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Últimas opiniões enviadas

  • Eric Campi

    A franquia “Jurassic Park” nunca conseguiu se desvencilhar completamente do marco que foi o filme original. As duas sequências (a pior, talvez, seja a dirigida pelo mesmo Steven Spielberg) fracassaram ao tentar recriar o frescor do primeiro. “Dinossauros não assustam mais ninguém” dizia a requel “Jurassic World”, com uma piscadela metalinguística que pareceu agradar aos fãs e aos acionistas (esses que seriam devorados pelos dinossauros se fizessem parte daquele mundo). Agora, é J.A. Bayona quem tenta nos convencer de novo a voltar para as ilhas que abrigaram o parque. Ainda que continue derivativo, “Reino Ameaçado” se beneficia do olhar apurado de seu diretor para as convenções do gênero.

    A trama é uma bobagem. Tão grande que a maior reviravolta é vomitada por um dos personagens lá pro final do filme e não carrega nenhuma implicação dramática. Mesmo o Owen Grady de Chriss Pratt tem pouco a fazer a não ser posar de Indiana Jones genérico com um recém-adquirido senso de humor. E os personagens de Rafe Spall, Justice Smith e Daniella Pineda cumprem apenas funções narrativas.

    Como se o público fosse incapaz de absorver novos símbolos “Jurassic World: Reino Ameaçado” segue o que parece ser uma marca do cinema pipoca contemporâneo e aposta na nostalgia forçada, característica que funcionou com “Star Wars: O Despertar da Força”, mas não com “Círculo de Fogo: A Revolta”, pra ficar em dois exemplos recentes. Dessa vez voltam os empresários unilaterais que viram comida de dinossauro, os militares inescrupulosos, os velociraptors, o cientista meio louco, o milionário ideologista, o T-rex-machina… E dá-lhe rimas visuais com os capítulos anteriores.

    Pelo menos, aqui, o diretor se presta a desconstruir alguns desses símbolos, mesmo que nem todas as descontruções funcionem. Dessa vez, por exemplo, a ilha está em perigo e são os dinossauros que precisam ser salvos. A câmera mostra mais de uma vez as botas de Bryce Dallas Howard para se certificar de que ela não usa mais os saltos do filme anterior. Os braquiossauros correm para fugir da erupção de um vulcão. Os velociraptors… Bom, os velociraptors passam por uma mudança que chega a ser desrespeitosa com o incrível terceiro ato do filme original. É nesses soluços de criatividade, porém, que o longa se sustenta.

    Bayona é um diretor que entende de gênero e se esforça pra aproximar sua obra do terror fantástico. Desde a sequência inicial, o realizador faz bom uso do suspense através de uma fotografia que prioriza as sombras e o contraluz, assim como no plano sem cortes da giosfera submersa, que, ao não tirar a câmera de dentro da esfera, passa uma sensação de confinamento e falta de ar ao espectador.

    É na segunda metade que, enfim, Bayona assume de vez sua predileção pelas convenções de gênero, quando a ação migra para uma mansão de estilo gótico que abriga o melhor que “Reino Ameaçado” tem a oferecer. Como se não fosse divertido o suficiente ver dinossauros comendo pessoas imbecis, o cineasta nos brinda com suas melhores composições visuais. A apresentação do indoraptor no leilão é plasticamente perfeita. Assim como a sequência entre os dioramas do minimuseu da mansão, quando todas as luzes se apagam e vemos apenas a sombra do animal passando ao fundo ou quando estas voltam a acender e a cada novo espaço que é iluminado aumenta-se o medo da fera reaparecer.

    O auge do simbolismo do terror fantástico vem com o dinossauro que anda pelos telhados da mansão à luz da lua enquanto a câmera de Bayona dá cambalhotas para acompanha-lo e na sequência em que Maisie (vivida por Isabella Sermon) se esconde debaixo dos lençóis de sua cama. É a brincadeira com o gênero. O monstro se aproxima sorrateiramente pela janela e puxa o cobertor com uma pata estendida. A imagem típica dos filmes-pesadelos.

    Fica parecendo que o diretor só pode se libertar depois de passar por cada batida exigida pelos produtores e aguardada pelo público. Espera-se, portanto, que nas continuações que certamente virão, a boa visão de um diretor não seja ofuscada por exigências formulaicas do estúdio e que venha acompanhada de uma dramaturgia ao menos convincente.

    Nota: 3/5

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  • Eric Campi

    Steven Soderbergh é um cara que costuma alternar entre “filme comercial” e “filme de festival”. Esse acaba sendo uma mistura dos dois: um filme de assalto com humor absurdo, mas dirigido de um jeito “cult”.

    O longa acompanha os irmãos Logan (Chaning Tatum e Adam Driver), dois caipirões de West Virginia, na tentativa de assaltar o cofre de um autódromo. Pra isso, eles precisam da ajuda do especialista em explosivos vivido por Daniel Craig. O brilho do filme é esse trio. Todos estão hilários ao assumir verdadeiras caricaturas do modo de ser do interior americano. Destaque pro Daniel Craig que deixa a pompa e o sotaque inglês pra assumir uma personalidade explosiva, de voz fina e sotaque carregado. Os três fazem rir o tempo inteiro.

    A estrutura narrativa é bem parecida com a de 11 Homens e Um Segredo, também dirigido pelo Soderbergh. Mas, em vez de focar no luxo dos golpistas ricos, o foco é nas classes mais baixas. Sobram alguns comentários sociais sobre a pobreza e o capitalismo, mas esse não é o foco principal do filme.

    A direção, como de costume, é cirúrgica, seca, com planos estáticos precisos. Mas, nem sempre consegue acompanhar o timing cômico dos atores. Por essa proposta “cult”, o filme se arrasta em alguns momentos, possui tempos mortos mais do que o necessário, mas nada que comprometa o divertido roteiro.

    O terceiro ato revela um pequeno twist que pode incomodar grande parte dos espectadores, mas na verdade amarra a temática do filme perfeitamente, sendo corajoso ao praticamente mudar o gênero a que se filia, abandonando as piadas e focando no drama e na investigação policial.

    A melhor descrição sobre o filme é feita por ele mesmo: é uma espécie Ocean’s Seven-Eleven (ou Onze homens e um segredo do mercadinho das classes baixas). Nota 4/5

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  • Eric Campi

    Depois da comédia de humor negro O Lagosta, o grego Yorgos Lanthimos continua desfilando sua misantropia por aí, só que dessa vez filiado ao suspense atmosférico, ecoando O Iluminado, inclusive nos planos de steadycam em corredores compridos.

    O filme mostra a história de uma família aparentemente funcional que começa a colapsar quando algo do passado do patriarca (vivido por Colin Farrel) volta na figura de Martin (Barry Kheogan). O trio principal é completado pela Anna de Nicole Kidman. Todos os atores continuam recitando suas falas de modo monocórdico e sem (aparente) emoção, e é aí que o elenco brilha, ao transmitir essa emoção mesmo que os personagens não o façam. E esse tipo de interpretação é essencial tematicamente para o filme: ao demonstrar que sempre há podridão escondida embaixo das aparências perfeitas (tema que acaba ressoando também a filmografia de David Lynch). O filme discute o senso de justiça e poder, inclusive divinos, e por isso o diretor mantém as câmeras no nível do teto, como se mostrasse que um ser superior está sempre a espreita, recurso que também colabora pra que os personagens pareçam sempre pequenos nos ambientes.

    Como de costume na filmografia de Lanthimos, o roteiro traz diversas situações fantasiosas e a falta de explicações pode incomodar os mais céticos. Mesmo que ainda traga pitadas de humor (muito) negro, o filme não brilha com os sarcasmo e ironia de The Lobster, por exemplo, e a misantropia acaba sendo representada mesmo pelo suspense e por imagens chocantes, visual ou metaforicamente. O terceiro ato é de uma tensão crescente que te faz querer fechar os olhos várias vezes durante o clímax. A podridão daquela família, e daquele mundo, demonstra um ódio do diretor perante a sociedade que em alguns momentos pode parecer puro exagero, mas não dá pra negar que é uma ótima incursão do grego no suspense. Nota 4/5

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/