"eu, pessoalmente, não tenho dúvidas. gostaria que elas pudessem viver livres do medo, protegidas pela lei, conscientes da sua própria dignidade. e gostaria que nenhum homem se sentisse no direito de trazê-las de volta a razão, como foi dito antes. ou de as ferir, espancar ou matar. simplesmente para não serem abandonadas. senhores jurados, hoje, com seu veredito, vocês colocam o primeiro tijolo desse futuro. de vocês não depende só a vida da senhora Grazia Fontana ou da filha dela, Mila, de vocês dependem a vida de todas as mulheres que ainda virão."
o filme festa de família , de Vinterberg , é mais uma crítica contundente que o cinema fez ao ideal de família burguesa e conservadora europeia e, por extensão, ocidental. inserido no contexto do movimento Dogma 95, a trama se utiliza de uma estética crua não apenas como escolha formal, mas como dispositivo ético. não há para onde fugir quando o horror emerge.
a estrutura narrativa, concentrada em um único evento, a celebração patriarcal, expõe de maneira quase clínica os mecanismos de negação, silenciamento e manutenção de aparências que sustentam esse modelo familiar. a primeira fala de Christian, ao revelar o estupro sofrido por ele e por sua irmã gêmea Linda, não provoca ruptura alguma. ao contrário, é imediatamente absorvida pelo ritual social. a festa continua. esse é talvez o primeiro gesto mais perturbador do filme, a recusa coletiva em reconhecer o trauma quando ele ameaça a estabilidade simbólica da família.
nas tentativas seguintes de fala, Christian não apenas é desacreditado, mas ativamente reprimido. seu irmão Michael encarna a violência que protege o sistema. agressivo, adúltero, instável, ele ainda assim funciona como guardião da ordem, impedindo que a verdade desestabilize a estrutura. o que está em jogo não é a dúvida sobre o fato, mas o medo das consequências de admiti-lo.é somente na última fala, mediada pela leitura da carta de Linda por Michele, que a verdade se impõe de forma incontornável. a confissão do pai não traz catarse nem redenção. ao contrário, explicita o cinismo absoluto na frase "vocês só serviam pra isso". ainda assim, o que se segue não é a implosão da família, mas a sua continuidade. a festa prossegue. esse dado é central, o reconhecimento do horror não é suficiente para interromper a lógica que o produziu.
a figura da mãe talvez seja uma das mais complexas e perturbadoras. embora não seja a autora direta da violência, sua cumplicidade silenciosa constitui uma segunda camada de violação. ao longo da vida, escolhe preservar a imagem da família em detrimento da proteção dos filhos e, mesmo diante da denúncia, tenta desqualificar a memória de Christian, sugerindo delírio. sua violência é estrutural, ela sustenta o sistema que permite o abuso.
Michele, por sua vez, representa uma contradição aguda. antropóloga, cantora, aparentemente crítica, inclusive diante de manifestações racistas da família, ela também só internaliza a gravidade da situação após a validação masculina do pai. seu saber e sua sensibilidade não são suficientes para romper, de imediato, com o pacto de silêncio. isso evidencia como mesmo sujeitos críticos podem estar capturados por estruturas familiares profundamente hierárquicas.já Michael, apesar de sua brutalidade, é o único que, em algum nível, reconhece o perigo concreto que o pai representa para seus próprios filhos. esse reconhecimento, ainda que tardio e contraditório, sugere uma fissura, mas não uma ruptura.
festa de família constrói, assim, um retrato devastador. o modelo conservador de família não apenas abriga a violência, como depende do seu silenciamento para se manter. a pseudo perfeição é sustentada por pactos implícitos de negação, onde a vítima é constantemente invalidada, questionada e isolada. o filme demonstra que a violência não se limita ao ato inicial, mas se expande e se intensifica a cada tentativa de apagamento.
mais do que denunciar um caso específico, Vinterberg revela um sistema. uma estrutura que prefere preservar sua imagem a confrontar sua verdade, mesmo quando essa verdade é insuportável.
"acredito que livros se tornam parte da nossa vida, eles entram no nosso íntimo mais profundo e, as vezes, permanecem ali pra sempre. nos ajudam a viver porque revelam a nossa verdadeira natureza. uma vez eu ouvi alguém dizer: 'a literatura é como uma ambulância correndo pela noite para salvar alguém'. (...) mas o que eu estou dizendo, é que, pessoalmente, o que eu exijo de escritores, pintores e músicos, é que me ofereçam a centelha poética que não existe na vida. o que eu quero que a literatura faça é me lembrar que eu sou apenas humana. e que me ajude a entender meus medos, minhas tristezas, minhas dificuldades."
a série constrói um suspense psicológico que ultrapassa a simples investigação de um desaparecimento: pois mergulha no modo como o trauma, a culpa e a autopreservação moldam comportamentos. ao longo dos episódios, torna-se evidente que não há inocentes naquela vizinhança: há sobreviventes, cúmplices e pessoas desesperadas para deslocar a culpa para o outro, como forma de manter intacta a própria imagem.
nile é o monstro mais explícito. manipulador, violento e narcisista, ele representa a ameaça reconhecível, aquilo que o público identifica prontamente como “o mal”. porém, sua função na trama vai além disso: ele serve como espelho, como lente de aumento que revela o lado obscuro de quem o cerca. sua monstruosidade, portanto, não o isola; ela expõe o que os outros tentam ocultar.
já aggie é apresentada como vítima: mãe enlutada, escritora em bloqueio, mulher vulnerável à intromissão do vizinho perturbador. no entanto, a série aos poucos revela camadas que a afastam do papel da “heroína sensata”. o acidente que matou seu filho é atribuído ao motorista bêbado, mas aggie também falava ao telefone no momento do acidente. incapaz de enfrentar essa verdade, ela projeta toda monstruosidade no outro, como se a obsessão por desvendar nile pudesse apagar a culpa que tenta enterrar.
enquanto nina é uma figura trágica não pela inocência, mas pela consciência de sua participação na teia de destruição. ela sabe que maggie tinha um histórico de depressão, ainda assim se envolveu com o marido dela e revelou a traição num momento de extrema vulnerabilidade da amiga. sua posterior permanência ao lado de nile, quase como uma rendição silenciosa, transforma a normalização do horror numa estratégia de sobrevivência. ela não cria o monstro, mas aceita conviver com ele: e esse pacto também a contamina.
o ponto de convergência desses personagens é a tentativa de sustentar uma ficção: “eu não sou o monstro”. nile culpa o mundo por provocar seus impulsos. aggie culpa o motorista bêbado para não carregar a própria responsabilidade. nina culpa a fragilidade de maggie para não enfrentar o peso de suas escolhas.
cada um constrói um inimigo para evitar o colapso interior, e essa recusa compartilhada em assumir as próprias falhas cria a verdadeira atmosfera de terror da série. não se trata apenas de descobrir quem fez o quê, mas de observar até onde cada um vai para preservar sua vontade de inocência.
em meio a falhas tão humanas, é nesse ponto que a série devolve ao espectador sua pergunta mais inquietante: o que cada um de nós faz para não encarar o próprio monstro?
a série constrói uma teia de poder marcada por ambição, alianças e traições, mas já na metade da temporada o personagem búfalo se torna dispensável diante de figuras mais complexas. é com leila e profeta que a narrativa ganha profundidade: ela, uma estrategista que transita entre segredos e frieza; ele, um manipulador silencioso sempre à frente dos acontecimentos.
ainda assim, as irmãs susana e mirna não devem ser subestimadas: carregadas de informação, ressentimento e potencial para se tornarem centrais na próxima fase.
para a segunda temporada, surgem expectativas: santiago, filho de leila, pode tentar assumir um papel no tabuleiro de poder; o possível romance entre nelinho e tamires traz uma trégua emocional em meio ao caos; e o retorno de esqueleto pode reabrir segredos e alianças antigas. já as tramóias de renzo e marcinho seguem como uma ameaça persistente aos que tentam manter o controle da cúpula, que dá sinais de desgaste e possível ruína.
assim, já prepara o terreno para uma nova temporada mais tensa e imprevisível, onde o poder pode mudar de mãos a qualquer momento.
o filme acompanha um jovem corretor financeiro que, ao buscar um executivo em um spa nos Alpes suíços, é arrastado para uma jornada que mistura ciência degenerada, manipulação genética e horror .
a “cura” prometida pelo "homem da ciência" Volmer expõe uma contradição: as cobaias não são pessoas comuns, mas a elite global, CEOs e milionários, cuja humanidade já foi quase esvaziada pela própria lógica de exploração.
em seu final, o filme mostra que a libertação não está apenas no retorno ao mundo ordinário, mas na ruptura com sua ordem. nesse sentido, trata-se menos de um thriller de horror e mais de uma alegoria sobre o colapso ético da modernidade e a necessidade de transformação interior diante do vazio produzido pela ambição patológica.
“Talvez, num futuro apocalipse, essas ruínas revelem que esses prédios foram construídos não para impor a vontade da maioria, nem a vontade de Deus, mas, para proteger o que é vulnerável da força bruta. Em grego 'apolálypsis' não significa o fim do mundo. Mas, sim, um desvelar. Uma revelação. A chance de abrir os olhos.”
um soco no estômago. sobre como o racismo, a misoginia, a pobreza, a maternidade solo, junto as injustiças cotidianas que a soma de tudo isso acarretam, levam uma pessoa ao limite da sanidade. Freud já dizia que o sofrimento tem três fontes principais: o corpo, o mundo externo e o relação que estabelecemos com as outras pessoas. no caso dessa mulher e mãe, há o cansaço do corpo, o peso desse mundo que não a acolhe e a convivência com pessoas que não tem a menor empatia pelo que ela passa. sofrimento adoece. e quem não chorou com esse filme, talvez não seja capaz de reconhecer o sofrimento em si mesmo, quem dirá nos outros.
“Em outra vida eu era uma rainha”, disse Dona Thereza, enquanto estava sentada sozinha fumando um cigarro em frente a uma moradia humilde em uma véspera de Natal.
Relatou que havia acordado cedo naquele dia para ir preparar a ceia dos patrões: que tinha peru com champanhe importado e pernil com melaço - e que, segundo ela, estava uma delícia.
De volta a sua casa, disse a Coutinho que em parte era feliz, mas em outras, nunca seria. E em seguida o convida para ver seus bisnetos dormindo protegidos pelas orações e imagens de divindades/santos ao redor.
Nesta morada pequena, com uma ceia simples, exausta de um dia (e uma vida inteira) de trabalho árduo, esta senhora que um dia foi rainha tem a certeza de que Deus, Deuses, entidades e encantados cuidam dela e dos seus.
E sobrevivem, em meio as mazelas da escravidão na pós-abolição, com a grandeza de realeza.
Kristen Wiig brilhou representando Maxine, uma personagem tanto carismática quanto complexa. E ainda que a série tenha um ritmo um tanto irregular, o tom crítico sarcástico faz cada episódio valer a pena.
A única verdade é que nunca saberemos o que de fato aconteceu com Asunta. Só não nos resta dúvidas de que duas pessoas mentalmente instáveis conseguiram adotar uma menina devido ao padrão financeiro estável. E mais: o que me assusta é pensar que o fizeram à ela em vida pode ter sido tão pior do que aconteceu por fim.
Ted Lasso segue a risca o ensinamento de nosso mestre Gil de que "é um absurdo ganhar sempre, isso não faz parte da lógica do jogo". Uma série leve e divertida que nos ensina que, ganhando ou perdendo, o importante mesmo é manter o humor.
"Toda essa tragédia acaba virando um programa de rádio para entretenimento, e enquanto estou fazendo o filme, percebo também que estamos fazendo entretenimento. Portanto, as últimas palavras precisavam ser ditas por mim, assumindo a culpa de fazer parte de uma cultura que é cúmplice." (Scorsese, 2023).
Não há romantização do cangaço, há poética por se tratar de cinema, de narrativa, de arte. Entre os cangaceiros retratados, existem os mais diversos perfis de seres humanos: assassinos, estupradores, ambiciosos, violentos. Perfis estes de pessoas que poderiam integrar ou não uma organização criminosa. Afinal, o político que tira água do povo e manda matar pessoas/famílias é melhor que algum deles?
Contudo, em meio há tanta violência e adversidades, também há amores, desamores, traumas familiares, sonhos e senso comunitário.
E para ambientar tudo isso, Cangaço Novo nos presenteia com belas imagens do sertão cearense e sua fé, costumes regionais e motivações de um povo por uma vida de existência e não apenas sobrevivência.
documentário interessante, no entanto inconclusivo. é interessante como apresenta as narrativas e os contrapontos as mesmas, mas o final deixa alguns fios soltos: não há aparição do médico indiano (o que garante que ele disse a verdade?); não se desvenda como a conta dele do zoom foi acessada depois de seu falecimento (se supostamente ninguém possuía acesso ao seu computador); estranho pensar na não participação de Omar/Michael no esquema ponzi; e afinal, cadê a tal autópsia do corpo?
e o que me garante que esse cara não planejou ter ido a Índia para fazer um testamento deixando tudo para sua esposa 12 dias antes de "morrer" e logo em seguida ter "sumido" com cerca de 150 milhões de dólares (supostamente perdidos), e estar vivo por aí? caso sim, ele é um psicopata e um gênio.
quem não gostou desse filme, ou é cult demais ou não entendeu a profundidade por trás das pseudo-bizarrices.
o tal monstro e os multiversos que perseguem a protagonista é uma metáfora em relação às frustrações que acumulamos ao longo da vida e que por ventura podemos projetar nas pessoas ao nosso redor.
ao se perceber como a única pessoa responsável por seus fracassos, sucessos, escolhas e ações, isso culmina em uma virada na mentalidade da personagem, e faz com que esta passe a olhar para si, para as outros e para a vida com mais empatia e compaixão.
afinal, quando a gente se enxerga em complexidade, nos tornamos mais compreensivos a complexidade dos outros e da vida em si.
Em um dado momento da série, Gil conta que é adepto radical da bondade. E a gente vê como isso se estende a sua música, sua vida, e na convivência com a família.
As Leis de Lidia Poët (3ª Temporada)
3.8 8 Assista Agora"eu, pessoalmente, não tenho dúvidas.
gostaria que elas pudessem viver livres do medo, protegidas pela lei, conscientes da sua própria dignidade.
e gostaria que nenhum homem se sentisse no direito de trazê-las de volta a razão, como foi dito antes. ou de as ferir, espancar ou matar.
simplesmente para não serem abandonadas.
senhores jurados, hoje, com seu veredito, vocês colocam o primeiro tijolo desse futuro.
de vocês não depende só a vida da senhora Grazia Fontana ou da filha dela, Mila, de vocês dependem a vida de todas as mulheres que ainda virão."
Festa de Família
4.2 418o filme festa de família , de Vinterberg , é mais uma crítica contundente que o cinema fez ao ideal de família burguesa e conservadora europeia e, por extensão, ocidental. inserido no contexto do movimento Dogma 95, a trama se utiliza de uma estética crua não apenas como escolha formal, mas como dispositivo ético. não há para onde fugir quando o horror emerge.
a estrutura narrativa, concentrada em um único evento, a celebração patriarcal, expõe de maneira quase clínica os mecanismos de negação, silenciamento e manutenção de aparências que sustentam esse modelo familiar. a primeira fala de Christian, ao revelar o estupro sofrido por ele e por sua irmã gêmea Linda, não provoca ruptura alguma. ao contrário, é imediatamente absorvida pelo ritual social. a festa continua. esse é talvez o primeiro gesto mais perturbador do filme, a recusa coletiva em reconhecer o trauma quando ele ameaça a estabilidade simbólica da família.
nas tentativas seguintes de fala, Christian não apenas é desacreditado, mas ativamente reprimido. seu irmão Michael encarna a violência que protege o sistema. agressivo, adúltero, instável, ele ainda assim funciona como guardião da ordem, impedindo que a verdade desestabilize a estrutura. o que está em jogo não é a dúvida sobre o fato, mas o medo das consequências de admiti-lo.é somente na última fala, mediada pela leitura da carta de Linda por Michele, que a verdade se impõe de forma incontornável. a confissão do pai não traz catarse nem redenção. ao contrário, explicita o cinismo absoluto na frase "vocês só serviam pra isso". ainda assim, o que se segue não é a implosão da família, mas a sua continuidade. a festa prossegue. esse dado é central, o reconhecimento do horror não é suficiente para interromper a lógica que o produziu.
a figura da mãe talvez seja uma das mais complexas e perturbadoras. embora não seja a autora direta da violência, sua cumplicidade silenciosa constitui uma segunda camada de violação. ao longo da vida, escolhe preservar a imagem da família em detrimento da proteção dos filhos e, mesmo diante da denúncia, tenta desqualificar a memória de Christian, sugerindo delírio. sua violência é estrutural, ela sustenta o sistema que permite o abuso.
Michele, por sua vez, representa uma contradição aguda. antropóloga, cantora, aparentemente crítica, inclusive diante de manifestações racistas da família, ela também só internaliza a gravidade da situação após a validação masculina do pai. seu saber e sua sensibilidade não são suficientes para romper, de imediato, com o pacto de silêncio. isso evidencia como mesmo sujeitos críticos podem estar capturados por estruturas familiares profundamente hierárquicas.já Michael, apesar de sua brutalidade, é o único que, em algum nível, reconhece o perigo concreto que o pai representa para seus próprios filhos. esse reconhecimento, ainda que tardio e contraditório, sugere uma fissura, mas não uma ruptura.
festa de família constrói, assim, um retrato devastador. o modelo conservador de família não apenas abriga a violência, como depende do seu silenciamento para se manter. a pseudo perfeição é sustentada por pactos implícitos de negação, onde a vítima é constantemente invalidada, questionada e isolada. o filme demonstra que a violência não se limita ao ato inicial, mas se expande e se intensifica a cada tentativa de apagamento.
mais do que denunciar um caso específico, Vinterberg revela um sistema. uma estrutura que prefere preservar sua imagem a confrontar sua verdade, mesmo quando essa verdade é insuportável.
Jane Austen Arruinou Minha Vida
2.8 11"acredito que livros se tornam parte da nossa vida,
eles entram no nosso íntimo mais profundo e,
as vezes, permanecem ali pra sempre.
nos ajudam a viver porque revelam a nossa verdadeira natureza.
uma vez eu ouvi alguém dizer: 'a literatura é como uma ambulância correndo pela noite para salvar alguém'.
(...)
mas o que eu estou dizendo,
é que, pessoalmente, o que eu exijo de escritores, pintores e músicos, é que me ofereçam a centelha poética que não existe na vida.
o que eu quero que a literatura faça é me lembrar que eu sou apenas humana.
e que me ajude a entender meus medos, minhas tristezas, minhas dificuldades."
Virgem Maria
2.8 58 Assista Agora"o amor custa caro,
perfura o seu coração.
mas no final,
o amor vai salvar o mundo."
O Monstro em Mim
3.6 92 Assista Agoraa série constrói um suspense psicológico que ultrapassa a simples investigação de um desaparecimento: pois mergulha no modo como o trauma, a culpa e a autopreservação moldam comportamentos. ao longo dos episódios, torna-se evidente que não há inocentes naquela vizinhança: há sobreviventes, cúmplices e pessoas desesperadas para deslocar a culpa para o outro, como forma de manter intacta a própria imagem.
nile é o monstro mais explícito. manipulador, violento e narcisista, ele representa a ameaça reconhecível, aquilo que o público identifica prontamente como “o mal”. porém, sua função na trama vai além disso: ele serve como espelho, como lente de aumento que revela o lado obscuro de quem o cerca. sua monstruosidade, portanto, não o isola; ela expõe o que os outros tentam ocultar.
já aggie é apresentada como vítima: mãe enlutada, escritora em bloqueio, mulher vulnerável à intromissão do vizinho perturbador. no entanto, a série aos poucos revela camadas que a afastam do papel da “heroína sensata”. o acidente que matou seu filho é atribuído ao motorista bêbado, mas aggie também falava ao telefone no momento do acidente. incapaz de enfrentar essa verdade, ela projeta toda monstruosidade no outro, como se a obsessão por desvendar nile pudesse apagar a culpa que tenta enterrar.
enquanto nina é uma figura trágica não pela inocência, mas pela consciência de sua participação na teia de destruição. ela sabe que maggie tinha um histórico de depressão, ainda assim se envolveu com o marido dela e revelou a traição num momento de extrema vulnerabilidade da amiga. sua posterior permanência ao lado de nile, quase como uma rendição silenciosa, transforma a normalização do horror numa estratégia de sobrevivência. ela não cria o monstro, mas aceita conviver com ele: e esse pacto também a contamina.
o ponto de convergência desses personagens é a tentativa de sustentar uma ficção: “eu não sou o monstro”. nile culpa o mundo por provocar seus impulsos. aggie culpa o motorista bêbado para não carregar a própria responsabilidade. nina culpa a fragilidade de maggie para não enfrentar o peso de suas escolhas.
cada um constrói um inimigo para evitar o colapso interior, e essa recusa compartilhada em assumir as próprias falhas cria a verdadeira atmosfera de terror da série. não se trata apenas de descobrir quem fez o quê, mas de observar até onde cada um vai para preservar sua vontade de inocência.
em meio a falhas tão humanas, é nesse ponto que a série devolve ao espectador sua pergunta mais inquietante: o que cada um de nós faz para não encarar o próprio monstro?
Os Donos do Jogo (1ª Temporada)
3.8 73 Assista Agoraa série constrói uma teia de poder marcada por ambição, alianças e traições, mas já na metade da temporada o personagem búfalo se torna dispensável diante de figuras mais complexas. é com leila e profeta que a narrativa ganha profundidade: ela, uma estrategista que transita entre segredos e frieza; ele, um manipulador silencioso sempre à frente dos acontecimentos.
ainda assim, as irmãs susana e mirna não devem ser subestimadas: carregadas de informação, ressentimento e potencial para se tornarem centrais na próxima fase.
para a segunda temporada, surgem expectativas: santiago, filho de leila, pode tentar assumir um papel no tabuleiro de poder; o possível romance entre nelinho e tamires traz uma trégua emocional em meio ao caos; e o retorno de esqueleto pode reabrir segredos e alianças antigas. já as tramóias de renzo e marcinho seguem como uma ameaça persistente aos que tentam manter o controle da cúpula, que dá sinais de desgaste e possível ruína.
assim, já prepara o terreno para uma nova temporada mais tensa e imprevisível, onde o poder pode mudar de mãos a qualquer momento.
Caramelo
3.6 239 Assista AgoraNão chorava assim com um filme desde essa sequência: Marley & Eu, Sempre ao Seu Lado, e A Culpa é das Estrelas. Fofo e emocionante na medida certa!
A Cura
3.0 728 Assista Agorao filme acompanha um jovem corretor financeiro que, ao buscar um executivo em um spa nos Alpes suíços, é arrastado para uma jornada que mistura ciência degenerada, manipulação genética e horror .
a “cura” prometida pelo "homem da ciência" Volmer expõe uma contradição: as cobaias não são pessoas comuns, mas a elite global, CEOs e milionários, cuja humanidade já foi quase esvaziada pela própria lógica de exploração.
em seu final, o filme mostra que a libertação não está apenas no retorno ao mundo ordinário, mas na ruptura com sua ordem. nesse sentido, trata-se menos de um thriller de horror e mais de uma alegoria sobre o colapso ético da modernidade e a necessidade de transformação interior diante do vazio produzido pela ambição patológica.
Apocalipse nos Trópicos
3.8 189 Assista Agora“Talvez, num futuro apocalipse, essas ruínas revelem que esses prédios foram construídos não para impor a vontade da maioria, nem a vontade de Deus, mas, para proteger o que é vulnerável da força bruta. Em grego 'apolálypsis' não significa o fim do mundo. Mas, sim, um desvelar. Uma revelação. A chance de abrir os olhos.”
Homem com H
4.2 534 Assista Agora"as pessoas criticam em mim o que elas reconhecem em si mesmas."
Ney Matogrosso é homem com H mesmo!
e Jesuíta Barbosa sendo genial!
Até a Última Gota
3.3 169 Assista Agoraum soco no estômago.
sobre como o racismo, a misoginia, a pobreza, a maternidade solo, junto as injustiças cotidianas que a soma de tudo isso acarretam, levam uma pessoa ao limite da sanidade.
Freud já dizia que o sofrimento tem três fontes principais: o corpo, o mundo externo e o relação que estabelecemos com as outras pessoas.
no caso dessa mulher e mãe, há o cansaço do corpo, o peso desse mundo que não a acolhe e a convivência com pessoas que não tem a menor empatia pelo que ela passa.
sofrimento adoece. e quem não chorou com esse filme, talvez não seja capaz de reconhecer o sofrimento em si mesmo, quem dirá nos outros.
Santo Forte
4.1 56“Em outra vida eu era uma rainha”, disse Dona Thereza, enquanto estava sentada sozinha fumando um cigarro em frente a uma moradia humilde em uma véspera de Natal.
Relatou que havia acordado cedo naquele dia para ir preparar a ceia dos patrões: que tinha peru com champanhe importado e pernil com melaço - e que, segundo ela, estava uma delícia.
De volta a sua casa, disse a Coutinho que em parte era feliz, mas em outras, nunca seria. E em seguida o convida para ver seus bisnetos dormindo protegidos pelas orações e imagens de divindades/santos ao redor.
Nesta morada pequena, com uma ceia simples, exausta de um dia (e uma vida inteira) de trabalho árduo, esta senhora que um dia foi rainha tem a certeza de que Deus, Deuses, entidades e encantados cuidam dela e dos seus.
E sobrevivem, em meio as mazelas da escravidão na pós-abolição, com a grandeza de realeza.
O Conto da Aia (2ª Temporada)
4.5 1,3K Assista Agora"Homens têm medo que as mulheres riam deles.
Mulheres têm medo que os homens as matem."
O Conto da Aia (1ª Temporada)
4.7 1,5K Assista AgoraSerá que esta distopia não está cada vez mais próxima?
Palm Royale (1ª Temporada)
3.6 22 Assista AgoraKristen Wiig brilhou representando Maxine, uma personagem tanto carismática quanto complexa. E ainda que a série tenha um ritmo um tanto irregular, o tom crítico sarcástico faz cada episódio valer a pena.
O Caso Asunta
3.2 48 Assista AgoraA única verdade é que nunca saberemos o que de fato aconteceu com Asunta.
Só não nos resta dúvidas de que duas pessoas mentalmente instáveis conseguiram adotar uma menina devido ao padrão financeiro estável. E mais: o que me assusta é pensar que o fizeram à ela em vida pode ter sido tão pior do que aconteceu por fim.
Ted Lasso (1ª Temporada)
4.4 282 Assista AgoraTed Lasso segue a risca o ensinamento de nosso mestre Gil de que "é um absurdo ganhar sempre, isso não faz parte da lógica do jogo". Uma série leve e divertida que nos ensina que, ganhando ou perdendo, o importante mesmo é manter o humor.
Assassinos da Lua das Flores
4.0 668 Assista Agora"Toda essa tragédia acaba virando um programa de rádio para entretenimento, e enquanto estou fazendo o filme, percebo também que estamos fazendo entretenimento. Portanto, as últimas palavras precisavam ser ditas por mim, assumindo a culpa de fazer parte de uma cultura que é cúmplice." (Scorsese, 2023).
Cangaço Novo (1ª Temporada)
4.4 227 Assista AgoraNão há romantização do cangaço, há poética por se tratar de cinema, de narrativa, de arte. Entre os cangaceiros retratados, existem os mais diversos perfis de seres humanos: assassinos, estupradores, ambiciosos, violentos. Perfis estes de pessoas que poderiam integrar ou não uma organização criminosa. Afinal, o político que tira água do povo e manda matar pessoas/famílias é melhor que algum deles?
Contudo, em meio há tanta violência e adversidades, também há amores, desamores, traumas familiares, sonhos e senso comunitário.
E para ambientar tudo isso, Cangaço Novo nos presenteia com belas imagens do sertão cearense e sua fé, costumes regionais e motivações de um povo por uma vida de existência e não apenas sobrevivência.
Não Confie em Ninguém: A Caça ao Rei da Criptomoeda
3.2 17documentário interessante, no entanto inconclusivo.
é interessante como apresenta as narrativas e os contrapontos as mesmas, mas o final deixa alguns fios soltos: não há aparição do médico indiano (o que garante que ele disse a verdade?); não se desvenda como a conta dele do zoom foi acessada depois de seu falecimento (se supostamente ninguém possuía acesso ao seu computador); estranho pensar na não participação de Omar/Michael no esquema ponzi; e afinal, cadê a tal autópsia do corpo?
e o que me garante que esse cara não planejou ter ido a Índia para fazer um testamento deixando tudo para sua esposa 12 dias antes de "morrer" e logo em seguida ter "sumido" com cerca de 150 milhões de dólares (supostamente perdidos), e estar vivo por aí? caso sim, ele é um psicopata e um gênio.
Um Vento Sagrado
4.4 2"Fé é a confiança em Deus, nos Orixás e em si mesmo."
sábio e iluminado Pai Agenor <3
Tudo em Todo O Lugar ao Mesmo Tempo
4.0 2,1K Assista Agoraquem não gostou desse filme, ou é cult demais ou não entendeu a profundidade por trás das pseudo-bizarrices.
o tal monstro e os multiversos que perseguem a protagonista é uma metáfora em relação às frustrações que acumulamos ao longo da vida e que por ventura podemos projetar nas pessoas ao nosso redor.
ao se perceber como a única pessoa responsável por seus fracassos, sucessos, escolhas e ações, isso culmina em uma virada na mentalidade da personagem, e faz com que esta passe a olhar para si, para as outros e para a vida com mais empatia e compaixão.
afinal, quando a gente se enxerga em complexidade, nos tornamos mais compreensivos a complexidade dos outros e da vida em si.
Educação
3.8 1,2Ka educação é importante para todos, mas é essencial para as mulheres. por mais enganos que tenhamos pelo caminho: meninas, estudem!
Em Casa com os Gil (1ª Temporada)
4.5 28 Assista AgoraEm um dado momento da série, Gil conta que é adepto radical da bondade. E a gente vê como isso se estende a sua música, sua vida, e na convivência com a família.