Scorsese se diverte ao "brincar de fazer cinema", não só emulando os trejeitos de Hitchcock, como também escancarando as aproximações entre o aspecto artesanal e industrial da sétima arte, ou seja, mostrando como ao mesmo tempo uma obra pode ser tão original quanto falsificada.
Gosto particularmente dos curtas-metragens que adotam uma estrutura simples e imediata. GEOMETRIA, por exemplo, é basicamente uma gag, se apropriando do imaginário horrorífico (referenciando diretamente o clássico O EXERCISTA, por exemplo) para atingir o espectador. Com humor peculiar, o filme proporciona a Guilhermo del Toro um oportuno pontapé inicial em sua carreira.
Apesar do argumento interessante, Daniel Ribeiro desenvolve pouco o que poderia ser uma grande história. Não tiro o mérito da escolha em terminar o filme naquele ponto, nem das elipses (desconjuntadas), mas alguma coisa parece ter ficado aquém no resultado final. Talvez a resposta esteja no texto dos personagens: não falam pouco, mas pouco dizem.
O longa-metragem já havia me causado uma excelente impressão, e com o curta não foi diferente. Daniel Ribeiro conduz uma história adolescente profundamente sensível e humana, com personagens complexos, apesar de cotidianos. A preparação do jovem elenco é digna de prêmios, pois é um dos principais responsáveis para o sucesso desta empreitada.
Logicamente, Leos Carax não sucumbiria ao lugar comum quando o Festival de Cannes o intimou a realizar um curta-metragem. Muitas colagens e intervenções marcam SANS TITRE, que também serviu para apresentar um pouco do que seria seu próximo filme na ocasião, o distinto POLA X.
Bato palmas quando um diretor consegue contar uma história tão impressionante em tão pouco tempo (salve Méliès, irmãos Skladanowsky, irmãos Lumière). NAKED EYES dialoga profundamente com nossos medos mais profundos, misturados num impactante devaneio.
Acabei me recordando de uma das minhas músicas favoritas da banda Móveis Coloniais de Acaju:
"Quem é que não enxerga aqui Será eu ou você que não percebe?" [CEGO]
Os filmes de Leos Carax sempre resultam em imagens poderosas, e em GRADIVA não é diferente. A lenta caminhada da mulher pelo corredor é sublime, tudo muito por conta da majestosa direção de fotografia de Caroline Champetier. Ainda não consegui chegar a uma conclusão sobre o movimento (ou a impressão de) executada pela obra: talvez seja apenas uma "força" que vem do intelecto e impulsiona a cinética, representada/causada pel'O Pensador. Alguma interpretação?
Gosto das experimentações alavancadas pela curta duração. MY LAST MINUTE constrói um arco dramático eficiente e ecoa por muito mais tempo do que os seus 60 segundos. A decisão de Leos Carax em filmar numa razão de aspecto reduzida e em utilizar imagens em super 8 não foi nada gratuita e contribuiu para o impacto causado pelo que vemos na tela.
Fabuloso curta-metragem de Villeneuve, diretor que andou rendido ao melodrama - em dois bons filmes, diga-se de passagem -, mas felizmente voltou a flertar com o fantástico no seu mais recente O HOMEM DUPLICADO.
Diverte, mas me deu a sensação de ser apenas uma gag pouco inspirada. Tecnicamente leva o selo Disney de qualidade, mas o roteiro é bobo, o que justifica sua existência única e exclusivamente com o objetivo de manter a franquia aquecida.
Curta-metragem estranhíssimo que levanta mais perguntas do que é capaz de responder - e isto é um elogio! Gosto do cuidado com a direção de arte e a singela trilha sonora.
Particularmente não curto revelações bombásticas reveladas ao final dos filmes de terror, mas neste caso o artifício acaba funcionando. De qualquer forma, esta é uma interessante leitura de como o famoso ouija funciona nas cabeças dos jovens curiosos.
Divertidíssimo, MAURO SHAMPOO: JOGADOR, CABELEIREIRO E HOMEM já demonstra a habilidade na montagem e o carisma na direção de Paulo Henrique Fontenelle. Protagonista mega carismático e background encabeçado pelo "pior time de futebol do mundo". Sensacional!
Gosto do caráter metalinguístico, evidenciando as diferentes técnicas do cinema, e da referência a Buster Keaton em seu BANCANDO O ÁGUIA [SHERLOCK JR., de 1924].
Exemplar de cinema de horror feito em Portugal. O LEPROSO é um filme que dialoga com elementos horroríficos ao colocar seu protagonista diante dos outros personagens, causando-os medo.
Uma mistura de diversos elementos horroríficos: assombrações, religião, gore e corrupção humana. NINJAS é mais uma bela obra assinada por Dennison Ramalho, que para o nosso deleite deveria lançar pelo menos um filme assim por ano.
DE OUTROS CARNAVAIS não acrescenta muita coisa ao excelente conto de Verissimo. No curta-metragem, a decisão de utilizar o voice over para narrar a história é óbvia e pobre cinematograficamente, e ao invés de trazer soluções visuais inteligentes o filme acaba reproduzindo os diálogos e situações da obra que se baseou.
Fiquei impressionado com os movimentos de câmera e com a "seriedade" que Dennison Ramalho empresta ao filme. AMOR SÓ DE MÃE dá aula de como fazer um filme de terror/horror sem querer parecer cult, investindo num terror psicológico já saturado, ou precisar cair de cabeça no trash. É cru, dá medo e é extremamente bem filmado.
Adoro quando um filme de terror/horror se apropria de uma lenda (monstro) fantástica para contar uma história. Juliana Rojas já havia feito isso ao lado de Marco Dutra no soberbo TRABALHAR CANSA e agora em O DUPLO o faz mais uma vez com perfeição.
The Key to Reserva
4.1 11Scorsese se diverte ao "brincar de fazer cinema", não só emulando os trejeitos de Hitchcock, como também escancarando as aproximações entre o aspecto artesanal e industrial da sétima arte, ou seja, mostrando como ao mesmo tempo uma obra pode ser tão original quanto falsificada.
Geometria
3.5 19Gosto particularmente dos curtas-metragens que adotam uma estrutura simples e imediata. GEOMETRIA, por exemplo, é basicamente uma gag, se apropriando do imaginário horrorífico (referenciando diretamente o clássico O EXERCISTA, por exemplo) para atingir o espectador. Com humor peculiar, o filme proporciona a Guilhermo del Toro um oportuno pontapé inicial em sua carreira.
Café com Leite
3.5 364Apesar do argumento interessante, Daniel Ribeiro desenvolve pouco o que poderia ser uma grande história. Não tiro o mérito da escolha em terminar o filme naquele ponto, nem das elipses (desconjuntadas), mas alguma coisa parece ter ficado aquém no resultado final. Talvez a resposta esteja no texto dos personagens: não falam pouco, mas pouco dizem.
Eu Não Quero Voltar Sozinho
4.4 1,9K Assista AgoraO longa-metragem já havia me causado uma excelente impressão, e com o curta não foi diferente. Daniel Ribeiro conduz uma história adolescente profundamente sensível e humana, com personagens complexos, apesar de cotidianos. A preparação do jovem elenco é digna de prêmios, pois é um dos principais responsáveis para o sucesso desta empreitada.
Sans Titre
3.4 2Logicamente, Leos Carax não sucumbiria ao lugar comum quando o Festival de Cannes o intimou a realizar um curta-metragem. Muitas colagens e intervenções marcam SANS TITRE, que também serviu para apresentar um pouco do que seria seu próximo filme na ocasião, o distinto POLA X.
Naked Eyes
3.2 4Bato palmas quando um diretor consegue contar uma história tão impressionante em tão pouco tempo (salve Méliès, irmãos Skladanowsky, irmãos Lumière). NAKED EYES dialoga profundamente com nossos medos mais profundos, misturados num impactante devaneio.
Acabei me recordando de uma das minhas músicas favoritas da banda Móveis Coloniais de Acaju:
"Quem é que não enxerga aqui
Será eu ou você que não percebe?"
[CEGO]
Gradiva
3.3 6Os filmes de Leos Carax sempre resultam em imagens poderosas, e em GRADIVA não é diferente. A lenta caminhada da mulher pelo corredor é sublime, tudo muito por conta da majestosa direção de fotografia de Caroline Champetier. Ainda não consegui chegar a uma conclusão sobre o movimento (ou a impressão de) executada pela obra: talvez seja apenas uma "força" que vem do intelecto e impulsiona a cinética, representada/causada pel'O Pensador. Alguma interpretação?
My Last Minute
3.7 12Gosto das experimentações alavancadas pela curta duração. MY LAST MINUTE constrói um arco dramático eficiente e ecoa por muito mais tempo do que os seus 60 segundos. A decisão de Leos Carax em filmar numa razão de aspecto reduzida e em utilizar imagens em super 8 não foi nada gratuita e contribuiu para o impacto causado pelo que vemos na tela.
Próximo Piso
4.0 60 Assista AgoraFabuloso curta-metragem de Villeneuve, diretor que andou rendido ao melodrama - em dois bons filmes, diga-se de passagem -, mas felizmente voltou a flertar com o fantástico no seu mais recente O HOMEM DUPLICADO.
O Paradoxo da Espera do Ônibus
3.8 413Bela reflexão... muito bem conduzida pelos desenhos e pelo desenho de som. "Quanto mais eu espero, menos vou ter que esperar".
Papá Wrestling
4.0 14A persona do Papá Wrestling é tão séria e tão engraçada que faz tudo no filme funcionar, do sangue aos efeitos especiais, do figurino às atuações.
Eveready Harton in Buried Treasure
3.6 52Uma pérola do cinema mundial. Ousado é pouco para tratar deste curta-metragem de animação produzido ainda na década de 1920. Divertidíssimo!
Frozen: Febre Congelante
3.6 109 Assista AgoraDiverte, mas me deu a sensação de ser apenas uma gag pouco inspirada. Tecnicamente leva o selo Disney de qualidade, mas o roteiro é bobo, o que justifica sua existência única e exclusivamente com o objetivo de manter a franquia aquecida.
Ele Tirou Sua Pele Por Mim
4.0 96Curta-metragem estranhíssimo que levanta mais perguntas do que é capaz de responder - e isto é um elogio! Gosto do cuidado com a direção de arte e a singela trilha sonora.
Aparência e Realidade
3.6 5Uma boa ideia desperdiçada pela pouca elaboração dos personagens, que precisavam ser bem mais carismáticos para o filme funcionar.
Frankenstein
3.8 58 Assista AgoraSó o plano final do espelho já vale o filme inteiro e representa mais objetiva e poeticamente a natureza do "monstro" do que qualquer outra adaptação.
Ouija
2.5 30Particularmente não curto revelações bombásticas reveladas ao final dos filmes de terror, mas neste caso o artifício acaba funcionando. De qualquer forma, esta é uma interessante leitura de como o famoso ouija funciona nas cabeças dos jovens curiosos.
Mauro Shampoo: Jogador, Cabeleireiro e Homem
4.0 5Divertidíssimo, MAURO SHAMPOO: JOGADOR, CABELEIREIRO E HOMEM já demonstra a habilidade na montagem e o carisma na direção de Paulo Henrique Fontenelle. Protagonista mega carismático e background encabeçado pelo "pior time de futebol do mundo". Sensacional!
É Hora de Viajar
4.1 72 Assista AgoraGosto do caráter metalinguístico, evidenciando as diferentes técnicas do cinema, e da referência a Buster Keaton em seu BANCANDO O ÁGUIA [SHERLOCK JR., de 1924].
O Leproso
2.8 1Exemplar de cinema de horror feito em Portugal. O LEPROSO é um filme que dialoga com elementos horroríficos ao colocar seu protagonista diante dos outros personagens, causando-os medo.
Ninjas
4.2 45 Assista AgoraUma mistura de diversos elementos horroríficos: assombrações, religião, gore e corrupção humana. NINJAS é mais uma bela obra assinada por Dennison Ramalho, que para o nosso deleite deveria lançar pelo menos um filme assim por ano.
De Outros Carnavais
2.4 1DE OUTROS CARNAVAIS não acrescenta muita coisa ao excelente conto de Verissimo. No curta-metragem, a decisão de utilizar o voice over para narrar a história é óbvia e pobre cinematograficamente, e ao invés de trazer soluções visuais inteligentes o filme acaba reproduzindo os diálogos e situações da obra que se baseou.
Amor Só de Mãe
4.0 146Fiquei impressionado com os movimentos de câmera e com a "seriedade" que Dennison Ramalho empresta ao filme. AMOR SÓ DE MÃE dá aula de como fazer um filme de terror/horror sem querer parecer cult, investindo num terror psicológico já saturado, ou precisar cair de cabeça no trash. É cru, dá medo e é extremamente bem filmado.
O Duplo
3.9 32Adoro quando um filme de terror/horror se apropria de uma lenda (monstro) fantástica para contar uma história. Juliana Rojas já havia feito isso ao lado de Marco Dutra no soberbo TRABALHAR CANSA e agora em O DUPLO o faz mais uma vez com perfeição.