No final o pai ausente não pede desculpas, mesmo sendo confrontado pelas filhas, não tem "a cena da discussão" ou algo assim. Ele "pede desculpas" por meio de um roteiro do próximo filme, vai render a grande volta pra ele, aí é fácil. Quero ver o olho no olho! A jornada de personagem que mais me agradou, que mais evoluiu foi a Agnes, interpretada pela atriz Inga Ibsdotter Lilleaas. Enfim, p filme poderia ser mais. Queria mais.
Isso sim é um filme que apresenta o conceito de "filme dentro do filme" de forma limítrofe até chegar ao ápice de deixar a gente sem nem saber qual é a real camada de realidade e em qual base a gente tem que se agarrar. Mas a gente precisa se agarrar em algo conhecido? Para que se apegar ao real? A personagem do Louis Garrel já deu a dica, o que chamamos de real na verdade não o é. O que setimos, sonhamos, pensamos, fantasiamos, isso sim é real. A premissa do filme é simples, mas executada na forma de um grande Oroboro da contemporaneidade. O arco do Willy com o Guillaume é muito bom: eles brigam inicialmente, depois vão aos poucos encontrando similaridades para no final acabam juntos num final feliz. A típica comédia romântica dentro do filme que está dentro do filme. IA, Big techs, crítica aos estereótipos dos próprios atores (o que me fez pensar no proprio personagem que eu interpreto na minha vida. Quem eu finjo ser?), moralidade, carreira, inveja, vaidade, presunção, o palpel dos filmes na realidade (isso é Leminski puro, a arte como inuntensílio), insegurança, desalento...o filme não aprofunda nada, mas também não precisa, já saimos tontos demais desse vortex da nossa realidade e provavel futuro. É a lógica de uma timeline de rede social: engaje, execute seu papel nesse futuro comandado por um algoritimo, e quando você pensar que está chegando na realidade, na verdade você está só dentro de mais outra camada do que ainda não é o chamado real.
Como é bom assistir a uma boa obra de arte. Que filme magnífico!
Tudo nele é superlativo sem ser grandiloquente e pretensioso. Belo, humanista, jovem, engraçado, político, cativante...
As atuações são ótimas, a fotografia é belíssima (adoro filmes que abusam dos closes e do zoom), o roteiro é redondinho e te prende desde o início
Melhor ainda quando o filme conversa com obras de arte de outras mídias. O que quero dizer é que em dado momento do filme, o roteiro me lembrou muito o livro
Os detetives selvagens do escritor chileno Roberto Bolaño. Assim como no filme, o livro é ambientado no México, mas a diferença reside que na obra literária dois poetas decidem ir ao encontro de Cesária Tinejaneo, uma misteriosa poetisa da vanguarda mexicana que está desaparecida. No filme o périplo poético é substituído pela procura do enigmático cantor de rock Epigmenio Cruz. De certa forma, essa busca é capitaneada por Tomás, irmão mais novo de Fede (sombra e todas as outras variações). Tomás é que insiste em procurar o recluso cantor (no hospital, no zoológico, na cantina) para pedir um autógrafo em sua fita K7, item que parece constituir o único espólio de um pai que não está mais presente fisicamente. É a teimosia de Tomás que faz Fede e Santos (colega de república de Fede) se movimentarem, saírem de sua inércia e prostração domiciliar para enfim conseguirem colocar o coração realmente onde eles gostam. Na música, indo à universidade, na assembleia da greve, entrando no laboratório onde a tese anterior estava sendo desenvolvida, criando coragem para beijar sua grande paixão.
Abrindo um parênteses aqui. Toda a parte na universidade foi de uma nostalgia e saudosismo avassalador sobre meus próprios tempos na Federal. O encontro com colegas no corredor, as reuniões, todo o universo da cátedra de tudo que vivi (e não vivi) estão nesse trecho do filme o que aumenta o toque de páthos do longa.
Apesar de ter rido em várias cenas, e de ser muito engraçado (Eu disse à direita. Não, você disse "direto") o filme carrega um humor melancólico, um páthos mesmo, refletido não somente na fotografia em preto e branco como também nos temas músicas, autênticos boleros: românticos, arrastados e orquestrados (destaco a Música Azul, interpretada por Natalia Lafourcade e que pasmem, no spotify tem uma versão em que ela canta com o Rodrigo Amarante).
Voltando, é a partir da universidade que entra em cena uma personagem fundamental para a dinâmica do grupo e do filme: Ana. Paquera de Fede ela adiciona mais camadas a trama, proporcionando momentos icônicos e situações imprevistas sem a sua presença. Apesar disso tudo, e do Tomás ser a luz que faz a trama andar (no momento em que ele vai entrando no condomínio do irmão as luzes dos postes ascendem de forma sincronizada ao seu avanço), na minha visão Fede é na verdade o personagem principal. Sua jornada é a mais impactada ao longo do filme e certamente é o que mais amadureceu seja conseguindo dominar o "tigre", seja finalmente conseguindo ir à universidade ou beijando a guria de quem gosta (essa cena do beijo é esplendida, o beijo tão aguardado, que começa em Texcoco e se torna uma elipse para se transportarem de volta a cidade do méxico). É de Fede também o grande solilóquio do filme para o cantor que...hahahah
Se eu fosse listar aqui todas as minhas cenas favoritas do filme acabaria enumerando todos os 111 minutos do longa, e apesar do erro (será que foi erro mesmo?) de continuidade em relação a garota da capa do K7 do Epigmenio Cruz ou das piada metalinguísticas (uma mais ostensiva e outra mais sutil), tais momentos não conseguem obliterar a poética do filme e no final, além de toda a vontade de sermos jovens para sempre, fica no espectador o desejo de poder também ouvir um pouco da música do K7, da qual nunca ouvirmos nem o primeiro acorde (assim como só podemos supor pelo seu brilho dourado, qual seria o objeto que Vincent Vega vê dentro da maleta preta em Pulp Fiction) aqui também é a expressão facial das personagens e seu perplexo relato que nos revela uma nesga da grandeza plenipotenciária da música de Epigmenio (sempre lembrando que "Teve uma vez que ele fez o Bob Dylan Chorar"). Talvez o filme, enfim, nos ensine a valorizarmos nossos próprios cânones músicas da América Latina e lembrando-nos que Arnaldo Baptista, Erasmo Carlos, Charly García, Luís Alberto Spinetta, Gustavo Cerati e tantos outros nos ajudam a colocar o pé na rua, movimentar nossos sonhos e ter o orgulho de não sermos "güeros".
P.S.: Finalizo com o prazer de escrever que esse filme merece genuinamente o clichê de ser um: "clássico moderno".
Achei o inicio do filme muito MTv, muito video clipado. Com uma repetição muito didática de umas metáforas obvías, é a gema do ovo, é o olho, são os infinitos closes no corpo da Margaret Qualley, o didatismo da cena de abertura com a estrela na calçada da fama, o personagem do Dannis Quaid super caricato para mim (super grosseiro, asqueroso, canalha), tudo isso achei trivial, banal.
É muito achismo e nehuma certeza, e como todo opinião é contra seu dono sei que é tudo minha percepção. Talvez eu queria uma análise mais humana e social das conseqências do não equilibrio no uso da substância, algo que aprofundasse nesse sentido psicológico. Nesse sentido a cena que a Demi Moore vai se arrumando pro date e paulatinamente desiste foi a melhor para mim. Aprofundar na dependência viciante da Elisabeth pela Sue seria massa.
Titane é um filme bodyhorror que aprofunda essas temáticas melhor do que A Substância. Eu acho (lá vem esse "acho" de novo). Mas ai tem todas as questões de mercado e distribuição que fazem A Substância ter mais sucesso.
No entanto, não dá para avaliar um filme pelo que ele não é ou com base no que eu queria que o filme fosse, pois assim poderiam ser infinitos modos de fazer o filme e a escolha da diretora foi essa.
Para essa escolha dei 3 estrelas. Pelo Hype que o filme pegou com o público (que achei desproporcioal) dou 2 estrelas. Fica 2,5/5 que tá bom demais.
Cheguei nesse filme por causa da peça Fantasmagoria IV - Agora era tudo tão velho, dos últralíricos, com Dir.: Felipe Hirsch.
E que filme!!! Metalinguistico, disruptivo, imprevisível, jovem, um domínio absurdo da câmera e enquadramento, muito engraçado e com quebra formal dos estilos cinematográficos (especialmente a montagem) gerando assim o seu próprio estilo.
Pereio tá foda. As cenas do táxi, a cena do quarto de hotel e a do bar são puro requinte!!
[/spoiler] - Oi - Oi. Tá bom? - Por que você falou tá bom? Eu só falei: Oi. - Por quê? Não é assim que se fala? - Vamos começar tudo de novo tá bom. - Oi. - Oi. [spoiler]
Nada conclusivo. Nada peremptório.
Não somos apenas consumidores desse filme, mas propriamente consumadores de seu sentido, de seus significados. Se você quiser extrair sentido. Se não, tudo bem. Quem disse que sempre precisa haver sentido? A pistola de Tchékhov não é uma regra pétrea.
No programa da peça que citei na primeira linha, o diretor Felipe Hirsch fala:
"Não há tiro no segundo ato de Bang Bang. Não há sequer segundo ato. Há tiros por todos os lados em Bang Bang Esse filme é, uma década antes, todo o teatro alemão".
Bom filme. Sem firula, sem ser frenético, exagerado ou forçadamente Pop. Mais jazz, mais irônico, mais cínico e com uma sutileza teatral em muitos momentos. Ambientado em 1971, mesmo ano que Nixon formalizou a patética, iníqua e estéril Guerra às drogas.
A narração em off deixa o personagem do Matt Dillon um "Jack Kerouac dos opioides". O texto final é muito bom.
A presença do William S. Burroughs no terceiro ato adiciona ainda mais um toque de elegância ao filme com a carga dramática de seus ótimos diálogos e gestos pausados. (Fica a dica de Naked Lunch, filme do Cronenberg baseado no livro do William S. Burroughs. Pelo que me lembro desse filme o pessoal se droga com inseticida e é cheio de mostruosos insetos, para Gregor Samsa nenhum colocar defeito).
Rio anos 70, policiais, proxenetas, hetairas, dançarinas, assassinos, batedores de carteira, taxistas armados, boates, cortiços, lanchonetes de madrugada, dança lenta ao som de Roberto Carlos, Fantasy tocando no motel, nuances de pornochanchada.
Esse filme é muito bom! quase o submundo de um conto do Rubem Fonseca.
É um produto do seu tempo. Você julga moralmente arte no tempo ou emite juízo de valor?
Primeiro pensei que eram dias diferentes, mas com situações bem parecidas.
Depois comecei a intuir que nenhum personagem se dava conta da repetição das cenas (com pequenas variações): o amigo sempre apresentava a dona do bar, ela não lembrava do beijo anterior, o inicio da neve e depois tudo limpo, etc.
Ai lembrei do Feitiço do Tempo, com Bill Murray e comecei a achar que aqui o protagonista também estava "preso no mesmo dia", com a diferença que além dele a atriz que ele acidentalmente fica encontrando na rua também lembra dos encontros anteriores.
No filme nada disso fica claro, nem o motivo ou o desfecho para qualquer uma das opções.
E isso é ótimo, porque me deu a liberdade de elaborar essas hipóteses e ficar pirando nelas no contexto do filme.
Que decepção. Se ele for mesmo nosso representante no Oscar vai ser outro ano perdido. Não que o Oscar seja parâmetro unânime, mas em filmes estrangeiros costumam acertar. Vai continuar Chile e Argentina vencendo e Brasil nada, pois simplesmente não escolhemos os nossos melhores filmes. Aquarius não ir competir foi a prova viva. Poderia ser Arábia esse ano, do Affonso Uchoa e João Dumans. Esse sim filmão.
Valor Sentimental
3.9 378 Assista AgoraBom filme. E só.
Gostei bem mais dos filmes da Trilogia de Oslo, do mesmo diretor.
Em Valor Sentimental, o que me faltou foi me conectar totalmente no drama dos personagens. Não consegui engajar.
O começo do filme do a "história da casa" era pra isso, mas acho que a montagem picotada de vários anos não ajudou.
Um recorte específico, de uma época delas pequenas, sei lá de 15-20 min talvez fosse melhor.
No final o pai ausente não pede desculpas, mesmo sendo confrontado pelas filhas, não tem "a cena da discussão" ou algo assim. Ele "pede desculpas" por meio de um roteiro do próximo filme, vai render a grande volta pra ele, aí é fácil. Quero ver o olho no olho! A jornada de personagem que mais me agradou, que mais evoluiu foi a Agnes, interpretada pela atriz Inga Ibsdotter Lilleaas. Enfim, p filme poderia ser mais. Queria mais.
O Segundo Ato
3.2 12Um sonho dentro de um sonho dentro de um sonho...que na verdade é a mais pura realidade.
Isso sim é um filme que apresenta o conceito de "filme dentro do filme" de forma limítrofe até chegar ao ápice de deixar a gente sem nem saber qual é a real camada de realidade e em qual base a gente tem que se agarrar. Mas a gente precisa se agarrar em algo conhecido? Para que se apegar ao real? A personagem do Louis Garrel já deu a dica, o que chamamos de real na verdade não o é. O que setimos, sonhamos, pensamos, fantasiamos, isso sim é real. A premissa do filme é simples, mas executada na forma de um grande Oroboro da contemporaneidade. O arco do Willy com o Guillaume é muito bom: eles brigam inicialmente, depois vão aos poucos encontrando similaridades para no final acabam juntos num final feliz. A típica comédia romântica dentro do filme que está dentro do filme. IA, Big techs, crítica aos estereótipos dos próprios atores (o que me fez pensar no proprio personagem que eu interpreto na minha vida. Quem eu finjo ser?), moralidade, carreira, inveja, vaidade, presunção, o palpel dos filmes na realidade (isso é Leminski puro, a arte como inuntensílio), insegurança, desalento...o filme não aprofunda nada, mas também não precisa, já saimos tontos demais desse vortex da nossa realidade e provavel futuro. É a lógica de uma timeline de rede social: engaje, execute seu papel nesse futuro comandado por um algoritimo, e quando você pensar que está chegando na realidade, na verdade você está só dentro de mais outra camada do que ainda não é o chamado real.
Güeros
4.0 51 Assista AgoraComo é bom assistir a uma boa obra de arte. Que filme magnífico!
Tudo nele é superlativo sem ser grandiloquente e pretensioso. Belo, humanista, jovem, engraçado, político, cativante...
As atuações são ótimas, a fotografia é belíssima (adoro filmes que abusam dos closes e do zoom), o roteiro é redondinho e te prende desde o início
Melhor ainda quando o filme conversa com obras de arte de outras mídias. O que quero dizer é que em dado momento do filme, o roteiro me lembrou muito o livro
Os detetives selvagens do escritor chileno Roberto Bolaño. Assim como no filme, o livro é ambientado no México, mas a diferença reside que na obra literária dois poetas decidem ir
ao encontro de Cesária Tinejaneo, uma misteriosa poetisa da vanguarda mexicana que está desaparecida. No filme o périplo poético é substituído pela procura do enigmático cantor de rock Epigmenio Cruz. De certa forma, essa busca é capitaneada por Tomás, irmão mais novo de Fede (sombra e todas as outras variações). Tomás é que insiste em procurar o recluso cantor (no hospital, no zoológico, na cantina) para pedir um autógrafo em sua fita K7, item que parece constituir o único espólio de um pai que não está mais presente fisicamente. É a teimosia de Tomás que faz Fede e Santos (colega de república de Fede) se movimentarem, saírem de sua inércia e prostração domiciliar para enfim conseguirem colocar o coração realmente onde eles gostam. Na música, indo à universidade, na assembleia da greve, entrando no laboratório onde a tese anterior estava sendo desenvolvida, criando coragem para beijar sua grande paixão.
Abrindo um parênteses aqui. Toda a parte na universidade foi de uma nostalgia e saudosismo avassalador sobre meus próprios tempos na Federal. O encontro com colegas no corredor, as reuniões, todo o universo da cátedra de tudo que vivi (e não vivi) estão nesse trecho do filme o que aumenta o toque de páthos do longa.
Apesar de ter rido em várias cenas, e de ser muito engraçado (Eu disse à direita. Não, você disse "direto") o filme carrega um humor melancólico, um páthos mesmo, refletido não somente na fotografia em preto e branco como também nos temas músicas, autênticos boleros: românticos, arrastados e orquestrados (destaco a Música Azul, interpretada por Natalia Lafourcade e que pasmem, no spotify tem uma versão em que ela canta com o Rodrigo Amarante).
Voltando, é a partir da universidade que entra em cena uma personagem fundamental para a dinâmica do grupo e do filme: Ana. Paquera de Fede ela adiciona mais camadas a trama, proporcionando momentos icônicos e situações imprevistas sem a sua presença. Apesar disso tudo, e do Tomás ser a luz que faz a trama andar (no momento em que ele vai entrando no condomínio do irmão as luzes dos postes ascendem de forma sincronizada ao seu avanço), na minha visão Fede é na verdade o personagem principal. Sua jornada é a mais impactada ao longo do filme e certamente é o que mais amadureceu seja conseguindo dominar o "tigre", seja finalmente conseguindo ir à universidade ou beijando a guria de quem gosta (essa cena do beijo é esplendida, o beijo tão aguardado, que começa em Texcoco e se torna uma elipse para se transportarem de volta a cidade do méxico). É de Fede também o grande solilóquio do filme para o cantor que...hahahah
Se eu fosse listar aqui todas as minhas cenas favoritas do filme acabaria enumerando todos os 111 minutos do longa, e apesar do erro (será que foi erro mesmo?) de continuidade em relação a garota da capa do K7 do Epigmenio Cruz ou das piada metalinguísticas (uma mais ostensiva e outra mais sutil), tais momentos não conseguem obliterar a poética do filme e no final, além de toda a vontade de sermos jovens para sempre, fica no espectador o desejo de poder também ouvir um pouco da música do K7, da qual nunca ouvirmos nem o primeiro acorde (assim como só podemos supor pelo seu brilho dourado, qual seria o objeto que Vincent Vega vê dentro da maleta preta em Pulp Fiction) aqui também é a expressão facial das personagens e seu perplexo relato que nos revela uma nesga da grandeza plenipotenciária da música de Epigmenio (sempre lembrando que "Teve uma vez que ele fez o Bob Dylan Chorar"). Talvez o filme, enfim, nos ensine a valorizarmos nossos próprios cânones músicas da América Latina e lembrando-nos que Arnaldo Baptista, Erasmo Carlos, Charly García, Luís Alberto Spinetta, Gustavo Cerati e tantos outros nos ajudam a colocar o pé na rua, movimentar nossos sonhos e ter o orgulho de não sermos "güeros".
P.S.: Finalizo com o prazer de escrever que esse filme merece genuinamente o clichê de ser um: "clássico moderno".
A Substância
3.9 1,9K Assista Agora"Dont belive the hype".
Demorei para assistir. Fugi de todos os spoilers. Agora que assisti não entendo todo o hype em cima desse filme, principalmente sobre as atuações.
É tudo normal. Atuações boas, mas nada demais para premiações.
Fotografia boa também (apesar que eu culpo o Emmanuel Lubezki por todo mundo ficar usando lente grande angular agora hahaha).
Direção de arte e efeitos especiais são muito muito bons.
agora a trama...
Achei o inicio do filme muito MTv, muito video clipado. Com uma repetição muito didática de umas metáforas obvías, é a gema do ovo, é o olho, são os infinitos closes no corpo da Margaret Qualley, o didatismo da cena de abertura com a estrela na calçada da fama, o personagem do Dannis Quaid super caricato para mim (super grosseiro, asqueroso, canalha), tudo isso achei trivial, banal.
É muito achismo e nehuma certeza, e como todo opinião é contra seu dono sei que é tudo minha percepção. Talvez eu queria uma análise mais humana e social das conseqências do não equilibrio no uso da substância, algo que aprofundasse nesse sentido psicológico. Nesse sentido a cena que a Demi Moore vai se arrumando pro date e paulatinamente desiste foi a melhor para mim. Aprofundar na dependência viciante da Elisabeth pela Sue seria massa.
Titane é um filme bodyhorror que aprofunda essas temáticas melhor do que A Substância. Eu acho (lá vem esse "acho" de novo). Mas ai tem todas as questões de mercado e distribuição que fazem A Substância ter mais sucesso.
No entanto, não dá para avaliar um filme pelo que ele não é ou com base no que eu queria que o filme fosse, pois assim poderiam ser infinitos modos de fazer o filme e a escolha da diretora foi essa.
Para essa escolha dei 3 estrelas. Pelo Hype que o filme pegou com o público (que achei desproporcioal) dou 2 estrelas. Fica 2,5/5 que tá bom demais.
Bang Bang
3.9 52Cheguei nesse filme por causa da peça Fantasmagoria IV - Agora era tudo tão velho, dos últralíricos, com Dir.: Felipe Hirsch.
E que filme!!! Metalinguistico, disruptivo, imprevisível, jovem, um domínio absurdo da câmera e enquadramento, muito engraçado e com quebra formal dos estilos cinematográficos (especialmente a montagem) gerando assim o seu próprio estilo.
Pereio tá foda. As cenas do táxi, a cena do quarto de hotel e a do bar são puro requinte!!
[/spoiler]
- Oi
- Oi. Tá bom?
- Por que você falou tá bom? Eu só falei: Oi.
- Por quê? Não é assim que se fala?
- Vamos começar tudo de novo tá bom.
- Oi.
- Oi.
[spoiler]
Nada conclusivo. Nada peremptório.
Não somos apenas consumidores desse filme, mas propriamente consumadores de seu sentido, de seus significados. Se você quiser extrair sentido. Se não, tudo bem. Quem disse que sempre precisa haver sentido? A pistola de Tchékhov não é uma regra pétrea.
No programa da peça que citei na primeira linha, o diretor Felipe Hirsch fala:
"Não há tiro no segundo ato de Bang Bang.
Não há sequer segundo ato.
Há tiros por todos os lados em Bang Bang
Esse filme é, uma década antes, todo o teatro alemão".
Drugstore Cowboy
3.7 109 Assista AgoraBom filme. Sem firula, sem ser frenético, exagerado ou forçadamente Pop. Mais jazz, mais irônico, mais cínico e com uma sutileza teatral em muitos momentos. Ambientado em 1971, mesmo ano que Nixon formalizou a patética, iníqua e estéril Guerra às drogas.
A narração em off deixa o personagem do Matt Dillon um "Jack Kerouac dos opioides". O texto final é muito bom.
A presença do William S. Burroughs no terceiro ato adiciona ainda mais um toque de elegância ao filme com a carga dramática de seus ótimos diálogos e gestos pausados. (Fica a dica de Naked Lunch, filme do Cronenberg baseado no livro do William S. Burroughs. Pelo que me lembro desse filme o pessoal se droga com inseticida e é cheio de mostruosos insetos, para Gregor Samsa nenhum colocar defeito).
O Guardião
3.5 6Ele só queria se libertar para poder entrar no mar
Rambo: Programado Para Matar
3.7 607 Assista AgoraMuito bom o filme e a reflexão do papel social e mental dos soldados pós-guerra.
Além da força do monólogo final, imagina se fosse adicionado o que tem no livro:
Ouvi dizer que no livro o Rambo se suicida no final!
Amor Bandido
3.5 27 Assista AgoraRio anos 70, policiais, proxenetas, hetairas, dançarinas, assassinos, batedores de carteira, taxistas armados, boates, cortiços, lanchonetes de madrugada, dança lenta ao som de Roberto Carlos, Fantasy tocando no motel, nuances de pornochanchada.
Esse filme é muito bom! quase o submundo de um conto do Rubem Fonseca.
É um produto do seu tempo. Você julga moralmente arte no tempo ou emite juízo de valor?
ANNA
2.7 7onde posso ver esse filme? (18/09/2021)
O Dia em que Ele Chegar
3.8 21Filme muito bom.
Me ganhou de cara pela fotografia e pelos zooms. Curti os diálogos também.
Primeiro pensei que eram dias diferentes, mas com situações bem parecidas.
Depois comecei a intuir que nenhum personagem se dava conta da repetição das cenas (com pequenas variações): o amigo sempre apresentava a dona do bar, ela não lembrava do beijo anterior, o inicio da neve e depois tudo limpo, etc.
Ai lembrei do Feitiço do Tempo, com Bill Murray e comecei a achar que aqui o protagonista também estava "preso no mesmo dia", com a diferença que além dele a atriz que ele acidentalmente fica encontrando na rua também lembra dos encontros anteriores.
No filme nada disso fica claro, nem o motivo ou o desfecho para qualquer uma das opções.
E isso é ótimo, porque me deu a liberdade de elaborar essas hipóteses e ficar pirando nelas no contexto do filme.
Sertânia
3.8 30Onde posso ver esse filme?
(22/11/2020)
O Grande Circo Místico
2.2 140 Assista AgoraQue decepção.
Se ele for mesmo nosso representante no Oscar vai ser outro ano perdido.
Não que o Oscar seja parâmetro unânime, mas em filmes estrangeiros costumam acertar. Vai continuar Chile e Argentina vencendo e Brasil nada, pois simplesmente não escolhemos os nossos melhores filmes.
Aquarius não ir competir foi a prova viva.
Poderia ser Arábia esse ano, do Affonso Uchoa e João Dumans. Esse sim filmão.