Em 1985 Berenice Mendes produziu e dirigiu “A Classe Roceira”. Um filme que revelava um até então recém criado MST no sudoeste do Paraná. Um carro da polícia rodoviária federal surge em uma estrada em meio a quilômetros e mais quilômetros de hectares de plantações, um frente e outro na retaguarda, Há um grupo de pessoas, adultos, idosos e crianças, que entonam cânticos reivindicando uma reforma agrária. “1,2,3,4, 5 mil queremos reforma agrária no Brasil”. As pessoas param em um local, entonam o hino nacional em reverência.
Os acampamentos, repletos de crianças, com tetos e paredes de lona, agrupam-se da forma que é possível, enquanto seguem a rotina, os trabalhos domésticos como lavagem de roupas e preparo do alimento é majoritariamente feminino, revelando as relações de gênero dentro das comunidades, enquanto o trabalho no campo é mais generalizado. Berenice pergunta às pessoas o que pensam das condições em que vivem, o que comem e o que eles pedem ao Estado. Que tipo de reforma é esta?
A trilha sonora do filme é composta por músicas que soam como súplicas, contam a história do sofrimento de um povo que não pede nada além de um pouco de terra de onde tirar o seu sustento, e sobre a maldade do latifundiário que não pensa em nada além de seus lucros, segue judiando do pobre trabalhador rural.
Então aparece um latifundiário, falando sobre financiamentos de países como Holanda para invasores profissionais de terra, que segundo ele, são os líderes do movimento no Paraná. Talvez se o próprio latifundiário fizesse a experiência de colocar-se por alguns dias a dormir com estes que acusa de conspiradores e ladrões, ele mesmo poderia vir a tornar-se um apoiador da causa. A direção de câmera sabiamente usa a presença de um funcionário da fazenda do latifundiário, que permanece por algum tempo na tela, mas depois some após um zoom in. Agora as palavras conspiratórias do latifundiário ocupam mais o espaço, para que seja visto o lugar de privilégio e a cor da pele deste, então com um zoom out podemos ver novamente o funcionário negro, que permanece no mesmo lugar, fazendo a mesma função, no caso cinematográfico um elemento da mise-en-scène, que mostra as relações de raça e classes drasticamente expostas na película. Um dos coordenadores do Acampamento Salto da Lontra, Danilo diz: “A Reforma Agrária vai sair, por bem ou por mal”.
O filme de 2016 “Na Missão com Kadu” de Pedro Maia de Brito e Aiano Bemfica, que resolvem assinar a produção junto ao protagonista, o Kadu Freitas, morto em emboscada no ano anterior ao lançamento do filme, em 2015, exatos 30 anos após a produção de Mendes, parece em alguma medida ser uma resposta da realidade para o sonho ideal de Danilo. Se nos perguntarmos o que aconteceu com o sonho dele iremos perceber que três décadas depois não parece haver sinal da realização dele.
Os relatos de Kadu e sua família de luta em Izidora (MG) nos respondem que o sonho e a luta continuam em 2015, uma criança em seu colo pergunta “Eles vão matar a gente? Eles tem coragem de fazer isso?” e ele responde “Eles têm sim, mas não vão fazer isso, o tio Kadu tá aqui”. O desabafo de Kadu que sob efeito de gás de lacrimogêneo, com uma criança no colo, tendo testemunhado a truculencia da polícia PM-MG é um dos mais fortes retratos de como funciona a política neste país.
Sob um governo dito progressista, de Dilma Rousseff, que seguia comadando o Brasil no poder Executivo, havia já um Legislativo aparelhado pelo setor agrícola, a chamada “Frente Parlamentar da Agropecuária” que contava com 109 deputados federais e 17 senadores.
O relato de Kadu, abatido, contando sobre um sonho onde estava em um Bar, quando alguém chegava armado atirando, soa como uma visão profética do que estaria por vir.
O filme de Kadu é um simbolo de resistência do colonialismo tradicional, afinal de contas o colonialismo é caracterizado por duas coisas, a primeira é a apropriação indevida de terras para o lucro e a segunda o uso de violência para que esta ordem seja respeitada.
Se na película de Berenice Mendes há até mesmo o apoio institucional da Secretaria de Agricultura do Paraná, e uma polícia que parece cumprir com o dever de salvaguardar todos presentes em protesto, a PM-MG da segunda década do século XXI parece proteger outra coisa.
Por que dispersar, calar, machucar as pessoas que protestam na BR?
Porque elas atrapalham os caminhões repletos de grãos e de carnes que não podem esperar, os carregamentos que enchem os bolsos dos senhores de terra e que desde 1500 lucram com a miséria de muitos.
Se hoje já se vão quatro décadas desde que Berenice tenha nos revelado os primórdios do MST e uma década desde que a profecia de Kadu Freitas sobre sua própria morte tenha se cumprido, não há de fato sinais de que algum dia possa acontecer uma reforma agrária no Brasil. As balas de borracha, mas não somente estas, as balas de fuzis, seguem encontrando as pessoas que vivem como podem, em barracos, em ocupações irregulares, nas encostas, aos arredores dos grandes centros, enquanto o Agro vende na Rede Globo a ideia do “Agro é Pop, Agro é tudo”.
Durante toda a história do país as mesmas pessoas têm ditado o ritmo, vivemos na República dos Golpes.
A invasão de Portugal em 1500, o Golpe da Independência em em 1822, ou melhor, um acordo de cavalheiros, o pai ficou com Portugal, o Filho com o Brasil. Até que o neto, Dom Pedro II, sobe ao poder através de um novo Golpe, o da Maioridade em 1840. O jovem Imperador de 15 anos seguia sua vida de aristocrata e realeza, estudando e curtindo a vida, enquanto pelas sombras os senhores do dinheiro mandavam e desmandavam. Pouco menos de meio século depois veio um novo Golpe, o da República. Só trocaram mesmo os nomes.
Agora o sistema não somente era gerido escancaradamente pelos latifundiários, como o tal Coronelismo servia para garantir a permanência das mesmas pessoas no poder. A briga pelo poder levou inevitavelmente à disputas internas, já que o sistema do “Café com Leite” não servia mais para alguns.
Uma história de Aliança Liberal foi criada, tentaram tomar o poder de uma forma democrática, não conseguiram, Júlio Prestes venceu, desbancando Getúlio Vargas e João Pessoa. O assassinato de João Pessoa foi sabidamente devido à uma vingança pessoal de um ex jornalista que teve a vida destruída depois que o ainda Presidente (Governador) da Paraíba mandou invadir o seu escritório e conseguiu cartas de amor calientes que foram publicadas. Em Recife, o ex jornalista assassina o paraibano e se torna o bode expiatório perfeito, a tal da “Intentona Comunista”, e lá vem Getúlio Vargas marchando com o Exército do Rio Grande do Sul para a capital em 1930 e encerra a República Velha do Brasil, inaugurando o Estado Novo.
Vargas, dono de fazendas de café, usa e abusa do poder em favor dele próprio e seus iguais. Com a crise de 1929 os seus lucros despencaram, ele faz questão de comprar com dinheiro da União, café suficiente para abastecer 4 planetas terra, isso apenas para manter o preço da saca de café próximo à normalidade. Talvez venha daí a fraze “torrar dinheiro público”.
O fim do Estado Novo em 1945 com o retorno à democracia e a eleição do general Gaspar Dultra. As ameaças de novos golpes são frequentes, o próprio Vargas volta ao poder e muitos questionam se ele não poderia ser de novo o reizinho do pedaço, mas um novo golpe só vêm a ocorrer em 1961 quando Jânio Quadros renuncia à presidência da República, tornando o seu vice, João Goulart, que havia sido Ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, o presidente do Brasil.
O congresso decide às pressas mudar o Sistema de governo de Presidencialismo para Parlamentarismo, até que em 1963 o resultado de um Plebiscito devolvesse os poderes do Executivo de volta à Goulart. No ano seguinte seria decretado o início da ditadura militar que encerrava-se em 1985, ano de lançamento de “A Classe Roceira”.
Há de se fazer essa conexão pois em 1985 havia a expectativa de que o novo Brasil finalmente levasse a cabo a tão necessária reforma que sempre que minimamente organizada por um governo, como foi no caso de Jango, fora violentamente desmembrada.
Em 2016, ano de lançamento de “Na Missão com Kadu” acontece o mais recente golpe bem sucedido, o Impeachmeant de Dilma Rousseff. Com deputados oferecendo os seus votos de golpe aos seus netinhos, houve até quem oferecesse a um dos maiores torturadores do período de regime militar, o ainda deputado federal Jair Messias Bolsonaro.
Talvez a única mudança significativa neste país, entre 1985 e 2025, seja a de que neste ano está havendo o julgamento no Supremo Tribunal Federal de um ex-presidente da República, o tal Jair Messias Bolsonaro, e alguns de seus ex-ministros, generais de alta patente, que organizaram a última tentativa de Golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.
A missão do Kadu e do MST continua, é a mesma luta dos povos originários, é preciso que aqueles que em 1500 começaram a tomar de conta deste território aceitem finalmente reparti-lo de forma “ampla, geral e irrestrita”.
Assisti hoje na Universidade Católica de Pernambuco em uma sessão especial junto com outros 5 curtas do diretor, com a presença de sua viúva e seu filho. Absolutamente fenomenal, uma enxurrada de críticas ao Brasil e suas falha tentativa desenvolvimentista na narração enquanto ao mesmo tempo um homem de grandes proporções empurra um fusca em uma rodovia após as transições suas roupas vão desaparecendo. Fabuloso.
Estranho até de mais, porém tem sua relevância, muito por conta de ter sido produzido por gente de fora que vai com um olhar que compara aquela realidade com a sua, o filme tem uma atmosfera um tanto sombria. A música de Vira Lobos é forte, mas muitas vezes parece até desconexa com as imagens. Talvez porque a ideia fosse mostrar como uma grande aventura, como é difícil o "florescer da civilização" e por aí vai, deixando para focar na labuta do homem que vem de fora com a perspectiva de crescimento econômico e deixando de lado o que a região tem de mais valor, a sua riqueza natural e cultural. Talvez tenha cumprido com o seu propósito, mas se eu tivesse apenas esse filme como referencia ante de decidir sobre ir ou não até o Amazonas, eu com certeza não iria.
Um sutileza nas mensagens e um nível de imersão que é raro em uma animação que tenta trazer o conceito de arte direto dos livros. Voce praticamente entra dentro da história e esse garoto representa todos nós, nossas crianças interiores. E uma linda fábula que ganha vida. Um filme que eu assistiria com meus filhos, mas que na verdade é universal, serve para todas as idades.
O que mais me pegou foi o fato do garoto fazer escolhas ruins atrás de escolhas ruins, ele parece nunca aprender com as más consequências de seus atos e acreditar que de alguma forma tudo vai dar certo, mesmo quando absolutamente tudo dá errado. Sim, ele é praticamente uma criança, não sabe o que está fazendo, não conhecs bem a vida. O filme é um retrsto fiel da situação de milhares de crianças que não tem responsáveis, são jogados a sua própria sorte, em um país em crise que não têm consciência social que os leve até algum auxílio que de alguma forma facilite suas vidas. Crianças pulam a adolescência e se tornam adultos, responsáveis pelos irmãos mais jovens e passam a conhecer a possibilidade do dinheiro rápido através da criminalidade, que é atraente já que a escola não parece trazer retorno algum. Ótimas atuações, uma fotografia que é preciso ser elogiada, além de toda produção de cenário e a direção de elenco, uma direção precisa. Acredito que a ideia não era trazer uma história bonita e sim dar visibilidade a um recorte específico da vida de uma pessoa que muitas vezes é completamente invisibilizada pela sociedade, mesmo fazendo um trabalho fundamental para o planeta, a reciclagem. Uma prova de como o cinema argentino é maduro e mesmo com poucos recursos é possível fazer uma obra de qualidade
Tramas do Entardecer
4.4 99Não entendi nada.
Na Missão, com Kadu
4.2 4COM KADU, A LUTA QUE AINDA CONTINUA
Em 1985 Berenice Mendes produziu e dirigiu “A Classe Roceira”. Um filme que revelava um até então recém criado MST no sudoeste do Paraná. Um carro da polícia rodoviária federal surge em uma estrada em meio a quilômetros e mais quilômetros de hectares de plantações, um frente e outro na retaguarda, Há um grupo de pessoas, adultos, idosos e crianças, que entonam cânticos reivindicando uma reforma agrária. “1,2,3,4, 5 mil queremos reforma agrária no Brasil”. As pessoas param em um local, entonam o hino nacional em reverência.
Os acampamentos, repletos de crianças, com tetos e paredes de lona, agrupam-se da forma que é possível, enquanto seguem a rotina, os trabalhos domésticos como lavagem de roupas e preparo do alimento é majoritariamente feminino, revelando as relações de gênero dentro das comunidades, enquanto o trabalho no campo é mais generalizado. Berenice pergunta às pessoas o que pensam das condições em que vivem, o que comem e o que eles pedem ao Estado. Que tipo de reforma é esta?
A trilha sonora do filme é composta por músicas que soam como súplicas, contam a história do sofrimento de um povo que não pede nada além de um pouco de terra de onde tirar o seu sustento, e sobre a maldade do latifundiário que não pensa em nada além de seus lucros, segue judiando do pobre trabalhador rural.
Então aparece um latifundiário, falando sobre financiamentos de países como Holanda para invasores profissionais de terra, que segundo ele, são os líderes do movimento no Paraná. Talvez se o próprio latifundiário fizesse a experiência de colocar-se por alguns dias a dormir com estes que acusa de conspiradores e ladrões, ele mesmo poderia vir a tornar-se um apoiador da causa. A direção de câmera sabiamente usa a presença de um funcionário da fazenda do latifundiário, que permanece por algum tempo na tela, mas depois some após um zoom in. Agora as palavras conspiratórias do latifundiário ocupam mais o espaço, para que seja visto o lugar de privilégio e a cor da pele deste, então com um zoom out podemos ver novamente o funcionário negro, que permanece no mesmo lugar, fazendo a mesma função, no caso cinematográfico um elemento da mise-en-scène, que mostra as relações de raça e classes drasticamente expostas na película. Um dos coordenadores do Acampamento Salto da Lontra, Danilo diz: “A Reforma Agrária vai sair, por bem ou por mal”.
O filme de 2016 “Na Missão com Kadu” de Pedro Maia de Brito e Aiano Bemfica, que resolvem assinar a produção junto ao protagonista, o Kadu Freitas, morto em emboscada no ano anterior ao lançamento do filme, em 2015, exatos 30 anos após a produção de Mendes, parece em alguma medida ser uma resposta da realidade para o sonho ideal de Danilo. Se nos perguntarmos o que aconteceu com o sonho dele iremos perceber que três décadas depois não parece haver sinal da realização dele.
Os relatos de Kadu e sua família de luta em Izidora (MG) nos respondem que o sonho e a luta continuam em 2015, uma criança em seu colo pergunta “Eles vão matar a gente? Eles tem coragem de fazer isso?” e ele responde “Eles têm sim, mas não vão fazer isso, o tio Kadu tá aqui”. O desabafo de Kadu que sob efeito de gás de lacrimogêneo, com uma criança no colo, tendo testemunhado a truculencia da polícia PM-MG é um dos mais fortes retratos de como funciona a política neste país.
Sob um governo dito progressista, de Dilma Rousseff, que seguia comadando o Brasil no poder Executivo, havia já um Legislativo aparelhado pelo setor agrícola, a chamada “Frente Parlamentar da Agropecuária” que contava com 109 deputados federais e 17 senadores.
O relato de Kadu, abatido, contando sobre um sonho onde estava em um Bar, quando alguém chegava armado atirando, soa como uma visão profética do que estaria por vir.
O filme de Kadu é um simbolo de resistência do colonialismo tradicional, afinal de contas o colonialismo é caracterizado por duas coisas, a primeira é a apropriação indevida de terras para o lucro e a segunda o uso de violência para que esta ordem seja respeitada.
Se na película de Berenice Mendes há até mesmo o apoio institucional da Secretaria de Agricultura do Paraná, e uma polícia que parece cumprir com o dever de salvaguardar todos presentes em protesto, a PM-MG da segunda década do século XXI parece proteger outra coisa.
Por que dispersar, calar, machucar as pessoas que protestam na BR?
Porque elas atrapalham os caminhões repletos de grãos e de carnes que não podem esperar, os carregamentos que enchem os bolsos dos senhores de terra e que desde 1500 lucram com a miséria de muitos.
Se hoje já se vão quatro décadas desde que Berenice tenha nos revelado os primórdios do MST e uma década desde que a profecia de Kadu Freitas sobre sua própria morte tenha se cumprido, não há de fato sinais de que algum dia possa acontecer uma reforma agrária no Brasil. As balas de borracha, mas não somente estas, as balas de fuzis, seguem encontrando as pessoas que vivem como podem, em barracos, em ocupações irregulares, nas encostas, aos arredores dos grandes centros, enquanto o Agro vende na Rede Globo a ideia do “Agro é Pop, Agro é tudo”.
Durante toda a história do país as mesmas pessoas têm ditado o ritmo, vivemos na República dos Golpes.
A invasão de Portugal em 1500, o Golpe da Independência em em 1822, ou melhor, um acordo de cavalheiros, o pai ficou com Portugal, o Filho com o Brasil. Até que o neto, Dom Pedro II, sobe ao poder através de um novo Golpe, o da Maioridade em 1840. O jovem Imperador de 15 anos seguia sua vida de aristocrata e realeza, estudando e curtindo a vida, enquanto pelas sombras os senhores do dinheiro mandavam e desmandavam. Pouco menos de meio século depois veio um novo Golpe, o da República. Só trocaram mesmo os nomes.
Agora o sistema não somente era gerido escancaradamente pelos latifundiários, como o tal Coronelismo servia para garantir a permanência das mesmas pessoas no poder. A briga pelo poder levou inevitavelmente à disputas internas, já que o sistema do “Café com Leite” não servia mais para alguns.
Uma história de Aliança Liberal foi criada, tentaram tomar o poder de uma forma democrática, não conseguiram, Júlio Prestes venceu, desbancando Getúlio Vargas e João Pessoa. O assassinato de João Pessoa foi sabidamente devido à uma vingança pessoal de um ex jornalista que teve a vida destruída depois que o ainda Presidente (Governador) da Paraíba mandou invadir o seu escritório e conseguiu cartas de amor calientes que foram publicadas. Em Recife, o ex jornalista assassina o paraibano e se torna o bode expiatório perfeito, a tal da “Intentona Comunista”, e lá vem Getúlio Vargas marchando com o Exército do Rio Grande do Sul para a capital em 1930 e encerra a República Velha do Brasil, inaugurando o Estado Novo.
Vargas, dono de fazendas de café, usa e abusa do poder em favor dele próprio e seus iguais. Com a crise de 1929 os seus lucros despencaram, ele faz questão de comprar com dinheiro da União, café suficiente para abastecer 4 planetas terra, isso apenas para manter o preço da saca de café próximo à normalidade. Talvez venha daí a fraze “torrar dinheiro público”.
O fim do Estado Novo em 1945 com o retorno à democracia e a eleição do general Gaspar Dultra. As ameaças de novos golpes são frequentes, o próprio Vargas volta ao poder e muitos questionam se ele não poderia ser de novo o reizinho do pedaço, mas um novo golpe só vêm a ocorrer em 1961 quando Jânio Quadros renuncia à presidência da República, tornando o seu vice, João Goulart, que havia sido Ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, o presidente do Brasil.
O congresso decide às pressas mudar o Sistema de governo de Presidencialismo para Parlamentarismo, até que em 1963 o resultado de um Plebiscito devolvesse os poderes do Executivo de volta à Goulart. No ano seguinte seria decretado o início da ditadura militar que encerrava-se em 1985, ano de lançamento de “A Classe Roceira”.
Há de se fazer essa conexão pois em 1985 havia a expectativa de que o novo Brasil finalmente levasse a cabo a tão necessária reforma que sempre que minimamente organizada por um governo, como foi no caso de Jango, fora violentamente desmembrada.
Em 2016, ano de lançamento de “Na Missão com Kadu” acontece o mais recente golpe bem sucedido, o Impeachmeant de Dilma Rousseff. Com deputados oferecendo os seus votos de golpe aos seus netinhos, houve até quem oferecesse a um dos maiores torturadores do período de regime militar, o ainda deputado federal Jair Messias Bolsonaro.
Talvez a única mudança significativa neste país, entre 1985 e 2025, seja a de que neste ano está havendo o julgamento no Supremo Tribunal Federal de um ex-presidente da República, o tal Jair Messias Bolsonaro, e alguns de seus ex-ministros, generais de alta patente, que organizaram a última tentativa de Golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.
A missão do Kadu e do MST continua, é a mesma luta dos povos originários, é preciso que aqueles que em 1500 começaram a tomar de conta deste território aceitem finalmente reparti-lo de forma “ampla, geral e irrestrita”.
A Incrível História de Henry Sugar
3.6 178 Assista AgoraExcelente.
O Lento, Seguro, Gradual e Relativo Strip-tease do Zé Fusquinha
4.0 5Assisti hoje na Universidade Católica de Pernambuco em uma sessão especial junto com outros 5 curtas do diretor, com a presença de sua viúva e seu filho. Absolutamente fenomenal, uma enxurrada de críticas ao Brasil e suas falha tentativa desenvolvimentista na narração enquanto ao mesmo tempo um homem de grandes proporções empurra um fusca em uma rodovia após as transições suas roupas vão desaparecendo. Fabuloso.
Amazonas, Amazonas
3.2 8 Assista AgoraEstranho até de mais, porém tem sua relevância, muito por conta de ter sido produzido por gente de fora que vai com um olhar que compara aquela realidade com a sua, o filme tem uma atmosfera um tanto sombria. A música de Vira Lobos é forte, mas muitas vezes parece até desconexa com as imagens. Talvez porque a ideia fosse mostrar como uma grande aventura, como é difícil o "florescer da civilização" e por aí vai, deixando para focar na labuta do homem que vem de fora com a perspectiva de crescimento econômico e deixando de lado o que a região tem de mais valor, a sua riqueza natural e cultural. Talvez tenha cumprido com o seu propósito, mas se eu tivesse apenas esse filme como referencia ante de decidir sobre ir ou não até o Amazonas, eu com certeza não iria.
O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo
4.0 156 Assista AgoraUm sutileza nas mensagens e um nível de imersão que é raro em uma animação que tenta trazer o conceito de arte direto dos livros. Voce praticamente entra dentro da história e esse garoto representa todos nós, nossas crianças interiores. E uma linda fábula que ganha vida. Um filme que eu assistiria com meus filhos, mas que na verdade é universal, serve para todas as idades.
Carreto
3.6 4O que mais me pegou foi o fato do garoto fazer escolhas ruins atrás de escolhas ruins, ele parece nunca aprender com as más consequências de seus atos e acreditar que de alguma forma tudo vai dar certo, mesmo quando absolutamente tudo dá errado. Sim, ele é praticamente uma criança, não sabe o que está fazendo, não conhecs bem a vida.
O filme é um retrsto fiel da situação de milhares de crianças que não tem responsáveis, são jogados a sua própria sorte, em um país em crise que não têm consciência social que os leve até algum auxílio que de alguma forma facilite suas vidas. Crianças pulam a adolescência e se tornam adultos, responsáveis pelos irmãos mais jovens e passam a conhecer a possibilidade do dinheiro rápido através da criminalidade, que é atraente já que a escola não parece trazer retorno algum.
Ótimas atuações, uma fotografia que é preciso ser elogiada, além de toda produção de cenário e a direção de elenco, uma direção precisa.
Acredito que a ideia não era trazer uma história bonita e sim dar visibilidade a um recorte específico da vida de uma pessoa que muitas vezes é completamente invisibilizada pela sociedade, mesmo fazendo um trabalho fundamental para o planeta, a reciclagem.
Uma prova de como o cinema argentino é maduro e mesmo com poucos recursos é possível fazer uma obra de qualidade
A Ponte
4.3 17Lindo trabalho. Precisamos de mais casas do zezinho. De mais pessoas que acreditem em um futuro melhor através da educação.
Meu Amigo Nietzsche
4.2 79Filmão! Eu tô apaixonado. Que maravilhoso esse curta, muito obrigado a todos que produziram. Parabéns.
Musa
5.0 1Lindíssimo.
Hoje Não Estou
3.9 137Muito fofo.