Era uma vez o oeste dos Estados Unidos, século XIX. Nele, várias vilas eram formadas através de pequenos pontos comerciais, financeiros, moradias e um sistema escasso de segurança e saúde. As maiores contavam com uma estação de trem, pois eram próximas às ferrovias. Nesse cenário, Sergio Leone criou uma obra-prima. Simples e visceral. Grupos de saqueadores viviam à espreita de ricos ou quaisquer pessoas que dessem sinal de riqueza. Famílias eram destruídas como pombos são espantados em uma praça movimentada, sem sinal de compaixão ou sequer comprovação de bens para serem roubados. Frank (Henry Fonda), um ambicioso saqueador e assassino, cuja fama precede seus passos e olhar superior, encontra rivalidade no Harmonica (Charles Bronson) que vaga pelos cantos áridos tocando sua gaita. Cheyenne (Jason Robards) é outro saqueador, porém, uma nota de compaixão tremula em seu olhar quando ele analisa suas vítimas, outros saqueadores ou a sexy e guerreira Gill McBain (Claudia Cardinale), cuja família foi destruída por Frank e seus saqueadores, enquanto este procurava por uma fortuna escondida em sua casa antes mesmo de ela conhecer os filhos de seu recente marido. Enquanto isso, Harmonica parte em busca de vingança, silenciosa e derradeiramente. Cheyenne, por sua vez, transita entre a ambição do primeiro e a vingança do segundo, enquanto se apaixona por Gill McBain e tenta defendê-la (ou ao menos compreendê-la). Uma teia bem delineada, uma trama formada por buscas diferentes dos personagens, sem transformá-los em apenas coadjuvantes, mas sim em indivíduos defendendo seus interesses e esperança, mesmo que sejam ambíguos. Cenas espetaculares são formadas com maestria por Leone; a fotografia é épica e detalhada em cada fotograma; a montagem vaga dos olhares expressivos à solidão provocada pela areia infinita; a trilha sonora de Enio Morriconi é tão marcante que após qualquer sessão deste filme é possível imaginar a troca de olhares na rua ao som dos acordes inesquecíveis. Em suma, não há o que dizer de forma a criticar, mas sim aplaudir em pé por longos minutos como uma forma modesta de homenagear esta obra cuja importância para a história do cinema se reflete até mesmo em outros grandes diretores que se inspiraram nesta obra como referência eterna.
O toque de pele que deixou a sensação nostálgica de que algo está se perdendo - algo cuja vivência no passado foi tão intensa que os resquícios que persistem em ficar em uma memória já vivida transformam tal sensação em dor. Às vezes, a sutileza de um olhar mal é percebida por aqueles que não vivenciaram um momento de plenitude em suas vidas. Às vezes, a troca de energia entre dois seres em momentos diferentes de suas vidas pode fazer com que o impacto seja recebido por tamanha comoção que a experiência vale a pena ser sentida, mesmo que seja uma vez, mesmo que seja uma última vez. Vênus narra um momento peculiar na vida de Maurice, um ator veterano cujos papéis que lhe restam acabam por destacá-lo... Como um morimbundo, talvez. Quando seu melhor amigo Ian recebe sua sobrinha-neta como hóspede e deveras sua cuidadora, Maurice e ela, Jessie, descobrem uma afinidade que valorizará as vidas de ambos, mesmo que vivam momentos completamente diferentes de seus respectivos amadurecimentos - ironicamente, a vida mostra que sempre temos algo a amadurecer, mesmo que tenhamos que vivenciar uma ponta de crueldade ao darmos conta disso. Peter O´Toole está espetacular neste papel, cujo reconhecimento lhe valeu uma indicação ao Oscar após ganhar o Honorário, em 2003; Jodia Whittaker retrata a rebeldia da juventude atual inglesa com delicadeza; Leslie Phillips emociona, quando em cena com O´Toole, em retratos de ambos da velhice como um simples próximo passo da vida.
A leveza de uma garota de catorze anos é revertida em mágoa e medo ao contextualizá-la na década de 30 em pleno conflito inter-racial no sul dos Estados Unidos. Por outro lado, o terror vivido pelos negros que sofriam com o repúdio de todos que os viam como seres inferiores é amenizado por gestos singelos entre a menina sofrida e uma família que busca seu lugar na sociedade da época. A narrativa desta adaptação de livro homônimo é simples e eficiente ao nos mostrar uma história que caminha à beirada de um abismo cuja profundidade é testada de todas as formas pelo roteiro sem, contudo, cair em desgosto ao explorar em excesso o racismo, mas sim em usá-lo como pano de fundo de um tratamento familiar bastante peculiar. Dakota Fanning, Jennifer Hudson, Paul Bettany, Queen Lattifah e Alicia Keys interpretam com sabedoria as personas sofridas ali apresentadas, sem deixar de lado a situação surreal em que seus personagens se encontram, mas Sophie Okonedo criou uma mulher delicada e tocante, protagonizando o desespero mudo em uma metáfora da situação daquela época. Sem deixar de lado o conteúdo apropriado e agregando a ele muita emoção, A Vida Secreta das Abelhas é um belo drama de época que deve ser apreciado com a graça que um favo de mel exige.
Baseado em um arsenal de histórias antigas que compõem a mitologia grega, Fúria de Titãs peca ao focar em efeitos visuais primorosos que funcionam como contraponto para uma história que não se sustenta, servindo apenas como uma bela distração cinematográfica. Sam Worthington se esforça para criar o guerreiro Perseu, mas sua falta de carisma fica ainda mais apagada com o reencontro entre Liam Neeson e Ralph Fiennes que, vivendo Zeus e Hades, ofuscam qualquer vestígio de história que o filme tenta apresentar e, com isso, deixam o desgosto aflorar por serem desperdiçados em uma história tão rasa. Com outros coadjuvantes de luxo, Fúria de Titãs apresenta uma fotografia simples, na qual poderia ter sido aplicada um pouco mais de criatividade; porém, se por um lado os efeitos visuais eficientes alcançam o objetivo proposto, por outro o filme acaba empolgando mais pela premissa eficiente do que pela realização em si.
Um filme com tema adulto, para pessoas que não se importam em acompanhar uma história sobre um casal em crise que não seja composto por dilemas entre o quanto alguém está em dúvidas sobre o que sente ou não. Aqui vemos um casal que, após 31 anos de casamento, se encontram em uma fase de acomodação e distância, pela qual Kay (Meryl Streep) não se contenta com a estagnação na qual se encontra com seu marido, Arnold (Tommy Lee Jones) e busca ajuda na literatura. Ao encontrar um livro, em uma daquelas situações pelas quais todos já passaram, de visualizar um título que se encaixe exatamente em seus sentimentos, Kay parte em busca de um terapeuta de casais (Steve Carrel), autor do livro encontrado, a contragosto de seu marido. Em situações expositivas que exploram a intimidade do casal, participamos das reuniões como convidados que não sabem se riem ou se lamentam tantas situações e memórias. O filme busca explorar com delicadeza determinados temas, mas a ousadia de sua protagonista, em uma interpretação minimalista de Meryl Streep (repare em seus gestos ao demonstrar desconforto nas reuniões com o terapeuta) em momentos de intimidade forçada com seu marido (uma imitação coerente do velho de Up, da Pixar, por Tommy Lee Jones) fazem valer a pena acompanhar esse casal em crise. Não há situações hilárias sem sentido, mas sim risos soltos por nossa parte provocados pelo que popularmente chamamos de "vergonha alheia", pois nos identificamos com tantas situações constrangedoras. Steve Carell está contido e acertivo como o terapeuta que busca a paz de tantos casais. A montagem é precisa e, em alguns momentos, experimental pelos enquadramentos feitos principalmente em cenas nas quais Kay está sozinha. David Frankel cria, portanto, mais um exemplar em sua filmografia que não trata o expectador como tolo, mas sim dá pinceladas de maturidade em histórias que poderiam se perder nas mãos de um diretor oportunista.
O ponto de vista do filme parte como um visitante que, aos poucos, enquanto passa as férias na casa de amigos ou parentes, vai descobrindo os segredos que seus amigos/familiares tanto encobriram. Em consequência, passamos a conhecer a personagem que, após voltar à liberdade, acaba sendo obrigada a conviver com sua irmã e sua família, o que, de início, torna-se desconfortável e até mesmo constrangedor para praticamente todos os adultos envolvidos - amigos dos familiares inclusive. Porém, as experiências traumáticas escondidas se revelam dia após dia, detalhe após detalhe e, no clímax, somos impactados de tal forma que qualquer desconfiança e constrangimento que poderíamos sentir por alguém assim torna-se um peso em nossa consciência, pois quando inicialmente passamos a usar nossa carapaça de preconceitos e gradativamente somos derrubados pelas perspectivas falidas da personagem principal, sentimos que a vida é, sim, válida e digna de ser aproveitada, mas que os socos são tão fortes às vezes que o custo para nos levantarmos pode ser mais pesado que nossos próprios erros. Tudo isso com uma interpretação irretocável e chocante de Kristin Scott Thomas em uma direção leve - o peso parte das experiências dos personagens e não de fotografia ou trilha sonora - que são, aliás, belíssimas.
Após os principais personagens terem um filme cada, com suas histórias contadas, desde suas origens até o estabelecimento das personalidades vistas neste Os Vingadores, não há mais tempo (e necessidade) para desenvolver certas histórias. Passamos, então, a conhecer seus comportamentos vistos em grupo, respeitando o limite que cada personalidade dispõe para si em relação às histórias mais contadas. Aqui, passamos a acompanhar e conhecer melhor a Viúva Negra, Nick Fury e o Gavião Arqueiro, assim como o verdadeiro perigo que Loki pode oferecer. O segredo dele? Colocar uns contra os outros. Um velho clichê em se tratando de filmes que apresentem mais de um personagem cuja motivação parta para o mesmo lado e, portanto, haja o conflito de egos necessários para haver conflitos e, consequentemente, história. Mas neste filme, o que se pensa serem clichês são convertidos em cenas impactantes, pois não há preguiça alguma no desenvolvimento da ação, assim como dos dramas e peculiaridades de cada um, complementando o que já conhecíamos desses heróis. Em se tratando de ação, Os Vingadores tira o fôlego dos mais céticos, pois o cuidado com que essas foram criadas merecem aplausos. Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro compõem as melhores cenas de ação que se poderia imaginar e, junto a um humor orgânico às situações apresentadas, tornam este filme uma experiência única, um espetáculo visual que poucas vezes foi apresentado e, portanto, merece todo o crédito por ser um pipocão de primeira!
Drive é uma alucinação tão verdadeira e um delírio tão profundo que, ao término da sessão, é possível que o espectador que tenha mergulhado em sua história fique em dúvida sobre o que é real e o que pode ser real. O piloto, cujo nome não é revelado em nenhum momento, trabalha como motorista dublê em filmes B de Hollywood. O piloto, cujo nome não é pronunciado sequer uma vez, é motorista de fuga de ladrões que objetivam grandes roubos. O piloto é mais um personagem icônico na história do cinema e, através de seu olhar penetrante, gestos tensos e caminhar robótico, demonstra todos seus sentimentos com pouquíssimas palavras. Com uma fotografia que evoca o surreal em seus momentos mais violentos, sem deixar de chocar o espectador, Drive apresenta a combinação audiovisual perfeita dos anos 70, 80 e 90 em seu desenrolar narrativo, trilha sonora e a própria fotografia, que também acompanha os movimentos bruscos de fúria do piloto com a melancolia de sua relação com sua vizinha. A direção é eficiente ao construir um estudo de personagem completo, cheio de nuances, mínimos detalhes que podem escapar aos desatentos, pois, como a própria introdução apresenta, o piloto é metódico e pode ser frio ao ponto de simplesmente não se importar com os demais, porém, o carinho que demonstra pelo filho de sua vizinha é tocante. Em menos de duas horas, é possível descobrir a velocidade alucinante dos pensamentos do piloto, assim como o delírio profundo que suas ações geram, sem deixar de pisar fortemente na brutalidade de um submundo que, dentro do gênero hollywoodiano de ação, cria um subgênero talvez único, com uma obra-prima espetacular que faz pensar e entender um pouco mais sobre a solidão.
Senna é um documentário com tamanho primor narrativo que, em certo momento da projeção, estava tão envolvido na disputa entre Senna e Prost que, a cada fala, a cada olhar, me sentia como um amigo cuja dor instaurada previamente no peito, diante do que ocorreria futuramente, tirava todo meu ar. A emoção que Senna traz, independente de nacionalidade, é empática ao ponto de ficarmos horas e horas refletindo sobre os acontecimentos ali narrados. As câmeras de bastidores captaram emoções raramente atingidas em interpretações; a fotografia, pincelada através de um mosaico no qual a família e o trabalho do homenageado interagem uniformemente, assim como sua personalidade única, tende a um herói cujos pés no chão, ironicamente, o transformaram em símbolo de patriotismo de alcance mundial – não é à toa que os japoneses o idolatram até hoje. A cronologia, convencional, caminha junto à personalidade de Senna, cada vez mais desafiadora. Sua força foi alvo de inveja e ataques por aqueles cuja preferência não passava de petulância e, com coragem, o documentário tenta mostrar o lado talvez prepotente do piloto, porém, em relação a seus antagonistas, quaisquer falhas de personalidade o tornaria, ainda assim, um herói, como é merecidamente reconhecido e inesquecivelmente citado.
George Clooney encarna Ryan Bingham, o sujeito bem sucedido cujo sucesso está na frieza em demitir pessoas, por todo o seu país, contratado por corporações que terceirizaram esse serviço em plena crise econômica. A sutil interpretação de Clooney complementa a irresistível Vera Farmiga, cuja persona criada para sua personagem é possui as mesmas características de Ryan, porém, com uma vagina. Anna Kendrick é a representante da geração Y, com ideias que pretendem revolucionar a forma de trabalho tão aperfeiçoada por Ryan. A história se desenrola com suave humor e toques de moralidade estarrecedores, pois passamos a perceber, em determinado momento, o quão significante podem ser determinadas conquistas em nossas vidas. A fotografia é impecável e, de maneira orgânica, integra a trilha sonora, sempre pontual, também ao roteiro - muito bem estruturado. É um daqueles filmes edificantes, que dão vontade de fazer algo com sua vida, mas com um gosto de realidade ao final.
Réquiem para Um Sonho é um delírio visual e plástico do diretor Darren Aronofsky, cuja história se passa entre o desespero da abstinência de dois jovens e o sufoco entediante do vício televisivo de uma dona de casa. As coisas, no decorrer da história, pioram. E a coragem de quem a acompanha declina e tropeça ao levar um tapa de realidade que as situações ali expostas transparecem, sempre de maneira inédita, como jamais foi vista na história do cinema - portanto, um marco desde então. A trilha sonora é arrebatadora e acompanha o desespero da incrível verossimilhança transpassada por Ellen Burstyn em uma interpretação arrepiante - e Jeniffer Connelly e Jared Leto não decepcionam em suas interpretações de jovens que se perdem no vício fácil das drogas. A sensação de cansaço e desconforto, ao término do filme, é sinônimo do sucesso que o mesmo obteve em nos mostrar, em seus incríveis poucos minutos, um lado do ser humano até então superficialmente retratado no cinema.
Entramos na história de Margot no meio de uma viagem, como se fôssemos passageiros do mesmo trem e, ao depararmos com uma situação interessante, resolvemos acompanhá-la. Assim, desembarcamos e conhecemos Pauline e seu marido, cujo casamento está prestes a acontecer e, abrigando Margot e seu filho em sua casa, Pauline se depara com situações nostálgicas que não estava preparada para enfrentar. Por sua vez, Margot, escritora reconhecida por sua língua felina, opina sobre o que quer, quando quer. A história desse filme se desenrola como se nós, espectadores, fôssemos moscas e não liga em nos contar detalhes sobre nada. Porém, não precisa. A química entre essa família é segurada com maestria em interpretações bem acertadas de Jack Black e John Turturro, mas Jeniffer Jason Leigh está ótima como a irmã insegura que não determina ao certo como sua vida será conduzida e Nicole Kidman, em mais um filme independente, acerta ao compor a antipatia de Margot com o protecionismo de irmã mais velha e mãe senhora da razão, enquanto equilibra suas necessidades sexuais em meio a frustrações em relação à personalidade de seu filho e ao futuro de sua irmã. Um ótimo drama familiar, cuja estrutura narrativa é o ponto-chave da produção.
A sátira retratada neste filme é de muito bom gosto - sem deixar de cutucar nosso orgulho brasileiro ao mesmo tempo em que nos diverte com inteligência sagaz. O elenco, uma união que transpira sua química, segura o bem elaborado roteiro diante de truques diegéticos que conversam com a metalinguagem. Aliás, metalinguagem também pode ser chamada a inspiração no jeito brasileiro de resolver situações que se refiram a verbas públicas.
Embalado por uma trilha sonora contagiante, o filme começa no meio de uma reunião familiar que custa a engrenar como algo comum. Porém, a palavra comum é subvertida no decorrer do longa e, enquanto nos deliciamos com as personalidades magnetizantes da família nele retratada, a história transcorre numa série de acontecimentos tão incomuns que, paradoxalmente, são facilmente identificáveis. Abigail Breslin está cativante e Steve Carrell, Alan Arkin e Toni Collette mostram sua habitual competência. Paul Dano é quem filtra os dramas familiares numa espécie de adaptador que nos passa um pouco de normalidade. Grande filme, que une com singularidade a complexidade do ser humano em situações simples - e vice-versa.
Inicialmente, suspeitei desse suspense. Porém, quão grata foi a surpresa ao término do filme. Martin Scorcese, mais uma vez, não decepciona - muito pelo contrário, cria outra obra-prima! A história de um policial que vai até um manicômio localizado numa ilha, a fim de investigar um desaparecimento suspeito, envolve o espectador de tal forma que o sufoco passado por Leonardo DiCaprio pode ser sentido por aqueles que souberam apreciar o filme. Cada frame é meticulosamente calculado e isso é notável ao assisti-lo. O decorrer do filme nos surpreende com o entrelaçamento de algumas histórias primordiais, não deixando sequer uma ponta falha - e, felizmente, Ben Kingsley, Mark Ruffalo, Patricia Clarkson e Michelle Williams apoiam com competência enriquecedora as descobertas do personagem de Leonardo DiCaprio.
Rango possui tantos detalhes visuais e narrativos que, infelizmente, pode ser mal julgado por aqueles que foram assisti-lo com a intenção de alegrar o dia de seus filhos ou vivenciar um filme despretensioso. As situações expostas a Rango, um 1/2 road movie, 1/2 western, podem ser apreciadas por aqueles que procuram constantemente seu lugar ao sol - no caso da animação, muitas vezes literalmente. Essa busca pela própria personalidade é retratada de maneira envolvente, pois as situações decorrem com tamanha rapidez que mal vemos o filme passar.
Meia Noite em Paris é uma nostálgica e relevadora fábula que nos tira do marasmo de acharmos que estamos na época errada e, quem sabe, nos faz partir para a vida de maneira mais completa. Marion Cotillard está encantadora, como sempre, e Owen Wilson faz as vezes de Woody Allen - com competência, diga-se de passagem. Rachel McAdams, geralmente encantadora, prova que varia sua persona cinematográfica com bastante naturalidade. As pontas de Kathy Bates e Adrien Brody estão hilárias!
Um romance simples, onde o adultério da dona de casa é justificado pela paixão repentina pelo fotógrafo viajante. A diferença está na direção, leve, que prioriza os detalhes da relação do casal. A diferença, também, está na atuação de Meryl Streep: sensível e realista.
Incrível como Woody Allen surpreende após tantas histórias. Este exemplar comove pela mensagem forte, porém, passada de maneira suave - até mesmo doce.
Um dos poucos filmes que provocarão um vazio em milhões de pessoas. Retratou com fidelidade a última parte da saga, fechando com uma visão otimista a respeito da crueldade ditadora instalada nos vilões da história central. O elenco é formidável e, mesmo que não sejam grandes atores, o trio principal se tornou conhecedor da dominação sobre seus personagens. Alan Rickman e Ralph Fiennes impressionam pelo minimalismo transpassado por seus personagens.
A plástica remete à época que o filme pretendeu nos mostrar, mas pode ser mal interpretada pela simplicidade e, em alguns pontos de vista, amadorismo da maquiagem. A fotografia é interessante, não deixando de ser bela, mas poderia impressionar mais.
A ideia de um dream team e uma história interessante que funcione em tela grande está começando a se transformar em algo suspeito. O elenco é ótimo e a premissa, interessante, mas em tela a história de uma possível epidemia que corroesse a humanidade, como a gripe espanhola o fez, atualmente, se transforma fraca quando notamos que nem os personagens nem a própria história consegue se desenvolver com qualidade devido à intromissão de um ao outro - os personagens são unidimensionais e a história, vaga, confusa.
A sensação nostálgica que permanece no filme desde o início dá o tom certo, melancólico, ao que parece ser o acerto de contas de diversos casais pelo mundo. Muito do que se faz e do que se tem vontade de dizer e se arrepender é ocorrente neste filme que, cru do ponto de vista narrativo, se apoia nas presenças marcantes de Ryan Gosling e Michelle Williams. Pessoalmente, torci mais por Ryan receber indicação ao Oscar. Mas Michelle representou bem. [spoiler]Logo no início, quando vemos o cuidado com que o personagem de Gosling dá ao veterano que está se "hospedando" no asilo, podemos notar o a degradação de seu personagem conforme seus sonhos morrem e, ao final do filme, o abandono à família, sonhos e possível envelhecimento ao lado de sua amada são quebrados bruscamente.
Era uma Vez no Oeste
4.4 755 Assista AgoraEra uma vez o oeste dos Estados Unidos, século XIX. Nele, várias vilas eram formadas através de pequenos pontos comerciais, financeiros, moradias e um sistema escasso de segurança e saúde. As maiores contavam com uma estação de trem, pois eram próximas às ferrovias.
Nesse cenário, Sergio Leone criou uma obra-prima. Simples e visceral. Grupos de saqueadores viviam à espreita de ricos ou quaisquer pessoas que dessem sinal de riqueza. Famílias eram destruídas como pombos são espantados em uma praça movimentada, sem sinal de compaixão ou sequer comprovação de bens para serem roubados.
Frank (Henry Fonda), um ambicioso saqueador e assassino, cuja fama precede seus passos e olhar superior, encontra rivalidade no Harmonica (Charles Bronson) que vaga pelos cantos áridos tocando sua gaita. Cheyenne (Jason Robards) é outro saqueador, porém, uma nota de compaixão tremula em seu olhar quando ele analisa suas vítimas, outros saqueadores ou a sexy e guerreira Gill McBain (Claudia Cardinale), cuja família foi destruída por Frank e seus saqueadores, enquanto este procurava por uma fortuna escondida em sua casa antes mesmo de ela conhecer os filhos de seu recente marido. Enquanto isso, Harmonica parte em busca de vingança, silenciosa e derradeiramente. Cheyenne, por sua vez, transita entre a ambição do primeiro e a vingança do segundo, enquanto se apaixona por Gill McBain e tenta defendê-la (ou ao menos compreendê-la).
Uma teia bem delineada, uma trama formada por buscas diferentes dos personagens, sem transformá-los em apenas coadjuvantes, mas sim em indivíduos defendendo seus interesses e esperança, mesmo que sejam ambíguos.
Cenas espetaculares são formadas com maestria por Leone; a fotografia é épica e detalhada em cada fotograma; a montagem vaga dos olhares expressivos à solidão provocada pela areia infinita; a trilha sonora de Enio Morriconi é tão marcante que após qualquer sessão deste filme é possível imaginar a troca de olhares na rua ao som dos acordes inesquecíveis.
Em suma, não há o que dizer de forma a criticar, mas sim aplaudir em pé por longos minutos como uma forma modesta de homenagear esta obra cuja importância para a história do cinema se reflete até mesmo em outros grandes diretores que se inspiraram nesta obra como referência eterna.
Vênus
3.6 33O toque de pele que deixou a sensação nostálgica de que algo está se perdendo - algo cuja vivência no passado foi tão intensa que os resquícios que persistem em ficar em uma memória já vivida transformam tal sensação em dor. Às vezes, a sutileza de um olhar mal é percebida por aqueles que não vivenciaram um momento de plenitude em suas vidas. Às vezes, a troca de energia entre dois seres em momentos diferentes de suas vidas pode fazer com que o impacto seja recebido por tamanha comoção que a experiência vale a pena ser sentida, mesmo que seja uma vez, mesmo que seja uma última vez.
Vênus narra um momento peculiar na vida de Maurice, um ator veterano cujos papéis que lhe restam acabam por destacá-lo... Como um morimbundo, talvez. Quando seu melhor amigo Ian recebe sua sobrinha-neta como hóspede e deveras sua cuidadora, Maurice e ela, Jessie, descobrem uma afinidade que valorizará as vidas de ambos, mesmo que vivam momentos completamente diferentes de seus respectivos amadurecimentos - ironicamente, a vida mostra que sempre temos algo a amadurecer, mesmo que tenhamos que vivenciar uma ponta de crueldade ao darmos conta disso.
Peter O´Toole está espetacular neste papel, cujo reconhecimento lhe valeu uma indicação ao Oscar após ganhar o Honorário, em 2003; Jodia Whittaker retrata a rebeldia da juventude atual inglesa com delicadeza; Leslie Phillips emociona, quando em cena com O´Toole, em retratos de ambos da velhice como um simples próximo passo da vida.
A Vida Secreta das Abelhas
4.1 965 Assista AgoraA leveza de uma garota de catorze anos é revertida em mágoa e medo ao contextualizá-la na década de 30 em pleno conflito inter-racial no sul dos Estados Unidos. Por outro lado, o terror vivido pelos negros que sofriam com o repúdio de todos que os viam como seres inferiores é amenizado por gestos singelos entre a menina sofrida e uma família que busca seu lugar na sociedade da época.
A narrativa desta adaptação de livro homônimo é simples e eficiente ao nos mostrar uma história que caminha à beirada de um abismo cuja profundidade é testada de todas as formas pelo roteiro sem, contudo, cair em desgosto ao explorar em excesso o racismo, mas sim em usá-lo como pano de fundo de um tratamento familiar bastante peculiar.
Dakota Fanning, Jennifer Hudson, Paul Bettany, Queen Lattifah e Alicia Keys interpretam com sabedoria as personas sofridas ali apresentadas, sem deixar de lado a situação surreal em que seus personagens se encontram, mas Sophie Okonedo criou uma mulher delicada e tocante, protagonizando o desespero mudo em uma metáfora da situação daquela época.
Sem deixar de lado o conteúdo apropriado e agregando a ele muita emoção, A Vida Secreta das Abelhas é um belo drama de época que deve ser apreciado com a graça que um favo de mel exige.
Fúria de Titãs
3.0 2,2K Assista AgoraBaseado em um arsenal de histórias antigas que compõem a mitologia grega, Fúria de Titãs peca ao focar em efeitos visuais primorosos que funcionam como contraponto para uma história que não se sustenta, servindo apenas como uma bela distração cinematográfica.
Sam Worthington se esforça para criar o guerreiro Perseu, mas sua falta de carisma fica ainda mais apagada com o reencontro entre Liam Neeson e Ralph Fiennes que, vivendo Zeus e Hades, ofuscam qualquer vestígio de história que o filme tenta apresentar e, com isso, deixam o desgosto aflorar por serem desperdiçados em uma história tão rasa.
Com outros coadjuvantes de luxo, Fúria de Titãs apresenta uma fotografia simples, na qual poderia ter sido aplicada um pouco mais de criatividade; porém, se por um lado os efeitos visuais eficientes alcançam o objetivo proposto, por outro o filme acaba empolgando mais pela premissa eficiente do que pela realização em si.
Um Divã Para Dois
3.5 767Um filme com tema adulto, para pessoas que não se importam em acompanhar uma história sobre um casal em crise que não seja composto por dilemas entre o quanto alguém está em dúvidas sobre o que sente ou não. Aqui vemos um casal que, após 31 anos de casamento, se encontram em uma fase de acomodação e distância, pela qual Kay (Meryl Streep) não se contenta com a estagnação na qual se encontra com seu marido, Arnold (Tommy Lee Jones) e busca ajuda na literatura. Ao encontrar um livro, em uma daquelas situações pelas quais todos já passaram, de visualizar um título que se encaixe exatamente em seus sentimentos, Kay parte em busca de um terapeuta de casais (Steve Carrel), autor do livro encontrado, a contragosto de seu marido.
Em situações expositivas que exploram a intimidade do casal, participamos das reuniões como convidados que não sabem se riem ou se lamentam tantas situações e memórias. O filme busca explorar com delicadeza determinados temas, mas a ousadia de sua protagonista, em uma interpretação minimalista de Meryl Streep (repare em seus gestos ao demonstrar desconforto nas reuniões com o terapeuta) em momentos de intimidade forçada com seu marido (uma imitação coerente do velho de Up, da Pixar, por Tommy Lee Jones) fazem valer a pena acompanhar esse casal em crise. Não há situações hilárias sem sentido, mas sim risos soltos por nossa parte provocados pelo que popularmente chamamos de "vergonha alheia", pois nos identificamos com tantas situações constrangedoras.
Steve Carell está contido e acertivo como o terapeuta que busca a paz de tantos casais. A montagem é precisa e, em alguns momentos, experimental pelos enquadramentos feitos principalmente em cenas nas quais Kay está sozinha. David Frankel cria, portanto, mais um exemplar em sua filmografia que não trata o expectador como tolo, mas sim dá pinceladas de maturidade em histórias que poderiam se perder nas mãos de um diretor oportunista.
Há Tanto Tempo Que Te Amo
4.0 289O ponto de vista do filme parte como um visitante que, aos poucos, enquanto passa as férias na casa de amigos ou parentes, vai descobrindo os segredos que seus amigos/familiares tanto encobriram. Em consequência, passamos a conhecer a personagem que, após voltar à liberdade, acaba sendo obrigada a conviver com sua irmã e sua família, o que, de início, torna-se desconfortável e até mesmo constrangedor para praticamente todos os adultos envolvidos - amigos dos familiares inclusive.
Porém, as experiências traumáticas escondidas se revelam dia após dia, detalhe após detalhe e, no clímax, somos impactados de tal forma que qualquer desconfiança e constrangimento que poderíamos sentir por alguém assim torna-se um peso em nossa consciência, pois quando inicialmente passamos a usar nossa carapaça de preconceitos e gradativamente somos derrubados pelas perspectivas falidas da personagem principal, sentimos que a vida é, sim, válida e digna de ser aproveitada, mas que os socos são tão fortes às vezes que o custo para nos levantarmos pode ser mais pesado que nossos próprios erros.
Tudo isso com uma interpretação irretocável e chocante de Kristin Scott Thomas em uma direção leve - o peso parte das experiências dos personagens e não de fotografia ou trilha sonora - que são, aliás, belíssimas.
Os Vingadores
4.0 6,9K Assista AgoraApós os principais personagens terem um filme cada, com suas histórias contadas, desde suas origens até o estabelecimento das personalidades vistas neste Os Vingadores, não há mais tempo (e necessidade) para desenvolver certas histórias. Passamos, então, a conhecer seus comportamentos vistos em grupo, respeitando o limite que cada personalidade dispõe para si em relação às histórias mais contadas. Aqui, passamos a acompanhar e conhecer melhor a Viúva Negra, Nick Fury e o Gavião Arqueiro, assim como o verdadeiro perigo que Loki pode oferecer. O segredo dele? Colocar uns contra os outros. Um velho clichê em se tratando de filmes que apresentem mais de um personagem cuja motivação parta para o mesmo lado e, portanto, haja o conflito de egos necessários para haver conflitos e, consequentemente, história. Mas neste filme, o que se pensa serem clichês são convertidos em cenas impactantes, pois não há preguiça alguma no desenvolvimento da ação, assim como dos dramas e peculiaridades de cada um, complementando o que já conhecíamos desses heróis.
Em se tratando de ação, Os Vingadores tira o fôlego dos mais céticos, pois o cuidado com que essas foram criadas merecem aplausos. Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro compõem as melhores cenas de ação que se poderia imaginar e, junto a um humor orgânico às situações apresentadas, tornam este filme uma experiência única, um espetáculo visual que poucas vezes foi apresentado e, portanto, merece todo o crédito por ser um pipocão de primeira!
Drive
3.9 3,5KDrive é uma alucinação tão verdadeira e um delírio tão profundo que, ao término da sessão, é possível que o espectador que tenha mergulhado em sua história fique em dúvida sobre o que é real e o que pode ser real.
O piloto, cujo nome não é revelado em nenhum momento, trabalha como motorista dublê em filmes B de Hollywood. O piloto, cujo nome não é pronunciado sequer uma vez, é motorista de fuga de ladrões que objetivam grandes roubos. O piloto é mais um personagem icônico na história do cinema e, através de seu olhar penetrante, gestos tensos e caminhar robótico, demonstra todos seus sentimentos com pouquíssimas palavras.
Com uma fotografia que evoca o surreal em seus momentos mais violentos, sem deixar de chocar o espectador, Drive apresenta a combinação audiovisual perfeita dos anos 70, 80 e 90 em seu desenrolar narrativo, trilha sonora e a própria fotografia, que também acompanha os movimentos bruscos de fúria do piloto com a melancolia de sua relação com sua vizinha. A direção é eficiente ao construir um estudo de personagem completo, cheio de nuances, mínimos detalhes que podem escapar aos desatentos, pois, como a própria introdução apresenta, o piloto é metódico e pode ser frio ao ponto de simplesmente não se importar com os demais, porém, o carinho que demonstra pelo filho de sua vizinha é tocante.
Em menos de duas horas, é possível descobrir a velocidade alucinante dos pensamentos do piloto, assim como o delírio profundo que suas ações geram, sem deixar de pisar fortemente na brutalidade de um submundo que, dentro do gênero hollywoodiano de ação, cria um subgênero talvez único, com uma obra-prima espetacular que faz pensar e entender um pouco mais sobre a solidão.
Senna
4.4 695 Assista AgoraSenna é um documentário com tamanho primor narrativo que, em certo momento da projeção, estava tão envolvido na disputa entre Senna e Prost que, a cada fala, a cada olhar, me sentia como um amigo cuja dor instaurada previamente no peito, diante do que ocorreria futuramente, tirava todo meu ar.
A emoção que Senna traz, independente de nacionalidade, é empática ao ponto de ficarmos horas e horas refletindo sobre os acontecimentos ali narrados. As câmeras de bastidores captaram emoções raramente atingidas em interpretações; a fotografia, pincelada através de um mosaico no qual a família e o trabalho do homenageado interagem uniformemente, assim como sua personalidade única, tende a um herói cujos pés no chão, ironicamente, o transformaram em símbolo de patriotismo de alcance mundial – não é à toa que os japoneses o idolatram até hoje.
A cronologia, convencional, caminha junto à personalidade de Senna, cada vez mais desafiadora. Sua força foi alvo de inveja e ataques por aqueles cuja preferência não passava de petulância e, com coragem, o documentário tenta mostrar o lado talvez prepotente do piloto, porém, em relação a seus antagonistas, quaisquer falhas de personalidade o tornaria, ainda assim, um herói, como é merecidamente reconhecido e inesquecivelmente citado.
Amor Sem Escalas
3.4 1,4K Assista AgoraGeorge Clooney encarna Ryan Bingham, o sujeito bem sucedido cujo sucesso está na frieza em demitir pessoas, por todo o seu país, contratado por corporações que terceirizaram esse serviço em plena crise econômica. A sutil interpretação de Clooney complementa a irresistível Vera Farmiga, cuja persona criada para sua personagem é possui as mesmas características de Ryan, porém, com uma vagina. Anna Kendrick é a representante da geração Y, com ideias que pretendem revolucionar a forma de trabalho tão aperfeiçoada por Ryan. A história se desenrola com suave humor e toques de moralidade estarrecedores, pois passamos a perceber, em determinado momento, o quão significante podem ser determinadas conquistas em nossas vidas. A fotografia é impecável e, de maneira orgânica, integra a trilha sonora, sempre pontual, também ao roteiro - muito bem estruturado. É um daqueles filmes edificantes, que dão vontade de fazer algo com sua vida, mas com um gosto de realidade ao final.
Réquiem para um Sonho
4.3 4,4K Assista AgoraRéquiem para Um Sonho é um delírio visual e plástico do diretor Darren Aronofsky, cuja história se passa entre o desespero da abstinência de dois jovens e o sufoco entediante do vício televisivo de uma dona de casa. As coisas, no decorrer da história, pioram. E a coragem de quem a acompanha declina e tropeça ao levar um tapa de realidade que as situações ali expostas transparecem, sempre de maneira inédita, como jamais foi vista na história do cinema - portanto, um marco desde então. A trilha sonora é arrebatadora e acompanha o desespero da incrível verossimilhança transpassada por Ellen Burstyn em uma interpretação arrepiante - e Jeniffer Connelly e Jared Leto não decepcionam em suas interpretações de jovens que se perdem no vício fácil das drogas. A sensação de cansaço e desconforto, ao término do filme, é sinônimo do sucesso que o mesmo obteve em nos mostrar, em seus incríveis poucos minutos, um lado do ser humano até então superficialmente retratado no cinema.
Margot e o Casamento
2.9 228 Assista AgoraEntramos na história de Margot no meio de uma viagem, como se fôssemos passageiros do mesmo trem e, ao depararmos com uma situação interessante, resolvemos acompanhá-la. Assim, desembarcamos e conhecemos Pauline e seu marido, cujo casamento está prestes a acontecer e, abrigando Margot e seu filho em sua casa, Pauline se depara com situações nostálgicas que não estava preparada para enfrentar. Por sua vez, Margot, escritora reconhecida por sua língua felina, opina sobre o que quer, quando quer. A história desse filme se desenrola como se nós, espectadores, fôssemos moscas e não liga em nos contar detalhes sobre nada. Porém, não precisa. A química entre essa família é segurada com maestria em interpretações bem acertadas de Jack Black e John Turturro, mas Jeniffer Jason Leigh está ótima como a irmã insegura que não determina ao certo como sua vida será conduzida e Nicole Kidman, em mais um filme independente, acerta ao compor a antipatia de Margot com o protecionismo de irmã mais velha e mãe senhora da razão, enquanto equilibra suas necessidades sexuais em meio a frustrações em relação à personalidade de seu filho e ao futuro de sua irmã. Um ótimo drama familiar, cuja estrutura narrativa é o ponto-chave da produção.
Saneamento Básico, O Filme
3.7 834 Assista AgoraA sátira retratada neste filme é de muito bom gosto - sem deixar de cutucar nosso orgulho brasileiro ao mesmo tempo em que nos diverte com inteligência sagaz. O elenco, uma união que transpira sua química, segura o bem elaborado roteiro diante de truques diegéticos que conversam com a metalinguagem. Aliás, metalinguagem também pode ser chamada a inspiração no jeito brasileiro de resolver situações que se refiram a verbas públicas.
Pequena Miss Sunshine
4.1 2,8K Assista AgoraEmbalado por uma trilha sonora contagiante, o filme começa no meio de uma reunião familiar que custa a engrenar como algo comum. Porém, a palavra comum é subvertida no decorrer do longa e, enquanto nos deliciamos com as personalidades magnetizantes da família nele retratada, a história transcorre numa série de acontecimentos tão incomuns que, paradoxalmente, são facilmente identificáveis. Abigail Breslin está cativante e Steve Carrell, Alan Arkin e Toni Collette mostram sua habitual competência. Paul Dano é quem filtra os dramas familiares numa espécie de adaptador que nos passa um pouco de normalidade. Grande filme, que une com singularidade a complexidade do ser humano em situações simples - e vice-versa.
Ilha do Medo
4.2 4,1K Assista AgoraInicialmente, suspeitei desse suspense. Porém, quão grata foi a surpresa ao término do filme. Martin Scorcese, mais uma vez, não decepciona - muito pelo contrário, cria outra obra-prima! A história de um policial que vai até um manicômio localizado numa ilha, a fim de investigar um desaparecimento suspeito, envolve o espectador de tal forma que o sufoco passado por Leonardo DiCaprio pode ser sentido por aqueles que souberam apreciar o filme. Cada frame é meticulosamente calculado e isso é notável ao assisti-lo. O decorrer do filme nos surpreende com o entrelaçamento de algumas histórias primordiais, não deixando sequer uma ponta falha - e, felizmente, Ben Kingsley, Mark Ruffalo, Patricia Clarkson e Michelle Williams apoiam com competência enriquecedora as descobertas do personagem de Leonardo DiCaprio.
Rango
3.6 1,6K Assista AgoraRango possui tantos detalhes visuais e narrativos que, infelizmente, pode ser mal julgado por aqueles que foram assisti-lo com a intenção de alegrar o dia de seus filhos ou vivenciar um filme despretensioso. As situações expostas a Rango, um 1/2 road movie, 1/2 western, podem ser apreciadas por aqueles que procuram constantemente seu lugar ao sol - no caso da animação, muitas vezes literalmente. Essa busca pela própria personalidade é retratada de maneira envolvente, pois as situações decorrem com tamanha rapidez que mal vemos o filme passar.
Meia-Noite em Paris
4.0 3,8K Assista AgoraMeia Noite em Paris é uma nostálgica e relevadora fábula que nos tira do marasmo de acharmos que estamos na época errada e, quem sabe, nos faz partir para a vida de maneira mais completa. Marion Cotillard está encantadora, como sempre, e Owen Wilson faz as vezes de Woody Allen - com competência, diga-se de passagem. Rachel McAdams, geralmente encantadora, prova que varia sua persona cinematográfica com bastante naturalidade. As pontas de Kathy Bates e Adrien Brody estão hilárias!
As Pontes de Madison
4.2 876 Assista AgoraUm romance simples, onde o adultério da dona de casa é justificado pela paixão repentina pelo fotógrafo viajante. A diferença está na direção, leve, que prioriza os detalhes da relação do casal. A diferença, também, está na atuação de Meryl Streep: sensível e realista.
Meia-Noite em Paris
4.0 3,8K Assista AgoraIncrível como Woody Allen surpreende após tantas histórias. Este exemplar comove pela mensagem forte, porém, passada de maneira suave - até mesmo doce.
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2
4.3 5,1K Assista AgoraUm dos poucos filmes que provocarão um vazio em milhões de pessoas. Retratou com fidelidade a última parte da saga, fechando com uma visão otimista a respeito da crueldade ditadora instalada nos vilões da história central. O elenco é formidável e, mesmo que não sejam grandes atores, o trio principal se tornou conhecedor da dominação sobre seus personagens. Alan Rickman e Ralph Fiennes impressionam pelo minimalismo transpassado por seus personagens.
Capitão América: O Primeiro Vingador
3.5 3,1K Assista AgoraA plástica remete à época que o filme pretendeu nos mostrar, mas pode ser mal interpretada pela simplicidade e, em alguns pontos de vista, amadorismo da maquiagem. A fotografia é interessante, não deixando de ser bela, mas poderia impressionar mais.
Super 8
3.6 2,5K Assista AgoraPonto de vista simples que acompanha jovens descobrindo as complicações da vida. Nostálgico,elegante e despretensioso.
Contágio
3.2 1,8K Assista AgoraA ideia de um dream team e uma história interessante que funcione em tela grande está começando a se transformar em algo suspeito. O elenco é ótimo e a premissa, interessante, mas em tela a história de uma possível epidemia que corroesse a humanidade, como a gripe espanhola o fez, atualmente, se transforma fraca quando notamos que nem os personagens nem a própria história consegue se desenvolver com qualidade devido à intromissão de um ao outro - os personagens são unidimensionais e a história, vaga, confusa.
Namorados para Sempre
3.6 2,5K Assista AgoraA sensação nostálgica que permanece no filme desde o início dá o tom certo, melancólico, ao que parece ser o acerto de contas de diversos casais pelo mundo. Muito do que se faz e do que se tem vontade de dizer e se arrepender é ocorrente neste filme que, cru do ponto de vista narrativo, se apoia nas presenças marcantes de Ryan Gosling e Michelle Williams. Pessoalmente, torci mais por Ryan receber indicação ao Oscar. Mas Michelle representou bem.
[spoiler]Logo no início, quando vemos o cuidado com que o personagem de Gosling dá ao veterano que está se "hospedando" no asilo, podemos notar o a degradação de seu personagem conforme seus sonhos morrem e, ao final do filme, o abandono à família, sonhos e possível envelhecimento ao lado de sua amada são quebrados bruscamente.