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podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano

eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano

Paulo Leminski

Últimas opiniões enviadas

  • Jussiê

    Eu pretendia falar do Sicário 2, que vi ontem, mas aí a vontade de falar desse primeiro foi muito maior, pois ele é muito superior, e enquanto o segundo tenta engrenar uma franquia de ação como mero entretenimento, apenas ambientada no mundo do narcotráfico, este primeiro nos levanta questões reflexivas sobre nós mesmos, sobre nossa humanidade, que o deixam num patamar superior.

    Temos três personagens aqui que conduzem a história:
    Josh Brolin faz o militar obcecado, bitolado, cujos fins justificam os meios, "traficante bom é traficante maleável", não se importa com o jogo sujo.
    Benicio Del Toro faz um tipo de Juiz Moro vingativo, que já não acredita na justiça dos homens, absorvido pela violência, metamorfoseado na besta que ele antes combatia, o sicário.
    Emily Blunt faz a policial incorruptível, humana, acredita na justiça, acredita na luta contra o crime, acredita no que é certo e que pessoas dedicadas podem fazer a diferença.

    Emily é a idealista, nós a amamos com facilidade. Del Toro o justiceiro, gostamos dele, pois ele traz a tona nosso lado violento, porém sentimos toda sua ameaça na cena final, quando ele encara Emily - o caminho da violência é o caminho errado. Josh é o militar sem escrúpulos, o fascistóide ianque, não gostamos dele de cara.

    A fotografia do filme é extraordinária, de um realismo quase documental. Algo que me incomodou no 2 foi o tom farsesco do filme, cenários falsos, uma realidade de mentirinha. Mas no primeiro não, o que encaramos ali é o mundo real, tal como ele é. Obra-prima do diretor Denis Villeneuve.

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  • Jussiê

    O filme começa muito bonito, mostrando as paisagens do Rio Grande do Sul, os cenários por onde a história se passará. Essas primeiras imagens são realmente excepcionais, me lembraram o início de "Prometheus", do Ridley Scott, aquela exuberância... Porém creio que ao longo do filme essa estupefação com o ambiente atrapalha, pois em muitas cenas o cenário passa ao primeiro plano, tornando os personagens algo secundário, talvez para nos mostrar nossa pequenez diante do mundo... O homem passará, o ambiente permanecerá imutável ao longo dos séculos. Ainda assim preferia algo mais "Fordiano", nos filmes do mestre John Ford o famoso Monument Valley nunca passa ao primeiro plano, apesar da sua beleza estonteante, o homem é sempre o foco da sua câmera. Questão de gosto pessoal.

    Os personagens centrais são apresentados rapidamente logo no início, e isso é muito bom, conheceremos os perseguidos e os perseguidores, que depois inverterão estes papéis. A falha, creio eu, neste início, fica por conta da caracterização do personagem do Coronel Firmino, um "vilão" dos mais caricatos, não sei se por escolha do texto ou do ator, isso atrapalha um pouco, mas logo esse personagem será totalmente deixado de lado (ainda bem).

    Murilo Rosa interpreta o Major Ramiro de Oliveira, um paulista que acompanha os Ximangos na guerra, soldados a serviço do governo. Não ficou muito claro porque um paulista os acompanha, e quando questiona sobre o sentido daquela guerra, pois ele está à deriva, jogado lá no meio, sempre é respondido com um "é coisa de gaúcho, um paulista não entenderia", só que eu que sou gaúcho tampouco entendi, faltou o roteiro nos situar naquele conflito, pois também ficamos perdidos e à deriva. Murilo tem uma atuação que não compromete, tem uma boa presença, passa a impressão de desinteresse e tédio, mas acredito que isso convém ao personagem, ele é o soldado que segue as regras, o oficial aristocrático, por isso me incomodei um pouco com sua aparência maltrapilha, incapaz de fazer a barba mesmo quando se apresenta ao governador, não condiz com o Major aristocrata, detalhes...

    Quanto ao Leonardo Machado, que faz o Capitão Francisco Saraiva, um rebelde, filho de Gumercindo Saraiva, pra mim é a espinha dorsal do filme, um personagem que nos foi entregue com uma atuação apaixonada. Enquanto ele está em cena ficamos vidrados na sua figura, ele me lembrou muito o Antonio das Mortes, do "O dragão da maldade contra santo guerreiro", do Glauber Rocha, não sei se propositalmente, mas muito me agradou a semelhança e torci por ele do começo ao fim. O elenco de apoio também é muito bom, em especial Allan Souza Lima e Marcos Verza, que na minha opinião roubam a cena em muitos momentos.

    Acho que o roteiro teve alguns problemas mal contornados, como por exemplo em determinado momento que os personagens do bando Saraiva se separam em dois grupos, cada qual para um lado, e pouco depois já estão unidos novamente, em tocaia, achei estranho. Há um conflito ali também entre irmãos que ficou confuso, pouco explorado, e de repente explode sem mais nem menos.

    As cenas de ação decepcionam um pouco... Quem sabe uma influência de Faroeste Spaghetti caísse bem: close nos olhos, nas mãos, elas se aproximando do coldre, música de tensão, suor descendo pelo rosto... mas as cenas são rápidas demais, ninguém nunca erra um tiro, a câmera parece acompanhar o trajeto da bala, vemos exatamente onde cada bala foi parar... Prefiro a confusão, o caos, dos duelos de um Clint Eastwood, tiros que explodem como balas de canhão... Faltou se assumir mais como western, creio. Quem sabe um duelo no final, entre Rosa e Machado, a la mexicana, um de frente para o outro? Mais Western.

    Se pareço estar cobrando muito do filme é porque desejei demais que fosse uma obra prima do nosso cinema, um faroeste gaudério! E é um bom filme, muito melhor que faroestes italianos que são badalados por aqui, como "Dólar furado" por exemplo - pois entre os dois fico com Gumercindo. Tem uma trilha sonora ótima, uma fotografia linda, boas atuações, ótimos momentos - gosto muito da cena das degolas por exemplo, foi algo que me remeteu a Sergio Leone, em "Três homens em conflito", quando o homem sem nome e seu companheiro se encontram em meio à uma disputa estúpida por uma ponte.
    Lindo filme, desejo muito que seja um sucesso para que venham mais desta lavra!

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  • Jussiê

    "Quando o mundo acabar, essas tais pessoas civilizadas vão comer umas as outras."

    Que filme excepcional esse BATMAN - CAVALEIRO DAS TREVAS, nossa! O Coringa neste filme é um personagem de uma força esmagadora, e por sua atualidade, assustadora.

    "Introduza um pouco de anarquia. Perturbe a ordem vigente e então tudo se torna um caos. Eu sou um agente do caos. E sabe, a chave do caos é o medo!"

    A descrença das pessoas nas instituições, sua imersão no medo, a rejeição ao herói em detrimento das ameças de um psicopata, o discurso inflamado do "antes eles do que nós" quando cidadãos tem nas mãos a escolha explodir um bando de detentos para se salvar, uma Gotham violenta, corrupta, que não acredita mais na salvação... O herói deste filme é na verdade Harvey Dent (Duas-caras), o paladino que defende as instituições da cidade, que acredita nas leis e que o bem no final sobrepujará o mal. Esse herói é virado pelo avesso e tornado naquilo que ele próprio combatia - um assassino frio.

    "Ou se morre como herói, ou vive-se o bastante para se tornar o vilão."

    O Coringa é que aquilo que o Batman poderia ter se tornado, são duas faces da mesma moeda, o vigilante que ultrapassa os limites se torna um violento agente do caos, um não existiria sem o outro. E quem poderia delimitar onde o vigilante deixa de existir para dar lugar ao anarquista?

    "Alguns homens não procuram nada lógico como o dinheiro.
    Eles não são compráveis, ameaçáveis, razoáveis ou negociáveis. Alguns homens só querem ver o circo pegar fogo."

    Uma obra-prima do cinema moderno. Filme para se ver, divertir e refletir.

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