😬), em comparação aos filmes anteriores, deixou a desejar nas cenas de perseguição e suspense. Há cenas tensas que começam promissoras, mas terminam num coito interrompido ou, mantendo a analogia sexual, numa ejaculação precoce.
A única que realmente se destaca é a ótima cena do Ghostface no hospital
culminando na morte de Dewey, o equivalente ao soco emocional que fizeram com a morte de Han Solo em Despertar da Força
No geral, é ok, mas fica em 5º no meu TOP 5 da franquia.
Um Lobo entre Nós
2.7 87 Assista AgoraComo pode um filme bom desses ter uma nota tão baixa? Creio que o pessoal foi com ganas de ver muitas cenas de lobisomem e ficou tão vidrado nisso que não se deixou levar pela trama. É uma comédia whodunnit precisa no seu tom despretensioso. Particularmente, achei uma delícia quando em meio às confusões com o lobisomem, de repente, o filme se torna Bay of blood na neve e sem o gore.
Grindhouse
4.0 262A experiência completa é divertida. Entretanto, se esta versão concisa de Death Proof continua funcionando muito bem, mesmo com 30 minutos a menos, os 15 minutos a menos de Planeta Terror fazem falta nessa versão para o formato double feature de Grindhouse
Alerta Noturno
3.4 28Hagspoitation Slasher
A Hora do Pesadelo 2: A Vingança de Freddy
3.1 498 Assista AgoraPartindo da premissa de que Freddy é a manifestação violenta da repressão sexual de Jesse lidando com sua homossexualidade, então o filme apresenta a conformação heteronormativa - o beijo (amor) de Lisa - como a solução para os problemas do protagonista. Ou seja, Hora do Pesadelo 2 é basicamente aquele meme do " Coisas que parecem Gay e homofóbicas ao mesmo tempo."
A Vingança Está na Moda
3.6 348 Assista AgoraAmei! Daria uma ótima novela de Walcyr Carrasco
9/10
Cemitério Maldito
2.7 885Essa adaptação pode empalidecer diante do livro, mas certamente é muito mais eficaz do que a versão canastrona dos anos 80.
Acho que a melhor adaptação de Cemitério Maldito é a dirigida por Ari Aster num universo alternativo. Hereditário, com o balanço perfeito de drama familiar e terror sobrenatural, é o mais perto que consigo imaginar da sensação de angústia e desesperança que a obra original de King me trouxe.
Fé Corrompida
3.6 380 Assista Agora"Coragem é a solução para o desespero, a razão não oferece respostas. Não posso saber o que o futuro trará; temos que escolher apesar da incerteza. A sabedoria é guardar duas verdades contraditórias em nossa mente, simultaneamente, Esperança e desespero. Uma vida sem desespero é uma vida sem esperança."
Parece que Paul Shrader se tornou um pouquinho menos niilista desde Taxi Driver. Enquanto o clássico dirigido por Scorsese tende mais para o desespero,"First Reformed" - após quase duas horas de dilemas profundos, crise de fé e inquietação mental - é mais equilibrado em sua resolução. Afinal, a última cena é tão abrupta e dissonante estilisticamente do resto do filme que possibilita ao público a ambiguidade de "guardar duas verdades contraditórias em nossa mente, simultaneamente".
O Fantasma do Futuro
4.1 413 Assista AgoraVisual irretocável. Pena que a história é uma confusão.
Todas as Mulheres do Mundo
3.7 126Que protagonista insuportável. O que funciona na série funciona APESAR dele.
Star Wars, Episódio IX: A Ascensão Skywalker
3.1 1,3K Assista AgoraNunca vi um Star Wars tão forçado, covarde, insípido e sem alma. Certamente o episódio mais fraco dos 9 da saga, SIM, incluindo o Episódio I.
Pois digam o que quiserem dos equívocos de Ameaça fantasma, mas ao menos havia verdade e inovação no que estava sendo apresentado na época de seu lançamento. A Ascensão Skywalker parece mais o resultado de um algorítimo baseado em opiniões de fãs radicais do twitter. Decepção.
A Maldição da Residência Hill
4.4 1,4K Assista AgoraApesar de The Haunting of Hill House tomar emprestado alguns elementos do romance original de Shirley Jackson – adaptado fielmente em Desafio do Além (1963) – a obra parece ter sido reimaginada como uma adaptação de um livro inexistente de outro expoente da literatura de terror.
Desde a estrutura entrecortando passado e presente, infância e vida adulta - como It e O Apanhador de sonhos - a crianças com dons paranormais numa residência maligna levando seus habitantes à loucura - como O Iluminado, Rose Red - a nova série de terror da Netflix demonstra grande influência das histórias de Stephen King. Autor com o qual o diretor e roteirista, Mike Flanagan - fã declarado de King - já possui familiaridade, tendo adaptado com sucesso Gerald’s Game.
O terror tem uma série de sub-gêneros, e, cada um desses, os seus clichês. Apesar de a primeira vista não parecer muito diferente de outros representantes que abordam o tema “Casa Mal-Assombrada”, Hill House tem identidade o suficiente para não ser apenas uma ruminação de velhas fórmulas. O terror, na verdade, é secundário, apenas um meio para desenvolver uma história que é, antes de tudo, um drama familiar trágico que trata sobre morte, doença mental, suicídio, reconciliação com o passado e fantasmas, metafóricos ou não.
Como já havia feito em "Oculus", Mike Flanagan conduz com maestria a trama complexa, entrecortada por flash backs fora de ordem, sem tornar confuso para quem está assistindo. A não ser que essa seja a intenção: nos desnortear para depois nos deixar boquiabertos.
Dotado de um preciosismo técnico admirável - com destaque para os longos planos sequência que compõem o irretocável episódio 6 - Flanagan não está interessado em encher os episódios de sustos fáceis. Mas, sim, em criar uma atmosfera lúgubre e angustiante, apresentando os personagens e o desenrolar da história de forma lenta, paciente, mas sem tornar moroso para o espectador. Para isso, dispõe de atores excelentes, em grande parte seus colaboradores habituais, o que talvez tenha contribuído para a sintonia e verossimilhança da Família Crain na tela, tanto no presente quanto no passado
A série nos faz criar afeição por esses personagens marcados por um trauma que forjou a identidade e moldou o destino de cada um dos membros dessa família disfuncional. Por consequência, nosso interesse é capturado até o episódio final, que, apesar de ter achado decepcionante, não é suficiente para macular a qualidade impar de The Haunting of Hill House.
TOC: Transtornada Obsessiva Compulsiva
2.4 306 Assista AgoraTodo o marketing em torno de "Transtornada Obsessiva Compulsiva" apontava para uma comédia no padrão Globo Filmes focada na disputa de egos entre a personagem de Tatá Werneck e Ingrid Guimarães. Ou seja, se fosse apenas medíocre eu já teria sorte. Felizmente, foi tudo uma grande propaganda enganosa.
Kika K é uma versão "mais realista" e vulnerável da persona hiperativa com a qual estamos acostumados com Tatá Werneck. Ainda que menos expansiva, a atriz mantém seu timing cômico impecável, e, sabiamente, reserva seus cacoetes habituais (que eu amo) para os momentos do filme no qual sua personagem está atuando.
Inclusive,TODO o elenco está excelente e a direção acima da média consegue -na maior parte do tempo- mesclar harmoniosamente a comédia e o romance num filme com uma quantidade inesperada de momentos melancólicos e violência gráfica.
Entendo que muitos aqui tenham se decepcionado um pouco, afinal, a divulgação do filme prometia uma série de piadas constantes num embate de egos entre duas comediantes brasileiras muito famosas.
Mas, como não estava muito interessado no que os trailers divulgaram, pela primeira vez fiquei feliz por uma propaganda enganosa. Heheh
Ingrid Guimarães tem uma participação especial apenas numa cena e em nenhum dos trailers dá pra prever que o filme vai abordar depressão, vazio existencial e suicídio. E acho que conseguiram incorporar esses elementos à trama sem trivializar o tema nem pesar demais o filme, que, no fim das contas, é uma comédia romântica.
Inclusive, gostei muito como a parte romântica foi tratada,principalmente no final.
E me surpreendi muito ao perceber o quanto estava emocionalmente envolvido naquele momento musical no karaokê ao som de "Nosso sonho não vai terminar" e "Eva".
"Transtornada Obsessiva Compulsiva" é um bom filme, não é perfeito, mas é muito mais ambicioso e melhor executado do que estamos acostumados a receber das "Globo-chanchadas".
Cara Gente Branca (Volume 1)
4.3 304 Assista Agora"Dear white People" tem como maior trunfo a forma como a estrutura dos episódios- que, à maneira de Lost,Orange is The New Black, etc, foca em um personagem por capítulo- possibilita dar complexidade a personagens que de início parecem caricaturais ou coadjuvantes.
Apesar do tema forte, consegue manter um tom leve e bem humorado, mas sem se furtar a causar impacto emocional quando necessário, como, por exemplo, no excelente episódio dirigido por Barry Jenkins.
Ágil, bem dirigida, importante e - o que é essencial numa comédia- realmente engraçada. O show escorrega apenas no uso arbitrário do narrador, tão ausente da maior parte do programa que parece deslocado quando é utilizado. Talvez o mais coerente fosse pegar umas lições com Jane The Virgin e Pushing Daisies ou então aposentá-lo das próximas temporadas.
Falando nisso, preciso de de um capítulo focado em Joelle, de um focado em Kelsey e o sequestro de Sorbet [heheheh], de mais temporadas e, principalmente, de mais Lionel <3
Hurricane Bianca
2.9 206Minha gente, que direção equivocada, que atuações forçadas, puta que pariu, que filme ruim do caralho!
Justiça (1ª Temporada)
4.3 330Não sei vocês, mas acho que o final da história de Vicente e Elisa precisava de apenas uma alteração para corroborar com a mensagem de ciclo vicioso da vingança que pretendeu se passar na cena de Regina que encerrou a trama de Segunda :
O ato de omissão de socorro deliberada da personagem de Débora Bloch deveria ter sido mais determinante para a causa da morte de Vicente pois, da maneira como foi editada e ambientada, a cena deixava a entender que o fato de ela não pedir ajuda - ainda que servindo para concluir seu arco dramático - pouco interferiria no destino dele a partir daquele momento. Tendo em vista que o acidente ocorreu numa via movimentada, cercado de testemunhas da batida, um pedido de socorro por parte de uma daquelas pessoas era iminente. Isso poderia ter sido resolvido com o acidente sendo deslocado para uma via pouco movimentada (talvez uma BR) aonde Elisa esperaria ele morrer antes de vemos seu corpo sendo fechado no saco e o local do acidente cercado de curiosos. Dessa maneira, o prenúncio da possível vingança de Regina seria mais impactante e coerente.
Aquarius
4.2 1,9K Assista AgoraAno após ano, nas duas semanas em que abriga o Janela Internacional de Cinema, o São Luiz me presenteia com algumas das melhores experiências cinematográficas da minha vida. Rever "Pequena Loja de Horrores" com o final original não exibido nos cinemas em 1986, assistir Metropolis pela primeira vez com trilha única executada ao vivo e ouvir uma plateia de mais de 900 pessoas rindo com "Luzes da Cidade" são alguns desses momentos especiais.
Como Recifense e cinéfilo, ver filas dando a volta no quarteirão e trazendo vida para as noites na Rua da Aurora - sem ser durante o Janela - me deixa eufórico de alegria. Assistir a um filme tão emblemático para a nossa cidade como "Aquarius'' realizar esse feito e presenciar a platéia vibrando, rindo e se comovendo - nas duas sessões lotadas que tive a oportunidade de ir - num lugar histórico e símbolo de resistência como o São Luiz, realmente, me deixa até emocionado.
Aquarius
4.2 1,9K Assista AgoraOcupar! Resistir!
O Homem nas Trevas
3.7 1,9K Assista AgoraE se em "Um Clarão nas Trevas(1967)" a personagem de Audrey Hepburn fosse um velho psicopata?
O Lado Bom da Vida
3.7 4,7K Assista Agora"O Lado Bom da Vida" nos apresenta a personagens complexos e com peso dramático, e este peso se reflete na trama que, apesar de ser aliviada por momentos cômicos pontuais, não simplifica ou usa dos problemas emocionais e psicológicos de seus protagonistas para fazer graça.
Entretanto, no terceiro ato (que se inicia com a aposta dupla), passa cada vez mais a se entregar aos clichês de comédias românticas - temos mal-entendidos, declarações de amor, traveling giratório durante um beijo, etc. - culminando em um Happy Ending satisfatório, mas banal. Inicialmente, recriminei o filme por isso.
Três anos atrás eu escrevi aqui no Filmow:
"Um filme que faz você relevar todos os clichês aos quais ele se entrega devido a seus personagens interessantes."
Mas revisitando a obra recentemente, percebi o filme de maneira diferente. Pat acredita na tal "Silver Lining", que existe uma saída mesmo para os momentos mais difíceis, e, por isso, busca ser positivo em relação às adversidades da vida. Em certo momento, enraivecido pelo final deprimente de "Farewell to Arms" de Hemingway, chegando a atirá-lo pela janela, o personagem de Bradley Cooper discursa sobre como as obras de ficção são cheias de pessimismo e sobre como a vida já tem problemas o suficiente. Foi nesta cena que percebi o equívoco da minha primeira avaliação. NÃO, o clichê no qual a trama mergulha no seu desfecho não precisa ser relevado como se este fosse um aspecto que diminuísse a qualidade do filme. O clichê não é um defeito, faz parte da coesão temática-narrativa do estabelecida conscientemente pela direção e roteiro, sendo, na verdade uma ressonância do tal "Lado bom" a que Pat tanto se refere.
Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado
2.9 1,2K Assista AgoraPessoas, alguém, por favor, me explica qual o motivo das mortes?
Faz anos que vi esse filme e lembro que não tinha entendido a razão por detrás dos assassinatos. Lembro apenas que eles deram uma razão que que eu achei que não tinha feito o menor sentido. heheheh
Homem-Formiga
3.7 2,0K Assista AgoraDivertido, competente e , como a maioria dos filmes da Marvel studios, esquecível.
Mas, para quem conhece as tretas da pré-produção do filme e é fã do trabalho do talentosíssimo Edgar Wright como eu, fica difícil não imaginar como "Homem Formiga" poderia ter sido, de fato, memorável caso o diretor de "Scott Pilgrim" não tivesse se sentido obrigado a sair do projeto às vésperas do início das gravações pela famigerada justificativa de "diferenças criativas".
A Inocente Face do Terror
3.6 113 Assista AgoraExtremamente previsível.
Faroeste Caboclo
3.2 2,4KTenho pena dos puristas que queriam ver simplesmente a música na tela perdem de experimentar um Grande filme.