o filme festa de família , de Vinterberg , é mais uma crítica contundente que o cinema fez ao ideal de família burguesa e conservadora europeia e, por extensão, ocidental. inserido no contexto do movimento Dogma 95, a trama se utiliza de uma estética crua não apenas como escolha formal, mas como dispositivo ético. não há para onde fugir quando o horror emerge.
a estrutura narrativa, concentrada em um único evento, a celebração patriarcal, expõe de maneira quase clínica os mecanismos de negação, silenciamento e manutenção de aparências que sustentam esse modelo familiar. a primeira fala de Christian, ao revelar o estupro sofrido por ele e por sua irmã gêmea Linda, não provoca ruptura alguma. ao contrário, é imediatamente absorvida pelo ritual social. a festa continua. esse é talvez o primeiro gesto mais perturbador do filme, a recusa coletiva em reconhecer o trauma quando ele ameaça a estabilidade simbólica da família.
nas tentativas seguintes de fala, Christian não apenas é desacreditado, mas ativamente reprimido. seu irmão Michael encarna a violência que protege o sistema. agressivo, adúltero, instável, ele ainda assim funciona como guardião da ordem, impedindo que a verdade desestabilize a estrutura. o que está em jogo não é a dúvida sobre o fato, mas o medo das consequências de admiti-lo.é somente na última fala, mediada pela leitura da carta de Linda por Michele, que a verdade se impõe de forma incontornável. a confissão do pai não traz catarse nem redenção. ao contrário, explicita o cinismo absoluto na frase "vocês só serviam pra isso". ainda assim, o que se segue não é a implosão da família, mas a sua continuidade. a festa prossegue. esse dado é central, o reconhecimento do horror não é suficiente para interromper a lógica que o produziu.
a figura da mãe talvez seja uma das mais complexas e perturbadoras. embora não seja a autora direta da violência, sua cumplicidade silenciosa constitui uma segunda camada de violação. ao longo da vida, escolhe preservar a imagem da família em detrimento da proteção dos filhos e, mesmo diante da denúncia, tenta desqualificar a memória de Christian, sugerindo delírio. sua violência é estrutural, ela sustenta o sistema que permite o abuso.
Michele, por sua vez, representa uma contradição aguda. antropóloga, cantora, aparentemente crítica, inclusive diante de manifestações racistas da família, ela também só internaliza a gravidade da situação após a validação masculina do pai. seu saber e sua sensibilidade não são suficientes para romper, de imediato, com o pacto de silêncio. isso evidencia como mesmo sujeitos críticos podem estar capturados por estruturas familiares profundamente hierárquicas.já Michael, apesar de sua brutalidade, é o único que, em algum nível, reconhece o perigo concreto que o pai representa para seus próprios filhos. esse reconhecimento, ainda que tardio e contraditório, sugere uma fissura, mas não uma ruptura.
festa de família constrói, assim, um retrato devastador. o modelo conservador de família não apenas abriga a violência, como depende do seu silenciamento para se manter. a pseudo perfeição é sustentada por pactos implícitos de negação, onde a vítima é constantemente invalidada, questionada e isolada. o filme demonstra que a violência não se limita ao ato inicial, mas se expande e se intensifica a cada tentativa de apagamento.
mais do que denunciar um caso específico, Vinterberg revela um sistema. uma estrutura que prefere preservar sua imagem a confrontar sua verdade, mesmo quando essa verdade é insuportável.
"acredito que livros se tornam parte da nossa vida, eles entram no nosso íntimo mais profundo e, as vezes, permanecem ali pra sempre. nos ajudam a viver porque revelam a nossa verdadeira natureza. uma vez eu ouvi alguém dizer: 'a literatura é como uma ambulância correndo pela noite para salvar alguém'. (...) mas o que eu estou dizendo, é que, pessoalmente, o que eu exijo de escritores, pintores e músicos, é que me ofereçam a centelha poética que não existe na vida. o que eu quero que a literatura faça é me lembrar que eu sou apenas humana. e que me ajude a entender meus medos, minhas tristezas, minhas dificuldades."
o filme acompanha um jovem corretor financeiro que, ao buscar um executivo em um spa nos Alpes suíços, é arrastado para uma jornada que mistura ciência degenerada, manipulação genética e horror .
a “cura” prometida pelo "homem da ciência" Volmer expõe uma contradição: as cobaias não são pessoas comuns, mas a elite global, CEOs e milionários, cuja humanidade já foi quase esvaziada pela própria lógica de exploração.
em seu final, o filme mostra que a libertação não está apenas no retorno ao mundo ordinário, mas na ruptura com sua ordem. nesse sentido, trata-se menos de um thriller de horror e mais de uma alegoria sobre o colapso ético da modernidade e a necessidade de transformação interior diante do vazio produzido pela ambição patológica.
“Talvez, num futuro apocalipse, essas ruínas revelem que esses prédios foram construídos não para impor a vontade da maioria, nem a vontade de Deus, mas, para proteger o que é vulnerável da força bruta. Em grego 'apolálypsis' não significa o fim do mundo. Mas, sim, um desvelar. Uma revelação. A chance de abrir os olhos.”
um soco no estômago. sobre como o racismo, a misoginia, a pobreza, a maternidade solo, junto as injustiças cotidianas que a soma de tudo isso acarretam, levam uma pessoa ao limite da sanidade. Freud já dizia que o sofrimento tem três fontes principais: o corpo, o mundo externo e o relação que estabelecemos com as outras pessoas. no caso dessa mulher e mãe, há o cansaço do corpo, o peso desse mundo que não a acolhe e a convivência com pessoas que não tem a menor empatia pelo que ela passa. sofrimento adoece. e quem não chorou com esse filme, talvez não seja capaz de reconhecer o sofrimento em si mesmo, quem dirá nos outros.
“Em outra vida eu era uma rainha”, disse Dona Thereza, enquanto estava sentada sozinha fumando um cigarro em frente a uma moradia humilde em uma véspera de Natal.
Relatou que havia acordado cedo naquele dia para ir preparar a ceia dos patrões: que tinha peru com champanhe importado e pernil com melaço - e que, segundo ela, estava uma delícia.
De volta a sua casa, disse a Coutinho que em parte era feliz, mas em outras, nunca seria. E em seguida o convida para ver seus bisnetos dormindo protegidos pelas orações e imagens de divindades/santos ao redor.
Nesta morada pequena, com uma ceia simples, exausta de um dia (e uma vida inteira) de trabalho árduo, esta senhora que um dia foi rainha tem a certeza de que Deus, Deuses, entidades e encantados cuidam dela e dos seus.
E sobrevivem, em meio as mazelas da escravidão na pós-abolição, com a grandeza de realeza.
"Toda essa tragédia acaba virando um programa de rádio para entretenimento, e enquanto estou fazendo o filme, percebo também que estamos fazendo entretenimento. Portanto, as últimas palavras precisavam ser ditas por mim, assumindo a culpa de fazer parte de uma cultura que é cúmplice." (Scorsese, 2023).
documentário interessante, no entanto inconclusivo. é interessante como apresenta as narrativas e os contrapontos as mesmas, mas o final deixa alguns fios soltos: não há aparição do médico indiano (o que garante que ele disse a verdade?); não se desvenda como a conta dele do zoom foi acessada depois de seu falecimento (se supostamente ninguém possuía acesso ao seu computador); estranho pensar na não participação de Omar/Michael no esquema ponzi; e afinal, cadê a tal autópsia do corpo?
e o que me garante que esse cara não planejou ter ido a Índia para fazer um testamento deixando tudo para sua esposa 12 dias antes de "morrer" e logo em seguida ter "sumido" com cerca de 150 milhões de dólares (supostamente perdidos), e estar vivo por aí? caso sim, ele é um psicopata e um gênio.
quem não gostou desse filme, ou é cult demais ou não entendeu a profundidade por trás das pseudo-bizarrices.
o tal monstro e os multiversos que perseguem a protagonista é uma metáfora em relação às frustrações que acumulamos ao longo da vida e que por ventura podemos projetar nas pessoas ao nosso redor.
ao se perceber como a única pessoa responsável por seus fracassos, sucessos, escolhas e ações, isso culmina em uma virada na mentalidade da personagem, e faz com que esta passe a olhar para si, para as outros e para a vida com mais empatia e compaixão.
afinal, quando a gente se enxerga em complexidade, nos tornamos mais compreensivos a complexidade dos outros e da vida em si.
"na nossa cultura, homens aprendem a amar muitas coisas e mulheres, a amar os homens."
quem disse isso foi a psicóloga e filósofa brasileira Valeska Zanello. ela aponta que mulheres e homens se subjetivam de formas diferentes. as mulheres pelo dispositivo amoroso e materno, e os homens pelo dispositivo da eficácia. e é justamente atuando sob esses dois dispositivos femininos que o Shimon/Simon atrai essas mulheres: primeiramente fazendo elas se sentirem especiais, depois supostamente amando-as, e por mim prometendo a elas a possibilidade de uma construção familiar (morar junto, casar e ter filhos). segundo a autora, esse dispositivo amoroso feminino cria a terceirização da autoestima: uma mulher só se sente desejável caso um homem a deseje. e é justamente aí que se encontra o nosso botão de vulnerabilidade. pois nos coloca numa posição de persistência diante dessa aceitação masculina. e é por isso que Cecilie, Pernilla e Ayleen continuam se endividando, pois elas acreditam que precisam dessa validação de Shimon/Simon.
Zanello diz que o dispositivo masculino é o da eficácia e está relacionado a ser um bom provedor/trabalhador e sexualmente ativo. e o método de Simon/Shimon é, em um primeiro momento, mostrar ser um homem bem sucedido e prover suas novas vítimas (com o dinheiro das anteriores). e sem deixar de exercer o segundo eixo do dispositivo masculino: ir para cama com o maior número de mulheres (loiras!) que ele conseguir.
e talvez, no fundo, Shimon/Simon acredite que não esteja cometendo um crime e sim fazendo um favor a todas elas - e concluo isso (antes que venham me acusar de generalização) por não estarmos tratando de um homem qualquer, mas de um estelionatário e possível psicopata.
tive que assistir duas vezes para conseguir digerir o que eu estava vendo.
é um filme um tanto incômodo, pois não estamos acostumados a lidar com o abandono materno e de certa forma naturalizamos o paterno. no entanto, é uma boa reflexão de desromantização da maternidade - que pouco tem de romântica na prática. quanto a personagem Leda: pelo que parece, ela não teve uma boa mãe, e isso refletiu na própria experiência de maternidade que ela teve com suas filhas Bianca e Martha. o que nos leva a concluir que: a maternidade (assim como a paternidade) não é algo inerente a todos nós e se, mulheres e homens, tivessem essa consciência, teríamos menos filhas (os) perdidos por aí. não que ser mãe ou pai tenha que ser um peso na vida das pessoas (redes de apoio são importantes!). mas que ao tomar essa decisão, que estes estejam cientes da responsabilidade que estão assumindo.
interessante ver os cortes de narrativas entre o que Sarah narra e o que realmente acontece na vida desse casal. não há mocinho ou vilão. são duas pessoas potencialmente reais (com virtudes e falhas), inteligentes, interessantes, que viveram intensamente, os prazeres e desprezares, do casamento, da criação dos filhos, enfim, do amor.
"então nós começamos a aprender sobre suas vidas... vindo a tornar memórias coletivas de momentos que nunca vivemos. sentimos o aprisionamento de ser uma garota. o jeito que fez de sua mente, uma sonhadora... então você acabou aprendendo quais corem combinavam. nós sabíamos que as meninas eram, na verdade, mulheres fingindo que conheciam o amor e até a morte. e o nosso trabalho era somente criar a impressão do que parecia fasciná-las. nós sabíamos que elas sabiam tudo sobre nós. e que não podíamos entendê-las completamente."
a história dessas cinco meninas é uma metáfora para Sofia Coppola falar sobre o aprisionamento de ser uma garota. e o quanto esse aprisionamento desde tão cedo molda a nossa existência feminina.
Festa de Família
4.2 418o filme festa de família , de Vinterberg , é mais uma crítica contundente que o cinema fez ao ideal de família burguesa e conservadora europeia e, por extensão, ocidental. inserido no contexto do movimento Dogma 95, a trama se utiliza de uma estética crua não apenas como escolha formal, mas como dispositivo ético. não há para onde fugir quando o horror emerge.
a estrutura narrativa, concentrada em um único evento, a celebração patriarcal, expõe de maneira quase clínica os mecanismos de negação, silenciamento e manutenção de aparências que sustentam esse modelo familiar. a primeira fala de Christian, ao revelar o estupro sofrido por ele e por sua irmã gêmea Linda, não provoca ruptura alguma. ao contrário, é imediatamente absorvida pelo ritual social. a festa continua. esse é talvez o primeiro gesto mais perturbador do filme, a recusa coletiva em reconhecer o trauma quando ele ameaça a estabilidade simbólica da família.
nas tentativas seguintes de fala, Christian não apenas é desacreditado, mas ativamente reprimido. seu irmão Michael encarna a violência que protege o sistema. agressivo, adúltero, instável, ele ainda assim funciona como guardião da ordem, impedindo que a verdade desestabilize a estrutura. o que está em jogo não é a dúvida sobre o fato, mas o medo das consequências de admiti-lo.é somente na última fala, mediada pela leitura da carta de Linda por Michele, que a verdade se impõe de forma incontornável. a confissão do pai não traz catarse nem redenção. ao contrário, explicita o cinismo absoluto na frase "vocês só serviam pra isso". ainda assim, o que se segue não é a implosão da família, mas a sua continuidade. a festa prossegue. esse dado é central, o reconhecimento do horror não é suficiente para interromper a lógica que o produziu.
a figura da mãe talvez seja uma das mais complexas e perturbadoras. embora não seja a autora direta da violência, sua cumplicidade silenciosa constitui uma segunda camada de violação. ao longo da vida, escolhe preservar a imagem da família em detrimento da proteção dos filhos e, mesmo diante da denúncia, tenta desqualificar a memória de Christian, sugerindo delírio. sua violência é estrutural, ela sustenta o sistema que permite o abuso.
Michele, por sua vez, representa uma contradição aguda. antropóloga, cantora, aparentemente crítica, inclusive diante de manifestações racistas da família, ela também só internaliza a gravidade da situação após a validação masculina do pai. seu saber e sua sensibilidade não são suficientes para romper, de imediato, com o pacto de silêncio. isso evidencia como mesmo sujeitos críticos podem estar capturados por estruturas familiares profundamente hierárquicas.já Michael, apesar de sua brutalidade, é o único que, em algum nível, reconhece o perigo concreto que o pai representa para seus próprios filhos. esse reconhecimento, ainda que tardio e contraditório, sugere uma fissura, mas não uma ruptura.
festa de família constrói, assim, um retrato devastador. o modelo conservador de família não apenas abriga a violência, como depende do seu silenciamento para se manter. a pseudo perfeição é sustentada por pactos implícitos de negação, onde a vítima é constantemente invalidada, questionada e isolada. o filme demonstra que a violência não se limita ao ato inicial, mas se expande e se intensifica a cada tentativa de apagamento.
mais do que denunciar um caso específico, Vinterberg revela um sistema. uma estrutura que prefere preservar sua imagem a confrontar sua verdade, mesmo quando essa verdade é insuportável.
Jane Austen Arruinou Minha Vida
2.8 11"acredito que livros se tornam parte da nossa vida,
eles entram no nosso íntimo mais profundo e,
as vezes, permanecem ali pra sempre.
nos ajudam a viver porque revelam a nossa verdadeira natureza.
uma vez eu ouvi alguém dizer: 'a literatura é como uma ambulância correndo pela noite para salvar alguém'.
(...)
mas o que eu estou dizendo,
é que, pessoalmente, o que eu exijo de escritores, pintores e músicos, é que me ofereçam a centelha poética que não existe na vida.
o que eu quero que a literatura faça é me lembrar que eu sou apenas humana.
e que me ajude a entender meus medos, minhas tristezas, minhas dificuldades."
Virgem Maria
2.8 58 Assista Agora"o amor custa caro,
perfura o seu coração.
mas no final,
o amor vai salvar o mundo."
Caramelo
3.6 239 Assista AgoraNão chorava assim com um filme desde essa sequência: Marley & Eu, Sempre ao Seu Lado, e A Culpa é das Estrelas. Fofo e emocionante na medida certa!
A Cura
3.0 728 Assista Agorao filme acompanha um jovem corretor financeiro que, ao buscar um executivo em um spa nos Alpes suíços, é arrastado para uma jornada que mistura ciência degenerada, manipulação genética e horror .
a “cura” prometida pelo "homem da ciência" Volmer expõe uma contradição: as cobaias não são pessoas comuns, mas a elite global, CEOs e milionários, cuja humanidade já foi quase esvaziada pela própria lógica de exploração.
em seu final, o filme mostra que a libertação não está apenas no retorno ao mundo ordinário, mas na ruptura com sua ordem. nesse sentido, trata-se menos de um thriller de horror e mais de uma alegoria sobre o colapso ético da modernidade e a necessidade de transformação interior diante do vazio produzido pela ambição patológica.
Apocalipse nos Trópicos
3.8 189 Assista Agora“Talvez, num futuro apocalipse, essas ruínas revelem que esses prédios foram construídos não para impor a vontade da maioria, nem a vontade de Deus, mas, para proteger o que é vulnerável da força bruta. Em grego 'apolálypsis' não significa o fim do mundo. Mas, sim, um desvelar. Uma revelação. A chance de abrir os olhos.”
Homem com H
4.2 534 Assista Agora"as pessoas criticam em mim o que elas reconhecem em si mesmas."
Ney Matogrosso é homem com H mesmo!
e Jesuíta Barbosa sendo genial!
Até a Última Gota
3.3 169 Assista Agoraum soco no estômago.
sobre como o racismo, a misoginia, a pobreza, a maternidade solo, junto as injustiças cotidianas que a soma de tudo isso acarretam, levam uma pessoa ao limite da sanidade.
Freud já dizia que o sofrimento tem três fontes principais: o corpo, o mundo externo e o relação que estabelecemos com as outras pessoas.
no caso dessa mulher e mãe, há o cansaço do corpo, o peso desse mundo que não a acolhe e a convivência com pessoas que não tem a menor empatia pelo que ela passa.
sofrimento adoece. e quem não chorou com esse filme, talvez não seja capaz de reconhecer o sofrimento em si mesmo, quem dirá nos outros.
Santo Forte
4.1 56“Em outra vida eu era uma rainha”, disse Dona Thereza, enquanto estava sentada sozinha fumando um cigarro em frente a uma moradia humilde em uma véspera de Natal.
Relatou que havia acordado cedo naquele dia para ir preparar a ceia dos patrões: que tinha peru com champanhe importado e pernil com melaço - e que, segundo ela, estava uma delícia.
De volta a sua casa, disse a Coutinho que em parte era feliz, mas em outras, nunca seria. E em seguida o convida para ver seus bisnetos dormindo protegidos pelas orações e imagens de divindades/santos ao redor.
Nesta morada pequena, com uma ceia simples, exausta de um dia (e uma vida inteira) de trabalho árduo, esta senhora que um dia foi rainha tem a certeza de que Deus, Deuses, entidades e encantados cuidam dela e dos seus.
E sobrevivem, em meio as mazelas da escravidão na pós-abolição, com a grandeza de realeza.
Assassinos da Lua das Flores
4.0 668 Assista Agora"Toda essa tragédia acaba virando um programa de rádio para entretenimento, e enquanto estou fazendo o filme, percebo também que estamos fazendo entretenimento. Portanto, as últimas palavras precisavam ser ditas por mim, assumindo a culpa de fazer parte de uma cultura que é cúmplice." (Scorsese, 2023).
Não Confie em Ninguém: A Caça ao Rei da Criptomoeda
3.2 17documentário interessante, no entanto inconclusivo.
é interessante como apresenta as narrativas e os contrapontos as mesmas, mas o final deixa alguns fios soltos: não há aparição do médico indiano (o que garante que ele disse a verdade?); não se desvenda como a conta dele do zoom foi acessada depois de seu falecimento (se supostamente ninguém possuía acesso ao seu computador); estranho pensar na não participação de Omar/Michael no esquema ponzi; e afinal, cadê a tal autópsia do corpo?
e o que me garante que esse cara não planejou ter ido a Índia para fazer um testamento deixando tudo para sua esposa 12 dias antes de "morrer" e logo em seguida ter "sumido" com cerca de 150 milhões de dólares (supostamente perdidos), e estar vivo por aí? caso sim, ele é um psicopata e um gênio.
Um Vento Sagrado
4.4 2"Fé é a confiança em Deus, nos Orixás e em si mesmo."
sábio e iluminado Pai Agenor <3
Tudo em Todo O Lugar ao Mesmo Tempo
4.0 2,1K Assista Agoraquem não gostou desse filme, ou é cult demais ou não entendeu a profundidade por trás das pseudo-bizarrices.
o tal monstro e os multiversos que perseguem a protagonista é uma metáfora em relação às frustrações que acumulamos ao longo da vida e que por ventura podemos projetar nas pessoas ao nosso redor.
ao se perceber como a única pessoa responsável por seus fracassos, sucessos, escolhas e ações, isso culmina em uma virada na mentalidade da personagem, e faz com que esta passe a olhar para si, para as outros e para a vida com mais empatia e compaixão.
afinal, quando a gente se enxerga em complexidade, nos tornamos mais compreensivos a complexidade dos outros e da vida em si.
Educação
3.8 1,2Ka educação é importante para todos, mas é essencial para as mulheres. por mais enganos que tenhamos pelo caminho: meninas, estudem!
O Golpista do Tinder
3.5 427"na nossa cultura, homens aprendem a amar muitas coisas e mulheres, a amar os homens."
quem disse isso foi a psicóloga e filósofa brasileira Valeska Zanello. ela aponta que mulheres e homens se subjetivam de formas diferentes.
as mulheres pelo dispositivo amoroso e materno, e os homens pelo dispositivo da eficácia.
e é justamente atuando sob esses dois dispositivos femininos que o Shimon/Simon atrai essas mulheres: primeiramente fazendo elas se sentirem especiais, depois supostamente amando-as, e por mim prometendo a elas a possibilidade de uma construção familiar (morar junto, casar e ter filhos).
segundo a autora, esse dispositivo amoroso feminino cria a terceirização da autoestima: uma mulher só se sente desejável caso um homem a deseje. e é justamente aí que se encontra o nosso botão de vulnerabilidade. pois nos coloca numa posição de persistência diante dessa aceitação masculina. e é por isso que Cecilie, Pernilla e Ayleen continuam se endividando, pois elas acreditam que precisam dessa validação de Shimon/Simon.
Zanello diz que o dispositivo masculino é o da eficácia e está relacionado a ser um bom provedor/trabalhador e sexualmente ativo. e o método de Simon/Shimon é, em um primeiro momento, mostrar ser um homem bem sucedido e prover suas novas vítimas (com o dinheiro das anteriores). e sem deixar de exercer o segundo eixo do dispositivo masculino: ir para cama com o maior número de mulheres (loiras!) que ele conseguir.
e talvez, no fundo, Shimon/Simon acredite que não esteja cometendo um crime e sim fazendo um favor a todas elas - e concluo isso (antes que venham me acusar de generalização) por não estarmos tratando de um homem qualquer, mas de um estelionatário e possível psicopata.
tive que assistir duas vezes para conseguir digerir o que eu estava vendo.
por fim, obrigada, Ayleen!!!
A Filha Perdida
3.6 583é um filme um tanto incômodo, pois não estamos acostumados a lidar com o abandono materno e de certa forma naturalizamos o paterno. no entanto, é uma boa reflexão de desromantização da maternidade - que pouco tem de romântica na prática.
quanto a personagem Leda: pelo que parece, ela não teve uma boa mãe, e isso refletiu na própria experiência de maternidade que ela teve com suas filhas Bianca e Martha.
o que nos leva a concluir que: a maternidade (assim como a paternidade) não é algo inerente a todos nós e se, mulheres e homens, tivessem essa consciência, teríamos menos filhas (os) perdidos por aí.
não que ser mãe ou pai tenha que ser um peso na vida das pessoas (redes de apoio são importantes!). mas que ao tomar essa decisão, que estes estejam cientes da responsabilidade que estão assumindo.
Monsieur e Madame Adelman
4.1 133 Assista Agorainteressante ver os cortes de narrativas entre o que Sarah narra e o que realmente acontece na vida desse casal.
não há mocinho ou vilão. são duas pessoas potencialmente reais (com virtudes e falhas), inteligentes, interessantes, que viveram intensamente, os prazeres e desprezares, do casamento, da criação dos filhos, enfim, do amor.
O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel
4.4 1,9K Assista Agorameu único arrependimento foi não ter assistido antes (e já quero ler os livros)!
Chico: Artista Brasileiro
4.3 88é sempre bom saber um pouco mais sobre Chico, conhecer mais alguma brecha da sua intimidade - e ainda cantar novamente suas belas canções.
de fato, eu AMO esse homem!
As Virgens Suicidas
3.8 1,4K"então nós começamos a aprender sobre suas vidas... vindo a tornar memórias coletivas de momentos que nunca vivemos. sentimos o aprisionamento de ser uma garota. o jeito que fez de sua mente, uma sonhadora... então você acabou aprendendo quais corem combinavam. nós sabíamos que as meninas eram, na verdade, mulheres fingindo que conheciam o amor e até a morte. e o nosso trabalho era somente criar a impressão do que parecia fasciná-las. nós sabíamos que elas sabiam tudo sobre nós. e que não podíamos entendê-las completamente."
a história dessas cinco meninas é uma metáfora para Sofia Coppola falar sobre o aprisionamento de ser uma garota.
e o quanto esse aprisionamento desde tão cedo molda a nossa existência feminina.
Um Ano em Nova York
3.4 32"queria escrever livros, falar cinco línguas e viajar."
te entendo, Joanna.
Sublocação
3.6 34"não sei, talvez este seja o meu protesto.
deixar este lugar e pensar apenas em mim pelo menos uma vez.
viver de verdade,
não apenas sobreviver."
um filme simples e ao mesmo tempo profundo. uma grata surpresa.
Um Domingo Maravilhoso
4.2 30"Lembra que eu disse: 'sonhos não enchem barriga'?
Eu retiro.
Por quê?
Eu não jantei esta noite, e sequer tenho fome."
Sem querer romantizar a miséria, muito pelo contrário, Kurosawa mostra nesse filme como os sonhos alimentam a alma quando nada mais resta.
O Sétimo Selo
4.4 1,0K Assista AgoraDe fato, Bergman, só a arte pode nos salvar da vida e da morte.