"eu, pessoalmente, não tenho dúvidas. gostaria que elas pudessem viver livres do medo, protegidas pela lei, conscientes da sua própria dignidade. e gostaria que nenhum homem se sentisse no direito de trazê-las de volta a razão, como foi dito antes. ou de as ferir, espancar ou matar. simplesmente para não serem abandonadas. senhores jurados, hoje, com seu veredito, vocês colocam o primeiro tijolo desse futuro. de vocês não depende só a vida da senhora Grazia Fontana ou da filha dela, Mila, de vocês dependem a vida de todas as mulheres que ainda virão."
a série constrói um suspense psicológico que ultrapassa a simples investigação de um desaparecimento: pois mergulha no modo como o trauma, a culpa e a autopreservação moldam comportamentos. ao longo dos episódios, torna-se evidente que não há inocentes naquela vizinhança: há sobreviventes, cúmplices e pessoas desesperadas para deslocar a culpa para o outro, como forma de manter intacta a própria imagem.
nile é o monstro mais explícito. manipulador, violento e narcisista, ele representa a ameaça reconhecível, aquilo que o público identifica prontamente como “o mal”. porém, sua função na trama vai além disso: ele serve como espelho, como lente de aumento que revela o lado obscuro de quem o cerca. sua monstruosidade, portanto, não o isola; ela expõe o que os outros tentam ocultar.
já aggie é apresentada como vítima: mãe enlutada, escritora em bloqueio, mulher vulnerável à intromissão do vizinho perturbador. no entanto, a série aos poucos revela camadas que a afastam do papel da “heroína sensata”. o acidente que matou seu filho é atribuído ao motorista bêbado, mas aggie também falava ao telefone no momento do acidente. incapaz de enfrentar essa verdade, ela projeta toda monstruosidade no outro, como se a obsessão por desvendar nile pudesse apagar a culpa que tenta enterrar.
enquanto nina é uma figura trágica não pela inocência, mas pela consciência de sua participação na teia de destruição. ela sabe que maggie tinha um histórico de depressão, ainda assim se envolveu com o marido dela e revelou a traição num momento de extrema vulnerabilidade da amiga. sua posterior permanência ao lado de nile, quase como uma rendição silenciosa, transforma a normalização do horror numa estratégia de sobrevivência. ela não cria o monstro, mas aceita conviver com ele: e esse pacto também a contamina.
o ponto de convergência desses personagens é a tentativa de sustentar uma ficção: “eu não sou o monstro”. nile culpa o mundo por provocar seus impulsos. aggie culpa o motorista bêbado para não carregar a própria responsabilidade. nina culpa a fragilidade de maggie para não enfrentar o peso de suas escolhas.
cada um constrói um inimigo para evitar o colapso interior, e essa recusa compartilhada em assumir as próprias falhas cria a verdadeira atmosfera de terror da série. não se trata apenas de descobrir quem fez o quê, mas de observar até onde cada um vai para preservar sua vontade de inocência.
em meio a falhas tão humanas, é nesse ponto que a série devolve ao espectador sua pergunta mais inquietante: o que cada um de nós faz para não encarar o próprio monstro?
a série constrói uma teia de poder marcada por ambição, alianças e traições, mas já na metade da temporada o personagem búfalo se torna dispensável diante de figuras mais complexas. é com leila e profeta que a narrativa ganha profundidade: ela, uma estrategista que transita entre segredos e frieza; ele, um manipulador silencioso sempre à frente dos acontecimentos.
ainda assim, as irmãs susana e mirna não devem ser subestimadas: carregadas de informação, ressentimento e potencial para se tornarem centrais na próxima fase.
para a segunda temporada, surgem expectativas: santiago, filho de leila, pode tentar assumir um papel no tabuleiro de poder; o possível romance entre nelinho e tamires traz uma trégua emocional em meio ao caos; e o retorno de esqueleto pode reabrir segredos e alianças antigas. já as tramóias de renzo e marcinho seguem como uma ameaça persistente aos que tentam manter o controle da cúpula, que dá sinais de desgaste e possível ruína.
assim, já prepara o terreno para uma nova temporada mais tensa e imprevisível, onde o poder pode mudar de mãos a qualquer momento.
Kristen Wiig brilhou representando Maxine, uma personagem tanto carismática quanto complexa. E ainda que a série tenha um ritmo um tanto irregular, o tom crítico sarcástico faz cada episódio valer a pena.
A única verdade é que nunca saberemos o que de fato aconteceu com Asunta. Só não nos resta dúvidas de que duas pessoas mentalmente instáveis conseguiram adotar uma menina devido ao padrão financeiro estável. E mais: o que me assusta é pensar que o fizeram à ela em vida pode ter sido tão pior do que aconteceu por fim.
Ted Lasso segue a risca o ensinamento de nosso mestre Gil de que "é um absurdo ganhar sempre, isso não faz parte da lógica do jogo". Uma série leve e divertida que nos ensina que, ganhando ou perdendo, o importante mesmo é manter o humor.
Não há romantização do cangaço, há poética por se tratar de cinema, de narrativa, de arte. Entre os cangaceiros retratados, existem os mais diversos perfis de seres humanos: assassinos, estupradores, ambiciosos, violentos. Perfis estes de pessoas que poderiam integrar ou não uma organização criminosa. Afinal, o político que tira água do povo e manda matar pessoas/famílias é melhor que algum deles?
Contudo, em meio há tanta violência e adversidades, também há amores, desamores, traumas familiares, sonhos e senso comunitário.
E para ambientar tudo isso, Cangaço Novo nos presenteia com belas imagens do sertão cearense e sua fé, costumes regionais e motivações de um povo por uma vida de existência e não apenas sobrevivência.
Em um dado momento da série, Gil conta que é adepto radical da bondade. E a gente vê como isso se estende a sua música, sua vida, e na convivência com a família.
Miranda, obrigada por ter sido a melhor personagem. Samantha, obrigada por ter em muitos momentos carregado essa série nas costas. Steve e Aidan, obrigada por terem sido os melhores personagens masculinos e nos mostrarem que ainda existem alguns caras legais. Harry e Smith, obrigada por terem sido os melhores parceiros que Charlotte e Samantha poderiam ter. Carrie e Charlotte, obrigada por terem me ensinado quem eu não quero ser na vida (apesar de reconhecer o desenvolvimento da York ao longo das temporadas). Carrie e Big, vocês se merecem.
Uma moça na plateia perguntou a Francis se o politicamente correto era sufocante e ela respondeu que continuava respirando muito bem. E sabe por quê? Porque ela sabe ser polemista sem ser desrespeitosa - e de forma genial. Por mais Francis no mundo.
Tinha potencial para ser uma ótima série por tratar de temas como maternidade solo e adoção, porém acabou sendo só boa, mas não boa o suficiente para ter uma segunda temporada.
Em meio a uma pandemia de violência contra a mulher dentro da pandemia do coronavírus no Brasil, esta série se faz ainda mais necessária. E que baita orgulho o fato de ser uma produção brasileira!
P.S: excelentes atuações, com destaque para o brilhantismo de Camila Morgado!
É uma série super leve com uma linda fotografia da cidade de Paris! Já quanto as críticas que vem recebendo dos franceses, é merecidíssimo também. Quero ver fazer uma série sobre o seu país te estereotipando de arrogante, paquerador, esnobe, preguiçoso e não muito higiênico e você ainda ter que engolir e aplaudir.
Michaela descarta uma análise simplista e uma visão taxativa acerca dos indivíduos e dos acontecimentos ao longo da trama — convidando-nos assim, juntamente à ela (a partir da dualidade autora e personagem), a refletir de forma subjetiva (sob diversas perspectivas) e profunda (sem cair na tentação bem e mal). O "resultado" dessa experiência terapêutica, na qual ela viveu, roteirizou, filmou e por fim nos inseriu, não estava no final, mas na verdade no processo, que parte da reflexão de um todo (e dela mesma) em complexidade.
As Leis de Lidia Poët (3ª Temporada)
3.8 8 Assista Agora"eu, pessoalmente, não tenho dúvidas.
gostaria que elas pudessem viver livres do medo, protegidas pela lei, conscientes da sua própria dignidade.
e gostaria que nenhum homem se sentisse no direito de trazê-las de volta a razão, como foi dito antes. ou de as ferir, espancar ou matar.
simplesmente para não serem abandonadas.
senhores jurados, hoje, com seu veredito, vocês colocam o primeiro tijolo desse futuro.
de vocês não depende só a vida da senhora Grazia Fontana ou da filha dela, Mila, de vocês dependem a vida de todas as mulheres que ainda virão."
O Monstro em Mim
3.6 92 Assista Agoraa série constrói um suspense psicológico que ultrapassa a simples investigação de um desaparecimento: pois mergulha no modo como o trauma, a culpa e a autopreservação moldam comportamentos. ao longo dos episódios, torna-se evidente que não há inocentes naquela vizinhança: há sobreviventes, cúmplices e pessoas desesperadas para deslocar a culpa para o outro, como forma de manter intacta a própria imagem.
nile é o monstro mais explícito. manipulador, violento e narcisista, ele representa a ameaça reconhecível, aquilo que o público identifica prontamente como “o mal”. porém, sua função na trama vai além disso: ele serve como espelho, como lente de aumento que revela o lado obscuro de quem o cerca. sua monstruosidade, portanto, não o isola; ela expõe o que os outros tentam ocultar.
já aggie é apresentada como vítima: mãe enlutada, escritora em bloqueio, mulher vulnerável à intromissão do vizinho perturbador. no entanto, a série aos poucos revela camadas que a afastam do papel da “heroína sensata”. o acidente que matou seu filho é atribuído ao motorista bêbado, mas aggie também falava ao telefone no momento do acidente. incapaz de enfrentar essa verdade, ela projeta toda monstruosidade no outro, como se a obsessão por desvendar nile pudesse apagar a culpa que tenta enterrar.
enquanto nina é uma figura trágica não pela inocência, mas pela consciência de sua participação na teia de destruição. ela sabe que maggie tinha um histórico de depressão, ainda assim se envolveu com o marido dela e revelou a traição num momento de extrema vulnerabilidade da amiga. sua posterior permanência ao lado de nile, quase como uma rendição silenciosa, transforma a normalização do horror numa estratégia de sobrevivência. ela não cria o monstro, mas aceita conviver com ele: e esse pacto também a contamina.
o ponto de convergência desses personagens é a tentativa de sustentar uma ficção: “eu não sou o monstro”. nile culpa o mundo por provocar seus impulsos. aggie culpa o motorista bêbado para não carregar a própria responsabilidade. nina culpa a fragilidade de maggie para não enfrentar o peso de suas escolhas.
cada um constrói um inimigo para evitar o colapso interior, e essa recusa compartilhada em assumir as próprias falhas cria a verdadeira atmosfera de terror da série. não se trata apenas de descobrir quem fez o quê, mas de observar até onde cada um vai para preservar sua vontade de inocência.
em meio a falhas tão humanas, é nesse ponto que a série devolve ao espectador sua pergunta mais inquietante: o que cada um de nós faz para não encarar o próprio monstro?
Os Donos do Jogo (1ª Temporada)
3.8 73 Assista Agoraa série constrói uma teia de poder marcada por ambição, alianças e traições, mas já na metade da temporada o personagem búfalo se torna dispensável diante de figuras mais complexas. é com leila e profeta que a narrativa ganha profundidade: ela, uma estrategista que transita entre segredos e frieza; ele, um manipulador silencioso sempre à frente dos acontecimentos.
ainda assim, as irmãs susana e mirna não devem ser subestimadas: carregadas de informação, ressentimento e potencial para se tornarem centrais na próxima fase.
para a segunda temporada, surgem expectativas: santiago, filho de leila, pode tentar assumir um papel no tabuleiro de poder; o possível romance entre nelinho e tamires traz uma trégua emocional em meio ao caos; e o retorno de esqueleto pode reabrir segredos e alianças antigas. já as tramóias de renzo e marcinho seguem como uma ameaça persistente aos que tentam manter o controle da cúpula, que dá sinais de desgaste e possível ruína.
assim, já prepara o terreno para uma nova temporada mais tensa e imprevisível, onde o poder pode mudar de mãos a qualquer momento.
O Conto da Aia (2ª Temporada)
4.5 1,3K Assista Agora"Homens têm medo que as mulheres riam deles.
Mulheres têm medo que os homens as matem."
O Conto da Aia (1ª Temporada)
4.7 1,5K Assista AgoraSerá que esta distopia não está cada vez mais próxima?
Palm Royale (1ª Temporada)
3.6 22 Assista AgoraKristen Wiig brilhou representando Maxine, uma personagem tanto carismática quanto complexa. E ainda que a série tenha um ritmo um tanto irregular, o tom crítico sarcástico faz cada episódio valer a pena.
O Caso Asunta
3.2 48 Assista AgoraA única verdade é que nunca saberemos o que de fato aconteceu com Asunta.
Só não nos resta dúvidas de que duas pessoas mentalmente instáveis conseguiram adotar uma menina devido ao padrão financeiro estável. E mais: o que me assusta é pensar que o fizeram à ela em vida pode ter sido tão pior do que aconteceu por fim.
Ted Lasso (1ª Temporada)
4.4 282 Assista AgoraTed Lasso segue a risca o ensinamento de nosso mestre Gil de que "é um absurdo ganhar sempre, isso não faz parte da lógica do jogo". Uma série leve e divertida que nos ensina que, ganhando ou perdendo, o importante mesmo é manter o humor.
Cangaço Novo (1ª Temporada)
4.4 227 Assista AgoraNão há romantização do cangaço, há poética por se tratar de cinema, de narrativa, de arte. Entre os cangaceiros retratados, existem os mais diversos perfis de seres humanos: assassinos, estupradores, ambiciosos, violentos. Perfis estes de pessoas que poderiam integrar ou não uma organização criminosa. Afinal, o político que tira água do povo e manda matar pessoas/famílias é melhor que algum deles?
Contudo, em meio há tanta violência e adversidades, também há amores, desamores, traumas familiares, sonhos e senso comunitário.
E para ambientar tudo isso, Cangaço Novo nos presenteia com belas imagens do sertão cearense e sua fé, costumes regionais e motivações de um povo por uma vida de existência e não apenas sobrevivência.
Em Casa com os Gil (1ª Temporada)
4.5 28 Assista AgoraEm um dado momento da série, Gil conta que é adepto radical da bondade. E a gente vê como isso se estende a sua música, sua vida, e na convivência com a família.
Inventando Anna
3.4 185 Assista Agoraa minissérie - que não teve nada de "mini" (9 episódios de uma hora!) - soou quase como uma defesa de Anna Sorokina.
interessante - e surreal - por se tratar de uma história real, porém penso que poderia ter sido de fato mini (o que daria mais dinamismo a série).
Harry Potter: O Campeonato das Casas de Hogwarts
3.4 32 Assista Agorafeliz por Lufa-Lufa, mas como assim Corvinal não estava na final?
Sex and the City (6ª Temporada)
4.4 204Miranda, obrigada por ter sido a melhor personagem.
Samantha, obrigada por ter em muitos momentos carregado essa série nas costas.
Steve e Aidan, obrigada por terem sido os melhores personagens masculinos e nos mostrarem que ainda existem alguns caras legais.
Harry e Smith, obrigada por terem sido os melhores parceiros que Charlotte e Samantha poderiam ter.
Carrie e Charlotte, obrigada por terem me ensinado quem eu não quero ser na vida (apesar de reconhecer o desenvolvimento da York ao longo das temporadas).
Carrie e Big, vocês se merecem.
Se chorei? Sim. Se sentirei saudades? Obviamente.
Watchmen
4.4 562 Assista Agora"Não dá para se curar usando uma máscara, Angela.
Feridas precisam de ar."
Faz de Conta que NY é uma Cidade
4.2 30 Assista AgoraUma moça na plateia perguntou a Francis se o politicamente correto era sufocante e ela respondeu que continuava respirando muito bem. E sabe por quê? Porque ela sabe ser polemista sem ser desrespeitosa - e de forma genial. Por mais Francis no mundo.
O Gambito da Rainha
4.4 950 Assista AgoraVocê termina a série com vontade de começar a aprender xadrez.
A Duquesa (1ª Temporada)
3.3 27 Assista AgoraTinha potencial para ser uma ótima série por tratar de temas como maternidade solo e adoção, porém acabou sendo só boa, mas não boa o suficiente para ter uma segunda temporada.
Bom Dia, Verônica (1ª Temporada)
4.2 775 Assista AgoraEm meio a uma pandemia de violência contra a mulher dentro da pandemia do coronavírus no Brasil, esta série se faz ainda mais necessária.
E que baita orgulho o fato de ser uma produção brasileira!
P.S: excelentes atuações, com destaque para o brilhantismo de Camila Morgado!
Emily em Paris (1ª Temporada)
3.6 400 Assista AgoraÉ uma série super leve com uma linda fotografia da cidade de Paris!
Já quanto as críticas que vem recebendo dos franceses, é merecidíssimo também.
Quero ver fazer uma série sobre o seu país te estereotipando de arrogante, paquerador, esnobe, preguiçoso e não muito higiênico e você ainda ter que engolir e aplaudir.
Magos da Decoração (1ª temporada)
3.5 39 Assista AgoraSobre a final: parece que confiança excessiva e individualismo levam as pessoas longe.
Chef's Table (5ª Temporada)
4.4 7 Assista AgoraA história de Cristina Martinez me fez chorar de soluçar. Na contramão da marginalização e desumanização do imigrante, ela se faz potência.
I May Destroy You
4.5 279 Assista AgoraMichaela descarta uma análise simplista e uma visão taxativa acerca dos indivíduos e dos acontecimentos ao longo da trama — convidando-nos assim, juntamente à ela (a partir da dualidade autora e personagem), a refletir de forma subjetiva (sob diversas perspectivas) e profunda (sem cair na tentação bem e mal).
O "resultado" dessa experiência terapêutica, na qual ela viveu, roteirizou, filmou e por fim nos inseriu, não estava no final, mas na verdade no processo, que parte da reflexão de um todo (e dela mesma) em complexidade.
Chef's Table (3ª Temporada)
4.5 23 Assista AgoraJeong Kwan não cozinha com as mãos, cozinha com a alma. O sabor da sua comida é reflexo do que vem dentro.
RuPaul's Drag Race (6ª Temporada)
4.6 337 Assista AgoraA vencedora tem carisma, singularidade, coragem e talento de sobra. Minha favorita de todas as edições!