Desde 'Vingadores Ultimato' que a Marvel Studios não vem trazendo bons longas para as telas, muito provavelmente pelo fato de se acharem maior do que são, isento a erros, e começarem a apostar em personagens e equipes menos conhecidas do grande público, esperando obter o mesmo sucesso de projetos como 'Homem-Formiga' e 'Guardiões da Galáxia'. Ou até mesmo olhando o sucesso de Venom na Sony, e enxergando um espaço para apostar em outros personagens e adquirir o mesmo sucesso de projetos passados, só pelo fato de estar sob as asas do estúdio.
Nós tivemos filmes que foram realmente muito bons, nível Marvel Studios mesmo, como 'Homem-Aranha Sem Volta pra Casa' e 'Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis'... tivemos filmes medianos que não fede e não cheira, como "Viúva Negra" e "Eternos"... e filmes que deixaram a desejar, com qualidade realmente bem abaixo, como "Quantumania" e "As Marvels"... fora as séries que entre erros e acertos, o real problema foi a grande quantidade, com pouca qualidade.
Recentemente, vendo entrevistas de divulgação do filme no Youtube, eu descobri que 'Thunderbolts*' não estava nos planos de Kevin Feige, a ideia foi trazida mesmo por Jake Schreier, que foi recusada na primeira vez, e aprovada na segunda, e após o anúncio de que viria um filme dos Thunderbolts, eu fiquei bem intrigado, porque era uma ideia interessante, mas que deveria ser bem articulado para fazer sentido dentro do que acontecia atualmente dentro do MCU.
Nos quadrinhos, os Thunderbolts eram o grupo de vilões 'Mestres do Terror', inimigos dos Vingadores, que, após o desaparecimento dos Vingadores e do Quarteto Fantástico na batalha conta Massacre, viram uma oportunidade de ocupar o lugar dos protetores da terra, uma vez que não tinham mais heróis para defender o planeta com a ausência deles. Os Mestres do Terror assumiram outros codinomes e outros uniformes, se auto intitularam Thunderbolts, e passaram a ter como base o antigo quartel general do Quarteto, o Four Freedoms Plaza, e se tornaram os mais novos protetores da terra. Até os dois grupos voltarem da 'morte', e os Thunderbolts acabaram virando um grupo pra que vilões quisessem se redimir de seus erros... nem todos eles.
No MCU a premissa é quase parecida, alguns pontos foram respeitados, e algumas licenças criativas foram criadas, mas o grupo acaba se unindo no final para tentar fazer um bem, sobre um mal que eles não causaram, mas estiveram diretamente envolvidos.
O roteiro é de Eric Pearson e Joanna Callo, com ideia original de Jake Schreier, o diretor do filme, que fez um trabalho excelente com o longa, focando na história em mãos, nos personagens que está trabalhando, e criando uma identidade para o filme. Ele sabe que o longa é mais uma peça na Fase atual que o MCU se encontra, que vai servir em construir uma estrada que culminará no dois filmes dos Vingadores que fecharam mais uma saga do estúdio. Porém ele teve a destreza de entregar um filme mesmo, um filme completo, com começo, meio e fim, um longa que conversa consigo mesmo, uma experiência cinematográfica que se fecha em si, um filme dentro do MCU que conversa apenas consigo próprio, mesmo pavimentando um caminho para filmes vindouros. Acho que o grande trunfo do longa está nisso, e era o que sentíamos falta desde os filmes solos do Homem de Ferro, Capitão América e Guardiões da Galáxia.
Não lembro quem do elenco comentou antes, que o filme se assemelhava muito a projetos da A24, e acertou no que falou, pois temos bons elementos encontrados nos projetos da A24, que foram incorporados ao roteiro de 'Thunderbolts*' e trouxe muita identidade para o filme. Muito se foi falado que o filme foi feito para que pessoas que nunca viram nada do MCU pudessem desfrutar dele, sem precisar ver nada que veio antes... mas verdade seja dita, se a pessoa no mínimo não viu 'Viúva Negra', vai se perguntar o porque de muita coisa no filme, e isso ajuda e muito em você se achar no começo do filme, pelo menos o mínimo. Para os que não estão acostumados a acompanhar o MCU, ou para aqueles que não acompanham tudo, se quiserem chegar no filme sem estarem perdidos, é legal acompanhar antes os filmes da 'Viúva Negra' e 'Homem Formiga e a Vespa', e a série 'Falcão e o Soldado Invernal'.
O filme é ótimo, me diverti bastante e me surpreendeu bastante, bem diferente do que eu esperava que um filme dos Thunderbolts fosse. Não temos um vilão propriamente dito no filme, uma vez que Bob tem todos os seus problemas internos para resolver, e Valentina, mesmo sendo pintada como a real antagonista do filme, querendo ou não, ela quer financiar a próxima equipe de super-heróis que irá proteger os cidadãos americanos, na ausência dos Vingadores, e claro, ela quer ganhar Status, quer ganhar dinheiro, quer ter poder, ela tem ganância e tudo mais...ela quer fazer o bem independente de como será feito, e quer lucrar com isso.
Eu gostei muito do primeiro ato do filme, onde Yelena, Walker, Ava, Treinadora e Bob se enfrentam debaixo da montanha (referência aos quadrinhos, com a Montanha dos Thunderbolts) onde eles lutam entre si, e o terceiro ato quando eles tem que salvar Nova York do 'Sentinela' ou Sentry. O segundo ato é bacana, mas um pouco devagar comparado aos outros dois, e claro que a cena onde eles são perseguidos no deserto é muito foda, com Bucky aparecendo e ajudando a deter seus perseguidores e logo depois capturando o grupo, mas os demais acontecimentos deste ato faz o ritmo do filme cair um pouco, com algumas interações que estão ali mais para encher um pouco de barriga o filme... nada que atrapalhe a experiência de assistir o longa, ou que o deixe enfadonho nem nada do tipo, na verdade é tudo importante para o andamento do longa, porém na minha opinião pessoal é que o segundo ato fica um pouco abaixo do ato inicial e ato final.
Muito se falou sobre a química dos personagens no longa, e pelo que pude observar não tem nenhum ponto negativo nisso, e a química entre eles é muito boa e muito bem construída. Muitos falaram sobre como a Fantasma estava deslocada dos demais, até pelo fato dela ser menos desenvolvida do que o Walker, a Yelena e o Bob... o que eu concordo, o fato de ela receber menos atenção no filme e ser apenas mais um integrante do grupo, mas isso nem de longe atrapalha a química que ela tem com os demais personagens do longa, e nem a química geral entre eles, incluindo até a Mel e a Valentina.
Como mencionei, o foco do filme mesmo está no desenvolvimento de Yelena, de uma ex-Viúva assassina de aluguel, para uma mulher mergulhada em uma tremenda depressão que após perder a irmã amada, não tem mais ninguém no mundo, nem amigos e nem família, tirando o pai que não entrou mais em contato. Também temos o foco em Walker, o Agente Americano, que passou por uma crise em seu casamento, muito pelo fato de não ter conseguido seguir como Capitão América, e ter sua imagem e ficha sujas pelo assassinato que cometeu em praça pública na Europa na série do Disney Plus.
Mas o foco maior, que eu até fiquei surpreso mesmo, está em Bob, o Sentry/Sentinela, que aqui diverge levemente de sua contraparte dos quadrinhos, mantendo seus problemas mentais, sua tripla personalidade e seus traumas do passado. Nos quadrinhos, Bob se tornou o Sentinela, uma pessoa que detém o poder de mil sóis explodindo dentro de si, e que em um de seus surtos, fez com que o mundo todo esquece de sua existência. Depois de ser descoberto novamente e trazido de volta a realidade pelo Doutor Estranho, o Sentinela se juntou aos Novos Vingadores, mas continua tendo sua personalidade malvada, o Vácuo, dentro de si, sempre querendo se libertar para destrui-lo e destruir consequentemente o mundo. Uma curiosidade é que nos quadrinhos, Bob é casado, possui um cachorro e é muito amigo do Hulk.
No filme, Bob fez parte de um experimento da OXE, empresa clandestina ligada a Valentina, que pretendia criar um ser super poderoso para ser o maior heróis da terra, que Val pudesse controlar... mas Bob tinha muitos transtornos mentais, um passado bem complicado, complexos de grandeza e por aí vai. Isso desenvolveu nele a personalidade de Vácuo, e somado ao seu passado doloroso nas mãos de seus pais que não o amavam o suficiente, fez com que Bob ficasse instável e criasse todos os problemas visto no filme.
Por isso que o filme não tem propriamente um vilão, por mais que eles lutassem contra Valentina e tivessem a intenção de levá-la para trás das grades... Bob precisava de tudo depois do Vácuo tomar controle de seu corpo, mas a batalha era interna, e tudo que Bob precisava era de pessoas que acreditassem nele e não o abandonassem para que ele conseguisse ter as forças necessárias para não sucumbir ao seu lado negro. Não foi uma batalha final ao estilo Marvel, mas foi um ótimo embate de terceiro ato, com algumas cenas que fizeram as pessoas no cinema ficarem boquiabertas... e uma resolução final, quando todos abraçam Bob, que fizeram algumas pessoas na sala (principalmente mulheres) soluçarem suas lágrimas, em uma cena, ou sequência de eventos envolvendo Bob, que realmente é emocionante, e se torna o coração do filme.
Realmente Bob e Yelena são o coração do filme, as duas figuras que fazem o filme caminhar e ser o que ele é, com Alexei sendo o fator cômico do filme, servindo como a voz da razão para Yelena... e John Walker sendo o personagem que passa por aquela transformação de personagem odiado na série do Disney Plus, para um personagem respeitado e que evoluiu neste filme. Isso sim, é um roteiro para ser muito respeitado.
Florence Pugh está sensacional, a melhor personagem do longa junto de Bob, interpretado pelo ótimo Lewis Pullamn (Top Gun Maverick), já virei fã dele... fez um trabalho primoroso como Bob, achou o tom perfeito para seu personagem, entendeu o tom do personagem no filme, e deu grandiosidade e humildade na medida certa para Bob... que personagem o MCU criou, tem vida longa dentro do estúdio, se for bem usado e escrito.
David Harbour sempre sendo ótimo, mesmo que aqui tenha se limitado a apenas piadas com seu Guardião Vermelho, o alívio cômico, uma espécie de novo Drax... uma pena se ele ficar limitado a a apenas isso, terá pouco em mãos para trabalhar com o personagem no futuro.
O ótimo Wyatt Russell mais uma vez fazendo uma ótima performance com seu John Walker, tendo mais camadas para levar seu personagem a outras variáveis dentro do longa.
Hannah John-Kamen volta como Ava, a Fantasma, e querendo ou nõ, neste filme ela tem pouco para trabalhar com sua personagem, o mesmo pouco que teve no segundo filme do Homem-Formiga. Aqui ela tem mais falas, mas pouco desenvolvimento e poucos momentos de destaque ou espaço para sua personagem mostrar um acerta evolução. Ela apenas ajuda seus novos companheiros e perde um pouco de seu instinto assassino que veio à tona no começo do filme.
Sebastian Stan voltando como Bucky Barnes, o Soldado Invernal, e sinceramente achei que ele teve pouco a mostrar no longa, eu esperava bem mais do personagem dele no filme, não teve desenvolvimento nenhum, parece que seu personagem chegou no ápice do desenvolvimento e não tem mais caminho a percorrer em termos de mudança dentro do MCU, meio que deu uma estagnada. É a impressão que tive. Faltou muito mais de Bucky no filme, muito mesmo. Um deputado que não é exatamente deputado, tá mais para fora da lei do que para político. Tem que tomar cuidado com essa acomodação em volta do personagem, dá indícios de que pode ficar desinteressante suas participações em produções futuras.
SPOILER ABAIXO; Olga Kurylenko coitada, foi limada do filme, com sua Treinadora sendo morta já no início do filme por Ava. Teve apenas uma fala. Foi confirmado por Eric Pearson, um dos roteiristas, que a Treinadora de Olga estava até a batalha contra o Sentinela na Torre dos Vingadores comprada por Valentina. Ela participaria daquela luta junto aos outros... porém por motivos desconhecidos, que só o diretor Jake Schreier pode responder, ela já foi tirada de cena nos minutos inicias do filme. Eu meio que já suspeitava de uma decisão assim, uma vez que Olga não esteve presente nas premieres do filme, e em nenhuma entrevista junto ao elenco nos programas estrangeiros. Somando-se a isso, o fato dela ser a única atriz do grupo dos Thunderbolts a não ser confirmada em Vingadores Doomsday, no vídeo das cadeiras de mais de cinco horas no Youtube. E realmente, cagaram com o Treinador no MCU, nada, mas nada a ver sua contraparte do MCU com a dos quadrinhos, totalmente decepcionante.
Tivemos ainda a já monstra da atuação cômica, Julia Dreyfus-Louis como a já caricata Valentina Allegra de Fontaine, totalmente oposta de sua contraparte dos quadrinhos, mas muito mais interessante. Além de Gearldine Viswanathan que fez a Mel, assistente de Valentina, tendo pouco para trabalhar com o roteiro que lhe foi entregue, mas claramente competente como atriz, sem falar que é linda demais.
Uma curiosidade está na escalação dos atores para Bob e Mel. Bob inicialmente iria ser interpretado por Steven Yeun, de The Walking Dead, mas teve que deixar o projeto pelo fato da pandemia ter aparecido e e as gravações do longa coincidirem com outros projetos que ele já havia se comprometido antes de aceitar esse longa. De última hora tiveram que chamar Lewis Pullman que entregou esta performance que achei incrível.
Já a personagem Mel, iria ser inicialmente interpretado pela Ayo Edebiri, da série 'The Bear' e do filme 'Bodies Bodies Bodies', porém Ayo também teve que deixar o projeto por acabar interferido em outros projetos que ea também já havia se comprometido. Curioso em saber como seria se os dois tivessem permanecido no projeto, e claramente deu pra perceber no tom da personagem de Geraldine que ela possui uma veia cômica grande que é um forte traço de atuação de Ayo, como já visto no filme 'Bodies Bodies Bodies'.
Inclusive, o personagem de Geraldine se chama Mel, que curiosamente é o diminutivo de Melissa. Nas HQ's uma das personagens fundadoras dos Thunderbolts foi Melissa Gold, a Soprano, que antes era conhecida como a vilã Colombina. Melissa se tornou Soprano e entrou para os Thunderbolts, mas rapidamente foi uma das primeiras a se desvencilhar totalmente da vida de bandida, para ira de Zemo e de Rocha Lunar, que queriam mesmo se aproveitar da situação, e na hora certa dar o bote nos EUA e gerar o caos no país, dominando-o. Com o passar dos anos, Melissa se tornou peça principal dos Thunderbolts, mesmo com as várias mudanças de formação, e também foi convidada a se juntar os Vingadores, devido aos seus atos heroicos nos Thunderbolts e sua mudança mesmo de caráter e postura, se tornando uma heroína respeitada entres os heróis mais poderosos da Terra, com uma ajudinha do Gavião Arqueiro. Porém ela declinou dessa oferta e não se juntou a eles.
Muitos especulam que a Mel, pode ser o alter ego de Melissa Gold, e eu nunca tinha parado para pensar nisso até que alguém mencionou na internet, e assistindo ao filme, dá pra ver que ela usa um pequeno broche ou adereço, em sua blusa, que tem um desenho que se assemelha a um pássaro, que é de onde vem seu nome em inglês, 'Songbird', ou seja, é ela.
É isso, eu acho o filme muito bom, já tem um bom tempo que o MCU não entregava um projeto tão coeso como foi este filme dos Thunderbolts, me agradou bastante e está agradando o público. Fui ver duas vezes no cinema, e nas duas vezes o filme foi aplaudido no final, as pessoas realmente se relacionaram com o longa conforme as coisas iam acontecendo em suas 2 horas de duração. É um filme que cativou e conquistou o público, com personagens com problemas que se assemelham com o que é conversado e falado hoje em dia... a depressão, o transtorno, a bipolaridade no caso de Valentina, é um filme que possui coração e alma.
Pra finalizar, acho que já nem é mais Spoiler, porque já está sendo divulgado dessa maneira depois da segunda semana em exibição no cinema, e está nos novos cartazes de divulgação e em vários vídeos de Youtube... Esses Thunderbolts são os Novos Vingadores, que ocuparam a antiga 'Torre Stark' e serão sancionados por Valentina... eis o motivo do asterisco no nome do filme.
Achei uma sacada ótima de Kevin Feige, uma vez que a ideia foi dele, e acho que nunca vi na história do cinema, eu acho, um filme ser divulgado e lançado com um nome e depois de duas semanas, o seu verdadeiro nome ser revelado, sem ainda deixar de ter seu nome anterior ser mencionado, apenas com o asterisco. Ou seja, o filme dos Thunderbolts, mas também é o filme dos Novos Vingadores... achei sensacional. E também o filme possui duas cenas pós créditos, uma dispensável, que não gostei, acho essas piadinhas muito sem graça, pra mim não agregou em nada. Já a outra, essa sim, tem mais de 2 minutos de cena e... que cena!!!
(Assistido em 30\04\2025 - Cinemark Shopping Cidade SP)
Escalar Shawn Levy para dirigir o terceiro filme do Deadpool, dentro do MCU, pode ter sido a carta mais certeira do projeto, por mais que sua última colaboração com Ryan, 'Projeto Adam' não tenha tido tanto sucesso de crítica e público. Acho que sua audácia e visão única era o que faltava para o longa atingir o clímax que atingiu nessa terceira parte.
Os dois filmes anteriores eram bons filmes, e traziam esse frescor para os filmes de super-heróis com um humor debochado, que atinge principalmente outros estúdios rivais, algo que não vemos nos projetos cômicos nos últimos anos. Muito sangue, muita violência, mito palavrão, tudo muito gratuito, e o público comprou, mesmo que o roteiro dos dois filmes tenham alguns pequenos problemas aqui e acolá.
Este terceiro filme não foge muito do que foi os dois anteriores, a diferença é que o roteiro é mais redondo, como começo, meio e fim que se conversam entre si, mas claro, esse mesmo roteiro tem suas falhas, deixando coisas do passado dos dois filmes de lado, avançando demais no futuro, aquele salto de tempo que não favorece em nada a grande maioria das histórias... Não estabelece exatamente o universo de Logan, morto em seu filme solo, que é o mesmo dos X-Men da Fox, ou não? Temos algumas pontas soltas no roteiro, um furo ali e acolá, mas a história em questão, é bem redonda. Acaba usando os coadjuvantes de Wade como ponto principal de sua luta, sendo que ele quer salvar seu mundo, mas obviamente ele quer salvar sua 'família', seus amigos e sua ex-namorada.
Esses mesmos coadjuvantes fazem parte de menos de 3 minutos de tela, no fim e no começo... Dopinder, Al Cega, Vanessa, Colossus, Negasonic Teenage Warhead, Yukio, Shatterstar, Peter. Uma pena, poderiam ter aparecido mais, mas claro, com o roteiro em mãos, com esses tantos de personagens da Fox que iriam aparecer, não tinha mesmo muito espaço para eles no filme.
Eu lembro que muito se falava em como seria o roteiro do longa, quando ele começou a ser gravado e as fotos das lutas no 'Vazio' com aquele logo da Fox quebrado... tinha até um perfil no X, que cravou que tinha tudo para ser a adaptação da saga 'Deadpool massacra a Marvel', que ele iria matar os personagens da Fox, e por aí vai. Que trouxas não, esses perfis de internet que querem adivinhar tudo, só querem surfar na onda, não se pode dar audiência nem dar trela para esses nutelas.
O roteiro, que foi uma combinação de Reynolds com Shawn Levy, Zeb Wells, Paul Wernick e Reth Reese, leva o Deadpool pra visitar o túmulo de Logan, logo depois vem pro MCU que conhecemos para falar com Happy Hogan (Jon Favreau), conhece a TVA que vimos na série 'Loki' e acaba lá no 'Vazio' onde temos uma chuva de personagens da Fox, fazendo sua volta, e outros voltando com figurantes em suas encarnações.
Voltam o Azazel de 'X-Men Primeira Classe', o Fanático de 'X-Men O Confronto Final', Lady Letal de 'X-Men 2', Blob de 'X-Men Origens Wolverine', e Groxo e Dentes de Sabre de 'X-Men O Filme'. De todos eles, apenas o Dentes de Sabre voltou com seu ator original, Tyler Mane, lá do longínquo 'X-Men O Filme', os demais, foram todos figurantes, ou atores menos conhecidos, apenas para fazer figuração.
Mas o destaque mesmo estava nos conhecidos, começando pelo Pyro de Aaron Stanford, que teve um bom coadjuvantismo no filme.
Chris Evans retorna para interpretar o Tocha Humana dos filmes do 'Quarteto Fantástico' da Fox, muito mais interessante aqui do que nos dois filmes juntos, pelo menos para mim.
Jennifer Garner retornando como Elektra, Wesley Snipes retornando iconicamente como Blade o Caçador de Vampiros e Dafne Keen, totalmente adolescente crescida e encorpada como Laura X-23. A surpresa mesmo ficou com Channing Tatum como Gambit, fiel aos quadrinhos no visual, mas com um sotaque que ás vezes dá pra comprar e ás vezes fica meio esquisito. Tatum participou de uma San Diego Comic Con, com todo o elenco de 'X-Men Dias de Um Futuro Esquecido', pois ele ganharia um filme solo interpretando Gambit, um filme que nunca saiu do papel e levou anos em produção, com roteiros sendo reescritos e atores entrando e saindo do projeto, até ser totalmente cancelado. Daí todas as duas piadas no filme sobre tentar fazer finalmente seu nome... mas de que Multiverso ele vem, fica a pergunta.
No filme ainda temos Matthew Macfayden interpretando o Mr Paradox, um personagem que possui um posto semelhante ao de Mobius (Owen Wilson) nos quadrinhos, e possui uma interpretação muito boa no filme... sendo bem cômica, bem despojada, com seu sotaque britânico, e uma pequena dose de loucura controlada... gostei muito da atuação dele no longa, e ele bem que poderia voltar em futuros projetos.
Wunmi Mosaku, que fez a Caçadora B-15, vindo direto da série 'Loki', foi outra boa surpresa aparecendo no filme, logo em seu ato final, claro que ela pouco acrescenta a trama, mas foi bom ver sua personagem no longa, mesmo que ele a tenha servido mais para ter um queda pelo Peter.
De Ryan Reynolds não dá para falar muito, já sabemos o que ele pode fazer com seu Deadpool, e parte da ideia do filme foi dele. De Hugh Jackman a mesma coisa, aqui ele traz uma faceta diferente do Wolverine, uma vez que ele interpreta outro Wolverine, um mais feroz e sanguinário que não se contém, algo que não foi visto ainda nas telonas. Pra idade que Hugh tem, se manter em forma para fazer novamente Logan realmente é de uma entrega absurda e um amor ao personagem que só um ator como ele pode ter. E aqui ele foi premiado com o famoso uniforme amarelo e azul que deixou o personagem tão conhecido entre o grande público aqui no Brasil com o desenho dos X-Men dos anos 90, e as revistas vendidas pela Abril também na época que começaram a ganhar mais destaque com o sucesso do desenho, e posteriormente com o primeiro filme da Fox.
Tivemos outras versões de Logan interpretadas por Hugh Jackman no longa, que passaram bem rápidos, como o Logan Crucificado que foi capa de uma das revistas dos X-Men no passado; - O Wolverine com uniforme marrom de John Byrne, que enfrenta o Hulk nas Hq's, e foi levado para o filme; - o Wolverine de 'Era de Apocalipse' que teve a mão amputada por Ciclope; - O Wolverine fiel ás HQ's, que é baixinho e invocado; - O Caolho, que representa o tempo que Logan passou em Madripoor nos quadrinhos e adotou esse pseudônimo; - E por fim, O Callverine, o Henry 'Superman' Cavil em pessoa, como Wolverine que se baseia muito na época em que Logan não usava uniforme, nos tempos onde os X-Men estavam usando trajes pretos, baseados nas roupas do filme da Fox.
A atriz Emma Corrin, fez Cassandra Nova, a vilã do filme, que é irmã gêmea de Charles Xavier, e raspou a cabeça para interpretar a personagem em sua forma fiel. Ou seja,máximo respeito a dedicação e profissionalismo da atriz, pois sabemos que as mulheres são muito vaidosas com a beleza de seus cabelos. E Emma realmente dá um show, e é claro que sua versão de Cassandra Nova é radicalmente diferente do que conhecemos dos quadrinhos, porém não deixa de ser uma versão agradável e que passa uma ótima dose de carisma com o público. Pelo menos para mim, ela é aquele tipo de vilão que você não odeia, ou torce para ser morto e derrotado... você até gosta da presença e de como faz frente aos heróis, e é indiferente ao fato de ser derrotada ou não. E é uma pena o seu desfecho.
Acho 'Deadpool & Wolverine' um ótimo entretenimento, um filme muito bem feito, com cenas assim que ficaram marcadas na história do MCU, como as múltiplas versões de Wolverine, o retorno dos personagens/atores da Fox, a cena da matança da centena de Deadpools ao som de 'Like A Prayer' de Madonna (com aval da própria), mesmo que o roteiro seja básico, mas não dá pra esperar um roteiro fora da curva neste tipo de projeto... nós tivemos roteiros fora da curva e do esperado em projetos que isso cabiam, como 'Pantera Negra', 'Vingadores Guerra Infinita' e 'Capitão América O Soldado Invernal'. É mais fácil esperar algo parecido em filmes futuros como 'Blade' e 'Pantera Negra 3' por exemplo. Então dentro do que se propôs, do que podemos esperar de algo baseado no Deadpool, foi algo acima da média, com todas essas adições e surpresas.
Foi um ótimo blockbuster, foi feito para ser um blockbuster, para divertir e entreter, e comparado aos últimos projetos do MCU, foi um ponto muito positivo, focando muito mais na história que estava sendo contada e focando em entregar um filme mesmo, fechado, uma experiência própria e única... e não ser apenas mais um capitulo que aponta para o futuro, introduzindo novos personagens e deixando o roteiro de lado, e fazendo o filme ser um prólogo do que virá, como foi 'Quantumania' e 'Capitão América: Admirável Mundo Novo'. Pra mim que acompanhou todo esse caminho e história da Marvel nos cinemas, desde 'X-Men O Filme', foi bem bacana ver todos esses detalhes e personagens voltando no filme, tudo que foi citado nos textos e os pequenos fan services nas cenas... fora aquela homenagem nos créditos ao som de 'Good Riddance' do Green Day.
Engraçado também foi ver a reação da povo mais jovem a cena de abertura do longa, uma das melhores cenas de abertura que presenciei em um filme do MCU, superando as duas cenas dos dois primeiros Guardiões da Galáxia... toda a sequência inicial, violenta, ao som de 'Bye Bye Bye' do 'N Sync, com direito a coreografia do clipe e tudo, ficou conhecida pelo público jovem como a dancinha do Deadpool. Eles não ligaram a música com a coreografia, não conheciam o 'N Sync, nunca viram o clipe e nem foram procurar no Youtube, e vi muita gente novinha se referindo aquela dança no início do filme como a dança do Deadpool... sinais dos tempos, ou melhor, sinais das gerações.
Um último adendo, tivemos dubladores de voz para os seguintes Deadpools: Blake Lively, a esposa de Ryan (Ladypool), Nathan Fillion de 'Guardiões da Galáxia Vol.3' (Headpool, a cabeça zumbi flutuante) e Matthew McConaughey de 'Intersatellar' e 'Clube de Compras Dallas' (Cowboypool), e Rob McElhenney de 'Lost' e 'Game of Thrones', e sócio de Ryan na aquisição do time inglês do Wrexham (como um dos agentes da TVA).
Sabe aquelas experiências únicas numa sala de cinema? Algo que você sempre vai lembrar? Eu fui na estreia de Vingadores e sempre vou lembrar daquela batalha final nas ruas de Nova York, com poucas edições, onde cada Vingador enfrenta os Chitauri em duplas ou sozinho, e a câmera vai acompanhando cada embate, foram aí uns 10 minutos de batalha pura, e toda a sala do cinema estava lá, com os olhos colados no telão, ninguém dava um piu, era uma sequência de tirar o fôlego... um grupo mesmo de super-heróis enfrentando os inimigos em conjunto, acho que ainda não havia essa coesão no cinema em um filme de super-heróis.
'Vingadores' é a culminação de todos os filmes solos lançados até aquele momento pela Marvel Studios, e não poderia ter sido um filme-evento melhor. Dinâmico, direto, agradável e divertido, trouxe todos os pontos positivos que os fãs esperavam e entregaram um filme digno da equipe que faz jus ao nome.
Escrito e dirigido por Joss Whedon (antes de fazer a merda que ele fez em Hollywood e hoje ser pessoa non grata), aqui realmente devesse tirar o chapéu para Whedon, escreveu um roteiro certeiro, direto, com textos que entraram para a história do MCU e do cinema popular contemporâneo. Uma batalha com poucos cortes na gravação e zero falas, só embates nas ruas de NY, praticamente tiradas das páginas dos quadrinhos, e uma construção de terreno para se formar uma equipe muito parecida com o que encontramos nos quadrinhos. Os personagens se estranham boa parte do filme e possuem uma cena de discussão, acalorada pelo presença do cetro de Loki na sala, onde todos jogam a merda no ventilador e vomitando o que acham um dos outros, até Loki chegar com tudo e fazer com que eles sejam obrigados a pensar como um só.
Loki aqui no filme possui um protagonismo que ele não teve no filme de Thor, e digo melhor, aqui ele tem um coadjuvantismo que o respeita como personagem, algo que foi um pouco mais raso em sua primeira aparição, e aqui é algo elevado que o faz não só ser o grande vilão do longa, ao mesmo que uma vítima de suas ambições e uma vítima da sede de poder de Thanos, como ele carrega um carisma que poucos vilões na história do cinema possuem, conquistando o público e pavimentando de vez o seu lugar dentro do MCU como um personagem importante e indispensável.
Os seis atores Vingadores originais ganharam suas mãos eternizadas em Hollywood, em uma celebração que ocorreu anos atrás, pelo filme que protagonizaram, e aqui, eles entregam as melhores performances dos personagens, superando suas aparições nos filmes solos. O mesmo vale pro já citado Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Clark Gregg (que está ótimo no filme) e Stelan Skarsgard, assim como a então nova integrante, Cobie Smulders como Maria Hill.
Os figurinos estão soberbos, sem ter medo de serem coloridos e extravagantes como nos quadrinhos, apenas o Gavião tendo um uniforme mais automático, que remete ao seu posto de Agente da SHIELD no filme. O mesmo digo da cenografia, todas muito bem montadas e criadas, com grande e imenso destaque para as ruas de Nova York recriadas em Atlanta, só fico sem saber dizer se foram recriadas em estúdio ou em campo aberto em algum lugar da cidade.
A trilha sonora de Alan Silvestri entrou para a história do cinema, e não por ser soberba e inesquecível, uma obra de arte ou qualquer coisa do tipo, e sim pelo fato do filme ter sido um sucesso arrebatador, e o tema principal casa perfeitamente com a grandeza do filme, e então ela entrou para dentro da cultura pop, quando se ouve, sabe-se que pertence aos Vingadores, assim como é a música título do Batman da série dos anos 60, do tema de John Williams de Superman de Richard Donner, 'De Volta Para o Futuro', 'Indiana Jones', ou a icônica trilha-tema de 'Star Wars'. O tema de X-Men do desenho chega a ser mais icônica que a dos filmes, a mesma coisa com o Homem-Aranha e a Liga da Justiça... então são poucos os temas título de longas que consegue a proeza, que Alan Silvestri conseguiu com o tema principal de 'Vingadores' e o restante da trilha que veste tão bem as cenas foi longa.
Comentei dos textos acima, algumas dessas falas já entraram pra história do MCU e sempre serão lembrados e reverenciados, como:
-"Tirando tudo isto o que sobra?" diz Steve para Tony que responde: 'Gênio, Bilionário, Playboy, Filantropo'
-"I Have an Army"... "We Have a Hulk!"
- "...and Hulk?... Smash!"
- Tony para Pepeer: "Huh, His first name is Agent"
E para mim o melhor de todos, e a fala que mais me representa: "That's My Secret Cap... I'm Always Angry."
Não tem muita coisa mais a ser dita, o que realmente precisa ser dito é para assistir ao filme e se divertir bastante, é um dos melhores filmes do MCU, um ótimo filme de ação/aventura, com todos os personagens sendo carismáticos, incluindo o vilão, e é um filme que entrou para a história do cinema moderno.
Até hoje o filme continua sendo atual, e continua tendo sua dose alta de entretenimento, não envelhece e não enfadonha. É claro que vão existir as pessoas que não vão gostar do filme, ou vão procurar mil defeitos, mas a verdade é que o trabalho é muito bem feito e de altíssima qualidade, para orgulhar qualquer fã de quadrinhos que se preze. Eu mesmo, nem em meus sonhos mais internos, imaginava que um dia teria um filme dos Vingadores, tão intenso e completo como foi esse filme.
Eu quando criança ficava imaginando como seria um filme dos Vingadores, quem seria o vilão, e qual seria a equipe, e sempre falava que não abria mão da Feiticeira Escarlate e o Mercúrio, e sabia que era um sonho bem distante porque os Vingadores era do terceiro escalão da Marvel, sequer eram conhecidos, só os fãs da Marvel mesmo os conheciam e davam crédito para eles... mas os arrasa quarteirões da editora na época eram os X-Men e o Homem-Aranha, que também possuíam desenhos animados que alavancavam a popularidade deles. Lá fora, os quadrinhos dos dois vendiam muito, com os X-Men vendendo feito água, e aqui no Brasil os dois eram os mais conhecidos pelos desenhos que assavam na TV Colosso, e depois X-Men Evolution que fez muito sucesso no SBT e Spectacular Spider-Man, desenho de 2008 que é considerado um dos melhores do aracnídeo.
Um desenho dos Vingadores, chegou a passar na TV Globinho, mas só eu mesmo conhecia a equipe, sequer fez barulho no Brasil e ninguém comentava sobre ele, seja nas escolas ou nas revistas da época, como 'Herói'. Ou seja, Vingadores... quem eram? Quem conhecia? Eram NADA pra cultura pop, ou para o grande público no Brasil... e no mundo.
E depois deste filme, hoje, os Vingadores são o carro chefe da Marvel, entraram para a cultura POP mundial e são mais conhecidos e reverenciados que os X-Men, e brigando de frente em popularidade com o Homem-Aranha. Querendo ou não, isto tudo é graças a três pessoas, Joss Whedon, Kevin Feige e Brian Michael Bendis, escritor que redirecionou o Status dos Vingadores nos quadrinhos da Marvel Comics.
O MCU possui 34 filmes lançados até agora, destes 34, apenas UM filme eu não vi no cinema, que foi justamente 'Capitão América: O Primeiro Vingador', e nessa época eu meio que tava num rolo amoroso que me deixou fodido da cabeça, e acabei não indo... não me senti interessado em ver o filme.
Uma pena, pois teria sido uma boa experiência cinematográfica, pois o filme continua muito bom, bem melhor do que eu tinha na cabeça de todas as outras vezes que eu vi. É uma ótima história de origem, ao jeito Marvel Studios claro, mudando algumas coisas aqui e acolá, referente a origem do Capitão nos quadrinhos, introduzindo algumas questões interessantes e personagens que ganharam um ótimo destaque, graças aos seus atores, que não fizeram parte da origem do Capitão originalmente, mas que aqui funcionou muito bem, que foram Howard Stark e Peggy Carter, interpretados pelos meus dois atores favoritos, Dominic Cooper e Hayley Atwell.
O filme é muito bem dirigido por Joe Johnston, que gravou cenas icônicas de Chris Evans como Capitão, em poses memoráveis e cenas de ação incríveis que ficarão guardadas na memória do Fã de MCU. Usa bem os efeitos especiais no filme, que estão bem práticos e servem muito bem as cenas onde são inseridos... sem falar que Johnston também consegue dirigir bem o seu elenco tirando o melhor de todos os atores, que possuem uma atuação ótima e deixam o filme muito divertido e atraente para o público.
O roteiro do filme é muito bem escrito e foi muito bem transplantado para a tela, foi escrito pela dupla Christopher Markus e Stephen McFeely, que escreveram os dois filmes seguintes do Capitão, Thor: O Mundo Sombrio, e os dois últimos filmes dos Vingadores. Tirando o segundo Thor, que tem um roteiro muito ruim, os dois parceiros só acertaram em suas colaborações com a Marvel, que ainda inclui a série de duas temporadas da Agente Carter, que é muito boa, e aqui nós temos um filme que não cansa em nenhum momento, e o roteiro consegue favorecer todos os pontos levados para a tela, sem textos cansativos ou passagens embarrigadas.
A trilha sonora é de Alan Silvestri, entregando um ótimo trabalho, nada memorável aqui ainda, mas temos uma boa trilha que compõe bem o filme, que ganha muito nas cenas de ação e de tensão, e nas cenas mais densas que são mais focadas em Peggy Carter e Steve Rogers, ou nas amarguras do Capitão, a trilha de Silvestri também traz uma composição condizente com os momentos.
Neste filme Hayley Atwell e Dominic Cooper ganharam destaque com suas atuações e personagens carismáticos, que acabou gerando a série da Agente Carter, que traz Hayley como protaganistas obviamente e Dominic fazendo participações especiais. Dominic viria a ganhar o papel de protagonista na série da DC 'Preacher', enquanto Hayley ainda viria a fazer 'Black Mirror' e um dos filmes de 'Missão Impossível'.
Temos Tommy Lee Jones que entrega um performance acima da média, e se você perceber bem, a atuação de Lee Jones é bem centrada e direta, ele não está ali para brigar pelo protagonismo, ou pelo coadjuvantismo, ele sabe o que o personagem dele é e representa dentro da história, e faz uma atuação onde faz o personagem ser aquela ponte entre a experiência e a atitude. Lee Jones tem bons trejeitos corporais onde ele tem uns gestos básicos para sair de cena, ou boas deixas para o seu colega vir com sua fala, ou ótimas falas em momentos cômicos ou chave do filme. Para mim, atuação nota 10.
Hugo Weaving de 'Matrix', fez o vilão Caveira Vermelha, onde eu enxerguei dois pontos, um sendo o fato de o roteiro não ter polido o Caveira Vermelha da melhor forma, ele poderia ter ganhado um pouco mais de escopo em suas motivações e fazer um bom embate moral com Steve, até temos uma cena onde tem esse embate moral, onde os dois estão na base da Hidra que está explodindo, quando Steve vai resgatar Bucky e o resto do Comando Selvagem, mas é um embate bem tímido, sem muito conteúdo no texto. O outro ponto é atuação de Weaving, que é bem acima da média, ele entregou uma performance muito boa e deixou seu Caveira Vermelha muito interessante, claro ao seu modo, visto que é um personagem que visa a dominação mundial e estava associado ao Hitler. Mas tinha ali um charme na sua atuação, na forma como ele dava vida a Johann Schimdt que não deixava que eu sentisse bronca, não a ponto de eu torcer pelo vilão, mas também não ficava naquelas de torcer pra ser derrotado, eu gostava de ver o quanto ele ia progredir dentro da trama, e para mim foi uma pena terem dispensado o personagem ao fim do filme, pois ele tinha muito mais potencial em futuros filmes do Capitão e no resto do MCU.
O filme ainda conta com o ator Neal McDonough que faz Dum Dum Dugan, que tem muito mais relevância nos quadrinhos do que no filme. Neal é um ator que conheci em 'Desperate Housewives' e ele já fez as séries da Dc na CW, 'Legends of Tomorrow', 'Arrow', ele é muito bom, muito competente, e é uma pena que no filme ele tenha sido escalado para um papel que não teve relevância nenhuma na trama.
O primeiro filme do Capitão no MCU é um ótimo trabalho, uma boa origem e um bom pontapé para o maior super-herói da Marvel Comics, dentro de seu universo, é claro, tanto o povo, quanto os próprios super-heróis enxergam a importância e grandeza do Capitão.
'Homem de Aço', claramente o nome já deixa implícito que esse é um filme que não focaria a fundo no super-herói Superman, e sim, em Kal-El, o homem de aço de Krypton, exilado na Terra após a destruição de seu mundo, passando por todos os perrengues que uma criança terráquea passa quando é diferente dos bocós da escola metidos a besta. Neste filme, os roteirista David S. Goyer mergulha a fundo em quem Kal-El é, quem ele pode ser, e o que ele seria... uma origem bem diferente do que estamos habituados do Superman, algo bem mais realístico, algo que casa com a visão de Zack Syder, que bebe da fonte da Trilogia das Trevas, afinal, Chris Nolan está envolvido profundamente no projeto, sendo o criador da ideia original junto de Goyer. E só um adendo, este filme não nasceu sendo o pontapé inicial do DCEU, ele se tornou o primeiro filme anos depois com a construção desse universo, sendo incorporado como pontapé inicial. A princípio ele seria apenas um 'Batman Begins' do Superman.
Eu na verdade sou Marvete, não sou DCnauta, mas conheço um pouco, ali e acolá, do universo DC, claro que sou mais familiarizado com o Batman, o Superman e a Liga da Justiça, com os demais, sabendo das coisas bem por cima...
Acompanhando o filme, eu até o classifico como a versão 'Ultimate' do Superman, parafraseando a Marvel, ele cabe e muito dentro dessa proposta, pois é algo que por mais que beba da fonte da origem do Superman, ele vai para um caminho próprio, um caminho novo, uma história bem original que muito com os tempos atuais, aqueles de 12 anos atrás.
Eu conheço o Superman de várias interpretações e origens, desde os filmes de Christopher Reeves e de Bryan Singer, Smallville, o desenho de Bruce Timm, o antigo Superamigos, o desenho de Superboy, e claro, o original das HQ's... e aqui confesso que de longe essa é a versão que menos gostei do personagem. Não consigo enxergar o Superman aqui, não consigo relacionar Kal-El também, e pra mim Clark está inexistente, não se formou essa identidade ainda, por mais que ele seja filho de Martha e Jonathan há anos, não visualizo Clark ali, só Kal-El de uma maneira bem distorcida...Superman então é algo que não chega em mim.
Tem alguns vislumbres ali do Superman que enxergo, mas logo desaparece, e acaba sendo uma história de origem que não me agradou muito, não me ganhou em nenhum momento do filme, tipo, é interessante de se acompanha, de se assistir, é um entretenimento agradável, mas como disse, para mim, não é um retrato do Superman que reconheço, e nem que aprecio.
O mesmo digo de Lois Lane, e aqui todos sabemos o quanto Amy Adams é uma atriz gigante com um domínio de drama incrível, e ela trouxe essas camadas únicas dela para sua Lois Lane que a gente enxerga e exalta, porque é um trabalho nível Amy Adams né, é outro patamar de uma atriz que estava em um ascenção sem freios. Mas essa Lois militarizada eu não curti, pouco vemos de sua versão repórter porra loca que não está nem aí e faz de tudo pela matéria, nem que sua vida esteja correndo o mais grave risco, e Superman sempre aparece para salvá-la, ou ela sempre consegue se safar das formas mais Lois possível, ela meio que virou expert em se meter em encrenca e sair dela das formas mais inusitadas possíveis.
Eu disse militarizada, pois Lois já mal conhecendo Kal-El, já vai para o espaço sendo levada por Faora-Ul, e lá sendo guiada pela consciência de Jor-El, e empunhada por uma arma alienígena, ela sai atirando em todos os homens de Zod que tentam detê-la... algo muito precoce para uma Lois que ainda está se inteirando da existência de aliens, assim como o resto do mundo, e já é pega no meio do furacão, pra defender alguém que ela ainda está conhecendo e se inteirando de suas fisionomias e seus dons. Muito apressado, meio fora de tom, eu não sei, essa versão 'Ultimate' que vi no filme não me ganhou muito não.
'Homem de Aço' tem muita coisa em termos de roteiro e de criação de ideia original que não curti, que não gostei, que não apreciei, que me fizeram não gostar tanto assim do filme... porém, isso não faz dele um filme ruim, longe disso. Na verdade, soando um pouco incoerente, mas justo, 'Homem de Aço' é um grande filme, muito bem filmado, muito bem construído, muito bem feito, muito bem visualizado pelo Zack Snyder, com cenas de tirar o fôlego, cenas memoráveis que vão entrar para a história da cinematografia do diretor.
Os efeitos visuais, a cenografia do longa, os demais efeitos práticos, o figurino de Krypton e a própria ambientação e construção de Krypton é incrível, beira ao soberbo, ou seja, visualmente e tecnicamente, 'Homem de Aço' é um filme de encher os olhos e tirar o fôlego. Mas em termos de criação original e roteiro, e caracterização dos personagens estabelecidos do universo Superman, ao meu ver, ficou bem desconexo do que conheço e longe de uma finalização adequada.
Pra mim acho que a melhor performance do longa, sem sombra de dúvidas é a de Michael Shannon, que trouxe a versão definitiva de Zod para este longa. O Zod e Shannon tem personalidade forte, acredita com veemência e amor em sua missão para com Krypton, mesmo que de uma forma bem deturpada, e traz uma dualidade bem interessante com Jor-El e Kal-El... uma voracidade em sua luta final com Superman e muitas falas de destaque e impacto que fizeram o personagem entrar para o hall de grandes vilões de filmes de super-heróis.
Acho que Henry Cavil foi muito bem como Superman, como Kal-El, não curti muito aquele seu início rodando o mundo, não estava enxergando ninguém ali nele, é interessante essa nova visão, essa origem mais distinta, mas essa coisa de salvador caladão que ninguém confia, não me desce muito eu não curto esse lado dos benfeitores... e as cenas no bar salvando a garota zoada/abusada pelo arrombado, muito clichê, ele dar uma de machão, óbvio e não está errado, mas aí por ser quem é se segura e engole a seco... enfim, muito enfadonho todo esse começo.
Acho que tinha muito espaço ali para se construir o primeiro beijo de Superman e Lois, que não fosse logo no meio da destruição total, com muita gente morrendo, e dali sai um beijo apaixonado, aquela vontade nítida na Lois de dar pra ele ali e agora... ah não, péssimo timing, dava pra ter feito muito melhor do que aquilo, eu particularmente não gostei e acho um artifício cinematográfico bem batido.
A destruição de Metropolis naquela luta época ente Zod e Kal-El, que tanto criticaram na época que foi lançado o longa, não faço parte dessa porcentagem aí, mas há uns momentos ali que achei exagerado demais, que poderia ter segurado um pouco a mão, ter usado outros artifícios para deixar a luta tanto épica, quanto esmagadora e nociva para Metropolis... com alguns pontos específicos pra se destruir e lutar, ao invés de sair derrubado prédios e mais prédios e inúmeros prédios e por aí vai. Essa escala de destruição vista nessa luta, cabia mais em um embate cinematográfico entre Superman e Apocalypse, coisa que não aconteceu no filme 'Batman vs Superman', um desperdício de chance, de ideia, de impacto... fizeram aquela coisa bem cocô no segundo filme, e aqui foi uma grande batalha, uma puta de uma batalha, que ao meu ver começou a perder a mão depois de alguns prédios derrubados... mas foi um bom evento cinematográfico.
A trilha sonora fica a cargo de Hans Zimmer, e o mestre faz um trabalho muito bom, porém não é nada memorável, sua música conversa bem com a proposta do filme e do personagem, com a grandiosidade que vemos em tela, porém fica um pouco abaixo, ou talvez realmente não seja memorável como seus outros trabalhos na carreira, como em 'The Dark Night' ou 'Inception'.
No mais, 'Homem de Aço' realmente não é um filme que eu gostei do que foi entregue em termos de originalidade e história... acho que funcionaria mais comigo se fosse uma série, ou se fosse uma versão em quadrinhos, a versão 'Ultimate' do Superman. Como filme mesmo, evento cinematográfico, de entreter, de produto, é muito bom, muito bom, Efeitos especiais práticos e de encher os olhos, batalhas épicas, destruição de prédios em Metropolis sem dó. 'Homem de Aço' ganha por um lado e perde no outro.
Pra quem lia os quadrinhos da Marvel como eu, ficar sabendo de um vindouro filme do Poderoso Thor, você já fica imaginando algo em uma escala larga, grandiosa, já imagina uma Asgard em todo seu esplendor, figurinos extravagantes e vagamente fiéis ao que conhecemos, um Thor de elmo e capa, os 3 Guerreiros, Lady Sif, Loki e Odin, Balder O Bravo, Encantor, Hela, Executor, quem sabe aí uma Gangue da Demolição, quem sabe aí um Gárgula Cinzento, batalhas grandiosas, algo cósmico... enfim, muitas vertentes para seguir.
Não foi exatamente o que eu esperava quando fui ao cinema assistir ao filme, e eu acho que foi mais pelo frescor de ver algo novo e inusitado sendo transplantado pro cinema, que eu acabei gostando do que vi na época, com ressalvas é claro, mas por mais que eu achasse um pouco mais mediano, eu tinha gostado do que tinham feito e achava satisfatório dentro do que o Marvel Studios estava fazendo.
Hoje, depois aí de 15 anos, reassistindo pela quaquagésima vez, depois de 4 filmes, e participações em filmes dos Vingadores, e uma série spin-off, olhando todo o trabalho que foi feito, todo o conjunto da obra, a adaptação do Thor para os cinemas deixa e muito a desejar, mas muito mesmo.
Claro que nem tudo será ao pé da letra, ou fielmente seguido como nas HQ's, mas a impressão que dá, é que aquele tom Shakesperiano que o Kenneth Branagh deu neste filme, que não funcionou, que ainda teve vislumbres no filme seguinte que foi pior ainda... como foi algo que não funcionou com o que foi filmado, com o que foi criado, Kevin Feige acabou incorporando toda o ritmo de Thor à figura de Hemsworth, fazendo do Thor algo original do ator, se desvinculando das características do personagem nos quadrinhos, e o tornando algo mais cômico, mais maleável, mais debochado, mais o estilo de atuação de Hemsworth.
Eu não acho a atuação de Chris ruim, porque eu o acho um ótimo ator, vide sua interpretação em Vingadores Guerra Infinita, a melhor de Thor disparado e de longe... mas os filmes do Thor não estavam se encaixando, talvez por não explorarem tanto Asgard e os Nove Reinos, os personagens secundários de Asgard, como Balder que nunca apareceu, os três guerreiros e Sif que mal tiveram desenvolvimento, e acabarem focando um pouco mais na Terra, com personagens que não conquistaram o público, como Darcy (Kat Dennings), a Jane Foster (Natalie Portman) aqui neste filme está ok, mas no segundo ficou somente como a donzela apaixonadinha em perigo, Erik Selvig (Stellan Skasgard) problema nenhum o filme querer que ele seja apenas alguém a ser enfrentado e derrotado, mas que pelo menos ele ganhe um destaque, uma história de fundo que mova suas motivações e tenha textos favoráveis que faça com que ele se torne interessante e relevante ao público e ao enredo do longa.
Enfim, este Thor tem bons momentos como as batalhas em Jottunheim, os diálogos entre Loki e Odin, com um show de interpretação de Tom Hiddleston, que é um ator sem palavras de talentoso... o embate entre Thor e Loki durante todo o filme é muito bem construído, algumas cenas em Asgard são muito boas. Os momentos que são bem ruins, se passam na Terra, com a foto que Darcy tira e vai pro Facebook, com aquele sorrisão de Hemsworth, ali nem era mais interpretação. Thor e Jane flertando, legalznho mas bem dispensável, a luta contra Destruidor, que é decente, mas poderia ter sido bem mais destrutiva do que foi, e também temos um completo desperdício de Rene Russo como Frigga, mãe de Thor e Loki, que mal tem falas no filme e esteve ali somente para fazer número.
Os gigantes de gelo não foram tão explorados, obviamente com Laufey ganhando destaque, mas não houve um destaque ou um desenvolvimento do vilão, ele foi escrito apenas para ser o cara mau que vai atacar Asgard e deseja matar Odin (Anthony Hopkins) e seu povo... tudo bem o cara ser o vilãozão e até aí não tem problema nenhum o filme querer que ele seja apenas alguém a ser enfrentado e derrotado, mas que pelo menos ele ganhe um destaque, uma história de fundo que mova suas motivações e tenha textos favoráveis que faça com que ele se torne interessante e relevante ao público e ao enredo do longa.
Temos bons nomes no elenco ainda, tirando os nomes principais que já conhecemos, os três guerreiros possuem Tadanabou Asano como Hogun. Asano está na ótima série 'SHOGUN' que venceu muitos prêmios no Critics Choice e Sag's Awards esse ano. Ray Stevensson fez Volstagg, Stevensson fez o Justiceiro no filme de 2004 com John Travolta, e infelizmente ele já é falecido. Josh Dallas que fez Fandrall, ele que fez a série Manifest. Jaime Alexander, a Lady Sif, super atriz que protagonizou a série 'Ponto Cego'. Colm Feore que fez Laufey, um ator já veterano, que conheci na série 24 Horas de Jack Bauer.
A trilha Sonora é de Patrick Boyle, bem fraquinha, sem muitos momentos de destaque, a música do filme acaba sendo do mesmo nível do longa... abaixo do esperado.
Difícil dizer que até hoje espero um filme decente do Thor, ou um que faça jus ao que conhecemos dos quadrinhos... o 'Ragnarok' foi, dos quatro, o que mais me agradou por ter a marca de Taika Waititi, mas nem ele representa o que o personagem e Asgard realmente é nas HQ's... acho que faltou nos filmes a grandiosidade de Asgard, percorrer mais os nove reinos, deixar Thor atuar na Terra nos filmes dos Vingadores, e focar nos Nove Reinos em seus filmes solos, deixando Jane Foster e Darcy de lado, e assim dosando bem o cômico que Hemsworth traz ao personagem e é a marca do MCU de Kevin Feige, com bons textos e bons ritmos que uma história do Thor pode entregar.
Este primeiro filme é bem fraquinho, com pequenos bons momentos, mas é mais assistível que 'Amor e Trovão', mas não representa o que conheço do Thor, nem chega aos pés...funciona apenas para o que o MCU quis criar e entregar ao público que não tem as HQ's como referência.
Lá na época de 2008/09, eu lembro bem das notícias sobre o filme, onde o arco 'O Demônio na Garrafa' seria a base do roteiro do novo filme do Vingador Dourado arco foi um dos pontos altos do personagem na década de 80, e além de ser o arco escolhido pro novo filme, também escolheram dois vilões sub conhecidos do Homem de Ferro, Justin Hammer e Chicote Negro. Fora isso pipocava os boatos de que teríamos a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro no filme, sendo que isso já era um dos passos para se levar ao filme evento 'Os Vingadores', mas na época na minha cabeça fazia sentido porque os dois tem relações com Tony Stark. A Viúva já se engraçou com ele no passado e o Gavião foi um vilão no começo da carreira, e vilão justamente do Homem de Ferro... nada mais justo que os dois aparecerem no filme. No final, somente a Viúva Negra apareceu e de quebra trouxe o Nick Fury a tira-colo.
'Homem de Ferro 2' é uma boa continuação, porém, está abaixo do primeiro filme, que é icônico, e na verdade a grande maioria das cenas do primeiro filme já é icônico, e o segundo filme traz boas cenas de ação e de luta, como a já famosa cena do embate no circuito de Mônaco, mas ainda assim não atinge status que as sequências do primeiro 'Homem de Ferro' possuem. Em time que está ganhando não se mexe, e Jon Favreau retorna na direção do longa, tirando tudo de melhor das atuações de RDJ e Gwyneth Paltrow, e as adições de Scarlett Johansson, Mickey Rourke e Sam Rockwell... desta vez o roteiro ficou a cargo de Justin Theroaux, ator de filmes como 'Trovão Tropical', 'Mullholand Drive', 'Bettlejuice Bettlejuice' e da série 'Maniac'.
O roteiro de Justin Theraoux é bom em alguns pontos e defeituoso em outros pontos, sendo que nas cenas focadas em Tony Stark e em sua personalidade narcisista está o ponto alto do roteiro, além da sua relação de gato e rato com Pepper Potts, e com certeza nas cenas onde ele está buscando criar um novo elemento que possa parar a infecção que está acometendo seu peito.
As cenas onde o roteiro dá uma deslizada, são na construção do vilão Ivan Vanko, o Chicote Negro, uma construção muito genérica, um filho de um cientista russo que foi conhecido de Howard Stark (mostrado na série 'Agent Carter'), e que com seu pai no leito de morte acaba jurando vingança contra Tony Stark, pois segundo seu pai, toda essa tecnologia Stark deveria ser dele por direito... e aí ele vem pros States e mexe seus pauzinhos ali e acolá, ataca Stark em Mônaco, conhece Justin Hammer e cria uma armadura para si e toma um cacete federal... Mickey Rourke teve razão em reclamar na época que Jon Favreau e a Marvel deveria ter mais colhões para deixar o vilão do filme muito mais interessante, e que nenhuma de suas ideias para o personagem foi ouvida, foi como 'apenas diga as falas e entregue a atuação'.
O filme é divertido, não é ruim e nem monótono, ele faz o que todo filme tem a obrigação de fazer, entreter seu espectador, e isso o filme faz, e faz muito bem. Porém é nítido que ele é aquém do que deveria ser, um filme mais grandioso do que o primeiro, faz audaz, mais voraz, mais agressivo, que possuísse um roteiro mais envolvente e que surpreendesse seu público e seus fãs, mas acabou sendo um pouco mais medíocre que o comum, com algumas cenas de ação de destaque, mas com um desenvolvimento de vilão muito mal feito, batalhas entre os dois personagens principais muito rápidas e uma batalha final muito mal arquitetada, sem criatividade, onde novamente a saída é matar o vilãozão, prática comum nos filmes dos anos 90 e década de 2000, seja de heróis, seja de ação.
Depois de 15 anos do lançamento dos dois primeiros filmes, a estreia de Tony nos cinemas continua sendo o melhor filme da trilogia, o mais icônico e o melhor dirigido, apesar de ter alguns pequenos problemas de roteiro parecidos com este filme, mas não tão gritantes. Já o segundo longa, acaba sendo uma boa diversão para quem quer ver um filme sem muitas pretensões, pois para nós que somos fãs da Marvel e do MCU, sabemos que o filme tem alguns problemas em sua construção, e uma abordagem bem rasa do arco 'O Demônio na Garrafa'... sem falar em um vilão com potencial desperdiçado, uma batalha final bem broxante e poucas cenas de destaque.
Mas tivemos coisas boas no filme, e uma delas é Scarlett Johansson, iniciando sua jornada como Natasha Romanoff, a Viúva Negra, com uma atuação certeira, uma mistura de cômico e seriedade, enquanto estava disfarçada como secretária de Stark, algo muito bom de se acompanhar e então quando entrou em cena como Viúva Negra, na cena icônica com Happy Hogan de Jon Favreau, no corredor das Indústrias Hammer, acabando com os capangas de diversas maneiras possíveis, no melhor estilo Viúva Negra mesmo. É um personagem que caiu como uma luva para Scarlett.
Outra boa atuação no filme, pelo menos na minha opinião, foi de Sam Rockwell como Justin Hammer. Pra mim, Sam foi matador no filme, sua encarnação de Hammer é bem diferente dos quadrinhos, aqui ele tem aquela personalidade igual a de Tony mas às avessas. Ele tenta ser engraçadão e não é, acha que é narcisista mas é chato para um Baraleo... se acha muito inteligente e um inventor que rivaliza com Tony, mas seus armamentos são falhos, como mostrado com a 'Ex Wife'. Quando Justin tem seu estande na Stark Expo, ele faz uma entrada tentando imitar a entrada icônica de Tony no começo do filme, ele faz sua entrada em uma dança de sapateado de primeira linha, à base de uma música bem dançante à base de metais... Sam é um exímio dançarino, vão ao Youtube e procurem um vídeo com as entradas dele no programa de Jimmy Fallow, só dança fenomenal, e sempre que faz seus filmes ele encaixa uma cena de dança... acho que só em 'Três Anúncios Pra Um Crime' que não o vi dançando, mas preciso ver o filme de novo.
Sem falar na cena onde ele vai vender seus armamentos para o exército americano, visando equipar a armadura que James Rhodes pegou do arsenal de Tony Stark, que irá virar a futura Máquina de Combate. Nessa cena, além do seu texto ser muito bem escrito e bem cômico, sua atuação despojada, narcisista e cara de pau é muito boa e mostra como ele estava a vontade no personagem e contribuiu muito para a construção de sua personalidade... afinal, quem vai vender armas para o governo, chupando um pirulito? Isso é o suco da auto estima reversa :).
Don Cheadle está muito melhor como James Rhodes do que seu antecessor, fazendo sua estreia no MCU e estreando sua armadura máquina de Combate. Ator de primeira linha que fez bem aos filmes de Tony.
Mickey Rourke pra mim só não foi melhor porque limaram muito o potencial de seu personagem... não ouviram o ator na época, para colocar mais de suas ideias no personagem, e no final, Ivan Vanko deixou a desejar em algumas passagens. É um bom personagem, que poderia ter sido melhor do que foi apresentado, e Mickey fez o melhor que pôde com limitação que teve. Seu sotaque russo esteve ótimo.
Clark Gregg retorna como Agente Coulson, com alguns minutos a mais de tela, assim como Samuel L Jackson, que tem seu destaque na cena da rosquinha de lanchonete onde Tony está curando a ressaca... Samuel é praticamente o Nick Fury das telas, ofuscando totalmente o BadAss fodão dos quadrinhos, trazendo toda uma personalidade e carisma.
Tem duas curiosidades neste filme, uma delas é a cena onde o garotinho com a máscara do Homem De Ferro aponta para um dos robôs de Hammer qu está prestes a matá-lo e na última hora Tony aparece e acerta o robô, e vai embora, como se o menino tivesse atirado... por muitos anos os fãs na internet começaram a criar suas fanfics de que este garotinho seria Peter Parker, e eu não lembro que ano foi, mas Kevin Feige confirmou essa teoria, essa fanfic, que parecia fazer sentido para os cabeças do MCU, de que este garotinho realmente era Peter Parker, ou seja, o Tio Ben estava ali na Expo em algum lugar.
Outra curiosidade é a aparição rápida de duas figuras no filme, uma eu não vi, só li nos créditos finais, Olivia Munn, atriz que fez Psylocke no filme 'X-Men Apocalipse' tem uma ponta no filme, mas não consegui identificá-la. O outro é Elon Musk, sim, ele, o Lex Luthor da vida real (exagerei?), o cara que comprou o Twitter e transformou em X e foi pro espaço a passeio, apoiador de Trump, canalha no tempo livre, modelo e atriz... ele aparece cumprimentado Tony em Mônaco, quando Tony se livra da companhia de Justin Hammer.
A trilha sonora fica a cargo da banda AC/DC, que possui algumas de suas músicas no filme, como 'Shoot To Thrill' do disco Back In Black em uma nova versão no filme.
Por mais que o filme tenha alguns pontos que me desapontaram, e desapontaram uma boa parte dos fãs, é um filme muito honesto, e ele faz o que os filmes de hoje em dia do MCU não estão fazendo... focar em contar sua história, sem se preocupar em criar caminhos para o futuro, criando coisas e situações que levarão a futuros filmes, comprometendo o roteiro do que está sendo apresentado e da história a ser contada. Claro que aqui temos a introdução da Viúva Negra e uma citação ou outra para o futuro filme dos Vingadores, mas é pouco comparado a hoje em dia, e querendo ou não, por mais que o roteiro falhe aqui e acolá, o filme se concentra no que acontece ali, e somente nele.
Depois deste filme, Jon Favreau achou por bem deixar de dirigir o terceiro longa, devido principalmente à crítica da imprensa e de alguns fãs pelos problemas citados.
Durante as premiações deste ano, o que mais foi falado foi o quanto 'Emilia Perez' estava sendo injustamente aclamado e premiado como musical, enquanto 'Better Man' se quer tinha destaque ou holofotes, e por ser um musical muito mais competente e bem feito do que o filme de Jaqcues Audiard,
Nos EUA via relatos no X, houve um grande burburinho com a relação ao filme, quando estreou por lá, de pessoas que assistiram e nunca tinham ouvido falar de Robbie Williams, que é um artista britânico, e ficaram maravilhados, não só com o filme em si e em como ele é muito bom e bem montado e a forma peculiar com que Robbie é retratado no longa, mas também em sua história buscando ser um artista reconhecido no Reino Unido e sendo autor de grandes sucessos.
A verdade é que 'Better Man' é um ótimo filme e um entretenimento certeiro para quem quer assistir uma boa história, com um bom protagonista, sendo uma biografia e ainda sendo um musical atrativo. Eu particularmente não sou fã de musicais, eu os assisto mas com um pé atrás muito grande, esperando que eles me surpreendam positivamente. E 'Better Man' surpreende e muito, mas eu mesmo devo confessar aqui que não coloco muito o filme na prateleira de musicais como todos colocam. Em 'Better Man' eu esperava até um número grande das canções de Robbie, fazendo parte do longa, mas a verdade é que apenas alguns sucessos estão lá, e dá até pra contar nos dedos... 'Feel', 'Something Beautiful', 'She's The One', 'Let Me Entertain You', 'Angels', 'Rock DJ', 'Better Man', 'Come Undone' esqueci algum? Apenas 8 canções de inúmeros sucessos que Robbie teve, parece até muito, mas eu esperava um pouco mais.
Dessas canções citadas, somente 'Something Beautiful' não foi exatamente um número musical, foi mais uma passagem do longa onde ele consegue vender suas letras para gravar seu álbum solo, e 'Let Me Entertain You' foi uma mescla da apresentação dele no icônico show em Knebworth e um número musical, uma batalha contra seus demônios internos. De número musical mesmo, que eu enxerguei, foi apenas 'Rock DJ' que teve toda uma coreografia, toda uma sequência com o mínimo de edição, junto aos seus companheiros de Take That após assinarem com uma gravadora, e é uma puta de uma cena musical muito bem coreografada e filmada, com uma sequência de tirar o fôlego e um final com sei lá, mais de cem pessoas ou quase isso, não tenho a dimensão agora, teria que rever, no final com a mesma coreografia... que cena, isso é cinema.
Eu realmente não vejo muito 'Better Man' como um musical, eu o vejo mais como uma drama biográfico com inspiração em musicais.
Dá até pra comparar com outros musicais como os recentes 'Em Um Bairro de Nova York', 'Wicked', a refilmagem de 'West Side Story', 'Hamilton'... e os já clássicos 'Moulin Rouge', 'Cantando na Chuva', 'La La Land', 'Chicago', enfim, são musicais propriamente ditos, com narrativa musical e tudo...'Better Man' pelo que vi é um drama com uma cena musical ou outra, claro, na minha visão.
Robbie Williams eu o conheci obviamente na MTV nos anos 90, depois do Take That, já foi no seu primeiro álbum solo, quando o clipe de 'Lazy Days' passava no Radiola MTV, e logo uns meses depois, 'Angels' estreou e, claro, foi uma música que me pegou já de primeira, assim como toda o Reino Unido. E mesmo gostando de Rock 'n Roll, eu me afeiçoei ao trabalho de Robbie, até por ter um gosto bem eclético musicalmente, e não ter o menor problema em ouvir música pop, como Hanson, Backstreet Boys, 'N Sync e outros artistas da época. Como sou fã de Oasis e era muito jovem, durante um tempo eu peguei uma bronca do Robbie somente pelo fato dele e do Liam Gallagher estarem trocando farpas entre si, com Noel soltando uma ou outra sobre ele de vem em quando. Durante aí mais ou menos 1 ano eu tinha bronca do Robbie e sempre falava mal, e tirava uma com os clipes dele e por aí vai. Depois quando ele lançou o disco 'Escapalogy' aí eu fiz as pazes de novo kkkkkkkkk, porque é um puta disco e o Robbie é um puta artista também.
O show que ele fez em Knebworth retratado no longa, reuniu 125 mil pessoas em três noites, ou seja, ao todo foram 375 mil pessoas ao todo, batendo o recorde do Oasis de 250 mil pessoas. Esse show eu já assisti de cabo a rabo quando eu tinha o DVD, um puta de um show foda, que praticamente estabeleceu Robbie Williams como um dos maiores artistas solo que já existiu na Grã-Bretanha.
Há muitas passagens no longa que estão fora de ordem cronológica, por exemplo, quando Robbie canta 'Something Beautiful' para convencer seu produtor de fechar o contrato para um álbum solo, o filme está se passando ali entre 97 e 98, mas canção só foi lançada em 2002. Quando Robbie encontra Liam e Noel Gallagher durante a festa das All Saints que chegaram ao N°1 das paradas com 'Never Ever', no filme dá a entender que isso se passa ali em 96, mas a música das All Saints é de 98, e em 98 Robbie e os Gallaghers já estavam tretados. O show final do filme, onde ele canta Sinatra com o pai dele, aconteceu antes de Knebworth, em 2001, e não depois como o filme mostra... devem ter ajustado algumas coisas pro roteiro poder ficar de acordo com o que queriam contar, acho que por isso essas mudanças.
Por falar no relacionamento de Robbie com Nicole Appleton, das All Saints, eles tiveram que abortar o bebê que estavam esperando, porque ou foi a gravadora ou o empresário que não queria que o grupo parasse por mais de 1 ano só pra Nicole ter seu filho e amamentar e se recuperar, pra depois voltarem. Foi uma imposição de cima, que Nicole acatou, junto a Robbie, e depois de um tempo o relacionamento dos dois acabou e logo quem Nicole foi namorar em seguida... Liam Gallagher, 'ex-amigo' e desafeto de Robbie. Acho que isso acabou causando mais atrito ainda entre os dois, pois o Liam foi pegar logo a ex do Robbie, e ainda acabou engravidando-a, tento um filho com ela, coisa que o Robbie falhou em convencê-la. E aí, depois de se casarem e uns 10, 11 anos depois, o que acontece? Liam em uma turnê com extinta Beady Eye, trai Nicole com uma jornalista americana e engravida ela... Nicole pede o divórcio, quebra o Liam financeiramente, o que faz com que Liam acabe com a Beady Eye e fique anos na surdina. A vida é meio engraçada ás vezes. A Nicole sofreu com o Robbie, e depois sofreu com o Liam... enfim.
O fato de Robbie ser representado por um macaco foi uma ótima ideia para o filme, e é como se o Robbie sempre fosse uma espécie de atração. Era difícil enxergar o Robert Williams, ele sempre o escondia atrás de Robbie Williams, e só servia para entreter, como se fosse um personagem, logo, m macaco para retratá-lo. Bem poético. Ele foi interpretado pelo ator Jonno Davies, através de captura de movimentos, e todo crédito a Jonno, que conseguiu performar todos os trejeitos de Robbie em cena, sendo que Robbie, para quem acompanhou sua carreira, sabe bem os trejeitos que ele faz no palco, nos videoclipes, e nas entrevistas mais polêmicas ou as mais descontraídas... e Jonno fez isso com uma maestria imensa, ele realmente incorporou o personagem e entregou uma semelhança sem igual.
A avó de Robbie foi interpretada por Alison Steadman, e ela também entregou uma ótima performance, principalmente nas cenas dela com Robbie ainda criança que foi interpretado pelo garoto Carter J. Murphy. Alison já é uma atriz britânica veterana com muita bagagem e experiência, e trouxe isso para sua personagem deixando ela com aquele ar de vó protetora mesmo, a famosa segunda mãe.
Outro destaque para mim foi Steve Pemberton, que fez o pai de Robbie, Peter, e Steve teve uma ótima performance, tanto no começo com Robbie ainda criança na cena da sala onde eles assistem e cantam Sinatra, e mais tarde no filme na cena da piscina antes da apresentação em Knebworth, quando Robbie acaba sendo muito duro com o pai.
Outros atores de destaque foram Raecehlle Banno que fez Nicole Appleton das All Saints, Jake Simmance que fez Gary Barlow, cantor principal do Take That, assim como todos os outros atores que fizeram os demais integrantes do Take That. Leo Harvey-Elledge interpretou Liam Gallagher , o vocalista do Oasis e eu acho que ele foi muito, mas muito bem, teve os trejeitos do Liam, teve a atitude do Liam, e suas poucas aparições foram mais que convincentes... já Chris Gun, fez Noel Gallagher e ele teve apenas uma fala no filme e aquela pequena aparição abraçado a uma de suas peguetes... foi bom, não foi ruim não, deu pro gasto.
Acho que a direção de Michael Gracey, que também escreve o roteiro e produz o filme, foi muito boa, foi mais um grande trabalho do diretor que deixou o filme bem redondo, muito bem montado, com tomadas de cenas bem únicas e diferentes, e soube muito bem deixar seus atores a vontade para poder performar da melhor forma possível, e verossímil também... acho que está ali na linha do que ele fez em 'O Rei do Show'. Em termos técnicos o figurino do filme em determinados momentos do filme está impecável, a cenografia está ótima, tanto nas passagens por Knebworth, como na performance onde Robbie tem um princípio de overdose, são cenários muito bem construídos e estavam detalhadamente desenhados para remeter os locais originais. Assim como os demais locais do longa.
Nas premiações 'Better Man' foi bem esnobado, e merecia muito, mas muito mais do que foi indicado, porque realmente é um grande trabalho...
- Levou três indicações apenas para Efeitos Visuais, no Oscar, no Critics Choice e no BAFTA, perdendo todos.
- A única premiação que o longa foi bem sucedido foi a AACTA, premiação do cinema Australiano, onde o filme recebeu 12 indicações incluindo Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Diretor... e desses 12 nomeações, levou nada mais nada menos que 10 prêmios... como Elenco, Diretor para Michael Chancey, Roteiro, Ator para Jonno Davies e Melhor Filme.
Pra mim 'Better Man' realmente surpreendeu, porque como já mencionei não é exatamente um musical pré-dito, quem assiste musicais sabe muito bem como um musical é e suas nuances, e como a música se faz presente até nas falas da história em alguns casos (vide Emília Pérez). Acho um ótimo filme biográfico sobre um dos maiores astros que a Grã-Bretanha já viu, e que possui alguns poucos números musicais muito bem executados, e músicas da carreira de Robbie performadas no estilo musical tradicional de cinema, só que de uma forma menos formal e que serve mais a história contada e/ou a cena apresentada. Para mim, é filme para ver e rever.
É o que a gente costuma sempre falar, e isso vem sendo uma constante nos últimos anos na Marvel Studios, quando você tem um projeto, já sólido, já escrito, já montado, e aí depois de meses do fim das gravações, você vem com refilmagens para o longa, refilmagens atrás de refilmagens, realmente o produto final não virá com aquela qualidade que se esperava quando o projeto foi anunciado.
'Capitão América: Brave New World' sofre desse mal, infelizmente, um filme que se vendia como um thriller político, igual ao que foi o ótimo e perfeito 'Capitão América O Soldado Invernal', mas que não chega nem na unha encravada daquele filme. As regravações para encaixar o personagem de Giancarlo Esposito e colocar outras coisas que mexeram nas bases do roteiro do longa, afetaram muito a qualidade do filme, e não é que o filme ficou uma bagunça completa, na verdade ele até que é bem feitinho, tem uma boa edição, é bem montado, segue um ritmo até que bacana... mas não prende a atenção de quem assiste, é muito simples, não tem nada de impacto, é uma história bem rasa, sem tantos desdobramentos, tenta ser um thriller e não é, tenta ser grande e não é... é apenas básico.
A primeira meia hora do filme é muito boa, realmente é envolvente, já monta as peças no tabuleiro, e vemos a intriga que está acontecendo, com ótimas cenas de ação com Giancarlo Esposito, e uma boa apresentação de Harrison Ford e seu agora Presidente Ross, e uma ótima cena inicial do Capitão América enfrentando os homens da 'Sociedade da Serpente', que nos quadrinhos é uma equipe de super vilões liderada pelo Rei Cobra, e que aqui é uma força operacional clandestina meio que terrorista, que age sob o comando de Coral, sempre pegando os trabalhos que oferecem o melhor preço. A partir do momento que o primeiro Capitão América, Isaiah Bradley, tenta assassinar o Presidente e é pego pela segurança a céu aberto, o filme acaba ficando quase no mesmo rumo, mantém o ritmo, mas cai numa obviedade muito grande, e numa simplicidade de roteiro que deixa tudo no marasmo, e aquela empolgação para ver o que vem a seguir, acaba indo embora e, pelo menos eu, fiquei no automático só esperando o longa chegar ao seu final.
Temos um ótima batalha aérea na Ilha do Tiamut (esqueci o nome da Ilha agora), onde eles lutam pela extração do Adamantium, sim ele chegou ao MCU, é uma batalha que foi bem filmada, foi bem coreografada, tem uma edição bem competente que não lhe deixa ficar perdido no meio da luta. Temos outras cenas boas até, a luta do Capitão contra um lacaio do Coral, cara grande, musculoso, uma boa luta que termina de forma bem básica... tem um embate bom entre Capitão e Coral, mas no geral, só alguns bons momentos isolados, e uma sequência de atos e fatos que deixam o filme bem morno...
A luta do Capitão conta o Hulk Vermelho é até bacana, ali você fica com a atenção toda na tela, possui uma boa resolução e até divertiu enquanto acompanhava... mas não foi o bastante. Eu imaginava que toda a questão Ross/Hulk Vermelho vs Capitão América, iria permear boa parte do filme, que iria ditar em partes os rumos do roteiro, que iria tomar um certo coadjuvantismo dentro do roteiro do longa... mas na verdade acabou servindo apenas para pintar a batalha final do filme, que por mais que tenha sido bem montada e executada, claramente você vê que é tudo um fundo verde, em alguns momentos ficou bem plástico, ficou faltando um pouco de vida ali, algo que vimos por exemplo quando o Homem de Ferro enfrentou o Hulk em 'Vingadores Era De Ultron' na África... e também quando os Vingadores perseguiram Ossos Cruzados na Nigéria em 'Capitão América Guerra Civil', ali foi tudo mais vivo, mais coerente, mais ameaçador... Essa luta do Capitão e de Ross ficou meio plástico com todo aquele fundo verde, apenas para os dois se esmurrarem e destruir um monte de árvore rosa e tudo o mais... Mas devo pelo menos ressaltar que antes, eles acabaram se enfrentando e destruindo metade da Casa Branca, e na perseguição ainda derrubaram mais alguns monumentos, antes de irem pro meio das folhas rosas.
Tivemos também a inclusão no roteiro de Isaiah Bradley, retornando e dessa vez como um convidado de honra de Sam Wilson para ir a Casa Branca, e logo depois do atentado, ele é preso e limado totalmente do filme, e isso é um problema aqui, além dele, o Coral de Giancarlo Esposito também tem seu protagonismo no começo do longa, e logo depois ele é totalmente limado do resto do filme, foi algo pensado para ser muito pontual e depois foi descartado do resto da história... assim como foi com Rumlow em 'Capitão América Guerra Civil'.
Tivemos a volta de mais dois personagens do filme 'O Incrível Hulk' de 2008 neste longa, Samuel Sterns, o Líder nos quadrinhos, retorna novamente interpretado por Tim Blake Nelson, em uma versão mais convincente com a realidade do MCU e com uma boa desculpa do porque ter ficado tanto tempo longe dos holofotes. Ele é o principal cabeça e idealizador da trama do filme, mas pouco também oferece ao longa, sempre orquestrando ali dos bastidores, e tendo poucas cenas onde ele contracena com os demais personagens... uma pena, pois ele poderia estar muito mais inserido na trama, mais do que já estava, tinha potencial para ser mais presente, ao invés de ficar ali só pelo 'telefone', 'walkie talkie', seja lá os meios que ele usou no filme. Acho que seria muito mais interessante ele estar ali presente, dialogando, debatendo e usando certos capangas para poder enfrentar o Capitão. Não que ele não tenha usado, pois usou, mas faltou mais participação em carne e osso, achei pouco e comedido. Além dele, Liv Tyler retorna como Betty Ross, apenas sua segunda aparição no MCU, e depois de 17 anos ela retorna, para apenas uma cena de menos de 1 minuto... MEU DEUS Feige, tá faltando originalidade e ideias na Casa das Ideias cinematográficas. Havia muita animação em como seria essa volta da Betty ao MCU, o que ela agregaria ao roteiro ou como seria sua participação no filme, mas infelizmente, o que eu não imaginava é que seria esse desperdício total que fizeram com a atriz e com a personagem. Uma cena de menos de 1 minuto lá no fim do filme, e outra apenas como uma voz no telefone conversando com o Presidente Ross, ou seja, só serviu como estepe, não se faz isso com uma atriz como Liv Tyler que tem muito mais a oferecer com a personagem, e nem com a personagem em si, que poderia ter uma nova direção que não fosse a ex namorada de Bruce Banner... enfim.
Achei a direção de Julius Onah boa, não comprometeu, fez muitas cenas ótimas, com ótimas tomadas, bem encenadas, com ótimas tomadas de cena, não comprometeu, fez o básico e fez bem até. Já o roteiro de Dalan Musson, Malcolm Spellman e Matthew Orton achei bem preguiçosa, bem simples, idas e vindas, três roteiristas para um filme apenas é muito, e aí fica essa salada que foi o filme, onde o Coral foi limado cedo do roteiro, Sterns ficou apenas ali nos bastidores com destaque moderado, a Ilha de Tiamut serviu apenas para uma sequência de batalha aérea, e uma luta final contra o Hulk Vermelho que foi bacana, devo confessar.
O elenco traz Anthony Mackie e seu Capitão América, que está bem inserido já no MCU, mas poderíamos ter tido um pouco mais do que foi apresentado, acho é um filme bem comedido nas ideias, faltava mais das coisas, e deixaram tudo mais básico.
Harrison Ford que agora, além de ser Han Solo e Indiana Jones, ele entra pro MCU como Thadeus Ross, que era de William Hurt que infelizmente acabou falecendo. Acho que Ross trouxe um novo frescor pro personagem, mas eu consegui ainda enxergar certas nuances de Hurt na atuação de Ross... e deram um bom destaque para ele no longa, o que me impressionou bastante, achei que ele seria mais coadjuvante e ele foi bem protagonista, um ponto bom do filme.
Volta também Danny Ramirez como o novo Falcão, Joaquim Torres, sendo o parceiro de Sam Wilson, ele tem carisma com sua atuação e era sempre bom vê-lo em cena, teve várias cenas cômicas e piadinhas sendo o alívio cômico deste filme.
Umas das melhores surpresas do filme foi Shira Haas, que fez Ruth Bat-Seraph, nos quadrinhos Ruth era a super-heroína israelense Sabra, uma mutante que atuava sob a batuta do governo israelense. Eu a vi em algumas histórias do próprio Capitão América, e de outros personagens da Marvel, e ao saber da entrada da personagem no longa, fiquei animado, porque por mais que Sabra não apareça com tanta frequência assim nos quadrinhos, no filme ela tinha muito a agregar com essa nova roupagem dela, uma nova encarnação que caiba dentro do que o MCU pede. Logo houve algumas mudanças com a personagem depois de alguns protestos de algumas pessoas, devido a essa situação atual entre Israel e Palestina e a investida do governo norte americano pelo Presidente Trump... Depois de algumas conversas, mudaram o direcionamento de Ruth, sendo uma israelense que trabalha direto pro governo americano, direto pro Presidente Ross, e ela deixaria de ser uma mutante, para ser uma ex-Viúva Negra da Sala Vermelha. Mudanças essas que são um pouco radicais demais, mas que cabe no que o filme pede, e se encaixa no que vem acontecendo no MCU de uns anos pra cá, não é algo que vá atrapalhar o filme ou o envolvimento da personagem. E Shira Haas foi bem demais no papel, teve uma interpretação ótimas, foi firme na atuação, vestiu bem a personagem, lhe deu essa nova roupagem, essa nova visão, teve uma ótima cena de ação no filme, fez um bom contra ponto com o Capitão América e ficaria muito feliz se ela retornasse futuramente em outros projetos do estúdio.
Retornaram também os já citados Carl Lumby (Isaiah Bradley), da série 'Falcão e o Soldado Invernal', Liv Tyler, Tim Balke Nelson e Xosha Roquemore, a irmã de Sam Wilson que trabalha direto para o presidente Ross, vinda da série 'Falcão e o Soldado Invernal'.
O Onipresente Giancarlo Esposito que esteve em 'Better Caul Saul', 'Magnatas do Crime', 'Abigail', 'MaXXXine', 'Megalópolis', 'As Tartarugas Ninja Caos Mutante', Na animação da 'Arlequina' como 'Lex Luthor', 'The Boys' e no recente 'The Electric State', e que aqui em 'Capitão América' ele faz o vilão Coral, um personagem no MCU muito bom, com muita presença de cena, algo que só a experiência de Giancarlo poderia trazer pro personagem e conseguir fazer com que caísse nas graças dos fãs de uma forma tão genuína. Apesar de Coral não ser um personagem de destaque nos quadrinhos, mas nem de longe, ele pode crescer dentro do MCU. Espero muito que ele não seja esquecido pelo estúdio, sendo que será difícil encaixá-lo em outros projetos que não estejam relacionados ao Capitão, mas ele é um ótimo adendo ao estúdio. E ainda temos Takehiro Hira como o primeiro ministro Ozaki, Takehiro esteve na ótima série 'Xogum', com um bom papel lá, e uma performance muito boa, e aqui ele faz um político japonês, e aparece pouco no longa, tem pouco espaço para se mostrar no longa, mas no pouco que aparece deixa sua marca de performance e pelo menos para mim, foi bom vê-lo em cena.
Quem assistiu os trailers deste filme, praticamente aí pegou o filme todo, os trailers entregam muita coisa do filme, não em termos de detalhes, mas em termos de grandes cenas... enquanto eu assistia o filme eu falava, "tal cena ainda vai aparecer, tal luta ainda vai acontecer, já já chega as cenas na Ilha do Celestial, pelo visto a luta contra o Hulk Vermelho vem no fim do filme", e por aí vai. É muito fácil ler este filme se você assistiu os trailers e se lembra deles. Aí realmente foi uma bola fora do estúdio.
No final das contas, na minha visão e opinião, 'Capitão América Admirável Mundo Novo' fica no mesmo nível de 'O Incrível Hulk' do Edward Norton, sendo um filme bem medíocre, que tem pouco a mostrar e acrescentar, acaba sendo muito básico com alguns bons momentos aqui e acolá... poderia ser bem melhor do que foi idealizado, mas com essas coisas de refilmagens e inserção de personagens acabou ficando bagunçado para poder ajustá-los no roteiro, e acredito que havia um filme antes dessas mudanças, e aí virou outra coisa que vimos chegar aos cinemas, aquém do que era esperado pelos fãs. Assim como 'O Incrível Hulk', este filme do Capitão América vai acabar caindo no esquecimento em pouco tempo, devido a sua obviedade e ser tão básico como o filme do Hulk foi, e comparado aos três filmes anteriores do Capitão América, acho que este aqui perde até para o primeiro.
Pra terminar, a cena pós crédito é uma das mais preguiçosas de todo o MCU, puramente para já chamar a atenção para os dois futuros filmes-eventos dos Vingadores que virão no futuro... pode até ter um pequeno contexto ali, mas que foi bem broxante isso foi, muito ruim.
Filmes de época são sempre interessantes de se assistir, pelo menos para mim, e 'Blitz' é um filme que quando fiquei sabendo da chegada no Apple TV eu fiquei bem curioso para saber do que se tratava e como ele seria, ainda mais por ser dirigido por Steve McQueen que trabalhou em obras como 'As Viúvas', 'Small Axe' e 'Occupied City'.
'Blitz' traz o pequeno George de 9 anos, que durante a segunda guerra mundial, é enviado pela sua mãe para os campos no interior, afim de protegê-lo dos ataques que a cidade onde moravam estavam sofrendo devido a guerra. Após saber que seu filho havia abandonado o trem que rumava para o interior, sua mãe Rita, entra em desespero e abandona seu serviço para poder procurar o filho e tentar trazê-lo de volta para casa.
O filme é uma ideia original de Steve McQueen, onde ele foca mais na relação entre mãe e filho, uma mãe que quer a qualquer preço proteger seu filho dos horrores da guerra, o filho que acaba se maldizendo da mãe por mandá-lo para longe sozinho, sem entender o porque de tal ato. Fora essa relação entre os dois, o filme foca em outros personagens de época, e um cenário de ataques sem o menor aviso e como isso impacta a rotina e a vida de quem mora por aquela região.
A premissa do filme é muito boa, mas nós temos alguns personagens muito fantasiosos no roteiro escrito por McQueen, alguns deles funcionam bem, como Ife e Doris, já outros parecem ter saído de uma história em quadrinhos como Albert, Beryl e Agnes, e outros são completamente inúteis como Jack. Steve McQueen começa bem o filme já nos situando de muita coisa, aonde moram, como é o dia a dia, os ataques, na relação de mãe e filho, criando as situações que vão levar aos eventos que acompanharemos... mas depois aí de mais ou menos 40 minutos de filme, McQueen acaba indo para um lado que deixam as coisas fora do que ele estava arquitetando para nos apresentar. Eu acho que toda a jornada de George é muito boa e a mais interessante do filme, mas até quando ele encontra aquela galera que roubam as coisas dos locais atacados, fica muito fantasioso, meio que sai do tom proposto pelo próprio diretor.
Acho que George é o personagem mais interessante do filme, e é meio impossível não se pegar torcendo para que ele consiga retornar para sua família. Em todas as suas passagens ele nos cativa, quando conhece os garotos que estão no trem, quando encontra o policial Ife, onde testemunhamos uma parceria bem bonita, uma das melhores passagens do filme, e depois quando encontra a gangue de ladrões, acaba fugindo um pouco do tom proposto, não me afeiçoei tanto a essa passagem, mas ainda é bem inserido na jornada do garoto. E falando nessa gangue, a cena onde as pessoas de elite estão no salão jantando, com aquela banda de músicos pretos, o rapaz dançando, e todos lá comendo do bom e do melhor, e de repente... cara, uma das melhores cenas do filme, aquilo ali é de impactar e chocar e imaginar como foi na época de verdade, as coisas semelhantes que podem ter acontecido. McQueen foi feliz nessa cena, ficou muito bem filmado, parece algo fora do filme, um comercial sabe, até me peguei perguntando, "tá, mas o que está acontecendo agora no filme?", e aí vem aquela sequência toda... muito bom!
Falando no elenco, o longa é protagonizado por Saiorse Ronan (de Atoenment e Little Girls) que faz Rita, mãe de George, Ronan está ótima no filme, como sempre faz nos trabalhos onde ela aparece. Ela traz aquele senso de desespero quando perde o seu filho que foge do trem, e tem aquela doçura nas cenas onde está com ele, bem no começo do longa... acho que como o filme começa a ir para tons distintos apresentando muitas passagens que fogem do discurso inicial que McQueen quer passar com seu roteiro, sua personagem começa a exigir menos dela, mas ainda assim é um trabalho bem convincente como sempre de Saoirse.
O Garoto Elliott Hefferman, faz George, e que achado é esse menino... um ótimo ator, uma veia artística perfeita que vai do cômico, ao drama, à normalidade muito fácil. Ele entrega muitas nuances distintas em uma cena só, e ele se saiu bem com todos os atores que contracenou, e olha que ele contracenou praticamente com o elenco inteiro, e só nome de peso como Stephen Graham e Paul Weller. Foi o melhor do filme de longe, com certeza.
Stephen Graham, do incrível filme em plano sequência 'Boiling Point', faz Albert, o líder dos charlatões que assaltam os locais atingidos pelos aviões, e roubam as coisas de valor para se darem bem/sobreviverem. Seu personagem e os demais da gangue tiveram pouco destaque, foi bem moderado, mas no pouco que apareceu ele entregou aquela performance que quem já acompanha o seu trabalho, já reconhece de cara... junto a ele esteve Kathy Burke que fez Beryl, e ela também esteve incrível na personagem, gostei muito da atuação rígida dela. Nessa gangue ainda tivemos Christopher Chung, que fez Fred, praticamente não teve fala, mas eu o conheço da ótima série 'Slow Horses'.
Tivemos dois monstros da música no elenco também, Paul Weller, líder da banda 'The Jam' e amigo pessoal de Noel Gallagher do Oasis, fez Gerald, pai de Rita e avô de George. Além de atuar bem, teve uma cena onde canta e toca com Saoirse e Elliott, e foi legal vê-lo atuar, nunca tinha visto Weller como ator. Outro que nunca vi atuando também e não sabia que era ator é o músico Benjamin Clementine que aqui faz Ife, policial que ajuda George em uma parte de sua jornada de voltar para casa... Benjamin eu conheço da parceria que ele fez com o Gorillaz, Banda virtual criada pelo Damon Albarn, líder do Blur e Jamie Hewllet, desenhista da HQ 'Tank Girl'. Eles compuseram juntos a música 'Hallelujah Money' que está no disco 'Humanz' do Gorillaz, e teve umas polêmicas na época com relação a música, mas aí é outra história. No filme Benjamin está muito, mas muito bem como o policial que auxilia George, gostei demais de sua atuação, me surpreendi e gostaria de ver mais trabalhos com ele... obviamente ele canta também no filme em uma cena com Elliott.
Erin Kellyman que fez a vilã na série 'Falcão e o Soldado Invernal' da Marvel, fez aqui Doris, em uma aparição menor, mas eu a acho uma ótima atriz e gostei de vê-la novamente em cena.
Mas queria mesmo falar de Harris Dickinson, que fez Jack, interesse amoroso de Rita, e um dos homens que estavam na linha de frente na guerra... estava ali sempre pronto pra ajudar Rita, porém, como foi mal inserido na trama pelo Steve McQueen, pois Jack não serve pra nada, não faz nada, não ajuda em nada, e é um completo inútil em cena e na trama. Sério, fiquei me perguntando o que raios McQueen tinha na cabeça para fazer com que esse personagem não servisse para nada... deu até dó de ver o Harris Dickinson tão largado no filme, não tinha nada para ele trabalhar, e ficou aquela coisa que não sai de canto nenhum e vai para nenhum lugar. Foi no mínimo desconcertante. Nem vou dizer que é o pior filme de Dickinson porque ele mal atuou aqui, nem teve páginas para trabalhar, e mal teve falas no filme... o ator de 'Triângulo da Tristeza', 'Babygirl', 'Garra de Ferro' errou a mão ao aceitar esse papel... porque nem papel teve.
A trilha sonora foi do gênio Hanz Zimmer, que fez uma ótima composição aqui, as canções compõem bem as passagens do longa, e mantém nossa atenção na cena em questão fazendo ela crescer mais em tensão do que esperávamos... mais um bom trabalho do gênio, claro que não é aquela composição que iremos lembrar por anos a fio como foi em 'Inception', 'The Dark Knight', 'Interstellar' e o recente 'Duna', mas é um trabalho que veste bem o filme.
Não gostei muito do final do longa, achei muito promissor, muito fora do que foi construído durante a jornada de George, a procura de Rita e os ataques que ocorriam na região onde moravam... Alguém lembra do final de 'Guerra dos Mundos'? Sabe, um final muito preguiçoso, e eu esperava algo mais condizente com o que foi apresentado. Se criticarem esse final, realmente não terá como defender, eu esperava muito mais, algo bem mais criativo ou original.
'Blitz' é uma boa ideia, uma boa premissa, que daria pra ser uma boa peça cinematográfica, mas que se perde um pouco no que quer mostrar ao público, e em sua concepção. Algumas passagens fantasiosas demais, uma desviada no argumento que queria apresentar no longa, personagens que não servem pra nada, e outros que poderiam aparecer mais e ficam só no raso. É um filme que no final das contas deixa a desejar em pontos muito importantes, mas ainda assim nos premia com boas cenas, bons momentos, e em certas partes de suas 2h de duração consegue nos entreter.
Nas premiações o longa recebeu 3 indicações ao BAFTA nas categorias de Melhor Filme Britânico, Melhor Som, Melhor Figurino; No Critics Choice Awards o jovem Elliott Hefferman levou a indicação para Melhor Jovem Ator/Atriz, perdendo para Maisy Stella de 'My Old Ass'. No Satellite Awards levou a indicação de Melhor Figurino... não levou nenhum prêmio a que foi indicado.
Meu Amigo, trouxeram os X-Men da Fox de volta, Sir Ian McKellen, fiquei feliz demais com a volta dele, monstro da atuação... meu Lorde Donut James Marsden como Ciclope novamente, Rebbeca Romjin volta com sua Mística, espero que a mantenham como a clássica vilã, e Alan Cumming? Voltando do limbo como o icônico Noturno da cena de abertura de X-Men 2? Copiado pelo Shadow no filme Sonic 3...
Quarteto Fantástico, Thunderbolts, Loki, Vingadores... vai ser épico, Brasil!
Eu não lembro a primeira vez que eu vi um filme do Jesse Eisenberg, eu fico achando que foi mesmo com 'A Rede Social', mas a impressão que me dá e que eu já havia visto algo dele antes, e foi outra coisa além de 'Zumbilândia'. Mas enfim, mesmo vendo produções futuras dele, como o Lex Luthor de 'Batman vs Superman', eu não achava que ele tinha na veia, ainda, esse viés de diretor, sendo que o primeiro filme que ele dirigiu eu ainda não assisti, e acho que nem sabia que ele tinha dirigido um filme, porque fiquei muito surpreso ao ver que ele era o diretor e também roteirista deste filme.
Mas 'A Verdadeira Dor' no meu ponto de vista é um filmaço, tão curto com apenas 1h30 de duração, poderia ter facilmente mais 1 hora que eu não acharia ruim... eu faço parte da turma que enaltece o filme, o roteiro e as performances e acredito que é uma das melhores novas comédias deste ano.
O roteiro de Eisemberg é certeiro, o texto é muito rico, as falas são tão naturais e levam direto ao ponto do que o personagem quer dizer, do que ele sente, do que ele está tentando demonstrar... acho que ele foi muito feliz em centrar essa história no personagem Benji, porque ele é o coração do filme, é a peça da engrenagem que faz ele rodar e funcionar e existir. É muito poético o filme começar com Benji sentado no banco do aeroporto esperando David chegar, e acabar exatamente com Benji sentado no banco do aeroporto depois de David ter partido. Nessa frame, nessa tomada final, focada ali no rosto de Benji, nossa aquilo diz tanta coisa, mas tanta coisa sobre o o que o personagem sente, o que ele passa, o que o cerca, a sua realidade atual... aquela pequena tomada com Benji mais ou menos descontraído, olhando o celular da pessoa ao lado e olhando para o aeroporto e as pessoas passando, aquilo ali é lindo, é arte pura, é uma riqueza... porque depois de ter assistido todo o filme, ter conhecido Benji, sua personalidade, as coisas que ele compartilhou com os outros personagens e consequentemente com o público, e outras coisas confidencializadas por David às outras pessoas da viagem... depois de presenciar tudo isso, eu como espectador, ver aquela cena final... você vê a verdadeira dor de Benji, pura depressão, pura perdição, não sabe onde se encaixar, não sabe o que fazer, não sabe o que quer, e é uma necessidade de viver, de existir, de ser e estar, mas ao mesmo tempo está lá, a depressão, consumindo Benji aos poucos, cada vez mais levando e apagando o brilho embora, aos poucos, e no comportamento dele você também consegue observar isso.
Acho que Eisembreg foi muito feliz no roteiro que criou, manifestando isso ao espectador de uma forma tão transparente e amigável, e simples, não é algo carregado, algo pesado... é aquele papo, depressão a gente não sabe quando a pessoa tem, muita gente só descobre se a pessoa lhe fala, se é diagnosticada, e às vezes só se percebe depois que a pessoa se vai. E Eisemberg escreveu Benji muito bem, sendo que ele é todo despojado, fala na lata, é desenrolado, se dá bem com todo mundo, é pra frente, fala o que pensa e faz o que dá na telha.Mais carismático impossível. E está ali o quadro depressivo que o faz sair do controle às vezes, falar o que não deve, agir do jeito que não deve agir... Benji realmente precisava da viagem, mas pelo visto ela não surtiu o efeito que ele esperava. David e Benji são bem distintos um do outro, mas ao mesmo tempo eles se complementam, mesmo tendo atrito entre os dois durante a viagem, uns pequenos arranca rabos, algumas desavenças para tratar do passado, algumas coisas que nunca foram verbalizadas que incomodavam mais David do que Benji. David é mais centrado, tem o controle da vida, tem uma família que deixou para trás para fazer essa viagem, tem a vida nos eixos, e vê em Benji tudo o que ele não gostaria de ser, tudo o que considera ser errado em uma pessoa, mas ao mesmo tempo embarca nas loucuras que Benji apronta, meio que se sente vivo quando se deixa levar pelas coisas que Benji inventa de fazer que vai contra o normal das pessoas comuns.
Jesse Eisemberg faz David, preferiu pegar o personagem mais centrado, mais certinho, e meio que caiu bem em seu estilo de atuação. Quem se lembra dele em 'Batman vs Superman', bem despirocado, meio menino maluquinho, meio fora da casa, viu que foi um Lex Luthor bem diferente do que estávamos acostumados em ver nas mais diferentes versões do personagem. Meio que não colou muito o estilo de atuação dele com um personagem tão cheio de nuances negativas como Luthor é. O mesmo cabe aqui, e dentro do que David é no filme, Jesse fez um bom trabalho, e meio que David é nossos olhos dentro do filme, entramos naquela pequena história pelos olhos de David, meio que sabemos de todas as nuances que permeiam aqueles eventos por David. É uma atuação muito boa, bem decente, mas que acaba se ofuscando pela presença de Kieran Culkin.
Kieran que fez Benji, é a alma do filme, é ele que nos fisga desde os primeiros segundos em que aparece, é ele quem nos guia e nos ganha durante todo o filme. Sua personalidade é gigante, meio que engloba todo mundo, mesmo quem não gosta acaba se deixando levar pela pessoa, pela bagunça atraente que ele é... ora está bem e acaba sendo uma ótima companhia, ora lhe dá uma recaída e vira uma metralhadora disparando, sem se importar com o que vão achar ou deixar de achar. Muitos dizem que Kieran meio que não interpretou, ele foi ele mesmo, e eu já discordo... acho que Kieran compreendeu o personagem, as suas fraquezas, suas dores, suas vontades, e colocou pra fora aquilo que ele enxergou em Benji, que é um cara de boa, que vive ao seu próprio modo, sem ter medo de quem lhe cerca, sendo dono da sua própria voz... mas com essa inquietação dentro de si, esse momento negro que vive, um misto de necessidade e tristeza, pertencimento e acolhimento e um deslocamento enorme que não cabe em si e não se explica.
O filme é gostoso de se acompanhar, possui um ritmo reto e direto, sem firulas, o tempo passa voando, e tanto Benji como David meio que inflamam o longa, eles são uma presença tão grande, em forma de texto, de presença de tela, que ficamos sufocados no bom sentido, de vermos vertentes tão distintas em forma de amigos/parentes.
Eu já elogiei o roteiro do longa e não à toa ele foi muito premiado nesta temporada de cinema, com 4 prêmios no BAFTA, Satellite Awards, AACTA de cinema Australiano e Spirits Awards de Filmes Independentes. Ainda foi indicado ao Oscar, Critics Choice e Globo de Ouro.
Já Kieran Culkin fez a limpa nas premiações como Ator Coadjuvante levando tudo, incluindo o Spirits Awards, e foi mais do que merecido, seria o meu voto em todas essas premiações, mesmo tendo as demais indicações sendo ótimas e com vontade de premiar várias delas, como a de Jeremy Strong ou Clarence Maclin, eu vejo que este ano foi de Kieran, pois sua atuação, em minha mais modesta opinião, foi arrebatadora... é algo que não acontece assim com tanta frequência durante os anos, essa unanimidade, tendo nos anos anteriores acontecido com Joaquim 'Coringa' Phoenix e Daniel Kaluuya.
O filme ainda levou o prêmio de Melhor Comédia no Critics Choice Awards empatando com 'Deadpool & Wolverine'.
Jesse Eisemberg dirigiu, roteirizou e produziu, e teve ainda apoio de Emma Stone e sua produtora de filmes, para fazer com que o filme alcançasse o número de salas suficientes para atingir o máximo de público possível.
Foi um dos grandes filmes deste ano de 2025, uma vez que estreou aqui este ano, e levou prêmios importantes de Roteiro e uma merecida aclamação para a atuação esplêndida de Kieran Culkin... Engraçado que eu não ligava o sobrenome de Kieran ao de Macaulin Culkin, uma vez que ouvi mesmo falar de Kieran com a série 'Succession'. Qual foi minha surpresa ao descobrir que eram irmãos.
Há dois anos atrás, Edward Berger fez a limpa nas premiações levando Filme Internacional quando dirigiu a refilmagem de 'Nada De Novo no Front', um filmaço que representou a Alemanha no Oscar, e mereceu vencer todos os prêmios que conquistou, sendo o tipo de trabalho que a Netflix deveria investir mais, pois teve conteúdo e coração naquele longa.
Eis que este ano, Berger retorna com um filme que para mim pessoalmente, tem uma temática que muito me agrada e sempre é um assunto interessante, vide o ótimo 'Dois Papas', que também é Netflix, de Fernando Meirelles, que também concorreu a prêmios em algumas premiações.
'Conclave' é um filme onde a temática já está no nome e quem já está na casa dos 40 como eu, já viu esse processo acontecer mais de duas vezes, e é claro, não internamente, mas sim acompanhando os plantões pelos tele-jornalísticos, com entradas ao vivo, dias a fio esperando o processo se encerrar, e aí vir aquela famosa fumaça que declara a escolha do pontifície.
O roteiro é de Peter Straughan que não tem muitos filmes assim de destaque como roteirista, sendo que 'Conclave' ´-e o seu primeiro filme de destaque mesmo, e ainda conseguiu ser indicado nas premiações e levar prêmios, ou seja, é seu melhor trabalho como roteirista de longas metragens. E é um ótimo trabalho, pois boa parte do sucesso e da diversão de assistir o filme, é o ótimo roteiro que conduz bem os personagens durante o longa, lhes dando protagonismo na medida certa, com cada um com suas falas de destaque e seu momento de aparecer e mexer ainda mais com o conclave que acontece em Roma. O texto que Peter escreveu também para seus personagens é muito bom, mas muito bom, eu mesmo fiquei ali colado na tela, hipnotizado pelas discussões políticas e morais que os personagens tinham uns com os outros, e pelas costas também... o texto move as ações dos personagens e faz o filme andar de uma forma natural e automática que as 2h de filme mal passam e, claro, automaticamente, os personagens acabam ganhando carisma, com a ajuda também de seus atores.
Por falar no elenco, o que posso dizer de Ralph Fiennoes, indicado ao Oscar por 'O Jardineiro Fiel' e 'O Paciente Inglês', fez parte das séries 'Harry Potter' e 'James Bond', um ator inglês renomado e respeitado, e que aqui entrega, o que algumas pessoas dizem, o melhor trabalho de sua carreira, fazendo o Padre Lawrence, que está a frente do Conclave que se realiza após a morte do atual regente da catedral, e ele está perfeito no longa, uma atuação segura e destemida, um comprometimento incrível, e uma leveza para atuar que só alguém com sua experiência possui... mesclando a seriedade do momento, com a responsabilidade do personagem em conduzir o conclave, e momentos cômicos não intencionais, que foi uma das maiores surpresas do longa. As partes cômicas, não são intencionais, pelo contrário, os atos levam a esse lado cômico mais por conta da personalidade dos personagens e do momento que eles encaram.
John Lightow que é um monstro do cinema mundial, astro de filmes antigos como 'Footloose', '2010 O Ano em Que Faremos Contato', 'O Dossiê Pelicano', 'Dreamgirls', passando pela série de sucesso '30 Rock' e 'Dexter', fazendo dublagem em 'Shrek' e 'Os Anjinhos em Paris', até os filmes mais recentes como 'Interstellar', 'A Escolha Perfeita 3', 'The Crown', 'Bombshell', 'Killers of The Flower Moon'... que currículo desse ator GIGANTE, que faz Tremblay, um padre mais conservador, que é um dos favoritos para assumir o papel de novo papa e traz aquela atuação matadora, certeira, séria, prostrada, foi perfeito em cena, foi 10 de 10, elogiar Lightow é chover no molhado e entrar em repetição... como é bom vê-lo atuando já entrando aos 80 anos de idade.
Stanley Tucci, outro monstro da atuação, se eu for citar o currículo dele aqui, vão ser linhas e linhas, mas apenas aconselho vocês a fazer uma maratona Stanley Tucci, porque é muito filme bom, 'Capitão América O Primeiro Vingador', 'O Terminal', franquia 'Jogos Vorazes', 'Muppets 2', 'Por Uma Vida Menos Ordinária', 'O Dossiê Pelicano', enfim... interpretando Bellini, um dos principais favoritos para ser indicado como novo Papa, Stanley merecia muito ser lembrado nas premiações para Ator Coadjuvante, porque sua atuação foi perfeita. Foi um deleite vê-lo em cena, debatendo com Lawrence e Tremblay, buscando angariar os votos necessários para poder vencer, e mostrando certas verdades do que acontece politicamente dentro do capitólio romano, e as responsabilidades que o Sumo Pontifície deve assumir e os sacrifícios que terá que fazer em sua vida pessoal para poder assumir tal posto. Era possível ver em seus trejeitos, em suas feições, todo um trabalho de interpretação, de entrega ao personagem, de respeito ao projeto, que Stanley teve uma das melhores atuações do filme, e sequer foi lembrado nas premiações deste ano, o que é uma pena porque ele merecia toda essa lembrança pelo trabalho que ele entregou. Mais uma grande atuação que ele entrega em sua carreira e em seu currículo de grandes filmes.
Isabella Rossellini que fez Agnes, foi sim lembrada por sua atuação de Agnes para Atriz Coadjuvante, e acho que ela esteve bem no filme, suas aparições eram pontuais e com um texto que a favorecia e fazia a personagem ter destaque nas ações que aconteciam durante o conclave... tendo aí umas duas cenas onde ela se destaca, reproduzindo um texto que favorece a personagem perante aos fatos que se sucedem. Porém, eu pessoalmente, não indicaria Isabella a Atriz Coadjuvante, pelo menos ao Oscar, acho que foi uma boa participação, mas insuficiente para ser lembrada e ser indicada ao principal prêmio, muito menos de ser premiada... não tem nada de errado em sua atuação, mas não tem nada de demais, tem ali a entrega, a profissionalidade, mas eu vejo como uma atuação ok, providencial, sem muitos quesitos para indicações.
Destaco também dois atores, Carlos Diehz que fez o ótimo Padre Benitez, que tem um papel enorme dentro do longa, e sua atuação é serena e certeira, muito boa... e também Lucian Msamati, que fez o padre Adeyemi que teve um ótimo destaque no longa, e dentro desse destaque, Lucian fez um bom trabalho com seu personagem, fazendo com que, pelo menos eu, torcesse para o sucesso do personagem, e assim espero, os demais espectadores que conferiam o longa.
A trilha sonora é de Volker Bertelmann, que trabalhou em 'O Corvo' e 'Uma Vida - A História de Nicholas Winton', e em 'Conclave' traz uma ótima trilha, bem envolvente, que se mescla bem as cenas que se sucedem aos eventos dentro do capitólio romano, crescendo na hora certa, e contemplando as ações e pensamentos dos padres envolvidos na escolha do novo Sumo Pontifície.
Tecnicamente também o filme é ótimo, Fotografia, Design de Produção, Figurino... muitas e muitas cenas onde a fotografia se sobressai, principalmente dentro do capitólio romano, e algumas cenas em cômodos fechados, e a cenografia é ótima, tudo muito bem construído e decorado para remeter a Basílica de São Pedro, seus aposentos, e sua arquitetura. O figurino é de outro mundo, tudo muito detalhado, muito bem costurado, muito bem feito, rico em detalhes, os personagens estão refletindo bem em termos de roupagem, quem frequenta o Vaticano, e é um trabalho assim esplêndido de Lisy CHristl, que trabalhou em filmes como 'O Ataque', 'Independence Day O Ressurgimento' e 'Nada de Novo no Front'.
Destaco a grande e já famosa cena do ataque terrorista ao Vaticano quando todos os padres estão contando os votos e Lawrence está no púpito prestes a falar, e aco0ntece o ataque, com a cena em câmera lenta, mostrando as paredes sendo destroçadas e caindo no salão principal, sendo mostrado em câmera lenta e plano aberto, mostrando uma ótima e bela fotografia, um ótimo efeito visual, e uma cena que marcou o filme.
Gostei muito de 'Conclave', para mim foi mais um grande e ótimo trabalho de Edward Berger, sua direção aqui está no mesmo patamar do filme anterior, sendo que o filme prende a nossa atenção assim como 'Nada de Novo no Front' também prendeu, e nisso, Berger está mostrando que é mestre em seus filmes, de nos transportar para o longa e nos prender a ele, de uma forma que fiquemos envolvidos sem ficarmos enfadonhos, e fazer seus personagens serem tão carismáticos e interessantes, que nos ganham já de cara. Difícil achar ali um defeito claro no longa, não há nada ali que me canse ou que faça com que eu diga algo negativo de uma passagem ou outra... até porque como não é um longo muito dramático ou de ação ou algo do tipo, o texto tem que ser matador, porque ele é quem vai ditar o ritmo de todo o filme, e nesse caso o roteiro é ótimo, e um dos pontos alto do filme. Pessoalmente, acho que 'Conclave' foi um pouco mais filme que 'Anora', e daria a ele o prêmio de Melhor Filme no Oscar, porém, ainda não assisti 'O Brutalista', portanto não posso bater o martelo assim de forma certeira. Claro que a minha escolha seria 'Ainda Estou Aqui' acima de todos os filmes, a princípio, por não ter visto 'O Brutalista' ainda... maaaas, era quem eu votaria, a princípio para Melhor Filme, pois 'Conclave' é bem completo e possui um roteiro e um texto muito coeso que conduz bem o filme e prende o espectador de uma forma que não canse quem assiste e o mantenha entretido durante suas 2 horas de duração.
Agora as indicações e os prêmios nessa temporada vitoriosa até para o longa:
-No Globo de Ouro foram seis indicações, incluindo Melhor Filme, Ator e Atriz Coadjuvante, levando apenas o prêmio de Melhor Roteiro para Peter Straughan;
-No Critics Choice Awards foram 11 indicações incluindo Melhor Filme, Diretor, Ator e Atriz Coadjuvante, levando apenas 2 prêmios, Melhor Elenco e Melhor Roteiro;
-No Satellite Awards foram oito indicações, incluindo Melhor Filme, Direção, Roteiro, Ator e Atriz Coadjuvante, mas não foi premiado;
-No BAFTA foram 12 indicações, e mesmo levando só 4 prêmios, foi o maior vencedor da noite por ter levado os principais da premiação, conquistando Melhor Filme, Melhor Filme Britânico, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição;
-No SAG's Awards foram duas indicações e a vitória na principal categoria da noite, Melhor Elenco em Filme, batendo 'Anora';
-No Oscar, finalmente, foram 8 indicações, e apenas um prêmio de Melhor Roteiro Adaptado, tendo perdido Melhor Filme para 'Anora', Ator, Atriz Coadjuvante, Trilha Sonora.
Tanto Ralph Fiennes e Isabella Rossellini que foram indicados a Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante, não levaram nenhum prêmio nessa temporada nas premiações televisionadas. Apenas Ralph Fiennes que levou Melhor Ator na premiação de cinema Australiano.
Por mais que o longa tenha perdido tantos prêmios, e Berger sequer foi indicado a Direção no Oscar, o filme saiu como o principal vencedor do BAFTA, uma vez que o filme é britânico, e o cinema britânico acabou aclamando o longa de Berger com os dois principais prêmios da noite, Melhor Filme e Melhor Filme Britânico... sendo que geralmente quando o filme é indicado nas duas categorias, acaba levando um, e o outro não leva... mas são raras as exceções que o filme acaba levando os dois, e este ano 'Conclave' conseguiu a fazer essa proeza.
'Love Lies Bleeding' teve uma estreia de gala no Festival de Cannes, em Berlim, com o elenco dando muitas entrevistas, com o filme sendo muito elogiado, com a Kristen Stewart sendo muito elogiada também por sua performance no filme, e se criou uma expectativa para quando o filme chegasse aos cinemas convencionais e as pessoas pudessem conferir este novo longa de Rose Glass.
Depois de eu conferir o longa (perdi a estreia nos cinemas), não compactuei com a opinião dos críticos dos festivais quando o filme estreou. Claro que não chega a ser um filme ruim, mas é muito clichê em várias partes, possui uma mudança de tom que ao meu ver deu uma bagunçada no desenvolvimento final do filme, e um final que é viajado demais, sem ligação coerente com o que foi proposto durante todo o filme, e uma conclusão que remete muito aos filmes B da década de 90, meio sem pé nem cabeça, mas querendo ter aquele ar de Cult moderno.
Rose Glass já vinha de uma sucesso independente muito barulhento chamado, 'Saint Maud', que fez sucesso nas premiações independentes como o Gotham Awards e a alçou a poder dar vida aos seus demais roteiros por estúdios e produtoras de mais renome, como é o caso de 'Love Lies Bleeding' que é uma produção conjunta da Film4 e a A24 Films, duas fortes produtoras de filmes que possui uma ampla distribuição, não só no Reino Unido como nos Estados Unidos.
O que gostei muito no filme foi o fato de Glass retratar bem os anos 80 em seu roteiro e também externamente, com uma ótima direção de arte de que nos traz automóveis e objetos da época de maneira bem fiel. A forma como a fotografia também dá uma cansada nas imagens, como se o filme tivesse sido rodado naquela época também ficou algo muito marcante para mim enquanto assistia o filme. As duas protagonistas prenderam minha atenção enquanto as coisas aconteciam em tela, elas tinham uma boa química em tela, e até o ato final, pelo menos comigo, criou um vínculo onde você esperava que elas resolvessem a questão que estavam lidando, sem sair ruim para nenhuma das duas. A direção de Rose Glass também agradou, sendo que ela conseguiu fazer com que seu elenco tivesse atuações de razoáveis para boa, e houve algumas tomadas de câmera interessantes que nos faz prestar atenção, e enxergar novas maneiras de se lidar com uma cena.
Gostei muito da atuação de Kristen Stewart no longa, acho que ela esteve muito bem a vontade no papel, agora que publicamente ela é uma mulher bi assumida, e está envolvida em projetos que tenham essa temática bissexual ou homossexual, para poder contar histórias que tenham a ver com sua sexualidade. É uma atuação mais centrada, mais inspirada, mais segura, mais coesa, se percebe que ela está a vontade com a personagem e que sai com naturalidade tudo que ela enxergou para dar vida a Lou. A diferença é nítida, comparada a outros filmes da carreira de Stewart, é um caminho dela a se seguir e poder entregar ótimas performances com ótimas temáticas que vestem bem o que Kristen está disposta performar.
Katy O'Brian é uma atriz que já vi em algumas produções da Marvel em papéis menores como em 'Agents of SHIELD' onde ela fez Kimball, em 'Homem-Formiga e a Vespa Quantumania' onde ela fez Jentorra, na CW/DC ela fez a Major Sara Grey na série 'Raio Negro', e ainda esteve no filme 'Twisters'. Ela também está ótima aqui no filme, conduziu muito bem um papel mais dramático, com ares de cômico em alguns momentos, e dava pra ver essa nuance dela na série 'Raio Negro' onde ela era exigida com uma carga mais séria, mais durona, no pouco que ela aparecia. Acho que ela fez uma ótima parceira com Kristen, nas cenas mais íntimas as duas foram muito bem, e foi ótimo Rose Glass ter dado essa oportunidade para ela mostrar um pouco mais da sua versatilidade como atriz, e que merece mais papéis de destaque, e não só ficar escondida em papéis menores, e que pode entregar um performance convincente.
Destaco também as ótimas Jena Malone (de Orgulho e Preconceito e Na Natureza Selvagem) como Beth e Anna Barishnykov como Daisy, as duas estiveram ótimas em seus personagens e tiveram interpretações muito boas.
Dave Franco que fez o marido de Beth, JJ, fez aquele tipo de papel mais clichezão, do marido agressor que sempre está destratando a esposa e arranja encrenca com os membros da família que tentam ajudar, não teve nada demais. E Ed Harris, que dispensa comentários como ator e diretor, fez o pai de Lou, que comanda toda a parada barra pesada da pequena cidade onde eles moram e tem uma ótima participação no longa, com o roteiro lhe favorecendo em cenas chave, e tendo bons texto com Kristen Stewart e Katy O'Brian.
O final do longa é meio viajado demais, todo aquele lance de Jackie crescer de tamanho e atacar Lou Sr. e em seguida sair em fuga com Lou, as duas gigantonas... aquilo, claro, só pode ser uma liberdade criativa, uma saída metalinguística escolhida pela diretora, que obviamente irá funcionar com alguns espectadores e alguns críticos especializados de cinema, mas no meu caso, eu achei meio exagerado, para algo que estava sendo conduzido de uma forma bem honesta, bem séria. Aquela cena quando os créditos sobe também não achei assim tão plausível, com Daisy ainda viva na picape do carro, apesar de que quando ela tomou o tiro, deu pra perceber que quando ela estava caída ao chão e a câmera se aproximou, deu ara ver um pouco de respiração nela... achei que era só algo que passou despercebido na continuidade, mas na cena final mostrou que eu não estava vendo coisas... e aí Lou a mata assim sem mais nem menos e a arrasta para o meio do mato...enfim, um final que para mim, pessoalmente, não colou muito com o que assisti desde o começo, com aquilo que foi proposto.
Enfim, 'Love Lies Bleeding' é um filme muito bem conduzido pela Rose Glass, é um ótimo entretenimento, que é o que um filme deve ser em primeiro lugar, tem boas interpretações e um ritmo muito bem acentuado, e uma história que prende a atenção...mas que perde o rumo quando chega ao seu ato final, se torna um clichê que já sabemos para que caminho vai, e escolhe uma conclusão meio fantasiosa, e possui uma cena de créditos que quer ser cômica, mas que apenas para mim, não caiu legal, não colou.
Em termos de premiações, o longa recebeu 12 indicações ao prêmio de cinema independente Britânico, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretora e Melhor Roteiro, mas levou apenas 1 único prêmio, de Melhor Cinematografia. No Gotham Awards foi indicado a Melhor Performance Coadjuvante para Katy O'Brian, perdendo para Clarence Maclin de 'Sing Sing'. No Spirits Awards foi indicado a Melhor Performance Estreante para Katy O'Brian, perdendo para Maisy Stella de 'My Old Ass'. No BAFTA foi indicado a Melhor Filme Britânico, perdendo para 'Conclave'.
Demorei pra escrever sobre esse filme, mas desde que saí da sala de cinema, já estava na minha cabeça que eu ia falar... Que Filme Ruim!!!
Teve gente que tentou defender, teve pessoas que passou um pano pros defeitos, teve gente que fez vista grossa, e teve as meninas em uma live do Omelete defendendo com unhas e dentes o filme, fora a crítica escrita pela Mariana Casinhares que deu 4 ovos, falou que ótimo e disse que resgata o espírito da Fase Um da Marvel Studios. Mas nunca que resgata espírito nenhum... nunca que o filme deu humanidade e blá blá blá... quanta gente sem noção pra defender filme só porque tem protagonismo feminino.
Mas vamos lá, a 'Capitã Marvel 2' no meio do processo, depois de baterem o martelo pela série a Ms. Marvel, acabou se tornando 'As Marvels', trazendo a Kamala Khan e a Monica Rambeau, que ganhou poderes em 'WandaVision'. Eu, na sala dos produtores, seria o primeiro a abraçar a ideia de um filme tendo as três Marvels juntas, é uma ideia interessante, tem tudo para dar certo com um bom roteiro e é um blockbuster que pode ter um sucesso se for lançado ali no verão americano. Portanto a ideia é fantástica e muito acertada por sinal.
Junte-se a isso fato de trazerem Nia Da Costa para dirigir, que fez o ótimo 'A Lenda de Candyman', e tinha tudo para mostrar um excelente trabalho trazendo suas ideias originais para o andamento e montagem do longa. Porém, o problema já começa quando começamos a ter as famosas refilmagens, para acertar algumas coisas do longa ou adicionar algumas cenas que só servem para apontar alguma coisa do futuro de projetos do estúdio, ou introduzir algum outro personagem, e garanto que a Valquíria da Thessa Thompson está incluso nesse processo de refilmagens. O filme chega finalmente aos cinemas e qual a minha decepção, além de ser curto com 1h40 e poucos minutos, e o roteiro de Megan McDonnell e da própria Nia Da Costa que deixou o filme pobre de ideias e com muitas cenas e falas sem inspiração.
O que eu não gostei no filme é o fato de termos uma história mal desenvolvida, onde Carol deixa Hala no mais completo breu depois de aniquilar a Inteligência Suprema, mais um personagem Marvel que é desperdiçado no MCU, e então temos Dar-Benn que assume a posição de governanta de Hala e busca uma forma de salvar o planeta e destruir a Capitã Marvel. Nós temos o outro bracelete quântico que Dar-Benn encontra em algum lugar do espaço, sem muita origem, da mesma forma que o bracelete foi apresentado na série da Ms. Marvel. Temos também já no começo do filme o entrelaçamento entre as três protagonistas por causa de um clarão que é gerado pelo bracelete encontrado e usado por Dar-Benn... uma desculpa bem esfarrapada para as três trocarem de lugar e começarem a atuar juntas. E nessa de atuarem juntas, no começo do filme a uma edição falha demais nas cenas, é tudo muito bagunçado, do nada Carol para na Terra, Kamala vai pro espaço, Monica entra na bagunça, as cenas ficam muito picadas, cortadas, mal editadas, o texto é pouco inspirado, piadas que não levam a lugar nenhum... que trabalho ruim que fizeram na primeira meia hora de filme.
Outra coisa que não me agradou no longa foi o planeta Aladne, composto 99% de água, onde todos falam cantando... a princípio me incomodou demais essa ideia de ter um planeta musical no longa, e os personagens começarem a cantar e ser tudo muito cor de rosa e por aí vai... ao reassistir o longa, me incomodou menos, ainda não compro a ideia, mas não me pegou tão negativamente assim como da primeira vez. Acredito que talvez, esta passagem tenha sido inserida no filme, visando também a cultura muçulmana que é de muita dança e cantoria, e das três, Kamala é que se sente mais a vontade no planeta e em dançar e cantar, porque isso já faz parte da cultura do país dela, de onde nasceu, e de sua sociedade.
A vilã interpretada por Zawe Ashton (de Black Mirror) também não me agradou, sendo que Dar-Benn é a Supremor de Hala à beira do caos, e é simplesmente aquela vilã genérica que já vimos tanto em filmes passados da Marvel Studios, como nos 3 Homem De Ferro, nos dois primeiros Thor, no primeiro Homem-Formiga e por aí vai... não traz um antagonismo envolvente, não tem aquela ligação que poderia ter com a protagonista para deixar o embate moral das duas mais íntimo, mais pessoal.
Brie Larson foi outra que a performance como Carol Danvers neste filme não me agradou. Acho a Brie uma ótima atriz, gosto muito do trabalho dela dentro e fora do MCU... suas performances como Carol Danvers no primeiro filme, na pequena cena em Homem-Formiga e a Vespa e em Vingadores Ultimato são muito boas, mas neste filme ficou bem aquém. Brie faz aquela famosa cara com os olhos esbugalhados toda vez que algo acontece, toda vez que está em uma situação desagradável, toda vez que está em uma situação inconveniente, puxando muito pro cômico quando a cena exige, sem saber direito como reagir. Muito dessa atuação de Carol vem da diretora Nia Da Costa que exigiu essa atuação de Brie Larson, um lado mais sério nas cenas onde Carol mostra mais vulnerabilidade, e um lado mais cômico nas cenas mais extrovertidas, mas aí Brie traz essa face com os olhos abertos, sempre atenta, algo que não ficou legal, não ficou bacana. A culpa nem é de Brie, uma vez que Nia Da Costa quem lhe exigiu tal performance em cena, faltou mais senso crítico de Nia para poder dirigir melhor o seu elenco, para poder deixar Brie com uma atuação mais de protagonista mesmo. Brie parece mais uma coadjuvante em seu próprio filme, pelo menos ao meu ver, e Nia também acaba cometendo alguns erros de direção com outros atores do elenco, como Samuel L Jackson.
Samuel retorna como Nick Fury e ele não lembra em nada o Fury de 'Invasão Secreta', e não tenho total certeza porque não pesquisei a fundo, mas se não me engane ele filmou 'As Marvels' primeiro e sua série depois... talvez isso explique porque Fury não tem um vestígio dos eventos acontecidos em 'Invasão Secreta', se realmente ele filmou depois de 'As Marvels'. Em nenhum momento o personagem se leva a sério, ele foi colocado como um dos alívios cômicos do filme, seu texto é bem boçal, muitas cenas de vergonha alheia de tão bestas como foram escritas, sendo um desperdício de talento e de personagem.
Já Iman Vellani e Teyonah Parris eu gostei muito das duas, Iman nem preciso dizer muito, ela esteve ótima em sua série que é bem divertida, apesar de cai de nível do meio pro final, e aqui Iman mantém o nível de Kamala lá no alto. Ela traz carisma para a personagem novamente, está a vontade no papel, já é fã da Marvel e deu muitos toques e ideias durante as gravações, ou seja, é muito bom ter ela nas produções do MCU. Teyonah foi outra que trouxe um ótimo trabalho para sua Monica Rambeau, assim como fez na série 'WandaVision', e ela esteve em ótima sintonia com suas duas parcerias no longa, o texto também não lhe favoreceu, mas ainda assim Teyonah conseguiu trazer naturalidade para Monica, fazendo com que a personagem tenha carisma com o público, e pelo menos teve comigo.
A família de Kamala também são bem carismáticos, eles acabam sendo mais uma parte do alívio cômico do filme e acabam sendo um alívio bem vindo, com destaque para Zenobya Shroff, que faz a mãe de Kamala, mas os três atores que fazem a família de Kamala têm muita química e fazem a participação deles serem bem divertida.
Uma coisa que vou elogiar no filme é a luta final entre as Marvels e Dar-Benn, que além de ser bem coreografada, bem filmada, bem atuada, ser seca e direta, também não possui nenhuma música de fundo em boa parte da luta... ficou muito bom, deu uma sensação boa para quem assiste de uma bela batalha, de tensão, realmente nesse ponto a Nia Da Costa acertou bastante.
E também temos todo aquele 'plot' de Goose e seus filhotes, e eu sou apaixonado por gatos, gosto muito de animais de todos os tipos e possuo muitos gatos em casa... dito isto, que ideia besta foi essa de lotar o filme de gatinhos comedores de gente apenas para ser a solução de salvar a equipe da S.A.B.E.R de seu QG no espaço. Que falta de ideias tiveram para esse filme viu, deixaram muitas coisas bem fofas e bonitinhas e não era isso que esperávamos de um filme que tinha tudo para elevar o status das Marvels. Dava para fazer algo mais badass, mas inspirado, buscar um pouco mais de inspiração e ideias nas HQ's da Capitã Marvel e da Ms. Marvel, para trazer um enredo mais envolvente para o longa, e não essas ideias mais bobas, pra deixar o filme fofo, o jeito feminino de se fazer um filme de aventura. 'As Panteras' da Elizabeth Banks já deu o recado anos antes, e pelo visto Nia Da Costa não viu o filme para trazer um caminho parecido com aquele.
O restante do elenco ainda com nomes como Hailee Steinfeld, Kelsey Grammer (somente voz), Lasahna Lynch retornando como Maria Rambeau/Binária, Seo Joon-Park, Gary Lewis como Imperador Dro'ge.
O filme deu uma flopada nas bilheterias, não caiu bem com grande parte do público, e obvio cada um tem seu gosto, e teve gente que gostou muito do longa, que bom pra eles, é bom ver que o filme divertiu as pessoas... mas eu falando criticamente não gostei nenhum pouco. Falando de uma forma normal, também não gostei tanto assim do filme, então realmente é uma fórmula a não ser seguida pelo MCU. Não é o pior filme do Marvel Studios, esse título pode dar para, na minha opinião, 'Thor 1' e 'O Mundo Sombrio', 'Homem de Ferro 3' e quem sabe aí 'O Incrível Hulk'.
Mas fica difícil até eleger qual foi o pior dessa fase 4, 'As Marvels' ou 'Thor Amor e Trovão'... eu fico encima do muro.
(Assistido em 21/11/2023 - Kinoplex Itaim) (reassistido em 05/03/2025 - Disney Plus)
'Babygirl' fez um bom barulho nos festivais de cinema no meio do ano passado, muito por toda a atuação de Nicole Kidman no filme e em como foi um processo desgastante para a atriz. Nicole tem cenas quentes com Harris Dickinson, mas não é algo explícito como 'Anora' ou sem pudor como 'Pobres Criaturas', na verdade, as cenas em 'Babygirl' são mais inspirados no imaginário feminino, onde existe toda um erotismo, toda uma preparação, todo um envolvimento de atos, para então sim chegar no ato em si, que pouco é mostrado no longa.
Nicole disse que chegou uma hora que já não suportava mais sentir orgasmos no set de filmagens, (foi o que ela disse em uma matéria que se encontra no site do AdoroCinema), ou seja, as cenas eram muito íntimas, muito intensas, e ela como a Atriz Principal tinha que puxar todo o erotismo da cena para si. Então se juntou a repercussão do que Nicole fez durante o filme, com o que foi visto em tela e em como Nicole encarou um papel desafiador e erótico, com a atriz já beirando os 60 anos de idade, tendo 57 atualmente.
Dirigido por Halina Reijn (de Bodies, Bodies, Bodies... que ainda estou devendo) que também produziu e escreveu o longa, 'Babygirl' trás um roteiro onde uma mulher mais velha se envolve com um estagiário muito mais novo, colocando seu casamento de anos em risco. Claramente se vê no começo do filme que Romy é uma mulher que curte o sexo um degrau acima de outras mulheres, não se sacia somente com o ato em si, buscando vídeos pornôs na sequência ao ato... porém fica claro conforme o filme avança que Romy possui uma questão a ser resolvida, uma vez que mesmo sendo bem casada, ao que aparenta ela nunca chegou ao orgasmo com seu marido, e sempre procura novas formas de transar com ele, formas essas que mexa com seu imaginário, mesmo que pra isso o seu marido esteja fora da equação durante o ato. Quando Samuel, o estagiário, entra em cena e surge uma faísca entre os dois, Romy acaba deixando se levar por esse caso pseudo extraconjugal, porque no fim das contas, Samuel entrega o que ela quer, uma fantasia, um erotismo, um jeito alternativo de se conectar sexualmente com o parceiro, algo que no seu marido ela não encontrava.
Porém, Samuel tem seu jeito pessoal de conduzir esse flerte entre os dois, ele enxerga algo que ela mesma não consegue reconhecer em si, ou não quer colocar para fora. Romy tem muito poder onde trabalha e em casa, ela dita as regras em muitos âmbitos de sua vida pessoal, e pelo visto é o oposto disso que satisfaz Romy no ato sexual... ela gosta de ser dominada, de ser ditada, de estar fora do comando, e Samuel enxerga isso com muita clareza e a trata como bem quer, do jeito que quer, com um pequeno 'Q' de humilhação, que satisfaz ambos os lados. É interessante observar essa interação entre os dois, esse jogo de gato e rato, um tentando colocar esse êxtase para fora, e o outro lado lutando para se retrair e cada vez mais cedendo às vontades que permeiam seu ser.
Halina nesse ponto, dirige muito bem, porque ela constrói muito bem essa química intriseca entre os dois, que vai numa crescente a cada vez que eles se encontram e revelam mais ainda da personalidade dos dois protagonistas. Halina capta bem as cenas mais quentes entre Nicole e Harris, e coloca em evidência aquele erotismo feminino, que não é explícito, não se trata só do ato em si, mas algo que mexe com o imaginário. Exemplos claros disso são as cenas onde Samuel coloca Romy para beber leite, de castigo no canto da parede, ou quando convence ela a se render a ele, não sexualmente, mas de uma forma que acende a sexualidade em Romy... E Halina deixa claro que Samuel tem prazer nisso, não só prazer sexual, mas como prazer em fazer tal ato e ver o quanto esse ato mexe com sua parceira, no caso Romy. Tanto que Samuel começa a se relacionar com outra mulher durante esse caso todo dos dois, deixando claro que com Romy é apenas uma brincadeira entre os dois, que não é sério, que não tem a intenção de ser, o que deixa a questão dos dois cada vez mais interessante, porque nitidamente os dois querem mais, mas existe aquela parede que vem crescendo e uma hora vai implodir entre os dois.
Nicole Kidman realmente entrega uma atuação incrível, poderosa, desafiadora, se entrega muito à personagem e ao projeto, e deixa de lado algumas restrições que naturalmente algumas atrizes de sua idade teriam, com um filme com um enredo desses, e entrega cenas que são picantes, íntimas, ou que remetem ao ato em si, nu e cru. Realmente foi uma atuação que deveria ser mais lembrado na temporada de premiações, e quem sabe até ter entrado no lugar de Karla Sofía Gáscon, que polêmicas à parte, possui uma atuação apenas ok, ao meu ver, nada demais para ser indicada.
Harris Dickinson, ator que já sou fã a alguns filmes, como 'Triângulo da Tristeza', 'Scrapper', 'Veja Como Eles Correm', fez Samuel, e esteve bem no papel, e como eu já o conheço de outros filmes, já é uma marca registrada em seu estilo de atuação, essa performance mais 'blasé', mais despojada, e pode dar a impressão que ele talvez não estivesse tão ligado assim no filme, ou desconectado, mas a verdade é que Harris tem uma atuação muito decente, e forma uma boa dupla com Nicole, tem química ali... não será um dos filmes mais lembrados de sua carreira, mas é uma boa atuação.
Antonio Banderas que faz o marido de Romy, dispensa comentários, atorzaço com A maiúsculo, mas que aqui teve tempo limitado de tela, ou seja, seu personagem é meio limado do roteiro em alguns momentos, não tendo o coadjuvantismo que se esperava por ter um ator desse calibre no elenco. Mais ali no ato final do longa, é que temos uma cena decisiva entre esse trio, que Antonio consegue aparecer mais com seu personagem, mas é uma sequência muito breve ainda, e fica aquela sensação que ele foi mal aproveitado no longa e poderia ter entregado mais se tivesse mais espaço no roteiro para ele. Foi mais um bibelô do que um coadjuvante de peso.
'Babygirl' tecnicamente tem seus méritos, e acho que o design de produção é o que mais se sobressai no longa, temos belos cenários externos e boas cenas nos cômodos onde Samuel e Romy estão se relacionando sexualmente, ou flertando profissionalmente. Achei a fotografia apenas ok, achei o figurino decente e que compõe bem as passagens nos mais variados locais profissionais ou domésticos do longa.
Em termos de premiações, 'Babygirl recebeu lembranças modestas: - Nicole Kidman foi indicada em Melhor Atriz Drama no Globo de ouro e no Satellite Awards, e Melhor Performance Protagonista no Gotham de filmes independentes; - No Festival de Veneza concorreu ao Prêmio Especial do Júri e a Melhor Roteiro; - Concorreu ao Leão de Prata de Direção e ao Leão de Ouro em Cannes; - E ainda concorreu a Melhor Filme no Gotham de Filmes Independentes;
Porém só venceu dois prêmios, o Volpi Cup de Melhor Atriz no Festival de Veneza e Melhor Atriz na premiação Australiana de Cinema, para Nicole Kidman.
Uma produção do meu estúdio favorito e de muita gente, a A24 e da 2am Films, 'Babygirl' é um ótimo entretenimento, com um enredo envolvente e personagens interessantes que nos fazem imergir em suas fantasias e vontades, e faz nos indagar como terminará esse caso dos dois, tão anormal e ao mesmo tempo tão íntimo e convidativo. Vale mais pela atuação da Nicole e a direção de Halina Reijn, do que pela história como um todo em si, porque chega uma hora que os acontecimentos se tornam meio que intuitivos, consegue-se sim já supor o que vem a seguir, tirando um pouco da surpresa de acompanhar o que poderia vir, sem esperarmos no entanto.
PS: Vale mencionar a ótima cena de Harris Dickinson ao som de 'Father´s Figure' do já lendário George Michael, e a música 'Never Tear Us Apart' da ótima banda INXS.
Existem alguns filmes que são bem incômodos de se assistir, e uns que poso citar que pra mim foi bem desagradável, foram 'O Albergue', 'Jogos Mortais', entre outros que realmente não consigo ver, não é pra mim, pesado demais e me incomoda demais.
'A Garota Da Agulha' não é um filme que não vou rever nunca mais, muito pelo contrário, mas ele entra nessa lista de filmes que incomodam, possui cenas ali que tive que virar um pouco o rosto porque, pra minha natureza não rola, me atinge, me dá coisas... sem spoilers, a própria cena da agulha na banheira foi algo que me incomodou bastante e virei o rosto várias vezes.
Mas esse filme Dinamarquês é muito bom, todo em preto e branco, muito bem dirigido, e muito bem atuado pelo seu elenco que é fora de série, que elenco competente, sensacional. É um filme que é baseado em fatos reais, o que já é bem pesado pra gente poder assimilar, e é um filme imersivo assim, você se pega dentro daquele universo e mal vê as 2h de filme passar. O filme possui uma carga dramática muito grande, desde o seu começo, mesmo que o primeiro ato seja um pouco mais lento que o comum, melhorando muito o seu ritmo conforme ele vai avançando.
A personagem principal, Karoline, interpretado por Victoria Carmen Sonne, é uma personagem que vai causar sentimentos dubeis no espectador, dependendo de como é a personalidade quem assiste, de como é o caráter, do que essa pessoa vê e pensa da vida, ela via se sentir sensibilizada pela história de vida de Karoline, ou não vai se sensibilizar tanto assim, devido aos atos que ela comete durante o filme que impacta quem a cerca. No meu caso, Karoline é uma personagem que teve atos que realmente é difícil defender, mesmo naqueles tempos pós primeira guerra, e sendo muito insensível com seu 'ex' marido, sua filha recém nascida. Mas não cabe a mim julgá-la, e sim enaltecer o trabalho incrível de atuação de Victoria, que está perfeita no longa, e mesmo a personagem com esses atos duvidosos, Victoria com sua atuação consegue fazer com que nos importemos de certa forma com Karoline, com o que ela sente e o que ela vivencia.
Outra atuação fortíssima foi de Trine Dyrholm, que fez Dagmar, a dona da loja de doces que era a fachada para receber os bebês que eram 'doados', e ela foi gigante. Que atuação dessa atriz que passava uma verdade em sua atuação, mesmo sua personagem sendo uma bruxa malvada... para mim ela não deixou a desejar em nenhuma cena em que apareceu no filme, desde que apareceu na banheira, na cena da agulha, ela já hipnotizou com sua presença de cena e atuação inspiradíssima. Chuto até que poderia ser lembrada em alguma premiação, como Satellite Awards se eles tivessem coragem, ou até mesmo no BAFTA, se eles também tivessem coragem.
A direção de Magnus Von Horn é ótima, apreciei bastante, me agradou muito e eles possui ótimos takes, uma forma interessante de dar esse protagonismo para os atores em cena, uma forma interessante de montar o filme, cenas muito densas, nada cansativo, porém muito intuitivo. Claro, o filme é baseado em um acontecimento real, mas é muito fácil ler o que vem a seguir conforme assistimos... Von Horn também assina o roteiro ao lado de Line Langebek Knudsen, e é um ótimo roteiro, envolvente, muito bom de se acompanhar e que envolve bem o espectador... porém é previsível, você consegue ler o que vem a seguir com muita facilidade. Pra quem não costuma assistir filme, ele será mais prazeroso de destrinchar os acontecimentos a seguir, mas pra quem já tem costume de assistir filmes, ver essa previsibilidade, você só aguarda a reação das personagens com o que vem a seguir.
Tecnicamente o filme me agradou muito também, tem uma fotografia que salta aos olhos, não só pelo filme ser em preto e branco, mas por ter umas tomadas boas, bem amplas, que valorizam o cenário onde se passa, e bons enquadramentos em cômodos onde a fotografia se valoriza. Direção de arte ótimo, uma cenografia incrível, as cenas rodadas externas são muito boas, com ruas que remetem mesmo a época da primeira guerra mundial, de um país que sofreu com os impactos dessa guerra. O figurino então, por mais que não seja nada chique como em tantos filmes hollywoodianos que vemos por aí, é um figurino que remete à época muito bem construído, muito bem pensado, muito bem transplantado para as personagens e bem representado no longa.
A trilha sonora é de Frederikke Hoffmeier,e é uma composição belíssima, bem tensa, que traz as emoções das personagens à tona quando entra em cena. Não chega a ditar o longa em si, é uma trilha que conversa mais com o que as personagens sentem e traz aquele peso da cena à tona, traz aquele momento específico do filme em alta conta, aumenta o peso dramático e sua importância para o que a personagem em questão está lidando.
O longa é o representante da Polônia no Oscar desse ano na categoria de Filme Internacional, e com certeza deveria ter tido um pouco mais de protagonismo nessa temporada de premiações, pois é um filme belíssimo, forte, com atuações maravilhosas, que grudam em sua mente, o filme fica martelando ali momentos depois ainda depois de você assistir, é um impacto interessante, porque no fundo foi um acontecimento real, e por mais que saibamos que é só um filme, tal ato realmente aconteceu à época e foi tão bem montado e dirigido pelo diretor Von Horn, e tão bem atuado, trazendo tanta verdade pra gente que assiste, que é um filme que merecia mais visibilidade, e muito mais conversa para ele.
Foi indicado também a Filme Estrangeiro no Globo de Ouro, Satellite Awards, concorreu a Palma de Ouro em Cannes.
Venceu Melhor Composição e Melhor Design de Produção no Prêmio de Cinema Europeu, e Victoria Carmen Sonne venceu Melhor Atriz no Golden Orange Awards.
Possui 11 indicações na premiação polonesa de cinema, incluindo Melhor Filme, mas vai disputa o prêmio com 'Zona de Interesse' que para mim é uma obra prima.
'A Garota da Agulha' é um filme incrível, que envolve, provoca, incomoda, mas entrete, e muito, e é uma ótima peça de arte vindo do cinema polonês.
Coralie Fargeat... esse é o nome que, para mim, representa o sucesso de 'A Substância'. Ela é Diretora, roteirista e produtora do longa que foi prestigiado e causou incômodo nos festivais de meio de ano e está indicado ao Oscar em 5 categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Atriz.
O longa é um poço de originalidade, possui um roteiro coeso e direto, focado em uma atriz que está em decadência, prestes a ser descartada de seu programa de sucesso matinal e ser trocada pro alguém que seja mais nova e obviamente mais gostosa. O foco de Coralie em mostrar em como Elisabeth Sparkle não está em paz consigo mesma, assim que ouve no banheiro o quanto ela é descartável, em como todo sucesso que construiu durante toda sua carreira, hoje não vale mais nada, e em como ela não consegue aceitar que o seu tempo de cinema e TV chegou ao fim, que agora outras estão nos holofotes e ela não é mais nada a não ser uma lembrança em notas de rodapé.
Isso afeta tanto Elisabeth, mas tanto, que ela consegue a proeza de se envolver em um acidente automobilístico no trânsito, que se fosse evitado, a vida dela não tomaria o rumo que tomou, como testemunhamos. A partir dali, ao ter um cartão colocado dentro de seu casaco amarelo quadrinístico, sua vida iria tomar um rumo definitivo e feroz, tudo motivado pela vontade de continuar sendo relevante, de continuar sendo 'jovem' e 'atraente', de existir para o mundo, de não se sentir ultrapassada, descartada ou indesejada. Esse indesejada passa muito pela carência que a leva a contatar o seu colega de escola que a reconhece, mas ela não, e que ela mostra total falta de interesse ao encontrá-lo, mas que durante o 'equilíbrio' ele se torna o principal fator que a faz se sentir viva, contente, de se arrumar e sair... de se sentir desejada por alguém que ainda a acha belíssima, e se não fosse as questões pessoais dela, consigo mesma, com o corpo, com a carreira, com o baque que está sofrendo, seria uma nova etapa na vida dela... ou não, porque ele parecia meio bobão... enfim.
E o mais interessante também que Coralie trouxe para o filme, é o fato de não existir você ou ela, "Vocês são um só", ou seja, os atos de Sue não são isolados ou exclusivos, ali é tudo Elisabeth fazendo, afinal como ela mesma diz quando quase 'encerra' Sue, "Eu não posso viver sem você, porque eu me odeio". Elisabeth não gosta mais de si, parece que ela aceitou que ela é uma ultrapassada, que seu tempo já foi, que não tem mais nada a agregar em nenhum âmbito de sua vida, a amorosa, a profissional, a social, e portanto vê uma oportunidade de voltar a ser tudo o que já foi, de continuar vivendo o esplendor, mesmo que não seja ela... mas a questão é que ela é ela, isso que é o mais louco. Sue é a parte jovem que nós já fomos um dia, e que Elisabeth também já foi... inconsequente, imprudente, ás vezes irresponsável, sonhadora, curtidora da vida, prepotente, se acha a dona do mundo, todo mundo que já foi jovem já agiu ou pensou dessa maneira, e quando envelhecemos a cabeça muda, porque a vivencia te ensina muita coisa. Por mais que Elisabeth não aprove muitos dos atos de Sue, é a própria Elisabeth fazendo aquilo, é o que ela faria se fosse jovem, se fosse a dona do mundo, se ainda estivesse em seu esplendor, nos tempos atuais, outra cabeça, outra moral, e consequentemente, Sue passa a odiar Elisabeth por algumas atitudes que ela toma, mas muito influenciado também porque Sue e Elisabeth são uma só, e Elisabeth já verbalizou que se odeia, e consequentemente, Sue odeia Elisabeth, sua versão mais velha, mais ultrapassada, acabada, um estorvo, é a própria Elisabeth dando cabo de si mesma... que roteiro de Coralie Fargeat.
Tecnicamente o filme é perfeito, possui um figurino que é certeiro dentro do que se propõe, gosto muito das roupas mais despojadas que Sue usa, tirando o maiô do programa matinal, os vestidos do programa especial de fim de ano, e as vestimentas de Elisabeth que são ótimas, o vestido usado para o encontro que não acontece, o figurino usado ao se encontrar com o dono do canal de TV, Harvey, o casaco amarelo que parece ter saído de uma HQ. Na verdade o filme todo tem esse contraste, temos muitos cenários brancos ou escuros, como o local onde Elisabeth pega o refil da troca que é bem iluminado, todo branco, e seu 'apê' que é mais escuro, com corredores mais apagados, e seu figurino é mais vivo, mais colorido, o casaco amarelo tem esse contraste interessante como o local onde ela pega o refil, todo branco, uma briga de cores. A fotografia do longa meu deu a impressão que o filme saiu direto de uma História em Quadrinhos, de tão criativo que foi construído. Os cenários não são tão variados, mas são saltam muito aos olhos, eles são interessantes, incorporam bem os personagens em cena, são coloridos, únicos, mais escuros, eles parecem obra de arte... mais uma vez o local onde Elisabeth pega o refil, o banheiro onde ela ouve Harvey ao celular descartando-a, o corredor onde Harvey lhe entrega o presente de despedida, a sala do 'flat' ou 'apê' de Elisabeth, são locais que parecem uma obra de arte, pelos detalhes, a forma como foi montado, as luzes e as cores que os deixam únicos, ou seja, em termos de design de produção, o filme é impecável.
A trilha sonora é ótima, perfeita, composta por Raffertie, esse músico deu um toque único para as passagens do longa e lhe deu uma identidade única. Aquele som de atenção que vem duplo, antes de vir aquela batida única frenética... isso aí é a cara e a identidade do filme, é pra virar cultura popular, e meio que já ganhou vida própria nas esquetes de abertura das premiações, como no SAG's e no Critics Choice. Por todo o filme a trilha casa com a cena em questão, com os acontecimentos presentes, e permeia todo o tom do longa, sendo um complemento perfeito do visual, nos trazendo uma experiência única.
A direção da Coralie nem preciso mencionar muito, perfeita, ótima, tendo uns takes certeiros e inusitados, aproximando demais a câmera em personagens excêntricos como Harvey, e denotando as perfeições de Sue, ou as inseguranças de Elisabeth à frente do espelho... além de correr com a câmera junto a Elisabeth, dando um ângulo único para uma fuga desesperadora, e nos trazendo certos takes bem enquadrados, como se fosse um pintura neo moderna, mais puxado para o estranho, para o cômico. Perfeita Coralie, para seu primeiro filme, ou segundo agora não lembro, ela foi perfeita demais.
E o que falar de Demi Moore, teve o papel da carreira com Elisabeth, uma interpretação incrível, grandiosa, inspiradora, quase pessoal, perfeita em todos os sentidos, atuação digna de se premiar, digna de Oscar mesmo... Johnny Hooker estava certo. Acho que tem certos projetos que nasceram para certos artistas, e 'A Substância', é O projeto de Demi, foi feito praticamente para ela, é a cara dela, no momento certo da vida, da carreira, o projeto que praticamente a define, a que mais será lebrada, é dessa forma que eu vejo. À medida que Elisabeth vai se deteriorando por Sue não respeitar o 'equilíbrio', Demi cresce em sua atuação carregada de Maquiagem e próteses... quem diria que ela conseguiria entregar uma atuação tão impactante e relevante lotada de maquiagem, embaixo de tanta prótese, e passar tanta humanidade à sua personagem. Não sei vocês, mas conforme o filme passa, eu me peguei mais afeiçoado a Elisabeth do que a Sue, talvez pelo ótimo trabalho de Demi dando verdade à sua personagem.
Demi foi indicada e premiada em muitas premiações até aqui, sendo lembrada no BAFTA (perdendo para Mikey Madison), lembrada no Spirits Awards de filmes independentes (perdendo para Mikey Madison), e nas listas de prêmios norte americanos localizdos, cada cidade tendo sua premiação, e Demi vencendo a grande maioria. Demi foi vitoriosa no Globo de Ouro em Atriz Comédia/Musical, no Critics Choice Awards, no SAG's Awards, no Satellite Awards, no Saturn Awards, todos como Melhor Atriz, e obviamente está indicada ao Oscar, sendo a principal favorita a vencer o prêmio e levar seu primeiro Oscar da carreira. Acho que ela merece muito esse prêmio, seu trabalho no filme é soberbo e premiaria sem medo... mas é claro, minha torcida é para Fernanda Torres e sua também magistral atuação em 'Ainda Estou Aqui'.
Margaret Qualley (Era Uma Vez em... Hollywood, Maid, Tipos de Gentileza) atriz que sou muito, mas muito fã, fez Sue, e sua atuação também é incrível... trouxe uma doçura e uma amargura sem igual para Sue, colocando uma personalidade única na personagem, que parece estar no controle de tudo, mas na verdade é apenas um sub produto da indústria e dos homens de terno que a cerca. Margaret foi pouco indicada, mas venceu importantes prêmios das listas setorizadas norte-americanas. Foi indicada no Globo de Ouro, no Satellite Awards, no Saturn Awards e no Critcs Choice Awards como Atriz Coadjuvante, mas perdeu todos eles... faltou a indicação ao Oscar, e em sua já tradicional esnobada anual, a Academia preferiu indicar Monica Barbaro de 'Um Completo Desconhecido' no lugar de Margaret... uma indicação que eu pessoalmente não concordo, achei Monica muito normal no filme, e Margaret está uns degraus acima dela em atuação neste ano, acho que foi uma esnobada feia e Margaret merecia muito essa indicação.
Jack Quaid foi outra força da natureza como Harvey, seu personagem é canastrão, de personalidade forte, e Jack deu uma caracterização para ele única, bem típica dos grandes chefes de grandes conglomerados que são bem caricatos, pelo fato do dinheiro e do poder falar por eles. Gostei muito de sua atuação, era sempre bom vê-lo em cena, numa atuação tão canastrona, e acho que deveria ser mais lembrado nas premiações... uma pena que o tenham esquecido.
O único ponto que não curti muito no filme foi o final muito 'gore', muita sanguinolência em uma cena tosca de decapitação de uma monstro intitulado de 'Monstro ElisaSue', caindo muito no estilo dos filmes B. Na verdade, eu entendi bem aquele ato final, a escolha de ElisaSue usar uma máscara de Elisabeth, e quando ela se despedaça em órgãos, restando apenas o rosto de Elisabeth se arrastando pelo chão até sua calçada da fama... ali tem todo um contexto e toda uma história, muita coisa respondida naquela cena, mas ao meu ver, esse 'gore' todo destoa um pouco do resto do filme, que possui esse 'gore' mas contido, ele permeia alguns atos do filme de forma a servir a história, e não se tornar um espetáculo visual para incomodar e impactar o público. Na minha modesta visão, saiu um pouco de mão ali, e apesar de entender o contexto do que vem a seguir, achei que pesou a mão na escolha a Coralie.
O longa foi premiado em Cannes com Melhor Roteiro, muito merecido; Foi indicado a Melhor Filme e Melhor Roteiro no Globo de Ouro e no Satellite Awards, e a Melhor Filme no Satrun Awards; No Critics Choice Awards venceu Melhor Maquiagem e Cabelo e Roteiro Original, além de ser indicado a Melhor Filme e Melhor Direção; No BAFTA venceu Maquiagem e Cabelo e foi indicado também a Direção e Roteiro Original; No Spirits Awards perdeu Melhor Filme para 'Anora'; E no Oscar tem as indicações de Filme e Direção, mas deve levar as técnicas e possivelmente de Atriz para Demi Moore.
É um dos filmes de 2024, perfeito, completo, redondo e faz o que todo filme tem a obrigação de fazer, que é entreter, e faz isso muito bem. 'A Substância' se tornou um dos meus filmes de cabeceira, daqueles que você deve comprar em forma física e guardar em casa.
(Assistido em 09/12/2024 - Cine Belas Artes) (Reassistido em 26/02/2025 - Mubi)
'Mad Max' é um clássico dos anos 80, foi meu primeiro contato com Mel Gibson, depois é que o vi em 'Máquina Mortífera', e na época eu via e revia na Sessão da Trade, tendo mais lembranças do terceiro filme que tinha trilha sonora de Tina Turner. Mas eu era muito criança e lembro pouco dos longas, nunca peguei pra revisitar com esse olhar cinéfilo que tenho de uns anos pra cá, e também, podem jogar as pedras, eu ainda não vi 'Estrada da Fúria'... sim podem me xingar.
Então Furiosa foi meio que uma volta a franquia e praticamente uma 'primeira' conferida, e logo em um filme onde o Mad Max não aparece, bom ele aparece mas nem conta muito.
Dirigido, produzido e roteirizado por George Miller (Babe O porquinho Atrapalhado e Happy Feet), ele volta ao mundo que criou em 1079 para contar a prequel de Furiosa, da icônica Charlize Theron no filme anterior 'Estrada da Fúria", só que aqui ainda jovem, a personagem foi interpretada por Anya Taylor Joy.
O filme é muito bem feito isso sem dúvidas nenhuma, tecnicamente ele é perfeito, tem uma ótima fotografia muito bem construída por Simon Duggan (de Hacksaw Ridge), com ótimas tomadas de plano aberto pelo deserto e montanhas, e também ótimas tomadas á noite que deixaram a experiência muito satisfatória e bonita na tela. O figurino então é algo soberbo, uma variedade imensa para todos os personagens principais e secundários, e você podia ver os detalhes até nos figurantes, sem falar em seus acessórios, que fiquei prestando atenção e eram minimamente colocados e das mais variadas formas possíveis. Assim também como os veículos usados, que foram trazidos os mais grandes e potentes possíveis, e as motos, quantas variedades tiveram ali não é, para fazer com que a gangue expressasse sua personalidade pelas bikes que usavam... ou seja, tecnicamente foi um trabalho assim sem igual, de cair o queixo mesmo.
Eu gostei do filme, não é algo assim nada fora do comum, um filmaço fora da curva ou coisa do tipo, mas é um filme muito bom, decente, honesto, inspirado, com uma história bem escrita e articulada, com várias idas e vindas e surpresas, que entrete o público, que é o papel de todo filme, papel principal né... os personagens são bem cativantes, aos seus modos, cada um deles, e todos eles tem ali seu ponto de destaque, aparecendo bem e enriquecendo bem o roteiro criado por George Miller. Como não assisti 'Estrada da Fúria', penso que Furiosa foi uma personagem que foi crescendo durante o filme, mas ficou muito no clichê de ser fodona e muito caladona, algo já tão visto em filmes de protagonistas femininas que são Badass em seus filmes... mas aqui a personagem só não cai na chatice por conta da ótima interpretação de Anna Taylor Joy, que lhe deu personalidade, carisma e humildade também, para ganhar o público.
O vilão do longa é interessante, Dementus, que começou bem o longa sendo aquele vilão que impõe respeito e causa um impacto em quem o encara. Depois ele cai mais assim no mais do mesmo, fica muito caricato, muito cômico, perde um pouco dessa onipotência, mas não chega a comprometer a diversão de acompanhar o ato final do longa... ato final este que é bem bacana de se acompanhar. E 'Furiosa' é um filme que durante todo seu tempo ele respeita bem seu público, respondendo todas as perguntas e resolvendo todas as encrencas que os personagens arrumam durante o longa. A gente tem alguns embates bem bacanas, criados por George Miller e muito bem filmado também, que deixam a experiência mais prazerosa... é um ótimo Blockbuster para se passar o tempo e ficar satisfeito depois de se conferir.
Miller dirige muito bem, ele consegue colocar todo mundo com um bom tempo de tela, e consegue filmar os embates de grande proporção no longa de forma muito grandiosa, assim como as cenas de combate com os veículos, os grandes e as bikes... ficou muito verossímil a forma como ele filmou esses embates de uma forma que não ficasse-mos perdidos enquanto assistimos, e mostra como ele manja demais em filmar cenas de embates de forma crível, fazendo escola para diretores como Frances Lawrence de 'Identidade Bourne'.
A Trilha sonora é de Junkie XL, é um músico que não sou tão fã assim, não acho muito bacana a música que ele faz... aquela versão de 'A Little Less Coonversation' de Elvis Pressley que ele fez um remix, é muito ruim, mas ruim de doer os pelos anais. Ele possui um extenso trabalho filmográfico, fazendo trilhas para os dois filmes da Saga Matrix, o Reloaded e o Revolutions, os dois filmes da saga 300, o próprio Estrada da Fúria, Batman vs Superman e Liga da Justiça Snyder Cut, Deadpool, Alita e Rebel Moon, além dos dois Godzilla vs Kong, os dois primeiros filmes do Sonic e a série do Knuckles. Currículo grande e invejável. Curto um pouco o trabalho dele nos filmes do Sonic, na série do Knuckles e em Batman vs Superman, mas só curto, dá pra agradar. Nos dois Godzilla x Kong eu não curti, e aqui em 'Furiosa' é aquilo, tem a minha bronca de não curti o estilo dele de composição e de música, mas não compromete o que estamos assistindo, permeando bem as cenas do longa, os acontecimentos, e sendo um bom amálgama cenas e músicas... vou ter que engolir, já dizia mais ou menos Zagallo.
O elenco é bem recheado: - Anna Taylor Joy (O Menu, Novos Mutantes) como já mencionei foi bem como Furiosa, principalmente porque falou menos e trabalhou mais corporalmente e com as expressões também;
-Chris Hemsworth (MIB International) fez Dementus o vilão do longa, fez o trabalho dele que tanto conhecemos de 'Thor' do MCU, só que em forma de vilão. Gostei do que vi dele, teve liberdade para improvisar, para se soltar, o papel de vilão proporciona isso pro ator.
-Tom Burke (de Living) fez o Pretorian Jack, e gostei muito do que eu vi dele no filme, ele foi muito bem, sua atuação foi bem segura, bem bacana, ainda mais depois que vi ele no filme 'Living' em um papel mais contido, em um drama cômico, um cenário mais britânico de época... e aí ele vem aqui em um Blockbuster e faz um cara bem fodão, que ajuda a Furiosa o filme todo... muito bacana o Tom no filme, ele foi o meu favorito do filme todo.
-Alyla Browne fez a Furiosa criança, e ela foi muito boa também, atuação enorme no longa, muito protagonista nas cenas em que estava atuando, sempre aparecendo bem e mostrando a que veio, carregando bem o legado de Furiosa, que é uma personagem tão interessante... gostei muito dela mesmo, uma atriz para se ficar de olho;
Em termos de premiações, foi lembrado mesmo só no Critics Choice Awards na categoria Melhor Jovem Ator/Atriz para Alyla Browne, perdendo para Maisy Stella de 'My Old Ass'. Na premiação de cinema Australiano, o filme levou 5 prêmios, Melhor Figurino, Melhor Design de Produção Melhor Cabelo e Maquiagem, Melhor Som (merecido) e Melhor Fotografia (merecido).
Não sei se o George Miller retornará com o mundo de Mad Max, mas ele é fera nesta se´rie que criou, sendo que preciso revisitar os filmes antigos e conferir o que chamam de obra-prima que é a 'Estrada da Fúria'... mas 'Furiosa' é uma ótima prequel que mostra que Miller está em ótima forma para continuar enriquecendo este universo tão envolvente que é Mad Max.
'Trilha Sonora Para um Golpe de Estado' é um documentário dirigido e roteirizado por Johan Grimonprez que traz inúmeros arquivos de época, para mostrar como a monarquia Belga, a ONU e os EUA arquitetaram um Golpe de Estado para assassinar o Primeiro Ministro do Congo, Patrice Lumamba, que lutava pela independência de seu país e pela unificação de toda África para torná-la o Estados Unidos da África.
É um documentário onde precisa ter uma atenção 100% e bom entendimento sobre política, porque tem muita coisa ali nas entrelinhas, muito jogo político, muito tapinhas nas costas, muita traição, muitas conversas e muita informação. A sinopse do filme já conta o que v a pessoa precisa saber sobre o filme, sobre o que vai acompanhar, e o que dá pra dizer é que o filme é permeado por canções que vai do Jazz, ao ritmo negro americano e congolês, durante o filme, música e política se misturam para mostrar como alguns músicos foram usado pelo governo norte americano para seus próprios fins, afim de ter êxito em suas tramoias visando a política do continente africano, e como esses músicos também usavam da música para abrir os olhos do público sobre o que acontece no mundo, e para refletir as conquistas e reivindicar suas liberdades, através do seu som. Ou seja, é praticamente um documentário musical, com viés político, e uma prestação de serviço à sociedade mundial.
É bem curioso acompanhar como foi grandioso Patrice Lumamba, no mesmo patamar de Malcolm X (que está no filme), Luther King, e até Fidel Castro... Fidel está no filme, e o coloco no mesmo patamar dele apenas na questão de que ambos lutaram pelo seu povo, pelo seu país, e é claro que a luta de Lumamba era muito mais nobre e verdadeira, movida pela justiça e pelo amor ao povo, do que a de Fidel. Mas ambos percorriam o mesmo caminho, só que por curvas diferentes, totalmente diferentes. Lumamba lutou com todas as forças para poder libertar seu País e seu povo das amarras dos colonizadores, principalmente os belgas, foi um homem influente que não media esforços para poder chegar no que pretende, e que não se calava mesmo quando o momento não era tão favorável, desagradando os demais políticos envolvidos, levando essas forças a retaliar o poder e a influência de Lumamba no Congo.
Para mim a experiência foi prazerosa, apesar de reconhecer que alguns momentos do filme foi bem complicado para eu me situar, afinal são muitos detalhes e uma situação política muito ampla e detalhada. Como não sou um expert assim em política, ainda mais política histórica, houve alguns momentos onde eu me sentia um pouco perdido no que estava se desenrolando, mas era só passar alguns minutos que o filme muda muito contexto, ou seja, está ali focado no que acontece no Congo entre Junho e Setembro de 1960 durante o processo de independência, mas sempre das uns saltos pro futuro, 1 ano a frente, 15 anos a frente, ou volta 1 ano no passado ou 2 anos no passado, para situar e contextualizar situações que visam influenciar nos acontecimentos políticos que acontecem no Congo, na ONU e nos States... e pode parecer confuso, mas eu logo me situava novamente, porque era fácil ligar um acontecimento no outro, mas como mencionei, ao mesmo tempo eu me perdia em uma passagem ou outra.
Mas isso é de pessoas pra pessoa, tem espectador que não vai ter problema nenhum, porque já é ligeiro nesses assuntos, tem espectador como eu que vai se perder ali e acolá, e logo vai se achar e se situar ali e acolá. E tem espectador que vai se perder todo, achar muito difícil de acompanhar, não entender nada, ou achar chato e arrastado. Vai muito da pessoa mesmo.
Eu gostei bastante, em nenhum momento fiquei enfadonho ou achei desinteressante, na verdade foi um enriquecimento histórico para mim, mais um na verdade, é sempre legal a gente saber o que aconteceu no passado, ainda mais com riqueza de detalhes como foi neste filme.
Foi muito bom descobrir quem foi Patrice Lumamba, um homem íntegro que lutou pelo seu povo e sofreu todas as adversidades que qualquer pessoas hoje em dia também sofre quando luta pelo justo e pelo certo. Foi bom descobrir também como o governo Belga foi um governo muito comunista, racista, afinal eram colonizadores, então não se esperava menos de um governo/monarquia assim. A ONU que servia apenas a seus próprios interesses e não representava ninguém, e era muito inútil naqueles tempos para evitar injustiças... e os EUA que só pensavam no Urânio que Congo possuía, e foi uma das forças que tramou para o assassinato de Lumamba a mando do então Presidente Einsehower.
Grimonprez fez um excelente trabalho de pesquisa jornalística e cinematográfica, de preservação, de educação, de elucidação, de contexto, que ficará registrado para sempre, e merece ser visto e passado para a frente, servindo até para educação também, pois é um item valioso da história mundial, da história social. Pode parecer longo tendo 2h30 de duração, mas é um tempo que passa muito rápido, uma vez que você pode ficar muito imerso no que está assistindo e está ali envolto em tudo que se sucede, se você realmente se sentiu fisgado pelo documentário.
O filme foi indicado nessa temporada de premiações em Melhor Documentário em algumas premiações... no Oscar, no Gotham Awards de filmes independentes, no Spirits Awards de Filmes Independentes, sendo que perdeu o Gotham e o Spirits para 'No Other Land', restando o Oscar para tentar levar o principal prêmio do cinema mundial.
Documentário recomendadíssimo para quem gosta de história mundial, social, e/ou política em geral.
E viva Patrice Lumamba, covardemente deposto e assassinado por políticos comunistas que mereciam pagar em vida o que fizeram e tramaram!
Nosferatu nada mais é que o Drácula de Bram Stoker, uma segunda visão, uma outra visão, uma visão mais agressiva, qualquer coisa que o pessoal escolher. Claro que achei a representação de Nosferatu muito mais interessante que o de Drácula, muito mais agressivo, mais tom de terror, de horror, caiu mais no meu gosto, achei bem convincente e muito bem trabalhado.
Dirigido, roteirizado e produzido por Robert Eggers, o mestre moderno do cinema que nos entregou 'A Bruxa', 'O Homem Do Norte', 'O Farol', agora nos presenteia com essa visão voraz de um personagem que ficou muito mais bacana de se acompanhar, que impõe mais medo e respeito em quem o encara, e o insere na sociedade de uma forma bem condizente, mesmo sendo um ser que vive muito mais recluso, até pelo fato de ser um vampiro e não poder sair à luz solar.
O longa possui uma direção de arte incrível, para poder recriar a época retratada, com a escolha do local das filmagens sendo escolhidas a dedo e muitos móveis e adereços que são muito antigos e dá essa visão pra que a gente realmente esteja lá naqueles tempos antigos. Nisso Eggers é mestre pois ele se cerca sempre de ótimos profissionais que fazem esse trabalho artístico de primeira linha em seus filmes, saindo aquela ótima dimensão para o espectador do cenário aonde suas histórias são contadas.
O mesmo digo do figurino do longa, que é muito bem construído sendo um dos principais, a vestimenta de Ellen e também a de Thomas, que para mim foram os que mais me chamaram a atenção, mas também lembrando as vestimentas de Friedirich e de Anna, que foi caprichado pela equipe de figurino também.
Outro ponto do filme que é de saltar os olhos de perfeito, é a Fotografia, o jogo de luzes, o preto e branco do longa e principalmente as tomadas amplas, são de brilhar os olhos, tudo muito bem fotografado, as tomadas no castelo sempre mostrando a magnitude e grandiosidade do estrutura, as filmagens internas do castelo, um pouco mais escuras, com as velas fazendo boa parte do trabalho, sempre deixando a figura de Nosferatu um pouco mais nas sombras... e fazendo um contraponto inverso né, enquanto o Nosferatu está em cena em seu castelo tudo é muito mais vivo, com as velas iluminando o ambiente, com as paredes com cor mais viva, e quando Thomas está em seus aposentos, lá é tudo mais cinza, mais sem cor, mais sem vida... é uma brincadeira bacana com a Fotografia dentro do castelo.
O filme é ótimo, do começo ao fim não tem um momento onde você se sinta desligado do que está rolando na tela, o roteiro foi muito bem escrito e amarrado por Eggers, e o seu filme possui um ritmo bem interessante e funcional, dosando muito bem os momentos que acompanhamos o casal Hutter, e os momentos que vemos Nosferatu e seu assecla. A relação de Nosferatu e Ellen é bem interessante, sua fixação pela moça e sua tentativa de tirar Thomas de seu caminho, sendo que a interação entre os dois no castelo é bem bacana de se acompanhar também. O casal Harding também é muito legal de se acompanhar no longa, mas eles ficam bem mais interessantes mesmo, do meio pra frente do longa, quando Nosferatu começa a interagir com o casal levando a um acontecimento surreal, e as consequências disso são bem interessantes de ver enquanto o filme se desenrola. É onde Friedirich ganha em tempo de tela, e seu personagem começa a crescer e ficar bem importante na história e cai mais no meu gosto. Nosferatu é onipresente, aterrorizador, e se impõe de uma forma que nenhum outro personagem antigo ou atual se impõe. Gostei muito dessa versão dele, mesmo eu não tendo assistido o longa original do começo da década de 1900. Eggers dá essa onipresença a Nosferatu e sabe lidar com o tempo de tela do personagem e na personalidade do mesmo, ele mesmo sendo um ser vampiresco que faz parte do folclore da sociedade da época, Eggers ainda consegue dar ao personagem um senso próprio de amor, solidão, conexão, pois não consegui enxergar Nosferatu propriamente como um vilão crasso, mas ele é um ser que devido a sua natureza e as seus métodos, quer conquistar o que quer independente do que venha a acontecer com as pessoas envolvidas. Ele mesmo se acha imponente, como vemos nos diálogos dele com Thomas, diálogos bons e muito bem escritos por Eggers.
O elenco é bem recheado com nomes conhecidos e talentosos:
Temos a protagonista Lily Rose-Depp (do criticado The Idol), filha de Johnny Depp e Vanessa Paradis, faz Ellen, a escolhida por Nosferatu para ser sua cônjuge, e acho que ela fez uma performance muito boa, ela trouxe melancolia e agonia para sua personagem que em poucos momentos se sentia a vontade dentro de seu casamento, mesmo amando muito seu marido, devido aos constantes pesadelos que tinha com Nosferatu que estava tentando cortejá-la, dentro do que Nosferatu considerava como cortejo. Ela é uma ótima atriz que quando exigida dramaticamente, consegue passar para sua personagem os sentimentos exatos que são pedidos da forma mais verossímil possível.
Nicholas Hoult (Jurado nº2) fez seu marido Thomas, e foi outro que fez um bom trabalho, acho que ele foi mais no automático neste filme, sem muito espaço talvez para poder improvisar em termos de criação de personagem, mas não comprometeu durante o filme e teve química com Lily-Rose para deixar a preocupação do casal um com o outro bem verdadeiro.
Aaron Taylor Johnson (Kraven o Caçador) fez Friedrich, marido de Anna, e acertou em cheio na sua atuação e na criação de seu personagem em termos de trejeitos e forma de se portar e falar. De longe, tirando Nosferatu, para mim, era o personagem mais interessante de acompanhar no filme, e Aaron cresceu muito mais em sua atuação da metade pro final de filme, uma vez que seu personagem passa por algo inimaginável no longa, fazendo com que ele cresça bastante em importância e em presença. De longe foi o personagem que mais gostei no longa, e ver Aaron atuar assim de prato cheio é bem bacana de acompanhar, pois ele é alguém que gosto muito de ver em cena.
Emma Corrin (a Cassandra Nova de Deadpool & Wolverine) fez a esposa de Friedrich, Anna e o tempo que teve no filme ela aproveitou bastante, fez uma boa performance, trouxe um carisma pra personagem, e fez uma boa parceira com Aaron Taylor Johnson.
Ainda tivemos Ralph Ineson, que será Galactus no próximo Quarteto Fantástico do MCU, que fez o Dr. Wilhelm Stevens, e o já grandioso e onipresente Willem Dafoe (Ruas de Fogo, Asteroid City) que esteve nos últimos dois filmes de Eggers e aqui faz um ótimo Professor Albin Eberhart Von Franz que no momento que entrou em cena, roubou as atenções, trouxe um personagem que age mais pelo lado sobrenatural, é aquele jeito dele único de interpretar, foi muito bom tê-lo em cena como sempre, porque Willem Dafoe enriquece qualquer obra que participa.
Bill Skarsgard (o Pennywise de 'It' e o Zeitgeist de Deadpool 2) fez o Conde Orlok, ou Nosferatu, e pra mim ele fez uma das melhores atuações do filme, ele foi perfeito na sua atuação do Conde, fez um trabalho de voz incrível, que dá um certo desconforto em ouvir aquela voz meio demoníaca, teve um trabalho corporal muito bem estudado para dar ao seu Nosferatu um toque único e pessoal. Todo o trabalho de Maquiagem e cabelo que fizeram nele foi ótimo, realmente é um Nosferatu que dá medo e que tem essa onipresença quando se está em cena, tem um ar de inteligência ao conversar com os outros, no caso mais com Thomas, e tem uma cena final ali com Ellen que impacta quem assiste, pois é muito verossímil e tem uma entrega muito boa dos dois em cena. Grande trabalho de Bill neste filme, Nota 9,5 pra ele fácil.
Robin Carolan fez a trilha sonora do longa, ele fez seu primeiro trabalho no filme anterior de Egger 'O Homem do Norte', e aqui ele retorna para fazer um ótimo trabalho, sua composição é soturna, envolvente, dá aquele tom de suspense, de algo que está encoberto ou escondido, e quando Nosferatu aparece e também quando ele faz suas ações vampirescas, o trilha cresce, ela fica gigante, ela fica tão evidente e eloquente, é grandioso, é perfeito... Carolan foi muito feliz no seu trabalho e trouxe uma trilha que anda de mãos dadas como filme.
Chris Columbus produziu o filme ao lado de sua esposa Eleanor, e Chris foi nada mais nada menos que o Roteirista dos dois primeiros 'Gremilins' nos anos 80, 'Os Goonies', além de ter dirigido os dois primeiros 'Esqueceram de Mim', 'Uma Babá Quase Perfeita', 'A Pedra Filosofal' e 'A Câmara Secreta' da série Harry Potter... sem falar que produziu 'O Farol' e 'A Bruxa', sendo essa a terceira parceria dele com Eggers.
'Nosfeatu' foi bem indicado nessa temporada de premiações, mas pouco premiado: - No Satellite Awards foi indicado a Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Direção de Arte e Melhor Atriz em Filme Drama para Lily-Rose Depp. Levou apenas o prêmio de Melhor Elenco, onde não concorria com ninguém, é um prêmio especial da premiação que smepre escolhe um filme para congratular o elenco;
- No Critics Choice foi indicado a Melhor Maquiagem, Melhor Fotografia, Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte. Levou o prêmio de Fotografia;
-No BAFTA indicado a Trilha Sonora, Fotografia, Figurino e Maquiagem. Não Levou nada;
-No Oscar está indicado a Direção de Arte, Fotografia, Figurino e Maquiagem.
Robert Eggers entrega mais um grande trabalho, mais um filme de alta qualidade em seu currículo de grandes filmes, é sempre gratificante esperar pelos próximos trabalhos de Eggers, porque sabemos que iremos encontrar algo grandioso, de qualidade e envolvente. Para mim, 'Nosferatu' é um filmaço.
Emília Pérez foi baseado em uma capítulo de um romance escrito por Boris Razon chamado 'Écoute', no caso a personagem título e não todo o roteiro do longa, e foi levado para as telas como uma espécie de ópera em quatro atos. Ou seja, o longa de Jacques Audiard seria um musical, e ainda seria uma espécie de thriller dramático. Audiard foi o roteirista, tendo a colaboração de mais 3 colegas e ainda foi produtor do filme, e acho que ele conseguiu escrever um roteiro um tanto quanto satisfatório, em termos de história, pois em certos momentos você fica imerso no que está acontecendo na telona, mas falha bastante no texto, que oras é problemático, oras é de dar vergonha alheia, e ainda temos as personagens onde do meu ponto de vista, somente Rita se salva, como a mais interessante. Jessi, Epifania e Emília, são personagens que têm muitos problemas, algumas questões problemáticas, com relação a caráter, e também em presença de tela... não são personagens que ocupam todo o espaço, não são interessantes como um todo, e tem muitas questões ali conflituosas, que acabam não se afeiçoando com o público que as acompanha, ao meu ver, é claro.
Emília é uma personagem que antes da cirurgia de troca de sexo, era Manitas o grande chefe/rei do narcotráfico mexicano, que foi pouco aprofundado, e também suas questões mais profundas para finalmente se aceitar como mulher e fazer essa mudança, tudo isso é tratado superficialmente, mesmo que Audiard tenha dado um mínimo destaque, jogado o mínimo de luz nessa questão... ao meu ver não teve esse cuidado em deixar explícito ao público de modo detalhado os poréns de somente agora buscar essa mudança, como isso afetaria sua mulher e filhos. Mas pelo menos foi citado e ainda discutido durante o primeiro ato. Após se tornar Emília Pérez, a personagem ainda tem muito a oferecer em termos de roteiro, afinal ela leva o nome do longa, mas ela não tem esse peso, essa vitória com o público... é difícil durante o filme pegar algum espectador que realmente esteja gostando de conhecer Emília Pérez, não há essa aproximação com quem assiste, não há essa troca, essa torcida para com ela, apenas acompanhamos os fatos e ficamos de olho nos acontecimentos. É complicado porque Emília, ainda quando Manitas, foi um home que por meio do narcotráfico ceifou a vida de muitas pessoas, demonstrando a sua força e a rigidez em conduzir os seus negócios, e ao se tornar Emília Pérez, existe essa busca por absolvição, de fugir do passado e pensar somente em sua nova vida, em ser essa nova pessoa, como se tudo aquilo que fez e promoveu, não tivesse mais peso, não mais a assombrasse e agora ela está de bem consigo mesma e tudo e todos precisam deixar o passado para trás. Nem mesmo os atos que promove para poder dar um alento às pessoas que tiveram seus entes queridos desaparecidos (leia-se mortos), dados como sumidos, nem isso faz com que a parcela do público, eu incluso, se sinta solidarizado com Emília e sua nova jornada... quando o passado (e nem é exatamente o passado assim, é mais uma briga por mulher) volta em sua nova vida, ainda assim sabemos no fundo que os acontecimentos que possam vir à tona, serão apenas consequências de atos que ela cometeu quando tinha uma outra vida, e precisa encarar ou pagar esse preço.
Jessi é uma personagem complicada, pouco nos é mostrado dela em termos de caráter e de passado, apenas acompanhamos como ela fica desamparada e desiludida quando o marido supostamente morre no México, e exilada na Suíça à mando do próprio Manitas, ela sofre por ter que ir para esse país frio e longe de sua terra natal, e depois reluta um pouco em retornar, mas retorna apenas por causa de seu amante... Jessi está na história apenas para ser o ponto definitivo que selará o destino de Emília, não teve aprofundamento na personagem, e nem de longe ela é interessante.
Já Epifania, da atriz Adriana Paz, aparentemente única mexicana no longa, aparece mais no ato final, e acaba tendo pouco tempo de tela, tendo um romance até que meio superficial e forçado com Emília na minha mais modesta opinião. Eu não consegui achar muita naturalidade no envolvimento das duas, até acho que as duas não combinam muito juntas no filme, parece que foi algo muito forçado, somente porque as duas são cismadas, uma vai com uma faca e a outra tem um revólver guardado... e então elas tem mais uma cena juntas e acabou, sem mais epifania em destaque e sem mais interação entre as duas. Realmente pra mim não foi um bom artifício de roteiro e de história. Apenas para fazer com que Karla Sofía Gascón tenha mais um número musical no longa.
'Emília Pérez' é um filme bem musical, mais que o comum, e eu já não sou muito fã de musicais, sempre vou com um escudo, porque acho que não vou gostar ou que não vai ser agradável, afinal musicais são coisas dos norte-americanos, não é muito nossa praia. Porém não me incomodou tanto assim, houve momentos que as músicas me cansavam, como a conversa entre Rita e o médico que ia operar Manitas, todo aquela cena musical foi bem chata, uma vergonha alheia, péssima escolha de Audiard. Já outras cenas não me incomodaram tanto assim.
Um fato é que se o filme fosse levado a sério, sem ser um musical, tivesse sido um roteiro mais trabalhado, focado no drama, com uma boa atenção ao texto, com uma outra outra cena musical, bem pontual... 'Emília Pérez' teria sido um filmaço, de entreter quem estivesse no cinema, e seria muito mais agradável a experiência... é como fazer um remake de um jogo de videogame antigo, você vai respeitar o conteúdo original, mas vai aperfeiçoar tudo o que deixou a desejar no jogo original.
Nas atuações, é claro que a melhor e única atuação boa do filme disparado, é de Zoe Saldaña (Guardiões da Galáxia), Rita é a melhor personagem do filme, a que a gente mais se conecta e que tem mais vontade de torcer ou de ter uma certa empatia. Tem um bom texto, tem boas passagens e Zoe respeita a personagem e consegue passar em tela todas as sinceras emoções que a personagem sente e nos transmite com naturalidade. Também não é culpa dela, mas a cena, de novo com o medico que vai operar Manitas é uma vergonha alheia, assim como depois dela, a cena onde Rita vai conhecer mais as instalações e o pessoal ligado à operação, e naquela passagem musical, tem a famigerada fala "de Pênis para Vagina, De Vagina para Pênis?"... ridículo é pouco, imbecilidade é pouco, que mal gosto hein francês.
Zoe foi indicada e ganhou em todas as premiações televisionadas até agora, Globo de Ouro, Critics Choice, BAFTA, perdendo apenas o Satellite que é fora da curva das premiações, mas com certeza levará o SAG's Awrds e o Oscar...e com muita justiça, é inegável que sua atuação é incrível, ela se superou bastante, traz drama, canta, dança, performa, tudo... merece e muito.
Karla Sofía Gáscon tem uma boa atuação, principalmente no primeiro ato quando é Manitas, como atuou bem fazendo um homem, nem achava que era ela e nos créditos eu me surpreendi, não esperava que ela iria voltar a ter uma atuação masculina. No resto do filme, na minha mais modesta opinião, foi uma sequência de altos e baixos, sendo que nas cenas de drama e nas cômicas bem dosadas, ela se saiu muito bem e era bacana ver como Karla deu uma personalidade única a Emília Pérez. Na minha ignorância, uma vez que é seu primeiro papel agora como mulher, ela meio que se perdeu no personagem, no bom sentido, não enxergávamos mais Karla e sim Emília Pérez, era só a personagem ali, isso foi um ponto muito positivo dela. Mas as cenas musicais de Karla não me conquistaram, acho que ela canta de um jeito muito plástico em minha opinião, não curti muito esse lado dela como artista. No mais acho que foi foi demais indicá-la ao Oscar de Atriz, em outras premiações é até válido, como no BAFTA, mas no Oscar achei exagerado, afinal foi uma boa atuação, mas nada demais para ser indicada na principal premiação do cinema mundial.
Selena Gomez (Only Murders in The Building) sou muito fã dela como atriz, e fã de Mabel, sua personagem em 'Only Murders..', mas aqui como Jessi... foi zero, nada, não gostei de sua atuação, achei tudo muito, sei lá, fora de tom, exagerado, talvez não forçado, mas não curti. Muita coisa da sua atuação eu não curti, não me ganhou, sua personagem não me cativou e as cenas onde ela canta também não me ganharam... sua canção 'Mi Camino' é uma canção bacana, bem composta, bem performada, ela canta ali direitinho, obvio, bem afinada... mas não me ganhou, muito chato ahahahahaha. As indicações para ela em Atriz Coadjuvante em algumas premiações, como no BAFTA e Globo de Ouro, foram beeeeeem exageradas.
As canções do filme foi outro ponto de controvérsia para mim, pois temos boas canções e temos péssimas canções. As boas canções dá para contar nos dedos, sendo que 'El Mal' de Zoe Saldaña é uma delas, muito bem performada no longa, com ótima coreografia e uma Zoe inspiradíssima na performance, e uma música bem composta e bem instrumentada. Outra canção boa é a que Emília Pérez canta para sua filha, uma boa voz de Karla Sofía Gáscon, uma boa interpretação, uma canção bem bonita, ficou uma cena muito bacana. Já as que são ruins, eu diria que todas as cenas que seriam com diálogo normalmente, foram feitos em um diálogo cantado, e isso para mim é desinteressante, e nada apreciativo, portanto eu não curti nenhuma dessas cenas... a canção que Karla Sofía canta onde sua personagem está apaixonada novamente, agora por Epifania, também é uma das que mais dá vergonha alheia, porque a canção é ruim e nada acrescenta à história.
'El Mal' é a canção de grande destaque do filme, e realmente ela é muito boa, tem uma letra direta, bem escrita, que vai apontando o dedo em cada pessoa non grata naquele salão, um ritmo forte, com uma banda frenética de rock com uma bateria protagonista. Zoe Saldaña canta muito bem esta canção e principalmente performa muito bem na cena, com uma ótima coreografia, e muita presença de cena. É um ato bacana que nos dá ares de teatro, e têm esse 'Q' de ópera moderna, e não à toa a canção recebeu indicação em todas as premiações televisionadas na temporada. Globo de Ouro, Critics Choice, Satellite Awards, Oscar, são as premiações que possui Melhor Canção como categoria e indicou esta canção e 'Mi Camino' cantanda pela Selena Gomez, mas 'El Mal' já venceu o Globo de Ouro e o Critics Choice, e 'Mi Camino' bateu a canção de Zoe e venceu o Satellite Awards, restando agora o Oscar.
A direção de Jacques Audiard realmente é muito boa, foi uma das coisas que mais me surpreendeu no filme, ele dirige de uma forma muito autoral, muito intensa, possui umas tomadas realmente de grande escopo, onde pega o cenário aberto e faz os personagens serem onipresentes nas cenas onde estão encenando. Audiard também usa de um artifício de giro de 360º graus (ou parte disso), nas cenas musicais, e em algumas poucas tomadas de plano sequência. Audiard também tira de cena as personagens que estão em seu número musical, saindo do seu cenário e partindo para um plano escuro, onde pode ter só eles, ou então um grupo de dançarinos acompanhando a canção em si. Tem um cuidado grande nas cenas mais dramáticas com Emília, e dá um protagonismo acima da média para Rita, sendo um pouco mais comedido com Jessi, mas quando está em cena, Audiard consegue captar todos os sentimentos de Jessi que ela demonstra na cena em questão. Ou seja, uma direção realmente bárbara de Audiard.
Agora sim, vou falar sobre as polêmicas do longa:
Infelizmente Jacques Audiard usou muito de sua falta de bom senso e arrogância para achar que não precisaria pesquisar sobre nada do México, costumes, pessoas, cultura, fator local, enfim... todo um trabalho de pesquisa para deixar seu filme mais rico, afinal, é um longa francês que se passa no México, o mínimo que você deve fazer é pesquisar a fundo sobre o país que o seu filme irá se passar... zero preocupação de Audiard.
Bola fora também, da diretora de elenco que achava que nenhum artista mexicano era bom o suficiente para fazer parte do filme e assumir algum personagem, ou a maioria deles, afinal a história de passa no México... resolveram trazer atores famosos que possuem nomes e sobrenomes latinos... erraram FEIO demais, mas feio demais, muito feio... quanta hipocrisia junta, incrível. Ainda nisso, Audiard tinha dúvidas de qual língua seria falado seu filme, Espanhol? Inglês? Francês? Sério? Você ainda precisa pensar que língua será falada? O filme se passa no México, dane-se que o filme é Francês visando o público Hollywoodiano, ou você faz o seu filme de forma autêntica e honesta, ou você faz essa coisa que ficou meio plástica e forçado demais, e muito mal estudado também. E ainda teve o povo mexicano metendo o pau no filme dizendo que as personagens estavam muito estereotipados, que nada representavam o povo mexicano e os costumes e tudo o mais... algo que pra mim foi difícil visualizar, pois não estou familiarizado com os costumes mexicanos, não a fundo, não consegui enxergar os estereótipos, que são tão gritantes para os mexicanos.
Mesmo com todas essas polêmicas, a crítica norte americana amou 'Emília Pérez', exaltou, elogiou, principalmente Audiard, e premiou em diversas premiações setorizadas de críticos em dezembro, sendo apontado como o principal favorito ao Oscar deste ano. Ganhou o Globo de Ouro de Filme Comédia/Musical e Filme Estrangeiro, e vinha pra ser o principal favorito nas demais premiações, já visando o Oscar.
Então, veio os Tuítes racistas e preconceituosos de Karla Sofía Gáscon, descavados ali no auge da rixa entre os brasileiros e os amantes de Emília Pérez no X, e depois da divulgação desses tuítes, o filme perdeu uma força que nunca se viu na história da temporada de premiações... além dos tuítes de Karla, sua defesa em entrevistas para aparar essas questões, foram piores ainda, era uma mea culpa atrás da outra. Depois veio a equipe dela acusando a equipe de 'Ainda Estou Aqui' de difamar o filme francês e fazer campanha contra eles, e depois uma entrevista controversa de Karla Sofía ao 'Estado de São Paulo' quando veio promover o filme no Brasil. Hoje o filme tem quase nada de credibilidade entre os votantes da academia, e consequentemente da academia britânica (BAFTA) e do sindicato (SAG's e PGA). O que era um prêmio praticamente garantido para 'Emília Pérez' no Oscar de Melhor Filme, que seria o primeiro da Netflix finalmente, virou uma chacota mundial e hoje o filme se levar dois Oscars na premiação, será muito, será gigante ainda.
O filme teve 8 indicações no Globo de Ouro com 3 prêmios. O mesmo aconteceu no Critics Choice Awards, levando Melhor Filme, Atriz Coadjuvante e Filme Estrangeiro.
No BAFTA foram 11 indicações e somente 2 prêmios, Atriz Coadjuvante e Filme em Língua Não Inglesa.
No Oscar são 13 indicações... 13 gente, ou seja, a Academia AMOU 'Emília Pérez', e depois de todas essas polêmicas, eles estão odiando o filme, isso nunca aconteceu antes no Oscar, o filme entrar como favorito e perder essa força e correr o risco de sair com 1 prêmio só, ou 2 dependendo.
Nem citei muito a trilha sonora de Clément Ducol e Camile, que escreveram e compuseram todas as músicas do longa, e as músicas que permeiam o filme...de mediano pra fraco.
Bom, eu achei 'Emília Pérez' um desperdício de obra, pois seria um grande filme se fosse tratado como tal, se fosse levado a sério, se tivesse tido um estudo, se limitasse e muito as partes musicais, se fosse um drama com uma leve comédia aliviada, se o elenco fosse melhor montado... mas a Karla Sofía Gáscon possivelmente seria escalada no longa, pelo fato de ser uma atriz que fez a troca de gênero recentemente e casa com a personagem principal do longa. E a atuação dela foi boa, não for ruim nem péssima nem nada. Mas acho que o filme já estava fadado a essa polêmica toda, a não ser que achassem outra atriz que trocou o gênero, e de preferência mexicana, enfim... Achei o texto de mau gosto, o alívio cômico usado no filme também muito mal inserido, muitas músicas tirando o ritmo do longa, ficando muito chato, músicas chatas, diálogos cantados, que é mais chato ainda... Possui uma ótima direção, tecnicamente o filme é muito redondo, muito bem feito nessa questão... mas Selena Gomez está forçada no filme, a Karla está bem mas não é nada demais, e quem realmente entrega um bom trabalho apesar dos pesares é Zoe Saldaña.
Gostei do final, achei muito bom, o último ato do filme é o mais interessante do longa, mas tem muitas cenas e muitas partes de vergonha alheia, o roteiro de Audiard dá umas mancadas muito grandes e isso fica bem evidente. É um filme que dificilmente eu darei preferência para revisitar, mas dificilmente mesmo... porque é chato em muitas partes, legal em poucas partes, não chama a atenção no fim das contas... Como é um filme musical e os americanos AMAM musicais, eu entendo porque amaram o filme, porque exaltaram nas críticas, e levou o prêmio do Júri em Cannes, e era o favorito para a temporada e principalmente para o Oscar... mas depois de ver, né difícil tentar entender porque eles gostaram tanto do filme... um dos musicais mais xoxos que vi nos últimos tempos.
Enfim... gostaria de ter visto antes de ver todas essas polêmicas, gostaria de saber o que eu acharia do filme vendo ele virgem.
Festival de Cannes, a Palma de Ouro que é o prêmio máximo da noite, o prêmio 'DO' filme do festival, e esse filme independente de Sean Baker bateu outros filmes de destaque como 'Megalopolis', 'A Semente do Fruto Sagrado', 'A Substância', 'Emilia Pérez', 'Tudo Que Imaginamos Como Luz', 'Motel Destino' o representante brasileiro, entre outros.
Um filme caótico sobre uma prostituta, um moleque bilionário, um capanga russo, uma família russa chefiada por um oligarca... o que era para ser um conto de fadas, se torna uma noite que foge do controle com gritaria, agressão, dedos na cara, e um final de partir o coração. 'Anora' chegou tímido em Cannes, mas fez um barulho grande depois de ser exibido e ovacionado com minutos e minutos de aplausos, e então, ao final do festival levar a Palma de Ouro, para surpresa de muitos que estavam cobrindo o festival.
O que mais gostei em 'Anora' foi a visão e construção que Sean Baker trouxe para seu filme, trazendo um ritmo intenso, sempre caminhando para frente ao mesmo tempo que nos contextualiza alguns fatos... uma edição certeira que monta bem as passagens do filme, nunca deixando nenhuma cena tomar forma demais, mas também não tirando o contexto de quem assiste. A música é frenética e combina com a rotina e a intensidade do trabalho de Ani, e as luzes sempre são Neom quando estamos a noite, também deixando claro que a noite é a selva de Ani, é onde ela se sente a vontade, onde ela comanda, onde ela consegue ser ela mesma da melhor forma possível.
Como já mencionei, o fato de o filme ser bem caótico em sua grande parte, é o RG do filme, é aonde ele mostra a que veio, e todo esse caos é muito bem controlado por Sean Baker, que não deixa o espectador mais atento e interessado dispersar do que acontece em cada cena. Todo esse caos, os palavrões, as vozes altas, é o charme do longa, é aonde vemos o que Sean Baker consegue fazer de melhor, pois é muito difícil gravar e deixar uma cena interessante quando contém muito caos, todos falando ao mesmo tempo, muita infirmação junta, misturada com palavrões do mais baixo calão, algo bem semelhante visto em alguns episódios da série 'The Bear'. E eu digo o espectador mais interessado e atento, porque o filme não é do gosto de todos, tem muita gente que não vai se afeiçoar com esse estilo de texto, de ritmo, de tom, de caos, o que fará com que este espectador não absorva por completo tudo o que o filme está verbalizando, e perderá muitas nuances nas entrelinhas, ou certas coisas que estão bem na car mesmo, explicitado pelo diretor.
Eu sempre aprecio os cineastas que trazem uma forma nova de se contar uma história, de montar um filme, da visão única e pessoal que possui de levar para a telona a história que pretende contar, que foge do convencional que estamos acostumados em ver nos filmes que saem a cada mês. Sean Baker traz esse frescor que presenciamos, temos cenas diversas editadas para dar esse contexto do que Ani faz, do que ela passa, como ela lida com sua rotina profissional, são cortes e cortes que vemos principalmente no primeiro terço do filme, misturado com aquela trilha eletrônica alta que vai ditando o rumo dos acontecimentos e permeando a noite neom em que Ani e os demais personagens desfilam. Temos um texto ácido e direto, bem completo, que ganha muito corpo a partir do momento que os Russos aparecem em cena na casa de Ivan, e é perceptível a troca de falas entre Ani e Igor e como o texto favorecem os dois, como eles vêm do mesmo lugar, mas tomam rotas diferentes pra no fim, chegarem no mesmo destino, e a cena final do longa deixa isso bem explícito. Obviamente o longa possui muitos palavrões, algo que já é comum nos filmes de Sean Baker, e na verdade pouco importa, ele apenas transporta algo que vemos no dia a dia, algo que é comum, e dentro do contexto do seu filme, é algo mais que natural.
Vi muita gente dizendo que Anora não tinha nada de especial, mas até então eu não sabia que o personagem tinha a obrigação de ser especial, o personagem é o que é, e como ele vai tocar cada pessoa já é algo muito pessoal, mas isso não quer dizer que o personagem precisa ser diminuído (a não ser que seja um caso muito específico, geralmente de roteiro ruim mesmo). Anora é o que vemos, e testemunhamos um conto de fadas às avessas, uma vez que Anora a princípio não se vê fora daquela vida, não tem a intenção imediata de deixar a profissão, ela é boa no que faz, faz bem e com educação e carisma, não importa a idade, a classe, o aspecto... mas sua vida começa a virar de cabeça pra baixo quando ela começa a atender frequentemente Ivan, o garoto bilionário, e por alguma razão ela se sente bem perto dele, o acha engraçado, está curiosa em atender um russo que não está 100% a par dos costumes americanos e além de querer sexo com ela, também quer a companhia, seja para jogar videogame, ou para sair com os amigos. Para Ivan, é tudo na impulsividade, algo que Ani não percebe, passar a noite com ela não foi impulsivo, mas a ver mais vezes foi, chamá-la para sua casa para atender privado foi, convidar pra sair com os amigos foi, e junta o fato de ela ser divertida e comprar a diversão dele, e ainda ensinar ele a meter gostoso pra não gozar rápido, fez ele ter a impulsividade de chamá-la de namorada (de programa), e pedi-la em casamento... rico sendo ele, pode comprar o anel que ela quiser, e comprou, não sei quantos quilates.
Para Anora era tudo, para ele era só mais uma viagem aos States, e quando as coisas saem dos trilhos, é que Anora aos poucos vai vendo seu conto de fadas, sua vida nova cor de rosa, seu 'casamento', seu passe livre da vida que leva, ir por água a baixo lentamente. Se os personagens fossem ridiculamente ruins e desinteressantes, zero carisma, um filme xarope e arrastado, nada disso funcionaria e iria obviamente ser um porre assistir... mas os personagens são carismáticos, todos ao seu modo, Anora é carismática, uma parte do público pode não torcer por ela, mas carisma ela tem, Ivan mesmo sendo um riquinho mimado, moleque, irresponsável, tem seu carisma, Igor nem se fala, se calado ele já chama atenção do público, quando abre a boca pra soltar meia dúzia de palavras ele ganha a simpatia da sala inteira. Toros, Garnik, Lulu, cada um tem seu carisma a seu modo e o filme se enriquece com isso. nas Eu ia comentar que não tinha visto nada com Mikey Madison ainda, mas ela esteve em 'Era Uma Vez em... Hollywood' fazendo Susan Atkins, só que eu não lembro quem era essa mulher no filme, mesmo puxando na memória, só se for uma das meninas lá do local onde o Brad Pitt chega de carro e depois da uma surra num cara de lá, enfim... Esse é o primeiro trabalho dela que vejo prestando mesmo atenção na atriz, e vou dizer, Mikey arrasa, dá um show, faz uma interpretação gigante, ela tem aquele desdém que as profissionais do sexo exalam mesmo, ela tem o carisma, ela incorpora todos os trejeitos, tiques, ações que uma profissional do sexo demonstra no dia a dia, o jeito de falar também já é meio arrastado, anasalado, cansado, do jeito que a maioria delas costumam falar. Além de Madison dar uma personalidade própria para Anora, trazê-la a vida de uma forma única e icônica, o que sempre me chama a atenção nesses tipos de interpretações, são as cenas de sexo sem pudor... eu acho que pra você realizar essas cenas, de uma maneira verossímil, para o projeto, para a história contada, para a personagem, para o momento e para o público, você precisa ser uma 'Fucking actress'. E Madison vai sem pudor para as cenas de sexo, nas mais variadas posições sexuais com Ivan, nos gemidos quando está levando por trás, nas cenas de nudez que antecedem o ato com Ivan, principalmente nas cenas iniciais do longa, quando ela está se esfregando no colo dos clientes... todos sabemos que a mulher enxerga o sexo de maneira diferente que os homens, e mesmo na atuação, o homem não tem nenhum pudor ou questões para filmar uma cena de sexo ou uma cena sensual... porém com a mulher é totalmente diferente, pois precisa ter uma conversa antes do que é permitido e o que não é, aonde ela se sente a vontade e aonde não se sente, não pode ser algo gratuito apenas para satisfazer a experiência do público masculino, e nos dias de hoje existe um profissional de intimidade para lidar com essas cenas mais íntimas e picantes. Algo que Madison recusou para as filmagens, ou ela recusou ou ela não exigiu, foi algo assim... e isso faz ela crescer mais em meu conceito em sua atuação neste filme, não por não ter um profissional de intimidade ali e ela não fazer de questão de ter, mas o fato de ela se entregar totalmente à personagem e ao projeto, e ver isso como algo menos importante e deixar tudo o que ela faz, o mais verossímil possível, pra termos o máximo de Ani em cena. Isso já motivo para premiar a atriz, que foi indicada em várias premiações em dezembro de associações americanas setorizadas, e nas principais premiações da temporada.
Um ator que foi uma surpresa grata no filme foi Yura Borisov que fez Igor... eu achava que ele seria o gangster russo que ia chegar botando banca e arrebentando tudo, que iria ser um contraponto para Ivan e consequentemente para Ani, mas na verdade ele é um cara contido, na dele, caladão, que tenta ajudar Ani da melhor maneira possível, mesmo ela não percebendo, pois está cega demais achando que Ivan irá voltar para assumi-la de vez. Sua atuação mais contida, mais centrada, com mais expressões do que falas, deixa Igor uma figura por quem o espectador se conecta já desde cedo, e vai numa crescente interessante, até ele e Ani pararem em um hotel junto, depois de tudo já resolvido, e ali trocarem uma conversa mais civilizada na medida do possível (com o ponto negativo sendo Ani questionando o porque ele não ter estuprado ela, essa parte não gostei). Não é uma atuação das mais convencionais, e aí fui convencido de que é uma atuação sem igual de Yura, um coadjuvante mesmo, que em momentos chave e outros nem tão chave assim, ele aparece, deixa sua impressão e novamente volta para o fundo da cena, à espreita de receber uma deixa e voltar para o centro dos holofotes novamente. Sua cena final com Ani no carro, é uma resposta a tudo que acompanhamos no filme, e traz uma interação sem igual dos dois, que ainda não havia sido concretizada durante o longa.
Mark Eydelshteyn fez Ivan, ele é um ator russo novato, e vestiu bem a camisa de do seu personagem, e por ser um ator russo que nunca vimos antes, não enxergamos o ator e o personagem, enxergamos só o personagem, porque não estamos familiarizados com o ator em questão, o que faz com que seja verossímil o que ele entrega como um garoto rico mimado. Achei a atuação dele excelente, despojada, engraçada e carismática, mas pena que ele se mostrou um frouxo do meio pro final, pios me pareceu que era um personagem que tinha muito para queimar ainda no longa.
Vache Tovmasyan, Luna Sofia Miranda, Karren Karagilian, Ivy Wolk e Luna Sofia Miranda foram outros bons destaques no longa.
Matthew Hearon-Smith foi o responsável pela trilha sonora e fez um trabalho vigoroso, sua música encaixou muito bem com todo o ritmo do filme, todo o contexto, todas as passagens pela Nova York noturna... é difícil pensar neste filme sem essa trilha permeando todos os takes, todas as cenas. Eu me pegava batendo os pés no ritmo da composição na grande maioria das cenas, principalmente no primeiro ato do filme.
Sean Baker fez o famoso Cabelo, barba e bigode... dirigiu, roteirizou e produziu o filme, ao lado de sua esposa Samantha Quan, e ainda preciso conferir seus filmes anteriores como 'Red Rocket', 'Tangerine', mas saio com boas e ótimas impressões de 'Anora'. Se tornou um dos cineastas que sempre vou aguardar o próximo filme. Baker tem com este filme seu melhor trabalho comercial, afinal atraiu grande parte do público e foi lembrado e premiado por diversas premiações nesta temporada.
O longa recebeu 6 indicações no Oscar, Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Diretor, Melhor Edição, Roteiro Original, Melhor Ator Coadjuvante para Yura Borisov. No Globo de Ouro foram 5 indicações, Filme Comédia/Musical, Atriz, Ator Coadjuvante, Roteiro, Direção. Perdeu todas. No Critics Choice Awards foram 7 indicações, Filme, Atriz, Ator Coadjuvante, Edição, Direção, Roteiro e Elenco. Levou apenas um prêmio, que foi o principal da noite, Melhor Filme, um grande feito para Sean Baker. Já no BAFTA que acabou de acontecer, o longa levou dois prêmios, Melhor Atriz para Mikey Madison, uma lembrança merecida para a atriz e Melhor Elenco. Recebeu as mesma 7 indicações do Critics Choice. No SAG's Awards foram 3 indicações, Elenco em Filme, Atriz e Ator Coadjuvante. No Spirit Awards de Filmes Independentes foram 6 indicações, Melhor Filme, Ator Coadjuvante para Yura Borisov, Direção, Fotografia, Edição e Roteiro. No Satellite Awards foram 6 indicações, Melhor Filme Comédia/Musical, Atriz, Ator Coadjuvante, Direção, Roteiro Original e Edição. Levou o prêmio de Melhor Filme Comédia/Musical.
Ou seja, aclamado o filme de Sean Baker, com inúmeras indicações em todas as premiações, e já três grandes prêmios de Melhor Filme no Critics Choice Awards e Satellite Awards e Atriz para Mikey madison no BAFTA. Fora que levou a grande Palma de Ouro no Festival de Cannes no meio do ano passado, ou seja, Sean Baker já sai com saldo mais que positivo dessa temporada de premiações que ainda terá o Oscar. Com a vitória de Mikey Madison no BAFTA, acho que dá uma bagunçada para a disputa no Oscar, com ela, a Demi Moore que é a favorita e a Fernanda Torres, as três na disputa. Já para Melhor Filme, acho que a briga está entre 'O Brutalista' e 'Anora', que também levou o prêmio do sindicato ds Produtores, um grande indício de que pode levar o Oscar, com 'Conclave', 'Ainda Estou Aqui' e 'Emilia Pérez' correndo por fora.
Anora é um ótimo filme, um ótimo entretenimento, uma grand atuação de Mikey Madison, um elenco perfeito, um caos gostoso de acompanhar, uma boa história, ou seja, um filme bem completo, bem redondo. Mas na minha mais modesta opinião, não o vejo como O filme do Oscar, do grande prêmio da noite, de ser lembrado por décadas pelo prêmio. Mas só de levar o Critics e o Satellite de Melhor Filme, já está de ótimo tamanho para o filme de Sean Baker.
Eu lembro do burburinho que o 'Ainda Estou Aqui' estava fazendo nos festivais de Cannes, de Veneza, no meio do ano passado, eram elogios e mais elogios, e Walter Salles estava lá com Fernanda Montenegro e Selton Mello, e concorreu a Palma de Ouro, fora os minutos e minutos de ovação logo após o filme ser exibido, como já é de comum nestes festivais. E eu já estava muito curioso pra poder conferir o longa, que sequer tinha data possível de estreia por aqui, estava mesmo rodando os festivais afora, e ganhando cada vez mais status e adeptos. Até o filme realmente estrear por aqui em novembro passado.
'Ainda Estou Aqui' realmente é uma experiência única para quem vai acompanhar na sala de cinema, pois uma coisa é você assistir sozinho em casa, e outra é você compartilhar aquela experiência com outras pessoas em uma sala de cinema e ver como cada uma responde a tudo que foi assistido, e ver a resposta do público ao fim do filme é muito gratificante para quem pôde acompanhar um filme tão especial, tão único. Se Walter Salles já havia acertado a mão certeiramente em 'Central do Brasil' e "Diários de Motocicleta', com 'Ainda Estou Aqui' ele fez a sua obra mestre, de anos e anos de experiência em filmes, de tudo o que aprendeu em erros e acertos em seus filmes, e entregou uma película que nada mais é do que um recorte de uma época sombria da história brasileira.
Um dos acertos de Salles com o filme, é o longa se passar na região da zona sul em todo o seu primeiro ato, quando conhecemos a família Paiva, o ponto em que estão na vida, sua rotina, como é a relação do casal Eunice e Rubens, como é a rotina com seus filhos, das adolescentes aos mais crianças. Todos os colegas de trabalho que cercam Rubens, com o que ele lida no dia a dia, ajudando nas escondidas aqueles que são perseguidos pelo governo atual, entre outros. É claro que é uma rotina de uma família da classe alta da sociedade brasileira, e por conta disto o filme se passa na região da Zona Sul do Rio de Janeiro, região nobre da cidade, o que acaba nos entregando uma rotina mais básica, onde Rubens trabalha, Eunice possui outras atividades, as crianças sempre estão na praia, Vera a mais adolescente sempre está saindo com os amigos, indo ao cinema, sempre gravando quando estão de carro, curtindo a febre do rock inglês. Mas mesmo assim temos um vislumbre bom do cenário atual, onde a Ditadura vai escalando, está em uma crescente, com o exército nas ruas, polícia parando carros nas avenidas, à procura de 'comunistas', 'terroristas', qualquer um que segundo eles estão em conluio contra a pátria.
E é um cenário todo muito bem construído por Walter, que praticamente nos faz ser quase um membro da família Paiva, porque nos afeiçoamos rapidamente a cada um deles, a cada um dos filhos, já ficamos íntimos de Rubens, e Eunice é como se já tivéssemos conhecido a muito tempo, porque, pelo menos para mim, já em sua primeira fala, não há estranheza na personagem, é como se ela nos apresentasse cada um, como se fôssemos um amigo íntimo, isso foi o que senti vendo Fernanda trazer Eunice à vida no longa. A impressão que dava, ao assistir o longa em seu primeiro ato, é que poderia ter fácil mais 1 hora de filme só com aquela rotina da família, acompanhando seu dia a dia, seus afazeres, que não cansaria quem assiste.
Por tudo isso, é tão impactante e revoltante, quando Rubens abruptamente é levado por homens para prestar 'depoimento' de rotina, responder algumas perguntas, e não volta mais... deixando Eunice e seus filhos sem resposta, sem ter ideia do que está acontecendo, fazendo com que Eunice, que está aflita, proteja seus filhos menores, e oriente os mais velhos, deixando entender no ar que Rubens foi levado da mesma forma que os embaixadores estavam sendo levados como os noticiários informavam. Tudo isso se torna ainda mais obscuro quando a própria Eunice é levado junto de sua filha Eliana, para ser interrogada no mesmo local que Rubens foi levado, e lá ela acaba tendo a experiência e ciência do que a Ditadura anda fazendo com as pessoas, pois por mais que ela acabe ficando presa em uma solitária por dias e dias sem fim, outros estão sendo torturados das mais variadas formas possíveis... todos sendo forçados a entregar conhecidos que possam estar tramando contra o país, ou confessar que alguém da família ou a si próprio é um 'terrorista', confessar a quanto tempo está em conluio com eles.
Walter Salles foi muito feliz ao retratar de forma coesa e centrada os horrores de quem sofreu nas mãos da ditadura na década de 60/70, de como familiares perdiam seus entes queridos que eram arrastados de dentro de casa, sem nenhum aviso prévio ou motivo real, se estivesse fazendo alguma atividade que não condiz com as diretrizes do governo, ou se está agindo contra a visão do governo atual, é levado para 'prestar esclarecimentos' e nunca mais é visto, não se sabe o que aconteceu ou deixou de acontecer com a pessoa. Ou você era levado e passava por uma série de torturas para entregar alguém conhecido ou confessar algo do qual você não tem culpa, e depois de semanas e em alguns casos meses, você é libertado sem pedido de desculpas, sem aviso, sem nada, sem paradeiro de onde possa estar seu parente ou amigo. Em outros casos, a pessoa tinha que se exilar em outro país para fugir da opressão do governo/exército, que poderia muito bem sumir com você sem mais nem menos... esse foi o caso de alguns músicos e políticos, que passaram por essa situação à época.
É chover no molhado falar que a força motriz do longa foi Fernanda Torres, com uma atuação esplêndida, impecável, corajosa, inspiradora de Eunice Paiva, que foi uma mulher que aguentou de cabeça erguida tudo o que teve que lidar depois que Rubens foi levado pelo exército. Ela teve que cuidar da família por conta própria, ter serenidade para não expor os filhos mais novos ao horror que estavam passando, e foi um porto seguro para as mais velhas, Veroca, Eliana e Babiu, que ou sabiam exatamente o que se passava ou tinha uma certa noção de tudo que cercava o sumiço de seu pai. Acho que a cena que mais define o que é o filme 'Ainda Estou Aqui', é quando Eunice está com as filhas, na sorveteria se não me engane, e ela olha outros casais e namorados, curtindo, rindo, sendo felizes, aproveitando a companhia um do outro, e Eunice não tem mais seu marido para lhe amar, paparicar, elogiar, como fazia sempre que saíam, como na cena no começo do filme antes de Veroca viajar para Londres. Essa cena ao mesmo é uma das mais fortes e uma das mais lindas do filme.
Fernanda nós estávamos acostumados a acompanhar em trabalhos mais cômicos, como a Vani em 'Os Normais' ou a Fátima em 'Tapas e Beijos', anos a fio fazendo essas personagens, e os trabalhos mais dramáticos não chegava muito no grande público, os trabalhos audiovisuais que ela fazia eram mais cômicos e alguns dramáticos estavam mais relacionados ao teatro... portanto, ver a Fernanda como uma atriz mais experiente em um trabalho dramático, com uma carga pesada e exigente, e entregar uma atuação nesse nível, completa e envolvente, é de se brilhar os olhos, porque é aquele tipo de trabalho que gostamos de acompanhar e enaltecer em um filme. O mesmo digo de Selton Mello que por mais que tenha tido menos tempo de tela, por motivos óbvios, nos entregou um Rubens com um tom na medida certa... um grande pai, atencioso, decidido, responsável, dedicado ao que faz, por fora também ajudando quem necessita, uma grande marido, um homem inteligente, sagaz, uma atuação muito redonda, sem deixar nada de lado. Foi um coadjuvante perfeito no filme.
Dentre tantos atores que vimos passando pelo longa, em papéis menores, ou em participações chave, temos Dan Stulbach, Daniel Dantas, Marjorie Estiano, Humberto Carrão, Maitê Padilha, Marjorie Estiano, a grandíssima e onipotente Fernanda Montenegro. Mas queria destacar a Valentina Herszage como Veroca, que desde a primeira cena no carro com seus amigos, onde foram parados numa Blitz, fez um belo trabalho... ela deu personalidade e carisma para Veroca, e sempre era muito bom vê-la em cena, e acho que cabia mais tempo de tela para ela que seria muito bem vindo. Bárbara Luz que fez Nalu também entregou um ótimo trabalho, fez uma Babiu gostosa de se acompanhar, uma menina que sempre estava pra cima, em seu mundinho onde sonhava com um namorado inglês igual ao John Lennon, e suas danças ao som daquela famosa música francesa que eu sempre esqueço quem canta. E também Luisa Kosvski como Eliana mais jovem, ela que sempre se mostrava interessada nas conversas de seu pai e com seus amigos sobre o que acontecia na cidade, e teimava com a mãe para poder conferir o telejornal antes de dormir. Todo o elenco mirim no filme fez um belo retrato da família Paiva, e tiveram carisma para conquistar o público. Olivia Torres e Antonio Saboia que fizeram respectivamente Babiu e Marcelo adultos, também estiveram muito bem, com o tempo de tela que lhes foram dado, e fizeram um bom recorte de duas crianças que eram novas demais pra entender o que acontecia naquele período, e trocavam lembranças e confissões sobre a época e seu pai, quando estavam reunidos com Eunice. Com relação a trilha sonora do filme, aqui temos uma voadora no lustre atrás da outra, músicas que conversam com o que o filme propõe e que casa muito bem com as cenas onde a canção está inserida... tem Roberto Carlos com 'As Curvas da Estrada de Santos' e 'Como Dois e Dois', tem Os Mutantes com 'Baby', tem Gal com 'Açauã', Nelson Sargento, Tim Maia, duas do Caetano 'Fora da Ordem' e ' índio'... e a que pra mim é a trilha master do filme, que toca no meio e depois ao subir os créditos ao término, 'É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo' de Erasmo Carlos, o Tremendão.
A direção de Arte do filme também é incrível, assim como a cenografia, remetendo fielmente à época da década de 1970, com móveis, portões, quintais, ruas, os automóveis principalmente, onde a maioria pra não dizer todos, são itens de colecionadores, que emprestam para ser usado no filme, ou alugaram, algumas coisa assim.
Assisti ao filme duas vezes no cinema, a última foi a mais tranquila com muitas moças chorando de soluçar, e outras tantas outras pessoas boquiabertas, nas cenas onde Eunice era interrogada, ou quando ela estava tomando banho ao sair da prisão, ou na cena onde eles deixam a casa no Rio para se mudarem para São Paulo. A primeira vez que fui, em novembro passado, foi da mesma forma que da última agora, um silêncio total ao assistir o filme com algumas pequenas conversas baixas ali e acolá... mas o fim da sessão, ao subir os créditos com Erasmo Carlos de fundo, puxaram um "Sem Anistia", e aí foi outro gritando, e mais outro e depois mais outro,,, e logo depois alguém falando "Não Passarão". É sempre bom ter essas reações nas salas, e não tem preço presenciar este tipo de experiência que só o cinema consegue proporcionar... as pessoas se manifestando, um filme que mexeu com praticamente todo mundo.
Agora, a parte que deve ter pego muitos de surpresa, inclusive eu... o reconhecimento ao filme nas principais premiações da temporada:
-Só para Filme Estrangeiro temos a lembrança de praticamente todos, Globo de Ouro, Critics Choice, BAFTA, Satellite Awards, Oscar;
-Para Fernanda Torres então, a lembrança no Globo de Ouro, Satellite Awards e o OSCAR... sendo que Fernanda já fez história nessa temporada de premiações para o Brasil, levando o prêmio no Globo de Ouro e no Satellite Awards, ambos por Melhor Atriz em Filme Drama. E o prêmio no Globo abriu as portas pra conseguir a tão desejada indicação ao Oscar.
-E é claro, mencionar a histórica e importante indicação a Melhor Filme no Oscar, totalmente inédito, nunca antes um filme brasileiro havia conseguido tal feito, e no dia dos anúncios, já extasiado em ver que Fernanda tinha sido finalmente indicada, fui pego de sopetão quando anunciaram o nome do filme sendo indicado, e tomei um susto e comemorei com punho cerrado... foi demais, que dia foi aquele, trabalhei o resto do dia com um sorriso no rosto. Quem não estava feliz e sorrindo aquele dia, não merecia nada.
Nos Estados Unidos o filme estreou em meados de Janeiro, em pouquíssimas salas e em cidades selecionadas, e estreou já com esse status de filme vencedor do Globo de Ouro para Fernanda Torres, o que já levou algumas pessoas ao cinema. Mas com o passar das semanas, no boca a boca, crescendo entre o público, o filme aumentou para mais de 500 salas no país inteiro, e em muitas cidades, vem fazendo um sucesso estrondoso no States o filme, claro que não em nível Blockbuster, Wicked, Guerra Civil, mas o quanto o filme vem conquistando o público americano realmente é algo lindo de se ver. No X, antigo Twitter, são muitos relatos de pessoas lá dos EUA que saem da sessão aos prantos, elogiando demais a atuação da Fernanda, praticamente exigindo que a Academia lhe dê o Oscar de atriz... e outras páginas e demais pessoas colocando o filme como o vencedor da categoria de Melhor Filme em suas previsões, nem é o Filme Internacional, mas Melhor Filme mesmo. A gente sabe que o corpo votante da academia não tem essa mesma emoção que o público americano que se manifesta no X tem, mas realmente tudo é possível e 'Ainda Estou Aqui' só vem crescendo em popularidade e quem sabe, pode sim muito acontecer de vencermos o principal prêmio da noite, agora tudo é possível.
Pela Europa também o filme fez muito sucesso, com filas grandes num domingo gelado a noite em Portugal pra ver o filme no cinema, na Itália teve relatos de salas lotadas, na França teve um barulho também... enfim.
Acho que 'Ainda Estou Aqui' já é vencedor, com tudo o que o filme conquistou e ainda conquista mundo afora, e óbvio dentro do Brasil, nunca um filme brasileiro foi esse arrasa quarteirão todo, acho que 'Cidade de Deus' foi o que mais chegou perto, o mais relevante, mas 'Ainda Estou Aqui' superou mas de muito longe, e já é motivo de orgulho pro país, pros cinéfilos brasileiros, e como eu disse é vencedor por tudo o que fez, independente de Oscar ou não.
Vejam no Cinema! Sem Anistia!
(Assistido em 25/11/24 - Cine Belas Artes) (Reassistido em 11/02/25 - Cinemark Paulista)
Thunderbolts*
3.4 453 Assista AgoraDesde 'Vingadores Ultimato' que a Marvel Studios não vem trazendo bons longas para as telas, muito provavelmente pelo fato de se acharem maior do que são, isento a erros, e começarem a apostar em personagens e equipes menos conhecidas do grande público, esperando obter o mesmo sucesso de projetos como 'Homem-Formiga' e 'Guardiões da Galáxia'. Ou até mesmo olhando o sucesso de Venom na Sony, e enxergando um espaço para apostar em outros personagens e adquirir o mesmo sucesso de projetos passados, só pelo fato de estar sob as asas do estúdio.
Nós tivemos filmes que foram realmente muito bons, nível Marvel Studios mesmo, como 'Homem-Aranha Sem Volta pra Casa' e 'Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis'... tivemos filmes medianos que não fede e não cheira, como "Viúva Negra" e "Eternos"... e filmes que deixaram a desejar, com qualidade realmente bem abaixo, como "Quantumania" e "As Marvels"... fora as séries que entre erros e acertos, o real problema foi a grande quantidade, com pouca qualidade.
Recentemente, vendo entrevistas de divulgação do filme no Youtube, eu descobri que 'Thunderbolts*' não estava nos planos de Kevin Feige, a ideia foi trazida mesmo por Jake Schreier, que foi recusada na primeira vez, e aprovada na segunda, e após o anúncio de que viria um filme dos Thunderbolts, eu fiquei bem intrigado, porque era uma ideia interessante, mas que deveria ser bem articulado para fazer sentido dentro do que acontecia atualmente dentro do MCU.
Nos quadrinhos, os Thunderbolts eram o grupo de vilões 'Mestres do Terror', inimigos dos Vingadores, que, após o desaparecimento dos Vingadores e do Quarteto Fantástico na batalha conta Massacre, viram uma oportunidade de ocupar o lugar dos protetores da terra, uma vez que não tinham mais heróis para defender o planeta com a ausência deles.
Os Mestres do Terror assumiram outros codinomes e outros uniformes, se auto intitularam Thunderbolts, e passaram a ter como base o antigo quartel general do Quarteto, o Four Freedoms Plaza, e se tornaram os mais novos protetores da terra. Até os dois grupos voltarem da 'morte', e os Thunderbolts acabaram virando um grupo pra que vilões quisessem se redimir de seus erros... nem todos eles.
No MCU a premissa é quase parecida, alguns pontos foram respeitados, e algumas licenças criativas foram criadas, mas o grupo acaba se unindo no final para tentar fazer um bem, sobre um mal que eles não causaram, mas estiveram diretamente envolvidos.
O roteiro é de Eric Pearson e Joanna Callo, com ideia original de Jake Schreier, o diretor do filme, que fez um trabalho excelente com o longa, focando na história em mãos, nos personagens que está trabalhando, e criando uma identidade para o filme. Ele sabe que o longa é mais uma peça na Fase atual que o MCU se encontra, que vai servir em construir uma estrada que culminará no dois filmes dos Vingadores que fecharam mais uma saga do estúdio.
Porém ele teve a destreza de entregar um filme mesmo, um filme completo, com começo, meio e fim, um longa que conversa consigo mesmo, uma experiência cinematográfica que se fecha em si, um filme dentro do MCU que conversa apenas consigo próprio, mesmo pavimentando um caminho para filmes vindouros. Acho que o grande trunfo do longa está nisso, e era o que sentíamos falta desde os filmes solos do Homem de Ferro, Capitão América e Guardiões da Galáxia.
Não lembro quem do elenco comentou antes, que o filme se assemelhava muito a projetos da A24, e acertou no que falou, pois temos bons elementos encontrados nos projetos da A24, que foram incorporados ao roteiro de 'Thunderbolts*' e trouxe muita identidade para o filme.
Muito se foi falado que o filme foi feito para que pessoas que nunca viram nada do MCU pudessem desfrutar dele, sem precisar ver nada que veio antes... mas verdade seja dita, se a pessoa no mínimo não viu 'Viúva Negra', vai se perguntar o porque de muita coisa no filme, e isso ajuda e muito em você se achar no começo do filme, pelo menos o mínimo. Para os que não estão acostumados a acompanhar o MCU, ou para aqueles que não acompanham tudo, se quiserem chegar no filme sem estarem perdidos, é legal acompanhar antes os filmes da 'Viúva Negra' e 'Homem Formiga e a Vespa', e a série 'Falcão e o Soldado Invernal'.
O filme é ótimo, me diverti bastante e me surpreendeu bastante, bem diferente do que eu esperava que um filme dos Thunderbolts fosse. Não temos um vilão propriamente dito no filme, uma vez que Bob tem todos os seus problemas internos para resolver, e Valentina, mesmo sendo pintada como a real antagonista do filme, querendo ou não, ela quer financiar a próxima equipe de super-heróis que irá proteger os cidadãos americanos, na ausência dos Vingadores, e claro, ela quer ganhar Status, quer ganhar dinheiro, quer ter poder, ela tem ganância e tudo mais...ela quer fazer o bem independente de como será feito, e quer lucrar com isso.
Eu gostei muito do primeiro ato do filme, onde Yelena, Walker, Ava, Treinadora e Bob se enfrentam debaixo da montanha (referência aos quadrinhos, com a Montanha dos Thunderbolts) onde eles lutam entre si, e o terceiro ato quando eles tem que salvar Nova York do 'Sentinela' ou Sentry.
O segundo ato é bacana, mas um pouco devagar comparado aos outros dois, e claro que a cena onde eles são perseguidos no deserto é muito foda, com Bucky aparecendo e ajudando a deter seus perseguidores e logo depois capturando o grupo, mas os demais acontecimentos deste ato faz o ritmo do filme cair um pouco, com algumas interações que estão ali mais para encher um pouco de barriga o filme... nada que atrapalhe a experiência de assistir o longa, ou que o deixe enfadonho nem nada do tipo, na verdade é tudo importante para o andamento do longa, porém na minha opinião pessoal é que o segundo ato fica um pouco abaixo do ato inicial e ato final.
Muito se falou sobre a química dos personagens no longa, e pelo que pude observar não tem nenhum ponto negativo nisso, e a química entre eles é muito boa e muito bem construída. Muitos falaram sobre como a Fantasma estava deslocada dos demais, até pelo fato dela ser menos desenvolvida do que o Walker, a Yelena e o Bob... o que eu concordo, o fato de ela receber menos atenção no filme e ser apenas mais um integrante do grupo, mas isso nem de longe atrapalha a química que ela tem com os demais personagens do longa, e nem a química geral entre eles, incluindo até a Mel e a Valentina.
Como mencionei, o foco do filme mesmo está no desenvolvimento de Yelena, de uma ex-Viúva assassina de aluguel, para uma mulher mergulhada em uma tremenda depressão que após perder a irmã amada, não tem mais ninguém no mundo, nem amigos e nem família, tirando o pai que não entrou mais em contato.
Também temos o foco em Walker, o Agente Americano, que passou por uma crise em seu casamento, muito pelo fato de não ter conseguido seguir como Capitão América, e ter sua imagem e ficha sujas pelo assassinato que cometeu em praça pública na Europa na série do Disney Plus.
Mas o foco maior, que eu até fiquei surpreso mesmo, está em Bob, o Sentry/Sentinela, que aqui diverge levemente de sua contraparte dos quadrinhos, mantendo seus problemas mentais, sua tripla personalidade e seus traumas do passado.
Nos quadrinhos, Bob se tornou o Sentinela, uma pessoa que detém o poder de mil sóis explodindo dentro de si, e que em um de seus surtos, fez com que o mundo todo esquece de sua existência. Depois de ser descoberto novamente e trazido de volta a realidade pelo Doutor Estranho, o Sentinela se juntou aos Novos Vingadores, mas continua tendo sua personalidade malvada, o Vácuo, dentro de si, sempre querendo se libertar para destrui-lo e destruir consequentemente o mundo. Uma curiosidade é que nos quadrinhos, Bob é casado, possui um cachorro e é muito amigo do Hulk.
No filme, Bob fez parte de um experimento da OXE, empresa clandestina ligada a Valentina, que pretendia criar um ser super poderoso para ser o maior heróis da terra, que Val pudesse controlar... mas Bob tinha muitos transtornos mentais, um passado bem complicado, complexos de grandeza e por aí vai. Isso desenvolveu nele a personalidade de Vácuo, e somado ao seu passado doloroso nas mãos de seus pais que não o amavam o suficiente, fez com que Bob ficasse instável e criasse todos os problemas visto no filme.
Por isso que o filme não tem propriamente um vilão, por mais que eles lutassem contra Valentina e tivessem a intenção de levá-la para trás das grades... Bob precisava de tudo depois do Vácuo tomar controle de seu corpo, mas a batalha era interna, e tudo que Bob precisava era de pessoas que acreditassem nele e não o abandonassem para que ele conseguisse ter as forças necessárias para não sucumbir ao seu lado negro.
Não foi uma batalha final ao estilo Marvel, mas foi um ótimo embate de terceiro ato, com algumas cenas que fizeram as pessoas no cinema ficarem boquiabertas... e uma resolução final, quando todos abraçam Bob, que fizeram algumas pessoas na sala (principalmente mulheres) soluçarem suas lágrimas, em uma cena, ou sequência de eventos envolvendo Bob, que realmente é emocionante, e se torna o coração do filme.
Realmente Bob e Yelena são o coração do filme, as duas figuras que fazem o filme caminhar e ser o que ele é, com Alexei sendo o fator cômico do filme, servindo como a voz da razão para Yelena... e John Walker sendo o personagem que passa por aquela transformação de personagem odiado na série do Disney Plus, para um personagem respeitado e que evoluiu neste filme.
Isso sim, é um roteiro para ser muito respeitado.
Florence Pugh está sensacional, a melhor personagem do longa junto de Bob, interpretado pelo ótimo Lewis Pullamn (Top Gun Maverick), já virei fã dele... fez um trabalho primoroso como Bob, achou o tom perfeito para seu personagem, entendeu o tom do personagem no filme, e deu grandiosidade e humildade na medida certa para Bob... que personagem o MCU criou, tem vida longa dentro do estúdio, se for bem usado e escrito.
David Harbour sempre sendo ótimo, mesmo que aqui tenha se limitado a apenas piadas com seu Guardião Vermelho, o alívio cômico, uma espécie de novo Drax... uma pena se ele ficar limitado a a apenas isso, terá pouco em mãos para trabalhar com o personagem no futuro.
O ótimo Wyatt Russell mais uma vez fazendo uma ótima performance com seu John Walker, tendo mais camadas para levar seu personagem a outras variáveis dentro do longa.
Hannah John-Kamen volta como Ava, a Fantasma, e querendo ou nõ, neste filme ela tem pouco para trabalhar com sua personagem, o mesmo pouco que teve no segundo filme do Homem-Formiga. Aqui ela tem mais falas, mas pouco desenvolvimento e poucos momentos de destaque ou espaço para sua personagem mostrar um acerta evolução. Ela apenas ajuda seus novos companheiros e perde um pouco de seu instinto assassino que veio à tona no começo do filme.
Sebastian Stan voltando como Bucky Barnes, o Soldado Invernal, e sinceramente achei que ele teve pouco a mostrar no longa, eu esperava bem mais do personagem dele no filme, não teve desenvolvimento nenhum, parece que seu personagem chegou no ápice do desenvolvimento e não tem mais caminho a percorrer em termos de mudança dentro do MCU, meio que deu uma estagnada. É a impressão que tive. Faltou muito mais de Bucky no filme, muito mesmo. Um deputado que não é exatamente deputado, tá mais para fora da lei do que para político.
Tem que tomar cuidado com essa acomodação em volta do personagem, dá indícios de que pode ficar desinteressante suas participações em produções futuras.
SPOILER ABAIXO;
Olga Kurylenko coitada, foi limada do filme, com sua Treinadora sendo morta já no início do filme por Ava. Teve apenas uma fala. Foi confirmado por Eric Pearson, um dos roteiristas, que a Treinadora de Olga estava até a batalha contra o Sentinela na Torre dos Vingadores comprada por Valentina. Ela participaria daquela luta junto aos outros... porém por motivos desconhecidos, que só o diretor Jake Schreier pode responder, ela já foi tirada de cena nos minutos inicias do filme.
Eu meio que já suspeitava de uma decisão assim, uma vez que Olga não esteve presente nas premieres do filme, e em nenhuma entrevista junto ao elenco nos programas estrangeiros. Somando-se a isso, o fato dela ser a única atriz do grupo dos Thunderbolts a não ser confirmada em Vingadores Doomsday, no vídeo das cadeiras de mais de cinco horas no Youtube. E realmente, cagaram com o Treinador no MCU, nada, mas nada a ver sua contraparte do MCU com a dos quadrinhos, totalmente decepcionante.
Tivemos ainda a já monstra da atuação cômica, Julia Dreyfus-Louis como a já caricata Valentina Allegra de Fontaine, totalmente oposta de sua contraparte dos quadrinhos, mas muito mais interessante. Além de Gearldine Viswanathan que fez a Mel, assistente de Valentina, tendo pouco para trabalhar com o roteiro que lhe foi entregue, mas claramente competente como atriz, sem falar que é linda demais.
Uma curiosidade está na escalação dos atores para Bob e Mel. Bob inicialmente iria ser interpretado por Steven Yeun, de The Walking Dead, mas teve que deixar o projeto pelo fato da pandemia ter aparecido e e as gravações do longa coincidirem com outros projetos que ele já havia se comprometido antes de aceitar esse longa. De última hora tiveram que chamar Lewis Pullman que entregou esta performance que achei incrível.
Já a personagem Mel, iria ser inicialmente interpretado pela Ayo Edebiri, da série 'The Bear' e do filme 'Bodies Bodies Bodies', porém Ayo também teve que deixar o projeto por acabar interferido em outros projetos que ea também já havia se comprometido. Curioso em saber como seria se os dois tivessem permanecido no projeto, e claramente deu pra perceber no tom da personagem de Geraldine que ela possui uma veia cômica grande que é um forte traço de atuação de Ayo, como já visto no filme 'Bodies Bodies Bodies'.
Inclusive, o personagem de Geraldine se chama Mel, que curiosamente é o diminutivo de Melissa. Nas HQ's uma das personagens fundadoras dos Thunderbolts foi Melissa Gold, a Soprano, que antes era conhecida como a vilã Colombina.
Melissa se tornou Soprano e entrou para os Thunderbolts, mas rapidamente foi uma das primeiras a se desvencilhar totalmente da vida de bandida, para ira de Zemo e de Rocha Lunar, que queriam mesmo se aproveitar da situação, e na hora certa dar o bote nos EUA e gerar o caos no país, dominando-o. Com o passar dos anos, Melissa se tornou peça principal dos Thunderbolts, mesmo com as várias mudanças de formação, e também foi convidada a se juntar os Vingadores, devido aos seus atos heroicos nos Thunderbolts e sua mudança mesmo de caráter e postura, se tornando uma heroína respeitada entres os heróis mais poderosos da Terra, com uma ajudinha do Gavião Arqueiro. Porém ela declinou dessa oferta e não se juntou a eles.
Muitos especulam que a Mel, pode ser o alter ego de Melissa Gold, e eu nunca tinha parado para pensar nisso até que alguém mencionou na internet, e assistindo ao filme, dá pra ver que ela usa um pequeno broche ou adereço, em sua blusa, que tem um desenho que se assemelha a um pássaro, que é de onde vem seu nome em inglês, 'Songbird', ou seja, é ela.
É isso, eu acho o filme muito bom, já tem um bom tempo que o MCU não entregava um projeto tão coeso como foi este filme dos Thunderbolts, me agradou bastante e está agradando o público.
Fui ver duas vezes no cinema, e nas duas vezes o filme foi aplaudido no final, as pessoas realmente se relacionaram com o longa conforme as coisas iam acontecendo em suas 2 horas de duração. É um filme que cativou e conquistou o público, com personagens com problemas que se assemelham com o que é conversado e falado hoje em dia... a depressão, o transtorno, a bipolaridade no caso de Valentina, é um filme que possui coração e alma.
Pra finalizar, acho que já nem é mais Spoiler, porque já está sendo divulgado dessa maneira depois da segunda semana em exibição no cinema, e está nos novos cartazes de divulgação e em vários vídeos de Youtube...
Esses Thunderbolts são os Novos Vingadores, que ocuparam a antiga 'Torre Stark' e serão sancionados por Valentina... eis o motivo do asterisco no nome do filme.
Achei uma sacada ótima de Kevin Feige, uma vez que a ideia foi dele, e acho que nunca vi na história do cinema, eu acho, um filme ser divulgado e lançado com um nome e depois de duas semanas, o seu verdadeiro nome ser revelado, sem ainda deixar de ter seu nome anterior ser mencionado, apenas com o asterisco.
Ou seja, o filme dos Thunderbolts, mas também é o filme dos Novos Vingadores... achei sensacional.
E também o filme possui duas cenas pós créditos, uma dispensável, que não gostei, acho essas piadinhas muito sem graça, pra mim não agregou em nada. Já a outra, essa sim, tem mais de 2 minutos de cena e... que cena!!!
(Assistido em 30\04\2025 - Cinemark Shopping Cidade SP)
Deadpool & Wolverine
3.7 922 Assista AgoraEscalar Shawn Levy para dirigir o terceiro filme do Deadpool, dentro do MCU, pode ter sido a carta mais certeira do projeto, por mais que sua última colaboração com Ryan, 'Projeto Adam' não tenha tido tanto sucesso de crítica e público.
Acho que sua audácia e visão única era o que faltava para o longa atingir o clímax que atingiu nessa terceira parte.
Os dois filmes anteriores eram bons filmes, e traziam esse frescor para os filmes de super-heróis com um humor debochado, que atinge principalmente outros estúdios rivais, algo que não vemos nos projetos cômicos nos últimos anos. Muito sangue, muita violência, mito palavrão, tudo muito gratuito, e o público comprou, mesmo que o roteiro dos dois filmes tenham alguns pequenos problemas aqui e acolá.
Este terceiro filme não foge muito do que foi os dois anteriores, a diferença é que o roteiro é mais redondo, como começo, meio e fim que se conversam entre si, mas claro, esse mesmo roteiro tem suas falhas, deixando coisas do passado dos dois filmes de lado, avançando demais no futuro, aquele salto de tempo que não favorece em nada a grande maioria das histórias... Não estabelece exatamente o universo de Logan, morto em seu filme solo, que é o mesmo dos X-Men da Fox, ou não?
Temos algumas pontas soltas no roteiro, um furo ali e acolá, mas a história em questão, é bem redonda. Acaba usando os coadjuvantes de Wade como ponto principal de sua luta, sendo que ele quer salvar seu mundo, mas obviamente ele quer salvar sua 'família', seus amigos e sua ex-namorada.
Esses mesmos coadjuvantes fazem parte de menos de 3 minutos de tela, no fim e no começo... Dopinder, Al Cega, Vanessa, Colossus, Negasonic Teenage Warhead, Yukio, Shatterstar, Peter. Uma pena, poderiam ter aparecido mais, mas claro, com o roteiro em mãos, com esses tantos de personagens da Fox que iriam aparecer, não tinha mesmo muito espaço para eles no filme.
Eu lembro que muito se falava em como seria o roteiro do longa, quando ele começou a ser gravado e as fotos das lutas no 'Vazio' com aquele logo da Fox quebrado... tinha até um perfil no X, que cravou que tinha tudo para ser a adaptação da saga 'Deadpool massacra a Marvel', que ele iria matar os personagens da Fox, e por aí vai. Que trouxas não, esses perfis de internet que querem adivinhar tudo, só querem surfar na onda, não se pode dar audiência nem dar trela para esses nutelas.
O roteiro, que foi uma combinação de Reynolds com Shawn Levy, Zeb Wells, Paul Wernick e Reth Reese, leva o Deadpool pra visitar o túmulo de Logan, logo depois vem pro MCU que conhecemos para falar com Happy Hogan (Jon Favreau), conhece a TVA que vimos na série 'Loki' e acaba lá no 'Vazio' onde temos uma chuva de personagens da Fox, fazendo sua volta, e outros voltando com figurantes em suas encarnações.
Voltam o Azazel de 'X-Men Primeira Classe', o Fanático de 'X-Men O Confronto Final', Lady Letal de 'X-Men 2', Blob de 'X-Men Origens Wolverine', e Groxo e Dentes de Sabre de 'X-Men O Filme'.
De todos eles, apenas o Dentes de Sabre voltou com seu ator original, Tyler Mane, lá do longínquo 'X-Men O Filme', os demais, foram todos figurantes, ou atores menos conhecidos, apenas para fazer figuração.
Mas o destaque mesmo estava nos conhecidos, começando pelo Pyro de Aaron Stanford, que teve um bom coadjuvantismo no filme.
Chris Evans retorna para interpretar o Tocha Humana dos filmes do 'Quarteto Fantástico' da Fox, muito mais interessante aqui do que nos dois filmes juntos, pelo menos para mim.
Jennifer Garner retornando como Elektra, Wesley Snipes retornando iconicamente como Blade o Caçador de Vampiros e Dafne Keen, totalmente adolescente crescida e encorpada como Laura X-23.
A surpresa mesmo ficou com Channing Tatum como Gambit, fiel aos quadrinhos no visual, mas com um sotaque que ás vezes dá pra comprar e ás vezes fica meio esquisito. Tatum participou de uma San Diego Comic Con, com todo o elenco de 'X-Men Dias de Um Futuro Esquecido', pois ele ganharia um filme solo interpretando Gambit, um filme que nunca saiu do papel e levou anos em produção, com roteiros sendo reescritos e atores entrando e saindo do projeto, até ser totalmente cancelado. Daí todas as duas piadas no filme sobre tentar fazer finalmente seu nome... mas de que Multiverso ele vem, fica a pergunta.
No filme ainda temos Matthew Macfayden interpretando o Mr Paradox, um personagem que possui um posto semelhante ao de Mobius (Owen Wilson) nos quadrinhos, e possui uma interpretação muito boa no filme... sendo bem cômica, bem despojada, com seu sotaque britânico, e uma pequena dose de loucura controlada... gostei muito da atuação dele no longa, e ele bem que poderia voltar em futuros projetos.
Wunmi Mosaku, que fez a Caçadora B-15, vindo direto da série 'Loki', foi outra boa surpresa aparecendo no filme, logo em seu ato final, claro que ela pouco acrescenta a trama, mas foi bom ver sua personagem no longa, mesmo que ele a tenha servido mais para ter um queda pelo Peter.
De Ryan Reynolds não dá para falar muito, já sabemos o que ele pode fazer com seu Deadpool, e parte da ideia do filme foi dele. De Hugh Jackman a mesma coisa, aqui ele traz uma faceta diferente do Wolverine, uma vez que ele interpreta outro Wolverine, um mais feroz e sanguinário que não se contém, algo que não foi visto ainda nas telonas.
Pra idade que Hugh tem, se manter em forma para fazer novamente Logan realmente é de uma entrega absurda e um amor ao personagem que só um ator como ele pode ter. E aqui ele foi premiado com o famoso uniforme amarelo e azul que deixou o personagem tão conhecido entre o grande público aqui no Brasil com o desenho dos X-Men dos anos 90, e as revistas vendidas pela Abril também na época que começaram a ganhar mais destaque com o sucesso do desenho, e posteriormente com o primeiro filme da Fox.
Tivemos outras versões de Logan interpretadas por Hugh Jackman no longa, que passaram bem rápidos, como o Logan Crucificado que foi capa de uma das revistas dos X-Men no passado;
- O Wolverine com uniforme marrom de John Byrne, que enfrenta o Hulk nas Hq's, e foi levado para o filme;
- o Wolverine de 'Era de Apocalipse' que teve a mão amputada por Ciclope;
- O Wolverine fiel ás HQ's, que é baixinho e invocado;
- O Caolho, que representa o tempo que Logan passou em Madripoor nos quadrinhos e adotou esse pseudônimo;
- E por fim, O Callverine, o Henry 'Superman' Cavil em pessoa, como Wolverine que se baseia muito na época em que Logan não usava uniforme, nos tempos onde os X-Men estavam usando trajes pretos, baseados nas roupas do filme da Fox.
A atriz Emma Corrin, fez Cassandra Nova, a vilã do filme, que é irmã gêmea de Charles Xavier, e raspou a cabeça para interpretar a personagem em sua forma fiel. Ou seja,máximo respeito a dedicação e profissionalismo da atriz, pois sabemos que as mulheres são muito vaidosas com a beleza de seus cabelos.
E Emma realmente dá um show, e é claro que sua versão de Cassandra Nova é radicalmente diferente do que conhecemos dos quadrinhos, porém não deixa de ser uma versão agradável e que passa uma ótima dose de carisma com o público. Pelo menos para mim, ela é aquele tipo de vilão que você não odeia, ou torce para ser morto e derrotado... você até gosta da presença e de como faz frente aos heróis, e é indiferente ao fato de ser derrotada ou não. E é uma pena o seu desfecho.
Acho 'Deadpool & Wolverine' um ótimo entretenimento, um filme muito bem feito, com cenas assim que ficaram marcadas na história do MCU, como as múltiplas versões de Wolverine, o retorno dos personagens/atores da Fox, a cena da matança da centena de Deadpools ao som de 'Like A Prayer' de Madonna (com aval da própria), mesmo que o roteiro seja básico, mas não dá pra esperar um roteiro fora da curva neste tipo de projeto... nós tivemos roteiros fora da curva e do esperado em projetos que isso cabiam, como 'Pantera Negra', 'Vingadores Guerra Infinita' e 'Capitão América O Soldado Invernal'. É mais fácil esperar algo parecido em filmes futuros como 'Blade' e 'Pantera Negra 3' por exemplo.
Então dentro do que se propôs, do que podemos esperar de algo baseado no Deadpool, foi algo acima da média, com todas essas adições e surpresas.
Foi um ótimo blockbuster, foi feito para ser um blockbuster, para divertir e entreter, e comparado aos últimos projetos do MCU, foi um ponto muito positivo, focando muito mais na história que estava sendo contada e focando em entregar um filme mesmo, fechado, uma experiência própria e única... e não ser apenas mais um capitulo que aponta para o futuro, introduzindo novos personagens e deixando o roteiro de lado, e fazendo o filme ser um prólogo do que virá, como foi 'Quantumania' e 'Capitão América: Admirável Mundo Novo'.
Pra mim que acompanhou todo esse caminho e história da Marvel nos cinemas, desde 'X-Men O Filme', foi bem bacana ver todos esses detalhes e personagens voltando no filme, tudo que foi citado nos textos e os pequenos fan services nas cenas... fora aquela homenagem nos créditos ao som de 'Good Riddance' do Green Day.
Engraçado também foi ver a reação da povo mais jovem a cena de abertura do longa, uma das melhores cenas de abertura que presenciei em um filme do MCU, superando as duas cenas dos dois primeiros Guardiões da Galáxia... toda a sequência inicial, violenta, ao som de 'Bye Bye Bye' do 'N Sync, com direito a coreografia do clipe e tudo, ficou conhecida pelo público jovem como a dancinha do Deadpool. Eles não ligaram a música com a coreografia, não conheciam o 'N Sync, nunca viram o clipe e nem foram procurar no Youtube, e vi muita gente novinha se referindo aquela dança no início do filme como a dança do Deadpool... sinais dos tempos, ou melhor, sinais das gerações.
Um último adendo, tivemos dubladores de voz para os seguintes Deadpools: Blake Lively, a esposa de Ryan (Ladypool), Nathan Fillion de 'Guardiões da Galáxia Vol.3' (Headpool, a cabeça zumbi flutuante) e Matthew McConaughey de 'Intersatellar' e 'Clube de Compras Dallas' (Cowboypool), e Rob McElhenney de 'Lost' e 'Game of Thrones', e sócio de Ryan na aquisição do time inglês do Wrexham (como um dos agentes da TVA).
(Assistido em 24/07/2024 - Cine Marquise)
Os Vingadores
4.0 6,9K Assista AgoraSabe aquelas experiências únicas numa sala de cinema? Algo que você sempre vai lembrar? Eu fui na estreia de Vingadores e sempre vou lembrar daquela batalha final nas ruas de Nova York, com poucas edições, onde cada Vingador enfrenta os Chitauri em duplas ou sozinho, e a câmera vai acompanhando cada embate, foram aí uns 10 minutos de batalha pura, e toda a sala do cinema estava lá, com os olhos colados no telão, ninguém dava um piu, era uma sequência de tirar o fôlego... um grupo mesmo de super-heróis enfrentando os inimigos em conjunto, acho que ainda não havia essa coesão no cinema em um filme de super-heróis.
'Vingadores' é a culminação de todos os filmes solos lançados até aquele momento pela Marvel Studios, e não poderia ter sido um filme-evento melhor. Dinâmico, direto, agradável e divertido, trouxe todos os pontos positivos que os fãs esperavam e entregaram um filme digno da equipe que faz jus ao nome.
Escrito e dirigido por Joss Whedon (antes de fazer a merda que ele fez em Hollywood e hoje ser pessoa non grata), aqui realmente devesse tirar o chapéu para Whedon, escreveu um roteiro certeiro, direto, com textos que entraram para a história do MCU e do cinema popular contemporâneo. Uma batalha com poucos cortes na gravação e zero falas, só embates nas ruas de NY, praticamente tiradas das páginas dos quadrinhos, e uma construção de terreno para se formar uma equipe muito parecida com o que encontramos nos quadrinhos.
Os personagens se estranham boa parte do filme e possuem uma cena de discussão, acalorada pelo presença do cetro de Loki na sala, onde todos jogam a merda no ventilador e vomitando o que acham um dos outros, até Loki chegar com tudo e fazer com que eles sejam obrigados a pensar como um só.
Loki aqui no filme possui um protagonismo que ele não teve no filme de Thor, e digo melhor, aqui ele tem um coadjuvantismo que o respeita como personagem, algo que foi um pouco mais raso em sua primeira aparição, e aqui é algo elevado que o faz não só ser o grande vilão do longa, ao mesmo que uma vítima de suas ambições e uma vítima da sede de poder de Thanos, como ele carrega um carisma que poucos vilões na história do cinema possuem, conquistando o público e pavimentando de vez o seu lugar dentro do MCU como um personagem importante e indispensável.
Os seis atores Vingadores originais ganharam suas mãos eternizadas em Hollywood, em uma celebração que ocorreu anos atrás, pelo filme que protagonizaram, e aqui, eles entregam as melhores performances dos personagens, superando suas aparições nos filmes solos.
O mesmo vale pro já citado Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Clark Gregg (que está ótimo no filme) e Stelan Skarsgard, assim como a então nova integrante, Cobie Smulders como Maria Hill.
Os figurinos estão soberbos, sem ter medo de serem coloridos e extravagantes como nos quadrinhos, apenas o Gavião tendo um uniforme mais automático, que remete ao seu posto de Agente da SHIELD no filme. O mesmo digo da cenografia, todas muito bem montadas e criadas, com grande e imenso destaque para as ruas de Nova York recriadas em Atlanta, só fico sem saber dizer se foram recriadas em estúdio ou em campo aberto em algum lugar da cidade.
A trilha sonora de Alan Silvestri entrou para a história do cinema, e não por ser soberba e inesquecível, uma obra de arte ou qualquer coisa do tipo, e sim pelo fato do filme ter sido um sucesso arrebatador, e o tema principal casa perfeitamente com a grandeza do filme, e então ela entrou para dentro da cultura pop, quando se ouve, sabe-se que pertence aos Vingadores, assim como é a música título do Batman da série dos anos 60, do tema de John Williams de Superman de Richard Donner, 'De Volta Para o Futuro', 'Indiana Jones', ou a icônica trilha-tema de 'Star Wars'. O tema de X-Men do desenho chega a ser mais icônica que a dos filmes, a mesma coisa com o Homem-Aranha e a Liga da Justiça... então são poucos os temas título de longas que consegue a proeza, que Alan Silvestri conseguiu com o tema principal de 'Vingadores' e o restante da trilha que veste tão bem as cenas foi longa.
Comentei dos textos acima, algumas dessas falas já entraram pra história do MCU e sempre serão lembrados e reverenciados, como:
-"Tirando tudo isto o que sobra?" diz Steve para Tony que responde: 'Gênio, Bilionário, Playboy, Filantropo'
-"I Have an Army"... "We Have a Hulk!"
- "...and Hulk?... Smash!"
- Tony para Pepeer: "Huh, His first name is Agent"
E para mim o melhor de todos, e a fala que mais me representa: "That's My Secret Cap... I'm Always Angry."
Não tem muita coisa mais a ser dita, o que realmente precisa ser dito é para assistir ao filme e se divertir bastante, é um dos melhores filmes do MCU, um ótimo filme de ação/aventura, com todos os personagens sendo carismáticos, incluindo o vilão, e é um filme que entrou para a história do cinema moderno.
Até hoje o filme continua sendo atual, e continua tendo sua dose alta de entretenimento, não envelhece e não enfadonha.
É claro que vão existir as pessoas que não vão gostar do filme, ou vão procurar mil defeitos, mas a verdade é que o trabalho é muito bem feito e de altíssima qualidade, para orgulhar qualquer fã de quadrinhos que se preze. Eu mesmo, nem em meus sonhos mais internos, imaginava que um dia teria um filme dos Vingadores, tão intenso e completo como foi esse filme.
Eu quando criança ficava imaginando como seria um filme dos Vingadores, quem seria o vilão, e qual seria a equipe, e sempre falava que não abria mão da Feiticeira Escarlate e o Mercúrio, e sabia que era um sonho bem distante porque os Vingadores era do terceiro escalão da Marvel, sequer eram conhecidos, só os fãs da Marvel mesmo os conheciam e davam crédito para eles... mas os arrasa quarteirões da editora na época eram os X-Men e o Homem-Aranha, que também possuíam desenhos animados que alavancavam a popularidade deles.
Lá fora, os quadrinhos dos dois vendiam muito, com os X-Men vendendo feito água, e aqui no Brasil os dois eram os mais conhecidos pelos desenhos que assavam na TV Colosso, e depois X-Men Evolution que fez muito sucesso no SBT e Spectacular Spider-Man, desenho de 2008 que é considerado um dos melhores do aracnídeo.
Um desenho dos Vingadores, chegou a passar na TV Globinho, mas só eu mesmo conhecia a equipe, sequer fez barulho no Brasil e ninguém comentava sobre ele, seja nas escolas ou nas revistas da época, como 'Herói'.
Ou seja, Vingadores... quem eram? Quem conhecia? Eram NADA pra cultura pop, ou para o grande público no Brasil... e no mundo.
E depois deste filme, hoje, os Vingadores são o carro chefe da Marvel, entraram para a cultura POP mundial e são mais conhecidos e reverenciados que os X-Men, e brigando de frente em popularidade com o Homem-Aranha.
Querendo ou não, isto tudo é graças a três pessoas, Joss Whedon, Kevin Feige e Brian Michael Bendis, escritor que redirecionou o Status dos Vingadores nos quadrinhos da Marvel Comics.
(Assistido 27/04/2012 - no Shopping Jardim Sul)
Capitão América: O Primeiro Vingador
3.5 3,1K Assista AgoraO MCU possui 34 filmes lançados até agora, destes 34, apenas UM filme eu não vi no cinema, que foi justamente 'Capitão América: O Primeiro Vingador', e nessa época eu meio que tava num rolo amoroso que me deixou fodido da cabeça, e acabei não indo... não me senti interessado em ver o filme.
Uma pena, pois teria sido uma boa experiência cinematográfica, pois o filme continua muito bom, bem melhor do que eu tinha na cabeça de todas as outras vezes que eu vi.
É uma ótima história de origem, ao jeito Marvel Studios claro, mudando algumas coisas aqui e acolá, referente a origem do Capitão nos quadrinhos, introduzindo algumas questões interessantes e personagens que ganharam um ótimo destaque, graças aos seus atores, que não fizeram parte da origem do Capitão originalmente, mas que aqui funcionou muito bem, que foram Howard Stark e Peggy Carter, interpretados pelos meus dois atores favoritos, Dominic Cooper e Hayley Atwell.
O filme é muito bem dirigido por Joe Johnston, que gravou cenas icônicas de Chris Evans como Capitão, em poses memoráveis e cenas de ação incríveis que ficarão guardadas na memória do Fã de MCU.
Usa bem os efeitos especiais no filme, que estão bem práticos e servem muito bem as cenas onde são inseridos... sem falar que Johnston também consegue dirigir bem o seu elenco tirando o melhor de todos os atores, que possuem uma atuação ótima e deixam o filme muito divertido e atraente para o público.
O roteiro do filme é muito bem escrito e foi muito bem transplantado para a tela, foi escrito pela dupla Christopher Markus e Stephen McFeely, que escreveram os dois filmes seguintes do Capitão, Thor: O Mundo Sombrio, e os dois últimos filmes dos Vingadores.
Tirando o segundo Thor, que tem um roteiro muito ruim, os dois parceiros só acertaram em suas colaborações com a Marvel, que ainda inclui a série de duas temporadas da Agente Carter, que é muito boa, e aqui nós temos um filme que não cansa em nenhum momento, e o roteiro consegue favorecer todos os pontos levados para a tela, sem textos cansativos ou passagens embarrigadas.
A trilha sonora é de Alan Silvestri, entregando um ótimo trabalho, nada memorável aqui ainda, mas temos uma boa trilha que compõe bem o filme, que ganha muito nas cenas de ação e de tensão, e nas cenas mais densas que são mais focadas em Peggy Carter e Steve Rogers, ou nas amarguras do Capitão, a trilha de Silvestri também traz uma composição condizente com os momentos.
Neste filme Hayley Atwell e Dominic Cooper ganharam destaque com suas atuações e personagens carismáticos, que acabou gerando a série da Agente Carter, que traz Hayley como protaganistas obviamente e Dominic fazendo participações especiais. Dominic viria a ganhar o papel de protagonista na série da DC 'Preacher', enquanto Hayley ainda viria a fazer 'Black Mirror' e um dos filmes de 'Missão Impossível'.
Temos Tommy Lee Jones que entrega um performance acima da média, e se você perceber bem, a atuação de Lee Jones é bem centrada e direta, ele não está ali para brigar pelo protagonismo, ou pelo coadjuvantismo, ele sabe o que o personagem dele é e representa dentro da história, e faz uma atuação onde faz o personagem ser aquela ponte entre a experiência e a atitude.
Lee Jones tem bons trejeitos corporais onde ele tem uns gestos básicos para sair de cena, ou boas deixas para o seu colega vir com sua fala, ou ótimas falas em momentos cômicos ou chave do filme. Para mim, atuação nota 10.
Hugo Weaving de 'Matrix', fez o vilão Caveira Vermelha, onde eu enxerguei dois pontos, um sendo o fato de o roteiro não ter polido o Caveira Vermelha da melhor forma, ele poderia ter ganhado um pouco mais de escopo em suas motivações e fazer um bom embate moral com Steve, até temos uma cena onde tem esse embate moral, onde os dois estão na base da Hidra que está explodindo, quando Steve vai resgatar Bucky e o resto do Comando Selvagem, mas é um embate bem tímido, sem muito conteúdo no texto.
O outro ponto é atuação de Weaving, que é bem acima da média, ele entregou uma performance muito boa e deixou seu Caveira Vermelha muito interessante, claro ao seu modo, visto que é um personagem que visa a dominação mundial e estava associado ao Hitler. Mas tinha ali um charme na sua atuação, na forma como ele dava vida a Johann Schimdt que não deixava que eu sentisse bronca, não a ponto de eu torcer pelo vilão, mas também não ficava naquelas de torcer pra ser derrotado, eu gostava de ver o quanto ele ia progredir dentro da trama, e para mim foi uma pena terem dispensado o personagem ao fim do filme, pois ele tinha muito mais potencial em futuros filmes do Capitão e no resto do MCU.
O filme ainda conta com o ator Neal McDonough que faz Dum Dum Dugan, que tem muito mais relevância nos quadrinhos do que no filme. Neal é um ator que conheci em 'Desperate Housewives' e ele já fez as séries da Dc na CW, 'Legends of Tomorrow', 'Arrow', ele é muito bom, muito competente, e é uma pena que no filme ele tenha sido escalado para um papel que não teve relevância nenhuma na trama.
O primeiro filme do Capitão no MCU é um ótimo trabalho, uma boa origem e um bom pontapé para o maior super-herói da Marvel Comics, dentro de seu universo, é claro, tanto o povo, quanto os próprios super-heróis enxergam a importância e grandeza do Capitão.
(Assistido em 22/04/2012 em DVD)
O Homem de Aço
3.6 3,9K Assista Agora'Homem de Aço', claramente o nome já deixa implícito que esse é um filme que não focaria a fundo no super-herói Superman, e sim, em Kal-El, o homem de aço de Krypton, exilado na Terra após a destruição de seu mundo, passando por todos os perrengues que uma criança terráquea passa quando é diferente dos bocós da escola metidos a besta.
Neste filme, os roteirista David S. Goyer mergulha a fundo em quem Kal-El é, quem ele pode ser, e o que ele seria... uma origem bem diferente do que estamos habituados do Superman, algo bem mais realístico, algo que casa com a visão de Zack Syder, que bebe da fonte da Trilogia das Trevas, afinal, Chris Nolan está envolvido profundamente no projeto, sendo o criador da ideia original junto de Goyer.
E só um adendo, este filme não nasceu sendo o pontapé inicial do DCEU, ele se tornou o primeiro filme anos depois com a construção desse universo, sendo incorporado como pontapé inicial. A princípio ele seria apenas um 'Batman Begins' do Superman.
Eu na verdade sou Marvete, não sou DCnauta, mas conheço um pouco, ali e acolá, do universo DC, claro que sou mais familiarizado com o Batman, o Superman e a Liga da Justiça, com os demais, sabendo das coisas bem por cima...
Acompanhando o filme, eu até o classifico como a versão 'Ultimate' do Superman, parafraseando a Marvel, ele cabe e muito dentro dessa proposta, pois é algo que por mais que beba da fonte da origem do Superman, ele vai para um caminho próprio, um caminho novo, uma história bem original que muito com os tempos atuais, aqueles de 12 anos atrás.
Eu conheço o Superman de várias interpretações e origens, desde os filmes de Christopher Reeves e de Bryan Singer, Smallville, o desenho de Bruce Timm, o antigo Superamigos, o desenho de Superboy, e claro, o original das HQ's... e aqui confesso que de longe essa é a versão que menos gostei do personagem.
Não consigo enxergar o Superman aqui, não consigo relacionar Kal-El também, e pra mim Clark está inexistente, não se formou essa identidade ainda, por mais que ele seja filho de Martha e Jonathan há anos, não visualizo Clark ali, só Kal-El de uma maneira bem distorcida...Superman então é algo que não chega em mim.
Tem alguns vislumbres ali do Superman que enxergo, mas logo desaparece, e acaba sendo uma história de origem que não me agradou muito, não me ganhou em nenhum momento do filme, tipo, é interessante de se acompanha, de se assistir, é um entretenimento agradável, mas como disse, para mim, não é um retrato do Superman que reconheço, e nem que aprecio.
O mesmo digo de Lois Lane, e aqui todos sabemos o quanto Amy Adams é uma atriz gigante com um domínio de drama incrível, e ela trouxe essas camadas únicas dela para sua Lois Lane que a gente enxerga e exalta, porque é um trabalho nível Amy Adams né, é outro patamar de uma atriz que estava em um ascenção sem freios.
Mas essa Lois militarizada eu não curti, pouco vemos de sua versão repórter porra loca que não está nem aí e faz de tudo pela matéria, nem que sua vida esteja correndo o mais grave risco, e Superman sempre aparece para salvá-la, ou ela sempre consegue se safar das formas mais Lois possível, ela meio que virou expert em se meter em encrenca e sair dela das formas mais inusitadas possíveis.
Eu disse militarizada, pois Lois já mal conhecendo Kal-El, já vai para o espaço sendo levada por Faora-Ul, e lá sendo guiada pela consciência de Jor-El, e empunhada por uma arma alienígena, ela sai atirando em todos os homens de Zod que tentam detê-la... algo muito precoce para uma Lois que ainda está se inteirando da existência de aliens, assim como o resto do mundo, e já é pega no meio do furacão, pra defender alguém que ela ainda está conhecendo e se inteirando de suas fisionomias e seus dons.
Muito apressado, meio fora de tom, eu não sei, essa versão 'Ultimate' que vi no filme não me ganhou muito não.
'Homem de Aço' tem muita coisa em termos de roteiro e de criação de ideia original que não curti, que não gostei, que não apreciei, que me fizeram não gostar tanto assim do filme... porém, isso não faz dele um filme ruim, longe disso.
Na verdade, soando um pouco incoerente, mas justo, 'Homem de Aço' é um grande filme, muito bem filmado, muito bem construído, muito bem feito, muito bem visualizado pelo Zack Snyder, com cenas de tirar o fôlego, cenas memoráveis que vão entrar para a história da cinematografia do diretor.
Os efeitos visuais, a cenografia do longa, os demais efeitos práticos, o figurino de Krypton e a própria ambientação e construção de Krypton é incrível, beira ao soberbo, ou seja, visualmente e tecnicamente, 'Homem de Aço' é um filme de encher os olhos e tirar o fôlego.
Mas em termos de criação original e roteiro, e caracterização dos personagens estabelecidos do universo Superman, ao meu ver, ficou bem desconexo do que conheço e longe de uma finalização adequada.
Pra mim acho que a melhor performance do longa, sem sombra de dúvidas é a de Michael Shannon, que trouxe a versão definitiva de Zod para este longa. O Zod e Shannon tem personalidade forte, acredita com veemência e amor em sua missão para com Krypton, mesmo que de uma forma bem deturpada, e traz uma dualidade bem interessante com Jor-El e Kal-El... uma voracidade em sua luta final com Superman e muitas falas de destaque e impacto que fizeram o personagem entrar para o hall de grandes vilões de filmes de super-heróis.
Acho que Henry Cavil foi muito bem como Superman, como Kal-El, não curti muito aquele seu início rodando o mundo, não estava enxergando ninguém ali nele, é interessante essa nova visão, essa origem mais distinta, mas essa coisa de salvador caladão que ninguém confia, não me desce muito eu não curto esse lado dos benfeitores... e as cenas no bar salvando a garota zoada/abusada pelo arrombado, muito clichê, ele dar uma de machão, óbvio e não está errado, mas aí por ser quem é se segura e engole a seco... enfim, muito enfadonho todo esse começo.
Acho que tinha muito espaço ali para se construir o primeiro beijo de Superman e Lois, que não fosse logo no meio da destruição total, com muita gente morrendo, e dali sai um beijo apaixonado, aquela vontade nítida na Lois de dar pra ele ali e agora... ah não, péssimo timing, dava pra ter feito muito melhor do que aquilo, eu particularmente não gostei e acho um artifício cinematográfico bem batido.
A destruição de Metropolis naquela luta época ente Zod e Kal-El, que tanto criticaram na época que foi lançado o longa, não faço parte dessa porcentagem aí, mas há uns momentos ali que achei exagerado demais, que poderia ter segurado um pouco a mão, ter usado outros artifícios para deixar a luta tanto épica, quanto esmagadora e nociva para Metropolis... com alguns pontos específicos pra se destruir e lutar, ao invés de sair derrubado prédios e mais prédios e inúmeros prédios e por aí vai.
Essa escala de destruição vista nessa luta, cabia mais em um embate cinematográfico entre Superman e Apocalypse, coisa que não aconteceu no filme 'Batman vs Superman', um desperdício de chance, de ideia, de impacto... fizeram aquela coisa bem cocô no segundo filme, e aqui foi uma grande batalha, uma puta de uma batalha, que ao meu ver começou a perder a mão depois de alguns prédios derrubados... mas foi um bom evento cinematográfico.
A trilha sonora fica a cargo de Hans Zimmer, e o mestre faz um trabalho muito bom, porém não é nada memorável, sua música conversa bem com a proposta do filme e do personagem, com a grandiosidade que vemos em tela, porém fica um pouco abaixo, ou talvez realmente não seja memorável como seus outros trabalhos na carreira, como em 'The Dark Night' ou 'Inception'.
No mais, 'Homem de Aço' realmente não é um filme que eu gostei do que foi entregue em termos de originalidade e história... acho que funcionaria mais comigo se fosse uma série, ou se fosse uma versão em quadrinhos, a versão 'Ultimate' do Superman.
Como filme mesmo, evento cinematográfico, de entreter, de produto, é muito bom, muito bom, Efeitos especiais práticos e de encher os olhos, batalhas épicas, destruição de prédios em Metropolis sem dó.
'Homem de Aço' ganha por um lado e perde no outro.
Thor
3.3 3,1K Assista AgoraPra quem lia os quadrinhos da Marvel como eu, ficar sabendo de um vindouro filme do Poderoso Thor, você já fica imaginando algo em uma escala larga, grandiosa, já imagina uma Asgard em todo seu esplendor, figurinos extravagantes e vagamente fiéis ao que conhecemos, um Thor de elmo e capa, os 3 Guerreiros, Lady Sif, Loki e Odin, Balder O Bravo, Encantor, Hela, Executor, quem sabe aí uma Gangue da Demolição, quem sabe aí um Gárgula Cinzento, batalhas grandiosas, algo cósmico... enfim, muitas vertentes para seguir.
Não foi exatamente o que eu esperava quando fui ao cinema assistir ao filme, e eu acho que foi mais pelo frescor de ver algo novo e inusitado sendo transplantado pro cinema, que eu acabei gostando do que vi na época, com ressalvas é claro, mas por mais que eu achasse um pouco mais mediano, eu tinha gostado do que tinham feito e achava satisfatório dentro do que o Marvel Studios estava fazendo.
Hoje, depois aí de 15 anos, reassistindo pela quaquagésima vez, depois de 4 filmes, e participações em filmes dos Vingadores, e uma série spin-off, olhando todo o trabalho que foi feito, todo o conjunto da obra, a adaptação do Thor para os cinemas deixa e muito a desejar, mas muito mesmo.
Claro que nem tudo será ao pé da letra, ou fielmente seguido como nas HQ's, mas a impressão que dá, é que aquele tom Shakesperiano que o Kenneth Branagh deu neste filme, que não funcionou, que ainda teve vislumbres no filme seguinte que foi pior ainda... como foi algo que não funcionou com o que foi filmado, com o que foi criado, Kevin Feige acabou incorporando toda o ritmo de Thor à figura de Hemsworth, fazendo do Thor algo original do ator, se desvinculando das características do personagem nos quadrinhos, e o tornando algo mais cômico, mais maleável, mais debochado, mais o estilo de atuação de Hemsworth.
Eu não acho a atuação de Chris ruim, porque eu o acho um ótimo ator, vide sua interpretação em Vingadores Guerra Infinita, a melhor de Thor disparado e de longe... mas os filmes do Thor não estavam se encaixando, talvez por não explorarem tanto Asgard e os Nove Reinos, os personagens secundários de Asgard, como Balder que nunca apareceu, os três guerreiros e Sif que mal tiveram desenvolvimento, e acabarem focando um pouco mais na Terra, com personagens que não conquistaram o público, como Darcy (Kat Dennings), a Jane Foster (Natalie Portman) aqui neste filme está ok, mas no segundo ficou somente como a donzela apaixonadinha em perigo, Erik Selvig (Stellan Skasgard) problema nenhum o filme querer que ele seja apenas alguém a ser enfrentado e derrotado, mas que pelo menos ele ganhe um destaque, uma história de fundo que mova suas motivações e tenha textos favoráveis que faça com que ele se torne interessante e relevante ao público e ao enredo do longa.
Enfim, este Thor tem bons momentos como as batalhas em Jottunheim, os diálogos entre Loki e Odin, com um show de interpretação de Tom Hiddleston, que é um ator sem palavras de talentoso... o embate entre Thor e Loki durante todo o filme é muito bem construído, algumas cenas em Asgard são muito boas.
Os momentos que são bem ruins, se passam na Terra, com a foto que Darcy tira e vai pro Facebook, com aquele sorrisão de Hemsworth, ali nem era mais interpretação. Thor e Jane flertando, legalznho mas bem dispensável, a luta contra Destruidor, que é decente, mas poderia ter sido bem mais destrutiva do que foi, e também temos um completo desperdício de Rene Russo como Frigga, mãe de Thor e Loki, que mal tem falas no filme e esteve ali somente para fazer número.
Os gigantes de gelo não foram tão explorados, obviamente com Laufey ganhando destaque, mas não houve um destaque ou um desenvolvimento do vilão, ele foi escrito apenas para ser o cara mau que vai atacar Asgard e deseja matar Odin (Anthony Hopkins) e seu povo... tudo bem o cara ser o vilãozão e até aí não tem problema nenhum o filme querer que ele seja apenas alguém a ser enfrentado e derrotado, mas que pelo menos ele ganhe um destaque, uma história de fundo que mova suas motivações e tenha textos favoráveis que faça com que ele se torne interessante e relevante ao público e ao enredo do longa.
Temos bons nomes no elenco ainda, tirando os nomes principais que já conhecemos, os três guerreiros possuem Tadanabou Asano como Hogun. Asano está na ótima série 'SHOGUN' que venceu muitos prêmios no Critics Choice e Sag's Awards esse ano.
Ray Stevensson fez Volstagg, Stevensson fez o Justiceiro no filme de 2004 com John Travolta, e infelizmente ele já é falecido.
Josh Dallas que fez Fandrall, ele que fez a série Manifest.
Jaime Alexander, a Lady Sif, super atriz que protagonizou a série 'Ponto Cego'.
Colm Feore que fez Laufey, um ator já veterano, que conheci na série 24 Horas de Jack Bauer.
A trilha Sonora é de Patrick Boyle, bem fraquinha, sem muitos momentos de destaque, a música do filme acaba sendo do mesmo nível do longa... abaixo do esperado.
Difícil dizer que até hoje espero um filme decente do Thor, ou um que faça jus ao que conhecemos dos quadrinhos... o 'Ragnarok' foi, dos quatro, o que mais me agradou por ter a marca de Taika Waititi, mas nem ele representa o que o personagem e Asgard realmente é nas HQ's... acho que faltou nos filmes a grandiosidade de Asgard, percorrer mais os nove reinos, deixar Thor atuar na Terra nos filmes dos Vingadores, e focar nos Nove Reinos em seus filmes solos, deixando Jane Foster e Darcy de lado, e assim dosando bem o cômico que Hemsworth traz ao personagem e é a marca do MCU de Kevin Feige, com bons textos e bons ritmos que uma história do Thor pode entregar.
Este primeiro filme é bem fraquinho, com pequenos bons momentos, mas é mais assistível que 'Amor e Trovão', mas não representa o que conheço do Thor, nem chega aos pés...funciona apenas para o que o MCU quis criar e entregar ao público que não tem as HQ's como referência.
(Assistido em Maio 2011 no Shopping Jardim Sul)
Homem de Ferro 2
3.6 1,9K Assista AgoraLá na época de 2008/09, eu lembro bem das notícias sobre o filme, onde o arco 'O Demônio na Garrafa' seria a base do roteiro do novo filme do Vingador Dourado arco foi um dos pontos altos do personagem na década de 80, e além de ser o arco escolhido pro novo filme, também escolheram dois vilões sub conhecidos do Homem de Ferro, Justin Hammer e Chicote Negro.
Fora isso pipocava os boatos de que teríamos a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro no filme, sendo que isso já era um dos passos para se levar ao filme evento 'Os Vingadores', mas na época na minha cabeça fazia sentido porque os dois tem relações com Tony Stark. A Viúva já se engraçou com ele no passado e o Gavião foi um vilão no começo da carreira, e vilão justamente do Homem de Ferro... nada mais justo que os dois aparecerem no filme.
No final, somente a Viúva Negra apareceu e de quebra trouxe o Nick Fury a tira-colo.
'Homem de Ferro 2' é uma boa continuação, porém, está abaixo do primeiro filme, que é icônico, e na verdade a grande maioria das cenas do primeiro filme já é icônico, e o segundo filme traz boas cenas de ação e de luta, como a já famosa cena do embate no circuito de Mônaco, mas ainda assim não atinge status que as sequências do primeiro 'Homem de Ferro' possuem.
Em time que está ganhando não se mexe, e Jon Favreau retorna na direção do longa, tirando tudo de melhor das atuações de RDJ e Gwyneth Paltrow, e as adições de Scarlett Johansson, Mickey Rourke e Sam Rockwell... desta vez o roteiro ficou a cargo de Justin Theroaux, ator de filmes como 'Trovão Tropical', 'Mullholand Drive', 'Bettlejuice Bettlejuice' e da série 'Maniac'.
O roteiro de Justin Theraoux é bom em alguns pontos e defeituoso em outros pontos, sendo que nas cenas focadas em Tony Stark e em sua personalidade narcisista está o ponto alto do roteiro, além da sua relação de gato e rato com Pepper Potts, e com certeza nas cenas onde ele está buscando criar um novo elemento que possa parar a infecção que está acometendo seu peito.
As cenas onde o roteiro dá uma deslizada, são na construção do vilão Ivan Vanko, o Chicote Negro, uma construção muito genérica, um filho de um cientista russo que foi conhecido de Howard Stark (mostrado na série 'Agent Carter'), e que com seu pai no leito de morte acaba jurando vingança contra Tony Stark, pois segundo seu pai, toda essa tecnologia Stark deveria ser dele por direito... e aí ele vem pros States e mexe seus pauzinhos ali e acolá, ataca Stark em Mônaco, conhece Justin Hammer e cria uma armadura para si e toma um cacete federal... Mickey Rourke teve razão em reclamar na época que Jon Favreau e a Marvel deveria ter mais colhões para deixar o vilão do filme muito mais interessante, e que nenhuma de suas ideias para o personagem foi ouvida, foi como 'apenas diga as falas e entregue a atuação'.
O filme é divertido, não é ruim e nem monótono, ele faz o que todo filme tem a obrigação de fazer, entreter seu espectador, e isso o filme faz, e faz muito bem.
Porém é nítido que ele é aquém do que deveria ser, um filme mais grandioso do que o primeiro, faz audaz, mais voraz, mais agressivo, que possuísse um roteiro mais envolvente e que surpreendesse seu público e seus fãs, mas acabou sendo um pouco mais medíocre que o comum, com algumas cenas de ação de destaque, mas com um desenvolvimento de vilão muito mal feito, batalhas entre os dois personagens principais muito rápidas e uma batalha final muito mal arquitetada, sem criatividade, onde novamente a saída é matar o vilãozão, prática comum nos filmes dos anos 90 e década de 2000, seja de heróis, seja de ação.
Depois de 15 anos do lançamento dos dois primeiros filmes, a estreia de Tony nos cinemas continua sendo o melhor filme da trilogia, o mais icônico e o melhor dirigido, apesar de ter alguns pequenos problemas de roteiro parecidos com este filme, mas não tão gritantes.
Já o segundo longa, acaba sendo uma boa diversão para quem quer ver um filme sem muitas pretensões, pois para nós que somos fãs da Marvel e do MCU, sabemos que o filme tem alguns problemas em sua construção, e uma abordagem bem rasa do arco 'O Demônio na Garrafa'... sem falar em um vilão com potencial desperdiçado, uma batalha final bem broxante e poucas cenas de destaque.
Mas tivemos coisas boas no filme, e uma delas é Scarlett Johansson, iniciando sua jornada como Natasha Romanoff, a Viúva Negra, com uma atuação certeira, uma mistura de cômico e seriedade, enquanto estava disfarçada como secretária de Stark, algo muito bom de se acompanhar e então quando entrou em cena como Viúva Negra, na cena icônica com Happy Hogan de Jon Favreau, no corredor das Indústrias Hammer, acabando com os capangas de diversas maneiras possíveis, no melhor estilo Viúva Negra mesmo. É um personagem que caiu como uma luva para Scarlett.
Outra boa atuação no filme, pelo menos na minha opinião, foi de Sam Rockwell como Justin Hammer. Pra mim, Sam foi matador no filme, sua encarnação de Hammer é bem diferente dos quadrinhos, aqui ele tem aquela personalidade igual a de Tony mas às avessas. Ele tenta ser engraçadão e não é, acha que é narcisista mas é chato para um Baraleo... se acha muito inteligente e um inventor que rivaliza com Tony, mas seus armamentos são falhos, como mostrado com a 'Ex Wife'.
Quando Justin tem seu estande na Stark Expo, ele faz uma entrada tentando imitar a entrada icônica de Tony no começo do filme, ele faz sua entrada em uma dança de sapateado de primeira linha, à base de uma música bem dançante à base de metais... Sam é um exímio dançarino, vão ao Youtube e procurem um vídeo com as entradas dele no programa de Jimmy Fallow, só dança fenomenal, e sempre que faz seus filmes ele encaixa uma cena de dança... acho que só em 'Três Anúncios Pra Um Crime' que não o vi dançando, mas preciso ver o filme de novo.
Sem falar na cena onde ele vai vender seus armamentos para o exército americano, visando equipar a armadura que James Rhodes pegou do arsenal de Tony Stark, que irá virar a futura Máquina de Combate.
Nessa cena, além do seu texto ser muito bem escrito e bem cômico, sua atuação despojada, narcisista e cara de pau é muito boa e mostra como ele estava a vontade no personagem e contribuiu muito para a construção de sua personalidade... afinal, quem vai vender armas para o governo, chupando um pirulito? Isso é o suco da auto estima reversa :).
Don Cheadle está muito melhor como James Rhodes do que seu antecessor, fazendo sua estreia no MCU e estreando sua armadura máquina de Combate. Ator de primeira linha que fez bem aos filmes de Tony.
Mickey Rourke pra mim só não foi melhor porque limaram muito o potencial de seu personagem... não ouviram o ator na época, para colocar mais de suas ideias no personagem, e no final, Ivan Vanko deixou a desejar em algumas passagens. É um bom personagem, que poderia ter sido melhor do que foi apresentado, e Mickey fez o melhor que pôde com limitação que teve. Seu sotaque russo esteve ótimo.
Clark Gregg retorna como Agente Coulson, com alguns minutos a mais de tela, assim como Samuel L Jackson, que tem seu destaque na cena da rosquinha de lanchonete onde Tony está curando a ressaca... Samuel é praticamente o Nick Fury das telas, ofuscando totalmente o BadAss fodão dos quadrinhos, trazendo toda uma personalidade e carisma.
Tem duas curiosidades neste filme, uma delas é a cena onde o garotinho com a máscara do Homem De Ferro aponta para um dos robôs de Hammer qu está prestes a matá-lo e na última hora Tony aparece e acerta o robô, e vai embora, como se o menino tivesse atirado... por muitos anos os fãs na internet começaram a criar suas fanfics de que este garotinho seria Peter Parker, e eu não lembro que ano foi, mas Kevin Feige confirmou essa teoria, essa fanfic, que parecia fazer sentido para os cabeças do MCU, de que este garotinho realmente era Peter Parker, ou seja, o Tio Ben estava ali na Expo em algum lugar.
Outra curiosidade é a aparição rápida de duas figuras no filme, uma eu não vi, só li nos créditos finais, Olivia Munn, atriz que fez Psylocke no filme 'X-Men Apocalipse' tem uma ponta no filme, mas não consegui identificá-la.
O outro é Elon Musk, sim, ele, o Lex Luthor da vida real (exagerei?), o cara que comprou o Twitter e transformou em X e foi pro espaço a passeio, apoiador de Trump, canalha no tempo livre, modelo e atriz... ele aparece cumprimentado Tony em Mônaco, quando Tony se livra da companhia de Justin Hammer.
A trilha sonora fica a cargo da banda AC/DC, que possui algumas de suas músicas no filme, como 'Shoot To Thrill' do disco Back In Black em uma nova versão no filme.
Por mais que o filme tenha alguns pontos que me desapontaram, e desapontaram uma boa parte dos fãs, é um filme muito honesto, e ele faz o que os filmes de hoje em dia do MCU não estão fazendo... focar em contar sua história, sem se preocupar em criar caminhos para o futuro, criando coisas e situações que levarão a futuros filmes, comprometendo o roteiro do que está sendo apresentado e da história a ser contada.
Claro que aqui temos a introdução da Viúva Negra e uma citação ou outra para o futuro filme dos Vingadores, mas é pouco comparado a hoje em dia, e querendo ou não, por mais que o roteiro falhe aqui e acolá, o filme se concentra no que acontece ali, e somente nele.
Depois deste filme, Jon Favreau achou por bem deixar de dirigir o terceiro longa, devido principalmente à crítica da imprensa e de alguns fãs pelos problemas citados.
(Assistido em Maio/2010 no Shopping Villa Lobos)
Better Man: A História de Robbie Williams
3.8 109 Assista AgoraDurante as premiações deste ano, o que mais foi falado foi o quanto 'Emilia Perez' estava sendo injustamente aclamado e premiado como musical, enquanto 'Better Man' se quer tinha destaque ou holofotes, e por ser um musical muito mais competente e bem feito do que o filme de Jaqcues Audiard,
Nos EUA via relatos no X, houve um grande burburinho com a relação ao filme, quando estreou por lá, de pessoas que assistiram e nunca tinham ouvido falar de Robbie Williams, que é um artista britânico, e ficaram maravilhados, não só com o filme em si e em como ele é muito bom e bem montado e a forma peculiar com que Robbie é retratado no longa, mas também em sua história buscando ser um artista reconhecido no Reino Unido e sendo autor de grandes sucessos.
A verdade é que 'Better Man' é um ótimo filme e um entretenimento certeiro para quem quer assistir uma boa história, com um bom protagonista, sendo uma biografia e ainda sendo um musical atrativo. Eu particularmente não sou fã de musicais, eu os assisto mas com um pé atrás muito grande, esperando que eles me surpreendam positivamente. E 'Better Man' surpreende e muito, mas eu mesmo devo confessar aqui que não coloco muito o filme na prateleira de musicais como todos colocam.
Em 'Better Man' eu esperava até um número grande das canções de Robbie, fazendo parte do longa, mas a verdade é que apenas alguns sucessos estão lá, e dá até pra contar nos dedos... 'Feel', 'Something Beautiful', 'She's The One', 'Let Me Entertain You', 'Angels', 'Rock DJ', 'Better Man', 'Come Undone' esqueci algum? Apenas 8 canções de inúmeros sucessos que Robbie teve, parece até muito, mas eu esperava um pouco mais.
Dessas canções citadas, somente 'Something Beautiful' não foi exatamente um número musical, foi mais uma passagem do longa onde ele consegue vender suas letras para gravar seu álbum solo, e 'Let Me Entertain You' foi uma mescla da apresentação dele no icônico show em Knebworth e um número musical, uma batalha contra seus demônios internos.
De número musical mesmo, que eu enxerguei, foi apenas 'Rock DJ' que teve toda uma coreografia, toda uma sequência com o mínimo de edição, junto aos seus companheiros de Take That após assinarem com uma gravadora, e é uma puta de uma cena musical muito bem coreografada e filmada, com uma sequência de tirar o fôlego e um final com sei lá, mais de cem pessoas ou quase isso, não tenho a dimensão agora, teria que rever, no final com a mesma coreografia... que cena, isso é cinema.
Eu realmente não vejo muito 'Better Man' como um musical, eu o vejo mais como uma drama biográfico com inspiração em musicais.
Dá até pra comparar com outros musicais como os recentes 'Em Um Bairro de Nova York', 'Wicked', a refilmagem de 'West Side Story', 'Hamilton'... e os já clássicos 'Moulin Rouge', 'Cantando na Chuva', 'La La Land', 'Chicago', enfim, são musicais propriamente ditos, com narrativa musical e tudo...'Better Man' pelo que vi é um drama com uma cena musical ou outra, claro, na minha visão.
Robbie Williams eu o conheci obviamente na MTV nos anos 90, depois do Take That, já foi no seu primeiro álbum solo, quando o clipe de 'Lazy Days' passava no Radiola MTV, e logo uns meses depois, 'Angels' estreou e, claro, foi uma música que me pegou já de primeira, assim como toda o Reino Unido.
E mesmo gostando de Rock 'n Roll, eu me afeiçoei ao trabalho de Robbie, até por ter um gosto bem eclético musicalmente, e não ter o menor problema em ouvir música pop, como Hanson, Backstreet Boys, 'N Sync e outros artistas da época. Como sou fã de Oasis e era muito jovem, durante um tempo eu peguei uma bronca do Robbie somente pelo fato dele e do Liam Gallagher estarem trocando farpas entre si, com Noel soltando uma ou outra sobre ele de vem em quando.
Durante aí mais ou menos 1 ano eu tinha bronca do Robbie e sempre falava mal, e tirava uma com os clipes dele e por aí vai. Depois quando ele lançou o disco 'Escapalogy' aí eu fiz as pazes de novo kkkkkkkkk, porque é um puta disco e o Robbie é um puta artista também.
O show que ele fez em Knebworth retratado no longa, reuniu 125 mil pessoas em três noites, ou seja, ao todo foram 375 mil pessoas ao todo, batendo o recorde do Oasis de 250 mil pessoas. Esse show eu já assisti de cabo a rabo quando eu tinha o DVD, um puta de um show foda, que praticamente estabeleceu Robbie Williams como um dos maiores artistas solo que já existiu na Grã-Bretanha.
Há muitas passagens no longa que estão fora de ordem cronológica, por exemplo, quando Robbie canta 'Something Beautiful' para convencer seu produtor de fechar o contrato para um álbum solo, o filme está se passando ali entre 97 e 98, mas canção só foi lançada em 2002. Quando Robbie encontra Liam e Noel Gallagher durante a festa das All Saints que chegaram ao N°1 das paradas com 'Never Ever', no filme dá a entender que isso se passa ali em 96, mas a música das All Saints é de 98, e em 98 Robbie e os Gallaghers já estavam tretados.
O show final do filme, onde ele canta Sinatra com o pai dele, aconteceu antes de Knebworth, em 2001, e não depois como o filme mostra... devem ter ajustado algumas coisas pro roteiro poder ficar de acordo com o que queriam contar, acho que por isso essas mudanças.
Por falar no relacionamento de Robbie com Nicole Appleton, das All Saints, eles tiveram que abortar o bebê que estavam esperando, porque ou foi a gravadora ou o empresário que não queria que o grupo parasse por mais de 1 ano só pra Nicole ter seu filho e amamentar e se recuperar, pra depois voltarem. Foi uma imposição de cima, que Nicole acatou, junto a Robbie, e depois de um tempo o relacionamento dos dois acabou e logo quem Nicole foi namorar em seguida... Liam Gallagher, 'ex-amigo' e desafeto de Robbie.
Acho que isso acabou causando mais atrito ainda entre os dois, pois o Liam foi pegar logo a ex do Robbie, e ainda acabou engravidando-a, tento um filho com ela, coisa que o Robbie falhou em convencê-la.
E aí, depois de se casarem e uns 10, 11 anos depois, o que acontece? Liam em uma turnê com extinta Beady Eye, trai Nicole com uma jornalista americana e engravida ela... Nicole pede o divórcio, quebra o Liam financeiramente, o que faz com que Liam acabe com a Beady Eye e fique anos na surdina. A vida é meio engraçada ás vezes. A Nicole sofreu com o Robbie, e depois sofreu com o Liam... enfim.
O fato de Robbie ser representado por um macaco foi uma ótima ideia para o filme, e é como se o Robbie sempre fosse uma espécie de atração. Era difícil enxergar o Robert Williams, ele sempre o escondia atrás de Robbie Williams, e só servia para entreter, como se fosse um personagem, logo, m macaco para retratá-lo. Bem poético.
Ele foi interpretado pelo ator Jonno Davies, através de captura de movimentos, e todo crédito a Jonno, que conseguiu performar todos os trejeitos de Robbie em cena, sendo que Robbie, para quem acompanhou sua carreira, sabe bem os trejeitos que ele faz no palco, nos videoclipes, e nas entrevistas mais polêmicas ou as mais descontraídas... e Jonno fez isso com uma maestria imensa, ele realmente incorporou o personagem e entregou uma semelhança sem igual.
A avó de Robbie foi interpretada por Alison Steadman, e ela também entregou uma ótima performance, principalmente nas cenas dela com Robbie ainda criança que foi interpretado pelo garoto Carter J. Murphy. Alison já é uma atriz britânica veterana com muita bagagem e experiência, e trouxe isso para sua personagem deixando ela com aquele ar de vó protetora mesmo, a famosa segunda mãe.
Outro destaque para mim foi Steve Pemberton, que fez o pai de Robbie, Peter, e Steve teve uma ótima performance, tanto no começo com Robbie ainda criança na cena da sala onde eles assistem e cantam Sinatra, e mais tarde no filme na cena da piscina antes da apresentação em Knebworth, quando Robbie acaba sendo muito duro com o pai.
Outros atores de destaque foram Raecehlle Banno que fez Nicole Appleton das All Saints, Jake Simmance que fez Gary Barlow, cantor principal do Take That, assim como todos os outros atores que fizeram os demais integrantes do Take That.
Leo Harvey-Elledge interpretou Liam Gallagher , o vocalista do Oasis e eu acho que ele foi muito, mas muito bem, teve os trejeitos do Liam, teve a atitude do Liam, e suas poucas aparições foram mais que convincentes... já Chris Gun, fez Noel Gallagher e ele teve apenas uma fala no filme e aquela pequena aparição abraçado a uma de suas peguetes... foi bom, não foi ruim não, deu pro gasto.
Acho que a direção de Michael Gracey, que também escreve o roteiro e produz o filme, foi muito boa, foi mais um grande trabalho do diretor que deixou o filme bem redondo, muito bem montado, com tomadas de cenas bem únicas e diferentes, e soube muito bem deixar seus atores a vontade para poder performar da melhor forma possível, e verossímil também... acho que está ali na linha do que ele fez em 'O Rei do Show'.
Em termos técnicos o figurino do filme em determinados momentos do filme está impecável, a cenografia está ótima, tanto nas passagens por Knebworth, como na performance onde Robbie tem um princípio de overdose, são cenários muito bem construídos e estavam detalhadamente desenhados para remeter os locais originais. Assim como os demais locais do longa.
Nas premiações 'Better Man' foi bem esnobado, e merecia muito, mas muito mais do que foi indicado, porque realmente é um grande trabalho...
- Levou três indicações apenas para Efeitos Visuais, no Oscar, no Critics Choice e no BAFTA, perdendo todos.
- A única premiação que o longa foi bem sucedido foi a AACTA, premiação do cinema Australiano, onde o filme recebeu 12 indicações incluindo Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Diretor... e desses 12 nomeações, levou nada mais nada menos que 10 prêmios... como Elenco, Diretor para Michael Chancey, Roteiro, Ator para Jonno Davies e Melhor Filme.
Pra mim 'Better Man' realmente surpreendeu, porque como já mencionei não é exatamente um musical pré-dito, quem assiste musicais sabe muito bem como um musical é e suas nuances, e como a música se faz presente até nas falas da história em alguns casos (vide Emília Pérez).
Acho um ótimo filme biográfico sobre um dos maiores astros que a Grã-Bretanha já viu, e que possui alguns poucos números musicais muito bem executados, e músicas da carreira de Robbie performadas no estilo musical tradicional de cinema, só que de uma forma menos formal e que serve mais a história contada e/ou a cena apresentada.
Para mim, é filme para ver e rever.
(Assistido em 26/03/25 - Cinemark Market Place)
Capitão América: Admirável Mundo Novo
2.7 378É o que a gente costuma sempre falar, e isso vem sendo uma constante nos últimos anos na Marvel Studios, quando você tem um projeto, já sólido, já escrito, já montado, e aí depois de meses do fim das gravações, você vem com refilmagens para o longa, refilmagens atrás de refilmagens, realmente o produto final não virá com aquela qualidade que se esperava quando o projeto foi anunciado.
'Capitão América: Brave New World' sofre desse mal, infelizmente, um filme que se vendia como um thriller político, igual ao que foi o ótimo e perfeito 'Capitão América O Soldado Invernal', mas que não chega nem na unha encravada daquele filme.
As regravações para encaixar o personagem de Giancarlo Esposito e colocar outras coisas que mexeram nas bases do roteiro do longa, afetaram muito a qualidade do filme, e não é que o filme ficou uma bagunça completa, na verdade ele até que é bem feitinho, tem uma boa edição, é bem montado, segue um ritmo até que bacana... mas não prende a atenção de quem assiste, é muito simples, não tem nada de impacto, é uma história bem rasa, sem tantos desdobramentos, tenta ser um thriller e não é, tenta ser grande e não é... é apenas básico.
A primeira meia hora do filme é muito boa, realmente é envolvente, já monta as peças no tabuleiro, e vemos a intriga que está acontecendo, com ótimas cenas de ação com Giancarlo Esposito, e uma boa apresentação de Harrison Ford e seu agora Presidente Ross, e uma ótima cena inicial do Capitão América enfrentando os homens da 'Sociedade da Serpente', que nos quadrinhos é uma equipe de super vilões liderada pelo Rei Cobra, e que aqui é uma força operacional clandestina meio que terrorista, que age sob o comando de Coral, sempre pegando os trabalhos que oferecem o melhor preço.
A partir do momento que o primeiro Capitão América, Isaiah Bradley, tenta assassinar o Presidente e é pego pela segurança a céu aberto, o filme acaba ficando quase no mesmo rumo, mantém o ritmo, mas cai numa obviedade muito grande, e numa simplicidade de roteiro que deixa tudo no marasmo, e aquela empolgação para ver o que vem a seguir, acaba indo embora e, pelo menos eu, fiquei no automático só esperando o longa chegar ao seu final.
Temos um ótima batalha aérea na Ilha do Tiamut (esqueci o nome da Ilha agora), onde eles lutam pela extração do Adamantium, sim ele chegou ao MCU, é uma batalha que foi bem filmada, foi bem coreografada, tem uma edição bem competente que não lhe deixa ficar perdido no meio da luta.
Temos outras cenas boas até, a luta do Capitão contra um lacaio do Coral, cara grande, musculoso, uma boa luta que termina de forma bem básica... tem um embate bom entre Capitão e Coral, mas no geral, só alguns bons momentos isolados, e uma sequência de atos e fatos que deixam o filme bem morno...
A luta do Capitão conta o Hulk Vermelho é até bacana, ali você fica com a atenção toda na tela, possui uma boa resolução e até divertiu enquanto acompanhava... mas não foi o bastante. Eu imaginava que toda a questão Ross/Hulk Vermelho vs Capitão América, iria permear boa parte do filme, que iria ditar em partes os rumos do roteiro, que iria tomar um certo coadjuvantismo dentro do roteiro do longa... mas na verdade acabou servindo apenas para pintar a batalha final do filme, que por mais que tenha sido bem montada e executada, claramente você vê que é tudo um fundo verde, em alguns momentos ficou bem plástico, ficou faltando um pouco de vida ali, algo que vimos por exemplo quando o Homem de Ferro enfrentou o Hulk em 'Vingadores Era De Ultron' na África... e também quando os Vingadores perseguiram Ossos Cruzados na Nigéria em 'Capitão América Guerra Civil', ali foi tudo mais vivo, mais coerente, mais ameaçador...
Essa luta do Capitão e de Ross ficou meio plástico com todo aquele fundo verde, apenas para os dois se esmurrarem e destruir um monte de árvore rosa e tudo o mais... Mas devo pelo menos ressaltar que antes, eles acabaram se enfrentando e destruindo metade da Casa Branca, e na perseguição ainda derrubaram mais alguns monumentos, antes de irem pro meio das folhas rosas.
Tivemos também a inclusão no roteiro de Isaiah Bradley, retornando e dessa vez como um convidado de honra de Sam Wilson para ir a Casa Branca, e logo depois do atentado, ele é preso e limado totalmente do filme, e isso é um problema aqui, além dele, o Coral de Giancarlo Esposito também tem seu protagonismo no começo do longa, e logo depois ele é totalmente limado do resto do filme, foi algo pensado para ser muito pontual e depois foi descartado do resto da história... assim como foi com Rumlow em 'Capitão América Guerra Civil'.
Tivemos a volta de mais dois personagens do filme 'O Incrível Hulk' de 2008 neste longa, Samuel Sterns, o Líder nos quadrinhos, retorna novamente interpretado por Tim Blake Nelson, em uma versão mais convincente com a realidade do MCU e com uma boa desculpa do porque ter ficado tanto tempo longe dos holofotes. Ele é o principal cabeça e idealizador da trama do filme, mas pouco também oferece ao longa, sempre orquestrando ali dos bastidores, e tendo poucas cenas onde ele contracena com os demais personagens... uma pena, pois ele poderia estar muito mais inserido na trama, mais do que já estava, tinha potencial para ser mais presente, ao invés de ficar ali só pelo 'telefone', 'walkie talkie', seja lá os meios que ele usou no filme. Acho que seria muito mais interessante ele estar ali presente, dialogando, debatendo e usando certos capangas para poder enfrentar o Capitão. Não que ele não tenha usado, pois usou, mas faltou mais participação em carne e osso, achei pouco e comedido.
Além dele, Liv Tyler retorna como Betty Ross, apenas sua segunda aparição no MCU, e depois de 17 anos ela retorna, para apenas uma cena de menos de 1 minuto... MEU DEUS Feige, tá faltando originalidade e ideias na Casa das Ideias cinematográficas. Havia muita animação em como seria essa volta da Betty ao MCU, o que ela agregaria ao roteiro ou como seria sua participação no filme, mas infelizmente, o que eu não imaginava é que seria esse desperdício total que fizeram com a atriz e com a personagem.
Uma cena de menos de 1 minuto lá no fim do filme, e outra apenas como uma voz no telefone conversando com o Presidente Ross, ou seja, só serviu como estepe, não se faz isso com uma atriz como Liv Tyler que tem muito mais a oferecer com a personagem, e nem com a personagem em si, que poderia ter uma nova direção que não fosse a ex namorada de Bruce Banner... enfim.
Achei a direção de Julius Onah boa, não comprometeu, fez muitas cenas ótimas, com ótimas tomadas, bem encenadas, com ótimas tomadas de cena, não comprometeu, fez o básico e fez bem até. Já o roteiro de Dalan Musson, Malcolm Spellman e Matthew Orton achei bem preguiçosa, bem simples, idas e vindas, três roteiristas para um filme apenas é muito, e aí fica essa salada que foi o filme, onde o Coral foi limado cedo do roteiro, Sterns ficou apenas ali nos bastidores com destaque moderado, a Ilha de Tiamut serviu apenas para uma sequência de batalha aérea, e uma luta final contra o Hulk Vermelho que foi bacana, devo confessar.
O elenco traz Anthony Mackie e seu Capitão América, que está bem inserido já no MCU, mas poderíamos ter tido um pouco mais do que foi apresentado, acho é um filme bem comedido nas ideias, faltava mais das coisas, e deixaram tudo mais básico.
Harrison Ford que agora, além de ser Han Solo e Indiana Jones, ele entra pro MCU como Thadeus Ross, que era de William Hurt que infelizmente acabou falecendo. Acho que Ross trouxe um novo frescor pro personagem, mas eu consegui ainda enxergar certas nuances de Hurt na atuação de Ross... e deram um bom destaque para ele no longa, o que me impressionou bastante, achei que ele seria mais coadjuvante e ele foi bem protagonista, um ponto bom do filme.
Volta também Danny Ramirez como o novo Falcão, Joaquim Torres, sendo o parceiro de Sam Wilson, ele tem carisma com sua atuação e era sempre bom vê-lo em cena, teve várias cenas cômicas e piadinhas sendo o alívio cômico deste filme.
Umas das melhores surpresas do filme foi Shira Haas, que fez Ruth Bat-Seraph, nos quadrinhos Ruth era a super-heroína israelense Sabra, uma mutante que atuava sob a batuta do governo israelense. Eu a vi em algumas histórias do próprio Capitão América, e de outros personagens da Marvel, e ao saber da entrada da personagem no longa, fiquei animado, porque por mais que Sabra não apareça com tanta frequência assim nos quadrinhos, no filme ela tinha muito a agregar com essa nova roupagem dela, uma nova encarnação que caiba dentro do que o MCU pede.
Logo houve algumas mudanças com a personagem depois de alguns protestos de algumas pessoas, devido a essa situação atual entre Israel e Palestina e a investida do governo norte americano pelo Presidente Trump... Depois de algumas conversas, mudaram o direcionamento de Ruth, sendo uma israelense que trabalha direto pro governo americano, direto pro Presidente Ross, e ela deixaria de ser uma mutante, para ser uma ex-Viúva Negra da Sala Vermelha. Mudanças essas que são um pouco radicais demais, mas que cabe no que o filme pede, e se encaixa no que vem acontecendo no MCU de uns anos pra cá, não é algo que vá atrapalhar o filme ou o envolvimento da personagem.
E Shira Haas foi bem demais no papel, teve uma interpretação ótimas, foi firme na atuação, vestiu bem a personagem, lhe deu essa nova roupagem, essa nova visão, teve uma ótima cena de ação no filme, fez um bom contra ponto com o Capitão América e ficaria muito feliz se ela retornasse futuramente em outros projetos do estúdio.
Retornaram também os já citados Carl Lumby (Isaiah Bradley), da série 'Falcão e o Soldado Invernal', Liv Tyler, Tim Balke Nelson e Xosha Roquemore, a irmã de Sam Wilson que trabalha direto para o presidente Ross, vinda da série 'Falcão e o Soldado Invernal'.
O Onipresente Giancarlo Esposito que esteve em 'Better Caul Saul', 'Magnatas do Crime', 'Abigail', 'MaXXXine', 'Megalópolis', 'As Tartarugas Ninja Caos Mutante', Na animação da 'Arlequina' como 'Lex Luthor', 'The Boys' e no recente 'The Electric State', e que aqui em 'Capitão América' ele faz o vilão Coral, um personagem no MCU muito bom, com muita presença de cena, algo que só a experiência de Giancarlo poderia trazer pro personagem e conseguir fazer com que caísse nas graças dos fãs de uma forma tão genuína. Apesar de Coral não ser um personagem de destaque nos quadrinhos, mas nem de longe, ele pode crescer dentro do MCU. Espero muito que ele não seja esquecido pelo estúdio, sendo que será difícil encaixá-lo em outros projetos que não estejam relacionados ao Capitão, mas ele é um ótimo adendo ao estúdio.
E ainda temos Takehiro Hira como o primeiro ministro Ozaki, Takehiro esteve na ótima série 'Xogum', com um bom papel lá, e uma performance muito boa, e aqui ele faz um político japonês, e aparece pouco no longa, tem pouco espaço para se mostrar no longa, mas no pouco que aparece deixa sua marca de performance e pelo menos para mim, foi bom vê-lo em cena.
Quem assistiu os trailers deste filme, praticamente aí pegou o filme todo, os trailers entregam muita coisa do filme, não em termos de detalhes, mas em termos de grandes cenas... enquanto eu assistia o filme eu falava, "tal cena ainda vai aparecer, tal luta ainda vai acontecer, já já chega as cenas na Ilha do Celestial, pelo visto a luta contra o Hulk Vermelho vem no fim do filme", e por aí vai. É muito fácil ler este filme se você assistiu os trailers e se lembra deles. Aí realmente foi uma bola fora do estúdio.
No final das contas, na minha visão e opinião, 'Capitão América Admirável Mundo Novo' fica no mesmo nível de 'O Incrível Hulk' do Edward Norton, sendo um filme bem medíocre, que tem pouco a mostrar e acrescentar, acaba sendo muito básico com alguns bons momentos aqui e acolá... poderia ser bem melhor do que foi idealizado, mas com essas coisas de refilmagens e inserção de personagens acabou ficando bagunçado para poder ajustá-los no roteiro, e acredito que havia um filme antes dessas mudanças, e aí virou outra coisa que vimos chegar aos cinemas, aquém do que era esperado pelos fãs.
Assim como 'O Incrível Hulk', este filme do Capitão América vai acabar caindo no esquecimento em pouco tempo, devido a sua obviedade e ser tão básico como o filme do Hulk foi, e comparado aos três filmes anteriores do Capitão América, acho que este aqui perde até para o primeiro.
Pra terminar, a cena pós crédito é uma das mais preguiçosas de todo o MCU, puramente para já chamar a atenção para os dois futuros filmes-eventos dos Vingadores que virão no futuro... pode até ter um pequeno contexto ali, mas que foi bem broxante isso foi, muito ruim.
(Assistido 19/03/2025 - Cinemark Market Place)
Blitz
2.8 49 Assista AgoraFilmes de época são sempre interessantes de se assistir, pelo menos para mim, e 'Blitz' é um filme que quando fiquei sabendo da chegada no Apple TV eu fiquei bem curioso para saber do que se tratava e como ele seria, ainda mais por ser dirigido por Steve McQueen que trabalhou em obras como 'As Viúvas', 'Small Axe' e 'Occupied City'.
'Blitz' traz o pequeno George de 9 anos, que durante a segunda guerra mundial, é enviado pela sua mãe para os campos no interior, afim de protegê-lo dos ataques que a cidade onde moravam estavam sofrendo devido a guerra. Após saber que seu filho havia abandonado o trem que rumava para o interior, sua mãe Rita, entra em desespero e abandona seu serviço para poder procurar o filho e tentar trazê-lo de volta para casa.
O filme é uma ideia original de Steve McQueen, onde ele foca mais na relação entre mãe e filho, uma mãe que quer a qualquer preço proteger seu filho dos horrores da guerra, o filho que acaba se maldizendo da mãe por mandá-lo para longe sozinho, sem entender o porque de tal ato.
Fora essa relação entre os dois, o filme foca em outros personagens de época, e um cenário de ataques sem o menor aviso e como isso impacta a rotina e a vida de quem mora por aquela região.
A premissa do filme é muito boa, mas nós temos alguns personagens muito fantasiosos no roteiro escrito por McQueen, alguns deles funcionam bem, como Ife e Doris, já outros parecem ter saído de uma história em quadrinhos como Albert, Beryl e Agnes, e outros são completamente inúteis como Jack.
Steve McQueen começa bem o filme já nos situando de muita coisa, aonde moram, como é o dia a dia, os ataques, na relação de mãe e filho, criando as situações que vão levar aos eventos que acompanharemos... mas depois aí de mais ou menos 40 minutos de filme, McQueen acaba indo para um lado que deixam as coisas fora do que ele estava arquitetando para nos apresentar. Eu acho que toda a jornada de George é muito boa e a mais interessante do filme, mas até quando ele encontra aquela galera que roubam as coisas dos locais atacados, fica muito fantasioso, meio que sai do tom proposto pelo próprio diretor.
Acho que George é o personagem mais interessante do filme, e é meio impossível não se pegar torcendo para que ele consiga retornar para sua família. Em todas as suas passagens ele nos cativa, quando conhece os garotos que estão no trem, quando encontra o policial Ife, onde testemunhamos uma parceria bem bonita, uma das melhores passagens do filme, e depois quando encontra a gangue de ladrões, acaba fugindo um pouco do tom proposto, não me afeiçoei tanto a essa passagem, mas ainda é bem inserido na jornada do garoto.
E falando nessa gangue, a cena onde as pessoas de elite estão no salão jantando, com aquela banda de músicos pretos, o rapaz dançando, e todos lá comendo do bom e do melhor, e de repente... cara, uma das melhores cenas do filme, aquilo ali é de impactar e chocar e imaginar como foi na época de verdade, as coisas semelhantes que podem ter acontecido. McQueen foi feliz nessa cena, ficou muito bem filmado, parece algo fora do filme, um comercial sabe, até me peguei perguntando, "tá, mas o que está acontecendo agora no filme?", e aí vem aquela sequência toda... muito bom!
Falando no elenco, o longa é protagonizado por Saiorse Ronan (de Atoenment e Little Girls) que faz Rita, mãe de George, Ronan está ótima no filme, como sempre faz nos trabalhos onde ela aparece. Ela traz aquele senso de desespero quando perde o seu filho que foge do trem, e tem aquela doçura nas cenas onde está com ele, bem no começo do longa... acho que como o filme começa a ir para tons distintos apresentando muitas passagens que fogem do discurso inicial que McQueen quer passar com seu roteiro, sua personagem começa a exigir menos dela, mas ainda assim é um trabalho bem convincente como sempre de Saoirse.
O Garoto Elliott Hefferman, faz George, e que achado é esse menino... um ótimo ator, uma veia artística perfeita que vai do cômico, ao drama, à normalidade muito fácil. Ele entrega muitas nuances distintas em uma cena só, e ele se saiu bem com todos os atores que contracenou, e olha que ele contracenou praticamente com o elenco inteiro, e só nome de peso como Stephen Graham e Paul Weller. Foi o melhor do filme de longe, com certeza.
Stephen Graham, do incrível filme em plano sequência 'Boiling Point', faz Albert, o líder dos charlatões que assaltam os locais atingidos pelos aviões, e roubam as coisas de valor para se darem bem/sobreviverem. Seu personagem e os demais da gangue tiveram pouco destaque, foi bem moderado, mas no pouco que apareceu ele entregou aquela performance que quem já acompanha o seu trabalho, já reconhece de cara... junto a ele esteve Kathy Burke que fez Beryl, e ela também esteve incrível na personagem, gostei muito da atuação rígida dela.
Nessa gangue ainda tivemos Christopher Chung, que fez Fred, praticamente não teve fala, mas eu o conheço da ótima série 'Slow Horses'.
Tivemos dois monstros da música no elenco também, Paul Weller, líder da banda 'The Jam' e amigo pessoal de Noel Gallagher do Oasis, fez Gerald, pai de Rita e avô de George. Além de atuar bem, teve uma cena onde canta e toca com Saoirse e Elliott, e foi legal vê-lo atuar, nunca tinha visto Weller como ator.
Outro que nunca vi atuando também e não sabia que era ator é o músico Benjamin Clementine que aqui faz Ife, policial que ajuda George em uma parte de sua jornada de voltar para casa... Benjamin eu conheço da parceria que ele fez com o Gorillaz, Banda virtual criada pelo Damon Albarn, líder do Blur e Jamie Hewllet, desenhista da HQ 'Tank Girl'. Eles compuseram juntos a música 'Hallelujah Money' que está no disco 'Humanz' do Gorillaz, e teve umas polêmicas na época com relação a música, mas aí é outra história.
No filme Benjamin está muito, mas muito bem como o policial que auxilia George, gostei demais de sua atuação, me surpreendi e gostaria de ver mais trabalhos com ele... obviamente ele canta também no filme em uma cena com Elliott.
Erin Kellyman que fez a vilã na série 'Falcão e o Soldado Invernal' da Marvel, fez aqui Doris, em uma aparição menor, mas eu a acho uma ótima atriz e gostei de vê-la novamente em cena.
Mas queria mesmo falar de Harris Dickinson, que fez Jack, interesse amoroso de Rita, e um dos homens que estavam na linha de frente na guerra... estava ali sempre pronto pra ajudar Rita, porém, como foi mal inserido na trama pelo Steve McQueen, pois Jack não serve pra nada, não faz nada, não ajuda em nada, e é um completo inútil em cena e na trama. Sério, fiquei me perguntando o que raios McQueen tinha na cabeça para fazer com que esse personagem não servisse para nada... deu até dó de ver o Harris Dickinson tão largado no filme, não tinha nada para ele trabalhar, e ficou aquela coisa que não sai de canto nenhum e vai para nenhum lugar. Foi no mínimo desconcertante.
Nem vou dizer que é o pior filme de Dickinson porque ele mal atuou aqui, nem teve páginas para trabalhar, e mal teve falas no filme... o ator de 'Triângulo da Tristeza', 'Babygirl', 'Garra de Ferro' errou a mão ao aceitar esse papel... porque nem papel teve.
A trilha sonora foi do gênio Hanz Zimmer, que fez uma ótima composição aqui, as canções compõem bem as passagens do longa, e mantém nossa atenção na cena em questão fazendo ela crescer mais em tensão do que esperávamos... mais um bom trabalho do gênio, claro que não é aquela composição que iremos lembrar por anos a fio como foi em 'Inception', 'The Dark Knight', 'Interstellar' e o recente 'Duna', mas é um trabalho que veste bem o filme.
Não gostei muito do final do longa, achei muito promissor, muito fora do que foi construído durante a jornada de George, a procura de Rita e os ataques que ocorriam na região onde moravam... Alguém lembra do final de 'Guerra dos Mundos'? Sabe, um final muito preguiçoso, e eu esperava algo mais condizente com o que foi apresentado. Se criticarem esse final, realmente não terá como defender, eu esperava muito mais, algo bem mais criativo ou original.
'Blitz' é uma boa ideia, uma boa premissa, que daria pra ser uma boa peça cinematográfica, mas que se perde um pouco no que quer mostrar ao público, e em sua concepção. Algumas passagens fantasiosas demais, uma desviada no argumento que queria apresentar no longa, personagens que não servem pra nada, e outros que poderiam aparecer mais e ficam só no raso.
É um filme que no final das contas deixa a desejar em pontos muito importantes, mas ainda assim nos premia com boas cenas, bons momentos, e em certas partes de suas 2h de duração consegue nos entreter.
Nas premiações o longa recebeu 3 indicações ao BAFTA nas categorias de Melhor Filme Britânico, Melhor Som, Melhor Figurino;
No Critics Choice Awards o jovem Elliott Hefferman levou a indicação para Melhor Jovem Ator/Atriz, perdendo para Maisy Stella de 'My Old Ass'.
No Satellite Awards levou a indicação de Melhor Figurino... não levou nenhum prêmio a que foi indicado.
(Assistido em 13/02/2025 - Apple TV)
Vingadores: Doutor Destino
10Meu Amigo, trouxeram os X-Men da Fox de volta, Sir Ian McKellen, fiquei feliz demais com a volta dele, monstro da atuação... meu Lorde Donut James Marsden como Ciclope novamente, Rebbeca Romjin volta com sua Mística, espero que a mantenham como a clássica vilã, e Alan Cumming? Voltando do limbo como o icônico Noturno da cena de abertura de X-Men 2? Copiado pelo Shadow no filme Sonic 3...
Quarteto Fantástico, Thunderbolts, Loki, Vingadores... vai ser épico, Brasil!
A Verdadeira Dor
3.5 234 Assista AgoraEu não lembro a primeira vez que eu vi um filme do Jesse Eisenberg, eu fico achando que foi mesmo com 'A Rede Social', mas a impressão que me dá e que eu já havia visto algo dele antes, e foi outra coisa além de 'Zumbilândia'.
Mas enfim, mesmo vendo produções futuras dele, como o Lex Luthor de 'Batman vs Superman', eu não achava que ele tinha na veia, ainda, esse viés de diretor, sendo que o primeiro filme que ele dirigiu eu ainda não assisti, e acho que nem sabia que ele tinha dirigido um filme, porque fiquei muito surpreso ao ver que ele era o diretor e também roteirista deste filme.
Mas 'A Verdadeira Dor' no meu ponto de vista é um filmaço, tão curto com apenas 1h30 de duração, poderia ter facilmente mais 1 hora que eu não acharia ruim... eu faço parte da turma que enaltece o filme, o roteiro e as performances e acredito que é uma das melhores novas comédias deste ano.
O roteiro de Eisemberg é certeiro, o texto é muito rico, as falas são tão naturais e levam direto ao ponto do que o personagem quer dizer, do que ele sente, do que ele está tentando demonstrar... acho que ele foi muito feliz em centrar essa história no personagem Benji, porque ele é o coração do filme, é a peça da engrenagem que faz ele rodar e funcionar e existir.
É muito poético o filme começar com Benji sentado no banco do aeroporto esperando David chegar, e acabar exatamente com Benji sentado no banco do aeroporto depois de David ter partido. Nessa frame, nessa tomada final, focada ali no rosto de Benji, nossa aquilo diz tanta coisa, mas tanta coisa sobre o o que o personagem sente, o que ele passa, o que o cerca, a sua realidade atual... aquela pequena tomada com Benji mais ou menos descontraído, olhando o celular da pessoa ao lado e olhando para o aeroporto e as pessoas passando, aquilo ali é lindo, é arte pura, é uma riqueza... porque depois de ter assistido todo o filme, ter conhecido Benji, sua personalidade, as coisas que ele compartilhou com os outros personagens e consequentemente com o público, e outras coisas confidencializadas por David às outras pessoas da viagem... depois de presenciar tudo isso, eu como espectador, ver aquela cena final... você vê a verdadeira dor de Benji, pura depressão, pura perdição, não sabe onde se encaixar, não sabe o que fazer, não sabe o que quer, e é uma necessidade de viver, de existir, de ser e estar, mas ao mesmo tempo está lá, a depressão, consumindo Benji aos poucos, cada vez mais levando e apagando o brilho embora, aos poucos, e no comportamento dele você também consegue observar isso.
Acho que Eisembreg foi muito feliz no roteiro que criou, manifestando isso ao espectador de uma forma tão transparente e amigável, e simples, não é algo carregado, algo pesado... é aquele papo, depressão a gente não sabe quando a pessoa tem, muita gente só descobre se a pessoa lhe fala, se é diagnosticada, e às vezes só se percebe depois que a pessoa se vai.
E Eisemberg escreveu Benji muito bem, sendo que ele é todo despojado, fala na lata, é desenrolado, se dá bem com todo mundo, é pra frente, fala o que pensa e faz o que dá na telha.Mais carismático impossível. E está ali o quadro depressivo que o faz sair do controle às vezes, falar o que não deve, agir do jeito que não deve agir... Benji realmente precisava da viagem, mas pelo visto ela não surtiu o efeito que ele esperava.
David e Benji são bem distintos um do outro, mas ao mesmo tempo eles se complementam, mesmo tendo atrito entre os dois durante a viagem, uns pequenos arranca rabos, algumas desavenças para tratar do passado, algumas coisas que nunca foram verbalizadas que incomodavam mais David do que Benji.
David é mais centrado, tem o controle da vida, tem uma família que deixou para trás para fazer essa viagem, tem a vida nos eixos, e vê em Benji tudo o que ele não gostaria de ser, tudo o que considera ser errado em uma pessoa, mas ao mesmo tempo embarca nas loucuras que Benji apronta, meio que se sente vivo quando se deixa levar pelas coisas que Benji inventa de fazer que vai contra o normal das pessoas comuns.
Jesse Eisemberg faz David, preferiu pegar o personagem mais centrado, mais certinho, e meio que caiu bem em seu estilo de atuação. Quem se lembra dele em 'Batman vs Superman', bem despirocado, meio menino maluquinho, meio fora da casa, viu que foi um Lex Luthor bem diferente do que estávamos acostumados em ver nas mais diferentes versões do personagem. Meio que não colou muito o estilo de atuação dele com um personagem tão cheio de nuances negativas como Luthor é.
O mesmo cabe aqui, e dentro do que David é no filme, Jesse fez um bom trabalho, e meio que David é nossos olhos dentro do filme, entramos naquela pequena história pelos olhos de David, meio que sabemos de todas as nuances que permeiam aqueles eventos por David. É uma atuação muito boa, bem decente, mas que acaba se ofuscando pela presença de Kieran Culkin.
Kieran que fez Benji, é a alma do filme, é ele que nos fisga desde os primeiros segundos em que aparece, é ele quem nos guia e nos ganha durante todo o filme. Sua personalidade é gigante, meio que engloba todo mundo, mesmo quem não gosta acaba se deixando levar pela pessoa, pela bagunça atraente que ele é... ora está bem e acaba sendo uma ótima companhia, ora lhe dá uma recaída e vira uma metralhadora disparando, sem se importar com o que vão achar ou deixar de achar.
Muitos dizem que Kieran meio que não interpretou, ele foi ele mesmo, e eu já discordo... acho que Kieran compreendeu o personagem, as suas fraquezas, suas dores, suas vontades, e colocou pra fora aquilo que ele enxergou em Benji, que é um cara de boa, que vive ao seu próprio modo, sem ter medo de quem lhe cerca, sendo dono da sua própria voz... mas com essa inquietação dentro de si, esse momento negro que vive, um misto de necessidade e tristeza, pertencimento e acolhimento e um deslocamento enorme que não cabe em si e não se explica.
O filme é gostoso de se acompanhar, possui um ritmo reto e direto, sem firulas, o tempo passa voando, e tanto Benji como David meio que inflamam o longa, eles são uma presença tão grande, em forma de texto, de presença de tela, que ficamos sufocados no bom sentido, de vermos vertentes tão distintas em forma de amigos/parentes.
Eu já elogiei o roteiro do longa e não à toa ele foi muito premiado nesta temporada de cinema, com 4 prêmios no BAFTA, Satellite Awards, AACTA de cinema Australiano e Spirits Awards de Filmes Independentes. Ainda foi indicado ao Oscar, Critics Choice e Globo de Ouro.
Já Kieran Culkin fez a limpa nas premiações como Ator Coadjuvante levando tudo, incluindo o Spirits Awards, e foi mais do que merecido, seria o meu voto em todas essas premiações, mesmo tendo as demais indicações sendo ótimas e com vontade de premiar várias delas, como a de Jeremy Strong ou Clarence Maclin, eu vejo que este ano foi de Kieran, pois sua atuação, em minha mais modesta opinião, foi arrebatadora... é algo que não acontece assim com tanta frequência durante os anos, essa unanimidade, tendo nos anos anteriores acontecido com Joaquim 'Coringa' Phoenix e Daniel Kaluuya.
O filme ainda levou o prêmio de Melhor Comédia no Critics Choice Awards empatando com 'Deadpool & Wolverine'.
Jesse Eisemberg dirigiu, roteirizou e produziu, e teve ainda apoio de Emma Stone e sua produtora de filmes, para fazer com que o filme alcançasse o número de salas suficientes para atingir o máximo de público possível.
Foi um dos grandes filmes deste ano de 2025, uma vez que estreou aqui este ano, e levou prêmios importantes de Roteiro e uma merecida aclamação para a atuação esplêndida de Kieran Culkin...
Engraçado que eu não ligava o sobrenome de Kieran ao de Macaulin Culkin, uma vez que ouvi mesmo falar de Kieran com a série 'Succession'. Qual foi minha surpresa ao descobrir que eram irmãos.
(Assistido em 07/02/2025 - Cinemark Santa Cruz)
Conclave
3.9 825 Assista AgoraHá dois anos atrás, Edward Berger fez a limpa nas premiações levando Filme Internacional quando dirigiu a refilmagem de 'Nada De Novo no Front', um filmaço que representou a Alemanha no Oscar, e mereceu vencer todos os prêmios que conquistou, sendo o tipo de trabalho que a Netflix deveria investir mais, pois teve conteúdo e coração naquele longa.
Eis que este ano, Berger retorna com um filme que para mim pessoalmente, tem uma temática que muito me agrada e sempre é um assunto interessante, vide o ótimo 'Dois Papas', que também é Netflix, de Fernando Meirelles, que também concorreu a prêmios em algumas premiações.
'Conclave' é um filme onde a temática já está no nome e quem já está na casa dos 40 como eu, já viu esse processo acontecer mais de duas vezes, e é claro, não internamente, mas sim acompanhando os plantões pelos tele-jornalísticos, com entradas ao vivo, dias a fio esperando o processo se encerrar, e aí vir aquela famosa fumaça que declara a escolha do pontifície.
O roteiro é de Peter Straughan que não tem muitos filmes assim de destaque como roteirista, sendo que 'Conclave' ´-e o seu primeiro filme de destaque mesmo, e ainda conseguiu ser indicado nas premiações e levar prêmios, ou seja, é seu melhor trabalho como roteirista de longas metragens.
E é um ótimo trabalho, pois boa parte do sucesso e da diversão de assistir o filme, é o ótimo roteiro que conduz bem os personagens durante o longa, lhes dando protagonismo na medida certa, com cada um com suas falas de destaque e seu momento de aparecer e mexer ainda mais com o conclave que acontece em Roma. O texto que Peter escreveu também para seus personagens é muito bom, mas muito bom, eu mesmo fiquei ali colado na tela, hipnotizado pelas discussões políticas e morais que os personagens tinham uns com os outros, e pelas costas também... o texto move as ações dos personagens e faz o filme andar de uma forma natural e automática que as 2h de filme mal passam e, claro, automaticamente, os personagens acabam ganhando carisma, com a ajuda também de seus atores.
Por falar no elenco, o que posso dizer de Ralph Fiennoes, indicado ao Oscar por 'O Jardineiro Fiel' e 'O Paciente Inglês', fez parte das séries 'Harry Potter' e 'James Bond', um ator inglês renomado e respeitado, e que aqui entrega, o que algumas pessoas dizem, o melhor trabalho de sua carreira, fazendo o Padre Lawrence, que está a frente do Conclave que se realiza após a morte do atual regente da catedral, e ele está perfeito no longa, uma atuação segura e destemida, um comprometimento incrível, e uma leveza para atuar que só alguém com sua experiência possui... mesclando a seriedade do momento, com a responsabilidade do personagem em conduzir o conclave, e momentos cômicos não intencionais, que foi uma das maiores surpresas do longa. As partes cômicas, não são intencionais, pelo contrário, os atos levam a esse lado cômico mais por conta da personalidade dos personagens e do momento que eles encaram.
John Lightow que é um monstro do cinema mundial, astro de filmes antigos como 'Footloose', '2010 O Ano em Que Faremos Contato', 'O Dossiê Pelicano', 'Dreamgirls', passando pela série de sucesso '30 Rock' e 'Dexter', fazendo dublagem em 'Shrek' e 'Os Anjinhos em Paris', até os filmes mais recentes como 'Interstellar', 'A Escolha Perfeita 3', 'The Crown', 'Bombshell', 'Killers of The Flower Moon'... que currículo desse ator GIGANTE, que faz Tremblay, um padre mais conservador, que é um dos favoritos para assumir o papel de novo papa e traz aquela atuação matadora, certeira, séria, prostrada, foi perfeito em cena, foi 10 de 10, elogiar Lightow é chover no molhado e entrar em repetição... como é bom vê-lo atuando já entrando aos 80 anos de idade.
Stanley Tucci, outro monstro da atuação, se eu for citar o currículo dele aqui, vão ser linhas e linhas, mas apenas aconselho vocês a fazer uma maratona Stanley Tucci, porque é muito filme bom, 'Capitão América O Primeiro Vingador', 'O Terminal', franquia 'Jogos Vorazes', 'Muppets 2', 'Por Uma Vida Menos Ordinária', 'O Dossiê Pelicano', enfim... interpretando Bellini, um dos principais favoritos para ser indicado como novo Papa, Stanley merecia muito ser lembrado nas premiações para Ator Coadjuvante, porque sua atuação foi perfeita. Foi um deleite vê-lo em cena, debatendo com Lawrence e Tremblay, buscando angariar os votos necessários para poder vencer, e mostrando certas verdades do que acontece politicamente dentro do capitólio romano, e as responsabilidades que o Sumo Pontifície deve assumir e os sacrifícios que terá que fazer em sua vida pessoal para poder assumir tal posto.
Era possível ver em seus trejeitos, em suas feições, todo um trabalho de interpretação, de entrega ao personagem, de respeito ao projeto, que Stanley teve uma das melhores atuações do filme, e sequer foi lembrado nas premiações deste ano, o que é uma pena porque ele merecia toda essa lembrança pelo trabalho que ele entregou. Mais uma grande atuação que ele entrega em sua carreira e em seu currículo de grandes filmes.
Isabella Rossellini que fez Agnes, foi sim lembrada por sua atuação de Agnes para Atriz Coadjuvante, e acho que ela esteve bem no filme, suas aparições eram pontuais e com um texto que a favorecia e fazia a personagem ter destaque nas ações que aconteciam durante o conclave... tendo aí umas duas cenas onde ela se destaca, reproduzindo um texto que favorece a personagem perante aos fatos que se sucedem.
Porém, eu pessoalmente, não indicaria Isabella a Atriz Coadjuvante, pelo menos ao Oscar, acho que foi uma boa participação, mas insuficiente para ser lembrada e ser indicada ao principal prêmio, muito menos de ser premiada... não tem nada de errado em sua atuação, mas não tem nada de demais, tem ali a entrega, a profissionalidade, mas eu vejo como uma atuação ok, providencial, sem muitos quesitos para indicações.
Destaco também dois atores, Carlos Diehz que fez o ótimo Padre Benitez, que tem um papel enorme dentro do longa, e sua atuação é serena e certeira, muito boa... e também Lucian Msamati, que fez o padre Adeyemi que teve um ótimo destaque no longa, e dentro desse destaque, Lucian fez um bom trabalho com seu personagem, fazendo com que, pelo menos eu, torcesse para o sucesso do personagem, e assim espero, os demais espectadores que conferiam o longa.
A trilha sonora é de Volker Bertelmann, que trabalhou em 'O Corvo' e 'Uma Vida - A História de Nicholas Winton', e em 'Conclave' traz uma ótima trilha, bem envolvente, que se mescla bem as cenas que se sucedem aos eventos dentro do capitólio romano, crescendo na hora certa, e contemplando as ações e pensamentos dos padres envolvidos na escolha do novo Sumo Pontifície.
Tecnicamente também o filme é ótimo, Fotografia, Design de Produção, Figurino... muitas e muitas cenas onde a fotografia se sobressai, principalmente dentro do capitólio romano, e algumas cenas em cômodos fechados, e a cenografia é ótima, tudo muito bem construído e decorado para remeter a Basílica de São Pedro, seus aposentos, e sua arquitetura.
O figurino é de outro mundo, tudo muito detalhado, muito bem costurado, muito bem feito, rico em detalhes, os personagens estão refletindo bem em termos de roupagem, quem frequenta o Vaticano, e é um trabalho assim esplêndido de Lisy CHristl, que trabalhou em filmes como 'O Ataque', 'Independence Day O Ressurgimento' e 'Nada de Novo no Front'.
Destaco a grande e já famosa cena do ataque terrorista ao Vaticano quando todos os padres estão contando os votos e Lawrence está no púpito prestes a falar, e aco0ntece o ataque, com a cena em câmera lenta, mostrando as paredes sendo destroçadas e caindo no salão principal, sendo mostrado em câmera lenta e plano aberto, mostrando uma ótima e bela fotografia, um ótimo efeito visual, e uma cena que marcou o filme.
Gostei muito de 'Conclave', para mim foi mais um grande e ótimo trabalho de Edward Berger, sua direção aqui está no mesmo patamar do filme anterior, sendo que o filme prende a nossa atenção assim como 'Nada de Novo no Front' também prendeu, e nisso, Berger está mostrando que é mestre em seus filmes, de nos transportar para o longa e nos prender a ele, de uma forma que fiquemos envolvidos sem ficarmos enfadonhos, e fazer seus personagens serem tão carismáticos e interessantes, que nos ganham já de cara.
Difícil achar ali um defeito claro no longa, não há nada ali que me canse ou que faça com que eu diga algo negativo de uma passagem ou outra... até porque como não é um longo muito dramático ou de ação ou algo do tipo, o texto tem que ser matador, porque ele é quem vai ditar o ritmo de todo o filme, e nesse caso o roteiro é ótimo, e um dos pontos alto do filme.
Pessoalmente, acho que 'Conclave' foi um pouco mais filme que 'Anora', e daria a ele o prêmio de Melhor Filme no Oscar, porém, ainda não assisti 'O Brutalista', portanto não posso bater o martelo assim de forma certeira. Claro que a minha escolha seria 'Ainda Estou Aqui' acima de todos os filmes, a princípio, por não ter visto 'O Brutalista' ainda... maaaas, era quem eu votaria, a princípio para Melhor Filme, pois 'Conclave' é bem completo e possui um roteiro e um texto muito coeso que conduz bem o filme e prende o espectador de uma forma que não canse quem assiste e o mantenha entretido durante suas 2 horas de duração.
Agora as indicações e os prêmios nessa temporada vitoriosa até para o longa:
-No Globo de Ouro foram seis indicações, incluindo Melhor Filme, Ator e Atriz Coadjuvante, levando apenas o prêmio de Melhor Roteiro para Peter Straughan;
-No Critics Choice Awards foram 11 indicações incluindo Melhor Filme, Diretor, Ator e Atriz Coadjuvante, levando apenas 2 prêmios, Melhor Elenco e Melhor Roteiro;
-No Satellite Awards foram oito indicações, incluindo Melhor Filme, Direção, Roteiro, Ator e Atriz Coadjuvante, mas não foi premiado;
-No BAFTA foram 12 indicações, e mesmo levando só 4 prêmios, foi o maior vencedor da noite por ter levado os principais da premiação, conquistando Melhor Filme, Melhor Filme Britânico, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição;
-No SAG's Awards foram duas indicações e a vitória na principal categoria da noite, Melhor Elenco em Filme, batendo 'Anora';
-No Oscar, finalmente, foram 8 indicações, e apenas um prêmio de Melhor Roteiro Adaptado, tendo perdido Melhor Filme para 'Anora', Ator, Atriz Coadjuvante, Trilha Sonora.
Tanto Ralph Fiennes e Isabella Rossellini que foram indicados a Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante, não levaram nenhum prêmio nessa temporada nas premiações televisionadas. Apenas Ralph Fiennes que levou Melhor Ator na premiação de cinema Australiano.
Por mais que o longa tenha perdido tantos prêmios, e Berger sequer foi indicado a Direção no Oscar, o filme saiu como o principal vencedor do BAFTA, uma vez que o filme é britânico, e o cinema britânico acabou aclamando o longa de Berger com os dois principais prêmios da noite, Melhor Filme e Melhor Filme Britânico... sendo que geralmente quando o filme é indicado nas duas categorias, acaba levando um, e o outro não leva... mas são raras as exceções que o filme acaba levando os dois, e este ano 'Conclave' conseguiu a fazer essa proeza.
(Assistido em 27/01/2025 - Cine Belas Artes)
Love Lies Bleeding: O Amor Sangra
3.5 276 Assista Agora'Love Lies Bleeding' teve uma estreia de gala no Festival de Cannes, em Berlim, com o elenco dando muitas entrevistas, com o filme sendo muito elogiado, com a Kristen Stewart sendo muito elogiada também por sua performance no filme, e se criou uma expectativa para quando o filme chegasse aos cinemas convencionais e as pessoas pudessem conferir este novo longa de Rose Glass.
Depois de eu conferir o longa (perdi a estreia nos cinemas), não compactuei com a opinião dos críticos dos festivais quando o filme estreou. Claro que não chega a ser um filme ruim, mas é muito clichê em várias partes, possui uma mudança de tom que ao meu ver deu uma bagunçada no desenvolvimento final do filme, e um final que é viajado demais, sem ligação coerente com o que foi proposto durante todo o filme, e uma conclusão que remete muito aos filmes B da década de 90, meio sem pé nem cabeça, mas querendo ter aquele ar de Cult moderno.
Rose Glass já vinha de uma sucesso independente muito barulhento chamado, 'Saint Maud', que fez sucesso nas premiações independentes como o Gotham Awards e a alçou a poder dar vida aos seus demais roteiros por estúdios e produtoras de mais renome, como é o caso de 'Love Lies Bleeding' que é uma produção conjunta da Film4 e a A24 Films, duas fortes produtoras de filmes que possui uma ampla distribuição, não só no Reino Unido como nos Estados Unidos.
O que gostei muito no filme foi o fato de Glass retratar bem os anos 80 em seu roteiro e também externamente, com uma ótima direção de arte de que nos traz automóveis e objetos da época de maneira bem fiel. A forma como a fotografia também dá uma cansada nas imagens, como se o filme tivesse sido rodado naquela época também ficou algo muito marcante para mim enquanto assistia o filme.
As duas protagonistas prenderam minha atenção enquanto as coisas aconteciam em tela, elas tinham uma boa química em tela, e até o ato final, pelo menos comigo, criou um vínculo onde você esperava que elas resolvessem a questão que estavam lidando, sem sair ruim para nenhuma das duas.
A direção de Rose Glass também agradou, sendo que ela conseguiu fazer com que seu elenco tivesse atuações de razoáveis para boa, e houve algumas tomadas de câmera interessantes que nos faz prestar atenção, e enxergar novas maneiras de se lidar com uma cena.
Gostei muito da atuação de Kristen Stewart no longa, acho que ela esteve muito bem a vontade no papel, agora que publicamente ela é uma mulher bi assumida, e está envolvida em projetos que tenham essa temática bissexual ou homossexual, para poder contar histórias que tenham a ver com sua sexualidade.
É uma atuação mais centrada, mais inspirada, mais segura, mais coesa, se percebe que ela está a vontade com a personagem e que sai com naturalidade tudo que ela enxergou para dar vida a Lou. A diferença é nítida, comparada a outros filmes da carreira de Stewart, é um caminho dela a se seguir e poder entregar ótimas performances com ótimas temáticas que vestem bem o que Kristen está disposta performar.
Katy O'Brian é uma atriz que já vi em algumas produções da Marvel em papéis menores como em 'Agents of SHIELD' onde ela fez Kimball, em 'Homem-Formiga e a Vespa Quantumania' onde ela fez Jentorra, na CW/DC ela fez a Major Sara Grey na série 'Raio Negro', e ainda esteve no filme 'Twisters'.
Ela também está ótima aqui no filme, conduziu muito bem um papel mais dramático, com ares de cômico em alguns momentos, e dava pra ver essa nuance dela na série 'Raio Negro' onde ela era exigida com uma carga mais séria, mais durona, no pouco que ela aparecia. Acho que ela fez uma ótima parceira com Kristen, nas cenas mais íntimas as duas foram muito bem, e foi ótimo Rose Glass ter dado essa oportunidade para ela mostrar um pouco mais da sua versatilidade como atriz, e que merece mais papéis de destaque, e não só ficar escondida em papéis menores, e que pode entregar um performance convincente.
Destaco também as ótimas Jena Malone (de Orgulho e Preconceito e Na Natureza Selvagem) como Beth e Anna Barishnykov como Daisy, as duas estiveram ótimas em seus personagens e tiveram interpretações muito boas.
Dave Franco que fez o marido de Beth, JJ, fez aquele tipo de papel mais clichezão, do marido agressor que sempre está destratando a esposa e arranja encrenca com os membros da família que tentam ajudar, não teve nada demais.
E Ed Harris, que dispensa comentários como ator e diretor, fez o pai de Lou, que comanda toda a parada barra pesada da pequena cidade onde eles moram e tem uma ótima participação no longa, com o roteiro lhe favorecendo em cenas chave, e tendo bons texto com Kristen Stewart e Katy O'Brian.
O final do longa é meio viajado demais, todo aquele lance de Jackie crescer de tamanho e atacar Lou Sr. e em seguida sair em fuga com Lou, as duas gigantonas... aquilo, claro, só pode ser uma liberdade criativa, uma saída metalinguística escolhida pela diretora, que obviamente irá funcionar com alguns espectadores e alguns críticos especializados de cinema, mas no meu caso, eu achei meio exagerado, para algo que estava sendo conduzido de uma forma bem honesta, bem séria.
Aquela cena quando os créditos sobe também não achei assim tão plausível, com Daisy ainda viva na picape do carro, apesar de que quando ela tomou o tiro, deu pra perceber que quando ela estava caída ao chão e a câmera se aproximou, deu ara ver um pouco de respiração nela... achei que era só algo que passou despercebido na continuidade, mas na cena final mostrou que eu não estava vendo coisas... e aí Lou a mata assim sem mais nem menos e a arrasta para o meio do mato...enfim, um final que para mim, pessoalmente, não colou muito com o que assisti desde o começo, com aquilo que foi proposto.
Enfim, 'Love Lies Bleeding' é um filme muito bem conduzido pela Rose Glass, é um ótimo entretenimento, que é o que um filme deve ser em primeiro lugar, tem boas interpretações e um ritmo muito bem acentuado, e uma história que prende a atenção...mas que perde o rumo quando chega ao seu ato final, se torna um clichê que já sabemos para que caminho vai, e escolhe uma conclusão meio fantasiosa, e possui uma cena de créditos que quer ser cômica, mas que apenas para mim, não caiu legal, não colou.
Em termos de premiações, o longa recebeu 12 indicações ao prêmio de cinema independente Britânico, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretora e Melhor Roteiro, mas levou apenas 1 único prêmio, de Melhor Cinematografia.
No Gotham Awards foi indicado a Melhor Performance Coadjuvante para Katy O'Brian, perdendo para Clarence Maclin de 'Sing Sing'.
No Spirits Awards foi indicado a Melhor Performance Estreante para Katy O'Brian, perdendo para Maisy Stella de 'My Old Ass'.
No BAFTA foi indicado a Melhor Filme Britânico, perdendo para 'Conclave'.
(Assistido em 09/02/2025 - Max)
As Marvels
2.7 458Demorei pra escrever sobre esse filme, mas desde que saí da sala de cinema, já estava na minha cabeça que eu ia falar... Que Filme Ruim!!!
Teve gente que tentou defender, teve pessoas que passou um pano pros defeitos, teve gente que fez vista grossa, e teve as meninas em uma live do Omelete defendendo com unhas e dentes o filme, fora a crítica escrita pela Mariana Casinhares que deu 4 ovos, falou que ótimo e disse que resgata o espírito da Fase Um da Marvel Studios.
Mas nunca que resgata espírito nenhum... nunca que o filme deu humanidade e blá blá blá... quanta gente sem noção pra defender filme só porque tem protagonismo feminino.
Mas vamos lá, a 'Capitã Marvel 2' no meio do processo, depois de baterem o martelo pela série a Ms. Marvel, acabou se tornando 'As Marvels', trazendo a Kamala Khan e a Monica Rambeau, que ganhou poderes em 'WandaVision'.
Eu, na sala dos produtores, seria o primeiro a abraçar a ideia de um filme tendo as três Marvels juntas, é uma ideia interessante, tem tudo para dar certo com um bom roteiro e é um blockbuster que pode ter um sucesso se for lançado ali no verão americano. Portanto a ideia é fantástica e muito acertada por sinal.
Junte-se a isso fato de trazerem Nia Da Costa para dirigir, que fez o ótimo 'A Lenda de Candyman', e tinha tudo para mostrar um excelente trabalho trazendo suas ideias originais para o andamento e montagem do longa.
Porém, o problema já começa quando começamos a ter as famosas refilmagens, para acertar algumas coisas do longa ou adicionar algumas cenas que só servem para apontar alguma coisa do futuro de projetos do estúdio, ou introduzir algum outro personagem, e garanto que a Valquíria da Thessa Thompson está incluso nesse processo de refilmagens.
O filme chega finalmente aos cinemas e qual a minha decepção, além de ser curto com 1h40 e poucos minutos, e o roteiro de Megan McDonnell e da própria Nia Da Costa que deixou o filme pobre de ideias e com muitas cenas e falas sem inspiração.
O que eu não gostei no filme é o fato de termos uma história mal desenvolvida, onde Carol deixa Hala no mais completo breu depois de aniquilar a Inteligência Suprema, mais um personagem Marvel que é desperdiçado no MCU, e então temos Dar-Benn que assume a posição de governanta de Hala e busca uma forma de salvar o planeta e destruir a Capitã Marvel.
Nós temos o outro bracelete quântico que Dar-Benn encontra em algum lugar do espaço, sem muita origem, da mesma forma que o bracelete foi apresentado na série da Ms. Marvel. Temos também já no começo do filme o entrelaçamento entre as três protagonistas por causa de um clarão que é gerado pelo bracelete encontrado e usado por Dar-Benn... uma desculpa bem esfarrapada para as três trocarem de lugar e começarem a atuar juntas.
E nessa de atuarem juntas, no começo do filme a uma edição falha demais nas cenas, é tudo muito bagunçado, do nada Carol para na Terra, Kamala vai pro espaço, Monica entra na bagunça, as cenas ficam muito picadas, cortadas, mal editadas, o texto é pouco inspirado, piadas que não levam a lugar nenhum... que trabalho ruim que fizeram na primeira meia hora de filme.
Outra coisa que não me agradou no longa foi o planeta Aladne, composto 99% de água, onde todos falam cantando... a princípio me incomodou demais essa ideia de ter um planeta musical no longa, e os personagens começarem a cantar e ser tudo muito cor de rosa e por aí vai... ao reassistir o longa, me incomodou menos, ainda não compro a ideia, mas não me pegou tão negativamente assim como da primeira vez.
Acredito que talvez, esta passagem tenha sido inserida no filme, visando também a cultura muçulmana que é de muita dança e cantoria, e das três, Kamala é que se sente mais a vontade no planeta e em dançar e cantar, porque isso já faz parte da cultura do país dela, de onde nasceu, e de sua sociedade.
A vilã interpretada por Zawe Ashton (de Black Mirror) também não me agradou, sendo que Dar-Benn é a Supremor de Hala à beira do caos, e é simplesmente aquela vilã genérica que já vimos tanto em filmes passados da Marvel Studios, como nos 3 Homem De Ferro, nos dois primeiros Thor, no primeiro Homem-Formiga e por aí vai... não traz um antagonismo envolvente, não tem aquela ligação que poderia ter com a protagonista para deixar o embate moral das duas mais íntimo, mais pessoal.
Brie Larson foi outra que a performance como Carol Danvers neste filme não me agradou. Acho a Brie uma ótima atriz, gosto muito do trabalho dela dentro e fora do MCU... suas performances como Carol Danvers no primeiro filme, na pequena cena em Homem-Formiga e a Vespa e em Vingadores Ultimato são muito boas, mas neste filme ficou bem aquém.
Brie faz aquela famosa cara com os olhos esbugalhados toda vez que algo acontece, toda vez que está em uma situação desagradável, toda vez que está em uma situação inconveniente, puxando muito pro cômico quando a cena exige, sem saber direito como reagir. Muito dessa atuação de Carol vem da diretora Nia Da Costa que exigiu essa atuação de Brie Larson, um lado mais sério nas cenas onde Carol mostra mais vulnerabilidade, e um lado mais cômico nas cenas mais extrovertidas, mas aí Brie traz essa face com os olhos abertos, sempre atenta, algo que não ficou legal, não ficou bacana.
A culpa nem é de Brie, uma vez que Nia Da Costa quem lhe exigiu tal performance em cena, faltou mais senso crítico de Nia para poder dirigir melhor o seu elenco, para poder deixar Brie com uma atuação mais de protagonista mesmo. Brie parece mais uma coadjuvante em seu próprio filme, pelo menos ao meu ver, e Nia também acaba cometendo alguns erros de direção com outros atores do elenco, como Samuel L Jackson.
Samuel retorna como Nick Fury e ele não lembra em nada o Fury de 'Invasão Secreta', e não tenho total certeza porque não pesquisei a fundo, mas se não me engane ele filmou 'As Marvels' primeiro e sua série depois... talvez isso explique porque Fury não tem um vestígio dos eventos acontecidos em 'Invasão Secreta', se realmente ele filmou depois de 'As Marvels'.
Em nenhum momento o personagem se leva a sério, ele foi colocado como um dos alívios cômicos do filme, seu texto é bem boçal, muitas cenas de vergonha alheia de tão bestas como foram escritas, sendo um desperdício de talento e de personagem.
Já Iman Vellani e Teyonah Parris eu gostei muito das duas, Iman nem preciso dizer muito, ela esteve ótima em sua série que é bem divertida, apesar de cai de nível do meio pro final, e aqui Iman mantém o nível de Kamala lá no alto. Ela traz carisma para a personagem novamente, está a vontade no papel, já é fã da Marvel e deu muitos toques e ideias durante as gravações, ou seja, é muito bom ter ela nas produções do MCU.
Teyonah foi outra que trouxe um ótimo trabalho para sua Monica Rambeau, assim como fez na série 'WandaVision', e ela esteve em ótima sintonia com suas duas parcerias no longa, o texto também não lhe favoreceu, mas ainda assim Teyonah conseguiu trazer naturalidade para Monica, fazendo com que a personagem tenha carisma com o público, e pelo menos teve comigo.
A família de Kamala também são bem carismáticos, eles acabam sendo mais uma parte do alívio cômico do filme e acabam sendo um alívio bem vindo, com destaque para Zenobya Shroff, que faz a mãe de Kamala, mas os três atores que fazem a família de Kamala têm muita química e fazem a participação deles serem bem divertida.
Uma coisa que vou elogiar no filme é a luta final entre as Marvels e Dar-Benn, que além de ser bem coreografada, bem filmada, bem atuada, ser seca e direta, também não possui nenhuma música de fundo em boa parte da luta... ficou muito bom, deu uma sensação boa para quem assiste de uma bela batalha, de tensão, realmente nesse ponto a Nia Da Costa acertou bastante.
E também temos todo aquele 'plot' de Goose e seus filhotes, e eu sou apaixonado por gatos, gosto muito de animais de todos os tipos e possuo muitos gatos em casa... dito isto, que ideia besta foi essa de lotar o filme de gatinhos comedores de gente apenas para ser a solução de salvar a equipe da S.A.B.E.R de seu QG no espaço. Que falta de ideias tiveram para esse filme viu, deixaram muitas coisas bem fofas e bonitinhas e não era isso que esperávamos de um filme que tinha tudo para elevar o status das Marvels. Dava para fazer algo mais badass, mas inspirado, buscar um pouco mais de inspiração e ideias nas HQ's da Capitã Marvel e da Ms. Marvel, para trazer um enredo mais envolvente para o longa, e não essas ideias mais bobas, pra deixar o filme fofo, o jeito feminino de se fazer um filme de aventura. 'As Panteras' da Elizabeth Banks já deu o recado anos antes, e pelo visto Nia Da Costa não viu o filme para trazer um caminho parecido com aquele.
O restante do elenco ainda com nomes como Hailee Steinfeld, Kelsey Grammer (somente voz), Lasahna Lynch retornando como Maria Rambeau/Binária, Seo Joon-Park, Gary Lewis como Imperador Dro'ge.
O filme deu uma flopada nas bilheterias, não caiu bem com grande parte do público, e obvio cada um tem seu gosto, e teve gente que gostou muito do longa, que bom pra eles, é bom ver que o filme divertiu as pessoas... mas eu falando criticamente não gostei nenhum pouco. Falando de uma forma normal, também não gostei tanto assim do filme, então realmente é uma fórmula a não ser seguida pelo MCU.
Não é o pior filme do Marvel Studios, esse título pode dar para, na minha opinião, 'Thor 1' e 'O Mundo Sombrio', 'Homem de Ferro 3' e quem sabe aí 'O Incrível Hulk'.
Mas fica difícil até eleger qual foi o pior dessa fase 4, 'As Marvels' ou 'Thor Amor e Trovão'... eu fico encima do muro.
(Assistido em 21/11/2023 - Kinoplex Itaim)
(reassistido em 05/03/2025 - Disney Plus)
Babygirl
2.7 491 Assista Agora'Babygirl' fez um bom barulho nos festivais de cinema no meio do ano passado, muito por toda a atuação de Nicole Kidman no filme e em como foi um processo desgastante para a atriz.
Nicole tem cenas quentes com Harris Dickinson, mas não é algo explícito como 'Anora' ou sem pudor como 'Pobres Criaturas', na verdade, as cenas em 'Babygirl' são mais inspirados no imaginário feminino, onde existe toda um erotismo, toda uma preparação, todo um envolvimento de atos, para então sim chegar no ato em si, que pouco é mostrado no longa.
Nicole disse que chegou uma hora que já não suportava mais sentir orgasmos no set de filmagens, (foi o que ela disse em uma matéria que se encontra no site do AdoroCinema), ou seja, as cenas eram muito íntimas, muito intensas, e ela como a Atriz Principal tinha que puxar todo o erotismo da cena para si. Então se juntou a repercussão do que Nicole fez durante o filme, com o que foi visto em tela e em como Nicole encarou um papel desafiador e erótico, com a atriz já beirando os 60 anos de idade, tendo 57 atualmente.
Dirigido por Halina Reijn (de Bodies, Bodies, Bodies... que ainda estou devendo) que também produziu e escreveu o longa, 'Babygirl' trás um roteiro onde uma mulher mais velha se envolve com um estagiário muito mais novo, colocando seu casamento de anos em risco. Claramente se vê no começo do filme que Romy é uma mulher que curte o sexo um degrau acima de outras mulheres, não se sacia somente com o ato em si, buscando vídeos pornôs na sequência ao ato... porém fica claro conforme o filme avança que Romy possui uma questão a ser resolvida, uma vez que mesmo sendo bem casada, ao que aparenta ela nunca chegou ao orgasmo com seu marido, e sempre procura novas formas de transar com ele, formas essas que mexa com seu imaginário, mesmo que pra isso o seu marido esteja fora da equação durante o ato.
Quando Samuel, o estagiário, entra em cena e surge uma faísca entre os dois, Romy acaba deixando se levar por esse caso pseudo extraconjugal, porque no fim das contas, Samuel entrega o que ela quer, uma fantasia, um erotismo, um jeito alternativo de se conectar sexualmente com o parceiro, algo que no seu marido ela não encontrava.
Porém, Samuel tem seu jeito pessoal de conduzir esse flerte entre os dois, ele enxerga algo que ela mesma não consegue reconhecer em si, ou não quer colocar para fora. Romy tem muito poder onde trabalha e em casa, ela dita as regras em muitos âmbitos de sua vida pessoal, e pelo visto é o oposto disso que satisfaz Romy no ato sexual... ela gosta de ser dominada, de ser ditada, de estar fora do comando, e Samuel enxerga isso com muita clareza e a trata como bem quer, do jeito que quer, com um pequeno 'Q' de humilhação, que satisfaz ambos os lados.
É interessante observar essa interação entre os dois, esse jogo de gato e rato, um tentando colocar esse êxtase para fora, e o outro lado lutando para se retrair e cada vez mais cedendo às vontades que permeiam seu ser.
Halina nesse ponto, dirige muito bem, porque ela constrói muito bem essa química intriseca entre os dois, que vai numa crescente a cada vez que eles se encontram e revelam mais ainda da personalidade dos dois protagonistas. Halina capta bem as cenas mais quentes entre Nicole e Harris, e coloca em evidência aquele erotismo feminino, que não é explícito, não se trata só do ato em si, mas algo que mexe com o imaginário.
Exemplos claros disso são as cenas onde Samuel coloca Romy para beber leite, de castigo no canto da parede, ou quando convence ela a se render a ele, não sexualmente, mas de uma forma que acende a sexualidade em Romy... E Halina deixa claro que Samuel tem prazer nisso, não só prazer sexual, mas como prazer em fazer tal ato e ver o quanto esse ato mexe com sua parceira, no caso Romy. Tanto que Samuel começa a se relacionar com outra mulher durante esse caso todo dos dois, deixando claro que com Romy é apenas uma brincadeira entre os dois, que não é sério, que não tem a intenção de ser, o que deixa a questão dos dois cada vez mais interessante, porque nitidamente os dois querem mais, mas existe aquela parede que vem crescendo e uma hora vai implodir entre os dois.
Nicole Kidman realmente entrega uma atuação incrível, poderosa, desafiadora, se entrega muito à personagem e ao projeto, e deixa de lado algumas restrições que naturalmente algumas atrizes de sua idade teriam, com um filme com um enredo desses, e entrega cenas que são picantes, íntimas, ou que remetem ao ato em si, nu e cru.
Realmente foi uma atuação que deveria ser mais lembrado na temporada de premiações, e quem sabe até ter entrado no lugar de Karla Sofía Gáscon, que polêmicas à parte, possui uma atuação apenas ok, ao meu ver, nada demais para ser indicada.
Harris Dickinson, ator que já sou fã a alguns filmes, como 'Triângulo da Tristeza', 'Scrapper', 'Veja Como Eles Correm', fez Samuel, e esteve bem no papel, e como eu já o conheço de outros filmes, já é uma marca registrada em seu estilo de atuação, essa performance mais 'blasé', mais despojada, e pode dar a impressão que ele talvez não estivesse tão ligado assim no filme, ou desconectado, mas a verdade é que Harris tem uma atuação muito decente, e forma uma boa dupla com Nicole, tem química ali... não será um dos filmes mais lembrados de sua carreira, mas é uma boa atuação.
Antonio Banderas que faz o marido de Romy, dispensa comentários, atorzaço com A maiúsculo, mas que aqui teve tempo limitado de tela, ou seja, seu personagem é meio limado do roteiro em alguns momentos, não tendo o coadjuvantismo que se esperava por ter um ator desse calibre no elenco.
Mais ali no ato final do longa, é que temos uma cena decisiva entre esse trio, que Antonio consegue aparecer mais com seu personagem, mas é uma sequência muito breve ainda, e fica aquela sensação que ele foi mal aproveitado no longa e poderia ter entregado mais se tivesse mais espaço no roteiro para ele. Foi mais um bibelô do que um coadjuvante de peso.
'Babygirl' tecnicamente tem seus méritos, e acho que o design de produção é o que mais se sobressai no longa, temos belos cenários externos e boas cenas nos cômodos onde Samuel e Romy estão se relacionando sexualmente, ou flertando profissionalmente.
Achei a fotografia apenas ok, achei o figurino decente e que compõe bem as passagens nos mais variados locais profissionais ou domésticos do longa.
Em termos de premiações, 'Babygirl recebeu lembranças modestas:
- Nicole Kidman foi indicada em Melhor Atriz Drama no Globo de ouro e no Satellite Awards, e Melhor Performance Protagonista no Gotham de filmes independentes;
- No Festival de Veneza concorreu ao Prêmio Especial do Júri e a Melhor Roteiro;
- Concorreu ao Leão de Prata de Direção e ao Leão de Ouro em Cannes;
- E ainda concorreu a Melhor Filme no Gotham de Filmes Independentes;
Porém só venceu dois prêmios, o Volpi Cup de Melhor Atriz no Festival de Veneza e Melhor Atriz na premiação Australiana de Cinema, para Nicole Kidman.
Uma produção do meu estúdio favorito e de muita gente, a A24 e da 2am Films, 'Babygirl' é um ótimo entretenimento, com um enredo envolvente e personagens interessantes que nos fazem imergir em suas fantasias e vontades, e faz nos indagar como terminará esse caso dos dois, tão anormal e ao mesmo tempo tão íntimo e convidativo.
Vale mais pela atuação da Nicole e a direção de Halina Reijn, do que pela história como um todo em si, porque chega uma hora que os acontecimentos se tornam meio que intuitivos, consegue-se sim já supor o que vem a seguir, tirando um pouco da surpresa de acompanhar o que poderia vir, sem esperarmos no entanto.
PS: Vale mencionar a ótima cena de Harris Dickinson ao som de 'Father´s Figure' do já lendário George Michael, e a música 'Never Tear Us Apart' da ótima banda INXS.
(Assistido em 08/02/2025 - Cine Belas Artes)
A Garota da Agulha
4.0 297 Assista AgoraExistem alguns filmes que são bem incômodos de se assistir, e uns que poso citar que pra mim foi bem desagradável, foram 'O Albergue', 'Jogos Mortais', entre outros que realmente não consigo ver, não é pra mim, pesado demais e me incomoda demais.
'A Garota Da Agulha' não é um filme que não vou rever nunca mais, muito pelo contrário, mas ele entra nessa lista de filmes que incomodam, possui cenas ali que tive que virar um pouco o rosto porque, pra minha natureza não rola, me atinge, me dá coisas... sem spoilers, a própria cena da agulha na banheira foi algo que me incomodou bastante e virei o rosto várias vezes.
Mas esse filme Dinamarquês é muito bom, todo em preto e branco, muito bem dirigido, e muito bem atuado pelo seu elenco que é fora de série, que elenco competente, sensacional. É um filme que é baseado em fatos reais, o que já é bem pesado pra gente poder assimilar, e é um filme imersivo assim, você se pega dentro daquele universo e mal vê as 2h de filme passar.
O filme possui uma carga dramática muito grande, desde o seu começo, mesmo que o primeiro ato seja um pouco mais lento que o comum, melhorando muito o seu ritmo conforme ele vai avançando.
A personagem principal, Karoline, interpretado por Victoria Carmen Sonne, é uma personagem que vai causar sentimentos dubeis no espectador, dependendo de como é a personalidade quem assiste, de como é o caráter, do que essa pessoa vê e pensa da vida, ela via se sentir sensibilizada pela história de vida de Karoline, ou não vai se sensibilizar tanto assim, devido aos atos que ela comete durante o filme que impacta quem a cerca.
No meu caso, Karoline é uma personagem que teve atos que realmente é difícil defender, mesmo naqueles tempos pós primeira guerra, e sendo muito insensível com seu 'ex' marido, sua filha recém nascida. Mas não cabe a mim julgá-la, e sim enaltecer o trabalho incrível de atuação de Victoria, que está perfeita no longa, e mesmo a personagem com esses atos duvidosos, Victoria com sua atuação consegue fazer com que nos importemos de certa forma com Karoline, com o que ela sente e o que ela vivencia.
Outra atuação fortíssima foi de Trine Dyrholm, que fez Dagmar, a dona da loja de doces que era a fachada para receber os bebês que eram 'doados', e ela foi gigante. Que atuação dessa atriz que passava uma verdade em sua atuação, mesmo sua personagem sendo uma bruxa malvada... para mim ela não deixou a desejar em nenhuma cena em que apareceu no filme, desde que apareceu na banheira, na cena da agulha, ela já hipnotizou com sua presença de cena e atuação inspiradíssima. Chuto até que poderia ser lembrada em alguma premiação, como Satellite Awards se eles tivessem coragem, ou até mesmo no BAFTA, se eles também tivessem coragem.
A direção de Magnus Von Horn é ótima, apreciei bastante, me agradou muito e eles possui ótimos takes, uma forma interessante de dar esse protagonismo para os atores em cena, uma forma interessante de montar o filme, cenas muito densas, nada cansativo, porém muito intuitivo.
Claro, o filme é baseado em um acontecimento real, mas é muito fácil ler o que vem a seguir conforme assistimos... Von Horn também assina o roteiro ao lado de Line Langebek Knudsen, e é um ótimo roteiro, envolvente, muito bom de se acompanhar e que envolve bem o espectador... porém é previsível, você consegue ler o que vem a seguir com muita facilidade. Pra quem não costuma assistir filme, ele será mais prazeroso de destrinchar os acontecimentos a seguir, mas pra quem já tem costume de assistir filmes, ver essa previsibilidade, você só aguarda a reação das personagens com o que vem a seguir.
Tecnicamente o filme me agradou muito também, tem uma fotografia que salta aos olhos, não só pelo filme ser em preto e branco, mas por ter umas tomadas boas, bem amplas, que valorizam o cenário onde se passa, e bons enquadramentos em cômodos onde a fotografia se valoriza.
Direção de arte ótimo, uma cenografia incrível, as cenas rodadas externas são muito boas, com ruas que remetem mesmo a época da primeira guerra mundial, de um país que sofreu com os impactos dessa guerra. O figurino então, por mais que não seja nada chique como em tantos filmes hollywoodianos que vemos por aí, é um figurino que remete à época muito bem construído, muito bem pensado, muito bem transplantado para as personagens e bem representado no longa.
A trilha sonora é de Frederikke Hoffmeier,e é uma composição belíssima, bem tensa, que traz as emoções das personagens à tona quando entra em cena. Não chega a ditar o longa em si, é uma trilha que conversa mais com o que as personagens sentem e traz aquele peso da cena à tona, traz aquele momento específico do filme em alta conta, aumenta o peso dramático e sua importância para o que a personagem em questão está lidando.
O longa é o representante da Polônia no Oscar desse ano na categoria de Filme Internacional, e com certeza deveria ter tido um pouco mais de protagonismo nessa temporada de premiações, pois é um filme belíssimo, forte, com atuações maravilhosas, que grudam em sua mente, o filme fica martelando ali momentos depois ainda depois de você assistir, é um impacto interessante, porque no fundo foi um acontecimento real, e por mais que saibamos que é só um filme, tal ato realmente aconteceu à época e foi tão bem montado e dirigido pelo diretor Von Horn, e tão bem atuado, trazendo tanta verdade pra gente que assiste, que é um filme que merecia mais visibilidade, e muito mais conversa para ele.
Foi indicado também a Filme Estrangeiro no Globo de Ouro, Satellite Awards, concorreu a Palma de Ouro em Cannes.
Venceu Melhor Composição e Melhor Design de Produção no Prêmio de Cinema Europeu, e Victoria Carmen Sonne venceu Melhor Atriz no Golden Orange Awards.
Possui 11 indicações na premiação polonesa de cinema, incluindo Melhor Filme, mas vai disputa o prêmio com 'Zona de Interesse' que para mim é uma obra prima.
'A Garota da Agulha' é um filme incrível, que envolve, provoca, incomoda, mas entrete, e muito, e é uma ótima peça de arte vindo do cinema polonês.
(Assistido em 02/03/2025 - Mubi)
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraCoralie Fargeat... esse é o nome que, para mim, representa o sucesso de 'A Substância'. Ela é Diretora, roteirista e produtora do longa que foi prestigiado e causou incômodo nos festivais de meio de ano e está indicado ao Oscar em 5 categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Atriz.
O longa é um poço de originalidade, possui um roteiro coeso e direto, focado em uma atriz que está em decadência, prestes a ser descartada de seu programa de sucesso matinal e ser trocada pro alguém que seja mais nova e obviamente mais gostosa.
O foco de Coralie em mostrar em como Elisabeth Sparkle não está em paz consigo mesma, assim que ouve no banheiro o quanto ela é descartável, em como todo sucesso que construiu durante toda sua carreira, hoje não vale mais nada, e em como ela não consegue aceitar que o seu tempo de cinema e TV chegou ao fim, que agora outras estão nos holofotes e ela não é mais nada a não ser uma lembrança em notas de rodapé.
Isso afeta tanto Elisabeth, mas tanto, que ela consegue a proeza de se envolver em um acidente automobilístico no trânsito, que se fosse evitado, a vida dela não tomaria o rumo que tomou, como testemunhamos. A partir dali, ao ter um cartão colocado dentro de seu casaco amarelo quadrinístico, sua vida iria tomar um rumo definitivo e feroz, tudo motivado pela vontade de continuar sendo relevante, de continuar sendo 'jovem' e 'atraente', de existir para o mundo, de não se sentir ultrapassada, descartada ou indesejada.
Esse indesejada passa muito pela carência que a leva a contatar o seu colega de escola que a reconhece, mas ela não, e que ela mostra total falta de interesse ao encontrá-lo, mas que durante o 'equilíbrio' ele se torna o principal fator que a faz se sentir viva, contente, de se arrumar e sair... de se sentir desejada por alguém que ainda a acha belíssima, e se não fosse as questões pessoais dela, consigo mesma, com o corpo, com a carreira, com o baque que está sofrendo, seria uma nova etapa na vida dela... ou não, porque ele parecia meio bobão... enfim.
E o mais interessante também que Coralie trouxe para o filme, é o fato de não existir você ou ela, "Vocês são um só", ou seja, os atos de Sue não são isolados ou exclusivos, ali é tudo Elisabeth fazendo, afinal como ela mesma diz quando quase 'encerra' Sue, "Eu não posso viver sem você, porque eu me odeio". Elisabeth não gosta mais de si, parece que ela aceitou que ela é uma ultrapassada, que seu tempo já foi, que não tem mais nada a agregar em nenhum âmbito de sua vida, a amorosa, a profissional, a social, e portanto vê uma oportunidade de voltar a ser tudo o que já foi, de continuar vivendo o esplendor, mesmo que não seja ela... mas a questão é que ela é ela, isso que é o mais louco.
Sue é a parte jovem que nós já fomos um dia, e que Elisabeth também já foi... inconsequente, imprudente, ás vezes irresponsável, sonhadora, curtidora da vida, prepotente, se acha a dona do mundo, todo mundo que já foi jovem já agiu ou pensou dessa maneira, e quando envelhecemos a cabeça muda, porque a vivencia te ensina muita coisa.
Por mais que Elisabeth não aprove muitos dos atos de Sue, é a própria Elisabeth fazendo aquilo, é o que ela faria se fosse jovem, se fosse a dona do mundo, se ainda estivesse em seu esplendor, nos tempos atuais, outra cabeça, outra moral, e consequentemente, Sue passa a odiar Elisabeth por algumas atitudes que ela toma, mas muito influenciado também porque Sue e Elisabeth são uma só, e Elisabeth já verbalizou que se odeia, e consequentemente, Sue odeia Elisabeth, sua versão mais velha, mais ultrapassada, acabada, um estorvo, é a própria Elisabeth dando cabo de si mesma... que roteiro de Coralie Fargeat.
Tecnicamente o filme é perfeito, possui um figurino que é certeiro dentro do que se propõe, gosto muito das roupas mais despojadas que Sue usa, tirando o maiô do programa matinal, os vestidos do programa especial de fim de ano, e as vestimentas de Elisabeth que são ótimas, o vestido usado para o encontro que não acontece, o figurino usado ao se encontrar com o dono do canal de TV, Harvey, o casaco amarelo que parece ter saído de uma HQ.
Na verdade o filme todo tem esse contraste, temos muitos cenários brancos ou escuros, como o local onde Elisabeth pega o refil da troca que é bem iluminado, todo branco, e seu 'apê' que é mais escuro, com corredores mais apagados, e seu figurino é mais vivo, mais colorido, o casaco amarelo tem esse contraste interessante como o local onde ela pega o refil, todo branco, uma briga de cores. A fotografia do longa meu deu a impressão que o filme saiu direto de uma História em Quadrinhos, de tão criativo que foi construído.
Os cenários não são tão variados, mas são saltam muito aos olhos, eles são interessantes, incorporam bem os personagens em cena, são coloridos, únicos, mais escuros, eles parecem obra de arte... mais uma vez o local onde Elisabeth pega o refil, o banheiro onde ela ouve Harvey ao celular descartando-a, o corredor onde Harvey lhe entrega o presente de despedida, a sala do 'flat' ou 'apê' de Elisabeth, são locais que parecem uma obra de arte, pelos detalhes, a forma como foi montado, as luzes e as cores que os deixam únicos, ou seja, em termos de design de produção, o filme é impecável.
A trilha sonora é ótima, perfeita, composta por Raffertie, esse músico deu um toque único para as passagens do longa e lhe deu uma identidade única. Aquele som de atenção que vem duplo, antes de vir aquela batida única frenética... isso aí é a cara e a identidade do filme, é pra virar cultura popular, e meio que já ganhou vida própria nas esquetes de abertura das premiações, como no SAG's e no Critics Choice. Por todo o filme a trilha casa com a cena em questão, com os acontecimentos presentes, e permeia todo o tom do longa, sendo um complemento perfeito do visual, nos trazendo uma experiência única.
A direção da Coralie nem preciso mencionar muito, perfeita, ótima, tendo uns takes certeiros e inusitados, aproximando demais a câmera em personagens excêntricos como Harvey, e denotando as perfeições de Sue, ou as inseguranças de Elisabeth à frente do espelho... além de correr com a câmera junto a Elisabeth, dando um ângulo único para uma fuga desesperadora, e nos trazendo certos takes bem enquadrados, como se fosse um pintura neo moderna, mais puxado para o estranho, para o cômico. Perfeita Coralie, para seu primeiro filme, ou segundo agora não lembro, ela foi perfeita demais.
E o que falar de Demi Moore, teve o papel da carreira com Elisabeth, uma interpretação incrível, grandiosa, inspiradora, quase pessoal, perfeita em todos os sentidos, atuação digna de se premiar, digna de Oscar mesmo... Johnny Hooker estava certo.
Acho que tem certos projetos que nasceram para certos artistas, e 'A Substância', é O projeto de Demi, foi feito praticamente para ela, é a cara dela, no momento certo da vida, da carreira, o projeto que praticamente a define, a que mais será lebrada, é dessa forma que eu vejo. À medida que Elisabeth vai se deteriorando por Sue não respeitar o 'equilíbrio', Demi cresce em sua atuação carregada de Maquiagem e próteses... quem diria que ela conseguiria entregar uma atuação tão impactante e relevante lotada de maquiagem, embaixo de tanta prótese, e passar tanta humanidade à sua personagem. Não sei vocês, mas conforme o filme passa, eu me peguei mais afeiçoado a Elisabeth do que a Sue, talvez pelo ótimo trabalho de Demi dando verdade à sua personagem.
Demi foi indicada e premiada em muitas premiações até aqui, sendo lembrada no BAFTA (perdendo para Mikey Madison), lembrada no Spirits Awards de filmes independentes (perdendo para Mikey Madison), e nas listas de prêmios norte americanos localizdos, cada cidade tendo sua premiação, e Demi vencendo a grande maioria.
Demi foi vitoriosa no Globo de Ouro em Atriz Comédia/Musical, no Critics Choice Awards, no SAG's Awards, no Satellite Awards, no Saturn Awards, todos como Melhor Atriz, e obviamente está indicada ao Oscar, sendo a principal favorita a vencer o prêmio e levar seu primeiro Oscar da carreira. Acho que ela merece muito esse prêmio, seu trabalho no filme é soberbo e premiaria sem medo... mas é claro, minha torcida é para Fernanda Torres e sua também magistral atuação em 'Ainda Estou Aqui'.
Margaret Qualley (Era Uma Vez em... Hollywood, Maid, Tipos de Gentileza) atriz que sou muito, mas muito fã, fez Sue, e sua atuação também é incrível... trouxe uma doçura e uma amargura sem igual para Sue, colocando uma personalidade única na personagem, que parece estar no controle de tudo, mas na verdade é apenas um sub produto da indústria e dos homens de terno que a cerca.
Margaret foi pouco indicada, mas venceu importantes prêmios das listas setorizadas norte-americanas.
Foi indicada no Globo de Ouro, no Satellite Awards, no Saturn Awards e no Critcs Choice Awards como Atriz Coadjuvante, mas perdeu todos eles... faltou a indicação ao Oscar, e em sua já tradicional esnobada anual, a Academia preferiu indicar Monica Barbaro de 'Um Completo Desconhecido' no lugar de Margaret... uma indicação que eu pessoalmente não concordo, achei Monica muito normal no filme, e Margaret está uns degraus acima dela em atuação neste ano, acho que foi uma esnobada feia e Margaret merecia muito essa indicação.
Jack Quaid foi outra força da natureza como Harvey, seu personagem é canastrão, de personalidade forte, e Jack deu uma caracterização para ele única, bem típica dos grandes chefes de grandes conglomerados que são bem caricatos, pelo fato do dinheiro e do poder falar por eles.
Gostei muito de sua atuação, era sempre bom vê-lo em cena, numa atuação tão canastrona, e acho que deveria ser mais lembrado nas premiações... uma pena que o tenham esquecido.
O único ponto que não curti muito no filme foi o final muito 'gore', muita sanguinolência em uma cena tosca de decapitação de uma monstro intitulado de 'Monstro ElisaSue', caindo muito no estilo dos filmes B.
Na verdade, eu entendi bem aquele ato final, a escolha de ElisaSue usar uma máscara de Elisabeth, e quando ela se despedaça em órgãos, restando apenas o rosto de Elisabeth se arrastando pelo chão até sua calçada da fama... ali tem todo um contexto e toda uma história, muita coisa respondida naquela cena, mas ao meu ver, esse 'gore' todo destoa um pouco do resto do filme, que possui esse 'gore' mas contido, ele permeia alguns atos do filme de forma a servir a história, e não se tornar um espetáculo visual para incomodar e impactar o público. Na minha modesta visão, saiu um pouco de mão ali, e apesar de entender o contexto do que vem a seguir, achei que pesou a mão na escolha a Coralie.
O longa foi premiado em Cannes com Melhor Roteiro, muito merecido;
Foi indicado a Melhor Filme e Melhor Roteiro no Globo de Ouro e no Satellite Awards, e a Melhor Filme no Satrun Awards;
No Critics Choice Awards venceu Melhor Maquiagem e Cabelo e Roteiro Original, além de ser indicado a Melhor Filme e Melhor Direção;
No BAFTA venceu Maquiagem e Cabelo e foi indicado também a Direção e Roteiro Original;
No Spirits Awards perdeu Melhor Filme para 'Anora';
E no Oscar tem as indicações de Filme e Direção, mas deve levar as técnicas e possivelmente de Atriz para Demi Moore.
É um dos filmes de 2024, perfeito, completo, redondo e faz o que todo filme tem a obrigação de fazer, que é entreter, e faz isso muito bem. 'A Substância' se tornou um dos meus filmes de cabeceira, daqueles que você deve comprar em forma física e guardar em casa.
(Assistido em 09/12/2024 - Cine Belas Artes)
(Reassistido em 26/02/2025 - Mubi)
Furiosa: Uma Saga Mad Max
3.7 695 Assista Agora'Mad Max' é um clássico dos anos 80, foi meu primeiro contato com Mel Gibson, depois é que o vi em 'Máquina Mortífera', e na época eu via e revia na Sessão da Trade, tendo mais lembranças do terceiro filme que tinha trilha sonora de Tina Turner.
Mas eu era muito criança e lembro pouco dos longas, nunca peguei pra revisitar com esse olhar cinéfilo que tenho de uns anos pra cá, e também, podem jogar as pedras, eu ainda não vi 'Estrada da Fúria'... sim podem me xingar.
Então Furiosa foi meio que uma volta a franquia e praticamente uma 'primeira' conferida, e logo em um filme onde o Mad Max não aparece, bom ele aparece mas nem conta muito.
Dirigido, produzido e roteirizado por George Miller (Babe O porquinho Atrapalhado e Happy Feet), ele volta ao mundo que criou em 1079 para contar a prequel de Furiosa, da icônica Charlize Theron no filme anterior 'Estrada da Fúria", só que aqui ainda jovem, a personagem foi interpretada por Anya Taylor Joy.
O filme é muito bem feito isso sem dúvidas nenhuma, tecnicamente ele é perfeito, tem uma ótima fotografia muito bem construída por Simon Duggan (de Hacksaw Ridge), com ótimas tomadas de plano aberto pelo deserto e montanhas, e também ótimas tomadas á noite que deixaram a experiência muito satisfatória e bonita na tela.
O figurino então é algo soberbo, uma variedade imensa para todos os personagens principais e secundários, e você podia ver os detalhes até nos figurantes, sem falar em seus acessórios, que fiquei prestando atenção e eram minimamente colocados e das mais variadas formas possíveis.
Assim também como os veículos usados, que foram trazidos os mais grandes e potentes possíveis, e as motos, quantas variedades tiveram ali não é, para fazer com que a gangue expressasse sua personalidade pelas bikes que usavam... ou seja, tecnicamente foi um trabalho assim sem igual, de cair o queixo mesmo.
Eu gostei do filme, não é algo assim nada fora do comum, um filmaço fora da curva ou coisa do tipo, mas é um filme muito bom, decente, honesto, inspirado, com uma história bem escrita e articulada, com várias idas e vindas e surpresas, que entrete o público, que é o papel de todo filme, papel principal né... os personagens são bem cativantes, aos seus modos, cada um deles, e todos eles tem ali seu ponto de destaque, aparecendo bem e enriquecendo bem o roteiro criado por George Miller.
Como não assisti 'Estrada da Fúria', penso que Furiosa foi uma personagem que foi crescendo durante o filme, mas ficou muito no clichê de ser fodona e muito caladona, algo já tão visto em filmes de protagonistas femininas que são Badass em seus filmes... mas aqui a personagem só não cai na chatice por conta da ótima interpretação de Anna Taylor Joy, que lhe deu personalidade, carisma e humildade também, para ganhar o público.
O vilão do longa é interessante, Dementus, que começou bem o longa sendo aquele vilão que impõe respeito e causa um impacto em quem o encara. Depois ele cai mais assim no mais do mesmo, fica muito caricato, muito cômico, perde um pouco dessa onipotência, mas não chega a comprometer a diversão de acompanhar o ato final do longa... ato final este que é bem bacana de se acompanhar.
E 'Furiosa' é um filme que durante todo seu tempo ele respeita bem seu público, respondendo todas as perguntas e resolvendo todas as encrencas que os personagens arrumam durante o longa. A gente tem alguns embates bem bacanas, criados por George Miller e muito bem filmado também, que deixam a experiência mais prazerosa... é um ótimo Blockbuster para se passar o tempo e ficar satisfeito depois de se conferir.
Miller dirige muito bem, ele consegue colocar todo mundo com um bom tempo de tela, e consegue filmar os embates de grande proporção no longa de forma muito grandiosa, assim como as cenas de combate com os veículos, os grandes e as bikes... ficou muito verossímil a forma como ele filmou esses embates de uma forma que não ficasse-mos perdidos enquanto assistimos, e mostra como ele manja demais em filmar cenas de embates de forma crível, fazendo escola para diretores como Frances Lawrence de 'Identidade Bourne'.
A Trilha sonora é de Junkie XL, é um músico que não sou tão fã assim, não acho muito bacana a música que ele faz... aquela versão de 'A Little Less Coonversation' de Elvis Pressley que ele fez um remix, é muito ruim, mas ruim de doer os pelos anais. Ele possui um extenso trabalho filmográfico, fazendo trilhas para os dois filmes da Saga Matrix, o Reloaded e o Revolutions, os dois filmes da saga 300, o próprio Estrada da Fúria, Batman vs Superman e Liga da Justiça Snyder Cut, Deadpool, Alita e Rebel Moon, além dos dois Godzilla vs Kong, os dois primeiros filmes do Sonic e a série do Knuckles.
Currículo grande e invejável. Curto um pouco o trabalho dele nos filmes do Sonic, na série do Knuckles e em Batman vs Superman, mas só curto, dá pra agradar.
Nos dois Godzilla x Kong eu não curti, e aqui em 'Furiosa' é aquilo, tem a minha bronca de não curti o estilo dele de composição e de música, mas não compromete o que estamos assistindo, permeando bem as cenas do longa, os acontecimentos, e sendo um bom amálgama cenas e músicas... vou ter que engolir, já dizia mais ou menos Zagallo.
O elenco é bem recheado:
- Anna Taylor Joy (O Menu, Novos Mutantes) como já mencionei foi bem como Furiosa, principalmente porque falou menos e trabalhou mais corporalmente e com as expressões também;
-Chris Hemsworth (MIB International) fez Dementus o vilão do longa, fez o trabalho dele que tanto conhecemos de 'Thor' do MCU, só que em forma de vilão. Gostei do que vi dele, teve liberdade para improvisar, para se soltar, o papel de vilão proporciona isso pro ator.
-Tom Burke (de Living) fez o Pretorian Jack, e gostei muito do que eu vi dele no filme, ele foi muito bem, sua atuação foi bem segura, bem bacana, ainda mais depois que vi ele no filme 'Living' em um papel mais contido, em um drama cômico, um cenário mais britânico de época... e aí ele vem aqui em um Blockbuster e faz um cara bem fodão, que ajuda a Furiosa o filme todo... muito bacana o Tom no filme, ele foi o meu favorito do filme todo.
-Alyla Browne fez a Furiosa criança, e ela foi muito boa também, atuação enorme no longa, muito protagonista nas cenas em que estava atuando, sempre aparecendo bem e mostrando a que veio, carregando bem o legado de Furiosa, que é uma personagem tão interessante... gostei muito dela mesmo, uma atriz para se ficar de olho;
Em termos de premiações, foi lembrado mesmo só no Critics Choice Awards na categoria Melhor Jovem Ator/Atriz para Alyla Browne, perdendo para Maisy Stella de 'My Old Ass'.
Na premiação de cinema Australiano, o filme levou 5 prêmios, Melhor Figurino, Melhor Design de Produção Melhor Cabelo e Maquiagem, Melhor Som (merecido) e Melhor Fotografia (merecido).
Não sei se o George Miller retornará com o mundo de Mad Max, mas ele é fera nesta se´rie que criou, sendo que preciso revisitar os filmes antigos e conferir o que chamam de obra-prima que é a 'Estrada da Fúria'... mas 'Furiosa' é uma ótima prequel que mostra que Miller está em ótima forma para continuar enriquecendo este universo tão envolvente que é Mad Max.
(Assistido em 26/01/2025 - Max)
Trilha Sonora Para Um Golpe de Estado
3.9 51 Assista Agora'Trilha Sonora Para um Golpe de Estado' é um documentário dirigido e roteirizado por Johan Grimonprez que traz inúmeros arquivos de época, para mostrar como a monarquia Belga, a ONU e os EUA arquitetaram um Golpe de Estado para assassinar o Primeiro Ministro do Congo, Patrice Lumamba, que lutava pela independência de seu país e pela unificação de toda África para torná-la o Estados Unidos da África.
É um documentário onde precisa ter uma atenção 100% e bom entendimento sobre política, porque tem muita coisa ali nas entrelinhas, muito jogo político, muito tapinhas nas costas, muita traição, muitas conversas e muita informação.
A sinopse do filme já conta o que v a pessoa precisa saber sobre o filme, sobre o que vai acompanhar, e o que dá pra dizer é que o filme é permeado por canções que vai do Jazz, ao ritmo negro americano e congolês, durante o filme, música e política se misturam para mostrar como alguns músicos foram usado pelo governo norte americano para seus próprios fins, afim de ter êxito em suas tramoias visando a política do continente africano, e como esses músicos também usavam da música para abrir os olhos do público sobre o que acontece no mundo, e para refletir as conquistas e reivindicar suas liberdades, através do seu som.
Ou seja, é praticamente um documentário musical, com viés político, e uma prestação de serviço à sociedade mundial.
É bem curioso acompanhar como foi grandioso Patrice Lumamba, no mesmo patamar de Malcolm X (que está no filme), Luther King, e até Fidel Castro... Fidel está no filme, e o coloco no mesmo patamar dele apenas na questão de que ambos lutaram pelo seu povo, pelo seu país, e é claro que a luta de Lumamba era muito mais nobre e verdadeira, movida pela justiça e pelo amor ao povo, do que a de Fidel. Mas ambos percorriam o mesmo caminho, só que por curvas diferentes, totalmente diferentes.
Lumamba lutou com todas as forças para poder libertar seu País e seu povo das amarras dos colonizadores, principalmente os belgas, foi um homem influente que não media esforços para poder chegar no que pretende, e que não se calava mesmo quando o momento não era tão favorável, desagradando os demais políticos envolvidos, levando essas forças a retaliar o poder e a influência de Lumamba no Congo.
Para mim a experiência foi prazerosa, apesar de reconhecer que alguns momentos do filme foi bem complicado para eu me situar, afinal são muitos detalhes e uma situação política muito ampla e detalhada. Como não sou um expert assim em política, ainda mais política histórica, houve alguns momentos onde eu me sentia um pouco perdido no que estava se desenrolando, mas era só passar alguns minutos que o filme muda muito contexto, ou seja, está ali focado no que acontece no Congo entre Junho e Setembro de 1960 durante o processo de independência, mas sempre das uns saltos pro futuro, 1 ano a frente, 15 anos a frente, ou volta 1 ano no passado ou 2 anos no passado, para situar e contextualizar situações que visam influenciar nos acontecimentos políticos que acontecem no Congo, na ONU e nos States... e pode parecer confuso, mas eu logo me situava novamente, porque era fácil ligar um acontecimento no outro, mas como mencionei, ao mesmo tempo eu me perdia em uma passagem ou outra.
Mas isso é de pessoas pra pessoa, tem espectador que não vai ter problema nenhum, porque já é ligeiro nesses assuntos, tem espectador como eu que vai se perder ali e acolá, e logo vai se achar e se situar ali e acolá. E tem espectador que vai se perder todo, achar muito difícil de acompanhar, não entender nada, ou achar chato e arrastado. Vai muito da pessoa mesmo.
Eu gostei bastante, em nenhum momento fiquei enfadonho ou achei desinteressante, na verdade foi um enriquecimento histórico para mim, mais um na verdade, é sempre legal a gente saber o que aconteceu no passado, ainda mais com riqueza de detalhes como foi neste filme.
Foi muito bom descobrir quem foi Patrice Lumamba, um homem íntegro que lutou pelo seu povo e sofreu todas as adversidades que qualquer pessoas hoje em dia também sofre quando luta pelo justo e pelo certo. Foi bom descobrir também como o governo Belga foi um governo muito comunista, racista, afinal eram colonizadores, então não se esperava menos de um governo/monarquia assim.
A ONU que servia apenas a seus próprios interesses e não representava ninguém, e era muito inútil naqueles tempos para evitar injustiças... e os EUA que só pensavam no Urânio que Congo possuía, e foi uma das forças que tramou para o assassinato de Lumamba a mando do então Presidente Einsehower.
Grimonprez fez um excelente trabalho de pesquisa jornalística e cinematográfica, de preservação, de educação, de elucidação, de contexto, que ficará registrado para sempre, e merece ser visto e passado para a frente, servindo até para educação também, pois é um item valioso da história mundial, da história social. Pode parecer longo tendo 2h30 de duração, mas é um tempo que passa muito rápido, uma vez que você pode ficar muito imerso no que está assistindo e está ali envolto em tudo que se sucede, se você realmente se sentiu fisgado pelo documentário.
O filme foi indicado nessa temporada de premiações em Melhor Documentário em algumas premiações... no Oscar, no Gotham Awards de filmes independentes, no Spirits Awards de Filmes Independentes, sendo que perdeu o Gotham e o Spirits para 'No Other Land', restando o Oscar para tentar levar o principal prêmio do cinema mundial.
Documentário recomendadíssimo para quem gosta de história mundial, social, e/ou política em geral.
E viva Patrice Lumamba, covardemente deposto e assassinado por políticos comunistas que mereciam pagar em vida o que fizeram e tramaram!
(Assistido em 24/02/2025 - Cine Belas Artes)
Nosferatu
3.6 937 Assista AgoraNosferatu nada mais é que o Drácula de Bram Stoker, uma segunda visão, uma outra visão, uma visão mais agressiva, qualquer coisa que o pessoal escolher. Claro que achei a representação de Nosferatu muito mais interessante que o de Drácula, muito mais agressivo, mais tom de terror, de horror, caiu mais no meu gosto, achei bem convincente e muito bem trabalhado.
Dirigido, roteirizado e produzido por Robert Eggers, o mestre moderno do cinema que nos entregou 'A Bruxa', 'O Homem Do Norte', 'O Farol', agora nos presenteia com essa visão voraz de um personagem que ficou muito mais bacana de se acompanhar, que impõe mais medo e respeito em quem o encara, e o insere na sociedade de uma forma bem condizente, mesmo sendo um ser que vive muito mais recluso, até pelo fato de ser um vampiro e não poder sair à luz solar.
O longa possui uma direção de arte incrível, para poder recriar a época retratada, com a escolha do local das filmagens sendo escolhidas a dedo e muitos móveis e adereços que são muito antigos e dá essa visão pra que a gente realmente esteja lá naqueles tempos antigos. Nisso Eggers é mestre pois ele se cerca sempre de ótimos profissionais que fazem esse trabalho artístico de primeira linha em seus filmes, saindo aquela ótima dimensão para o espectador do cenário aonde suas histórias são contadas.
O mesmo digo do figurino do longa, que é muito bem construído sendo um dos principais, a vestimenta de Ellen e também a de Thomas, que para mim foram os que mais me chamaram a atenção, mas também lembrando as vestimentas de Friedirich e de Anna, que foi caprichado pela equipe de figurino também.
Outro ponto do filme que é de saltar os olhos de perfeito, é a Fotografia, o jogo de luzes, o preto e branco do longa e principalmente as tomadas amplas, são de brilhar os olhos, tudo muito bem fotografado, as tomadas no castelo sempre mostrando a magnitude e grandiosidade do estrutura, as filmagens internas do castelo, um pouco mais escuras, com as velas fazendo boa parte do trabalho, sempre deixando a figura de Nosferatu um pouco mais nas sombras... e fazendo um contraponto inverso né, enquanto o Nosferatu está em cena em seu castelo tudo é muito mais vivo, com as velas iluminando o ambiente, com as paredes com cor mais viva, e quando Thomas está em seus aposentos, lá é tudo mais cinza, mais sem cor, mais sem vida... é uma brincadeira bacana com a Fotografia dentro do castelo.
O filme é ótimo, do começo ao fim não tem um momento onde você se sinta desligado do que está rolando na tela, o roteiro foi muito bem escrito e amarrado por Eggers, e o seu filme possui um ritmo bem interessante e funcional, dosando muito bem os momentos que acompanhamos o casal Hutter, e os momentos que vemos Nosferatu e seu assecla. A relação de Nosferatu e Ellen é bem interessante, sua fixação pela moça e sua tentativa de tirar Thomas de seu caminho, sendo que a interação entre os dois no castelo é bem bacana de se acompanhar também.
O casal Harding também é muito legal de se acompanhar no longa, mas eles ficam bem mais interessantes mesmo, do meio pra frente do longa, quando Nosferatu começa a interagir com o casal levando a um acontecimento surreal, e as consequências disso são bem interessantes de ver enquanto o filme se desenrola. É onde Friedirich ganha em tempo de tela, e seu personagem começa a crescer e ficar bem importante na história e cai mais no meu gosto.
Nosferatu é onipresente, aterrorizador, e se impõe de uma forma que nenhum outro personagem antigo ou atual se impõe. Gostei muito dessa versão dele, mesmo eu não tendo assistido o longa original do começo da década de 1900. Eggers dá essa onipresença a Nosferatu e sabe lidar com o tempo de tela do personagem e na personalidade do mesmo, ele mesmo sendo um ser vampiresco que faz parte do folclore da sociedade da época, Eggers ainda consegue dar ao personagem um senso próprio de amor, solidão, conexão, pois não consegui enxergar Nosferatu propriamente como um vilão crasso, mas ele é um ser que devido a sua natureza e as seus métodos, quer conquistar o que quer independente do que venha a acontecer com as pessoas envolvidas. Ele mesmo se acha imponente, como vemos nos diálogos dele com Thomas, diálogos bons e muito bem escritos por Eggers.
O elenco é bem recheado com nomes conhecidos e talentosos:
Temos a protagonista Lily Rose-Depp (do criticado The Idol), filha de Johnny Depp e Vanessa Paradis, faz Ellen, a escolhida por Nosferatu para ser sua cônjuge, e acho que ela fez uma performance muito boa, ela trouxe melancolia e agonia para sua personagem que em poucos momentos se sentia a vontade dentro de seu casamento, mesmo amando muito seu marido, devido aos constantes pesadelos que tinha com Nosferatu que estava tentando cortejá-la, dentro do que Nosferatu considerava como cortejo.
Ela é uma ótima atriz que quando exigida dramaticamente, consegue passar para sua personagem os sentimentos exatos que são pedidos da forma mais verossímil possível.
Nicholas Hoult (Jurado nº2) fez seu marido Thomas, e foi outro que fez um bom trabalho, acho que ele foi mais no automático neste filme, sem muito espaço talvez para poder improvisar em termos de criação de personagem, mas não comprometeu durante o filme e teve química com Lily-Rose para deixar a preocupação do casal um com o outro bem verdadeiro.
Aaron Taylor Johnson (Kraven o Caçador) fez Friedrich, marido de Anna, e acertou em cheio na sua atuação e na criação de seu personagem em termos de trejeitos e forma de se portar e falar. De longe, tirando Nosferatu, para mim, era o personagem mais interessante de acompanhar no filme, e Aaron cresceu muito mais em sua atuação da metade pro final de filme, uma vez que seu personagem passa por algo inimaginável no longa, fazendo com que ele cresça bastante em importância e em presença.
De longe foi o personagem que mais gostei no longa, e ver Aaron atuar assim de prato cheio é bem bacana de acompanhar, pois ele é alguém que gosto muito de ver em cena.
Emma Corrin (a Cassandra Nova de Deadpool & Wolverine) fez a esposa de Friedrich, Anna e o tempo que teve no filme ela aproveitou bastante, fez uma boa performance, trouxe um carisma pra personagem, e fez uma boa parceira com Aaron Taylor Johnson.
Ainda tivemos Ralph Ineson, que será Galactus no próximo Quarteto Fantástico do MCU, que fez o Dr. Wilhelm Stevens, e o já grandioso e onipresente Willem Dafoe (Ruas de Fogo, Asteroid City) que esteve nos últimos dois filmes de Eggers e aqui faz um ótimo Professor Albin Eberhart Von Franz que no momento que entrou em cena, roubou as atenções, trouxe um personagem que age mais pelo lado sobrenatural, é aquele jeito dele único de interpretar, foi muito bom tê-lo em cena como sempre, porque Willem Dafoe enriquece qualquer obra que participa.
Bill Skarsgard (o Pennywise de 'It' e o Zeitgeist de Deadpool 2) fez o Conde Orlok, ou Nosferatu, e pra mim ele fez uma das melhores atuações do filme, ele foi perfeito na sua atuação do Conde, fez um trabalho de voz incrível, que dá um certo desconforto em ouvir aquela voz meio demoníaca, teve um trabalho corporal muito bem estudado para dar ao seu Nosferatu um toque único e pessoal.
Todo o trabalho de Maquiagem e cabelo que fizeram nele foi ótimo, realmente é um Nosferatu que dá medo e que tem essa onipresença quando se está em cena, tem um ar de inteligência ao conversar com os outros, no caso mais com Thomas, e tem uma cena final ali com Ellen que impacta quem assiste, pois é muito verossímil e tem uma entrega muito boa dos dois em cena. Grande trabalho de Bill neste filme, Nota 9,5 pra ele fácil.
Robin Carolan fez a trilha sonora do longa, ele fez seu primeiro trabalho no filme anterior de Egger 'O Homem do Norte', e aqui ele retorna para fazer um ótimo trabalho, sua composição é soturna, envolvente, dá aquele tom de suspense, de algo que está encoberto ou escondido, e quando Nosferatu aparece e também quando ele faz suas ações vampirescas, o trilha cresce, ela fica gigante, ela fica tão evidente e eloquente, é grandioso, é perfeito... Carolan foi muito feliz no seu trabalho e trouxe uma trilha que anda de mãos dadas como filme.
Chris Columbus produziu o filme ao lado de sua esposa Eleanor, e Chris foi nada mais nada menos que o Roteirista dos dois primeiros 'Gremilins' nos anos 80, 'Os Goonies', além de ter dirigido os dois primeiros 'Esqueceram de Mim', 'Uma Babá Quase Perfeita', 'A Pedra Filosofal' e 'A Câmara Secreta' da série Harry Potter... sem falar que produziu 'O Farol' e 'A Bruxa', sendo essa a terceira parceria dele com Eggers.
'Nosfeatu' foi bem indicado nessa temporada de premiações, mas pouco premiado:
- No Satellite Awards foi indicado a Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Direção de Arte e Melhor Atriz em Filme Drama para Lily-Rose Depp. Levou apenas o prêmio de Melhor Elenco, onde não concorria com ninguém, é um prêmio especial da premiação que smepre escolhe um filme para congratular o elenco;
- No Critics Choice foi indicado a Melhor Maquiagem, Melhor Fotografia, Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte. Levou o prêmio de Fotografia;
-No BAFTA indicado a Trilha Sonora, Fotografia, Figurino e Maquiagem. Não Levou nada;
-No Oscar está indicado a Direção de Arte, Fotografia, Figurino e Maquiagem.
Robert Eggers entrega mais um grande trabalho, mais um filme de alta qualidade em seu currículo de grandes filmes, é sempre gratificante esperar pelos próximos trabalhos de Eggers, porque sabemos que iremos encontrar algo grandioso, de qualidade e envolvente.
Para mim, 'Nosferatu' é um filmaço.
(Assistido em 22/01/2025 - Cinemark Eldorado)
Emilia Pérez
2.4 483 Assista AgoraEmília Pérez foi baseado em uma capítulo de um romance escrito por Boris Razon chamado 'Écoute', no caso a personagem título e não todo o roteiro do longa, e foi levado para as telas como uma espécie de ópera em quatro atos. Ou seja, o longa de Jacques Audiard seria um musical, e ainda seria uma espécie de thriller dramático.
Audiard foi o roteirista, tendo a colaboração de mais 3 colegas e ainda foi produtor do filme, e acho que ele conseguiu escrever um roteiro um tanto quanto satisfatório, em termos de história, pois em certos momentos você fica imerso no que está acontecendo na telona, mas falha bastante no texto, que oras é problemático, oras é de dar vergonha alheia, e ainda temos as personagens onde do meu ponto de vista, somente Rita se salva, como a mais interessante. Jessi, Epifania e Emília, são personagens que têm muitos problemas, algumas questões problemáticas, com relação a caráter, e também em presença de tela... não são personagens que ocupam todo o espaço, não são interessantes como um todo, e tem muitas questões ali conflituosas, que acabam não se afeiçoando com o público que as acompanha, ao meu ver, é claro.
Emília é uma personagem que antes da cirurgia de troca de sexo, era Manitas o grande chefe/rei do narcotráfico mexicano, que foi pouco aprofundado, e também suas questões mais profundas para finalmente se aceitar como mulher e fazer essa mudança, tudo isso é tratado superficialmente, mesmo que Audiard tenha dado um mínimo destaque, jogado o mínimo de luz nessa questão... ao meu ver não teve esse cuidado em deixar explícito ao público de modo detalhado os poréns de somente agora buscar essa mudança, como isso afetaria sua mulher e filhos. Mas pelo menos foi citado e ainda discutido durante o primeiro ato.
Após se tornar Emília Pérez, a personagem ainda tem muito a oferecer em termos de roteiro, afinal ela leva o nome do longa, mas ela não tem esse peso, essa vitória com o público... é difícil durante o filme pegar algum espectador que realmente esteja gostando de conhecer Emília Pérez, não há essa aproximação com quem assiste, não há essa troca, essa torcida para com ela, apenas acompanhamos os fatos e ficamos de olho nos acontecimentos.
É complicado porque Emília, ainda quando Manitas, foi um home que por meio do narcotráfico ceifou a vida de muitas pessoas, demonstrando a sua força e a rigidez em conduzir os seus negócios, e ao se tornar Emília Pérez, existe essa busca por absolvição, de fugir do passado e pensar somente em sua nova vida, em ser essa nova pessoa, como se tudo aquilo que fez e promoveu, não tivesse mais peso, não mais a assombrasse e agora ela está de bem consigo mesma e tudo e todos precisam deixar o passado para trás. Nem mesmo os atos que promove para poder dar um alento às pessoas que tiveram seus entes queridos desaparecidos (leia-se mortos), dados como sumidos, nem isso faz com que a parcela do público, eu incluso, se sinta solidarizado com Emília e sua nova jornada... quando o passado (e nem é exatamente o passado assim, é mais uma briga por mulher) volta em sua nova vida, ainda assim sabemos no fundo que os acontecimentos que possam vir à tona, serão apenas consequências de atos que ela cometeu quando tinha uma outra vida, e precisa encarar ou pagar esse preço.
Jessi é uma personagem complicada, pouco nos é mostrado dela em termos de caráter e de passado, apenas acompanhamos como ela fica desamparada e desiludida quando o marido supostamente morre no México, e exilada na Suíça à mando do próprio Manitas, ela sofre por ter que ir para esse país frio e longe de sua terra natal, e depois reluta um pouco em retornar, mas retorna apenas por causa de seu amante... Jessi está na história apenas para ser o ponto definitivo que selará o destino de Emília, não teve aprofundamento na personagem, e nem de longe ela é interessante.
Já Epifania, da atriz Adriana Paz, aparentemente única mexicana no longa, aparece mais no ato final, e acaba tendo pouco tempo de tela, tendo um romance até que meio superficial e forçado com Emília na minha mais modesta opinião. Eu não consegui achar muita naturalidade no envolvimento das duas, até acho que as duas não combinam muito juntas no filme, parece que foi algo muito forçado, somente porque as duas são cismadas, uma vai com uma faca e a outra tem um revólver guardado... e então elas tem mais uma cena juntas e acabou, sem mais epifania em destaque e sem mais interação entre as duas. Realmente pra mim não foi um bom artifício de roteiro e de história. Apenas para fazer com que Karla Sofía Gascón tenha mais um número musical no longa.
'Emília Pérez' é um filme bem musical, mais que o comum, e eu já não sou muito fã de musicais, sempre vou com um escudo, porque acho que não vou gostar ou que não vai ser agradável, afinal musicais são coisas dos norte-americanos, não é muito nossa praia.
Porém não me incomodou tanto assim, houve momentos que as músicas me cansavam, como a conversa entre Rita e o médico que ia operar Manitas, todo aquela cena musical foi bem chata, uma vergonha alheia, péssima escolha de Audiard. Já outras cenas não me incomodaram tanto assim.
Um fato é que se o filme fosse levado a sério, sem ser um musical, tivesse sido um roteiro mais trabalhado, focado no drama, com uma boa atenção ao texto, com uma outra outra cena musical, bem pontual... 'Emília Pérez' teria sido um filmaço, de entreter quem estivesse no cinema, e seria muito mais agradável a experiência... é como fazer um remake de um jogo de videogame antigo, você vai respeitar o conteúdo original, mas vai aperfeiçoar tudo o que deixou a desejar no jogo original.
Nas atuações, é claro que a melhor e única atuação boa do filme disparado, é de Zoe Saldaña (Guardiões da Galáxia), Rita é a melhor personagem do filme, a que a gente mais se conecta e que tem mais vontade de torcer ou de ter uma certa empatia. Tem um bom texto, tem boas passagens e Zoe respeita a personagem e consegue passar em tela todas as sinceras emoções que a personagem sente e nos transmite com naturalidade.
Também não é culpa dela, mas a cena, de novo com o medico que vai operar Manitas é uma vergonha alheia, assim como depois dela, a cena onde Rita vai conhecer mais as instalações e o pessoal ligado à operação, e naquela passagem musical, tem a famigerada fala "de Pênis para Vagina, De Vagina para Pênis?"... ridículo é pouco, imbecilidade é pouco, que mal gosto hein francês.
Zoe foi indicada e ganhou em todas as premiações televisionadas até agora, Globo de Ouro, Critics Choice, BAFTA, perdendo apenas o Satellite que é fora da curva das premiações, mas com certeza levará o SAG's Awrds e o Oscar...e com muita justiça, é inegável que sua atuação é incrível, ela se superou bastante, traz drama, canta, dança, performa, tudo... merece e muito.
Karla Sofía Gáscon tem uma boa atuação, principalmente no primeiro ato quando é Manitas, como atuou bem fazendo um homem, nem achava que era ela e nos créditos eu me surpreendi, não esperava que ela iria voltar a ter uma atuação masculina.
No resto do filme, na minha mais modesta opinião, foi uma sequência de altos e baixos, sendo que nas cenas de drama e nas cômicas bem dosadas, ela se saiu muito bem e era bacana ver como Karla deu uma personalidade única a Emília Pérez. Na minha ignorância, uma vez que é seu primeiro papel agora como mulher, ela meio que se perdeu no personagem, no bom sentido, não enxergávamos mais Karla e sim Emília Pérez, era só a personagem ali, isso foi um ponto muito positivo dela.
Mas as cenas musicais de Karla não me conquistaram, acho que ela canta de um jeito muito plástico em minha opinião, não curti muito esse lado dela como artista. No mais acho que foi foi demais indicá-la ao Oscar de Atriz, em outras premiações é até válido, como no BAFTA, mas no Oscar achei exagerado, afinal foi uma boa atuação, mas nada demais para ser indicada na principal premiação do cinema mundial.
Selena Gomez (Only Murders in The Building) sou muito fã dela como atriz, e fã de Mabel, sua personagem em 'Only Murders..', mas aqui como Jessi... foi zero, nada, não gostei de sua atuação, achei tudo muito, sei lá, fora de tom, exagerado, talvez não forçado, mas não curti.
Muita coisa da sua atuação eu não curti, não me ganhou, sua personagem não me cativou e as cenas onde ela canta também não me ganharam... sua canção 'Mi Camino' é uma canção bacana, bem composta, bem performada, ela canta ali direitinho, obvio, bem afinada... mas não me ganhou, muito chato ahahahahaha. As indicações para ela em Atriz Coadjuvante em algumas premiações, como no BAFTA e Globo de Ouro, foram beeeeeem exageradas.
As canções do filme foi outro ponto de controvérsia para mim, pois temos boas canções e temos péssimas canções. As boas canções dá para contar nos dedos, sendo que 'El Mal' de Zoe Saldaña é uma delas, muito bem performada no longa, com ótima coreografia e uma Zoe inspiradíssima na performance, e uma música bem composta e bem instrumentada. Outra canção boa é a que Emília Pérez canta para sua filha, uma boa voz de Karla Sofía Gáscon, uma boa interpretação, uma canção bem bonita, ficou uma cena muito bacana.
Já as que são ruins, eu diria que todas as cenas que seriam com diálogo normalmente, foram feitos em um diálogo cantado, e isso para mim é desinteressante, e nada apreciativo, portanto eu não curti nenhuma dessas cenas... a canção que Karla Sofía canta onde sua personagem está apaixonada novamente, agora por Epifania, também é uma das que mais dá vergonha alheia, porque a canção é ruim e nada acrescenta à história.
'El Mal' é a canção de grande destaque do filme, e realmente ela é muito boa, tem uma letra direta, bem escrita, que vai apontando o dedo em cada pessoa non grata naquele salão, um ritmo forte, com uma banda frenética de rock com uma bateria protagonista.
Zoe Saldaña canta muito bem esta canção e principalmente performa muito bem na cena, com uma ótima coreografia, e muita presença de cena. É um ato bacana que nos dá ares de teatro, e têm esse 'Q' de ópera moderna, e não à toa a canção recebeu indicação em todas as premiações televisionadas na temporada.
Globo de Ouro, Critics Choice, Satellite Awards, Oscar, são as premiações que possui Melhor Canção como categoria e indicou esta canção e 'Mi Camino' cantanda pela Selena Gomez, mas 'El Mal' já venceu o Globo de Ouro e o Critics Choice, e 'Mi Camino' bateu a canção de Zoe e venceu o Satellite Awards, restando agora o Oscar.
A direção de Jacques Audiard realmente é muito boa, foi uma das coisas que mais me surpreendeu no filme, ele dirige de uma forma muito autoral, muito intensa, possui umas tomadas realmente de grande escopo, onde pega o cenário aberto e faz os personagens serem onipresentes nas cenas onde estão encenando. Audiard também usa de um artifício de giro de 360º graus (ou parte disso), nas cenas musicais, e em algumas poucas tomadas de plano sequência.
Audiard também tira de cena as personagens que estão em seu número musical, saindo do seu cenário e partindo para um plano escuro, onde pode ter só eles, ou então um grupo de dançarinos acompanhando a canção em si. Tem um cuidado grande nas cenas mais dramáticas com Emília, e dá um protagonismo acima da média para Rita, sendo um pouco mais comedido com Jessi, mas quando está em cena, Audiard consegue captar todos os sentimentos de Jessi que ela demonstra na cena em questão. Ou seja, uma direção realmente bárbara de Audiard.
Agora sim, vou falar sobre as polêmicas do longa:
Infelizmente Jacques Audiard usou muito de sua falta de bom senso e arrogância para achar que não precisaria pesquisar sobre nada do México, costumes, pessoas, cultura, fator local, enfim... todo um trabalho de pesquisa para deixar seu filme mais rico, afinal, é um longa francês que se passa no México, o mínimo que você deve fazer é pesquisar a fundo sobre o país que o seu filme irá se passar... zero preocupação de Audiard.
Bola fora também, da diretora de elenco que achava que nenhum artista mexicano era bom o suficiente para fazer parte do filme e assumir algum personagem, ou a maioria deles, afinal a história de passa no México... resolveram trazer atores famosos que possuem nomes e sobrenomes latinos... erraram FEIO demais, mas feio demais, muito feio... quanta hipocrisia junta, incrível.
Ainda nisso, Audiard tinha dúvidas de qual língua seria falado seu filme, Espanhol? Inglês? Francês? Sério? Você ainda precisa pensar que língua será falada? O filme se passa no México, dane-se que o filme é Francês visando o público Hollywoodiano, ou você faz o seu filme de forma autêntica e honesta, ou você faz essa coisa que ficou meio plástica e forçado demais, e muito mal estudado também.
E ainda teve o povo mexicano metendo o pau no filme dizendo que as personagens estavam muito estereotipados, que nada representavam o povo mexicano e os costumes e tudo o mais... algo que pra mim foi difícil visualizar, pois não estou familiarizado com os costumes mexicanos, não a fundo, não consegui enxergar os estereótipos, que são tão gritantes para os mexicanos.
Mesmo com todas essas polêmicas, a crítica norte americana amou 'Emília Pérez', exaltou, elogiou, principalmente Audiard, e premiou em diversas premiações setorizadas de críticos em dezembro, sendo apontado como o principal favorito ao Oscar deste ano.
Ganhou o Globo de Ouro de Filme Comédia/Musical e Filme Estrangeiro, e vinha pra ser o principal favorito nas demais premiações, já visando o Oscar.
Então, veio os Tuítes racistas e preconceituosos de Karla Sofía Gáscon, descavados ali no auge da rixa entre os brasileiros e os amantes de Emília Pérez no X, e depois da divulgação desses tuítes, o filme perdeu uma força que nunca se viu na história da temporada de premiações... além dos tuítes de Karla, sua defesa em entrevistas para aparar essas questões, foram piores ainda, era uma mea culpa atrás da outra.
Depois veio a equipe dela acusando a equipe de 'Ainda Estou Aqui' de difamar o filme francês e fazer campanha contra eles, e depois uma entrevista controversa de Karla Sofía ao 'Estado de São Paulo' quando veio promover o filme no Brasil. Hoje o filme tem quase nada de credibilidade entre os votantes da academia, e consequentemente da academia britânica (BAFTA) e do sindicato (SAG's e PGA).
O que era um prêmio praticamente garantido para 'Emília Pérez' no Oscar de Melhor Filme, que seria o primeiro da Netflix finalmente, virou uma chacota mundial e hoje o filme se levar dois Oscars na premiação, será muito, será gigante ainda.
O filme teve 8 indicações no Globo de Ouro com 3 prêmios. O mesmo aconteceu no Critics Choice Awards, levando Melhor Filme, Atriz Coadjuvante e Filme Estrangeiro.
No BAFTA foram 11 indicações e somente 2 prêmios, Atriz Coadjuvante e Filme em Língua Não Inglesa.
No Oscar são 13 indicações... 13 gente, ou seja, a Academia AMOU 'Emília Pérez', e depois de todas essas polêmicas, eles estão odiando o filme, isso nunca aconteceu antes no Oscar, o filme entrar como favorito e perder essa força e correr o risco de sair com 1 prêmio só, ou 2 dependendo.
Nem citei muito a trilha sonora de Clément Ducol e Camile, que escreveram e compuseram todas as músicas do longa, e as músicas que permeiam o filme...de mediano pra fraco.
Bom, eu achei 'Emília Pérez' um desperdício de obra, pois seria um grande filme se fosse tratado como tal, se fosse levado a sério, se tivesse tido um estudo, se limitasse e muito as partes musicais, se fosse um drama com uma leve comédia aliviada, se o elenco fosse melhor montado... mas a Karla Sofía Gáscon possivelmente seria escalada no longa, pelo fato de ser uma atriz que fez a troca de gênero recentemente e casa com a personagem principal do longa. E a atuação dela foi boa, não for ruim nem péssima nem nada.
Mas acho que o filme já estava fadado a essa polêmica toda, a não ser que achassem outra atriz que trocou o gênero, e de preferência mexicana, enfim...
Achei o texto de mau gosto, o alívio cômico usado no filme também muito mal inserido, muitas músicas tirando o ritmo do longa, ficando muito chato, músicas chatas, diálogos cantados, que é mais chato ainda...
Possui uma ótima direção, tecnicamente o filme é muito redondo, muito bem feito nessa questão... mas Selena Gomez está forçada no filme, a Karla está bem mas não é nada demais, e quem realmente entrega um bom trabalho apesar dos pesares é Zoe Saldaña.
Gostei do final, achei muito bom, o último ato do filme é o mais interessante do longa, mas tem muitas cenas e muitas partes de vergonha alheia, o roteiro de Audiard dá umas mancadas muito grandes e isso fica bem evidente.
É um filme que dificilmente eu darei preferência para revisitar, mas dificilmente mesmo... porque é chato em muitas partes, legal em poucas partes, não chama a atenção no fim das contas...
Como é um filme musical e os americanos AMAM musicais, eu entendo porque amaram o filme, porque exaltaram nas críticas, e levou o prêmio do Júri em Cannes, e era o favorito para a temporada e principalmente para o Oscar... mas depois de ver, né difícil tentar entender porque eles gostaram tanto do filme... um dos musicais mais xoxos que vi nos últimos tempos.
Enfim... gostaria de ter visto antes de ver todas essas polêmicas, gostaria de saber o que eu acharia do filme vendo ele virgem.
(Assistido em 12/02/2025 - Cine Belas Artes)
Anora
3.4 1,1K Assista AgoraFestival de Cannes, a Palma de Ouro que é o prêmio máximo da noite, o prêmio 'DO' filme do festival, e esse filme independente de Sean Baker bateu outros filmes de destaque como 'Megalopolis', 'A Semente do Fruto Sagrado', 'A Substância', 'Emilia Pérez', 'Tudo Que Imaginamos Como Luz', 'Motel Destino' o representante brasileiro, entre outros.
Um filme caótico sobre uma prostituta, um moleque bilionário, um capanga russo, uma família russa chefiada por um oligarca... o que era para ser um conto de fadas, se torna uma noite que foge do controle com gritaria, agressão, dedos na cara, e um final de partir o coração.
'Anora' chegou tímido em Cannes, mas fez um barulho grande depois de ser exibido e ovacionado com minutos e minutos de aplausos, e então, ao final do festival levar a Palma de Ouro, para surpresa de muitos que estavam cobrindo o festival.
O que mais gostei em 'Anora' foi a visão e construção que Sean Baker trouxe para seu filme, trazendo um ritmo intenso, sempre caminhando para frente ao mesmo tempo que nos contextualiza alguns fatos... uma edição certeira que monta bem as passagens do filme, nunca deixando nenhuma cena tomar forma demais, mas também não tirando o contexto de quem assiste.
A música é frenética e combina com a rotina e a intensidade do trabalho de Ani, e as luzes sempre são Neom quando estamos a noite, também deixando claro que a noite é a selva de Ani, é onde ela se sente a vontade, onde ela comanda, onde ela consegue ser ela mesma da melhor forma possível.
Como já mencionei, o fato de o filme ser bem caótico em sua grande parte, é o RG do filme, é aonde ele mostra a que veio, e todo esse caos é muito bem controlado por Sean Baker, que não deixa o espectador mais atento e interessado dispersar do que acontece em cada cena. Todo esse caos, os palavrões, as vozes altas, é o charme do longa, é aonde vemos o que Sean Baker consegue fazer de melhor, pois é muito difícil gravar e deixar uma cena interessante quando contém muito caos, todos falando ao mesmo tempo, muita infirmação junta, misturada com palavrões do mais baixo calão, algo bem semelhante visto em alguns episódios da série 'The Bear'.
E eu digo o espectador mais interessado e atento, porque o filme não é do gosto de todos, tem muita gente que não vai se afeiçoar com esse estilo de texto, de ritmo, de tom, de caos, o que fará com que este espectador não absorva por completo tudo o que o filme está verbalizando, e perderá muitas nuances nas entrelinhas, ou certas coisas que estão bem na car mesmo, explicitado pelo diretor.
Eu sempre aprecio os cineastas que trazem uma forma nova de se contar uma história, de montar um filme, da visão única e pessoal que possui de levar para a telona a história que pretende contar, que foge do convencional que estamos acostumados em ver nos filmes que saem a cada mês. Sean Baker traz esse frescor que presenciamos, temos cenas diversas editadas para dar esse contexto do que Ani faz, do que ela passa, como ela lida com sua rotina profissional, são cortes e cortes que vemos principalmente no primeiro terço do filme, misturado com aquela trilha eletrônica alta que vai ditando o rumo dos acontecimentos e permeando a noite neom em que Ani e os demais personagens desfilam.
Temos um texto ácido e direto, bem completo, que ganha muito corpo a partir do momento que os Russos aparecem em cena na casa de Ivan, e é perceptível a troca de falas entre Ani e Igor e como o texto favorecem os dois, como eles vêm do mesmo lugar, mas tomam rotas diferentes pra no fim, chegarem no mesmo destino, e a cena final do longa deixa isso bem explícito. Obviamente o longa possui muitos palavrões, algo que já é comum nos filmes de Sean Baker, e na verdade pouco importa, ele apenas transporta algo que vemos no dia a dia, algo que é comum, e dentro do contexto do seu filme, é algo mais que natural.
Vi muita gente dizendo que Anora não tinha nada de especial, mas até então eu não sabia que o personagem tinha a obrigação de ser especial, o personagem é o que é, e como ele vai tocar cada pessoa já é algo muito pessoal, mas isso não quer dizer que o personagem precisa ser diminuído (a não ser que seja um caso muito específico, geralmente de roteiro ruim mesmo).
Anora é o que vemos, e testemunhamos um conto de fadas às avessas, uma vez que Anora a princípio não se vê fora daquela vida, não tem a intenção imediata de deixar a profissão, ela é boa no que faz, faz bem e com educação e carisma, não importa a idade, a classe, o aspecto... mas sua vida começa a virar de cabeça pra baixo quando ela começa a atender frequentemente Ivan, o garoto bilionário, e por alguma razão ela se sente bem perto dele, o acha engraçado, está curiosa em atender um russo que não está 100% a par dos costumes americanos e além de querer sexo com ela, também quer a companhia, seja para jogar videogame, ou para sair com os amigos.
Para Ivan, é tudo na impulsividade, algo que Ani não percebe, passar a noite com ela não foi impulsivo, mas a ver mais vezes foi, chamá-la para sua casa para atender privado foi, convidar pra sair com os amigos foi, e junta o fato de ela ser divertida e comprar a diversão dele, e ainda ensinar ele a meter gostoso pra não gozar rápido, fez ele ter a impulsividade de chamá-la de namorada (de programa), e pedi-la em casamento... rico sendo ele, pode comprar o anel que ela quiser, e comprou, não sei quantos quilates.
Para Anora era tudo, para ele era só mais uma viagem aos States, e quando as coisas saem dos trilhos, é que Anora aos poucos vai vendo seu conto de fadas, sua vida nova cor de rosa, seu 'casamento', seu passe livre da vida que leva, ir por água a baixo lentamente. Se os personagens fossem ridiculamente ruins e desinteressantes, zero carisma, um filme xarope e arrastado, nada disso funcionaria e iria obviamente ser um porre assistir... mas os personagens são carismáticos, todos ao seu modo, Anora é carismática, uma parte do público pode não torcer por ela, mas carisma ela tem, Ivan mesmo sendo um riquinho mimado, moleque, irresponsável, tem seu carisma, Igor nem se fala, se calado ele já chama atenção do público, quando abre a boca pra soltar meia dúzia de palavras ele ganha a simpatia da sala inteira. Toros, Garnik, Lulu, cada um tem seu carisma a seu modo e o filme se enriquece com isso.
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Eu ia comentar que não tinha visto nada com Mikey Madison ainda, mas ela esteve em 'Era Uma Vez em... Hollywood' fazendo Susan Atkins, só que eu não lembro quem era essa mulher no filme, mesmo puxando na memória, só se for uma das meninas lá do local onde o Brad Pitt chega de carro e depois da uma surra num cara de lá, enfim... Esse é o primeiro trabalho dela que vejo prestando mesmo atenção na atriz, e vou dizer, Mikey arrasa, dá um show, faz uma interpretação gigante, ela tem aquele desdém que as profissionais do sexo exalam mesmo, ela tem o carisma, ela incorpora todos os trejeitos, tiques, ações que uma profissional do sexo demonstra no dia a dia, o jeito de falar também já é meio arrastado, anasalado, cansado, do jeito que a maioria delas costumam falar.
Além de Madison dar uma personalidade própria para Anora, trazê-la a vida de uma forma única e icônica, o que sempre me chama a atenção nesses tipos de interpretações, são as cenas de sexo sem pudor... eu acho que pra você realizar essas cenas, de uma maneira verossímil, para o projeto, para a história contada, para a personagem, para o momento e para o público, você precisa ser uma 'Fucking actress'. E Madison vai sem pudor para as cenas de sexo, nas mais variadas posições sexuais com Ivan, nos gemidos quando está levando por trás, nas cenas de nudez que antecedem o ato com Ivan, principalmente nas cenas iniciais do longa, quando ela está se esfregando no colo dos clientes... todos sabemos que a mulher enxerga o sexo de maneira diferente que os homens, e mesmo na atuação, o homem não tem nenhum pudor ou questões para filmar uma cena de sexo ou uma cena sensual... porém com a mulher é totalmente diferente, pois precisa ter uma conversa antes do que é permitido e o que não é, aonde ela se sente a vontade e aonde não se sente, não pode ser algo gratuito apenas para satisfazer a experiência do público masculino, e nos dias de hoje existe um profissional de intimidade para lidar com essas cenas mais íntimas e picantes. Algo que Madison recusou para as filmagens, ou ela recusou ou ela não exigiu, foi algo assim... e isso faz ela crescer mais em meu conceito em sua atuação neste filme, não por não ter um profissional de intimidade ali e ela não fazer de questão de ter, mas o fato de ela se entregar totalmente à personagem e ao projeto, e ver isso como algo menos importante e deixar tudo o que ela faz, o mais verossímil possível, pra termos o máximo de Ani em cena.
Isso já motivo para premiar a atriz, que foi indicada em várias premiações em dezembro de associações americanas setorizadas, e nas principais premiações da temporada.
Um ator que foi uma surpresa grata no filme foi Yura Borisov que fez Igor... eu achava que ele seria o gangster russo que ia chegar botando banca e arrebentando tudo, que iria ser um contraponto para Ivan e consequentemente para Ani, mas na verdade ele é um cara contido, na dele, caladão, que tenta ajudar Ani da melhor maneira possível, mesmo ela não percebendo, pois está cega demais achando que Ivan irá voltar para assumi-la de vez. Sua atuação mais contida, mais centrada, com mais expressões do que falas, deixa Igor uma figura por quem o espectador se conecta já desde cedo, e vai numa crescente interessante, até ele e Ani pararem em um hotel junto, depois de tudo já resolvido, e ali trocarem uma conversa mais civilizada na medida do possível (com o ponto negativo sendo Ani questionando o porque ele não ter estuprado ela, essa parte não gostei).
Não é uma atuação das mais convencionais, e aí fui convencido de que é uma atuação sem igual de Yura, um coadjuvante mesmo, que em momentos chave e outros nem tão chave assim, ele aparece, deixa sua impressão e novamente volta para o fundo da cena, à espreita de receber uma deixa e voltar para o centro dos holofotes novamente. Sua cena final com Ani no carro, é uma resposta a tudo que acompanhamos no filme, e traz uma interação sem igual dos dois, que ainda não havia sido concretizada durante o longa.
Mark Eydelshteyn fez Ivan, ele é um ator russo novato, e vestiu bem a camisa de do seu personagem, e por ser um ator russo que nunca vimos antes, não enxergamos o ator e o personagem, enxergamos só o personagem, porque não estamos familiarizados com o ator em questão, o que faz com que seja verossímil o que ele entrega como um garoto rico mimado. Achei a atuação dele excelente, despojada, engraçada e carismática, mas pena que ele se mostrou um frouxo do meio pro final, pios me pareceu que era um personagem que tinha muito para queimar ainda no longa.
Vache Tovmasyan, Luna Sofia Miranda, Karren Karagilian, Ivy Wolk e Luna Sofia Miranda foram outros bons destaques no longa.
Matthew Hearon-Smith foi o responsável pela trilha sonora e fez um trabalho vigoroso, sua música encaixou muito bem com todo o ritmo do filme, todo o contexto, todas as passagens pela Nova York noturna... é difícil pensar neste filme sem essa trilha permeando todos os takes, todas as cenas. Eu me pegava batendo os pés no ritmo da composição na grande maioria das cenas, principalmente no primeiro ato do filme.
Sean Baker fez o famoso Cabelo, barba e bigode... dirigiu, roteirizou e produziu o filme, ao lado de sua esposa Samantha Quan, e ainda preciso conferir seus filmes anteriores como 'Red Rocket', 'Tangerine', mas saio com boas e ótimas impressões de 'Anora'. Se tornou um dos cineastas que sempre vou aguardar o próximo filme.
Baker tem com este filme seu melhor trabalho comercial, afinal atraiu grande parte do público e foi lembrado e premiado por diversas premiações nesta temporada.
O longa recebeu 6 indicações no Oscar, Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Diretor, Melhor Edição, Roteiro Original, Melhor Ator Coadjuvante para Yura Borisov.
No Globo de Ouro foram 5 indicações, Filme Comédia/Musical, Atriz, Ator Coadjuvante, Roteiro, Direção. Perdeu todas.
No Critics Choice Awards foram 7 indicações, Filme, Atriz, Ator Coadjuvante, Edição, Direção, Roteiro e Elenco. Levou apenas um prêmio, que foi o principal da noite, Melhor Filme, um grande feito para Sean Baker.
Já no BAFTA que acabou de acontecer, o longa levou dois prêmios, Melhor Atriz para Mikey Madison, uma lembrança merecida para a atriz e Melhor Elenco. Recebeu as mesma 7 indicações do Critics Choice.
No SAG's Awards foram 3 indicações, Elenco em Filme, Atriz e Ator Coadjuvante.
No Spirit Awards de Filmes Independentes foram 6 indicações, Melhor Filme, Ator Coadjuvante para Yura Borisov, Direção, Fotografia, Edição e Roteiro.
No Satellite Awards foram 6 indicações, Melhor Filme Comédia/Musical, Atriz, Ator Coadjuvante, Direção, Roteiro Original e Edição. Levou o prêmio de Melhor Filme Comédia/Musical.
Ou seja, aclamado o filme de Sean Baker, com inúmeras indicações em todas as premiações, e já três grandes prêmios de Melhor Filme no Critics Choice Awards e Satellite Awards e Atriz para Mikey madison no BAFTA.
Fora que levou a grande Palma de Ouro no Festival de Cannes no meio do ano passado, ou seja, Sean Baker já sai com saldo mais que positivo dessa temporada de premiações que ainda terá o Oscar.
Com a vitória de Mikey Madison no BAFTA, acho que dá uma bagunçada para a disputa no Oscar, com ela, a Demi Moore que é a favorita e a Fernanda Torres, as três na disputa.
Já para Melhor Filme, acho que a briga está entre 'O Brutalista' e 'Anora', que também levou o prêmio do sindicato ds Produtores, um grande indício de que pode levar o Oscar, com 'Conclave', 'Ainda Estou Aqui' e 'Emilia Pérez' correndo por fora.
Anora é um ótimo filme, um ótimo entretenimento, uma grand atuação de Mikey Madison, um elenco perfeito, um caos gostoso de acompanhar, uma boa história, ou seja, um filme bem completo, bem redondo. Mas na minha mais modesta opinião, não o vejo como O filme do Oscar, do grande prêmio da noite, de ser lembrado por décadas pelo prêmio. Mas só de levar o Critics e o Satellite de Melhor Filme, já está de ótimo tamanho para o filme de Sean Baker.
(Assistido 10/02/2025 - CineSala)
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraEu lembro do burburinho que o 'Ainda Estou Aqui' estava fazendo nos festivais de Cannes, de Veneza, no meio do ano passado, eram elogios e mais elogios, e Walter Salles estava lá com Fernanda Montenegro e Selton Mello, e concorreu a Palma de Ouro, fora os minutos e minutos de ovação logo após o filme ser exibido, como já é de comum nestes festivais.
E eu já estava muito curioso pra poder conferir o longa, que sequer tinha data possível de estreia por aqui, estava mesmo rodando os festivais afora, e ganhando cada vez mais status e adeptos. Até o filme realmente estrear por aqui em novembro passado.
'Ainda Estou Aqui' realmente é uma experiência única para quem vai acompanhar na sala de cinema, pois uma coisa é você assistir sozinho em casa, e outra é você compartilhar aquela experiência com outras pessoas em uma sala de cinema e ver como cada uma responde a tudo que foi assistido, e ver a resposta do público ao fim do filme é muito gratificante para quem pôde acompanhar um filme tão especial, tão único.
Se Walter Salles já havia acertado a mão certeiramente em 'Central do Brasil' e "Diários de Motocicleta', com 'Ainda Estou Aqui' ele fez a sua obra mestre, de anos e anos de experiência em filmes, de tudo o que aprendeu em erros e acertos em seus filmes, e entregou uma película que nada mais é do que um recorte de uma época sombria da história brasileira.
Um dos acertos de Salles com o filme, é o longa se passar na região da zona sul em todo o seu primeiro ato, quando conhecemos a família Paiva, o ponto em que estão na vida, sua rotina, como é a relação do casal Eunice e Rubens, como é a rotina com seus filhos, das adolescentes aos mais crianças. Todos os colegas de trabalho que cercam Rubens, com o que ele lida no dia a dia, ajudando nas escondidas aqueles que são perseguidos pelo governo atual, entre outros.
É claro que é uma rotina de uma família da classe alta da sociedade brasileira, e por conta disto o filme se passa na região da Zona Sul do Rio de Janeiro, região nobre da cidade, o que acaba nos entregando uma rotina mais básica, onde Rubens trabalha, Eunice possui outras atividades, as crianças sempre estão na praia, Vera a mais adolescente sempre está saindo com os amigos, indo ao cinema, sempre gravando quando estão de carro, curtindo a febre do rock inglês. Mas mesmo assim temos um vislumbre bom do cenário atual, onde a Ditadura vai escalando, está em uma crescente, com o exército nas ruas, polícia parando carros nas avenidas, à procura de 'comunistas', 'terroristas', qualquer um que segundo eles estão em conluio contra a pátria.
E é um cenário todo muito bem construído por Walter, que praticamente nos faz ser quase um membro da família Paiva, porque nos afeiçoamos rapidamente a cada um deles, a cada um dos filhos, já ficamos íntimos de Rubens, e Eunice é como se já tivéssemos conhecido a muito tempo, porque, pelo menos para mim, já em sua primeira fala, não há estranheza na personagem, é como se ela nos apresentasse cada um, como se fôssemos um amigo íntimo, isso foi o que senti vendo Fernanda trazer Eunice à vida no longa.
A impressão que dava, ao assistir o longa em seu primeiro ato, é que poderia ter fácil mais 1 hora de filme só com aquela rotina da família, acompanhando seu dia a dia, seus afazeres, que não cansaria quem assiste.
Por tudo isso, é tão impactante e revoltante, quando Rubens abruptamente é levado por homens para prestar 'depoimento' de rotina, responder algumas perguntas, e não volta mais... deixando Eunice e seus filhos sem resposta, sem ter ideia do que está acontecendo, fazendo com que Eunice, que está aflita, proteja seus filhos menores, e oriente os mais velhos, deixando entender no ar que Rubens foi levado da mesma forma que os embaixadores estavam sendo levados como os noticiários informavam.
Tudo isso se torna ainda mais obscuro quando a própria Eunice é levado junto de sua filha Eliana, para ser interrogada no mesmo local que Rubens foi levado, e lá ela acaba tendo a experiência e ciência do que a Ditadura anda fazendo com as pessoas, pois por mais que ela acabe ficando presa em uma solitária por dias e dias sem fim, outros estão sendo torturados das mais variadas formas possíveis... todos sendo forçados a entregar conhecidos que possam estar tramando contra o país, ou confessar que alguém da família ou a si próprio é um 'terrorista', confessar a quanto tempo está em conluio com eles.
Walter Salles foi muito feliz ao retratar de forma coesa e centrada os horrores de quem sofreu nas mãos da ditadura na década de 60/70, de como familiares perdiam seus entes queridos que eram arrastados de dentro de casa, sem nenhum aviso prévio ou motivo real, se estivesse fazendo alguma atividade que não condiz com as diretrizes do governo, ou se está agindo contra a visão do governo atual, é levado para 'prestar esclarecimentos' e nunca mais é visto, não se sabe o que aconteceu ou deixou de acontecer com a pessoa. Ou você era levado e passava por uma série de torturas para entregar alguém conhecido ou confessar algo do qual você não tem culpa, e depois de semanas e em alguns casos meses, você é libertado sem pedido de desculpas, sem aviso, sem nada, sem paradeiro de onde possa estar seu parente ou amigo.
Em outros casos, a pessoa tinha que se exilar em outro país para fugir da opressão do governo/exército, que poderia muito bem sumir com você sem mais nem menos... esse foi o caso de alguns músicos e políticos, que passaram por essa situação à época.
É chover no molhado falar que a força motriz do longa foi Fernanda Torres, com uma atuação esplêndida, impecável, corajosa, inspiradora de Eunice Paiva, que foi uma mulher que aguentou de cabeça erguida tudo o que teve que lidar depois que Rubens foi levado pelo exército. Ela teve que cuidar da família por conta própria, ter serenidade para não expor os filhos mais novos ao horror que estavam passando, e foi um porto seguro para as mais velhas, Veroca, Eliana e Babiu, que ou sabiam exatamente o que se passava ou tinha uma certa noção de tudo que cercava o sumiço de seu pai.
Acho que a cena que mais define o que é o filme 'Ainda Estou Aqui', é quando Eunice está com as filhas, na sorveteria se não me engane, e ela olha outros casais e namorados, curtindo, rindo, sendo felizes, aproveitando a companhia um do outro, e Eunice não tem mais seu marido para lhe amar, paparicar, elogiar, como fazia sempre que saíam, como na cena no começo do filme antes de Veroca viajar para Londres. Essa cena ao mesmo é uma das mais fortes e uma das mais lindas do filme.
Fernanda nós estávamos acostumados a acompanhar em trabalhos mais cômicos, como a Vani em 'Os Normais' ou a Fátima em 'Tapas e Beijos', anos a fio fazendo essas personagens, e os trabalhos mais dramáticos não chegava muito no grande público, os trabalhos audiovisuais que ela fazia eram mais cômicos e alguns dramáticos estavam mais relacionados ao teatro... portanto, ver a Fernanda como uma atriz mais experiente em um trabalho dramático, com uma carga pesada e exigente, e entregar uma atuação nesse nível, completa e envolvente, é de se brilhar os olhos, porque é aquele tipo de trabalho que gostamos de acompanhar e enaltecer em um filme.
O mesmo digo de Selton Mello que por mais que tenha tido menos tempo de tela, por motivos óbvios, nos entregou um Rubens com um tom na medida certa... um grande pai, atencioso, decidido, responsável, dedicado ao que faz, por fora também ajudando quem necessita, uma grande marido, um homem inteligente, sagaz, uma atuação muito redonda, sem deixar nada de lado. Foi um coadjuvante perfeito no filme.
Dentre tantos atores que vimos passando pelo longa, em papéis menores, ou em participações chave, temos Dan Stulbach, Daniel Dantas, Marjorie Estiano, Humberto Carrão, Maitê Padilha, Marjorie Estiano, a grandíssima e onipotente Fernanda Montenegro.
Mas queria destacar a Valentina Herszage como Veroca, que desde a primeira cena no carro com seus amigos, onde foram parados numa Blitz, fez um belo trabalho... ela deu personalidade e carisma para Veroca, e sempre era muito bom vê-la em cena, e acho que cabia mais tempo de tela para ela que seria muito bem vindo.
Bárbara Luz que fez Nalu também entregou um ótimo trabalho, fez uma Babiu gostosa de se acompanhar, uma menina que sempre estava pra cima, em seu mundinho onde sonhava com um namorado inglês igual ao John Lennon, e suas danças ao som daquela famosa música francesa que eu sempre esqueço quem canta. E também Luisa Kosvski como Eliana mais jovem, ela que sempre se mostrava interessada nas conversas de seu pai e com seus amigos sobre o que acontecia na cidade, e teimava com a mãe para poder conferir o telejornal antes de dormir. Todo o elenco mirim no filme fez um belo retrato da família Paiva, e tiveram carisma para conquistar o público.
Olivia Torres e Antonio Saboia que fizeram respectivamente Babiu e Marcelo adultos, também estiveram muito bem, com o tempo de tela que lhes foram dado, e fizeram um bom recorte de duas crianças que eram novas demais pra entender o que acontecia naquele período, e trocavam lembranças e confissões sobre a época e seu pai, quando estavam reunidos com Eunice.
Com relação a trilha sonora do filme, aqui temos uma voadora no lustre atrás da outra, músicas que conversam com o que o filme propõe e que casa muito bem com as cenas onde a canção está inserida... tem Roberto Carlos com 'As Curvas da Estrada de Santos' e 'Como Dois e Dois', tem Os Mutantes com 'Baby', tem Gal com 'Açauã', Nelson Sargento, Tim Maia, duas do Caetano 'Fora da Ordem' e ' índio'... e a que pra mim é a trilha master do filme, que toca no meio e depois ao subir os créditos ao término, 'É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo' de Erasmo Carlos, o Tremendão.
A direção de Arte do filme também é incrível, assim como a cenografia, remetendo fielmente à época da década de 1970, com móveis, portões, quintais, ruas, os automóveis principalmente, onde a maioria pra não dizer todos, são itens de colecionadores, que emprestam para ser usado no filme, ou alugaram, algumas coisa assim.
Assisti ao filme duas vezes no cinema, a última foi a mais tranquila com muitas moças chorando de soluçar, e outras tantas outras pessoas boquiabertas, nas cenas onde Eunice era interrogada, ou quando ela estava tomando banho ao sair da prisão, ou na cena onde eles deixam a casa no Rio para se mudarem para São Paulo.
A primeira vez que fui, em novembro passado, foi da mesma forma que da última agora, um silêncio total ao assistir o filme com algumas pequenas conversas baixas ali e acolá... mas o fim da sessão, ao subir os créditos com Erasmo Carlos de fundo, puxaram um "Sem Anistia", e aí foi outro gritando, e mais outro e depois mais outro,,, e logo depois alguém falando "Não Passarão". É sempre bom ter essas reações nas salas, e não tem preço presenciar este tipo de experiência que só o cinema consegue proporcionar... as pessoas se manifestando, um filme que mexeu com praticamente todo mundo.
Agora, a parte que deve ter pego muitos de surpresa, inclusive eu... o reconhecimento ao filme nas principais premiações da temporada:
-Só para Filme Estrangeiro temos a lembrança de praticamente todos, Globo de Ouro, Critics Choice, BAFTA, Satellite Awards, Oscar;
-Para Fernanda Torres então, a lembrança no Globo de Ouro, Satellite Awards e o OSCAR... sendo que Fernanda já fez história nessa temporada de premiações para o Brasil, levando o prêmio no Globo de Ouro e no Satellite Awards, ambos por Melhor Atriz em Filme Drama. E o prêmio no Globo abriu as portas pra conseguir a tão desejada indicação ao Oscar.
-E é claro, mencionar a histórica e importante indicação a Melhor Filme no Oscar, totalmente inédito, nunca antes um filme brasileiro havia conseguido tal feito, e no dia dos anúncios, já extasiado em ver que Fernanda tinha sido finalmente indicada, fui pego de sopetão quando anunciaram o nome do filme sendo indicado, e tomei um susto e comemorei com punho cerrado... foi demais, que dia foi aquele, trabalhei o resto do dia com um sorriso no rosto. Quem não estava feliz e sorrindo aquele dia, não merecia nada.
Nos Estados Unidos o filme estreou em meados de Janeiro, em pouquíssimas salas e em cidades selecionadas, e estreou já com esse status de filme vencedor do Globo de Ouro para Fernanda Torres, o que já levou algumas pessoas ao cinema. Mas com o passar das semanas, no boca a boca, crescendo entre o público, o filme aumentou para mais de 500 salas no país inteiro, e em muitas cidades, vem fazendo um sucesso estrondoso no States o filme, claro que não em nível Blockbuster, Wicked, Guerra Civil, mas o quanto o filme vem conquistando o público americano realmente é algo lindo de se ver.
No X, antigo Twitter, são muitos relatos de pessoas lá dos EUA que saem da sessão aos prantos, elogiando demais a atuação da Fernanda, praticamente exigindo que a Academia lhe dê o Oscar de atriz... e outras páginas e demais pessoas colocando o filme como o vencedor da categoria de Melhor Filme em suas previsões, nem é o Filme Internacional, mas Melhor Filme mesmo. A gente sabe que o corpo votante da academia não tem essa mesma emoção que o público americano que se manifesta no X tem, mas realmente tudo é possível e 'Ainda Estou Aqui' só vem crescendo em popularidade e quem sabe, pode sim muito acontecer de vencermos o principal prêmio da noite, agora tudo é possível.
Pela Europa também o filme fez muito sucesso, com filas grandes num domingo gelado a noite em Portugal pra ver o filme no cinema, na Itália teve relatos de salas lotadas, na França teve um barulho também... enfim.
Acho que 'Ainda Estou Aqui' já é vencedor, com tudo o que o filme conquistou e ainda conquista mundo afora, e óbvio dentro do Brasil, nunca um filme brasileiro foi esse arrasa quarteirão todo, acho que 'Cidade de Deus' foi o que mais chegou perto, o mais relevante, mas 'Ainda Estou Aqui' superou mas de muito longe, e já é motivo de orgulho pro país, pros cinéfilos brasileiros, e como eu disse é vencedor por tudo o que fez, independente de Oscar ou não.
Vejam no Cinema! Sem Anistia!
(Assistido em 25/11/24 - Cine Belas Artes)
(Reassistido em 11/02/25 - Cinemark Paulista)