Outra serie com premissa edipiana protagonizada por adolescentes problemáticos; fiquei bem feliz em ver depois que Skins já tinha me enchido o saco. De praxe, como series britânicas costumam ser, tem um cuidadozinho estético bem legal. Como qualquer nerd idiota que se encontra exatamente no mesmo estado que os personagens tavam inicialmente, foi bem gostosinho ver todo o processo de desterritorialização - interminável - deles; sempre fico lembrando do prefácio do Humano, demasiado humano do Nietzsche e pensando no quão estúpido sou por me acomodar na própria merda que eu desprezo. O pai otário da Alyssa, ao assumir a loucura em relação a sanidade, tinha razão.
Não adianta uma direção foda com um roteiro merda. [SPOILER] Aquele plano que mostra o 'Renton' com o dinheiro no assoalho estragou o final, seria bem mais doido se a maior parte fosse falsa desde o início.
Simples e suave, com metáforas que explicam a si mesmas, críticas que se fazem no implícito, mas nunca sendo tolo ou irritante (pelo menos eu me irrito com a maioria dos filmes assim). Tem algum comentário por aqui que diz que o filme é superficial e/ou sem emoções. Pois bem: não se trata de um filme de imersão. A abordagem geral do filme é da mesma intensidade constitutiva da paixão da personagem da Miranda pelo vendedor de sapatos; [SPOILER] o filme não mostra relações intensas, e sim relações de uma subjetividade com outra, tanto que a cena pré-final é do primeiro contato físico da personagem com a pessoal pela qual está apaixonada, e um dos poucos signos vagos do filme está justamente na cena seguinte em que o guri estabelece uma relação não com uma outra pessoa, mas com o sol, enquanto bate desritmadamente uma moeda num poste, que acabara de ganhar de um cara. Tenho a intuição que é esta a relação que o filme busca que tenhamos com ele, não se trata de entrar num mundo ou numa cabeça, e sim em sua superfície (não no mero sentido pejorativo que desqualifica a complexidade simples do filme) e essência quase óbvia. A ideia central e a conclusão é que vivemos em equívocos comunicacionais, seja no que tange a mera sexualidade, o "amor", a solidão; talvez seja necessário aprender a falar na mesma medida que se aprende a ouvir, e este é um clichê bem explorado, na categoria de críticas implícitas que citei no início do texto.
Começa muito bem, com personagens que parecem interessantes, tem umas cores bem bonitas, uma montagem maneira; mas não dá pra dizer que o roteiro é preguiçoso por ter sua mecânica pautada em coincidências que ocorrem a cada dez minutos, pois o filme se constitui disso. O sentido moral do filme é tão óbvio, que o final é completamente decepcionante. Mas se não bastasse ser óbvia, essa moral é bastante problemática em sentido político; o filme aborda a vida de pessoas que vivem na rua, como se esta condição fosse completamente fruto da liberdade individual de cada um (o que na diegese é completamente lógico), sendo então um filme com uma abordagem e filosofia completamente voltada a valorização da família, num sentido implicitamente conservador que se justifica na construção psicológica das personagens, que não são tolas porque moram na rua, e sim moram na rua porque são tolas. Quase toda a humanização feita ao longo do filme perde seu potencial crítico-inovador.
Esperava mais do Satoshi Kon após ver Perfect Blue.
O Liu deixou claro que não entendeu - ou não quis executar - todas as nuances presentes na HQ, o que comprometeu muito a própria compreensão filosófica da história. Não é um dos melhores trabalhos do Alan Moore, mas é uma boa história, e o roteiro adaptado do Azzarello não salva uma má direção.
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Nectar
3.8 3Devir-abelha-devir-mulher. Devir-colmeia; o trágico, o fim.
O Império dos Sentidos
3.4 323 Assista Agoraviajem minha ou o filme era pra ser um exotismo pra francês consumir?
Arquitetura da Destruição
4.2 140 Assista AgoraSó achei meio repetitiva a abordagem. No mais, genial a figura do hitler que construíram: um idiota hermético na cultura alemã.
Pornocracy: The New Sex Multinationals
3.2 36Se tivessem feito uma análise realmente marxista teria sido muito foda.
La Casa de Papel (Parte 1)
4.2 1,3K Assista AgoraSó assisti do começo ao fim por causa da Tóquio. É tipo quando o cover é melhor que a original.
Mektoub, My Love: Canto Uno
2.9 7nenhum lugar pra baixar :)
The End of the F***ing World (1ª Temporada)
3.8 822 Assista AgoraOutra serie com premissa edipiana protagonizada por adolescentes problemáticos; fiquei bem feliz em ver depois que Skins já tinha me enchido o saco. De praxe, como series britânicas costumam ser, tem um cuidadozinho estético bem legal. Como qualquer nerd idiota que se encontra exatamente no mesmo estado que os personagens tavam inicialmente, foi bem gostosinho ver todo o processo de desterritorialização - interminável - deles; sempre fico lembrando do prefácio do Humano, demasiado humano do Nietzsche e pensando no quão estúpido sou por me acomodar na própria merda que eu desprezo. O pai otário da Alyssa, ao assumir a loucura em relação a sanidade, tinha razão.
Cova Rasa
3.8 329 Assista AgoraNão adianta uma direção foda com um roteiro merda. [SPOILER] Aquele plano que mostra o 'Renton' com o dinheiro no assoalho estragou o final, seria bem mais doido se a maior parte fosse falsa desde o início.
Happy People: A Year In The Taiga
4.1 28 Assista AgoraNo cadastramento aqui no filmow tá creditando apenas o Herzog como diretor, quando na real foi codirigido com o Vasyukov.
Eu, Você e Todos Nós
3.8 170Simples e suave, com metáforas que explicam a si mesmas, críticas que se fazem no implícito, mas nunca sendo tolo ou irritante (pelo menos eu me irrito com a maioria dos filmes assim).
Tem algum comentário por aqui que diz que o filme é superficial e/ou sem emoções. Pois bem: não se trata de um filme de imersão. A abordagem geral do filme é da mesma intensidade constitutiva da paixão da personagem da Miranda pelo vendedor de sapatos; [SPOILER] o filme não mostra relações intensas, e sim relações de uma subjetividade com outra, tanto que a cena pré-final é do primeiro contato físico da personagem com a pessoal pela qual está apaixonada, e um dos poucos signos vagos do filme está justamente na cena seguinte em que o guri estabelece uma relação não com uma outra pessoa, mas com o sol, enquanto bate desritmadamente uma moeda num poste, que acabara de ganhar de um cara. Tenho a intuição que é esta a relação que o filme busca que tenhamos com ele, não se trata de entrar num mundo ou numa cabeça, e sim em sua superfície (não no mero sentido pejorativo que desqualifica a complexidade simples do filme) e essência quase óbvia. A ideia central e a conclusão é que vivemos em equívocos comunicacionais, seja no que tange a mera sexualidade, o "amor", a solidão; talvez seja necessário aprender a falar na mesma medida que se aprende a ouvir, e este é um clichê bem explorado, na categoria de críticas implícitas que citei no início do texto.
Um encontro com Lacan
4.2 13O documentário cria uma imagem heroica do Lacan. Chega quase a ser patético.
Padrinhos de Tóquio
4.3 207Começa muito bem, com personagens que parecem interessantes, tem umas cores bem bonitas, uma montagem maneira; mas não dá pra dizer que o roteiro é preguiçoso por ter sua mecânica pautada em coincidências que ocorrem a cada dez minutos, pois o filme se constitui disso. O sentido moral do filme é tão óbvio, que o final é completamente decepcionante. Mas se não bastasse ser óbvia, essa moral é bastante problemática em sentido político; o filme aborda a vida de pessoas que vivem na rua, como se esta condição fosse completamente fruto da liberdade individual de cada um (o que na diegese é completamente lógico), sendo então um filme com uma abordagem e filosofia completamente voltada a valorização da família, num sentido implicitamente conservador que se justifica na construção psicológica das personagens, que não são tolas porque moram na rua, e sim moram na rua porque são tolas. Quase toda a humanização feita ao longo do filme perde seu potencial crítico-inovador.
Esperava mais do Satoshi Kon após ver Perfect Blue.
Batman: A Piada Mortal
3.3 497 Assista AgoraO Liu deixou claro que não entendeu - ou não quis executar - todas as nuances presentes na HQ, o que comprometeu muito a própria compreensão filosófica da história. Não é um dos melhores trabalhos do Alan Moore, mas é uma boa história, e o roteiro adaptado do Azzarello não salva uma má direção.