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Data de lançamento
9 Set. 2011Duração
Beth Emhoff está em um avião voltando de uma viagem de trabalho. Ela está ao lado do empregado de um cassino de Hong Kong e de uma modelo de Londres. Os três começam a passar mal. O marido de Beth é forçado a tomar conta da esposa. Logo descobrimos que Beth foi infectada por um vírus que, a partir dela, se espalha para os habitantes de sua cidade, seu estado, seu país e, com a ajuda dos companheiros de avião, pelo mundo.
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"Contágio" não é apenas um filme sobre epidemia: é uma profecia gravada em 2011 que parece ter viajado no tempo direto para 2020, documentando praticamente tudo o que o mundo enfrentaria com a chegada da Covid-19. Assistir a essa obra hoje dá uma dor no peito, porque o que Steven Soderbergh filmou não foi uma ficção apocalíptica com monstros, mas um retrato nu, cru e assustador da fragilidade humana e das instituições diante de um assassino em massa invisível.
A direção de Soderbergh é um espetáculo de frieza técnica. O horror não vem de explosões ou de um acidente de laboratório, mas da matemática mórbida e precisa do contágio: um toque no corrimão, um cartão de crédito passado no balcão, a maçaneta da porta. Em pouco mais de uma hora e vinte, a sociedade se desfaz como um castelo de cartas. A obra joga na nossa cara a imagem mais dolorosa e real de todas: pessoas morrendo isoladas em suas casas, famílias inteiras destruídas em silêncio, hospitais colapsados e farmácias saqueadas. Um espelho fiel e vivo dos eventos devastadores que presenciamos em 2020.
O roteiro acerta em cheio ao mostrar o caos em todas as frentes da sociedade. De um lado, no topo, a burocracia gelada dos órgãos governamentais e da OMS — representada com brilhantismo por Laurence Fishburne, Kate Winslet e Marion Cotillard —, onde a corrida por soluções expõe privilégios, segredos de bastidor e a incapacidade de conter o pânico global.
Na outra ponta, a narrativa desce para a calçada e se divide entre a conspiração e a sobrevivência pura. Temos a figura emblemática do blogueiro vivido por Jude Law, um sujeito ambíguo que explora a desconfiança da população ao propor um tratamento alternativo — a Forsythia — para desafiar o discurso oficial, deixando no ar aquele questionamento incômodo: "Se ele era um farsante, por que nunca contraiu a doença?".
E, no centro do furacão, o pai de família comum vivido por Matt Damon, que descobre ter uma imunidade natural, mas paga o preço de ver sua esposa morrer logo no Dia 1, precisando proteger o que restou do seu lar no meio do colapso. Com esse elenco pesado entregando atuações contidas e sem heroísmo barato, a produção recusa os clichês convencionais de Hollywood. Não há salvação mágica.
Em 2011, grande parte da crítica especializada cagou para esse longa; ele foi tratado como um trabalho medíocre e Soderbergh visto como um cineasta em decadência. Hoje, essa mesma crítica baba em cima do filme, agindo como se fossem os donos da sua mensagem. Eu assisti na época do lançamento e já tinha achado sensacional: curto, realista e com um elenco pesado. Hoje, confesso que é assustador revê-lo. Trocar o título original por "Covid" parece muito mais coerente com a realidade.
O longa de Soderbergh já não pertence apenas ao cinema; após 2020, ele se tornou parte da memória coletiva da humanidade. Revisitá-lo hoje é mais do que assistir a uma puta obra de ficção: é encarar de frente um dos períodos mais marcantes e dolorosos da nossa história recente. Poucas produções viram sua relevância ser transformada de maneira tão profunda pelos acontecimentos do mundo real. O filme não é só sobre uma pandemia — é o registro definitivo da nossa fragilidade e da memória de um tempo que dificilmente será esquecido. "Contágio" (ou Covid) é uma paulada seca na cabeça. Um filme direto, cirúrgico e sem gordura, que assusta justamente por provar que o maior pesadelo da humanidade não precisa de efeitos especiais para acontecer — basta a realidade dos seus dias.
Medo.
Filme bom demais, ao mesmo tempo assustador e agonizante sobre uma ameaça "invisivel".
Assustador a similaridade com a pandemia de covid-19. Nota-se que houve uma pesquisa profunda com infectologistas e biólogos para se ter uma trama tão bem amarrada. Muito bom.