Vi no twitter alguém comparando o filme a 'Tudo Que o Céu Permite', o que achei absurdo, mas a comparação é até apta na maneira que o filme lida com a questão (romance entre pessoas de idades diferentes), da sociedade que julga e impede duas pessoas adultas de se relacionarem da maneira que entendem.
Claro que sem a mesma elegância do filme de Sirk, mas 'Uma Ideia de Você' até que diverte, mesmo que se apoie muito em montagens de passagem de tempo, o que subtrai um pouco do desenvolvimento da história.
Gosto muito dos minutos iniciais, que estabelece muito bem a grande linha de produção que é a guerra: nada é desperdiçado, só milhares de vidas.
A partir da introdução do protagonista e da sua rotina no campo de batalhas, tudo acaba meio diluído pois o filme quer, antes de tudo, impressionar, ser um espetáculo, afinal, muito dinheiro foi gasto para produzi-lo. Era pra ser uma obra anti-guerra, mas as cenas de conflito são, á sua forma, empolgantes, ágeis, sem conseguir imprimir o horror nesses momentos. Há até uma estrutura meio repetitiva nesse sentido: tiro porrada e bomba, e então tudo para, e aí vem o choro, o arrependimento, o protagonista com rosto sujo de uma lama com cor diferente. Tudo muito bem organizado, tudo muito bem encaixado, e esse acaba sendo o grande problema do filme: ter medo de abrir mão de certa clareza para encarar, de fato, a situação que retrata.
Mas aí a indicação ao Oscar talvez não viesse, não é mesmo?
Funciona melhor quando está lidando com os aspectos mais banais de um mundo que está em vias de acabar. A cena da delegacia é ótima nesse sentido, e até a ida da casa dos filhos, o filme possui uma energia nervosa empolgante: ninguém para de falar e tudo se move com frequência, tanto na narrativa quanto dentro do quadro. Não consegue sustentar isso até o final, e acaba até sendo mais direto em explicar o mundo, o que antes conseguia fazer por meio das interações entre os personagens.
A fotografia também é excessivamente límpida e clara para um universo tão brutal. Se o seu filme de terror parece um comercial de picape em alguns momentos, algo deu errado
É difícil não enxergar o filme à sombra da já anunciada "Versão do Diretor" pois, como está, acaba sendo uma obra meio podada, quer ir em duas direções, mas não tem muito espaço para nada.
Acho divertida a postura de colocar Napoleão como um homem ridículo, e há momentos inspirados trabalhando essa idéia, como a cena no Egito onde, mesmo durante o conflito, Napoleão só consegue escrever juras de amor eterno a Josefina, enquanto ela o trai alegremente, ou o Golpe de 1799, feito praticamente à base do improviso.
Por outro lado, não há como ignorar a dimensão da figura histórica que, ridículo ou não, comandou diversos homens em batalha e conquistou a lealdade de muitos outros. Mas quando a troça predomina, fica difícil levar muito a sério cenas como o retorno da Ilha de Elba, ou todo o tom da Batalha de Waterloo, que parece lamentar a derrota de Napoleão.
Esses dois aspectos tem boas sequências, mas isoladas, faltou costurar uma complexidade maior na construção dessa figura, de trabalhar esses dois aspectos tão opostos, que parecem trabalhadas na virada de chave- Nessa cena ele é bobo, agora não, agora sim - do que numa relação entre esses lados. Fica aí a esperança que as duas horas adicionais que estão por vir tapem esse buraco.
Por um tempo fiquei pensando como é bom ver um filme americano que se dá tempo, de não se reduzir a uma ideia 'eficiente' de contar a história, de só entregar informação a todo momento. Toda a exploração da vida de Monk antes de sequer entrar nos aspectos mais satíricos da trama é muito rica nesse sentido.
Mas com o passar do tempo é dificil ignorar que a crítica em si é pouco incisiva, na verdade, nem chega a ser crítico da situação que retrata. No final de tudo, fica tão diluído que se torna mais um "conto curioso" do que um filme com algo a dizer sobre a mercantilização e achatamento da experiência afro americana.
Enquanto assistia Dias Perfeitos, tive a ideia de começar esse texto apontando como, de tempos em tempos, algum cineasta de renome decide fazer um filme cuja mensagem pode se resumir a: ‘’caramba, pobre também é gente, não é mesmo?’’. É o caso, por exemplo, de Roma, do Alfonso Cuarón, cuja protagonista é fortemente baseada na empregada que cuidou do próprio diretor na infância.
Mas Dias Perfeitos é tão despido de interesse em seu próprio protagonista, Hirayama(Koji Yakusho) que é difícil vê-lo como pertencente a uma classe social ou qualquer coisa que seja. Ele é seu trabalho, limpador de banheiros para a Tokyo Toilet, iniciativa que renovou os banheiros públicos do Japão. Todos os dias, ele veste o macacão com o nome do projeto em letras garrafais, e parte em seu pequeno carro para manter os belamente desenhados lavatórios limpos.
Pode se fazer o argumento que o novo filme de Wim Wenders é, na verdade, um trabalho institucional para a Tokyo Toilet. Há um cuidado especial mostrando a manutenção e inventividade desses espaços. Uma cena conta com Hirayama ensinando uma usuária do toalete a deixar sua estrutura opaca. Da rotina de limpeza, se enfatiza os aspectos mais minuciosos, como o uso de um pequeno espelho para verificar se a parte de baixo dos vasos sanitários está limpa. Não seria uma surpresa se trechos do filme aparecessem em um futuro vídeo para investidores, ou até mesmo uma propaganda comercial.
Entre uma limpeza e outra, o personagem observa a vida, as pessoas que usam os banheiros, a paisagem, sempre com sua câmara analógica ao lado, pronto para tirar uma foto da natureza, suas pequenas interações com outras pessoas. Um filme sobre a ‘’poesia do cotidiano’’, onde as menores coisas se tornam preciosas.
Ou pelo menos a ideia é essa, mas Wenders realiza um filme tão livre de fricção, tão desinteressado em olhar a rotina para além de uma visão contemplativa, que o resultado é simplesmente monótono. Fico pensando nos filmes de André Novais, cuja ideia de cotidiano é similarmente preciosa, mas ele busca realmente extrair algo dessas situações, e não as toma como poéticas por si só.
Parte dessa superficialidade está na decisão de tornar Hirayama um protagonista praticamente mudo, cujo método de interação com o mundo é a observação pura e simples. Ele é pouco mais que uma maneira de olhar as coisas, nosso único acesso a sua interioridade são os sonhos que tem a noite. Fora isso, ele atravessa o mundo como um fantasma. Como afirmei no início, é difícil defini-lo como qualquer coisa que seja em relação ao mundo, pois ele é despido de qualquer relação com o mundo para além de ser um meio de registro.
Há uma tentativa de torná-lo mais que isso, com a visita de uma sobrinha e breve interação com a irmã, fazendo menção a um drama familiar. Existem também as interações com outras pessoas, mas que se resumem a clichês. O jovem irritante que trabalha com Hirayama é “redimido” por sua amizade com uma criança PCD, o protagonista brinca com um homem que está prestes a morrer.
Para bater o martelo da obviedade, Dias Perfeitos se encerra com “I’m feeling good” de Nina Simone, cuja letra simplesmente reitera tudo que o filme é. Enquanto Nina canta, Hirayama dirige, ele sorri, mas algumas lágrimas surgem, e ali ele fica, no limite entre a alegria e tristeza, uma sugestão muito mais interessante do cotidiano do que as duas horas prévias.
Revisão, pois na primeira vez que assisti, achei que minha decepção foi impactada pelo fato de eu ter acordado particularmente cedo para pegar duas conduções para assistir um filme, no melhor dos casos, medíocre.
Mas não, o Guilherme de 5 anos atrás tava certo. É um filme que tenta desesperadamente ser sobre alguma coisa que acaba sendo sobre nada. Empilha tanto desastre nas costas do Fleck, e com uma mão tão pesada - na cena dos moleques batendo nele um grita "Ele é fraco! Não consegue fazer nada!" - que tudo fica meio absurdo, e não de modo bom. Vou pegar emprestado um trecho da newsletter da Marie Declerq:
"Segundamente, o roteiro é uma porcaria. Isso aí mesmo que você leu, é ruim mesmo. É visível que os escritores tentaram criar um vilão universal para que todo tipo de gente pudesse se identificar. Então ele atira para todos os lados: saúde mental, mãe abusiva, pancada na cabeça, sistema de saúde falido, mulheres que não dão atenção para homens fora do padrão, o bullying de membros do sindicato dos palhaços, ricos escrotos, exploração da mídia, anões. O tanto de elementos que os roteiristas lançaram para fisgar um público amplo fez com que o Coringa terminasse desprovido de profundidade"
Seria até interessante uma visão sobre esse coitado que, por pura sorte, ou azar, vira símbolo de um enorme movimento social, mas não é como se o filme tivesse algo para dizer sobre essa sociedade, então fica ai a oportunidade perdida mesmo.
Tem umas coisas boas, especialmente quando foca no psicológico do Arthur, como a cena dele se imaginando no Murray, ou o assassinato do Randall, mas o filme prefere ficar caçando conexão com o Batman do que trabalhar isso de algum modo.
Para além do uso imperdoável de inteligência artificial, o filme é, simplesmente, uma merda.
Não vou negar que os efeitos práticos do clímax são legais, mas isso não basta para compensar a hora anterior extremamente previsível e monótona. O filme se entrega todo no prólogo, e ele nem se esforça para manter o seu formato, o grande chamariz do filme. As cenas dos "bastidores" são só sua narrativa tradicional mesmo. Como teve tanta gente defendendo um negócio sem graça desses?
Por um lado, eu gosto do filme, ele consegue inferir um contexto maior de forma muito natural - a cicatriz na bochecha de um personagem é exemplo - e tensionar as relações a partir disso sem adotar frases prontas, há uma tonelada de exploração, ressentimento e ódio a todo momento, que torna uma situação terrível ainda pior. Particularmente, adoro filmes onde as "respostas certas" já saíram de cena há muito tempo, e só o que resta é uma gigante bola de neve que não tem mais como parar.
Por outro lado...
Assisti ao filme duas vezes. A primeira foi no Festival do Rio em 2022. Na cena que a Teresa mata Dimas, rolaram comemorações e risadas.
Na segunda, foi com meu pai ao lado. Nessa mesma cena, ele comenta que Dimas "parece um porco", e de fato, o personagem é completamente animalizado nesse momento, grunhindo e perseguindo a protagonista. Não se trata de um homem que perdeu o sobrinho para aquela fazenda maldita, mas sim uma besta-fera que merece ser abatida.
Vi alguns comentários elogiando o filme fugir de uma "cartilha" - eu mesmo faço isso acima - e é difícil negar isso, mas fico me perguntando até que ponto essa observação não é para fugir do fato que há um enorme desequilíbrio na maneira como essas pessoas são representadas. A rica branca traumatizada pela violência urbana vs a massa violenta que a faz novamente mergulhar no trauma. Existe toda uma sugestão dos abusos que foram cometidos aos trabalhadores da fazenda, além de histórias do passado que alguns contam, mas a violência sofrida por Teresa, o assalto, está na tela explicitamente, e aquela cometida pelos trabalhadores também, como o cavalo branco decapitado, a morte de Renildo...
Enfim, até gosto do filme, mas sinto que há uma conversa mais complexa sobre ele que ainda não está acontecendo.
Nos filmes solos do Godzilla, há um certo mistério em relação à Godzilla. Suas primeiras aparições são meros vislumbres, rápidos o bastante para sabermos que é algo monstruoso, mas sem conseguir definir exatamente o que é, e pouco a pouco, as peças vão sendo coletadas, geralmente logo antes de toda a destruição começar.
Minus One é mais direto, e introduz o monstro em menos de 20 minutos, com direito a um personagem dizendo “é o Godzilla!”. Essa abordagem faz sentido, afinal, são 70 anos de história, quem comprou o ingresso sabe que, em algum momento, o Japão será atacado pelo monstro que está no título, por que não começar mostrando logo o que todo mundo veio ver, não é mesmo?
Mas essa troca do suspense pelo imediatismo, a princípio bem vinda, revela a nova filosofia da versão de Takashi Yamazaki, que se preocupa mais com o espetáculo, com a escala da destruição, do que com suas consequências.
Minus One é um remix da versão original, mas sacrifica o horror deste em troca da escala e do melodrama. Se antes o trauma da guerra era coletivo, ele agora se concentra nos ombros do protagonista, Shikishima, assombrado pela memória dos colegas que não conseguiu salvar no primeiro ataque de Godzilla, além da vergonha de ser um piloto kamikaze que não cumpriu sua missão suicida.
A presença de um protagonista bem definido é uma das novidades, pois, tanto em Gojira como em Shin, os personagens são mais utilitários do que qualquer outra coisa, sendo meramente pontos de vista para ancorar o desenrolar da trama. Aqui, a ligação de Shikishima com Godzilla é muito mais direta, com a derrota do monstro sendo o grande foco do personagem, e são raros os momentos onde o kaiju aparece sem o piloto estar envolvido de alguma forma.
Assim, é uma história muito mais pessoal do que visto previamente no cânone japonês, que remete mais a versão de Gareth Edwards, de 2014, que deu início ao atual MonsterVerse, onde o Tenente Ford, personagem de Aaron Taylor-Johnson, também tinha questões particulares com os monstros que dominam a narrativa, com os M.U.T.Os sendo responsáveis pelas mortes de seus pais.
Logo, é um filme muito mais americanizado em sua trama, e também na forma. A destruição aqui vira espetáculo, algo muito típico de quase todo filme desastre estadunidense, como a carreira de Roland Emmerich (olha ele aí novamente) bem atesta. A cena de Godzilla carregando seu raio atômico, por exemplo, é acompanhada de um meticuloso travelling acompanhando cada espinha do seu dorso se iluminando e estendendo conforme o ataque é carregado.
É absolutamente maneiro, na falta de uma palavra melhor, mas logo em seguida, a explosão criada pelo raio é a mesma da bomba atômica, resgatando a metáfora base da mitologia. Não é mais tão maneiro assim, e evidencia certo dilema de Minus One, ele quer entreter, e a comparação que o crítico Sérgio Alpendre fez com o cinema de Spielberg, O cara do blockbuster, é apta nesse sentido, mas se depara com uma herança dolorosa que não permite muito tal sensação. Godzilla é guerra, e guerra é horror.
Cheio de ideias. Um homem castrado. Gente rica cometendo barbaridades em uma nação pobre, questões sobre o ''eu''. Mia Goth e o Skarsgard fazendo coisas bizarras. Tudo muito legal, também quero ser amigo dos dois, mas ficou faltando um filme ao redor disso. É o tempo todo te cutucando com possibilidades fascinantes, insinuando um pouco mais de textura para esse universo, mas nada se concretiza.
"Não é à toa que boa parte das cenas envolvendo a surdez de Ruben lidam mais com a dificuldade de se comunicar com os outros, de escutar, do que o declínio da sua capacidade como artista, desse modo, O Som do Silêncio evita um drama fácil, não é um conto de superação que se apresenta, mas de aceitação, de transformação."
Quando essa versão da Liga da Justiça foi anunciada, só uma coisa passou pela minha cabeça, enquanto os fãs deliravam com as possibilidades oferecidas pela visão "pura" de Zack Snyder que finalmente chegaria as telas, que por mais que o diretor acrescentasse coisas ao produto, não haveria mudanças substanciais ao filme que nos foi apresentado em 2017. E, bem, até que acertei, já que as grandes adições ao filmes são compostas mais por easter eggs e sinalizações de uma sequência que não vai acontecer, de resto é mais uma mudança de ritmo mesmo, com as cenas "respirando" melhor, por assim dizer. Enquanto a versão do cinema prezava pela celeridade, aqui tudo é mais deliberado, com Snyder dando vazão a seus instintos de grandiosidade, cada cena introdutória dos heróis usando e abusando dos tiques tão característicos do autor. Enfim, o resultado é um filme um tanto inchado, cujas duas primeiras horas se arrastam terrivelmente, mas, assim como a versão de cinema, o terceiro ato salva um pouco da experiência, acho que, no fim, o "Snyder Cut" serve como um testamento de que Snyder é um cara que opera dentro do "sistema" de blockbuster, mas que não entende muito bem as suas regras, só assim para ele achar razoável, por exemplo, colocar uma sequência relativamente longa de uma mulher cantando islandês para Aquaman, sem legendas, e muito menos justificativa para tal, no filme de briga de boneco da Warner
Um filme tão apaixonado pelo seu próprio plot twist - consigo imaginar os roteiristas se dando high five por terem pensado nele - que simplesmente esquece de todo o resto. Todas as imagens do filme estão tão preocupadas em serem belas, com um apreço especial para a "hora dourada" que permeia quase toda cena diurna do filme, mas como conciliar essa beleza toda com o horror em cena? A resposta é, nesse caso, nem tentar. O filme enquadra com a mesma delicadeza uma menina correndo por um campo e uma mulher negra sendo enforcada, e se contenta em simplesmente repetir frases sobre o passado assombrando o presente como se isso por si só valesse de alguma coisa. Mas há um momento em particular que o filme atinge uma espécie de unidade, quando a personagem principal da uma palestra com ares de Coach. Tudo muito bonito, bem produzido, com um certo "brilho" mas sem conteúdo nenhum (A protagonista se contenta com platitudes sobre raça e feminismo), tal como coach, e esse filme.
Bônus: Usar frase da Assata Shakur e uma das últimas imagens do filme envolve FBI e policia agindo como salvadores. Não tem prova maior que as cabeças por trás do filme não sabiam do que estavam falando.
Ressignficação muito bacana da linguagem de filmes teen para a ótica de uma experiência trans, a estilização excessiva poderia ser irritante mas o ar de tudo é levemente caricato que acaba combinando. Muito semelhante a Valentina, mesmo que este último tenha um apelo mais naturalista.
Me lembro bem de assistir a The Raid 2 e pensar "o que houve de um filme para o outro? Como que de um filme tão bem focado e objetivo sai essa coisa inchada e bagunçada?". Bem, parece que a minha memória sobre o primeiro filme da franquia me traiu, mas não por muito, The Raid é bem objetivo, e é visível que a porradaria é realmente o grande foco de tudo, mas dá pra ver a gordura na narrativa, basicamente todo o embolo sobre a corrupção na policia, que não leva a muita coisa, e o grande objetivo final de tudo é um tanto nebuloso, a ideia de luta pela sobrevivência não é assim tão enfatizada, o "sufoco" pouco se sente.
Outra surpresa é como o espaço do filme, o prédio, tem suas características verticais e claustrofóbicas sub aproveitadas, com exceção de algumas sequências no inicio do filme. Tanto que ao final de tudo a coesão geográfica vai para as cucuias: os personagens param em um galpão que não fazemos ideia de onde fica em relação ao prédio, que leva o protagonista a uma cela que não faço ideia de como ele descobriu.
Mas eu perdoo muita coisa em nome das lutas, que continuam tão incríveis como eu me lembrava
Apesar de certos deslizes, M8 é uma obra extremamente bem vinda e potente. O sobrenatural é algo pouco explorado no nosso cinema, ainda mais no que se refere a tradições religiosas afro, como a Umbanda, então, é sempre importante que novas vozes passem a colocar esses elementos em nossa tradição cinematográfica.
Não gosto muito desse título brasileiro, uma clara tentativa de aproximar a obra de assuntos mais midiáticos como o "Gabinete do Ódio" do presidente Bolsonaro. O longa de Komasa se aproxima mais de um Taxi Driver da era digital do que um olhar sobre as redes extremistas que tanto nos afligem, e faz isso muito bem, alías, já que constroi de modo sólido a figura francamente desprezivel de Tomasz, mas sem demoniza-lo totalmente, já que ele, ao mesmo tempo que é algoz, é vítima, na falta de uma palavra melhor, de um sistema que cada vez mais recompensa antipatia e ódio.
Puro suquinho de algoritmo da Netflix, é dificil não ver o cálculo meticuloso por trás da construção dramática do filme, que tempera aqui e ali com assuntos do momento, como discussões raciais e questionar o poder, mas que não faz absolutamente nada com isso. Até o aspecto mais interessante do filme, o modo gráfico que os poderes se manifestam na tela, acaba atrapalhando, como na tentativa de plano sequência que acontece dentro do tanque, na cena do bar.
“Quem quer viver para sempre?”, essa pergunta é repetida na canção do Queen para o filme Highlander, talvez o mais famoso longa relacionado a imortalidade, e que ecoa durante a trama. Os personagens de The Old Guard, novo longa produzido pela Netflix, que também conta com guerreiros imortais, traz uma pergunta similar, mas por estarem mais ou menos em paz com essa característica. Suas indagações, assim, são um pouco mais complexas: por quê viver para sempre?
O primeiro Barraca do Beijo era exatamente o que se esperava de uma comédia romântica adolescente. Naturalmente, Barraca do Beijo 2 é o que se espera de uma sequência de tal coisa. Nesse sentido, o novo episódio da franquia trilha um caminho bem similar ao seu anterior, mas com um objetivo bem evidente de ser “mais” do que a obra prévia. Isso tudo pelo simples fato de precisar preencher mais de duas horas (!) de duração.
Uma Ideia de Você
3.2 403 Assista AgoraVi no twitter alguém comparando o filme a 'Tudo Que o Céu Permite', o que achei absurdo, mas a comparação é até apta na maneira que o filme lida com a questão (romance entre pessoas de idades diferentes), da sociedade que julga e impede duas pessoas adultas de se relacionarem da maneira que entendem.
Claro que sem a mesma elegância do filme de Sirk, mas 'Uma Ideia de Você' até que diverte, mesmo que se apoie muito em montagens de passagem de tempo, o que subtrai um pouco do desenvolvimento da história.
Nada de Novo no Front
4.0 640 Assista AgoraGosto muito dos minutos iniciais, que estabelece muito bem a grande linha de produção que é a guerra: nada é desperdiçado, só milhares de vidas.
A partir da introdução do protagonista e da sua rotina no campo de batalhas, tudo acaba meio diluído pois o filme quer, antes de tudo, impressionar, ser um espetáculo, afinal, muito dinheiro foi gasto para produzi-lo. Era pra ser uma obra anti-guerra, mas as cenas de conflito são, á sua forma, empolgantes, ágeis, sem conseguir imprimir o horror nesses momentos.
Há até uma estrutura meio repetitiva nesse sentido: tiro porrada e bomba, e então tudo para, e aí vem o choro, o arrependimento, o protagonista com rosto sujo de uma lama com cor diferente. Tudo muito bem organizado, tudo muito bem encaixado, e esse acaba sendo o grande problema do filme: ter medo de abrir mão de certa clareza para encarar, de fato, a situação que retrata.
Mas aí a indicação ao Oscar talvez não viesse, não é mesmo?
O Mal Que Nos Habita
3.5 807 Assista AgoraFunciona melhor quando está lidando com os aspectos mais banais de um mundo que está em vias de acabar. A cena da delegacia é ótima nesse sentido, e até a ida da casa dos filhos, o filme possui uma energia nervosa empolgante: ninguém para de falar e tudo se move com frequência, tanto na narrativa quanto dentro do quadro. Não consegue sustentar isso até o final, e acaba até sendo mais direto em explicar o mundo, o que antes conseguia fazer por meio das interações entre os personagens.
A fotografia também é excessivamente límpida e clara para um universo tão brutal. Se o seu filme de terror parece um comercial de picape em alguns momentos, algo deu errado
Napoleão
3.1 370 Assista AgoraÉ difícil não enxergar o filme à sombra da já anunciada "Versão do Diretor" pois, como está, acaba sendo uma obra meio podada, quer ir em duas direções, mas não tem muito espaço para nada.
Acho divertida a postura de colocar Napoleão como um homem ridículo, e há momentos inspirados trabalhando essa idéia, como a cena no Egito onde, mesmo durante o conflito, Napoleão só consegue escrever juras de amor eterno a Josefina, enquanto ela o trai alegremente, ou o Golpe de 1799, feito praticamente à base do improviso.
Por outro lado, não há como ignorar a dimensão da figura histórica que, ridículo ou não, comandou diversos homens em batalha e conquistou a lealdade de muitos outros. Mas quando a troça predomina, fica difícil levar muito a sério cenas como o retorno da Ilha de Elba, ou todo o tom da Batalha de Waterloo, que parece lamentar a derrota de Napoleão.
Esses dois aspectos tem boas sequências, mas isoladas, faltou costurar uma complexidade maior na construção dessa figura, de trabalhar esses dois aspectos tão opostos, que parecem trabalhadas na virada de chave- Nessa cena ele é bobo, agora não, agora sim - do que numa relação entre esses lados. Fica aí a esperança que as duas horas adicionais que estão por vir tapem esse buraco.
Ficção Americana
3.8 423 Assista AgoraPor um tempo fiquei pensando como é bom ver um filme americano que se dá tempo, de não se reduzir a uma ideia 'eficiente' de contar a história, de só entregar informação a todo momento. Toda a exploração da vida de Monk antes de sequer entrar nos aspectos mais satíricos da trama é muito rica nesse sentido.
Mas com o passar do tempo é dificil ignorar que a crítica em si é pouco incisiva, na verdade, nem chega a ser crítico da situação que retrata. No final de tudo, fica tão diluído que se torna mais um "conto curioso" do que um filme com algo a dizer sobre a mercantilização e achatamento da experiência afro americana.
Dias Perfeitos
4.2 599 Assista AgoraEnquanto assistia Dias Perfeitos, tive a ideia de começar esse texto apontando como, de tempos em tempos, algum cineasta de renome decide fazer um filme cuja mensagem pode se resumir a: ‘’caramba, pobre também é gente, não é mesmo?’’. É o caso, por exemplo, de Roma, do Alfonso Cuarón, cuja protagonista é fortemente baseada na empregada que cuidou do próprio diretor na infância.
Mas Dias Perfeitos é tão despido de interesse em seu próprio protagonista, Hirayama(Koji Yakusho) que é difícil vê-lo como pertencente a uma classe social ou qualquer coisa que seja. Ele é seu trabalho, limpador de banheiros para a Tokyo Toilet, iniciativa que renovou os banheiros públicos do Japão. Todos os dias, ele veste o macacão com o nome do projeto em letras garrafais, e parte em seu pequeno carro para manter os belamente desenhados lavatórios limpos.
Pode se fazer o argumento que o novo filme de Wim Wenders é, na verdade, um trabalho institucional para a Tokyo Toilet. Há um cuidado especial mostrando a manutenção e inventividade desses espaços. Uma cena conta com Hirayama ensinando uma usuária do toalete a deixar sua estrutura opaca. Da rotina de limpeza, se enfatiza os aspectos mais minuciosos, como o uso de um pequeno espelho para verificar se a parte de baixo dos vasos sanitários está limpa. Não seria uma surpresa se trechos do filme aparecessem em um futuro vídeo para investidores, ou até mesmo uma propaganda comercial.
Entre uma limpeza e outra, o personagem observa a vida, as pessoas que usam os banheiros, a paisagem, sempre com sua câmara analógica ao lado, pronto para tirar uma foto da natureza, suas pequenas interações com outras pessoas. Um filme sobre a ‘’poesia do cotidiano’’, onde as menores coisas se tornam preciosas.
Ou pelo menos a ideia é essa, mas Wenders realiza um filme tão livre de fricção, tão desinteressado em olhar a rotina para além de uma visão contemplativa, que o resultado é simplesmente monótono. Fico pensando nos filmes de André Novais, cuja ideia de cotidiano é similarmente preciosa, mas ele busca realmente extrair algo dessas situações, e não as toma como poéticas por si só.
Parte dessa superficialidade está na decisão de tornar Hirayama um protagonista praticamente mudo, cujo método de interação com o mundo é a observação pura e simples. Ele é pouco mais que uma maneira de olhar as coisas, nosso único acesso a sua interioridade são os sonhos que tem a noite. Fora isso, ele atravessa o mundo como um fantasma. Como afirmei no início, é difícil defini-lo como qualquer coisa que seja em relação ao mundo, pois ele é despido de qualquer relação com o mundo para além de ser um meio de registro.
Há uma tentativa de torná-lo mais que isso, com a visita de uma sobrinha e breve interação com a irmã, fazendo menção a um drama familiar. Existem também as interações com outras pessoas, mas que se resumem a clichês. O jovem irritante que trabalha com Hirayama é “redimido” por sua amizade com uma criança PCD, o protagonista brinca com um homem que está prestes a morrer.
Para bater o martelo da obviedade, Dias Perfeitos se encerra com “I’m feeling good” de Nina Simone, cuja letra simplesmente reitera tudo que o filme é. Enquanto Nina canta, Hirayama dirige, ele sorri, mas algumas lágrimas surgem, e ali ele fica, no limite entre a alegria e tristeza, uma sugestão muito mais interessante do cotidiano do que as duas horas prévias.
Coringa
4.4 4,1K Assista AgoraRevisão, pois na primeira vez que assisti, achei que minha decepção foi impactada pelo fato de eu ter acordado particularmente cedo para pegar duas conduções para assistir um filme, no melhor dos casos, medíocre.
Mas não, o Guilherme de 5 anos atrás tava certo. É um filme que tenta desesperadamente ser sobre alguma coisa que acaba sendo sobre nada. Empilha tanto desastre nas costas do Fleck, e com uma mão tão pesada - na cena dos moleques batendo nele um grita "Ele é fraco! Não consegue fazer nada!" - que tudo fica meio absurdo, e não de modo bom. Vou pegar emprestado um trecho da newsletter da Marie Declerq:
"Segundamente, o roteiro é uma porcaria. Isso aí mesmo que você leu, é ruim mesmo. É visível que os escritores tentaram criar um vilão universal para que todo tipo de gente pudesse se identificar. Então ele atira para todos os lados: saúde mental, mãe abusiva, pancada na cabeça, sistema de saúde falido, mulheres que não dão atenção para homens fora do padrão, o bullying de membros do sindicato dos palhaços, ricos escrotos, exploração da mídia, anões. O tanto de elementos que os roteiristas lançaram para fisgar um público amplo fez com que o Coringa terminasse desprovido de profundidade"
Seria até interessante uma visão sobre esse coitado que, por pura sorte, ou azar, vira símbolo de um enorme movimento social, mas não é como se o filme tivesse algo para dizer sobre essa sociedade, então fica ai a oportunidade perdida mesmo.
Tem umas coisas boas, especialmente quando foca no psicológico do Arthur, como a cena dele se imaginando no Murray, ou o assassinato do Randall, mas o filme prefere ficar caçando conexão com o Batman do que trabalhar isso de algum modo.
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[spoiler]
Entrevista com o Demônio
3.4 770 Assista AgoraPara além do uso imperdoável de inteligência artificial, o filme é, simplesmente, uma merda.
Não vou negar que os efeitos práticos do clímax são legais, mas isso não basta para compensar a hora anterior extremamente previsível e monótona. O filme se entrega todo no prólogo, e ele nem se esforça para manter o seu formato, o grande chamariz do filme. As cenas dos "bastidores" são só sua narrativa tradicional mesmo. Como teve tanta gente defendendo um negócio sem graça desses?
Propriedade
3.7 126 Assista AgoraSei lá viu.
Por um lado, eu gosto do filme, ele consegue inferir um contexto maior de forma muito natural - a cicatriz na bochecha de um personagem é exemplo - e tensionar as relações a partir disso sem adotar frases prontas, há uma tonelada de exploração, ressentimento e ódio a todo momento, que torna uma situação terrível ainda pior. Particularmente, adoro filmes onde as "respostas certas" já saíram de cena há muito tempo, e só o que resta é uma gigante bola de neve que não tem mais como parar.
Por outro lado...
Assisti ao filme duas vezes. A primeira foi no Festival do Rio em 2022. Na cena que a Teresa mata Dimas, rolaram comemorações e risadas.
Na segunda, foi com meu pai ao lado. Nessa mesma cena, ele comenta que Dimas "parece um porco", e de fato, o personagem é completamente animalizado nesse momento, grunhindo e perseguindo a protagonista. Não se trata de um homem que perdeu o sobrinho para aquela fazenda maldita, mas sim uma besta-fera que merece ser abatida.
Vi alguns comentários elogiando o filme fugir de uma "cartilha" - eu mesmo faço isso acima - e é difícil negar isso, mas fico me perguntando até que ponto essa observação não é para fugir do fato que há um enorme desequilíbrio na maneira como essas pessoas são representadas. A rica branca traumatizada pela violência urbana vs a massa violenta que a faz novamente mergulhar no trauma. Existe toda uma sugestão dos abusos que foram cometidos aos trabalhadores da fazenda, além de histórias do passado que alguns contam, mas a violência sofrida por Teresa, o assalto, está na tela explicitamente, e aquela cometida pelos trabalhadores também, como o cavalo branco decapitado, a morte de Renildo...
Enfim, até gosto do filme, mas sinto que há uma conversa mais complexa sobre ele que ainda não está acontecendo.
Godzilla: Minus One
4.0 563Nos filmes solos do Godzilla, há um certo mistério em relação à Godzilla. Suas primeiras aparições são meros vislumbres, rápidos o bastante para sabermos que é algo monstruoso, mas sem conseguir definir exatamente o que é, e pouco a pouco, as peças vão sendo coletadas, geralmente logo antes de toda a destruição começar.
Minus One é mais direto, e introduz o monstro em menos de 20 minutos, com direito a um personagem dizendo “é o Godzilla!”. Essa abordagem faz sentido, afinal, são 70 anos de história, quem comprou o ingresso sabe que, em algum momento, o Japão será atacado pelo monstro que está no título, por que não começar mostrando logo o que todo mundo veio ver, não é mesmo?
Mas essa troca do suspense pelo imediatismo, a princípio bem vinda, revela a nova filosofia da versão de Takashi Yamazaki, que se preocupa mais com o espetáculo, com a escala da destruição, do que com suas consequências.
Minus One é um remix da versão original, mas sacrifica o horror deste em troca da escala e do melodrama. Se antes o trauma da guerra era coletivo, ele agora se concentra nos ombros do protagonista, Shikishima, assombrado pela memória dos colegas que não conseguiu salvar no primeiro ataque de Godzilla, além da vergonha de ser um piloto kamikaze que não cumpriu sua missão suicida.
A presença de um protagonista bem definido é uma das novidades, pois, tanto em Gojira como em Shin, os personagens são mais utilitários do que qualquer outra coisa, sendo meramente pontos de vista para ancorar o desenrolar da trama. Aqui, a ligação de Shikishima com Godzilla é muito mais direta, com a derrota do monstro sendo o grande foco do personagem, e são raros os momentos onde o kaiju aparece sem o piloto estar envolvido de alguma forma.
Assim, é uma história muito mais pessoal do que visto previamente no cânone japonês, que remete mais a versão de Gareth Edwards, de 2014, que deu início ao atual MonsterVerse, onde o Tenente Ford, personagem de Aaron Taylor-Johnson, também tinha questões particulares com os monstros que dominam a narrativa, com os M.U.T.Os sendo responsáveis pelas mortes de seus pais.
Logo, é um filme muito mais americanizado em sua trama, e também na forma. A destruição aqui vira espetáculo, algo muito típico de quase todo filme desastre estadunidense, como a carreira de Roland Emmerich (olha ele aí novamente) bem atesta. A cena de Godzilla carregando seu raio atômico, por exemplo, é acompanhada de um meticuloso travelling acompanhando cada espinha do seu dorso se iluminando e estendendo conforme o ataque é carregado.
É absolutamente maneiro, na falta de uma palavra melhor, mas logo em seguida, a explosão criada pelo raio é a mesma da bomba atômica, resgatando a metáfora base da mitologia. Não é mais tão maneiro assim, e evidencia certo dilema de Minus One, ele quer entreter, e a comparação que o crítico Sérgio Alpendre fez com o cinema de Spielberg, O cara do blockbuster, é apta nesse sentido, mas se depara com uma herança dolorosa que não permite muito tal sensação. Godzilla é guerra, e guerra é horror.
Piscina Infinita
3.0 450 Assista AgoraCheio de ideias. Um homem castrado. Gente rica cometendo barbaridades em uma nação pobre, questões sobre o ''eu''. Mia Goth e o Skarsgard fazendo coisas bizarras. Tudo muito legal, também quero ser amigo dos dois, mas ficou faltando um filme ao redor disso. É o tempo todo te cutucando com possibilidades fascinantes, insinuando um pouco mais de textura para esse universo, mas nada se concretiza.
Bela Vingança
3.8 1,3K Assista AgoraImagine fazer um filme sobre como a sociedade acoberta estupradores e no final o grande salvador é a policia.
Assistam Ms.45
O Som do Silêncio
4.1 998 Assista Agora"Não é à toa que boa parte das cenas envolvendo a surdez de Ruben lidam mais com a dificuldade de se comunicar com os outros, de escutar, do que o declínio da sua capacidade como artista, desse modo, O Som do Silêncio evita um drama fácil, não é um conto de superação que se apresenta, mas de aceitação, de transformação."
Completo aqui: http://cineplot.com.br/o-som-do-silencio-2020-de-darius-marder/
Nomadland
3.9 910 Assista AgoraAs férias Hardcore de Frances McDormand.
Cosplay de pobreza
Liga da Justiça de Zack Snyder
4.0 1,3KQuando essa versão da Liga da Justiça foi anunciada, só uma coisa passou pela minha cabeça, enquanto os fãs deliravam com as possibilidades oferecidas pela visão "pura" de Zack Snyder que finalmente chegaria as telas, que por mais que o diretor acrescentasse coisas ao produto, não haveria mudanças substanciais ao filme que nos foi apresentado em 2017.
E, bem, até que acertei, já que as grandes adições ao filmes são compostas mais por easter eggs e sinalizações de uma sequência que não vai acontecer, de resto é mais uma mudança de ritmo mesmo, com as cenas "respirando" melhor, por assim dizer. Enquanto a versão do cinema prezava pela celeridade, aqui tudo é mais deliberado, com Snyder dando vazão a seus instintos de grandiosidade, cada cena introdutória dos heróis usando e abusando dos tiques tão característicos do autor.
Enfim, o resultado é um filme um tanto inchado, cujas duas primeiras horas se arrastam terrivelmente, mas, assim como a versão de cinema, o terceiro ato salva um pouco da experiência, acho que, no fim, o "Snyder Cut" serve como um testamento de que Snyder é um cara que opera dentro do "sistema" de blockbuster, mas que não entende muito bem as suas regras, só assim para ele achar razoável, por exemplo, colocar uma sequência relativamente longa de uma mulher cantando islandês para Aquaman, sem legendas, e muito menos justificativa para tal, no filme de briga de boneco da Warner
A Escolhida
3.5 297Um filme tão apaixonado pelo seu próprio plot twist - consigo imaginar os roteiristas se dando high five por terem pensado nele - que simplesmente esquece de todo o resto. Todas as imagens do filme estão tão preocupadas em serem belas, com um apreço especial para a "hora dourada" que permeia quase toda cena diurna do filme, mas como conciliar essa beleza toda com o horror em cena? A resposta é, nesse caso, nem tentar. O filme enquadra com a mesma delicadeza uma menina correndo por um campo e uma mulher negra sendo enforcada, e se contenta em simplesmente repetir frases sobre o passado assombrando o presente como se isso por si só valesse de alguma coisa. Mas há um momento em particular que o filme atinge uma espécie de unidade, quando a personagem principal da uma palestra com ares de Coach. Tudo muito bonito, bem produzido, com um certo "brilho" mas sem conteúdo nenhum (A protagonista se contenta com platitudes sobre raça e feminismo), tal como coach, e esse filme.
Bônus: Usar frase da Assata Shakur e uma das últimas imagens do filme envolve FBI e policia agindo como salvadores. Não tem prova maior que as cabeças por trás do filme não sabiam do que estavam falando.
Alice Júnior
3.8 147 Assista AgoraRessignficação muito bacana da linguagem de filmes teen para a ótica de uma experiência trans, a estilização excessiva poderia ser irritante mas o ar de tudo é levemente caricato que acaba combinando. Muito semelhante a Valentina, mesmo que este último tenha um apelo mais naturalista.
Operação Invasão
3.9 633 Assista AgoraMe lembro bem de assistir a The Raid 2 e pensar "o que houve de um filme para o outro? Como que de um filme tão bem focado e objetivo sai essa coisa inchada e bagunçada?". Bem, parece que a minha memória sobre o primeiro filme da franquia me traiu, mas não por muito, The Raid é bem objetivo, e é visível que a porradaria é realmente o grande foco de tudo, mas dá pra ver a gordura na narrativa, basicamente todo o embolo sobre a corrupção na policia, que não leva a muita coisa, e o grande objetivo final de tudo é um tanto nebuloso, a ideia de luta pela sobrevivência não é assim tão enfatizada, o "sufoco" pouco se sente.
Outra surpresa é como o espaço do filme, o prédio, tem suas características verticais e claustrofóbicas sub aproveitadas, com exceção de algumas sequências no inicio do filme. Tanto que ao final de tudo a coesão geográfica vai para as cucuias: os personagens param em um galpão que não fazemos ideia de onde fica em relação ao prédio, que leva o protagonista a uma cela que não faço ideia de como ele descobriu.
Mas eu perdoo muita coisa em nome das lutas, que continuam tão incríveis como eu me lembrava
M8 – Quando a Morte Socorre a Vida
3.6 224Apesar de certos deslizes, M8 é uma obra extremamente bem vinda e potente. O sobrenatural é algo pouco explorado no nosso cinema, ainda mais no que se refere a tradições religiosas afro, como a Umbanda, então, é sempre importante que novas vozes passem a colocar esses elementos em nossa tradição cinematográfica.
http://sentaai.com/critica-m8-quando-a-morte-socorre-a-vida/
Lindinhas
3.0 192Um bom teste: quem usar as palavras "apologia" e "pedofilia" ou similares para falar sobre esse filme, já sabemos que estes não sabem ver filme!
Rede de Ódio
3.7 365Não gosto muito desse título brasileiro, uma clara tentativa de aproximar a obra de assuntos mais midiáticos como o "Gabinete do Ódio" do presidente Bolsonaro. O longa de Komasa se aproxima mais de um Taxi Driver da era digital do que um olhar sobre as redes extremistas que tanto nos afligem, e faz isso muito bem, alías, já que constroi de modo sólido a figura francamente desprezivel de Tomasz, mas sem demoniza-lo totalmente, já que ele, ao mesmo tempo que é algoz, é vítima, na falta de uma palavra melhor, de um sistema que cada vez mais recompensa antipatia e ódio.
Power
3.0 439 Assista AgoraPuro suquinho de algoritmo da Netflix, é dificil não ver o cálculo meticuloso por trás da construção dramática do filme, que tempera aqui e ali com assuntos do momento, como discussões raciais e questionar o poder, mas que não faz absolutamente nada com isso. Até o aspecto mais interessante do filme, o modo gráfico que os poderes se manifestam na tela, acaba atrapalhando, como na tentativa de plano sequência que acontece dentro do tanque, na cena do bar.
The Old Guard
3.5 684 Assista Agora“Quem quer viver para sempre?”, essa pergunta é repetida na canção do Queen para o filme Highlander, talvez o mais famoso longa relacionado a imortalidade, e que ecoa durante a trama. Os personagens de The Old Guard, novo longa produzido pela Netflix, que também conta com guerreiros imortais, traz uma pergunta similar, mas por estarem mais ou menos em paz com essa característica. Suas indagações, assim, são um pouco mais complexas: por quê viver para sempre?
Crítica completa: http://sentaai.com/critica-the-old-guard/
A Barraca do Beijo 2
2.9 386O primeiro Barraca do Beijo era exatamente o que se esperava de uma comédia romântica adolescente. Naturalmente, Barraca do Beijo 2 é o que se espera de uma sequência de tal coisa. Nesse sentido, o novo episódio da franquia trilha um caminho bem similar ao seu anterior, mas com um objetivo bem evidente de ser “mais” do que a obra prévia. Isso tudo pelo simples fato de precisar preencher mais de duas horas (!) de duração.
Crítica Completa: http://sentaai.com/critica-barraca-do-beijo-2/