Achei o filme bastante agradável, apesar de perder o ritmo e o argumento na segunda metade. A direção de arte é simplesmente esplêndida, das maquetes à cenografia e chegando na escolha precisa de mobiliário assinado. Por fim, vale o comentário do quão nostálgico é para nós assistir um filme em que se sonhava bem com o futuro, mesmo que essa estética reluzente e benfazeja se assemelhe de fundo às distopias açucaradas de Huxley e afins.
Praticamente não existe desenvolvimento de personagem entre a série original e esse filme, o que por um lado cede à nostalgia mas, por outro, deixa uma certa estranheza ao ver adultos se comportando como crianças. Se é para ser assim, por que avançar vinte anos no tempo? E outra, não havia ideias melhores na mesa que o inimigo malvadão atrás da relíquia perdida pra acabar com todas as guerras? O que é isso, Indiana Jones? Enfim, a animação é linda, mas estamos quilômetros da qualidade narrativa da série original.
O filme tem mesmo problemas de andamento - fora isso, é um primor. A evolução de um drama adolescente para uma crítica política e por fim uma solta elaboração filosófica sobre a humanidade diz muito sobre as expectativas pra esse projeto, espécie de ópera espacial que nunca sai do chão. Pontos para a direção de arte, que fez um worldbuilding nível Steam Boy com um detalhismo nível Ghibli. Em uma cena, o protagonista vai a um banheiro de madeira e, posso dizer com certeza, somente o design desse banheiro teve mais criatividade que muitas horas de filmes por aí. Ao fim, deixa um gosto triste na boca saber que esse filme foi um fracasso à época, e que gigantes como Mamoru Oshii, Hideaki Anno e mesmo Hayao Miyazaki foram influenciados não apenas pelo filme, mas por essa insensibilidade. Situação que, curiosamente, ressoa com o conteúdo do filme e que acabou me marcando: o investimento em um sonho que, ao fim, caem em olhos cansados e ouvidos surdos.
A ideia é interessante, mas muito mal apresentada. Os personagens agem de maneiras emocionadas e bestas, e a série acaba ficando maçante, pra não dizer previsível. Um desperdício tremendo.
Puxa, é um desses filmes que não dá nem muita vontade de comentar. Um liquidificador de ideias sem coesão nem inspiração, mas a direção de arte tem seus méritos.
Apesar do filme ser famoso pela Dietrich, foi a atuação do Jammings que me marcou. A fotografia também é belíssima, quase se sente a textura da película, e os cenários urbanos foram muito bens construídos. Fora isso, no entanto, não gostei de nada: é um clichê moral de contornos bastante exagerados.
É um filme que morre na praia. Tem um trabalho muito interessante sobre o simbolismo católico e principalmente de gênero, mas a inclusão de um certo suspense deixa tudo estranho, desconjuntado. Tivessem focado no simbolismo ou no susto, seria um ótimo filme, mas nesse meio-termo a impressão que fica é a de falta de direção.
A câmera bêbada, a sonoplastia cacofônica, as atuações de improviso, o mise-en-scene caótico, a fotografia atmosférica e os planos longuíssimos fazem desse filme uma experiência realmente única, uma das mais imersivas que já tive. Ao contrário dos comentários abaixo, a escatologia toda não me incomodou não, achei um retrato bastante fiel de contextos medievais. O que me incomodou mesmo foi o enredo que, ao se construir de insignificâncias e mesquinharias, não forma mensagem alguma, não contempla verdade nenhuma, não transmite esperança a ninguém: é a crueza sem sentido da história humana por três horas ininterruptas e incansáveis. É um argumento um pouco tosco, admito, mas tudo que pode ser dito de ruim do filme está lá de propósito. Às vezes um filme não é pra curtir mesmo, é pra suportar por três horas mas lembrar por anos e anos.
O tipo de produção que deslegitima a ufologia. Não tem discussão, contraposição, racionalização, nada: é só um gringo andando de um lado pro outro, falando com crentes no assunto e fazendo cara de reflexivo. Chamar isso de investigação é uma comédia. Pra quem de fato se interessa no assunto, melhor ouvir o podcast Operação Prato do Paratopia que esse americano metido a besta.
É um argumento originalíssimo prum filme de terror, ainda mais pro subgênero demoníaco que mingua dia após dia entre os clichês do catolicismo e a sombra dos clássicos. Mas a execução deixa a desejar, e muito. O argumento se perde em flashbacks desnecessários, sentimentalismos cafonas, estéticas contrastantes e num final que, tentando satirizar, acaba encerrando uma boa ideia de forma confusa e, pior, irrelevante.
Chega a ser inacreditável que, em meio a tantas boas séries sendo canceladas, esse charlatanismo de boteco tenha ganhado uma segunda temporada. Precisa dizer que o sobrinho desse jornalista metido a intelectual é gerente de produção do Netflix? Acho que não, né...
Acho que o choque e o charme do final se perderam com as mudanças nas noções de feminilidade e romance - e mesmo com as próprias inovações da linguagem cinematográfica desde 1930 - mas é de se imaginar o impacto de uma virada dessas na época, virada que mesmo noventa e cinco anos depois ainda provoca discussão em fóruns de cinema.
É plasticamente muito bonito, com uma direção de arte bastante inspirada, e o Miyazaki ainda consegue manter aceso aquele senso de fantástico que tornou seus filmes famosos. A história, porém, é outra história: referências vazias, oportunidades perdidas, mitologias inexploradas, e tudo um pouco sem fôlego, sem completude, como um gesto que não se pretende expressivo. Se o diretor se jogasse no surrealismo da coisa toda, seria um estrondo de filme, mas do modo como foi lançado, é mais um romance de formação com uma animação bonita. Mas o Miyazaki é o Miyazaki, e mesmo com essas falhas todos o filme é bastante charmoso.
É uma direção competente, com pontos pra atuação mais que convincente do Jude Law. O pecado do filme é realmente o enredo, tristemente genérico, que em quase tudo acaba lembrando algum outro filme mais memorável como Sierra Madre ou Das Boot.
Chega a ser irônico que um filme tão estereotípico consiga manejar com destreza assuntos bastante sensíveis à história dos EUA. Na febril junção entre euforia technicolor e niilismo social de Nicholas Ray, passamos por linchamentos raciais, concentração de renda, desigualdade de gênero, vulnerabilidade social, pânico moral, e até pela repressão sexual da antagonista que, pra mim, é queer coded do começo ao fim. A personagem de Crawford, por óbvio, rouba a cena sempre que aparece, mas me incomodou as muitas formas de captura do seu protagonismo - a começar pelo título do filme. No mais, o trabalho de fotografia é esplêndido, mas o andamento do enredo é um pouco atrapalhado.
O argumento de forma geral é bem interessante, os efeitos impressionam pra época, e a direção de arte desenvolveu um retrofuturismo meio industrial meio gótico que é de dar inveja até hoje. De tudo isso, dá pra pensar que é um filme engenhoso e inteligente de ficção científica. Mas como não podia deixar de ser com o gênero, o desenvolvimento e os personagens são tão superficiais que, apesar de boa, a coisa toda acaba deixando um gosto meio Sessão da Tarde na boca. Em alguns momentos, lembra Matrix, em outros, Os Treze Fantasmas.
Steins;Gate
4.5 108Fiquei esperando esperando a história engatar, e o anime acabou. Bem fraquinho.
A Odisseia
4.2 583Meh.
The Gospel According to André
3.5 2Meh.
Fuga do Século 23
3.5 79Achei o filme bastante agradável, apesar de perder o ritmo e o argumento na segunda metade. A direção de arte é simplesmente esplêndida, das maquetes à cenografia e chegando na escolha precisa de mobiliário assinado. Por fim, vale o comentário do quão nostálgico é para nós assistir um filme em que se sonhava bem com o futuro, mesmo que essa estética reluzente e benfazeja se assemelhe de fundo às distopias açucaradas de Huxley e afins.
Avatar Aang: O Último Mestre do Ar
4.1 65 Assista AgoraPraticamente não existe desenvolvimento de personagem entre a série original e esse filme, o que por um lado cede à nostalgia mas, por outro, deixa uma certa estranheza ao ver adultos se comportando como crianças. Se é para ser assim, por que avançar vinte anos no tempo? E outra, não havia ideias melhores na mesa que o inimigo malvadão atrás da relíquia perdida pra acabar com todas as guerras? O que é isso, Indiana Jones? Enfim, a animação é linda, mas estamos quilômetros da qualidade narrativa da série original.
The Wings of Honneamise
3.7 11O filme tem mesmo problemas de andamento - fora isso, é um primor. A evolução de um drama adolescente para uma crítica política e por fim uma solta elaboração filosófica sobre a humanidade diz muito sobre as expectativas pra esse projeto, espécie de ópera espacial que nunca sai do chão. Pontos para a direção de arte, que fez um worldbuilding nível Steam Boy com um detalhismo nível Ghibli. Em uma cena, o protagonista vai a um banheiro de madeira e, posso dizer com certeza, somente o design desse banheiro teve mais criatividade que muitas horas de filmes por aí. Ao fim, deixa um gosto triste na boca saber que esse filme foi um fracasso à época, e que gigantes como Mamoru Oshii, Hideaki Anno e mesmo Hayao Miyazaki foram influenciados não apenas pelo filme, mas por essa insensibilidade. Situação que, curiosamente, ressoa com o conteúdo do filme e que acabou me marcando: o investimento em um sonho que, ao fim, caem em olhos cansados e ouvidos surdos.
Pluto (1ª Temporada)
4.1 50 Assista AgoraSérie maçante que subestima o espectador.
Pluto (1ª Temporada)
4.1 50 Assista AgoraA ideia é interessante, mas muito mal apresentada. Os personagens agem de maneiras emocionadas e bestas, e a série acaba ficando maçante, pra não dizer previsível. Um desperdício tremendo.
Equilibrium
3.5 623Puxa, é um desses filmes que não dá nem muita vontade de comentar. Um liquidificador de ideias sem coesão nem inspiração, mas a direção de arte tem seus méritos.
O Anjo Azul
4.1 92 Assista AgoraApesar do filme ser famoso pela Dietrich, foi a atuação do Jammings que me marcou. A fotografia também é belíssima, quase se sente a textura da película, e os cenários urbanos foram muito bens construídos. Fora isso, no entanto, não gostei de nada: é um clichê moral de contornos bastante exagerados.
A Primeira Profecia
3.4 411 Assista AgoraÉ um filme que morre na praia. Tem um trabalho muito interessante sobre o simbolismo católico e principalmente de gênero, mas a inclusão de um certo suspense deixa tudo estranho, desconjuntado. Tivessem focado no simbolismo ou no susto, seria um ótimo filme, mas nesse meio-termo a impressão que fica é a de falta de direção.
É Difícil Ser Um Deus
3.8 28A câmera bêbada, a sonoplastia cacofônica, as atuações de improviso, o mise-en-scene caótico, a fotografia atmosférica e os planos longuíssimos fazem desse filme uma experiência realmente única, uma das mais imersivas que já tive. Ao contrário dos comentários abaixo, a escatologia toda não me incomodou não, achei um retrato bastante fiel de contextos medievais. O que me incomodou mesmo foi o enredo que, ao se construir de insignificâncias e mesquinharias, não forma mensagem alguma, não contempla verdade nenhuma, não transmite esperança a ninguém: é a crueza sem sentido da história humana por três horas ininterruptas e incansáveis. É um argumento um pouco tosco, admito, mas tudo que pode ser dito de ruim do filme está lá de propósito. Às vezes um filme não é pra curtir mesmo, é pra suportar por três horas mas lembrar por anos e anos.
Mononoke - O Filme: O Fantasma na Chuva
3.7 8 Assista AgoraQue felicidade abrir o Netflix e ver uma continuação do Mononoke, do nada! Já aproveitei e revi toda a série original, porque, pqp, que produção boa.
Investigação Alienígena (1ª Temporada)
3.3 15 Assista AgoraO tipo de produção que deslegitima a ufologia. Não tem discussão, contraposição, racionalização, nada: é só um gringo andando de um lado pro outro, falando com crentes no assunto e fazendo cara de reflexivo. Chamar isso de investigação é uma comédia. Pra quem de fato se interessa no assunto, melhor ouvir o podcast Operação Prato do Paratopia que esse americano metido a besta.
Entrevista com o Demônio
3.4 777 Assista AgoraÉ um argumento originalíssimo prum filme de terror, ainda mais pro subgênero demoníaco que mingua dia após dia entre os clichês do catolicismo e a sombra dos clássicos. Mas a execução deixa a desejar, e muito. O argumento se perde em flashbacks desnecessários, sentimentalismos cafonas, estéticas contrastantes e num final que, tentando satirizar, acaba encerrando uma boa ideia de forma confusa e, pior, irrelevante.
Revelações Pré-históricas (2ª Temporada)
3.2 7 Assista AgoraChega a ser inacreditável que, em meio a tantas boas séries sendo canceladas, esse charlatanismo de boteco tenha ganhado uma segunda temporada. Precisa dizer que o sobrinho desse jornalista metido a intelectual é gerente de produção do Netflix? Acho que não, né...
Segredos Revelados
0.8 2Daqueles filmes que te marcam de tão ruim.
The Promised Neverland (1ª Temporada)
4.4 156 Assista AgoraEnredo vigoroso e bem executado, com só um punhado de clichês e sentimentalismos de resto típicos ao gênero.
Marrocos
3.8 31 Assista AgoraAcho que o choque e o charme do final se perderam com as mudanças nas noções de feminilidade e romance - e mesmo com as próprias inovações da linguagem cinematográfica desde 1930 - mas é de se imaginar o impacto de uma virada dessas na época, virada que mesmo noventa e cinco anos depois ainda provoca discussão em fóruns de cinema.
O Menino e a Garça
3.9 330É plasticamente muito bonito, com uma direção de arte bastante inspirada, e o Miyazaki ainda consegue manter aceso aquele senso de fantástico que tornou seus filmes famosos. A história, porém, é outra história: referências vazias, oportunidades perdidas, mitologias inexploradas, e tudo um pouco sem fôlego, sem completude, como um gesto que não se pretende expressivo. Se o diretor se jogasse no surrealismo da coisa toda, seria um estrondo de filme, mas do modo como foi lançado, é mais um romance de formação com uma animação bonita. Mas o Miyazaki é o Miyazaki, e mesmo com essas falhas todos o filme é bastante charmoso.
Mar Negro
3.4 119É uma direção competente, com pontos pra atuação mais que convincente do Jude Law. O pecado do filme é realmente o enredo, tristemente genérico, que em quase tudo acaba lembrando algum outro filme mais memorável como Sierra Madre ou Das Boot.
O Expresso de Xangai
3.7 60 Assista AgoraUm daqueles filmes que a cada dois minutos tem um frame perfeitamente emoldurável.
Johnny Guitar
4.1 105 Assista AgoraChega a ser irônico que um filme tão estereotípico consiga manejar com destreza assuntos bastante sensíveis à história dos EUA. Na febril junção entre euforia technicolor e niilismo social de Nicholas Ray, passamos por linchamentos raciais, concentração de renda, desigualdade de gênero, vulnerabilidade social, pânico moral, e até pela repressão sexual da antagonista que, pra mim, é queer coded do começo ao fim. A personagem de Crawford, por óbvio, rouba a cena sempre que aparece, mas me incomodou as muitas formas de captura do seu protagonismo - a começar pelo título do filme. No mais, o trabalho de fotografia é esplêndido, mas o andamento do enredo é um pouco atrapalhado.
O Enigma do Horizonte
3.2 358O argumento de forma geral é bem interessante, os efeitos impressionam pra época, e a direção de arte desenvolveu um retrofuturismo meio industrial meio gótico que é de dar inveja até hoje. De tudo isso, dá pra pensar que é um filme engenhoso e inteligente de ficção científica. Mas como não podia deixar de ser com o gênero, o desenvolvimento e os personagens são tão superficiais que, apesar de boa, a coisa toda acaba deixando um gosto meio Sessão da Tarde na boca. Em alguns momentos, lembra Matrix, em outros, Os Treze Fantasmas.