Essa terceira temporada de 'What If?' eu não vou falar de todos os episódios não, até porque é uma temporada fraquíssima. Como foi mal feito essa temporada final da animação, muitos episódios aí sem inspiração nenhuma, histórias mal criadas e construídas bem péssimas, ideias muito pobres e roteiros que são sofríveis.
A. C. Bradley foi o criador da série e o roteirista na duas primeiras temporadas, e fez um trabalho muito bom, principalmente na primeira, com a segunda com bons e maus momentos... para essa terceira temporada o roteirista foi Matthew Chauncey, que realmente... foi muito ruim no que fez, mas foi ruim com força. E Chauncey está escalado como roteirista principal da terceira temporada de X-Men 97, o que já preocupa, ou seja, ou ele melhora logo seu estilo de escrita e visão de uma história, ou ele pode estragar mais uma animação de sucesso.
Dos 8 episódios lançados nesse último ano, para mim é claro, apenas o segundo com Agatha Harkness em Hollywood foi realmente bom, nada demais e acima da média, e bem abaixo dos trabalhos das duas temporadas anteriores, mas foi o que mais me agradou entre os oito episódios... é um episódio bacana, engraçado, muito interessante, foca nos Eternos que são seres que sempre geram grandes histórias e deveriam ser mais explorados por Kevin Feige. A Agatha aqui está bem carismática, tem aquela mudança muito drástica e rápida de vilã para heroína na série, foi dublada maravilhosamente bem por Kathryn Hahn, e ainda temos no episódio o retorno de Dominic Cooper de Capitão América: O Primeiro Vingador, e Kumail Nanjiani como Kingo, além de James D'arcy como o mordomo Jarvis. Um bom episódio.
Os demais realmente, foram de uma falta de inspiração e de uma escrita que dá preguiça de assistir... O primeiro é muito fraco e nada atraente, dos Vingadores criando robôs mecha para enfrentar monstros irradiados com radiação Gama, originados de Bruce Banner... muito chato e mal escrito.
Os episódios do Guardião Vermelho e Soldado Invernal juntos e d'aquele que se passa em 1872 também deixam a desejar. O primeiro tenta ser um espécie de 'road movie' mas não tem graça e não consegui enxergar química nos dois protagonistas. O segundo foi mal criado, mal escrito, é baseado no filme 'Shang Chi e os Dez Anéis', mas não possui atrativos... o episódio começa com John Walker (Wyatt Russel) e a Kate Bishop (Hailee Stenfield) e aí corta para alguns anos antes, e o parceiro dela não é Walker, e sim Shang Chi (Simu Liu) que está atrás da irmã Xialing (Meng'er Zhang), que na verdade era a vilã 'Capuz' do episódio... e não sei se perdi algo ali no meio ou não prestei atenção, mas não vi nenhuma explicação de porquê no final os dois estão lá como parceiros, e ignoraram completamente John Walker que só apareceu no começo, e nada mais é dito sobre o paradeiro do personagem e porque estava ali sendo parceira de Kate Bishop... tipo, WTF? O episódio ainda traz a vlta de Walter Goggings de Homem Formiga e a Vespa com seu personagem Sonny Burch.
O quarto episódio é uma lástima, tinha tudo para ser um episódio muito bem explorado com todo o lado cósmico da Marvel, mas se tornou uma piada sem graça e bem abaixo do que poderiam entregar... falo do episódio que mostra o que aconteceria se Howard o Pato se cassasse com Darcy e tivessem um filho. Eu gosto muito da Kat Dennings e a acho uma ótima atriz de comédia, mas a insistência do MCU em trazer Darcy para seus projetos e vomitar comédia pobre atrás de comédia pobre meio que me irrita um pouco. Darcy é uma personagem engraçadinha, que teve sua melhor participação na série 'WandaVision'... só. De resto tudo que ela aparece não tem muita graça. Aqui trouxeram ela de novo em um episódio muito bagunçado onde todo mundo faz piada e se acha engraçadão... um desperdício de história, episódio e elenco, que trouxe Samuel L Jackson, Tom Hiddleston, Clark Gregg, e vilões antigos como Laufey, Malekith, Grão Mestre e Dormammu.
O episódio da Riri Williams não é interessante também, e muito comum e não anima.
Os dois episódios derradeiros também deixam a desejar, trouxeram a Kahhori novamente, onipresente, ao invés de ser uma personagem que fica lá no seu tempo, ela começa a ser onipresente e tudo o mais... enfim. Hayley Atwell está nessa conclusão, do nada não voltou pro mundo dela, achou novas companheiras e está aqui, lutando e lutando fora do tempo sem nenhuma explicação. A filha de Howard e Darcy está aqui, já adolescente, dublada pela ótima Natasha Lyonne (Boneca Russa e His Three Daughters), e traz a maior surpresa da animação, Tempestade, empunhando seu próprio Mjolnir, Deusa dos trovões. Mas são dois episódios conclusivos bem xaropes, e sem graça e esperava muito mais, mas muito mais.
Realmente uma temporada sofrível para uma animação muito interessante e que foi muito boa em duas temporadas... criaram histórias tão sem graça e desinteressantes, ao invés de focar nos filmes e seus mais hediondos desdobramentos. Nada de focar em filmes do Homem-Aranha, nem no Homem-Formiga, nem em alguma visão diferente de Guerra Infinita ou Ultimato, o quão legal seria ver isso. Algo focado nos Eternos, na Mulher-Hulk, no Cavaleiro Negro, ou na nova Viúva Negra... enfim.
Sinto que no futuro, quando tivermos muitos filmes lançados de Quarteto e X-Men e outros personagens, que essa série volta, tenho quase certeza, mas por ora, foi um péssimo fim para algo que nasceu muito bem criado.
O Primeiro episódio da segunda temporada de What If? traz Nebula (Karen Gillan) no planeta Xandar, como membro da Tropa Nova, tendo que desvendar o assassinato de Yondu (Michael Rooker). O episódio traz de volta Jude Law, Taika Waititi, Seth Green, e é um ótimo episódio, que traz uma boa reviravolta no final, e é bem bacana ver essa outra faceta da Nebula, sem ser uma vilã como foi no primeiro Guardiões da Galáxia, e nem uma anti-heroína, como foi no segundo Guardiões. Aqui ela está focada em sua missão, porque ela vestiu a camisa da tropa nova, ela adotou mesmo Xandar como lar, fez o juramento da Tropa, e acredita no que está fazendo no planeta. Os demais personagens que retornam como Yon-Rogg e Nova Prime parecem ser mais uma paródia de si mesmos , e Howard The Duck, Groot e Korg acabam sendo bem fiéis ao que já conhecemos dele dos filmes. Foi um bom episódio pra começar a temporada.
O segundo episódio traz o pequeno Peter Quill de volta a Terra nos anos 80, a mando de seu pai, Ego o Planeta Vivo (Kurt Russell), para poder destruir o planeta. Eis que a SHIELD, liderada por Howard Stark (John Slattery) e Peggy Carter (Hayley Atwell), a dupla dinâmica direto de 'Agent Carter', resolvem criar uma força tarefa para poder deter a criança, chamando primeiro o desafeto deles, Hank Pyn (Michael Douglas), e daí eles vão trazendo outros personagens notáveis... Bill Foster (Lawrence Fishburne), Bucky Barnes (Sebastian Stan), Pantera Negra Rei T'Chaka, Mar-Vell Wendy Lawson e ainda aparece pra ajudar o Poderoso Thor (Chris Hemsworth). Ainda aparece a pequena Hope Van Dyne, e toda essa gente se tornam os Heróis Mais Poderosos da Terra, e todos agem em conjunto para deter o pequeno Quill e depois, consequentemente Ego, o grande vilão. É um episódio mais ok, diverte um pouco, é bacana ver todo mundo junto como se fossem uma espécie de pré-Vingadores, mas poderia ser um pouco melhor, você vai acompanhando, mas não se animando... é divertido, mas porque eu sou fã... no final, poderiam ter caprichado um pouco mais no pequeno roteiro, agente sabe que meia hora é pouco tempo pra criar algo mais coeso.
O terceiro episódio traz uma história de natal onde Happy Hogan acaba tendo que proteger a Torre dos Vingadores do ataque surpresa de Justin Hammer, que planeja usar a tecnologia Stark para se vingar de Tony e ainda usar o soro do Hulk para criar seu próprio exército. Acidentalmente ele acaba sendo injetado com o soro e se torna uma espécie esquisita de Hulk, e acaba tendo a ajuda de Darcy e Maria Hill para deter a investida de Justin. É um episódio de natal, sem nada demais, uma historinha bem bobinha, bem engraçadinha... acaba sendo a mais desinteressante de toda a temporada, e só quem é fã mesmo do MCU vai apreciar assistir, mesmo sabendo que é um episódio bem fraco. Temos aí Jon Favreau (O Rei Leão) como Happy, Cobie Smulders (How I Met Your Mother) como Maria Hill, Kat Dennings (2 Broke Girls) como Darcy e Sam Rockwell (Jojo Rabbit) como Justin Hammer. Contando ainda com as voltas de Jeremy Renner, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth e Ross Marquand como a voz de W.E.R.N.E.R.
O quarto episódio traz o episódio atrasado da primeira temporada onde Tony Stark depois de levar o míssil que destruiria Nova York para o buraco no céu, ao cair de volta acaba indo por outro buraco e vai parar em Sakaar, no lugar de Bruce Banner. Lá ele acaba enfrentando o Grão Mestre e se alia a Valquíria e tem a Gamora como uma antagonista. O episódio é basicamente um 'Homem De Ferro Ragnarok' trocando os dois protagonistas, e por mais que seja mais simples, em termos de história, consegue fazer o básico, que é divertir. Pode parecer um outro episódio fraco, mas acho que cumpre bem o papel do que é proposto pela série 'What If?'. O episódio tem Tessa Thompson como Valquíria, Jeff Goldblum como Grão Mestre, Taika Waititi como Korg.
O quinto episódio traz a Capitã Carter retornando, enfrentando o Esmagador Hidra que tem como piloto Steve Rogers. Esse episódio traz na verdade a fusão de dois filmes, 'Capitão América O Soldado Invernal' e 'Viúva Negra', com Steve Rogers fazendo uma nova encarnação do Soldado Invernal, Bucky Barnes no lugar de Alexander Pierce, e a Viúva Negra enfrentando Melina e a Sala Vermelha. Esse é um bom episódio, e quando a Capitã Carter aparece sempre é um bom episódio... mostra um pseudo embate entre ela e Steve que aqui está com aquela armadura projetada por Howard Stark, e ainda temos a Viúva Negra auxiliando a Capitã, onde as ações das duas culminam no embate delas com a Sala Vermelha do filme da Viúva, onde ela enfrenta Melina, sua mãe e mentora. Não é o melhor episódio da temporada, mas é um dos mais interessantes. Aqui temos a volta da lindíssima Hatley Atwell, Sebastian Stan como Bucky Barnes, Samuel L Jackson, Frank Grillo como Brock Rumllow, Rachel Weisz como Melina.
O Sexto episódio é o mais interessante de todos, pois se trata da primeira personagem original do MCU, Kahhori, dublada pela Devery Jacobs (da série 'Echo'). O episódio se passa antes da colonização e mostra o que aconteceria se o Tesseract caísse na terra nessa época, na tribo Mohawk. O episódio é muito bom e é na verdade um trabalho bem a fundo da equipe da Marvel Animation, um trabalho de pesquisa, one eles trouxeram pessoas nativo-americanas que ajudaram na construção da tribo Mohawk de Kahhori, e também na língua que é falada pelos personagens, uma língua nativo-americana e trazendo atores que dublaram os personagens que são originários de tribos nativo-americanas. É um trabalho bem único e riquíssimo em autenticidade, com uma boa história e uma origem muito decente dessa nova heroína movida aos poderes do Tesseract. O único ponto que não curti muito, foi o fato de ela não ser uma personagem de um episódio isolado... ela retorna no último episódio da temporada, e eu achei uma saída desnecessária, seria mais bacana se fosse um lance isolado, sem precisar se misturar com o restante do Multiverso.
O Sétimo episódio é um dos mais legais da temporada, que traz Hela, que ao invés de ser exilada em Hel pelo seu pai Odin, como mostrado em 'Thor Ragnarok', ela foi mandada para Terra, do mesmo modo que Thor foi mandado. Ela acaba caindo justamente nos terrenos de Wenwu, o pai de Shang-Chi, e os dois acabam tendo um arranca rabo, onde Wenwu quer ela como parceira, e ela quer os anéis dele. Hela passa por uma transformação tão grande, e tão verdadeira, quando ela atravessa a floresta e cai em Ta-Lo, que Hela se torna uma personagem que vai ser querida por todos que assistirem o episódio. Fora a ótima dublagem da magnífica e talentosa Cate Blanchett, que abraça essa nova faceta da personagem. Fora ela temos a volta de Idris Elba como Heimdall no episódio. É um episódio que mescla os dois filmes, 'Thor Ragnarok' e 'Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis'
O oitavo episódio se passa em 1602, fazendo alusão a minissérie de mesmo nome escrita por Neil Gaiman que foi um sucesso na época que foi lançado... o episódio é bacana, levando a Capitã Carter para aquela época onde temos outras versões dos Vingadores, em uma época que remete à época de Robin Hood, misturado com uma Asgard Shakesperiana. Eu acho que o episódio se perde um pouco no final, mas diverte e foi bem representado. Além da Hayley Atwell, temos ainda Sebastian Stan (Bucky Barnes), Paul Rudd (Scott Lang), Tom Hiddleston (Loki), Chris Hemsworth (Thor), Jon Favreau (Happy Hogan), Mark Rufallo (Bruce Banner), Samuel L. Jackson (Nick Fury), Elisabeth Olsen (Feiticeira Escarlate), Mick Wingert (Tony Stark) e Josh Keaton (Steve Rogers).
O último episódio traz a Capitã Carter se aliando a Kahhori para deter o Estranho Supremo (Benedict Cumberbatch), da primeira temporada, que quer ressucitar seu mundo e sua Christine... nesse episódio as duas enfrentam vários vilões de vários filmes do MCU, como a Hela, Thanos, Surtur, além de Killmonger com a Manopla do Infinito... mas são embates que duram menos de 5 segundos. É um episódio que tenta ser grandioso, mas acaba sendo uma contenda bem clichê, sem originalidade e sem o peso da batalha final da primeira temporada contra Ultron. Sem falar que para mim, Kahhori ali é um erro, bem deslocada do que foi proposto na série. Só não é mais fraco que o episódio de Natal, mas eu não curti muito não... dá para se entreter e achar legalzinho, mas quando acabou eu percebi que foi bem desnecessário.
No mais, essa segunda temporada achei um pouco abaixo da primeira, temos bons episódios, mas a maioria é bem morna, agrada aqui e acolá, e o clímax que é o último episódio, não convence.
E, sem esquecer, Jeffrey Wright novamente dublando muito bem o Vigia, um ator renomado com A maiúsculo, que faz um trabalho de dublagem excelente, acertando muito bem o tom de seu personagem... nunca tinha parado pra imaginar uma voz para o Vigia, quando lia os quadrinhos... agora sempre vou me lembrar da voz de Jefrrey Wright quando ler futuras aparições.
'Echo' faz parte daquela pequena levada de séries que o MCU anunciou, que eu fiquei pensando: "Porque raios vão fazer uma série da Echo? Qual o sentido? Nem nos quadrinhos a personagem tem uma série solo de destaque". Essa era uma das ideias que eu ficaria receoso de apoiar se eu trabalhasse no Marvel Studios, porque eu ficaria pensando se esse era o tipo de produção que os fãs realmente iriam querer ver. Estava sendo anunciado tanta coisa no Disney Plus de séries, com tantos personagens secundários que a Marvel esperava que repetisse o mesmo sucesso de 'Doutor Estranho', 'Pantera Negra' e 'Homem-Formiga', que podia ser prejudicial para o estúdio, que vinha de lançamentos um pouco duvidosos, apesar de serem originais por si próprio, como 'Miss Marvel', 'Cavaleiro da Lua' e 'Invasão Secreta'.
Mas a verdade é que felizmente eu queimei a minha língua, pois 'Echo' é uma série muito boa, muito bem feita e muito bem escrita, com um elenco muito competente, e uma protagonista que consegue ser carismática, e dar um toque de personalidade a sua personagem, se distanciando um pouco da Eco que conhecemos dos quadrinhos, e trazendo uma originalidade a ela muito interessante... sem falar que Alacqua Cox como atriz é fantástica.
A trama se passa diretamente após os eventos de 'Gavião Arqueiro', série também do Disney Plus, onde depois de 'supostamente' matar o Rei do Crime, Eco acaba voltando para sua terra natal, onde se encontram sua família e amigos e acaba se envolvendo em uma trama contra os capangas do Rei do Crime que ainda estão na ativa. Ela planeja tomar o controle do império de Fisk e pede a ajuda a seu tio para acabar com os capangas e assumir controle do império, mas tem seu pedido negado pelo tio, que teme que Maya traga atenções indesejadas a Tamaha, local onde ela cresceu e voltou, trazendo uma guerra que a cidade não quer que aconteça.
Ao mesmo tempo que Maya tenta tomar controle das operações de Fisk, nós temos flashbacks do passado, mas lá do passado mesmo, das ancestrais de Maya, que possuíam poderes que os ajudavam a superar os problemas que enfrentavam naquela época. Todos eles por serem ancestrais da mãe da Maya e consequentemente dela, vão acabar repassando esses poderes a Maya mais a frente na série, mostrando que Maya tem uma história de fundo muito mais rica do que podíamos imaginar.
'Echo' é uma série muito boa, que traz uma boa história de apoio para Maya, deixando o espectador preso à TV envolvido nas tramas que vão se desenrolando durante a série, seja no presente com Maya, ou no passado com seus ancestrais. É muito bom ver Maya em ação enfrentando os capangas de Fisk que tentam detê-la, as lutas são muito bem coreografadas, e os personagens coadjuvantes são muito bem criados, sendo que uns são mais interessantes que outros. O tio de Maya, Henry, interpretado por Chazke Spencer é um ótimo personagem, com uma personalidade bem forte e que traz uma ótima dualidade com Maya no decorrer da série. Chazke é um ator muito bom e versátil que fez um bom trabalho de performance com seu personagem. De longe um dos melhores coadjuvantes da série.
Devery Jacobs fez Bonnie, prima distante de Maya e sua melhor amiga na infância... Bonnie é um personagem importante do passado de Maya, mas que aqui na série acaba tendo uma passagem, que para mim, foi meio sem brilho, pois ela vira uma espécie de donzela em perigo que sempre precisa ser salva pelo protagonista. Claro que aqui ela não é par romântico, pois as duas são praticamente irmãs, mas ela não tem muito a acrescentar a não ser o fato de estar amargurada com Maya ter partido para NY, e ter ficado anos sem dar notícias... e ao voltar a Tamaha, também não entra em contato com ela, então ela é sequestrada duas vezes no show, e sempre precisa ser salva por Maya. Devery Jacobs dublou a personagem Kahhori na série 'What If?', e aqui ela tenta dar uma certa personalidade para sua personagem, mas infelizmente o roteiro não lhe favorece.
Charlie Cox faz uma breve aparição no primeiro episódio da série como Demolidor, tendo uma cena de luta com Maya, uma boa cena coreografada que faz nós fãs suspirarmos de alegria, pois é uma cena que remete ao puro suco dos quadrinhos.
Além é claro da volta do grandíssimo ator Vincent D'Onofrio, o Rei do Crime Wlson Fisk, que obviamente não está morto e possui apenas um ferimento no olho, e busca se redimir com Maya, para logo após fazer tudo o que está ao seu alcance para matar a mulher que ele criou como uma filha, que lhe traiu e ameaça derrubar seu império.
A série possui 5 episódios, sendo que 4 deles são ótimos e apenas o episódio final eu achei bem abaixo do que a série apresentou com uma conclusão que não achei satisfatória, com performances que também não achei satisfatórias. Não curti muito todos aqueles poderes junto a Maya que lhe ajudou a derrotar seus inimigos, acabei achando um artifício muito fácil de se usar para poder ter uma conclusão satisfatória para um embate que exigia muito mais de Maya. Também não gostei de Maya ter usado parte desses poderes para tentar redimir Wilson Fisk, e acabou ficando uma conclusão sem clímax, ficou uma coisa muito plástica que acabou se distanciando de tudo aquilo que a série criou de antagonismo entre os dois. Realmente eu não curti a conclusão da série, ficou bem abaixo do que eu esperava, bem fora de tom com o que foi criado nos outros 4 episódios, e apenas a cena pós créditos da série que acaba levando direto a vindoura série do Demolidor, é que acaba sendo a mais satisfatória do último episódio.
Nos quadrinhos Maya é uma personagem bem interessante que tem muita coisa para se explorar, podendo ter séries solo limitadas para contar mais sobre a personagem e sobre seu passado... e incrivelmente isso deu muito certo no MCU. Achava mesmo que uma série solo dela era uma ideia muito ruim, e pouco interessante para os fãs do MCU, por não possuir muito background, apesar de achar Alacqua Cox uma atriz com A maiúsculo que um trabalho gigante interpretando a personagem. Mas criando esse show solo para a personagem, lhe deram todo um background interessante em Tamaha, com antepassados que possuem relação com a cultura nativo americana, com atores nativos americanos, que é o mais importante, e trazendo ainda atores Surdo-Mudos, que são representados pela sigla CODA, que é bem mais explicado no filme de mesmo nome ganhador do Oscar de Melhor Filme. Temos uma diversidade bem ampla na série, cm uma roteiro muito bem criado, e uma história muito convincente, abrangente e que captura a atenção do espectador. Infelizmente possui uma conclusão que não me agradou tanto... mas foi uma grata surpresa do MCU... Maya se torna uma ótima personagem para ser trabalhada dentro do Disney Plus com possíveis shows solos no futuro ou aparições em outros shows que tenham a mesma premissa que 'Echo' teve.
A Abertura da série é ótima, sendo única e singular, e toda série que se preze precisa ter uma abertura a altura que já ganhe o espectador de cara... e 'Echo' possui uma ótima abertura ao som da música Burning da banda 'Yeah Yeah Yeahs', que os vi ao vivo uma única vez abrindo para o Red Hot Chili Peppers aqui em SP.
Lá atrás, ao saber que o Marvel Studios iria produzir uma série baseada na Agatha Harkness da Kathryn Hahn, eu tive um misto de sentimentos. Primeiro achei que era muito boa a ideia, mais pelo fato de Kathryn Hamn, que matou a pau como Agnes, e ela merecia mesmo uma série própria no MCU pra mostrar mais do seu brilho como a personagem, para se aprofundar mais e nos mostrar mais dela. Ao mesmo tempo, não sabia o que esperar da série, achei que não teria muito argumento ali pra render uma série completa, não sei se seria atrativo ao público, e pensei que poderia ser mais uma serie do MCU que poderia flopar e trazer um conteúdo que não fosse nem um pouco agradável ou favorável.
Tive contatos esporádicos com Agatha nos quadrinhos, sendo que boa parte do que vi dela, foi nas revistas do Quarteto Fantástcio, uma vez que ela foi babá de Franklin Richards durante muito tempo, e teve um relacionamento amigável muito próximo com Reed e Sue Richards. Também a conferi em algumas histórias dos Vingadores, e de minisséries da Feiticeira Escarlate junto a Visão... meu último contato com ela eu lembro foi em Vingadores A Queda, quando Wanda surtou, e sobrou pra Agatha, que acabou morrendo na saga, e em Quarteto Fantástico Ultimate, em uma versão totalmente diferente da que conhecemos do universo tradicional da Marvel Comics.
Durante meses, a série passou por muitas mudanças de nomes, o que na minha cabeça indicava que a série estava mudando de foco e de rumo muitas vezes, o que indicava que talvez ela estivesse passando por mudanças pontuais e isso é sempre um risco para a qualidade de qualquer projeto, seja filme ou minissérie. Coven of Chaos, House of Harkness, Darkhold Diaries, foram alguns dos nomes dados para a série, até ser anunciado como 'Agatha All Along', e mais tarde, foi divulgado que estas mudanças de nomes foi proposital, algo como se Agatha realmente fizesse para confundir o público, ou seja, puro marketing.
A série traz de volta Agatha, que foi derrotada por Wanda em sua Minissérie solo, que após escapar do feitiço que Wanda a colocou, descobre um garoto que aparenta ser muito especial, e que a pede para levar ao Caminho das Bruxas, uma lenda que até ela achava que não existia, e o objetivo dele era fazer um pedido, pedir para achar uma pessoa específica. Agatha meio que saca de cara quem esse garoto pode ser, e o ajuda, mas com seus próprios motivos ao chegar ao fim do Caminho das Bruxas. Junto a ele, que se chama apenas 'Kid', e é um fã de Agatha, eles recrutam algumas bruxas para poder cruzar o Caminho das Bruxas e chegar até seu final. Rostos conhecidos de 'WandaVision' reaparecem aqui na série e serão facilmente reconhecidos pelo espectador, se o espectador assistiu a série de Wanda anteriormente...
Eu gostei bastante da série, acho que a showrunner, Jac Schaeffer, a mesma de 'WandaVision' fez um trabalho novamente muito bom e original, trazendo principalmente novos personagens que são muito carismáticos e fazer você se importar com o bem estar delas durante a travessia do Caminho das Bruxas. Acho que o tom da série é muito convidativo, misturando drama com humor na medida certa... acho que ela também acerta ao focar que ali não temos heróis e vilões, todas as personagens possuem algum desvio de caráter, umas desvios demais, outras de menos,e cada uma tem suas próprias motivações, até mesmo a Rio Vidal (Aubrey Plaza), que por motivos óbvios seria pintada como a vilã da série, mas no fim não tem nada de vilã nela, cada um ali é sua própria heroína e sua própria vilã... depende do contexto que elas estão lidando no momento da travessia.
Também achei muito bem vindo os episódios serem uma provação para cada personagem, uma atrás da outra, com consequências devastadoras, fazendo com que elas se unam, uma vez que são muito mesquinhas e nariz empinados, para poder completar a provação, continuarem avançando, permanecendo vivas. Me lembrou um pouco a travessia dos Cavaleiros de Atena pelas Dozes Casas, elas sempre tinham que se superar em cada provação que enfrentavam e sempre havia um aprendizado para elas ou uma delas, e alguém sempre ficava pelo caminho.
A série conseguiu inserir bem números musicais, que não deixassem a atração enfadonha, afinal musicais não são do meu gosto, e aqui as canções são muito bem compostas e inseridas. "The Ballad of The Wotches Road" possui várias versões na série, mas a definitiva ficou sendo a versão onde as personagens tocam a canção, cada um com seu instrumento dando mesmo um ar de canção dos anos 70. Uma vibe bem Fleetwood Mac.
Kathryn Hahn novamente veste sua versão de Agatha de uma forma fenomenal, é um deleite vê-la em ação e dessa vez sendo sórdida sem precisar se esconder sob a persona de Agnes. Acho Agatha uma das personagens mais interessantes do MCU, uma das que são mais gostosas de se assistir, devido a sua dualidade atraente, e acredito que seu final não foi tão condizente com que eu esperava da série, e fico curioso para ver como isso afetará sua aparição em futuros projetos do MCU.
Aubrey Plaza (My Old Ass e Legion) faz Rio Vidal, ou morte, e acredito que foi uma participação satisfatória, afinal se você pensar na personagem morte da Marvel Comics e querer trazer pro MCU em uma nova roupagem, cabe muito bem em Aubrey Plaza esse personagem. Mas eu sinto que faltou se aprofundar mais na personagem, ela tem ali todo um background, todo um passado construído, mas ao meu ver a personagem fica muito a deriva... ela serve como uma dualidade à personagem de Kathryn, sendo ao mesmo tempo uma vilã e a única amiga que ela possui... e no caso aqui, amiga e amante, por isso que digo que dava para aprofundar mais. Gostei da atuação dela, mas se pegar o que a Aubrey fez na série da FX 'Legion' que também é da Marvel, lá ela foi muito melhor trabalhada e teve mais conteúdo e liberdade para se aprofundar em sua personagem que ao mesmo tempo que era uma vilã para David, o protagonista, era também sua amiga/aliada... muito similar a Rio Vidal aqui em 'Agatha Desde Sempre'.
Ali Ahn (A Diplomata) fez Alice, e gostei bastante dela aqui na série, e acho que tinha espaço até para mais, mas acho Ali uma ótima atriz, conheci ela aqui e agora a estou acompanhando em 'A Diplomata' e ela é bem completa.
Patti Lupone fez a ótima Lilia Caldeu e foi uma das mais interessantes personagens da série... a maneira como ela cresce em importância e personalidade a cada episódio é incrível. De uma simples bruxa mequetrefe, para a mais audaciosa das bruxas e a única que parece se preocupar com todas ali, possui um arco muito bem escrito e convincente com que a personagem pedia. Patti interpretou bem demais, lhe caiu como uma luva a Lilia, e spoilers a frente, é uma pena que não a veremos mais no MCU, porque ela poderia agregar ainda em um projeto ou outro, ou pelo menos quando Agatha estivesse inserida.
Joe Locke, da série Heartstopper, faz ninguém menos que Billy Kaplan, foi feito todo um mistério antes da série ser lançada, escondendo o personagem que ele iria interpretar, colocando-o como simplesmente 'Kid', mas estava na cara quem ele iria ser, até sua fisionomia lembra muito Billy. Acho que ele foi muito bem, fez um ótimo trabalho, ele passeia pelo drama e pelo cômico com uma facilidade muito grande, e acho Joe um ator bem completo, pela idade que tem... acho ele muito versátil e conseguiu trazer uma personalidade única e uma originalidade para Billy que dificilmente outro ator conseguiria trazer. Comparado às HQ's, acho que Billy do MCU é um pouco mais feminino que o das HQ's... mas ainda assim não descaracteriza a roupagem dada ao personagem na série.
Ainda tivemos a veterana Debra Jo Rupp voltando como Mrs Hart, aqui totalmente cômica, sendo o alívio cômico do começo da série, a ingenuidade e simplicidade aos nossos olhos nesse mundo louco das bruxas no caminho percorrido. Sasheer Zamata que fez Jennifer Kale também esteve ótima em seu papel. Evan Peters, o Mercúrio da trilogia recente de X-Men, e Jeffrey Dahmer na série da Netflix, retorna como Ralph Bonner em uma cena com Joe Locke, que buscava mais informações sobre Agatha e consequentemente Wanda Maximoff, autora do Hex que acometeu Westview. Foi uma surpresa vê-lo na série, não esperava sua aparição, ela é breve mas serve também para justificar o que aconteceu com Ralph depois dos eventos de 'Wandavision'... uma sacada genial da Marvel Studios em trazer um ator que foi o Mercúrio nos cinemas, para não ser o Mercúrio na série de seu Multiverso, só que sendo ele por uns dois episódios, colocando aquela pulga atrás da orelha do espectador.
Muita gente comprou a ideia do que foi ventilado aí em alguns sites que falam sobre cinema e séries, de que 'Agatha Desde Sempre' é a produção mais Gay do Marvel Studios... eu meio que discordo desde ponto, pois não acho a série mais gay ou menos gay, ou sei lá o que das quantas... Nós temos um personagem Gay, Billy, normal... temos um relacionamento antigo entre Agatha e Rio, um relacionamento homossexual, normal... são coisas tão normais, tão corriqueiras, tão comuns nas produções, e o foco da série nem é um aprofundamento homoafetivo entre as personagens, e nesse ponto, por mais que eu não tenha assistido, séries como 'Heartstopper' e 'Glee' assumem mais esse posto, já que são completamente voltadas a discussão homossexual, voltadas para o público gay e abre conversas sobre o assunto. 'Agatha Desde Sempre' é só mais uma série, e possui protagonismos de personagens gays e/ou bi que é algo mais que normal em produções hoje em dia. Então, para mim, não tem nada de 'produção mais gay da Marvel'... bobagem.
Pra uma série que é apenas um spin-off de 'Wandavision' e que iria englobar os fãs do MCU e/ou os fãs de 'Wandavision', 'Agatha Desde Sempre' recebeu boas indicações na temporada de premiações, algo que me deixou positivamente surpreso:
- No Globo de Ouro Kathryn Hahn foi indicada a Atriz em Série Comédia/Musical; - No Critics Choice Awards Patti Lupone foi indicada a Atriz Coadjuvante em Série Comédia/Musical; - No Spirits Awards de produções independentes, foram três indicações para Performance principal, Performance Coadjuvante e Performance estreante, para Kathryn Hahn, Patti Lupone e Joe Locke, respectivamente. A série não levou nenhum prêmio, mas só as lembranças já foram ótimas.
'Agatha Desde Sempre' foi uma ótima revelação, uma série muito bem escrita e muito bem dirigida, com figurinos ótimos, uma boa cenografia, e um roteiro direto ao ponto, sem muitos rodeios, bem convincente e com um elenco afiadíssimo, que gerou um entretenimento de primeira linha, dentro de sua obviedade. Gostei bastante e é bem superior a produções de mais orçamento e mais expectativas como 'Cavaleiro da Lua', 'Ms. Marvel' e 'Invasão Secreta'.
Quando a Marvel Studios anunciou a série 'Invasão Secreta' com Samuel L. Jackson, eu fiquei curioso pra ver como seria essa adaptação para as telas, afinal de contas nos quadrinhos Invasão Secreta é um evento grandioso, envolvendo todos os grandes grupos e personagens da Marvel Comics, como os X-Men, Vingadores, Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Thunderbolts e por aí vai. Em uma minissérie com 6 episódios com certeza muita coisa ficaria de fora, mas é claro que aqui seria uma adaptação do que aconteceu nas HQ's, com o showrunner da série, Kyle Bradstreet, escolhendo um tom mais sério para a série, inspirado no filme 'Capitão América O Soldado Invernal', ou seja, seria um thriller político.
A premissa é boa, a ideia de trazer de volta Nick Fury de seus aposentos no espaço, para a Terra, protagonizando a série, é muito boa, todos conhecemos o talento de Jackson e de sua presença de tela, o que já faria o hype para a série aumentar em 90%. Some-se a isso o restante do elenco de altíssimo nível que alavanca o nível da série no topo, trazendo de volta Don Cheadle (James Rhodes), o único Vingador na série, Martin Freeman, que mesmo em uma participação curta foi muito boa, Ben Mendelsohn (Talos) retornando ao MCU em uma pegada mais séria, muito interessante, fazendo uma parceria ótima com Samuel Jackson, e trazendo seu enorme carisma para o personagem. Além é claro de Cobie Smulders, retornando como Maria Hill, mesmo que só em 1 episódio. Os novos nomes, todos de grandíssimo nível, Kingsley Ben-Adir, o Bob Marley em pessoa, fazendo um ótimo vilão, Gravik, com uma atuação lá nas alturas, perfeita, ameaçadora; Charlayne Woodard, de 'Vidro' e a mãe de Will em 'Um Maluco no Pedaço', interpretando Priscilla, que possui um passado (e presente) amoroso com Fury; Olivia Colman, monstra da interpretação, como Sonya Falworth, que está muito bem no papel, muito à vontade, como se fosse escrito sob medida para ela; E Emilia Clarke, direto de Game of Thrones, fazendo Gi'ah, filha de Talos, em uma atuação que só vai numa crescente... mas que quando chega no último episódio, o roteiro faz a personagem cair na armadilha do desnecessário.
Bom, infelizmente a série acabou não tendo a qualidade esperada, pois o saldo, para mim, foi mais negativo que positivo. O primeiro episódio é muito bom, constrói um clima de suspense, de terror, de thriller, de bomba relógio prestes a explodir... muito bom, que prende o espectador na frente da televisão. Finaliza com uma morte impactante, e mesmo que o segundo episódio não seja de todo ruim,com uma morte impactante. o resto da série começa a decair e ter um resultado muito insatisfatório.
O roteiro começa a desandar, não mostra coesão, ele começa num thriller político internacional, e acaba despencando para uma guerrinha entre facções de Skrulls, fora que no meio de tudo isso, Fury precisa se resolver romanticamente com sua esposa Priscilla, que é mais do que aparenta ser, e Talos e Gi'ah estão de desentendendo como Pai e filha.. é praticamente um Casos de Família. Bradstreet prefere usar de artifícios batidos que vemos em filmes e séries por aí afora... temos muitas mortes impactantes só para deixar o espectador boquiaberto, com aquela sensação de que estamos em uma grande guerra e olha como ninguém está a salvo... a primeira realmente é impactante e fiquei boquiaberto por uns 5 minutos ao terminar o episódio, nosso ódio como espectador por Gravik vai numa crescente e isso mostra o ótimo trabalho de atuação que vai fazendo Kingsley Ben-Adir como vilão no MCU, bem diferente do que esperaríamos de um Skrull. Porém a série segue com mais mortes impactantes e outras menos impactantes de uma forma muito gratuita, e na minha visão deixou os eventos muito gratuitos... você começa a abrir mão de bons personagens que podem ser bem aproveitados no futuro em outros projetos, apenas para usar como fato impactante no seu show, e isso eu não faria se fosse showrunner.
Fury na série parece muito fora de rota, pois voltou para iniciar uma guerra contra os Skrulls infiltrados na terra, nos governos, para expô-los, mas sempre está distraído lidando com Priscilla, que de repente é sua mulher a décadas, e aí começa a ter umas DR com Talos, que se mostravam com uma boa amizade, e aí o lance com Gravik, uma parada quase paternal... muita coisa descavada do passado e jogada na série e o personagem precisa lidar com tudo isso enquanto o roteiro se desenrola... chegou um ponto que não parecia mais uma série intitulada 'Invasão Secreta', e sim, como mencionei antes, uma espécie de Casos de Família, não dava mais pra reconhecer o que víamos em cena, e o hype pela série foi caindo gradativamente. Também achei que erraram a mão com James Rhodes, com escolha feita, pois com isso apagam tudo o que foi implementado desde 'Vingadores Guerra Civil' com o personagem, e tiram o peso dramático dos eventos de 'Vingadores Ultimato' em que ele participa. Mencionando também que na série, mais para o final, Rhodes parece que está nos Trapalhões, porque é cada decisão besta e reações beirando o cômico... é como se tivessem jogado o personagem fora. Foi pra impactar, mas acho que não surtiu o efeito esperado no público (pelo menos não em mim).
Pior de tudo foi o final, com aquela luta meio chinfrin da Gi'ah com Gravik, ambos aprimorados, sendo que Gi'ah, aprimorada daquele jeito (uma versão feminina do SuperSkrull), ficou desnecessário demais, ela podia se metamorfar de outras maneiras para essa luta final com Gravik, uma coisa que teria que ser melhor escrita no roteiro, mas enfim... O que quero citar mesmo é Fury, que foi ao espaço porque teve uns traumas depois de ser 'blipado', então voltou para poder resolver a questão de um lar pros Skrulls que ele, junto a Talos, prometeram e não cumpriram, se sentia velho demais para lutar essa guerra, encontrou forças em quem os cercava (e com as mortes impactantes), e depois de resolver toda essa questão e eliminar a ameaça da facção rebelde Skrull, ele volta do nada para o espaço com sua 'esposa', deixando a terra novamente desprotegida, uma vez que não temos mais os Vingadores... e o ponto todo dele voltar foi que ele era o único que podia resolver essa guerra iminente. Não sei, foram muitas voltas com o personagem para voltar pro mesmo lugar, só que agora acompanhado.
A série tem muitas cenas boas, bem filmadas, bem idealizadas, possui bons pontos positivos, e os personagens são carismáticos e com boa presença de tela, como Sonya Falsworth, Talos, Gravik que é um ótimo vilão, mas teve um encerramento básico, á la vilões dos filmes do Homem De Ferro. Tudo isso, obvio, graças ao talento dos atores, que são monstros da interpretação diga-se de passagem... mas sinto que Olivia Colman foi mal aproveitada na série, mesmo com boas cenas, e Kingsley Ben-Adir foi perfeito, mas teve um final preguiçoso, batido, e ainda poderia ser melhor aproveitado no futuro. Mas no geral, o saldo é negativo e 'Invasão Secreta' deixou muito a desejar e é um dos piores projetos do MCU... não é o pior, tem alguns aí que ocupam esse espaço, mas está na lista daqueles que decepcionaram e deixaram a desejar.
'Invasão Secreta' é assistível, porém muito decepcionante. Uma pena para o elenco envolvido.
Os filmes são maravilhosos e todo mundo sabe disso... e quando essa série foi anunciada, eu ficava me perguntando que caminho eles seguiriam com ela, iriam contar mais do passado do Knuckles, mostrar seus antepassados, ia ter algo a ver com a Master Emerald... ou seria no presente focado em um jornada de auto descoberta do Knuckles?
Eu realmente estava muito animado para ver a série e como ela seria conduzida, e acabei levando muito, mas muito tempo pra assistir, pois estreou em abril e fui ver só em dezembro passado... Mas realmente, me decepcionei, pois a série é muito fraca, muito mal escrita, muito mal roteirizada, totalmente desperdiçada, e uma ideia realmente terrível de horrível.
Como já disseram aí embaixo, é uma série onde o dono do show é coadjuvante, e o personagem que deveria ser o coadjuvante, que é o Wade, é o principal, e o roteiro gira todo encima dele e de como ele vai crescendo e mudando durante a série.
Não há nada ali que seja focado no Knuckles, o que é muito estranho uma vez que a série é dele e queremos vê-lo... os produtores focaram no Wade e na sua família e sua relação complicada com o pai e sua irmã implicante e sua mãe judia e por aí vai... mas onde fica o Knuckles no meio de tudo isso? Foi um caminho muito errado que tomaram e quem é fã da franquia tem toda a razão de reclamar e não ter gostado, porque deixa a desejar mesmo. Uma dupla de vilões, interpretados por Kid Cudi e Ellie Taylor que até que são interessantes de se assistir, gostei muito deles... mas foram contratados pelo "Vilão" da série interpretado por Rory McCain, que aparece uma vez ou outra e volta mesmo no episódio final em uma batalha chinfim... até nos trailers que achei que seria uma trama mais ampla, e teríamos algumas lutas e ali e acolá até o embate final, que seria um vilão no mínimo respeitável e tudo mais... mas não, nem isso conseguiram escrever direito. Ainda tivemos a grata aparição de Pachacamac, o pai de Tikal, direto de Sonic Adventure 1, da linhagem Equidna, a raça de Knuckles... e aqui dublado pelo já lendário Christopher Lloyd, eterno Doutor Brown (Great Scott!!!). Maaaas, o personagem é simplificado ao extremo e serve apenas como um pseudo alívio cômico...mais um desperdício.
A trilha sonora da série é muito boa, gostei muito da música-título que é a da abertura da série 'The Warrior' de Scandal, e fora isso toca muita coisa boa, como 'Can I Kick It?' de A Trble Called Quest?, Edith Piaf, Bonnie Tyler, Scorpions, Blink 182 com 'All The Small Things', Roy Orbinson, Robbie Williams com a ótima 'Let me Entertain You', Elton John e Salt 'N Pepa e En Vogue com a clássica 'Whatta Man'.
Acho que o Idris Elba continua fazendo um ótimo trabalho como a voz do Knuckles, gostei muito da atuação dele aqui na série... foi legal ver a Coleen e o Ben Schawrtz aparecendo como tails e Sonic no episódio 1, assim como a Tika Sumpter retornando como Maddie, mas realmente achei que ela apareceria mais na série do que apenas 1 episódio, e não pensei que o Wade de Adam Pally ia ser o grande protagonista. Adam até interpreta bem, mas ele é tão bobo na série, tão sem noção, tão desenho animado, que sério, perde a graça. E o final da série é ridículo, sem resolução, acaba do nada, não tem epílogo, nenhuma preocupação em dar um final mais condizente com o que foi apresentado.
A série foi um sucesso comercial no Paramount Plus, a audiência foi lá encima, teve ótimos números, foi um bom retorno para o estúdio, ficou meses em evidência e sendo divulgado pela Paramount... mas seu conteúdo final, para os fãs, realmente foi péssimo pra horrível, acho que agradou mesmo o público comum.
Vamos ver o que o futuro traz para a franquia em termos de série, e como elas serão trabalhadas daqui pra frente, se tivermos mais shows como esse.
A proposta de 'Shining Girls' já me deixou interessado desde o começo, quando fiquei sabendo do que se trataria a série, e logo depois, quando anunciaram a Elisabeth Moss e Wagner Moura como protagonistas. Somando-se a eles a Phillipa Soo (de Hamilton) e Chris Chalk (de Gotham), dois atores que gosto muito e os conferi nos trabalhos mencionados.
Esse mistério todo nos 3 primeiros episódios, de Kirby ter sua realidade alterada consistentemente me deixou muito preso ao querer saber como e porque aquilo acontecia. Qual seria o problema que ela herdou, ou algo do tipo, para essas coisas acontecerem? O plot de Dan também começa a se tornar interessante, quando descobrimos que além de ter uma história com bebidas, ele também tem um filho, do qual cuida, mas com o passar dos episódios, os dois casos ficam mal desenvolvidos, só no raso, apenas a bebida é mais citada, mas mesmo assim, esperava um pouco mais de luz nesses dois temas trazidos ao plot de Dan. E o vilão do show, Harper, interpretado por Jamie Bell, por mais que seja aquele clássico vilão asqueroso, feito para ser odiado mesmo, o clássico do clássico... é meio impossível você não se sentir atraído pelos seus métodos. Quando digo isso, não os métodos do assassinato, mas o fato de estar um passo sempre a frente, de ser esperto, de ser arrogantemente presunçoso, uma confiança excessiva que se justifica... existe um certo charme na sua moralidade dúbia, e obvio, você não se pegará torcendo pelo vilão, mas também não vai querer que ele se ferre tão cedo, porque você quer saber até onde ele pode chegar com essa arrogância excessiva toda. É meio edificante acompanhar sua trajetória. Enfim.
Mais pro fim da série, nós somos presenteados com algumas resoluções e respostas do que acontece na trama, que tanto estamos curiosos para descobrir... umas delas são muito boas, fazem a gente pensar "Não pensei nisso antes". Outras já são saídas mais fáceis, eu já não achei tão interessante assim...
Esse lance de se ter uma casa mágica no meio do nada, não colou muito, achei que poderia ter algo a mais para ser mais condizente com o que Harper fazia... achei que Kirby também teria algo único, e por isso que a realidade dela muda e confunde Harper quando os dois se enfrentam no Bar/lavanderia. Começo a ficar meio fantasioso demais, algo que era um mistério bacana de se desvendar, e o final pra mim não colou 100%, mas também não foi tão decepcionante assim para se jogar a experiência fora.
Eu acredito que a série criou algo muito bacana e original em seus primeiros episódios, estava um mistério gostoso de se acompanhar e tentar desvendar, com personagens carismáticos e atuações competentes. Porém, da metade do show pra frente, já foi perdendo um pouco o brilho, respostas começaram a ser dadas e aquele mistério foi dando lugar a soluções mais baratas, e viagens ao passado para se explicar certas questões, e uma saída muito fácil para se encerrar a trama... pelo menos ao meu ver.
Em questão de cenografia e fotografia o show foi muito bem, está em altíssimo nível, e o mesmo eu digo da trilha sonora, que me agradou muito. Dois episódios do show foram dirigidos pela Elisabeth Moss (ou foi um só?), e isto é algo que ela já vem aprendendo e desenvolvendo de suas experiências em 'Mad Men' e 'The Handmaid's Tale'', e seus episódio(s) dirigido(s) são(é) competente(s), é legal ver a mão dela ali na produção, além de ser creditada como Produtora Executiva.
É uma boa série e gostei muito de ter acompanhado, mas me prendeu mesmo até sua metade, uns 5 episódios, depois cai numa obviedade comum de séries holywoodianas, o que não tira o brilho completo da série, mas também não a faz ser tão especial assim.
Pra mim, fica difícil dizer se foi ou não foi melhor que a primeira temporada, pois o primeiro ano eu acho primoroso, algo novo, uma linguagem diferente, uma abordagem diferente, tudo muito áspero e direto e personagens tão caóticos e apaixonantes... praticamente uma obra-prima.
Este segundo ano começa um pouco mais com o freio de mão puxado, não está tão calcado no caótico como no ano anterior, mas tem um cuidado muito grande com os personagens, em levá-los a novos caminhos, em tratá-los com mais abertura e novas propostas... definitivamente uma nova abordagem para se tocar a série. Até o relacionamento do Carmy com a Claire Bear traz um senso de calmaria para os primeiros 4-5 episódios do novo ano, deixando ele desfocado da abertura do novo restaurante.
À partir do sexto episódio, com os 7 peixes, que nada mais é que um flashback que mostra cada membro da família Berzatto, e suas personalidades, é que 'The Bear' volta aos trilhos do caótico e da sétima marcha engatada. Este é aquele episódio onde tudo acontece ao mesmo tempo, tem muita gritaria, muita informação cruzada, muito dedo na cara, mas temos uma leitura bem clara de quem eram cada membro da família de Carmy, e do porque ele e sua irmã Natalie Sugar são tão transtornados da cabeça, tendo crescido em uma família tão disfuncional.
Diferente dos demais episódios do show, de 30 a 40 minutos de duração, esse sexto episódio tem 1h3m de duração que é um show a parte de interpretação e construção de personagens onde só temos os monstros da atuação, como a ganhadora do Oscar Jamie Lee Curtis (Irreconhecível no papel), Bob "Saul" Odenkirk (perfeito no papel), Sarah Poulson, a volta do incrível Jon Bernthal como Mike, e o já competente Oliver Platt. Um murro no estômago o episódio com uma cena improvisada de Jon, quando vira a mesa de janta, que deixa o final do episódio uma verdadeira bomba atômica. Incrível como tem críticas ao episódio que foi tão bem dirigido e interpretado, acho que pra quem não curtiu, larguem a série, não é pra vocês.
E quando eu achava que não tinha mais como superar esse episódio, que seria o arrasa quarteirão da temporada, me vem o episódio do estágio de Richie (Ebon Moss Bachrach) que é um personagem tão canastrão e FDP na primeira temporada, e consegue ser o mais amado na segunda... como cresceu o Richie de uma temporada pra outra, é incrível, se tornou um personagem super interessante e pra quem a gente torce genuinamente. Acompanhar o seu estágio em um dos melhores restaurantes do mundo, é como fazer amizade com ele, é impossível não gostar de Richie a medida que ele entende o porque de ter sido colocado lá por Carmy, e a partir do momento que ele aceita ser parte do lugar, que se doa para os funcionários e os clientes, e é gratificante ver ele se dando bem e se tornando um profissional melhor, um homem melhor, um ser humano melhor... coisa linda de episódio. Sendo que ainda conta com a participação especial da mais querida de todas as atrizes, e uma das mais versáteis também... Olivia Colman. (Vale ressaltar aqui também o ótimo episódio de Marcus estagiando na Europa, com a participação certeira de Will Poulter no episódio).
Melhor que o primeiro ano, não sei, mas com 3-4 episódios mais memoráveis que o primeiro ano isso aqui nós temos... ou seja, "The Bear" continua mantendo o nível sendo diferente e igual ao seu primeiro ano ao mesmo tempo. Uma das melhores séries da atualidade, pra desespero livre dos haters.
Obviamente que a melhor animação do Sonic, ainda continua sendo o Sonic X... e citando ainda que o Sonic Boom, é uma animação bem mais infantil, com outra pegada, visando um outro tipo de público.
Sonic Prime foi feito exclusivamente para Streaming, visando o público que já conhece o universo do ouriço nos games, e claro, querendo também arrebatar novos fãs, que também é uma das principais funções do desenho.
Eu gostei bastante desta primeira temporada, achei a ideia muito interessante, nos apresentaram uma nova pedra, o Prisma do Poder, tirando o foco das Esmeraldas do Caos. As novas realidades são bem interessantes, e únicas, sendo a mais bacana, obviamente a New Yoke, e o melhor personagem com certeza, o Nine.
Na questão dos personagens, o Team Sonic está ali com a adição da Rouge e em alguns episódios o Big The Cat. O Big eu acho uma bela adição, ele serve bem ali nos episódios e o lance dele tem que ser mais 'cameo' mesmo, quase como um alívio cômico, acho que hoje essa é a premissa principal do personagem. Já a Rouge, ela é mais do Team Shadow, ela não é muito de andar com Sonic e os demais, então eu estranhei ela inserida junto a eles no começo da série... mas é explicado logo porque ela está andando com eles, e no final serviu bem aos episódios que se passam em outras realidades.
E, claro, tem o Shadow... o personagem mais amado pela fanbase da série Sonic. Aqui, ele ainda não está mostrando tudo o que conhecemos dele dos jogos, mas fica a torcida para ele entrar de vez arrebentando na trama na próxima temporada do desenho.
Nas vozes, todo o elenco que conhecemos dos jogos, foram trocados por novos dubladores, que são exclusivos do Sonic Prime. E eles fazem um belo trabalho... eu gostei bastante. O Deven Mack veste muito bem a voz do Sonic, nem parece que trocou o Roger Craig Smith por ele, dado o tom que é muito parecido, que denota bem a personalidade do azulão.
Ashleigh Ball como Tails está ótima, o Brian Drummond que faz o Eggman faz um trabalho que não deixa a desejar em nada, comparado ao trabalho de mais de uma década de Mike Pollock nos jogos. O dublador do Knuckles, da Amy e da Rouge também vestiram bem seus personagens... e Ian Hanlin, faz um trabalho ótimo, porque ele dá voz ao Shadow de uma forma nova, que ainda não havíamos visto, menos sombrio a voz, e mais direta ao ponto... e ele também dubla o Big, que está com uma voz menos analasada e mais limpa... ótimo dublador.
As realidades que se passam na Floresta e no oceano, foram os que menos me pegaram, New Yoke é a mais original e a que mais me agradou e deve ater agradado a maior parte dos fãs.
Aprovo com pouquíssimas ressalvas essa nova série. Queremos mais!
Comparada as duas temporadas anteriores, esta aqui fica um pouco abaixo, acho que a adição da Meryl Streep e do Paul Rudd fez muito bem ao show, os dois tem personagens muito carismáticos, e o texto deles não é cansativo. Porém, me parece que a trama se perdeu muito em seu desenrolar, o fato do personagem e Paul Rudd morrer na ´serie não é nenhum spoiler, mas esperava algo mais bem construído... isso mal serviu para os nossos três protagonistas fazerem o podcast sobre o assassinato de forma decente.
O que faltou nesse ano também foi a falta dos três se juntarem e fazerem o podcast sobre o assassinato, cada um estava lidando com seus próprios problemas, e o carro chefe da série, que é a paixão dos três por solucionarem um crime por meio de um podcast trabalhando juntos, ficou em segundo plano. É legal de se acompanhar, ainda mais para nós que somos fãs, mas enquanto assistimos fica claro que falta alguma coisa no a, que está deixando a série dever um pouco.
No mais é muito bem dirigido (muito mesmo), o figurino está impecável, o elenco de apoio também está ótimo com as cars que já conhecemos, e algumas novas que foram boas adições ao show. Dos nossos três protagonistas, acho que todos continuam muito bem, mas o texto de Steve Martin e da Selena Gomez, faltou um pouco de capricho e inspiração em alguns episódios. Espero que o que foi criado e construído nos dois anos anteriores, retorne na próxima temporada, para não termos algo muito fora do foco...e o foco são os três trabalhando juntos no podcast para solucionar crimes, com algumas de suas crises pessoais recheando os episódios, e não como ponto principal.
Uma das melhores séries de 2022, criada e dirigida por Christopher Storer, "The Bear" (O Urso), foi uma ótima surpresa quando eu a conferi. Por estar indicada a série Comédia/Musical no Globo de Ouro, eu achei que ela seria um pouco mais cômica que o normal, mas a minha surpresa foi que o humor na série é bem contida, está mais nas entrelinhas, não fica à mostra ou descarado como em outros shows. Na verdade a série é totalmente carregado no drama, com todos os personagens principais carregando um pouco de carga dramática em algo pessoal de sua vida, ou no fato de o restaurante onde trabalham, não ser mais comandado por Mikey Berzatto, o dono que se suicidou.
A série parte deste princípio, Mikey Berzatto (interpretado em participação especial por Jon Bernthal) que era dono do restaurante 'The Original Beef de Chigagoland' comete suicídio, deixando o seu restaurante para Carmy, seu irmão, que virou um chef cultuado no ramo da gastronomia, ganhando prêmios importantes e sendo bem respeitado... Carmy deixa os holofotes para comandar o restaurante de seu irmão, que é uma espelunca, amontoado em dívidas, possui um equipe que não se respeita e faz os afazeres sem atenção, e ainda têm seu primo Richie na sua cola, que também administra o local e vive em rota de briga com Carmy.
Carmy sofre de vários problemas, sono conturbado, problema com bebida, pavio curto, explode facilmente, e trabalha em um ramo onde a pressão na cozinha existe da hora que em que se abre até a hora em que se fecha um restaurante. Agora Carmy precisa levantar o local, educar a equipe que lá trabalha, se esforçar ao máximo para não arrebentar a cara de seu primo, e tentar ficar são, pois o suicídio de seu irmão o afetou bastante, uma vez que os dois não estavam tendo uma boa relação antes de Mikey morrer.
A série é ótima, dinâmica, dramática, tem umas pitadas de humor bem condensada, trabalha muito bem os problemas que os personagens passam, sendo que cada um deles têm seu drama pessoal, e tenta lidar com eles da melhor forma possível, e mesmo que discutam muito uns com os outros, conseguem aprender lições valiosas com as quais devem lidar, mesmo não reconhecendo para as demais pessoas.
No restaurante trabalham Carmy, Richie, Sydney, Marcus, Tina, Ebrahein e Fak... alguns se dão bem, outros já não se vão com a cara, se estranham demais, há muita faísca quando o restaurante está lotado e a coisa está pegando fogo. Muitos deles começam a perder a compostura e acabam sendo megamente mal educados com quem eles não vão com a cara, como Richie e Sydney, Tina e Sydney, Richie e Fak e claro, Richie e Carmy.
O trunfo da série mesmo é o drama desses personagens, o quão eles são afetados por seu erros, falhas, medos e esperanças, como eles lidam uns com os outros, a forma como tentam resolver suas diferenças, o amor que eles carregam pela profissão que exercem e pelo local que eles trabalham. Claro que o protagonista, Carmy, é de longe o personagem mais interessante da série, afinal, o que Carmy tem de defeitos não está escrito. Não consegue se expressar com os outros, não demonstra seus sentimentos, não mantém boa relação com seu primo e sua irmã Natalie, ao contratar Sydney para trabalhar no restaurante, tem uma relação de altos e baixos com ela e pena demais para tentar colocar a equipe do restaurante na linha para que eles funcionem da maneira mai coesa possível.
O elenco é a cereja do bolo do show: - Jeremy Allen White, que faz Carmy, é O CARA... que ator, que veia dramática, incrível, Jeremy tem um talento gigante, deu alma para Carmy, deu personalidade, vê-lo perdendo o controle e despirocando geral em alguns episódios (principalmente nos dois últimos) é muito bom, dá vontade de perder o controle com ele e sair gritando pra geral. Jeremy consegue transmitir todos os sentimentos que Carmy quer demonstrar em cena, tem uma presença de sensacional descomunal. Sério, Jeremy é um Atorzaço com A maiúsculo e já virei fã.
-Ayo Edebiri, que faz Sydney, outra ótima atriz, com uma ótima personagem, com seu próprio drama pessoal, e que faz uma parceria bacana com Carmy na série;
-Ebon Moss Cachrach, que faz Richie, primo de Carmy, outro bom ator, seu personagem além de ser muito estourado e encrenqueiro, é muito engraçado também.
-Oliver Platt (X-Men Primeira Classe), faz Cicero, a quem Mikey deve muita grana, gosto muito de ver Oliver atuar, o acho um ator completo e bem interessante de ver atuando.
-Jon Bernthal (Justiceiro da Netflix), faz justamente Mikey, irmão de Carmy e que se suicida, ele aparece apenas no episódio 7, no começo em um flashback.
-Abby Elliott interpreta Natalie 'Sugar', irmã de Carmy e Mikey, ela é casada e tem uma relação complicada com Carmy, e Accy aparece esporadicamente nos episódios, a atua muito bem pro pouco que aparece.
Todos os episódios sem exceção são ótimos, difícil encontrar uma série hoje em dia com esse grau de excelência, sem embarrigamento e nem encheção de linguiça... mas de longe,o episódio 7 é o mais interessante e o de melhor resultado final, ele se liga do começo ao fim, a gente sabe que um episódio liga o outro nas séries, mas este 7º ele começa e termina, ele se fecha, se completa singularmente. O começo é bem gostoso de acompanhar com Carmy, Natalie, Richie e Mikey conversando enquanto cozinham a receita da família, uma macarronada, e mais a frente no episódio, vemos Carmy lentamente perder a calma e explodir em fúria e palavrões com todos os funcionários do restaurante, especialmente com Marcus e Sydney. Acho que esse episódio foi muito bem escrito, interpretado e dirigido.
'The Bear' teve inúmeras indicações me muitas premiações: - No Globo de Ouro a série foi indicada a Melhor Série Comédia/Musical, perdendo para 'Abbott Elementary', e Jeremy Allen White venceu como Melhor Ator em série Comédia, prêmio justíssimo, aliás.
- No Critics Choice Awards foi indicado a Melhor Série de Comédia perdendo novamente para 'Abbott Elementary' e Melhor Atriz Coadjuvante para Ayo Edebiri, perdendo para Sheryl Lee Ralph de 'Abbott Elementary'. Venceu novamente na categoria de Melhor Ator para Jeremy Allen White. Na minha opinião, deveria ter ganhado aqui em melhor série no lugar de 'Abbott'.
- No Satelitte Awards está indicado em Série de Drama (aí sim), e Melhor Ator em série Drama para Jeremy Allen white, irei torcer para levar os dois prêmios.
-No SAG's Awards, está indicado a Melhor Elenco em série de Comédia e Melhor Ator em série de Comédia para Jeremy Allen White, também terá minha torcida; Também concorre no Spirit Awards em Roteiro de Série Nova e Atuação Coadjuvante em Série Nova para Ebon Moss Bachrach e Ayo Edebiri.
Eu considero a melhor série de 2022 a princípio, faltando conferir outras como The White Lotus, Pachinko, Better Call Saul e etc... Oito episódios empolgantes, interessantes, a vontade é continuar assistindo e não acabar nunca, você se vê conectado a trama e acaba se apegando aos personagens, que são carismáticos ao seus modos... é como se você quisesse que fosse uma novela da Globo para vê-los todos os dias no mesmo horário. Impacientemente aguardando a segunda temporada já encomendada.
Quando eu era criança eu tinha muitos gibis, trocentos, todos infantis: Os Trapalhões, Turma da Mônica, Mickey, Pato Donald, Tio Patinhas, Pateta, Angélica, enfim... e eu tinha apenas 1 revista da Marvel, que eu só fui dar atenção em 1994 quando eu tinha 11 anos e virei fã dos X-Men vendo o desenho na TV Colosso. Eu comecei a comprar as revistas dos X-Men e então me deparei com essa revista que já não tinha mais capa, e eu nunca tinha lido porque nunca tinha me interessado. Era uma revista do Hulk, esqueci o número, de 1989, e a primeira página dessa revista, que não tinha mais capa, era a Mulher Hulk abrindo as portas de uma das alas de um hospital com as duas mãos, bradando bem alto: "Onde está meu Primo, onde está Bruce?". O restante da história é o Hulk enfrentando o Homem de Ferro e o Namor, mas essa primeira página, pela revista não ter capa, ficou na minha cabeça por anos, e querendo ou não, mesmo sem eu lembrar, é meu primeiro contato com o Universo Marvel nas HQ's.
Tudo isso apenas para apresentar a Mulher-Hulk, personagem da qual sou mega fã, seja em suas histórias solo, ou junto dos Vingadores (ou até mesmo do Quarteto), e que finalmente ganhou um projeto em forma de série no MCU. Sempre que eu imaginava um filme da Mulher-Hulk, ou no caso uma série, que combinaria mais com ela, eu pensava que eles deveriam abordar a fase dela nas HQ's onde ela atuava mais como advogada, e as histórias eram mais cômicas, com a Mulher-Hulk mais baladeira e a Jen mais boladona de não fazer tanto sucesso como seu alter ego. E também que seria uma boa ideia também usar a quebra da quarta parede que ela também faz em suas revistas.
E foi exatamente isso que Kevin Feige, junto à Jessica Gao (criadora do show), Brad Winderbaum (produtor executivo) e Kat Coiro (produtora e diretora dos episódios), trazendo a Mulher Hulk para o MCU em um show onde ela é advogada e precisa lidar com seu trabalho e com sua nova posição de Hulk, acidentalmente adquirido em uma viagem de carro junto de seu primo Bruce Banner (Mark Rufallo).
O que eu posso dizer sobre a série? É ótima, muito divertida, muito bem escrita, muito bem dirigida, um elenco excelente, acertaram em cheio no cômico, principalmente no roteiro, criaram um enredo bem amarrado, deixando a Mulher Hulk bem solta, e com inúmeras referências à cultura pop.
Tatiana Maslany (premiadíssima por Orphan Black) É A JENNIFER WALTERS/MULHER-HULK... da cabeça aos pés, tudo que está nas HQ's, Tatiana traz para as telas, a forma de falar, alguns trejeitos, alguns olhares, o jeito meio blasé, o deboche, ela é a Jennifer inteira, nunca vi ninguém tão perfeita interpretando um personagem de quadrinhos, acho que só o Christopher Reeves rivaliza com ela. E ela é quem é a alma do show, óbvio, porque sua Mulher-Hulk é carismática ao extremo, a forma como escreveram a Verdona pro show, as coisas que ela faz e fala, é tudo o que você esperaria que ela fizesse e que você reconhece das páginas dos quadrinhos.
Os 9 episódios são bem redondos, pouco mais de meia hora, passam voando de tão bons que são, e a química entre Tatiana Maslany e Mark Rufallo é perfeita, parece que nasceram para contracenar... Mark se deu muito bem em cena com ela e fica nítido em tela o quanto os dois, além de serem primos, são muito amigos e um se preocupa com o outro. O show é bem completo, mescla situações no escritório de advocacia onde Jen trabalha, a GLKH, vinda diretamente da fase de Dan Slott, com os mesmos coadjuvantes, Holloway, 'Pug' Pugliese, Mallory Book... e também coloca Jen em rota de colisão consigo mesma ao não aceitar sua nova condição ser uma Hulk, mas também aos poucos abraçando esses poderes. Na série, ela festeja, badala, dança até o chão com Megan Thee Stalion, sai transando com geral como Mulher Hulk e como Jen mesmo, enche a cara, vai a casamentos, enfim, aproveita a vida como uma mulher que chama a atenção aproveitaria. Alguns cidadãos, que claramente nunca leram um gibi na vida, reclamaram muito que a série é ruim, que nada a ver fazerem uma Mulher-Hulk, que ela não luta com ninguém só faz coisa de mulher, que era melhor ter feito uma série do Hulk, e quebrar a quarta parede é forçado, que é série pra lacrar e blá blá blá... Claramente esses marmanjos não sabem o que falam, são apenas um bando de caras que assistem a tudo apenas para criticar, e não conhecem 1% do que a Jen realmente é. E esse papo de: "A Essência do Hulk, que é estar bravo e destruir tudo, que agora o Hulk é molenga e blá blá blá"... sério, quem liga pra opinião dessa gente desavisada e sem conhecimento do que fala?
Os episódios vão melhorando a cada semana que eram lançados, e verdade seja dita, um dos melhores mesmo foi quando Matt Murdock apareceu como Demolidor... interpretado novamente por Charlie Cox, diretamente do show da Netflix, agora integrado ao MCU de vez, ele teve uma química absurda com Maslany e o episódio é divertidíssimo, com muita ação, um Demolidor mais canastrão, um flerte entre os dois gigante, um final épico, uma transa foda entre os dois... que episódio!
Ainda durante o show apareceram alguns personagens da Marvel que só os fãs como eu, que leem tudo, sabem quem são, uns do terceiro escalão, outros do quarto, enfim... Temos o personagem 'O Sapo' aparecendo de forma bem bacana na série; Para minha surpresa e da geral, 'A Gangue da Demolição' também aparece, todos os quatro, Aríete, Maça, Destruidor e Bate Estaca... com o Destruidor aparecendo depois no retiro do Abominável; Sr. Imortal também aparece, ele é um mutante líder de uma equipe de super-heróis chamada 'The Great Lakes', que aqui no Brasil ficou conhecido como Vingadores Centrais, mudando de nome varias vezes até chegar ao nome mais recente que é Campeões Centrais, por essa aparição eu não esperava, mas aqui ele está beeeem diferente dos quadrinhos; No retiro espiritual de Emil Blonsky aparecem quatro personagens, todos vilões nas HQ's... 'Homem Touro', 'El Águila' (um mutante), 'Porco Espinho' e 'Sarraceno' (um vampiro igual Blade).
No elenco, temos o já citado Emil Blonsky/Abominável, interpretado por Tim Roth, direto do filme de 2008 'O Incrível Hulk' que foi estrelado por Edward Norton, e tem uma brincadeira com isso numa das falas de Bruce 'Rufallo' Banner.
Jameela Jamil faz Titânia, que nos quadrinhos é vilã mesmo da Mulher-Hulk, e aqui ela é poderosa e forte como nas HQ's, mas é retratada com uma influenciadora digital do que propriamente uma vilã, é mais como uma rival...ficou boa essa adaptação. Ginger Gonzaga faz Nikki Ramos melhor amiga de Jennifer e Josh segarra faz Pug Pugliese. Renée Elise Goldsberry (Hamilton) faz Mallory Book e Steve Voulter fez Holden Holloway.
As surpresa da série ficaram pela participação também de Benedict Wong como Wong em três episódios, e sua amizade inusitada com a patricinha vida cor de rosa e baladeira, Madisynn (Patty Gunggenheim), aquela que é com dois 'n' e com 'y' mas não onde você pensa. O sucesso de Madisynn foi enorme, sua personagem é engraçadíssima, teve uma química surpreendente com Benedict Wong em cena, muita coisa dos dois juntos foi improvisada, outras escritas na hora por Jessica Gao. Patty é muito boa e velha conhecida de Kat Coiro, a diretora da maioria dos episódios.
O final foi a coisa mais bem pensada da série e do MCU...simplesmente a Jennifer quebra literalmente a quarta parede ao transitar pelo menu do Disney Plus, afim de chegar até os escritórios da Marvel Studios e conversar com Jessica Gao, Kat Coiro e os demais produtores, para mudar o final da sua série, que ela não estava achando que estava bom (e não estava mesmo). Quebra da quarta parede total, coisa que John Byrne fez muito quando escreveu a revista da Mulher Hulk por anos, e os dois viviam se ofendendo e brigando com Jennifer rasgando as páginas direto para confrontar John Byrne. Restou piada até para Kevin Feige, que na série foi retratado como uma inteligência artificial em forma de um robô, que arquiteta tudo que acontece nos projetos do MCU. Jennifer não só mudou todo o final de sua série, persuadindo K.E.V.I.N (o robô), como ainda teve a cara de pau de perguntar quando veremos os X-Men (!!!)
O que mais posso dizer... a trilha sonora é ótima, um dos episódios termina com a ótima 'Say My Name' da cantora Tove Styrke, outro termina com a Mulher Hulk dançando com Megan Thee Stalion sua música 'Body'. Seu uniforme está bem parecido com a dos quadrinhos. Com certeza é uma das melhores séries do MCU, junto com WandaVision, e os fãs estão ávidos por uma segunda temporada o quanto antes. O MCU que vinha batendo na trave com suas últimas séries, acertando um pouco e errando um pouco mais, acertou em cheio com Mulher Hulk: Attorney At Law. Esperamos mais séries com essa pegada e coragem.
(Assistido entre Agosto e Outubro 2022) (29/01/2023)
A MTV foi praticamente uma escola pra mim, escola de música, de entretenimento, de comportamento sexual, de caráter, enfim... a melhor emissora que já existiu no Brasil. E no ano em que eu comecei assistir, que foi em 1997, depois de alguns meses quando eu já tinha um entendimento melhor do cenário musical e da realidade atual e passada do Rock, é que comecei a crescer os meus ouvidos para um assunto que já dominava os noticiários da emissora à algum tempo... a fita de sexo entre Pamela Anderson e Tommy Lee.
Nunca havia visto SOS Malibu (Baywatch) mas vi uma cena ou outra em comerciais da TV Globo que passava a série na década de 90, então eu estava familiarizado com Pamela. Já Tommy Lee, eu sabia que ele era do Motley Crue, mas como não sou muito entusiasta do rock Glam farofa dos anos 80 (tirando Whitesnake e Bon Jovi) só conhecia os sucessos da banda e não conhecia muito deles ou os curtia, e só sabia do Tommy pelo nome mesmo. E eu dentro da minha inocência e ignorância (até porque eu era só um adolescente), achava que aquela sex tape deles, mesmo sendo noticiado que tinha sido vazada, achava que eles se aproveitavam do sucesso da fita para se promoverem, ou que eles não ligavam e que isso não afetava a vida pessoal deles. Como disse, inocência e ignorância.
Realmente foi uma ideia até um tanto controversa fazer uma série sobre a história do vazamento dessa sex tape, e quando "PAM & TOMMY" foi anunciada eu fiquei surpreso por sair uma série contando essa história, mas curioso pra ver como seria o resultado final e em conhecer mais a fundo como se deu todos esses acontecimentos.
No fim das contas eu gostei do show, o elenco é ótimo, a condução da maioria dos episódios é boa, está bem caracterizado nos anos 90 como comerciais da época, posters da época, lojas de discos, clipes, músicas, enfim. Mas realmente a série dá uma enrolada bem grande, arrasta ali uns dois episódios, dá umas embarrigadas pra preencher os protocolares 8 episódios encomendados, e chega uma hora que pode cansar quem assiste. Vai cansar mais quem não conhece, quem não está por dentro da década de 90, quem não gosta de rock, quem chegou de paraquedas e só quer conferir mesmo. Quem já está imersivo no universo do rock, entretenimento, quem já conhece esse fato e sabe quem são os dois, a série consegue segurar esses espectadores (como ei), mas a gente reconhece... se arrasta bastante.
Apesar de ter todo esse teor sexual, a série não se escora nisto, existe um drama em toda a situação que respinga diretamente em Pamela, que é a que mais foi afetada pelo vazamento do vídeo. Estando a semanas de lançar seu filme, que seria amplamente divulgado, e sonhando em se tornar uma grande estrela de Hollywood, Pamela ficou vista na mídia como a modelo que fez um vídeo de sexo, um pornô caseiro, ao invés de ser reconhecida como atriz em si. Ela perdeu papéis em filmes que eu assisti e até hoje sequer sabia que ela esteve cotada ou fez testes papa participar, como LA - Cidade Proibida e Austin Powers, na época grávida de seu primeiro filho, mas sofrendo essas recusas por conta da exposição do vídeo que vazou. E naquela época, não era como hoje, não havia discussão sobre nada, todos os temas que hoje são exaltados e levantados, defendidos, não eram debatidos, as coisas iam mesmo pra debaixo do pano, era normal, era a vida... machismo, preconceito, racismo, LGBTQIA+ e por aí vai.
A série tenta dar esse drama para Tommy Lee, pelo fato de ele sofrer com o fato de sua banda não ser mais relevante na década de 90, com o estouro do movimento grunge e sucesso de bandas como o Nirvana, Soundgarden, ou a ascenção de bandas como Guns 'N Roses e Stone Temple Pilots, e até novos artistas com novos estilos de rock alternativo como o Beck. Porém esse drama não cola, quem conhecia e quem sabe, entende muito bem que Tommy Lee sempre foi um "Asshole", que só se importava com suas próprias merdas, e esse tom dramático e de coitado sequer veste a pessoa de Tommy Lee.
Quem segura mesmo a série são os dois protagonistas... Lily James, que faz Pamela está perfeita no papel, sem exageros, acho que é o melhor trabalho de Lily como atriz até hoje. Está totalmente imersa e caracterizada na personagem, é a própria Pamela Anderson ali, os trejeitos, o sorriso, a risadinha, o tom de voz, sendo que ela ainda usou uma prótese nos seios para ficar volumoso e usou uma peruca descolorida para ficar idêntica à canadense. Não tem uma cena onde Lily exagere ou pareça forçada, ela está incrível mesmo, e fico feliz em vê-la em um grau tão alto de atuação, pois ou muito dela já tem uns anos.
Sebastian Stan que faz Tommy Lee, hoje dispensa comentários, por ser uma das estrelas do MCU, e também está atuando muito bem como Tommy, caracterizado de tatuagens ao redor do corpo, uma atitude rock 'n roll, um jeito canastrão, soube incorporar com que tem de melhor em Tommy e também o que tem de pior. Tem uma cena em particular onde Pamela exige que ele assine o documento onde eles cedem o vídeo de graça pra uma nova empresa, e ele atua demais, em um ataque de fúria, gritando, derrubando mesa, aquele surto clássico de cinema, assustando Pamela e tudo. Mandou bem demais. Pagou alguns micos rsrsrsrsrsrsrsrs... como no começo da série, com aquela sunga fio dental enfiada no rabo (que isso parceiro, parece que todo machão em casa vira um gatinho), e também na cena onde ele conversa com o próprio pinto, quando ele confessa que está apaixonado e seu pinto se mostra sensato dizendo para ele não cair nessa. Na boa, na vida real, nunca que um pinto vai ser mais sensato que o Homem em si. Por falar nisso, aquela cena onde Sebastian mostra o pinto para Pamela é computação gráfica... claro que Tommy Lee é conhecido por ser pintudo, foi abençoado ao nascer, mas aquilo tá muito exagerado e na conversa entre Tommy e seu pinto, isso fica muito claro.
Além deles, a série ainda traz Seth Rogen (The Fabelmans) como Rand Gauthier, que foi o homem a vazar esse vídeo no mundo, e aqui Seth tem uma atuação mais condensada, aquela atuação que chove no molhado, atuação de segurança, de série dos anos 90 mesmo. Ele também é o produtor executivo da série.
Nick Offerman (The Last of Us), fez Miltie, dono de uma das produtoras pornôs de sucesso da época por fazer "Garganta Profunda" obra-prima do cinema pornô. Offerman esteve bem demais, bem caracterizado como homem forte da indústria pornográfica, sempre cercado por drogas, bebidas e as mais diversas profissionais do sexo, enquanto Gauthier se ferrava em dobro. Além de Taylor Schilling (Orange is the New Black) que fez a ex-esposa de Gauthier, Erica, uma ex atriz pornô, e Taylor também está bem nas cenas em que aparece, principalmente quando contracena com Seth Rogen.
A série foi criada por Robert Siegel, de 'Fome de Poder' e 'O Lutador'; E dirigida por Craig Gillespie, de 'Eu Tonya' e 'Cruella'.
Possui inúmeros sucessos da década de 90 do rock alternativo, tem de tudo... Fatboy Slim com Praise You, Nine Inch Nails com Closer, Primal Scream, The Cardigans com Lovefool e My Favourite Game, New Radicals, 4 Non Blondes e seu What's Up, Alanis como You Oughta Know, os otários do Third Eye Blind, Roxy Music e Tears For Fears dos anos 80, Supergrass e o mega hit Alright, e ainda tivemos a clássica Made You Own Kind of Music de Cass Elliott no fim de um dos episódios, entre tantos outros. Pra mim, foi um prato cheio.
A série foi indicada este ano no Globo de Ouro a Melhor Minissérie ou Filme Para TV, Melhor Ator Minisséire para Sebastian, Melhor Atriz Minissérie para Lily James e Melhor Ator Coadjuvante Minissérie para Seth Rogen. No Critics Choice Awards, Foi indicado a Minissérie, Ator Minissérie e Atriz Minissérie. No Emmy do ano passado, a série foi indicada a Melhor Minissérie, Série Antológica, Ator Minissérie, Atriz Minissérie e Ator Coadjuvante Minissérie. No Satelitte Awards ainda está indicada para Melhor Atriz Minissérie com Lily James. Em todas as premiações que já concorreu, perdeu nas categorias para as séries The White Lotus e The Dropout.
É um bom show, mas vale mais a pena para quem gosta de rock, quem foi dos anos 90, quem conhece Pam & Tommy, quem está mais familiarizado, pois quem não tem conhecimento e vai assistir mais para conhecer, vai achar a série muito arrastada, e é mesmo, pois demora para contar uma história que nem teve tantas idas e vindas assim. Mas ganha pelo elenco, eu particularmente acho que Lily James deveria ter ganhado um prêmio por sua atuação de Pamela Anderson... espero que o Satelitte Awards faça jus ao trabalho dela.
Abbott Elementary é a nova queridinha do momento nos EUA em termos de comédia, sucesso no horário nobre, com episódios de 23 minutos de duração (com comerciais é claro) trazendo uma trama leve filmada no estilo documentário fictício. Um documentário fictício é quando você retrata algo em tela numa linguagem e filmagem como se fosse real, o estilo de filmagem já tem aqueles desenquadros clássicos de como se fosse filmado amadoramente, e junto, temos os depoimentos dos personagens do programa, eles são filmados no dia a dia e discursam sobre esses acontecimentos para a câmera, um gênero bem tradicional nos EUA já visto em diversas séries ao longo das décadas, como The Office, Oz, entre outros.
Criado e estrelado por Quinta Brunson (de IZombie), a série segue um grupo de professores que dá aulas em um colégio marjoritariamente de alunos negros, e que sofre com pouca verba e uma diretora que se preocupa mais com seus Status nas redes sociais do que com o bem estar dos alunos. Obviamente é cômica, leve, e serve para toda a família. Não aquela série, bem comum hoje em dia nos shows cômicos, onde você irá se acabar em gargalhadas, dar muita risada, como em shows mais famosos como Will and Grace, Two And a Half Men e outros, o cômico dela está dentro das situações, do texto, em algumas tiradas entre os personagens sobre a cultura pop, situações, expressões faciais e por aí vai.
O show é ótimo, os personagens são todos carismáticos, rapidamente você irá se identificar com eles, e começar a definir os seus preferidos (o meu é a Ava, ela é ótima), os alunos também são ótimos, pouco exigidos, mas quando eles aparecem mais forte em alguns episódios, dão um show junto com o elenco principal. Acho que um dos melhores episódios foi o do desafio de pular as cadeiras, junto com o episódio do namorado do Jacob.
É um show para toda a família poder relaxar, curtir, ter um bom entretenimento, mas se percebe que ela se mostra bem diversificada... Brunson, por ser negra, obviamente se preocupou em dar esse protagonismo em mostrar uma escola com crianças marjoritariamente negras, protagonistas e coadjuvantes negros, como ela, Barbara, Mr. Johnson, Gregory e Ava, tendo dois personagens brancos, uma sendo Melissa, e Jacob sendo gay. Ela mostra diversificação de hoje em dia no mundo e que, sim, é uma coisa normal em qualquer ambiente da sociedade, e no dia a dia... e isso é muito bom de se ver em um show com esse alcance na TV americana.
Além de Brunson, nós temos o eterno Chris que todo mundo odeia (Tyler James Williams) como Gregory, temos Sheryl Lee Ralph como Barbara (muito boa), Janelle James como Ava (Janelle está perfeita na série, de longe a mais cômica), Lisa Ann Walter como Melissa (ela está ótima também, perfeito timing vômivo), Chris Perfetti como Jacob e William Stanford Davis como Mr Johnson, sendo que William também rouba a cena com seu coadjuvantismo que entra na hora certa.
O show foi indicado no Critics Awards em Série de Comédia, Atriz para Quinta Brunson, Atriz Coadjuvante para Sheryl Lee Ralph e Janelle James, e Ator Coadjuvante para Chris Perfetti e Tyler James Williams. No Satelitte Awards, apenas Quinta Brunson foi a única a levar a indicação por Melhor Atriz em série de Comédia.
No Globo de ouro deste ano, o show venceu três prêmios: -Melhor Série de Comédia ou Musical; -Atriz em Série Comédia para Quinta Brunson; -Ator Coadjuvante em Série Comédia para Tyler James Williams; Além de Sheyl Lee Ralph e Janelle James terem concorrido para Atriz Coadjuvante em Série Comédia e perdido para Julia Garner de Ozark.
Fora isso, no ano passado (2022) o show ganhou dois Emmy's, um de Melhor Elenco e outro para Sheryl Lee Ralph em Atriz Coadjuvante em Série de Comédia. Estes prêmios pela primeira Temporada da série, pois os do Globo de Ouro são pela segunda temporada que ainda não chegou ao catálogo do Star Plus.
Série muito boa e que mereceu levar o prêmio no Globo de ouro este ano e á favorita para levar o Critics Awards também amanhã.
Desde 1993 quando saiu o segundo filme d'A Família Addams, que nada em termos de live action foi feito da família que nasceu nos anos 1930 em tiras de quadrinhos no jornal 'The New Yorker', mas que ganhou notoriedade entre o grande público em uma série televisiva na década de 1960.
A Netflix, hoje gigante do streaming, tratou de encomendar uma série baseada em 'Wednesday' (me recuso a chamá-la de Wandinha), filha mais velha do casal Gomez e Mortícia, e irmã de Pugsley, focando em sua estadia no colégio para excluídos 'Never More', onde terá que aprender a se relacionar com adolescentes que são tão diferentes quanto ela.
A premissa da série é ótima, se basear nos tempos acadêmicos de Wednesday, mesmo colégio onde sua mãe estudou e fez história, e vermos Wednesday tentar se relacionar com adolescentes que vão de quase sereia, a menina lobo, homens-medusa e outros mais. Wednesday já é uma figura por si só, fechada, fala pouco, mórbida, não sorri de jeito nenhum, só anda de preto, só usa maquiagem preta, seu hobby é torturar seu irmão, não tem amigos e é insociável. E para interpretá-la trouxeram a nova sensação teen cinematográfica, Jenna Ortega, que nestes últimos anos deu as caras em filmes e séries de destaque como 'A Vida Depois', 'Pânico 5', 'X- Marca da Morte', 'Você' da Netflix, ou seja, Jenna está badalada e caiu como uma luva no papel da gótica Addams. Jenna incorporou bem a personagem, foi ótima, personificou a própria Wednesday em tela, seus trejeitos, seus olhares, seu desdém, a forma como recitava suas falas, até sua dança maravilhosa na festa do colégio ao som de The Cramps... Jenna é uma atriz sensacional.
Fora ela, de destaque, ainda cito a belíssima Emma Myers que fez a Enid, personagem mais cativante do show, na minha opinião, aquela pessoa que você quer ter como amiga, adorei ela atuando. Percy Hynes White que fez Xavier também foi um ator que me chamou atenção, assim como Moosa Mostafa e Joy Sunday, como Eugene e Bianca respectivamente. Quem achei bem sem sal e pouco inspirado foram Hunter Doohan que fez Tyler, zero carisma, e zeroquímica com Jenna Ortega em cena e Jamie McShane que fez o Xerife Galpin e que ficou devendo em tela na minha opinião, com uma atuação bem sem alma. No show ainda tivemos os já conhecidos e ótimos Luís Guzmán e Catherine Zeta Jones como Gomez e Mortícia, Gwendoline Christie ótima como Diretora Weems e Christina Ricci como Marilyn Thornhill, ela que foi a Wednesday nos dois filmes dos anos 90. Ainda, Fred Armisen (ex marido de Elisabeth Moss) fez uma participação no episódio 7 como Tio Fester.
Porém, infelizmente, a série tem mais pontos negativos que positivo... idealizado e escrito por Alfred Gough & Miles Millar (roteiristas do terceiro A Múmia, Homem Aranha 2, Máquina Mortífera 4) eles começaram bem nos dois primeiros episódios, contextualizando Wednesday em Never More, apresentando os coadjuvantes e mapeando o mistério do show. Mas com o decorrer dos episódios, você percebe que toda a trama é clichê, bem batido, com várias passagens já conhecidas de filmes besteirol de adolescentes dos anos 2000, com situações que facilmente descobrimos o que há de errado ou que segredo está sendo mantido. Tudo que acontece enquanto Wednesday tenta desvendar quem está por trás do monstro, quem é o monstro e o segredo que envolve a família de Lena, é muito clichê, de fácil entendimento e que quem for atento já desvenda muito antes do episódio final, de tão na cara que certas coisas foram concebidas no roteiro.
Os quatro primeiros episódios foram dirigidos nada mais nada menos, que pelo mestre Tim Burton, que deu seu toque soturno já conhecido, na escola Never More e pela cidadezinha onde ela se localiza... e a série vai bem até aí. O episódio final, é o mais broxante e sem graça da série, a forma como Gough e Millar escolheram pra já nos mostrar a revelação do monstro, sem nenhum clímax, em um episódio bem mal dirigido e editado por James Marshall, chega a ser vergonhoso... quebra todo o clima da série.
Sobre quem é a mestre do monstro, a cabeça por trás de todos os atos indigestos cometidos em 'Never More'... estava na cara que era a personagem de Christina Ricci, e isso eu já comecei a suspeitar no episódio 5. Claramente, Ricci, que foi a Wednesday nos dois filmes dos Addams nos anos 90, estava nessa série mais como uma homenagem por ter interpretado a personagem antigamente... e nunca que iriam trazê-la pro show para ser uma personagenzinha qualquer. Sua Marilyn Thornhill, não faz nada no show, não agrega em nada, não brilha, não se mostra, nem coadjuvantismo direito ela tem, sendo que está desesperadamente agradando todos e principalmente a Wednesday... É claro que ela iria ter algum protagonismo ou antagonismo alguma hora, uma atriz conhecida como Ricci, que está lá como uma forma de homenagem, não ia ficar ali só de escanteio... eis que cravei, "ela está por trás destes atos todos"... não deu outra, muito na cara, quem for atento pega essas coisas rápido... muito clichê, e bem broxante em ermos de roteiro gente, na boa.
Apesar dos pontos negativos da série, e de um último episódio com relevações bem anti clímax, insosso e mal dirigido, a série possui uma trilha sonora perfeita, que foi arranjada e performada pelo já gênio contemporâneo Danny Elfman (do extinto Oingo Boingo) e musicado por Chris Bacon, acertaram em cheio na música do filme, os arranjos, a orquestra, os instrumentos musicais que remete ao tema d'A Família Addams. Tanto a cenografia, direção de arte e principalmente a Fotografia da série estão incrivelmente perfeitas, muito bem planejadas e dão todo um toque único para o show. Mencionado também o figurino, rico demais nos mínimos detalhes.
Wednesday foi indicada apenas no Globo de Ouro em Série Comédia/Musical, e para a talentosíssima Jenna Ortega para Atriz em Série Comédia/Musical, sendo esnobada completamente do Critics Awards. Não acho que a série tenha chances, mas Jenna quem sabe não tire o favoritismo de Jean Smart por Hacks, ou que surpreenda Quinta Brunson ou Selena Gomez.
O final foi bem sem graça, falta de criatividade total, apenas para deixar as portas abertas para um temporada 2. Por conta desses pequenos deslizes, 'Wednesday' poderia ser melhor, muito melhor do que potencialmente ela pode ser. O que é uma pena, pois tem um ritmo agradável, mas os roteiristas nos fazem de besta a série inteira, desafiam nossa inteligência, nos fazem de bobos, plantando falsas pistas que são fáceis demais de desvendar, e fazem a trama ser boba ao extremo, com clichês bem desnecessários. Mas visualmente e conceitualmente, a série é boa.
O segundo ano de 'Only Murders in The Building' consegue superar o primeiro de longe... Os episódios são mais dinâmicos, a trinca de protagonistas está mais que bem entrosada, Steve Martin, Martin Short e Selena Gomez, são um colírio para os olhos, muito gostoso de ver os três atuarem juntos, as tiradas cômicas, as cenas onde eles se embaraçam todo, as cenas mais dramáticas... enfim, muitos adjetivos!
O crime desta temporada é mais envolto ainda em mistério, a cada hora você começa a suspeitar de alguém, do mais óbvio até os menos óbvios, de quem é jogado na sua cara (dois personagens são tão descaradamente jogados na sua cara, que chega a ser leviano suspeitar deles, ao mesmo tempo que pode até ser) aos que a série sequer os cogita como o assassino(a), mas você vai querer ligar os pontos de qualquer que tenha alguma atitude suspeita. Na verdade, o verdadeiro assassino(a) está beeeem na cara, a série não deixa implícito em momento algum, vai brincando com a gente, mas cada vez que os episódios passam, mais vai começando a fazer sentido que é aquela pessoa... mas eu, burro como sempre, só fui pegar no episódio final mesmo.
Não só o responsável do crime neste ano, foi muito bem escrito e arquitetado, como ele se 'linka' com todos os acontecimentos da primeira temporada, sendo o ponto chave para Charles, Oliver e Mabel acabarem formando uma amizade por algo em comum. Achei um costurado de roteiro muito bem criado, não sei se desde o início do show havia essa premissa em se conectar tudo no segundo ano, independente disto, como os dois anos se ligam, é muito gostoso acompanhar de uma vez só, e ficou um tiro certeiro para ganhar o público.
Gosto muito destas comédias modernas, onde a piada não é aquela para você rolar de rir e coisa e tal... gosta dessa coisa nova de o cômico estar na situação, no texto bem escrito, cheio de referências da cultura pop e cinematográfica, nos acontecimentos constrangedores, no embate de personalidade entre os personagens, principais ou não... uma comédia mais deliciosa.
'Only Murders in The Building' virou uma das minhas séries favoritas, aquelas que você cita como favoritos de cabeceira... já estou sentindo falta do show e espero ansiosamente o terceiro ano.
A série foi indicada este ano no Globo de Ouro para Série Comédia/Musical, Ator para Steve Martin e Martin short e Atriz para Selena Gomez. No Critics Awards este ano a série foi um pouco esnobada, dando apenas a indicação para Steve Martin em Ator Comédia. Já no Satellite Awards levou indicação para Martin Short e Selena Gomez em Ator e Atriz em série de comédia, além da indicação para Série de Comédia/Musical.
Este ano tivemos a adição de Cara Delevigne ao elenco, mas pouco chamou a atenção, a personagem dela não mostrou a que veio e ela pareceu um pouco desconexa com o que a série tem a propor. De resto todo mundo está ótimo, da monstra Tina Fey, a Amy Schumer, o retorno de Amy Ryan, e a aparição de Zoe Coletti, como Lucy, uma espécie de ex-filha de Charles.
De longe, Oliver Putnan de Martin Short é meu personagem preferido da série...mas obviamente eu gosto muito dos três, que são carisma pura.
E chega ao final 'Dead To Me', sua terceira e final temporada, para dar um fechamento para a história de Jen Harding, Judy Hale e Ben Wood, juntando todas as pontas soltas, e amarrando outras. Um final satisfatório? Nem tanto.
'Dead To Me' é uma série que eu me apaixonei desde o primeiro episódio, com uma primeira temporada arrebatadora, e uma segunda beirando a perfeição com episódios tão viciantes, que se torna quase impossível não assistir tudo de uma vez só. Mas é nítido que a terceira e última temporada teve umas decisões de Liz Fedlman (a criadora da série) bem apressadas, querendo dar uma conclusão final a certas resoluções e uma falta de atenção com seu elenco de apoio que não dá para entender.
Infelizmente o nível do show cai um pouco em alguns episódios desta temporada final... alguns dos deslizes que a temporada teve, foi o excesso de cenas onde Jen, Judy e até Ben se afogam em mentiras. Foram inúmeras as cenas onde, se criava um cenário onde algum deles iria revelar um segredo, ou eles iriam confessar o que eles escondem desde a primeira temporada para alguém, e entra aquela fundo musical tenso de possível revelação, e em seguida eles mentem inventando outra história... se você faz isso uma vez, até duas, beleza, nos anos anteriores isso era o combustível da trama, mas aqui ficou batido, manjado, sempre que vinha uma possível revelação e aquele fundo musical de tensão, eu sabia que vinha uma mentira em seguida, era tão batido que dava um desânimo da cena em questão. Liz Feldman não soube dosar isso em sua conclusão.
Outro ponto é o pouco destaque no elenco de apoio, tanto os filhos de Jen, como a 'namorada' de Judy, Michelle, o oficial Nick Prager e Detetive Perez foram mau aproveitados durante a temporada final, e não tiveram seus finais satisfatórios. Não houve uma conclusão final para o caso que Perez investigava, assim como o policial Prager. Colocaram uns gregos no episódio final, que Jen e Judy facilmente se livram em torno de 1 minuto e meio, e de repente por eles darem cabo de Garrett Dillahunt (de Fear The Walking Dead, adoro ele), o caso é encerrado como se os gregos fossem os culpados por tudo que Jen e Judy esconderam... achei muito broxante! Henry e Charlie também tiveram destaque razoável e mau lidaram com o fato de eles terem que lidar com o câncer de Judy. Michelle foi jogada para escanteio. Colocaram o Ben na cadeia porque parecia a escolha mais fácil a se fazer, e ele perdeu a importância no final da série.
E o pior, foi que tudo que foi criado durante toda a série, todas as atrocidades que Jen e Judy fizeram, nós esperávamos que em algum momento do show, ou no fim, isso viria a tona, ou por descobrirem o crime, ou pelas duas, que confessariam o crime ás autoridades, ou a Ben, ou a família dele ou aos filhos de Jen pela própria mão ou pela Judy. Mas não, Judy sequer abriu o bico, e Jen, na última cena e fala do show, ela se vira para Ben e diz que tem algo a dizer a ele... e fim. E aí? Ficamos com água na boca? Achei uma péssima ideia de Liz Feldman, tudo que ela não deveria ter feito.
Apesar desses deslizes, o show tem um final que comove e se torna de uma certa forma aceitável... assistir toda a temporada final é prazerosa, e tanto Applegate como Linda Cardellini continuam impecáveis e sagazes como Jen e Judy, a dupla dinâmica... E James Marsden, ele tem tantas camadas para brincar com Ben neste último ano, que deixa a interpretação dele mais rica, gostei demais das várias nuances de Ben com o passar dos episódios.
Tanto Christina Applegate, quanto James Marsden foram indicados a Atriz Principal e Ator Coadjuvante em série de comédia no Critics Awards, e foram merecidíssimos. Acho que só faltou indicar a Linda pelo conjunto da obra, porque o que ela fez com Judy Hale, poucas atrizes conseguiriam fazer... faltou olho crítico pro pessoal do Critics (sem trocadilhos).
Uma pena, a série vai deixar saudade, Jen e Judy vão deixar saudades, porém, sempre dá pra voltar e ver tudo de novo quando a saudade apertar. Espero pelo próximo trabalho de Liz Feldman com ansiedade e que ela nos surpreenda com outro texto que nos prensa atenção, com personagens tão carismáticos e únicos.
Tem sido comum nos últimos anos, aparecerem séries cômicas que não são tão "escrachadas" se assim posso dizer, aquelas que fazem você rir como se estivesse vendo um episódio de Chaves, ou os Trapalhões... esses shows que têm surgido tem aquele teor cômico mais "inteligente" ou "Chique", como citei no comentário de "O Método Kominsky", e se percebe em outras séries cômicas como "Fleabag" ou "Dead To Me", para citar algumas.
"Only Murders In The Building" têm exatamente esse teor, é um show cômico com uma leve pitada de drama, mas bem leve mesmo, sendo aquela comédia mais sagaz, não está exatamente nos acontecimentos, nem nos atos dos personagens, mas está no texto, na construção do texto, na forma como ele se desenrola e em como os personagens da trama se tratam. è o novo humor, aquele que não vai fazer você gargalhar ou rir à beça. Na verdade você irá rir de canto de boca, dar aquele sorriso de que pegou a piada lançada, vai achar super bem feito como a piada foi criada... é um novo jeito de se fazer séries cômicas... e eu adoro shows com essa nova linguagem.
Criada por Steve Martin (AtorZAÇO, monstro da comédia, de quem eu sou fã de carteirinha) e John Hoffman, "Only Murders..." trata de três pessoas que não se conhecem e moram em seus apartamentos no edifício Arconia, levando suas vidas monótonas e cada um com seu jeito antipático...os três na verdade partilham de um gosto em comum, são ouvintes diários de um podcast de homicídios apresentado por Cinda Canning (Tina "Fucking" Fey). Esse é o lance que os une, e logo em seguida, há um assassinato no prédio onde moram, envolvendo um de seus moradores, Tim Kono, e deste ponto em diante, com esse gosto em comum, os três resolvem criar seu próprio Podcast para solucionar este caso que as autoridades não solucionou de forma apropriada.
A série é ótima, magnífica, viciante... os seus três primeiros episódios, irão desafiar a paciência do espectador, pois demora bastante para a trama realmente se desenrolar e você começar a gostar e conhecer os protagonistas, porém, logo após, ou no desenrolar do terceiro, o show anda com as próprias pernas e você se verá preso dentro de um mistério que até você tentará solucionar antes deles, com as evidências que o show lhe apresenta.
O assassino(a) é quem você menos espera, mas eu mesmo até cogitei que fosse, mas pelo álibi, descartei, e qual foi minha surpresa, era tão óbvio em se tratando de uma história de assassinato com personagens entrando e saindo da trama. O elenco de apoio é apaixonante, conseguem ser tão engraçados quanto os próprios protagonistas, quem tem aquela veia cômica sutil, mas perceptível e bem afiada, alinhada com as referências cinematográficas e musicais atuais.
O monstro da atuação Steve Martin, que dispensa comentários, é 'Charles-Haden Savage', vulgo 'Brazzos' ex-ator que fez um seriado de muito sucesso que levava o nome de seu personagem já citado, seu único e grande sucesso, que ainda vive do passado, e se vê animado com a criação do podcast para desvendar o assassino, pois seu personagem 'Brazzos' resolvia crimes em seu show. Steve tem a veia cômica como se fosse o ar que respira, inteligentíssimo, criou a série e interpreta Charles de uma maneira única, trazendo toda a experiência que tem de trabalhos anteriores e sua notável experiência de Hollywood.
Martin Short (de Vício Inerente) que já fez parte do SNL nos anos 80, faz Oliver Putnan, um ex-diretor de teatro e cinema, meio fracassado em tudo que já fez, e que embarca de cabeça no Podcast para revelar o assassino, lidando como se fosse sua redenção na carreira, conseguindo também ser um chato de galocha em alguns momentos. Martin está ótimo também no show e faz uma ótima dupla com Steve Martin. E ele tem uma veia cômica gigante, pega as deixas certinho para tirar algo satírico daquele momento.
Pra finalizar o trio, temos a incrível Selena Gomez (que todos conhecem de sua carreira musical) que está demais da conta na pele de Mabel Mora, uma moça ranzinza que acaba se afeiçoando aos dois velhos Charles e Oliver, pelo gosto em Podcasts de homicídio, e participa junto com os três do podcast que criaram. Ela fisga todas as deixas para fazer com que a cena fique cômica, de um jeito bem peculiar, nada atravessado demais para desbancar em gargalhadas infinitas.
Fora o trio de protagonistas, que também são produtores executivos do show, temos a super engraçada Tina Fey como participação especial no show, como Cinda Vanning, o músico Sting, interpretando ele mesmo e Amy Ryan como Jan.
Um dos melhores episódios do show, é o sexto, "O garoto do 6B", que é focado em Theo Dimas, o filho surdo de Teddy Dimas, dois dos antagonistas da série... todo o episódio nos coloca nos coloca na pelo de Theo, ou seja, não escutamos nada como ele, e o episódio vai além, ninguém no episódio fala nada, zero, nenhum pio, apenas interpretam por gestos... temos apenas uma fala de Charles Savage no fim do episódio, uma sacada genial para se criar um episódio, graças a sagacidade de Steve Martin e John Hoffman ao criarem o 'não-texto' do episódio. Ficou algo bacana de tratarem um episódio focado em Theo, que é surdo, nos colocarem nas perspectiva dele, de quem não escuta nada, tendo um ator, James Caverly, que é surdo desde o nascimento, um lance bacana de representatividade, e sagacidade no roteiro, com a questão em mãos. Por falar em representatividade, ainda temos um casal LGBTQIA+ no show, sendo das duas a de maior destaque Da'Vine Joy Randolph, a detetive Dee Williams... ambas são negras, e isso é algo raro de se encontrar na Hollywood de hoje em dia, então é bom ver essa abertura e diversidade cada vez mais crescendo. Além é claro da participação de Jane Lynch, nos dois últimos episódios, fazendo o papel da antiga dublê de Charles na série Brazzos, Sazz Pataki... Jane, que é lésbica assumida, já é conhecida da extinta série 'Two and a Half Men', era a terapeuta de Charlie, e tal era como lá, onde possuía uma veia cômica enorme, aqui ela está mais explêndida ainda, sempre muito bem vê-la em cena, ainda mais com um monstro como Steve Martin.
A série recebeu neste começo de 2022 va´rias indicações a Melhor Série de Comédia/Musical nas principais premiações, como Sag's, Critics Awards, Globo de Ouro, Emmy e Satellite Awards, assim como Steve Martin e Martin Short para Melhor Ator. Já Selena Gomez foi esnobada pelo Emmy, mas indicada tanto no Golden Gloves como no Satellite Awards.
É uma das melhores comédias no Streaming hoje, diversão e mistérios garantidos, e um elenco protagonista matador nas atuações e principalmente na química, 'Only Murders in The Building' só peca mesmo em ter apenas 10 episódios de por como mais de 30 minutos cada... quando acaba, fica aquele gosto de quero mais, e para quem gosta de maratonar de uma vez, vai ficar órfão da série cedo, cedo.
Com a chegada do Disney Plus ao mercado, a Marvel Studios entrou de cabeça nas séries/minisséries, que hoje é o grande hype e o grande foco do público e dos estúdios de Hollywood. Com a explosão e sucesso da Netflix, as séries ganharam uma força gigantesca planeta afora como nunca havia tido antes... mas somente mundo afora, nos EUA, sempre foram carro chefe, mas principalmente, na TV a Cabo. Com a advendo do Streaming, Kevin Feige iria poder contar histórias que nunca conseguiriam ser contadas no cinema, porém é meio nítido que no quesito séries, a Marvel Studios ainda não acertou a mão em cheio, uma vez que elas olham para elas como um filme de 6 ou 8 horas de duração, ao invés de uma história que precisa ser fluída entre seus episódios e se amarrar para chegar em êxtase na sua "season finale".
De todas, até o momento, vejo apenas 'WandaVision" como a única série que sustenta e que é coesa, fugindo um pouco das amarras cinemáticas que as outras séries acabam ficando presas. Com Ms Marvel não é diferente, pois parte da mesma premissa, e ao mesmo tempo que acerta em cheio, escorrega com força.
Pra começar, não conheço Kamala Khan, ela apareceu nas HQ's a poucos anos atrás, e como estou atrasado nas revistas ainda não cheguei em sua estréia, não li nada da personagem, e vim para a série sem nenhuma referência da personagem, portando, o fato de ela não ter seus poderes originários das Névoas Terrígenas dos Inumanos não me atinge. Vou aceitar e degustar o que está sendo criado pelo MCU. Kamala foi criada por Sana Amanat, G Willow Wilson e Adrian Alphona (desenhista que também criou os Fugitivos) Kamala é paquistanesa, mora em Jersey City, se inspira em Carol Danvers, a Capitã Marvel, é Inumana e seu nome é uma homenagem ao já saudoso Stan Lee, pois nome e sobrenome possuem o a mesma letra, K, assim como Stan fez com os demais personagens da Casa das Ideias, como Matt Murdock, Stephen Strange e por aí vai... A série é boa? Sim, eu gostei bastante, como fã da Marvel, é um produto que vai divertir grande parte do público... criticamente falando, derrapa demais, pra não dizer muuuuuuito.
O primeiro episódio da série "Geração Porque" é, sem sombra de dúvidas, 'O Melhor Episódio de todas as séries do MCU juntas'... de muito longe, é PERFEITO, sem nenhum erro, divertido, engraçado, simpático, grandioso, lúdico. Possui um tom próprio, nunca antes visto ainda no MCU, uma arte visual atual, que conversa com os jovens do seu tempo, a arte salta a tela, de forma animada, de forma inanimada, uma linguagem visual bem quadrinística, que vai encher os olhos daqueles que são leitores de HQ's. A série começou lá no alto, nota 11 de 10 pro primeiro episódio, tinha tudo pra ser a melhor série do MCU, e o nível se manteve no segundo episódio, uma continuidade visual e de narrativa ótimas, nos fazendo se apaixonar mais ainda pela Kamala e sua família, e nos imergindo em seu próprio pequeno universo. (Aquele começo de série, com aquele tema oitentístico vindo dos trailers, tocando de fundo e logo em seguida a Kamala com seu vídeo em seu canal no Youtube, narrando a batalha contra Thanos, aquilo é a coisa mais gostosa da face da Terra).
Poréééééém... nem tudo são flores, infelizmente, e o Marvel Studios não consegue manter uma narrativa funcional em suas séries, onde os episódios se conversam e amarrem algumas tramas e pontos, para chegarem de mãos dadas no último e eletrizante episódios que toda a série deveria ter. Com esse olhar, ou premissa de filme de 6 horas, eles tem caído em uma armadilha vista em todas as séries até o momento (inclusive WandaVision), a já famosa 'embarrigada' que serve nada mais nada menos, para cozinhar a trama , pois não há muita coisa a ser mostrada até sua conclusão e cumprir x números de episódios encomendados para o show. O quarto e quinto episódios da série são ruins, nem são fracos, são ruins mesmo... tá, o quinto é só fraco, mas o quarto é ruim com força de dar dó. Mal escrito, mal editado (e põe mal editado nisso, beira o amadorismo, que vergonha...) mal conduzido e também mal dirigido... como pode uma série ter ao mesmo tempo o melhor episódio de todas as suas séries juntas e também ter o pior episódio de todas as suas séries juntas? É tudo tão clichê nesse episódio, tantas ideias furadas e ultrapassadas, que é cômico demais ver tanta incapacidade dos profissionais que começaram acertando em cheio no alvo, e agora sequer sabiam o que fazer com o que tinha em mãos... esse episódio foi sofrido demais, muito ruim.
O quinto episódio é bem fraquinho, se sustenta ali e acolá, mas tem também umas resoluções, principalmente com a família de Kamala, muito apressadas, pouco explicadas, que broxa na hora o espectador que vê a qualidade da série cair pelo ralo em queda brusca. A 'Season Finale' até que é promissora, bem feitinha, redondinha, anima bastante, mas também cai no clichê, deixa a desejar, não consegue definir um antagonista para Kamala, faz ela se perder em certas atitudes já manjadas, por 'crushes' mal resolvidos e prefere dar um desfecho onde joga na segurança (muito inspirado em Homem Aranha 2 de Sam Raimi), do que apostar em algo mais inovador e espetacular.
O elenco da série é ótimo, tanto o núcleo familiar, como o núcleo de amigos de Kamala, os atores escolhidos mandaram muito bem... já os antagonistas não brilharam, nem os Djinns, nem Kamram, e nem Deever do Controle de Danos, todos esses atores, estiveram um degrau abaixo e entregaram atuações mais genéricas, que para mim, não agradaram tanto.
Porém, é de Iman Vellano que quero exaltar, pois ela, fã de carteirinha da Kamala Khan dos quadrinhos, leu toda a série, além de ser fã tanto da Marvel Comics, como da Marvel Studios, foi a escolha perfeita e certeira para o papel da heroína. Vellani é tão fã de Kamala, que foi fantasiada como Ms Marvel em uma Comic Con, e dizia ser o sonho dela interpretar a personagem na Marvel Studios... e 'buuuuum', lá está ela em uma estreia arrasadora. Ela é perfeita mesmo para o papel, é uma grande atriz, talentosa, engraçada, performática, e nos conquista já de cara... não tem como não se apaixonar por Iman Vellani, e ela já está eternizada como uma dos maiores astros do MCU.
Ms Marvel tanto acertou em seu começo, como errou gigante em seu meio, para finalizar na segurança de um episódio que pouco empolga, mas impacta com uma revelação bem controversa. Abaixo nos Spoilers, discorro de o porquê destruíram uma série que já estava pronta, para refilmar e dar outro tom e final pro show, o que acarretou episódios ruins e fracos e fez a qualidade cair, em prol de uma citação que nem poderia caber nesta série.
Como mencionei, Kamala Khan, nos quadrinhos é uma Inumana, e seus poderes de esticar o corpo e imitar esteticamente outras pessoas vêm dessa exposição às névoas terrígenas inumanas, que lhe conferiram esses poderes. MS Marvel foi idealizado e filmado no MCU como Kamala sendo Inumana, mesmo que na série, ela use um bracelete que com certeza tem origem Kree (mais sobre eles no filme da Capitã Marvel), e esse bracelete é que lhe confere poderes na série. A agência DODC, de controle de danos, tinha outro nome nas primeiras gravações da série, quando as fotos foram divulgadas na época das gravações externas da série... mas mudaram para DODC por outras razões, ou seja, já tivemos refilmagens neste ponto. Os Djinns, ou ClaDestinos, seriam na verdade um grupo de Inumanos, que se autodenominariam dessa raça na série, porém, foi ordenado a mudança de nome deles de Inumanos, para Djinns, que tem a ver com a cultura muçulmana, e nesse ponto temos mais refilmagens para excluir qualquer menção a palavra Inumanos, e também mudando o tom de várias cenas que começariam a perder o sentido e a relevância dentro do show. A explosão que aconteceu quando a mãe de Kamram tentou adentrar o portal que levava para o mundo natal dos Djinns, na verdade seria uma explosão de cristais terrígenes, que faria com que a névoa dessa explosão se espalhasse pela cidade (não sei se o mundo) onde pela exposição à névoa terrígena, iria despertar o gene Inumano na população terrestre. Mas isto foi mudado na série, com regravações para não se ter nenhuma menção aos Inumanos, mudando totalmente o sentido da missão desses Djinns, que ficou sem sentido, sem base e muito mal finalizado nessa cena do quinto episódio.
Ou seja, desde o começo, Kamala Khan seria uma Inumana nesta série, não sei o que se passou com Kevin Feige para mudar isto, se foi o fato de não querer ligar a personagem com a série mal sucedida dos Inumanos, ou querer de fato limá-los do MCU... mas aí não bate com o fato de toda a série ser gravada com ela sendo Inumana, e depois termos regravações da série para tirar isso do enredo e da personagem, e obviamente, adiar a estreia da série que seria em fevereiro e passou para Junho. E aí tiveram essa ideia que ainda estou digerindo, de Bruno (Matt Lintz) dizer a Kamala na cena final de Ms Marvel, que ela possui um gene diferenciado em seus sistema, uma espécie de 'MUTAÇÃO', e quando ele diz essa palavra, de fundo, toca timidamente o tema de abertura do desenho animado dos anos 90 dos X-MEN, tema este que toca quando o Patrick Stewart aparece como Professor Xavier em 'Doutor estranho no Multiverso da Loucura', caracterizado como o Xavier do desenho, com a cadeira flutuante amarela. Ou seja, os mutantes foram citados pela PRIMEIRA VEZ no MCU, e Kamala, ou é a primeira mutante, ou ela só foi a primeira mesmo a aparecer. Mudaram todo o tom do show, todo o sentido de algumas cenas, toda a incursão do grupo conhecido como Djinns, que seriam Inumanos, apenas para fazer com que Kamala fosse a primeira mutante do MCU, para dar um ponto de partida no vindouro projeto envolvendo os mutantes e os X-Men. Não que eu não achei isso legal ou bacana...mas é uma mudança muito brusca, não há muita necessidade de você mudar a Kamala de Inumana para mutante no MCU, não iria confundir o público, pelo menos ao meu ver. Acho um desperdício para com a personagem torná-la mutante, mas se a o caminho que eles querem seguir, que façam bem feito daqui para frente.
Toda essa mudança feita na série, depois de ser totalmente gravada, fez ela cair de nível de uma forma absurda, e acabou perdendo muito de sua relevância e de sua identidade. Algo que começou como um arrasa-quarteirão e se transformou em uma paródia de si mesma. Realmente erraram feio, mas muito feio com a premissa da série. Ou faz bem feito e bem organizado, ou não faz gente... fazer e depois mudar tudo quando já está finalizado? Porque não decidiram isto antes? Olha a bagunça que a série se tornou... lamentável!!!
As poucas estrela vão para o mencionado acima... mas MS Marvel ainda é uma série divertida que vale muito a conferida, possui um começo que dificilmente será superado em séries futuras, diverte, entretém... mas como produto final, com as mudanças já citadas, ficou muito a desejar. Que Kevin Feige, Victoria Alonso e demais produtores aprendam com esse erro grotesco.
O sexto ano de Marvel's Agents of Shield, diferentemente dos outros anos, tem apenas 13 episódios, bem mais enxuto, e com uma trama que vai direto ao ponto, sem episódios embarrigados, e com um ritmo alucinante que pega o espectador.
Já dando indícios que a série estava rumando para seu fim, pelo fato de ter seu ano encurtado nos episódios, Agents of Shield ainda traz uma boa trama, se reinventando para manter o seu fiel público, mas pecando ainda no vilão principal do arco, que continua sendo um vilão mais clichê, sem desenvolvimento e fraco.
O ponto forte deste ano foi o suspiro que Clark Gregg ganhou na série, depois que seu personagem Phil Coulson, morre definitivamente no MCU (sim, pra mim, a série é canônica e problema é do Zé boné, não meu). Gregg retorna ao show como o vilão Sarge, que é de longe o melhor personagem do ano, muito bem criado... Você fica entre adorá-lo ou odiá-lo, é uma mescla que muda a cada episódio, pois Gregg agora tem uma camada maior para atuar e brincar com seu personagem.
Como acontece em quase todos os anos da série, ele não é o principal vilão da temporada, os produtores colocam um vilão como bode expiatório, para o verdadeiro antagonista se revelar nos capítulos finais, e esse papel neste ano coube a Karolina Wylder, no papel de Izel, uma vilã que aparece mostrando que é imponente, porém vai caindo na breguice e na clichezice comum dos vilões de fim de ano da série. Uma pena, pois tinha potencial ali para ela ser mais barra pesada, ameaçadora, amedrontar mesmo os nossos heróis, mas é muito clichê, muitas frases de efeito, muita cara blasè de quem pode derrotar todos em 3 segundos, mas fica ali cozinhando e cozinhando...
Os agentes precisam deter Sarge e sua gangue que vêm de outro planeta, e que querem destruir o planeta para que Izel não liberte o povo deles, que virá para dominar o planeta Terra. Os primeiros episódios são arrasadores e prendem a atenção de quem assistir, porém, nos 5 ou 4 capítulos finais vai cair um pouco de nível, pela pesada de mão com a vilã Izel.
Gostei muito de Jeff Ward como Deke Shaw neste ano, tentando se encontrar em um tempo onde ele não se encaixa, e parece ser perfeito para ele. Seu personagem, hoje muito mais cômico, do que quando apareceu na temporada passada, ganhou o tom certo para não ser só alívio cômico, e poder tirar o que de melhor Deke pode oferecer, e o melhor da atuação mais despojada de Jeff. O resto do elenco dispensa comentários, estão todos ótimos e no mesmo nível de sempre de excelência, com um destaque especial para Natalia Cordova-Buckley, a Yo Yo Ramirez, que neste ano está dramática no ponto certo, fazendo Natalia atuar em garbo e elegância.
Não gosto de finais que deixam mais perguntas do que respostas, mas foi satisfatório e competente com o que foi criado para este ano. De destaque entre os episódios, todo o arco do começo do ano, que se passa no espaço com Daisy, Simmons, Piper e Davis, procurando por Fitz e Enoch é ótima, e foi a mais interessante de se acompanhar... mesmo tendo todo aquele arco de Sarge, Snowflake, Jaco, chegando na Terra e enfrentando a SHIELD de Alphonso Mackenzie.
O mais novo capítulo do Marvel Studios em sua fase 4, vem em forma de minissérie, e apresenta para os espectadores do MCU mais um "super-herói" da editora/estúdio que atua de uma forma mais urbana... o Cavaleiro da Lua (Moon Kinght no original).
O Cavaleiro da Lua apareceu pela primeira vez nas HQ's em 1975 na revista Werewolf By Night, o Lobisomem, personagem que ganhará um especial de Halloween em Outubro pelo próprio Marvel Studios, dentro do Disney Plus. Ganhou fama mesmo na sua primeira revista solo, cinco anos depois nas mãos do famoso e renomado Bill Sienkiewicz (que é homenageado na série, levando o nome do hospital psiquiátrico que aparece no último episódio), que já trabalho nas revistas do Demolidor e do Thor na Marvel, entre outros.
Eu mesmo conheci o Cavaleiro da Lua apenas nocomeço da década de 2000, durante o arco da revista Marvel Knights, quando ele financiou uma equipe composta pelo Demolidor, Justiceiro, Viúva Negra, Manto e Adaga, para agirem urbanamente contra os malfeitores. Mas me afeiçoei mesmo ao personagem no arco escrito por Charlie Huston e desenhado pelo gênio da arte David Finch, onde ele nos mostra um Marc Spector mais perturbado, tentando voltar a ser digno de Konshu, e sofrendo pelo fato de ter assassinado um de seus principais inimigos, que agora reside em sua cabeça, e resolve palpitar em seus atos de vigilante. Esse arco é sensacional, e foi aí que pude conhecer mais a fundo sobre o Cavaleiro da Lua e suas múltiplas personalidades.
A série do Disney Plus, é baseada principalmente no arco de Jeff Lemire e Greg Smallwood, mais recente de 2016, e este arco eu nunca li, apenas conheço o que foi mostrado do Cavaleiro da Lua no arco de Huston da década de 2000, portanto cheguei bem desalinhado da proposta da série para o personagem, pelo o que eu conhecia dele.
Marc Spector é o alter ego do Cavaleiro da Lua, que faz um pacto com Konshu, Deus grego da Lua, para se tornar seu avatar e levar a justiça para aqueles que fazem o mal. Porém, Marc possui outro alter ego que se chama, Stephen Grant, uma outra personalidade de Marc, bem diferente, como se fosse uma pessoa completamente diferente. E uma outra personalidade ainda, chamada Jake Lockley, sendo que este eu ainda não havia conhecido e nem ouvido falar nas HQ's.
Portanto vim assistir a série com a cabeça livre, sem me prender ao que conhecia dos quadrinhos, e aproveitando mesmo a experiência de ver o que a Marvel havia criado e construído para a série. E a experiência foi muito positiva.
Protagonizado por Oscar Isaac (Duna) e Ethan Hawke (dispensa apresentações), Cavaleiro da Lua traz muito da cultura egípcia para série, traz uma trama intrigante, que dá espaço e ênfase tanto a Marc, quanto a Stephen, passando também por Harrow, o vilão de Ethan Hawke. O Cavaleiro da Lua não é caracterizado nesta série muito como super-herói, ele luta pelos próprios motivos e princípios, tenta deter o maior inimigo de Konshu, além de Marc ter que lidar com Stephen, seu outro alter ego, e sua esposa Layla El-Faouly (interpretada pela ótima atriz, May Calamawy).
A série segue um bom ritmo durante seus 6 episódios de 50 minutos em média. Leva muito tempo explicando tudo nos mínimos detalhes para espectadores de primeira viagem que não conhecem o personagem e sua mitologia, que não ficam perdidos durante o desenrolar da trama, mas também podem acabar achando um pouco enfadonho não desenrolar a trama demais em seu começo, e ficar embarrigando demais os acontecimentos. Ou seja, espectadores de primeira viagem, ou que não costumam acompanhar o MCU, terão que ter uma paciência maior nos 3 primeiros episódios, até a ação desenrolar de uma maneira fluída.
O CGI e os efeitos visuais do filme estão dentro do padrão esperado para minisséries televisivas, muitos podem estranhar um pouco as CGI, que não são tão genuínas, ou até mesmo notar os personagens Konshu e Anmmit, que dão a impressão de serem mais borrachudos, mas para mim, em nada atrapalhou a experiência de conferir a série, e em tela, não chega a ser tão gritante assim esses detalhes.
Pelo pouco que conheço do Cavaleiro da Lua, gostei do que foi apresentado na Minissérie, mesmo sendo bem diferente do pouco que conheço dele do arco de Charlie Huston de duas décadas atrás. Aqui, ele não tem seu amigo francês de longa data que o ajuda no dia a dia de vigilante, ele não é podre de rico, para financiar sua vida de vigilantismo, usando um helicóptero em forma de lua para se locomover pela cidade. Seu uniforme feito a mão com tecidos resistentes à prova de balas e outros ataques, não foi retratado na série, uma vez que no MCU a entidade Konshu é que dá a Marc o poder para conjurar seu próprio uniforme com um pensamento e ainda lhe concede uma espécie de fator de cura.
Acho que quem segura mesmo a série é Oscar Isaac e Ethan Hawke, eles fazem um trabalho esplêndido interpretando Marc Spector/Stephen Grant e Arthur Harrow, respectivamente. Ethan já um ator veterano, muito competente e talentoso, e voltou às raízes em um papel de um personagem que remete muito aos papéis que ele fez no começo da carreira que o alçou dentro de Hollywood ao estrelato. E o seu vilão é muito bem construído e suas motivações são puramente malignas, para nós, porque em sua visão, ele considera estar fazendo um ato de caridade e não de vilania.
Já Oscar Isaac, com toda certeza dá um show interpretando dois personagens que são tão diferentes, mas se completam, sendo uma pessoa só... Marc Spector, com sotaque americano e destemido, experiente, soldado e tudo mais... e Stephen Grant, mais retraído, um pouco bunda-mole, sotaque britânico, cabelo bagunçado. Oscar brinca demais com essas duas personalidades distintas, e apenas cresce durante a série, com o ápice sendo o quinto episódio, quando Marc e Stephen estão juntos no pré-Morte, ou pré Além vida, e graças a magia do cinema, nós temos dois Oscar Isaac em cena, e ele se sai muito bem atuando duas personalidades distintas e tão diferentes e iguais ao mesmo tempo, em tela, contracenando juntos. E devo dizer que o quinto episódio da série é de longe o meu favorito!!!
Dou destaque também para May Calamawy que fez Layla, esposa de Marc, uma triz sensacional que tem um carisma enorme em tela, me peguei muito torcendo por ela, e que tem uma química com Oscar muito boa e que dá um frescor a mais para a série.
Criado por Jeremy Slater, o showrunner da série, e dirigido pelo trio Mohamed Diab, Justin Benson e Aaron Moorhead, que fizeram um ótimo trabalho nos 6 episódios em termos de direção, 'Cavaleiro da Lua' sofre apenas do mal do clichê. Toda a construção do personagem vigilante, da sua relação com a esposa Layla, de seus embates filosóficos entre Marc e Stephen, que dividem o mesmo corpo, e o famoso encontro entre o mocinho, no caso Stephen, e o vilão Arthur Harrow, que cordialmente se conhecem e conversam e tomam chá juntos, para depois partirem para hostilidade por partilharem de visões e opiniões distintas de heroísmo e vilanismo, é muito clichê... já é algo visto por aí afora em dezenas de filmes e séries ao decorrer das décadas. É uma narrativa já batida, muito comum de ser usada e reusada... e pelo menos aqui, esperava uma originalidade maior para se criar um cenário onde herói e vilão percorreriam outro caminho para seu embate moral.
A trilha sonora da série, composta por Hesham Nazih é ótima, um ponto forte do show, compõe bem as cenas, os personagens, traz faixas únicas para Marc, quando em cena, e para Stephen, quando em cena, para Layla, Konshu, e está centrada em um tom totalmente egípcio, mais teatral, mais endeusístico, se assim posso dizer... não está totalmente único, mas tira o que de melhor pode ter no folclore egípcio e grego de divindades antigas, se tornando uma trilha inteligente, performática e que completa bem a proposta da série.
Outro ponto positivo da série, é não ter nenhuma menção sequer, a nenhum outro personagem ou super-herói que já pareceu no MCU... ninguém aparece, ninguém é mencionado, nenhum ato é mencionado, nenhum acontecimento é mencionado. É totalmente fechado no Cavaleiro da Lua, e estava faltando algo dentro do MCU que fosse assim, um arco fechado focado no personagem em questão, sem preocupações em amarrar a outras produções e citações de outros filmes e/ou séries. Bem como acontece também nos quadrinhos... você não precisar citar, mostrar ou situar, para mostrar que está se passando no mesmo universo. Simplesmente se passa no mesmo universo e ponto, apenas aproveite a experiência.
É mais uma ótima série do MCU, não chega a ser a melhor do estúdio, ou seja, não bate WandaVision, em minha humilde opinião, é claro... tem poucos pontos negativos, e mais pontos positivos, é inteligente, sagaz, engraçada, e bem construída... pecando apenas um pouco em alguns clichês básicos. Mas acaba sendo uma série que muitos esquecerão com mais facilidade depois de uns meses, o que é uma pena, pois a série é riquíssima em conteúdo e traz consigo algumas gotas de originalidade, apesar de pecar nesse ponto também, tinha margem para muito mais.
Quando a música entrou de verdade na minha vida foi em 1997 conhecendo a MTV. Antes de isso eu só conhecia os Beatles porque meu pai sabia os nomes deles de cor, mas só os nomes, as músicas que era bom, nada. Discos então ele não tinha, então eu só conhecia as versões brasileiras das músicas deles, Submarino Amarelo, Hey Jude do Kiko Zambianchi, todas as versões da Jovem Guarda pros Beatles, aquela versão horrenda da Simone pro Merry Xmas do John Lennon, enfim...
Eventualmente, com a MTV, conheci a fundo e obviamente virei fã incondicional não dos Beatles, do catálogo, do trabalho, mas de tudo o que permeia e cerca a história e existência da banda. Só quem é fã mesmo vai saber do que estou falando, ser fã de Beatles é algo meio único, é tanta coisa, tanta história, tantos mitos, tantas músicas, tantas fases...
Acho que o Get Back era algo que todo fã da banda queria, mas também qualquer fã de qualquer banda e artista iria querer... acompanhar seus artistas prediletos que os inspiram, no estúdio, compondo e criando as músicas que você irá ouvir a exaustão quando colocar o disco na vitrola ou no CD Player. Conversando, se divertindo, as vezes discutindo, criando arranjos, letras...
Em janeiro de 1969, os Beatles entraram em estúdio para gravar seu novo disco, mas queriam fazê-lo de forma ao vivo e com platéia, então alugaram o Twickenham Studios para ensaiar novas composições para entrar neste disco. Ao mesmo tempo que ensaiavam, eles chamaram o diretor e amigo da banda, Michael Lindsay-Hogg para fazer um documentário sobre todo o processo de criação do novo álbum, e gravar o show que viria a ser o novo disco da banda, e este documentário iria sair possivelmente junto com o disco novo. Lyndsay-Hogg gravou mais de 80 horas de imagens da banda, tanto no Twickenham Studios, como na Abbey Road Studios para este documentário que NUNCA saiu, nunca foi lançado... e o disco ao vivo que a banda queria gravar também não saiu. Ao invés disto, a banda, já na Abbey Road Studios, gravou o disco de mesmo nome, e, depois do fim da banda no ano seguinte, as músicas que foram ensaiadas e criadas no Twickenham Studios e Abbey Road Studios fizeram parte do Let It Be, último disco da carreira da banda.
Para trazer todo este material, há muito sem ver a luz do dia, foi chamado um dos melhores diretores da indústria cinematográfica moderna, Peter Jackson, da trilogia 'O Senhor dos Anéis' e da trilogia 'O Hobbit'. Sem falar que Jackson também é um fervoroso fã dos Beatles, imagina a felicidade do homem em poder pôr as mãos neste material...
E ouso dizer que este é um dos melhores trabalhos do Peter Jackson... foi incrível a tato que ele teve para poder montar este documentário, o que ele soube escolher para mostrar em cena, aonde ele focou, como ele dividiu as partes do filmes para nos dar uma ideia clara do que realmente estava acontecendo antes de começar a gravar as sessões na Twickenham, durante o processo, e depois ao chegarem na Abbey Road Studios. Este documentário só poderia mesmo ver a luz do dia em formato de Streaming, pois muita coisa ficaria de fora se ele se tornasse um filme como 3h ou 3h30 de duração. Get Back é dividido em três partes no Disney Plus, a primeira mesmo tem 3h de duração, com as duas seguintes com pouco mais de 2h30, ou seja, são um pouco mais de 8 horas de um material cuidadosamente escolhido, editado e montado pelo mestre e fã Peter Jackson.
A primeira parte do documentário foca nos ensaios na Twickenham Studios, já na primeira semana de 1969, onde os Beatles andam meio esparsos, tirando Paul, os demais andam conforme a maré e não se concentram demais nas coisas,,, depois da morte do empresário deles, Brian Epstein, que os colocavam na rédea, eles foram cada vez mais se desligando da responsabilidade e Paul acabou ocupando esse papel de chamar a atenção deles, de tentar colocá-los na rédea, de tentar fazer com que eles tenham disciplina e atenção para poderem criar canções para seu próximo trabalho.
É daí que sai a primeira rusga entre eles, focada em Paul e George, que chega ao ponto de George deixar a banda e não aparecer mais nos estúdios para gravar, o que faz com que John fique mais desleixado, sem ligar muito para o que vai acontecer daqui para frente, e de uma certa maneira colocando a uma parcela da carga de culpa em Paul pelo fato de George ter deixado a banda e de como eles não conseguem se compromete no estúdio. A carga desse primeiro episódio é tão pesada,mas tão pesada, que mesmo sabendo que os Beatles não acabariam ali, nós temos uma impressão que não tem jeito, eles estão acabando aos poucos e é questão de minutos no filme para podermos contemplar este fim, porque é um caminho sem volta, tá muito nítido em tela, e você não vê uma forma que as coisas se resolvam para que do nada eles voltem a ter a química de antes e se acertem para voltar a criar grandes canções.
Por incrível que pareça, é exatamente DO NADA, que George se acerta com Paul, depois de um encontro entre a banda na casa de George, que não foi gravado, que as coisas começam a se acertar e George aparece na segunda-feira seguinte para voltar a ensaiar na Twickenham... e é naquela semana, ou naquele dia (esqueci agora), que magicamente Paul, junto a Ringo e George, começa a dedilhar e cantarolar o que viria a ser a música 'Get Back', enquanto esperavam John chegar no estúdio. Não tem nada mais especial, mais mágico, mais incrível no mundo, ver como essa pérola de música foi criada assim... do nada, do mais nada possível... fica ali Paul dedilhando alguns minutos, sem letra, e aí começa a cantar 'Get Back to where you once belonged'. Então George e Ringo entram no dedilhar de Paul e ali começa a se formar a base demo da melodia da canção... e conforme o episódio passa, a cação se constrói, a letra brota, e vemos Get Back ganhando a luz do dia...é incrível, sem palavras... e isso acontece sutilmente com outras canções também.
O segundo episódio já temos a mudança deles da Twickenham para a Abbey Road Studios, aonde o clima muda consideravelmente, e tudo fica mais leve e vemos os Beatles criando mesmo, da forma mais pura, se divertindo, tendo novas ideias, relembrando coisas do início da carreira, viagens que fizeram, tocando músicas dos outros discos, de outros artistas... é um deleite para nós fãs... sempre digo que o segundo episódio é o melhor dos 3, é o mais divertido, o mais puro, o que passa voando, dado o entretenimento que ele proporciona. Principalmente com o adendo de Billy Preston nos teclados, praticamente um quinto Beatle, ali que a banda se soltou, que começaram a falar a mesma língua, que as diferenças foram deixadas de lado, e se apareciam eram resolvidas tão rápidas que se você piscar, nem vai perceber que elas apareceram.
Foi com este documentário que sacramentei algo que vinha me segurando em afirmar há muitos anos... que John Lennon é meu Beatle favorito. Em termos musicais, focado no trabalho solo, ou em composições dentro dos Beatles mesmo, George era meu favorito, tinha muito apreço por ele, e também pelo John, mas sempre exaltando um pouco mais George. Com 'Get Back', pude perceber que John tem muito a ver comigo, além de ser tímido, é muito, mas muito zoeiro quando está cercado por pessoas com quem tem intimidades para poder ser ele mesmo, sem medo de ser julgado ou apontado... para ser bobo mesmo. Por ser fã de Oasis e sempre ter preferido o Noel Gallagher ao Liam, pelo fato dele compor as canções da banda e além der líder, ficar ali no canto do palco fazendo os solos incríveis que ele fazia, e também os backing vocals que intercalavam bem com os de Liam, sempre preferi no palco, músicos que tocam, fazem os backing vocals, e compõem... e John é um músico assim... ele toca a guitarra base, deixando os solos pro George, mas fazendo solos quando necessário, geralmente em suas composições, e faz muitos backings nas mais diversas canções dos Beatles, assumindo os vocais mesmo mais em suas composições... isso já me assemelha mais a ele, junto ao fato da personalidade boba e palhaça, mesclado á timidez e a sensatez também nas entrevistas e com causas mais séria...é meu Beatle preferido com certeza.
A Terceira parte culmina no famoso show no telhado em Salvine Row, que viria a ser a última apresentação ao vivo dos Beatles para o público... uma apresentação que teve muitas canções repetidas mas que metade delas integram o disco 'Let It Be' lançado um ano depois. Essa apresentação também que foi levada para os cinemas, e que pude conferir ao ar livre no festival Open Air no Jockey Clube aqui de São Paulo, a chuva não ajudou muito e deixou o povo meio tímido para cantar e curtir mais... mas ainda assim foi uma experiência incrível onde no final todos aplaudiram essa incrível performance. Ver os quatro tocando juntos, se divertindo, sem pressões, isso sim é Beatles em sua forma pura, e fecha o documentário com chave de ouro.
Pra qualquer pessoa que goste de música, este documentário é praticamente obrigatório, pois é muito gratificante ver uma banda no estúdio criando suas canções... e dá muita vontade de ver seus outros artistas favoritos fazendo o mesmo, para saber como é o processo criativo de cada um. A duração, pouco mais de 8 horas ao todo, dividido em três capítulos, não é desculpa para ninguém assistir, afinal, quem não gosta de assistir películas longas, por favor, vai assistir o Luciano Huck então... porque pelo amor né!!!
Peter Jackson com seu melhor trabalho até então, uma 'Masterpiece', uma pérola, um deleite completo para os fãs dos Fab Four... para ser visto e revisto sempre, a qualquer hora, a todo momento... Nota 1000.
(Assistido em Novembro 2021) (Get Back: The Rooftop Concert, visto em 09/06/2022 no Vibra Open Air) (Sempre reassistindo)
No final de 2021, o Marvel Studios resolveu lançar seu último projeto do ano, e a sua última série como uma forma de festejar as festas de Natal e Ano novo junto a seus fãs... coube a Gavião Arqueiro ocupar este cargo. Tendo Jonathan Isla como Showrunner e dirigido por Rhys Thomas, Gavião Arqueiro parte do ponto onde Ultimato terminou, Clint agora está realmente aposentado da vida de herói e para compensar os 5 anos em que sua família desapareceu no Blip, ele resolve ir a New York com seus filhos para aproveitar os dias que antecedem o natal, aproveitando para ver o (infame) musical 'Rogers-The Musical' que conta muito provavelmente a história de Steve Rogers, mas que na série vemos apenas a parte do musical onde os Vingadores se unem para derrotar Loki na batalha de Nova York.
A série é baseada no arco dos quadrinhos de mesmo nome escrito por Matt Fraction e David Aja, onde a arte de Aja é um pouco mais para um visual pastel, que também engloba ali o cartoon, com cores mais frias predominando o roxo que sempre foi a cor usada por Clint em seus uniformes... e onde também tem a participação de Kate Bishop neste arco. Nunca li este arco dos quadrinhos, cronologicamente ainda não cheguei nesta parte, mas conheço a personagem Kate Bishop, que nos quadrinhos é a Gaviã Arqueira, fã de Clint e que integra a equipe de 'Jovens Vingadores'. Na série, Kate é interpretada por Hailee Steinfeld (de Bumblebee), e ela foi muito bem no papel da nova heroína. Tem sua própria liberdade criativa para interpretá-la, uma vez que ela e a Katie dos quadrinhos diferem um pouco no quesito personalidade, mas tem semelhanças em outros pontos, e Hailee segura o protagonismo brilhantemente, sendo uma grata surpresa e uma ótima adição ao MCU.
Por ser baseada no arco de Matt Fraction, a série tinha tudo para ser boa, porém seu resultado final foi bem abaixo do esperado e a série infelizmente, em minha opinião, é muito fraca no roteiro e na direção, pouquíssima inspirada e sendo uma das produções mais fracas do MCU, junto a Thor O Mundo Sombrio e Homem de Ferro 3.
Acho que o melhor episódio da série, que possui seis, é o primeiro, pois o resto, peca ali e acolá. Temos a Gangue do Agasalho, que pelo que vi é mais ameaçadora nas HQ's, e aqui eles mais parecem um bando de trapalhões musculosos, do que um grupo que intimida e realmente irá desafiar as habilidades dos dois Gaviões. Uma das antagonistas do show é Maya Lopez, interpretada pela atriz surda 'Alaqua Cox'. Maya nos quadrinhos se tornou 'Eco', contratada pelo rei do Crime para matar o Demolidor, acabou morrendo e foi ressucitada pelo Tentáculo, se tornou o Ronin, passou o manto para Clint Barton e depois integrou durante um tempo os 'Novos Vingadores'. Na série, ela perde o pai pelas mãos de Ronin, durante o Blip, em uma cena que entrega um fan service, e então passa a liderar a Gangue do Agasalho e se torna obcecada em matar o Ronin quando o mesmo supostamente volta a ativa em Nova York. Alaqua está muito bem no papel, é umas das poucas que se salvam na série, e sua história de origem foi muito bem escrita, e contada, e tanto sua atuação como da atriz mirim que a interpreta na infância são muito convincentes. Ficou apressado demais por ser apresentada na série do Gavião, e poderia ser melhor desenvolvida se fosse em uma série própria.
Além de ser pouco inspirado, não ter uma trama tão cativante, e ter personagens que são bons até, mais que não te conquistam a ponto de você torcer por eles (tirando Katie e Maya), 'Gavião Arqueiro' tem um final HORROROSO de ruim e mal escrito. Temos uma luta no gelo entre Clint, Katie e a Gangue do Agasalho, porém durante toda as série vimos no máximo uns 15 integrantes dessa gangue. De repente no último episódio, os produtores resolveram meter sem medo de errar uns 100 membros da gangue cercando os dois heróis, apenas para vermos em tela eles usando diversas flechas especiais com os mais variados truques embutidos nelas. Achei uma ideia bem mal escrita, bem mal pensada, pouco criativa... uma cena que não me convenceu.
Também temos uma luta entre Maya e Kazi (Fra Fee), muito curta, muito obvia, com um texto batido, mal atuado e com uma resolução brega. Fra Fee até que foi bem durante a série, mas nesta cena ele foi péssimo demais, graças ao texto. Ainda tivemos uma série com os amigos que Clint fez durante a série, os membros da LARP, que se vestem como personagens de jogos de RPG de magia de mundos fantasiosos, e fazem batalhas vestidos a rigor por prazer. Aqui, para ajudar a evacuar o prédio atacado pelos Agasalhos, eles se vestem ridicularmente com suas fantasias bregas e ajudam o povo a sair (des)organizadamente, aos mesmo tempo que dá uns socos aqui e acolá nos Agasalhos, que eram para serem casca grossas... que vergonha alheia.
Dos demais atores na série, Florence Pugh aparece como participação especial como a Yelena Belova, irmã de Natasha, que foi contratada no fim de 'Viúva Negra' pela Condessa Valentina De La Fontaine para matar Clint Barton. Mas na série foi revelado que ela foi contratada pela mãe de Katie, ficou meio confuso, mas pode ser que ela pode ter chegado e Valentina pelos contatos que possuía por trabalhar com o Rei. Florence tem uma dinâmica ótima com Hailee, suas cenas no elevador e na conversa entre as duas no apartamento de Katie são as melhores delas e da série. Mas Yelena tem uma luta no final com Clint, para se vingar da irmã, muito chula e brega, com frases de efeito e chega a ser ridículo ver como Yelena está equivocada e não percebe que a culpa não foi de Clint... não aceita nada do que ele fala, e no fim acaba se convencendo de que ele não teve culpa na morte da irmã, por algo que ele fala que é menos explicativo do que tudo que ele já havia falado a ela. Sabe aquela resolução fraca e boba,? É como se ela fosse inserida na série apenas para lutar com Clint e depois perceber que está errada e se arrepender e fiar amiguinha dele... que coisa ais mal escrita gente, que desperdício de atores.
Outro grande ator que aparece é Vincent D'Onofrio, diretamente da série Demolidor da Netflix, para interpretar seu Rei do Crime mas do que perfeito. Só aparece no último episódio, dá um show de interpretação, mata a pau, que ator é Vincent, e aquele com certeza não foi seu final definitivo.
Vera Farmiga faz a mãe de Katie, Eleanor Bishop e tem momentos bons e momentos mornos na série, foi pouco exigida em termos de roteiro e presença de cena. Tony Dalton, ótimo ator, versátil, gostoso de vê-lo em cena, faz Jack Duquesne, noivo de Eleanor, a quem Katie não confia de forma alguma por achar que ele está envolvido no assassinato do próprio tio. Nas HQ's, Jack é o vingador conhecido como 'Espadachim', personagem do quinto escalão da Marvel, e aqui Jack tem sim habilidades de esgrima, mas seu personagem foi tão mal aproveitado na série, mas tão mal aproveitado, um desperdício imenso do talento do ator que não fez nada a série inteira, para no último episódio, ter uma fala ridícula de: "Agora é minha hora", e então lutar de espada com alguns capangas da Gangue dos Agasalhos...cruzes, até eu escreveria esse personagem melhor. Simon Callow, que já fez Quatro Casamentos e Um Funeral e Ace Ventura 2, fez o tio de Jack, Armand Duquesne, e apesar de só aparecer no primeiro episódio, dá um show com seu sotaque britânico (sim, acho os britânicos melhores que os americanos), e se porta bem demais em cena, pena que sua participação foi curta. Linda Cardelini volta como Laura Barton, esposa de Clint, mas em pouquíssimas cenas e Ava Russo volta como Lila Barton, filha de Clint.
'Gavião Arqueiro' infelizmente é uma série muito fraca, com pouquíssimas cenas de destaque, como a da perseguição de carro pela cidade que se encontra no trailer, cena parecidíssima com a cena de perseguição de carro de Natasha e Yelena em Budapeste no filme da Viúva. É mais mal dirigido que bem dirigido, não soube aproveitar os ótimos atores que estavam no elenco da série, muito mal roteirizado, uma trama fraca que não convence, uma reviravolta que surpreende zero pessoas, e que possui um último episódio de 1 hora sofrível, horroroso, cheio de péssimas ideias, que poucas cenas se salvam dali. É uma série que não vou negar, diverte, entretém, mas enquanto você assiste você percebe o quanto eles erraram a mão produzindo e dirigindo esta produção.
Pra variar, na sua famosa cenas pós créditos (nas séries, cena pós último episódio né), eles nos brindam com a sequência COMPLETA do musical 'Rogers The Musical', que vimos cortado no primeiro episódio. Aquilo é uma vergonha alheia... é... mas de tão tosco, é divertido, é engraçado, e o principal, é muito bem feito, muito bem dirigido, muito bem coreografado, e tirando os atores que fazem os Vingadores na peça, que não estão ruim devo dizer, os dois atores que começam a cantar e interpretar no início de terno, são ótimos em cena, cantam muito bem, se portam primorosamente em cena, parece que são dois profissionais experientes da Broadway sabe... é tosco, mas é bom (!!!!!) O que te sobra é dar risada, aquela nervosa, de anime, que sai uma gotona de suor da sua testa.
PS: Alaqua Cox retorna com sua própria série, Eco, que muito provavelmente deve trazer Vincent D'Onofrio , o Rei Do Crime, de volta.
(Assistido Novembro 2021) (reassistido 30/05/2022)
O que caracteriza uma obra-prima...? Muitas pessoas vão ter inúmeras opiniões e visões de como elas caracterizam uma obra-prima em um filme ou em uma série, ou em qualquer meio de entretenimento, visual ou literário.
Da forma como eu vejo, uma Obra-Prima é algo que transcende o comum, que sai do óbvio, que brinca com as ferramentas que tem em mãos e as usa de uma forma não antes pensada, ou que mergulha no que de melhor já foi feito, colocando ou um tom de originalidade, ou o seu próprio tom. Pra mim uma Obra-Prima dita um novo olhar no que você tende a entender que conhece, que sabe como funciona, que recomhece quais os caminhos usados para se chegar a tal fim. É algo que usa uma linguagem que você não sabia que existia, que nos fascina com formas que nunca poderíamos imaginar, ou que até imaginamos, mas não havíamos pensado que poderiam ter sido usados de tal forma. É um roteiro que intriga, que seduz, que penetra na sua mente, que brinca com seu regojizar, que sai do óbvio e vai para além da imaginação, que tira o certeiro dos assuntos mais complexos, que faz você sair do ponto A e cair no E, sem passar por D ou C, sem explicar e contextualizar, e ainda assim você estará mergulhado naquele texto de uma forma tão profunda, que tudo que aconteça mesmo que não faça muito sentido, terá o seu total entendimento.
Viajei demais na maionese, só pra dizer que "Legion" série exibida pelo canal FX entre 2017 e 2019, em sua primeira temporada é uma das obras primas visuais e linguísticas mais impressionantes da década de 2010 e dos últimos, sei lá, 20 anos(???) talvez...
Um fato curioso, "Legion" é uma série Marvel, baseada no filho do Professor Xavier, David Haller, que tem poderes mutantes de alteração da realidade e da matéria, ele sozinho pode alterar toda uma realidade se quiser. Mas não era a ideia inicial fazer uma série sobre o Legião, filho de Professor X... a ideia de toda a história que permeia a série já havia sido idealizada por Noah Hawley (criador da série Fargo), e quando pintou o convite da Marvel para Hawley fazer uma série com eles, Hawley apenas disse que queria um personagem que se encaixasse na proposta de seu roteiro... tudo já estava pronto, Legião só caiu de para-quedas. pra mim, isso já é genial.
E Dito isto, pra mim, Noah Hawley é um gênio, um mestre em criar histórias interessantes, inteligentes, um mestre na arte da direção, em imaginar todo este universo, na criação da psique de seus personagens. Coisa magnífica, bonita e gostosa de se acompanhar, um verdadeiro deleite.
Noah Hawley se inspirou em grandes trabalhos que podem ser considerados obras-primas para compor e inspirar sua história, visualmente ou dentro do seu texto. Você verá em tela muita coisa linguística e visual tirada de: 'Laranja Mecânica', 'O Iluminado', 'Psicose', muita coisa do próprio Hitchcock, 'Vinte Mil Léguas Submarinas' de Júlio Verne, muitas inspirações na série dos anos 60 'Além da Imaginação'. Fora essas obras primas que inspiram a série, temos suaves quebras de quarta parede, cenas que homenageiam o cinema mudo e um protagonista que acaba sendo uma mistura de Jack Torrance de 'O Iluminado' com o Coringa de Joaquim Phoenix, dentro do que foi idealizado por Ingmar Bergman.
"Legion" se aprofunda na mente doente de David Haller (Dan Stevens) que além de ser um mutante poderoso, supostamente sofre de esquizofrenia, e são muitas as viagens criativas de Hawley na mente problemática de David, é onde grande parte da mágica da série acontece. Possuído por um parasita conhecido como 'Rei Das Sombras' ou Ahmal Farouk, david constantemente tem dificuldades em distinguir o que é realidade e o que é delírio, sonho, pesadelo, irreal, mesmo quando os demais mutantes da ClockWorks vem em seu resgate no 'manicônio' para tentar livrá-lo das investidas da Divisão 3, que pretende exterminar o mutante mais poderoso da terra.
Os mutantes da Divisão 3, não existem nos quadrinhos, foram livremente criados por Hawley e consistem em Sydney Barrett (Rachel Keller) que tem o poder de trocar de corpo com quem a toca (lembra a Vampira? Claro!), Ptonomy (Jeremie Harris) que consegue penetrar nas memórias das pessoas, Cary e Kerry (Bill Irwin e Amber Midthunder) dois mutantes que dividem o mesmo corpo e Melanie Bird (Jean Smart) a líder e dona da ClockWorks.
Temos uma sequência a partir do episódio 5, onde em uma situação, quando David e os outros são emboscados na sua antiga casa, e estão prestes a morrer baleados, Sydney acaba adentrando no plano astral junto a David, que impulsionado pelo domínio do Rei das Sombras, faz com que todos no quarto também acabem indo para lá, e todo aquele momento é parado no tempo enquanto todos estão confinados no plano astraç em uma realidade criada pelo Rei das Sombras. Toda sequência é algo genial, muito bem escrito, transplantado em tela, de uma criatividade e liberdade cinemática, onde estamos em um outro plano de existência, dentro da mente de David e Rei das Sombras, e dentro daquela realidade criada, nós adentramos a mais realidades criadas por David, ou o outro Plano Astral de Oliver Bird, marido de Melanie que está preso no Plano Astral há décadas. Tudo soa confuso, e ao mesmo tempo tudo soa certo e avança gradativamente durante três episódios até tudo ser solucionado e todos voltarem aquele exato ponto que foi parado no tempo. Surreal!!!
O elenco de "Legion" é um dos elencos mais competentes que já vi em séries por aí a fora, praticamente no patamar de excelência de séries como 'Mad Men', 'Breaking Bad'. Tanto Dan Stevens, como Jean Smart dão um show e os demais Coadjuvantes são ótimos e mais do que carismáticos. Mas com certeza destaco dois atores, uma é a competente e talentosa Aubrey Plaza que faz Lenny Busker, amiga de David no 'manicônio' que morre já no começo e é dominada pelo Rei das Sombras que a usa para perturbar e bagunçar a mente e a realidade de David. Ela dá UM SHOW em tela, dança, performa, declama, faz tudo, tem toda uma sequência de dança no episódio 6 em um take que lembra um pouco ou não cenas de 'Chicago' ou uma estética mais 'Moulin Rouge'. Ela é incrível, atriz com A maiúsculo. Além dela temos Jemaine Clement como Oliver Bird... de longe o melhor na série, tem um "q" de homem sessentista, da década eu digo, uma menira de se comunicar, de falar, de andar, de se movimentar. Jemaine é um atorzaço, dá pra aprender muita coisa com ele em termos de atuação, tem as sacadas na hora certa, dança excelentemente bem, canta afinadíssimo, existe algo shakesperiano nele, eu não sei. Ele é o tipo de artista que eu gostaria de ser, impecável, suas cenas são arte puríssima, um personagem gostoso de escrever, interpretar e assistir.
Simplesmente a primeira temporada de "Legion" é uma das coisas mais incríveis que já assisti. Lembro que havia assistido algo semelhante, com uma pegada parecida, brllhante, que tinha potencial, a série "Maniac" original Netflix, e aquilo havia me virado a cabeça. Mas Noah Hawley superou minhas expectativas além da conta com "Legion". Uma série que eu não dava nada, quando fiquei sabendo de sua produção, não achei uma boa ideia fazer uma série televisiva de um personagem que as pessoas mal conhecem ou têm apreço como o Legião. Mal imaginava eu a história surreal que dava para contar com ele.
Por mais que seja baseada nas HQ's da Marvel, a série não tem nada de super-herói, nada de heroísmo, grande vilão, grande equipe, fan service ou o que for. É uma série que brinca com a psique das pessoas, com sua noção de realidade, e que sabe fazer como ninguém seus personagens evoluírem do ponto A ao B, episódio por episódio, em uma crescente que ao fim da primeira temporada, eles já não são os mesmo do primeiro episódio.
É uma pena a série não ser tão reconhecida, pois com sua liberdade criativa, é uma das melhores produções que a Marvel já fez, de todos os tempos, e uma obra-prima audiovisual incrível. De um texto rico e inteligente, e uma linguagem visual inspirada nas principais obras já existentes de grandes visionários. Noah Hawley é um gênio moderno da sétima arte atual, sem medo.
Toda a série se encontra na Netflix e no Star Plus.
(Assistido a primeira vez em 2020) (Reassistido 23-05-2022)
What If...? (3ª Temporada)
2.8 64 Assista AgoraEssa terceira temporada de 'What If?' eu não vou falar de todos os episódios não, até porque é uma temporada fraquíssima.
Como foi mal feito essa temporada final da animação, muitos episódios aí sem inspiração nenhuma, histórias mal criadas e construídas bem péssimas, ideias muito pobres e roteiros que são sofríveis.
A. C. Bradley foi o criador da série e o roteirista na duas primeiras temporadas, e fez um trabalho muito bom, principalmente na primeira, com a segunda com bons e maus momentos... para essa terceira temporada o roteirista foi Matthew Chauncey, que realmente... foi muito ruim no que fez, mas foi ruim com força.
E Chauncey está escalado como roteirista principal da terceira temporada de X-Men 97, o que já preocupa, ou seja, ou ele melhora logo seu estilo de escrita e visão de uma história, ou ele pode estragar mais uma animação de sucesso.
Dos 8 episódios lançados nesse último ano, para mim é claro, apenas o segundo com Agatha Harkness em Hollywood foi realmente bom, nada demais e acima da média, e bem abaixo dos trabalhos das duas temporadas anteriores, mas foi o que mais me agradou entre os oito episódios... é um episódio bacana, engraçado, muito interessante, foca nos Eternos que são seres que sempre geram grandes histórias e deveriam ser mais explorados por Kevin Feige.
A Agatha aqui está bem carismática, tem aquela mudança muito drástica e rápida de vilã para heroína na série, foi dublada maravilhosamente bem por Kathryn Hahn, e ainda temos no episódio o retorno de Dominic Cooper de Capitão América: O Primeiro Vingador, e Kumail Nanjiani como Kingo, além de James D'arcy como o mordomo Jarvis. Um bom episódio.
Os demais realmente, foram de uma falta de inspiração e de uma escrita que dá preguiça de assistir...
O primeiro é muito fraco e nada atraente, dos Vingadores criando robôs mecha para enfrentar monstros irradiados com radiação Gama, originados de Bruce Banner... muito chato e mal escrito.
Os episódios do Guardião Vermelho e Soldado Invernal juntos e d'aquele que se passa em 1872 também deixam a desejar. O primeiro tenta ser um espécie de 'road movie' mas não tem graça e não consegui enxergar química nos dois protagonistas.
O segundo foi mal criado, mal escrito, é baseado no filme 'Shang Chi e os Dez Anéis', mas não possui atrativos... o episódio começa com John Walker (Wyatt Russel) e a Kate Bishop (Hailee Stenfield) e aí corta para alguns anos antes, e o parceiro dela não é Walker, e sim Shang Chi (Simu Liu) que está atrás da irmã Xialing (Meng'er Zhang), que na verdade era a vilã 'Capuz' do episódio... e não sei se perdi algo ali no meio ou não prestei atenção, mas não vi nenhuma explicação de porquê no final os dois estão lá como parceiros, e ignoraram completamente John Walker que só apareceu no começo, e nada mais é dito sobre o paradeiro do personagem e porque estava ali sendo parceira de Kate Bishop... tipo, WTF?
O episódio ainda traz a vlta de Walter Goggings de Homem Formiga e a Vespa com seu personagem Sonny Burch.
O quarto episódio é uma lástima, tinha tudo para ser um episódio muito bem explorado com todo o lado cósmico da Marvel, mas se tornou uma piada sem graça e bem abaixo do que poderiam entregar... falo do episódio que mostra o que aconteceria se Howard o Pato se cassasse com Darcy e tivessem um filho.
Eu gosto muito da Kat Dennings e a acho uma ótima atriz de comédia, mas a insistência do MCU em trazer Darcy para seus projetos e vomitar comédia pobre atrás de comédia pobre meio que me irrita um pouco. Darcy é uma personagem engraçadinha, que teve sua melhor participação na série 'WandaVision'... só. De resto tudo que ela aparece não tem muita graça.
Aqui trouxeram ela de novo em um episódio muito bagunçado onde todo mundo faz piada e se acha engraçadão... um desperdício de história, episódio e elenco, que trouxe Samuel L Jackson, Tom Hiddleston, Clark Gregg, e vilões antigos como Laufey, Malekith, Grão Mestre e Dormammu.
O episódio da Riri Williams não é interessante também, e muito comum e não anima.
Os dois episódios derradeiros também deixam a desejar, trouxeram a Kahhori novamente, onipresente, ao invés de ser uma personagem que fica lá no seu tempo, ela começa a ser onipresente e tudo o mais... enfim. Hayley Atwell está nessa conclusão, do nada não voltou pro mundo dela, achou novas companheiras e está aqui, lutando e lutando fora do tempo sem nenhuma explicação.
A filha de Howard e Darcy está aqui, já adolescente, dublada pela ótima Natasha Lyonne (Boneca Russa e His Three Daughters), e traz a maior surpresa da animação, Tempestade, empunhando seu próprio Mjolnir, Deusa dos trovões. Mas são dois episódios conclusivos bem xaropes, e sem graça e esperava muito mais, mas muito mais.
Realmente uma temporada sofrível para uma animação muito interessante e que foi muito boa em duas temporadas... criaram histórias tão sem graça e desinteressantes, ao invés de focar nos filmes e seus mais hediondos desdobramentos.
Nada de focar em filmes do Homem-Aranha, nem no Homem-Formiga, nem em alguma visão diferente de Guerra Infinita ou Ultimato, o quão legal seria ver isso. Algo focado nos Eternos, na Mulher-Hulk, no Cavaleiro Negro, ou na nova Viúva Negra... enfim.
Sinto que no futuro, quando tivermos muitos filmes lançados de Quarteto e X-Men e outros personagens, que essa série volta, tenho quase certeza, mas por ora, foi um péssimo fim para algo que nasceu muito bem criado.
(Assistido no Disney Plus)
What If...? (2ª Temporada)
3.4 102O Primeiro episódio da segunda temporada de What If? traz Nebula (Karen Gillan) no planeta Xandar, como membro da Tropa Nova, tendo que desvendar o assassinato de Yondu (Michael Rooker).
O episódio traz de volta Jude Law, Taika Waititi, Seth Green, e é um ótimo episódio, que traz uma boa reviravolta no final, e é bem bacana ver essa outra faceta da Nebula, sem ser uma vilã como foi no primeiro Guardiões da Galáxia, e nem uma anti-heroína, como foi no segundo Guardiões. Aqui ela está focada em sua missão, porque ela vestiu a camisa da tropa nova, ela adotou mesmo Xandar como lar, fez o juramento da Tropa, e acredita no que está fazendo no planeta.
Os demais personagens que retornam como Yon-Rogg e Nova Prime parecem ser mais uma paródia de si mesmos , e Howard The Duck, Groot e Korg acabam sendo bem fiéis ao que já conhecemos dele dos filmes. Foi um bom episódio pra começar a temporada.
O segundo episódio traz o pequeno Peter Quill de volta a Terra nos anos 80, a mando de seu pai, Ego o Planeta Vivo (Kurt Russell), para poder destruir o planeta. Eis que a SHIELD, liderada por Howard Stark (John Slattery) e Peggy Carter (Hayley Atwell), a dupla dinâmica direto de 'Agent Carter', resolvem criar uma força tarefa para poder deter a criança, chamando primeiro o desafeto deles, Hank Pyn (Michael Douglas), e daí eles vão trazendo outros personagens notáveis... Bill Foster (Lawrence Fishburne), Bucky Barnes (Sebastian Stan), Pantera Negra Rei T'Chaka, Mar-Vell Wendy Lawson e ainda aparece pra ajudar o Poderoso Thor (Chris Hemsworth).
Ainda aparece a pequena Hope Van Dyne, e toda essa gente se tornam os Heróis Mais Poderosos da Terra, e todos agem em conjunto para deter o pequeno Quill e depois, consequentemente Ego, o grande vilão.
É um episódio mais ok, diverte um pouco, é bacana ver todo mundo junto como se fossem uma espécie de pré-Vingadores, mas poderia ser um pouco melhor, você vai acompanhando, mas não se animando... é divertido, mas porque eu sou fã... no final, poderiam ter caprichado um pouco mais no pequeno roteiro, agente sabe que meia hora é pouco tempo pra criar algo mais coeso.
O terceiro episódio traz uma história de natal onde Happy Hogan acaba tendo que proteger a Torre dos Vingadores do ataque surpresa de Justin Hammer, que planeja usar a tecnologia Stark para se vingar de Tony e ainda usar o soro do Hulk para criar seu próprio exército.
Acidentalmente ele acaba sendo injetado com o soro e se torna uma espécie esquisita de Hulk, e acaba tendo a ajuda de Darcy e Maria Hill para deter a investida de Justin. É um episódio de natal, sem nada demais, uma historinha bem bobinha, bem engraçadinha... acaba sendo a mais desinteressante de toda a temporada, e só quem é fã mesmo do MCU vai apreciar assistir, mesmo sabendo que é um episódio bem fraco.
Temos aí Jon Favreau (O Rei Leão) como Happy, Cobie Smulders (How I Met Your Mother) como Maria Hill, Kat Dennings (2 Broke Girls) como Darcy e Sam Rockwell (Jojo Rabbit) como Justin Hammer.
Contando ainda com as voltas de Jeremy Renner, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth e Ross Marquand como a voz de W.E.R.N.E.R.
O quarto episódio traz o episódio atrasado da primeira temporada onde Tony Stark depois de levar o míssil que destruiria Nova York para o buraco no céu, ao cair de volta acaba indo por outro buraco e vai parar em Sakaar, no lugar de Bruce Banner. Lá ele acaba enfrentando o Grão Mestre e se alia a Valquíria e tem a Gamora como uma antagonista.
O episódio é basicamente um 'Homem De Ferro Ragnarok' trocando os dois protagonistas, e por mais que seja mais simples, em termos de história, consegue fazer o básico, que é divertir. Pode parecer um outro episódio fraco, mas acho que cumpre bem o papel do que é proposto pela série 'What If?'.
O episódio tem Tessa Thompson como Valquíria, Jeff Goldblum como Grão Mestre, Taika Waititi como Korg.
O quinto episódio traz a Capitã Carter retornando, enfrentando o Esmagador Hidra que tem como piloto Steve Rogers. Esse episódio traz na verdade a fusão de dois filmes, 'Capitão América O Soldado Invernal' e 'Viúva Negra', com Steve Rogers fazendo uma nova encarnação do Soldado Invernal, Bucky Barnes no lugar de Alexander Pierce, e a Viúva Negra enfrentando Melina e a Sala Vermelha.
Esse é um bom episódio, e quando a Capitã Carter aparece sempre é um bom episódio... mostra um pseudo embate entre ela e Steve que aqui está com aquela armadura projetada por Howard Stark, e ainda temos a Viúva Negra auxiliando a Capitã, onde as ações das duas culminam no embate delas com a Sala Vermelha do filme da Viúva, onde ela enfrenta Melina, sua mãe e mentora. Não é o melhor episódio da temporada, mas é um dos mais interessantes.
Aqui temos a volta da lindíssima Hatley Atwell, Sebastian Stan como Bucky Barnes, Samuel L Jackson, Frank Grillo como Brock Rumllow, Rachel Weisz como Melina.
O Sexto episódio é o mais interessante de todos, pois se trata da primeira personagem original do MCU, Kahhori, dublada pela Devery Jacobs (da série 'Echo'). O episódio se passa antes da colonização e mostra o que aconteceria se o Tesseract caísse na terra nessa época, na tribo Mohawk.
O episódio é muito bom e é na verdade um trabalho bem a fundo da equipe da Marvel Animation, um trabalho de pesquisa, one eles trouxeram pessoas nativo-americanas que ajudaram na construção da tribo Mohawk de Kahhori, e também na língua que é falada pelos personagens, uma língua nativo-americana e trazendo atores que dublaram os personagens que são originários de tribos nativo-americanas. É um trabalho bem único e riquíssimo em autenticidade, com uma boa história e uma origem muito decente dessa nova heroína movida aos poderes do Tesseract.
O único ponto que não curti muito, foi o fato de ela não ser uma personagem de um episódio isolado... ela retorna no último episódio da temporada, e eu achei uma saída desnecessária, seria mais bacana se fosse um lance isolado, sem precisar se misturar com o restante do Multiverso.
O Sétimo episódio é um dos mais legais da temporada, que traz Hela, que ao invés de ser exilada em Hel pelo seu pai Odin, como mostrado em 'Thor Ragnarok', ela foi mandada para Terra, do mesmo modo que Thor foi mandado. Ela acaba caindo justamente nos terrenos de Wenwu, o pai de Shang-Chi, e os dois acabam tendo um arranca rabo, onde Wenwu quer ela como parceira, e ela quer os anéis dele.
Hela passa por uma transformação tão grande, e tão verdadeira, quando ela atravessa a floresta e cai em Ta-Lo, que Hela se torna uma personagem que vai ser querida por todos que assistirem o episódio. Fora a ótima dublagem da magnífica e talentosa Cate Blanchett, que abraça essa nova faceta da personagem.
Fora ela temos a volta de Idris Elba como Heimdall no episódio. É um episódio que mescla os dois filmes, 'Thor Ragnarok' e 'Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis'
O oitavo episódio se passa em 1602, fazendo alusão a minissérie de mesmo nome escrita por Neil Gaiman que foi um sucesso na época que foi lançado... o episódio é bacana, levando a Capitã Carter para aquela época onde temos outras versões dos Vingadores, em uma época que remete à época de Robin Hood, misturado com uma Asgard Shakesperiana. Eu acho que o episódio se perde um pouco no final, mas diverte e foi bem representado.
Além da Hayley Atwell, temos ainda Sebastian Stan (Bucky Barnes), Paul Rudd (Scott Lang), Tom Hiddleston (Loki), Chris Hemsworth (Thor), Jon Favreau (Happy Hogan), Mark Rufallo (Bruce Banner), Samuel L. Jackson (Nick Fury), Elisabeth Olsen (Feiticeira Escarlate), Mick Wingert (Tony Stark) e Josh Keaton (Steve Rogers).
O último episódio traz a Capitã Carter se aliando a Kahhori para deter o Estranho Supremo (Benedict Cumberbatch), da primeira temporada, que quer ressucitar seu mundo e sua Christine... nesse episódio as duas enfrentam vários vilões de vários filmes do MCU, como a Hela, Thanos, Surtur, além de Killmonger com a Manopla do Infinito... mas são embates que duram menos de 5 segundos.
É um episódio que tenta ser grandioso, mas acaba sendo uma contenda bem clichê, sem originalidade e sem o peso da batalha final da primeira temporada contra Ultron. Sem falar que para mim, Kahhori ali é um erro, bem deslocada do que foi proposto na série. Só não é mais fraco que o episódio de Natal, mas eu não curti muito não... dá para se entreter e achar legalzinho, mas quando acabou eu percebi que foi bem desnecessário.
No mais, essa segunda temporada achei um pouco abaixo da primeira, temos bons episódios, mas a maioria é bem morna, agrada aqui e acolá, e o clímax que é o último episódio, não convence.
E, sem esquecer, Jeffrey Wright novamente dublando muito bem o Vigia, um ator renomado com A maiúsculo, que faz um trabalho de dublagem excelente, acertando muito bem o tom de seu personagem... nunca tinha parado pra imaginar uma voz para o Vigia, quando lia os quadrinhos... agora sempre vou me lembrar da voz de Jefrrey Wright quando ler futuras aparições.
(Assistido no Disney Plus)
Eco
2.9 105'Echo' faz parte daquela pequena levada de séries que o MCU anunciou, que eu fiquei pensando: "Porque raios vão fazer uma série da Echo? Qual o sentido? Nem nos quadrinhos a personagem tem uma série solo de destaque".
Essa era uma das ideias que eu ficaria receoso de apoiar se eu trabalhasse no Marvel Studios, porque eu ficaria pensando se esse era o tipo de produção que os fãs realmente iriam querer ver. Estava sendo anunciado tanta coisa no Disney Plus de séries, com tantos personagens secundários que a Marvel esperava que repetisse o mesmo sucesso de 'Doutor Estranho', 'Pantera Negra' e 'Homem-Formiga', que podia ser prejudicial para o estúdio, que vinha de lançamentos um pouco duvidosos, apesar de serem originais por si próprio, como 'Miss Marvel', 'Cavaleiro da Lua' e 'Invasão Secreta'.
Mas a verdade é que felizmente eu queimei a minha língua, pois 'Echo' é uma série muito boa, muito bem feita e muito bem escrita, com um elenco muito competente, e uma protagonista que consegue ser carismática, e dar um toque de personalidade a sua personagem, se distanciando um pouco da Eco que conhecemos dos quadrinhos, e trazendo uma originalidade a ela muito interessante... sem falar que Alacqua Cox como atriz é fantástica.
A trama se passa diretamente após os eventos de 'Gavião Arqueiro', série também do Disney Plus, onde depois de 'supostamente' matar o Rei do Crime, Eco acaba voltando para sua terra natal, onde se encontram sua família e amigos e acaba se envolvendo em uma trama contra os capangas do Rei do Crime que ainda estão na ativa. Ela planeja tomar o controle do império de Fisk e pede a ajuda a seu tio para acabar com os capangas e assumir controle do império, mas tem seu pedido negado pelo tio, que teme que Maya traga atenções indesejadas a Tamaha, local onde ela cresceu e voltou, trazendo uma guerra que a cidade não quer que aconteça.
Ao mesmo tempo que Maya tenta tomar controle das operações de Fisk, nós temos flashbacks do passado, mas lá do passado mesmo, das ancestrais de Maya, que possuíam poderes que os ajudavam a superar os problemas que enfrentavam naquela época. Todos eles por serem ancestrais da mãe da Maya e consequentemente dela, vão acabar repassando esses poderes a Maya mais a frente na série, mostrando que Maya tem uma história de fundo muito mais rica do que podíamos imaginar.
'Echo' é uma série muito boa, que traz uma boa história de apoio para Maya, deixando o espectador preso à TV envolvido nas tramas que vão se desenrolando durante a série, seja no presente com Maya, ou no passado com seus ancestrais. É muito bom ver Maya em ação enfrentando os capangas de Fisk que tentam detê-la, as lutas são muito bem coreografadas, e os personagens coadjuvantes são muito bem criados, sendo que uns são mais interessantes que outros.
O tio de Maya, Henry, interpretado por Chazke Spencer é um ótimo personagem, com uma personalidade bem forte e que traz uma ótima dualidade com Maya no decorrer da série. Chazke é um ator muito bom e versátil que fez um bom trabalho de performance com seu personagem. De longe um dos melhores coadjuvantes da série.
Devery Jacobs fez Bonnie, prima distante de Maya e sua melhor amiga na infância... Bonnie é um personagem importante do passado de Maya, mas que aqui na série acaba tendo uma passagem, que para mim, foi meio sem brilho, pois ela vira uma espécie de donzela em perigo que sempre precisa ser salva pelo protagonista. Claro que aqui ela não é par romântico, pois as duas são praticamente irmãs, mas ela não tem muito a acrescentar a não ser o fato de estar amargurada com Maya ter partido para NY, e ter ficado anos sem dar notícias... e ao voltar a Tamaha, também não entra em contato com ela, então ela é sequestrada duas vezes no show, e sempre precisa ser salva por Maya.
Devery Jacobs dublou a personagem Kahhori na série 'What If?', e aqui ela tenta dar uma certa personalidade para sua personagem, mas infelizmente o roteiro não lhe favorece.
Charlie Cox faz uma breve aparição no primeiro episódio da série como Demolidor, tendo uma cena de luta com Maya, uma boa cena coreografada que faz nós fãs suspirarmos de alegria, pois é uma cena que remete ao puro suco dos quadrinhos.
Além é claro da volta do grandíssimo ator Vincent D'Onofrio, o Rei do Crime Wlson Fisk, que obviamente não está morto e possui apenas um ferimento no olho, e busca se redimir com Maya, para logo após fazer tudo o que está ao seu alcance para matar a mulher que ele criou como uma filha, que lhe traiu e ameaça derrubar seu império.
A série possui 5 episódios, sendo que 4 deles são ótimos e apenas o episódio final eu achei bem abaixo do que a série apresentou com uma conclusão que não achei satisfatória, com performances que também não achei satisfatórias.
Não curti muito todos aqueles poderes junto a Maya que lhe ajudou a derrotar seus inimigos, acabei achando um artifício muito fácil de se usar para poder ter uma conclusão satisfatória para um embate que exigia muito mais de Maya. Também não gostei de Maya ter usado parte desses poderes para tentar redimir Wilson Fisk, e acabou ficando uma conclusão sem clímax, ficou uma coisa muito plástica que acabou se distanciando de tudo aquilo que a série criou de antagonismo entre os dois. Realmente eu não curti a conclusão da série, ficou bem abaixo do que eu esperava, bem fora de tom com o que foi criado nos outros 4 episódios, e apenas a cena pós créditos da série que acaba levando direto a vindoura série do Demolidor, é que acaba sendo a mais satisfatória do último episódio.
Nos quadrinhos Maya é uma personagem bem interessante que tem muita coisa para se explorar, podendo ter séries solo limitadas para contar mais sobre a personagem e sobre seu passado... e incrivelmente isso deu muito certo no MCU. Achava mesmo que uma série solo dela era uma ideia muito ruim, e pouco interessante para os fãs do MCU, por não possuir muito background, apesar de achar Alacqua Cox uma atriz com A maiúsculo que um trabalho gigante interpretando a personagem.
Mas criando esse show solo para a personagem, lhe deram todo um background interessante em Tamaha, com antepassados que possuem relação com a cultura nativo americana, com atores nativos americanos, que é o mais importante, e trazendo ainda atores Surdo-Mudos, que são representados pela sigla CODA, que é bem mais explicado no filme de mesmo nome ganhador do Oscar de Melhor Filme. Temos uma diversidade bem ampla na série, cm uma roteiro muito bem criado, e uma história muito convincente, abrangente e que captura a atenção do espectador. Infelizmente possui uma conclusão que não me agradou tanto... mas foi uma grata surpresa do MCU... Maya se torna uma ótima personagem para ser trabalhada dentro do Disney Plus com possíveis shows solos no futuro ou aparições em outros shows que tenham a mesma premissa que 'Echo' teve.
A Abertura da série é ótima, sendo única e singular, e toda série que se preze precisa ter uma abertura a altura que já ganhe o espectador de cara... e 'Echo' possui uma ótima abertura ao som da música Burning da banda 'Yeah Yeah Yeahs', que os vi ao vivo uma única vez abrindo para o Red Hot Chili Peppers aqui em SP.
(Assistido no Disney Plus)
Agatha Desde Sempre
3.8 161Lá atrás, ao saber que o Marvel Studios iria produzir uma série baseada na Agatha Harkness da Kathryn Hahn, eu tive um misto de sentimentos. Primeiro achei que era muito boa a ideia, mais pelo fato de Kathryn Hamn, que matou a pau como Agnes, e ela merecia mesmo uma série própria no MCU pra mostrar mais do seu brilho como a personagem, para se aprofundar mais e nos mostrar mais dela. Ao mesmo tempo, não sabia o que esperar da série, achei que não teria muito argumento ali pra render uma série completa, não sei se seria atrativo ao público, e pensei que poderia ser mais uma serie do MCU que poderia flopar e trazer um conteúdo que não fosse nem um pouco agradável ou favorável.
Tive contatos esporádicos com Agatha nos quadrinhos, sendo que boa parte do que vi dela, foi nas revistas do Quarteto Fantástcio, uma vez que ela foi babá de Franklin Richards durante muito tempo, e teve um relacionamento amigável muito próximo com Reed e Sue Richards. Também a conferi em algumas histórias dos Vingadores, e de minisséries da Feiticeira Escarlate junto a Visão... meu último contato com ela eu lembro foi em Vingadores A Queda, quando Wanda surtou, e sobrou pra Agatha, que acabou morrendo na saga, e em Quarteto Fantástico Ultimate, em uma versão totalmente diferente da que conhecemos do universo tradicional da Marvel Comics.
Durante meses, a série passou por muitas mudanças de nomes, o que na minha cabeça indicava que a série estava mudando de foco e de rumo muitas vezes, o que indicava que talvez ela estivesse passando por mudanças pontuais e isso é sempre um risco para a qualidade de qualquer projeto, seja filme ou minissérie. Coven of Chaos, House of Harkness, Darkhold Diaries, foram alguns dos nomes dados para a série, até ser anunciado como 'Agatha All Along', e mais tarde, foi divulgado que estas mudanças de nomes foi proposital, algo como se Agatha realmente fizesse para confundir o público, ou seja, puro marketing.
A série traz de volta Agatha, que foi derrotada por Wanda em sua Minissérie solo, que após escapar do feitiço que Wanda a colocou, descobre um garoto que aparenta ser muito especial, e que a pede para levar ao Caminho das Bruxas, uma lenda que até ela achava que não existia, e o objetivo dele era fazer um pedido, pedir para achar uma pessoa específica. Agatha meio que saca de cara quem esse garoto pode ser, e o ajuda, mas com seus próprios motivos ao chegar ao fim do Caminho das Bruxas.
Junto a ele, que se chama apenas 'Kid', e é um fã de Agatha, eles recrutam algumas bruxas para poder cruzar o Caminho das Bruxas e chegar até seu final.
Rostos conhecidos de 'WandaVision' reaparecem aqui na série e serão facilmente reconhecidos pelo espectador, se o espectador assistiu a série de Wanda anteriormente...
Eu gostei bastante da série, acho que a showrunner, Jac Schaeffer, a mesma de 'WandaVision' fez um trabalho novamente muito bom e original, trazendo principalmente novos personagens que são muito carismáticos e fazer você se importar com o bem estar delas durante a travessia do Caminho das Bruxas.
Acho que o tom da série é muito convidativo, misturando drama com humor na medida certa... acho que ela também acerta ao focar que ali não temos heróis e vilões, todas as personagens possuem algum desvio de caráter, umas desvios demais, outras de menos,e cada uma tem suas próprias motivações, até mesmo a Rio Vidal (Aubrey Plaza), que por motivos óbvios seria pintada como a vilã da série, mas no fim não tem nada de vilã nela, cada um ali é sua própria heroína e sua própria vilã... depende do contexto que elas estão lidando no momento da travessia.
Também achei muito bem vindo os episódios serem uma provação para cada personagem, uma atrás da outra, com consequências devastadoras, fazendo com que elas se unam, uma vez que são muito mesquinhas e nariz empinados, para poder completar a provação, continuarem avançando, permanecendo vivas. Me lembrou um pouco a travessia dos Cavaleiros de Atena pelas Dozes Casas, elas sempre tinham que se superar em cada provação que enfrentavam e sempre havia um aprendizado para elas ou uma delas, e alguém sempre ficava pelo caminho.
A série conseguiu inserir bem números musicais, que não deixassem a atração enfadonha, afinal musicais não são do meu gosto, e aqui as canções são muito bem compostas e inseridas. "The Ballad of The Wotches Road" possui várias versões na série, mas a definitiva ficou sendo a versão onde as personagens tocam a canção, cada um com seu instrumento dando mesmo um ar de canção dos anos 70. Uma vibe bem Fleetwood Mac.
Kathryn Hahn novamente veste sua versão de Agatha de uma forma fenomenal, é um deleite vê-la em ação e dessa vez sendo sórdida sem precisar se esconder sob a persona de Agnes. Acho Agatha uma das personagens mais interessantes do MCU, uma das que são mais gostosas de se assistir, devido a sua dualidade atraente, e acredito que seu final não foi tão condizente com que eu esperava da série, e fico curioso para ver como isso afetará sua aparição em futuros projetos do MCU.
Aubrey Plaza (My Old Ass e Legion) faz Rio Vidal, ou morte, e acredito que foi uma participação satisfatória, afinal se você pensar na personagem morte da Marvel Comics e querer trazer pro MCU em uma nova roupagem, cabe muito bem em Aubrey Plaza esse personagem. Mas eu sinto que faltou se aprofundar mais na personagem, ela tem ali todo um background, todo um passado construído, mas ao meu ver a personagem fica muito a deriva... ela serve como uma dualidade à personagem de Kathryn, sendo ao mesmo tempo uma vilã e a única amiga que ela possui... e no caso aqui, amiga e amante, por isso que digo que dava para aprofundar mais. Gostei da atuação dela, mas se pegar o que a Aubrey fez na série da FX 'Legion' que também é da Marvel, lá ela foi muito melhor trabalhada e teve mais conteúdo e liberdade para se aprofundar em sua personagem que ao mesmo tempo que era uma vilã para David, o protagonista, era também sua amiga/aliada... muito similar a Rio Vidal aqui em 'Agatha Desde Sempre'.
Ali Ahn (A Diplomata) fez Alice, e gostei bastante dela aqui na série, e acho que tinha espaço até para mais, mas acho Ali uma ótima atriz, conheci ela aqui e agora a estou acompanhando em 'A Diplomata' e ela é bem completa.
Patti Lupone fez a ótima Lilia Caldeu e foi uma das mais interessantes personagens da série... a maneira como ela cresce em importância e personalidade a cada episódio é incrível. De uma simples bruxa mequetrefe, para a mais audaciosa das bruxas e a única que parece se preocupar com todas ali, possui um arco muito bem escrito e convincente com que a personagem pedia. Patti interpretou bem demais, lhe caiu como uma luva a Lilia, e spoilers a frente, é uma pena que não a veremos mais no MCU, porque ela poderia agregar ainda em um projeto ou outro, ou pelo menos quando Agatha estivesse inserida.
Joe Locke, da série Heartstopper, faz ninguém menos que Billy Kaplan, foi feito todo um mistério antes da série ser lançada, escondendo o personagem que ele iria interpretar, colocando-o como simplesmente 'Kid', mas estava na cara quem ele iria ser, até sua fisionomia lembra muito Billy. Acho que ele foi muito bem, fez um ótimo trabalho, ele passeia pelo drama e pelo cômico com uma facilidade muito grande, e acho Joe um ator bem completo, pela idade que tem... acho ele muito versátil e conseguiu trazer uma personalidade única e uma originalidade para Billy que dificilmente outro ator conseguiria trazer. Comparado às HQ's, acho que Billy do MCU é um pouco mais feminino que o das HQ's... mas ainda assim não descaracteriza a roupagem dada ao personagem na série.
Ainda tivemos a veterana Debra Jo Rupp voltando como Mrs Hart, aqui totalmente cômica, sendo o alívio cômico do começo da série, a ingenuidade e simplicidade aos nossos olhos nesse mundo louco das bruxas no caminho percorrido.
Sasheer Zamata que fez Jennifer Kale também esteve ótima em seu papel.
Evan Peters, o Mercúrio da trilogia recente de X-Men, e Jeffrey Dahmer na série da Netflix, retorna como Ralph Bonner em uma cena com Joe Locke, que buscava mais informações sobre Agatha e consequentemente Wanda Maximoff, autora do Hex que acometeu Westview. Foi uma surpresa vê-lo na série, não esperava sua aparição, ela é breve mas serve também para justificar o que aconteceu com Ralph depois dos eventos de 'Wandavision'... uma sacada genial da Marvel Studios em trazer um ator que foi o Mercúrio nos cinemas, para não ser o Mercúrio na série de seu Multiverso, só que sendo ele por uns dois episódios, colocando aquela pulga atrás da orelha do espectador.
Muita gente comprou a ideia do que foi ventilado aí em alguns sites que falam sobre cinema e séries, de que 'Agatha Desde Sempre' é a produção mais Gay do Marvel Studios... eu meio que discordo desde ponto, pois não acho a série mais gay ou menos gay, ou sei lá o que das quantas...
Nós temos um personagem Gay, Billy, normal... temos um relacionamento antigo entre Agatha e Rio, um relacionamento homossexual, normal... são coisas tão normais, tão corriqueiras, tão comuns nas produções, e o foco da série nem é um aprofundamento homoafetivo entre as personagens, e nesse ponto, por mais que eu não tenha assistido, séries como 'Heartstopper' e 'Glee' assumem mais esse posto, já que são completamente voltadas a discussão homossexual, voltadas para o público gay e abre conversas sobre o assunto.
'Agatha Desde Sempre' é só mais uma série, e possui protagonismos de personagens gays e/ou bi que é algo mais que normal em produções hoje em dia. Então, para mim, não tem nada de 'produção mais gay da Marvel'... bobagem.
Pra uma série que é apenas um spin-off de 'Wandavision' e que iria englobar os fãs do MCU e/ou os fãs de 'Wandavision', 'Agatha Desde Sempre' recebeu boas indicações na temporada de premiações, algo que me deixou positivamente surpreso:
- No Globo de Ouro Kathryn Hahn foi indicada a Atriz em Série Comédia/Musical;
- No Critics Choice Awards Patti Lupone foi indicada a Atriz Coadjuvante em Série Comédia/Musical;
- No Spirits Awards de produções independentes, foram três indicações para Performance principal, Performance Coadjuvante e Performance estreante, para Kathryn Hahn, Patti Lupone e Joe Locke, respectivamente.
A série não levou nenhum prêmio, mas só as lembranças já foram ótimas.
'Agatha Desde Sempre' foi uma ótima revelação, uma série muito bem escrita e muito bem dirigida, com figurinos ótimos, uma boa cenografia, e um roteiro direto ao ponto, sem muitos rodeios, bem convincente e com um elenco afiadíssimo, que gerou um entretenimento de primeira linha, dentro de sua obviedade. Gostei bastante e é bem superior a produções de mais orçamento e mais expectativas como 'Cavaleiro da Lua', 'Ms. Marvel' e 'Invasão Secreta'.
Invasão Secreta
2.7 191Quando a Marvel Studios anunciou a série 'Invasão Secreta' com Samuel L. Jackson, eu fiquei curioso pra ver como seria essa adaptação para as telas, afinal de contas nos quadrinhos Invasão Secreta é um evento grandioso, envolvendo todos os grandes grupos e personagens da Marvel Comics, como os X-Men, Vingadores, Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Thunderbolts e por aí vai.
Em uma minissérie com 6 episódios com certeza muita coisa ficaria de fora, mas é claro que aqui seria uma adaptação do que aconteceu nas HQ's, com o showrunner da série, Kyle Bradstreet, escolhendo um tom mais sério para a série, inspirado no filme 'Capitão América O Soldado Invernal', ou seja, seria um thriller político.
A premissa é boa, a ideia de trazer de volta Nick Fury de seus aposentos no espaço, para a Terra, protagonizando a série, é muito boa, todos conhecemos o talento de Jackson e de sua presença de tela, o que já faria o hype para a série aumentar em 90%.
Some-se a isso o restante do elenco de altíssimo nível que alavanca o nível da série no topo, trazendo de volta Don Cheadle (James Rhodes), o único Vingador na série, Martin Freeman, que mesmo em uma participação curta foi muito boa, Ben Mendelsohn (Talos) retornando ao MCU em uma pegada mais séria, muito interessante, fazendo uma parceria ótima com Samuel Jackson, e trazendo seu enorme carisma para o personagem. Além é claro de Cobie Smulders, retornando como Maria Hill, mesmo que só em 1 episódio.
Os novos nomes, todos de grandíssimo nível, Kingsley Ben-Adir, o Bob Marley em pessoa, fazendo um ótimo vilão, Gravik, com uma atuação lá nas alturas, perfeita, ameaçadora;
Charlayne Woodard, de 'Vidro' e a mãe de Will em 'Um Maluco no Pedaço', interpretando Priscilla, que possui um passado (e presente) amoroso com Fury;
Olivia Colman, monstra da interpretação, como Sonya Falworth, que está muito bem no papel, muito à vontade, como se fosse escrito sob medida para ela;
E Emilia Clarke, direto de Game of Thrones, fazendo Gi'ah, filha de Talos, em uma atuação que só vai numa crescente... mas que quando chega no último episódio, o roteiro faz a personagem cair na armadilha do desnecessário.
Bom, infelizmente a série acabou não tendo a qualidade esperada, pois o saldo, para mim, foi mais negativo que positivo.
O primeiro episódio é muito bom, constrói um clima de suspense, de terror, de thriller, de bomba relógio prestes a explodir... muito bom, que prende o espectador na frente da televisão. Finaliza com uma morte impactante, e mesmo que o segundo episódio não seja de todo ruim,com uma morte impactante. o resto da série começa a decair e ter um resultado muito insatisfatório.
O roteiro começa a desandar, não mostra coesão, ele começa num thriller político internacional, e acaba despencando para uma guerrinha entre facções de Skrulls, fora que no meio de tudo isso, Fury precisa se resolver romanticamente com sua esposa Priscilla, que é mais do que aparenta ser, e Talos e Gi'ah estão de desentendendo como Pai e filha.. é praticamente um Casos de Família.
Bradstreet prefere usar de artifícios batidos que vemos em filmes e séries por aí afora... temos muitas mortes impactantes só para deixar o espectador boquiaberto, com aquela sensação de que estamos em uma grande guerra e olha como ninguém está a salvo... a primeira realmente é impactante e fiquei boquiaberto por uns 5 minutos ao terminar o episódio, nosso ódio como espectador por Gravik vai numa crescente e isso mostra o ótimo trabalho de atuação que vai fazendo Kingsley Ben-Adir como vilão no MCU, bem diferente do que esperaríamos de um Skrull.
Porém a série segue com mais mortes impactantes e outras menos impactantes de uma forma muito gratuita, e na minha visão deixou os eventos muito gratuitos... você começa a abrir mão de bons personagens que podem ser bem aproveitados no futuro em outros projetos, apenas para usar como fato impactante no seu show, e isso eu não faria se fosse showrunner.
Fury na série parece muito fora de rota, pois voltou para iniciar uma guerra contra os Skrulls infiltrados na terra, nos governos, para expô-los, mas sempre está distraído lidando com Priscilla, que de repente é sua mulher a décadas, e aí começa a ter umas DR com Talos, que se mostravam com uma boa amizade, e aí o lance com Gravik, uma parada quase paternal... muita coisa descavada do passado e jogada na série e o personagem precisa lidar com tudo isso enquanto o roteiro se desenrola... chegou um ponto que não parecia mais uma série intitulada 'Invasão Secreta', e sim, como mencionei antes, uma espécie de Casos de Família, não dava mais pra reconhecer o que víamos em cena, e o hype pela série foi caindo gradativamente.
Também achei que erraram a mão com James Rhodes, com escolha feita, pois com isso apagam tudo o que foi implementado desde 'Vingadores Guerra Civil' com o personagem, e tiram o peso dramático dos eventos de 'Vingadores Ultimato' em que ele participa. Mencionando também que na série, mais para o final, Rhodes parece que está nos Trapalhões, porque é cada decisão besta e reações beirando o cômico... é como se tivessem jogado o personagem fora. Foi pra impactar, mas acho que não surtiu o efeito esperado no público (pelo menos não em mim).
Pior de tudo foi o final, com aquela luta meio chinfrin da Gi'ah com Gravik, ambos aprimorados, sendo que Gi'ah, aprimorada daquele jeito (uma versão feminina do SuperSkrull), ficou desnecessário demais, ela podia se metamorfar de outras maneiras para essa luta final com Gravik, uma coisa que teria que ser melhor escrita no roteiro, mas enfim...
O que quero citar mesmo é Fury, que foi ao espaço porque teve uns traumas depois de ser 'blipado', então voltou para poder resolver a questão de um lar pros Skrulls que ele, junto a Talos, prometeram e não cumpriram, se sentia velho demais para lutar essa guerra, encontrou forças em quem os cercava (e com as mortes impactantes), e depois de resolver toda essa questão e eliminar a ameaça da facção rebelde Skrull, ele volta do nada para o espaço com sua 'esposa', deixando a terra novamente desprotegida, uma vez que não temos mais os Vingadores... e o ponto todo dele voltar foi que ele era o único que podia resolver essa guerra iminente. Não sei, foram muitas voltas com o personagem para voltar pro mesmo lugar, só que agora acompanhado.
A série tem muitas cenas boas, bem filmadas, bem idealizadas, possui bons pontos positivos, e os personagens são carismáticos e com boa presença de tela, como Sonya Falsworth, Talos, Gravik que é um ótimo vilão, mas teve um encerramento básico, á la vilões dos filmes do Homem De Ferro. Tudo isso, obvio, graças ao talento dos atores, que são monstros da interpretação diga-se de passagem... mas sinto que Olivia Colman foi mal aproveitada na série, mesmo com boas cenas, e Kingsley Ben-Adir foi perfeito, mas teve um final preguiçoso, batido, e ainda poderia ser melhor aproveitado no futuro.
Mas no geral, o saldo é negativo e 'Invasão Secreta' deixou muito a desejar e é um dos piores projetos do MCU... não é o pior, tem alguns aí que ocupam esse espaço, mas está na lista daqueles que decepcionaram e deixaram a desejar.
'Invasão Secreta' é assistível, porém muito decepcionante. Uma pena para o elenco envolvido.
(Assistido no Disney Plus)
Knuckles (1ª Temporada)
2.8 20Os filmes são maravilhosos e todo mundo sabe disso... e quando essa série foi anunciada, eu ficava me perguntando que caminho eles seguiriam com ela, iriam contar mais do passado do Knuckles, mostrar seus antepassados, ia ter algo a ver com a Master Emerald... ou seria no presente focado em um jornada de auto descoberta do Knuckles?
Eu realmente estava muito animado para ver a série e como ela seria conduzida, e acabei levando muito, mas muito tempo pra assistir, pois estreou em abril e fui ver só em dezembro passado...
Mas realmente, me decepcionei, pois a série é muito fraca, muito mal escrita, muito mal roteirizada, totalmente desperdiçada, e uma ideia realmente terrível de horrível.
Como já disseram aí embaixo, é uma série onde o dono do show é coadjuvante, e o personagem que deveria ser o coadjuvante, que é o Wade, é o principal, e o roteiro gira todo encima dele e de como ele vai crescendo e mudando durante a série.
Não há nada ali que seja focado no Knuckles, o que é muito estranho uma vez que a série é dele e queremos vê-lo... os produtores focaram no Wade e na sua família e sua relação complicada com o pai e sua irmã implicante e sua mãe judia e por aí vai... mas onde fica o Knuckles no meio de tudo isso? Foi um caminho muito errado que tomaram e quem é fã da franquia tem toda a razão de reclamar e não ter gostado, porque deixa a desejar mesmo.
Uma dupla de vilões, interpretados por Kid Cudi e Ellie Taylor que até que são interessantes de se assistir, gostei muito deles... mas foram contratados pelo "Vilão" da série interpretado por Rory McCain, que aparece uma vez ou outra e volta mesmo no episódio final em uma batalha chinfim... até nos trailers que achei que seria uma trama mais ampla, e teríamos algumas lutas e ali e acolá até o embate final, que seria um vilão no mínimo respeitável e tudo mais... mas não, nem isso conseguiram escrever direito.
Ainda tivemos a grata aparição de Pachacamac, o pai de Tikal, direto de Sonic Adventure 1, da linhagem Equidna, a raça de Knuckles... e aqui dublado pelo já lendário Christopher Lloyd, eterno Doutor Brown (Great Scott!!!). Maaaas, o personagem é simplificado ao extremo e serve apenas como um pseudo alívio cômico...mais um desperdício.
A trilha sonora da série é muito boa, gostei muito da música-título que é a da abertura da série 'The Warrior' de Scandal, e fora isso toca muita coisa boa, como 'Can I Kick It?' de A Trble Called Quest?, Edith Piaf, Bonnie Tyler, Scorpions, Blink 182 com 'All The Small Things', Roy Orbinson, Robbie Williams com a ótima 'Let me Entertain You', Elton John e Salt 'N Pepa e En Vogue com a clássica 'Whatta Man'.
Acho que o Idris Elba continua fazendo um ótimo trabalho como a voz do Knuckles, gostei muito da atuação dele aqui na série... foi legal ver a Coleen e o Ben Schawrtz aparecendo como tails e Sonic no episódio 1, assim como a Tika Sumpter retornando como Maddie, mas realmente achei que ela apareceria mais na série do que apenas 1 episódio, e não pensei que o Wade de Adam Pally ia ser o grande protagonista. Adam até interpreta bem, mas ele é tão bobo na série, tão sem noção, tão desenho animado, que sério, perde a graça.
E o final da série é ridículo, sem resolução, acaba do nada, não tem epílogo, nenhuma preocupação em dar um final mais condizente com o que foi apresentado.
A série foi um sucesso comercial no Paramount Plus, a audiência foi lá encima, teve ótimos números, foi um bom retorno para o estúdio, ficou meses em evidência e sendo divulgado pela Paramount... mas seu conteúdo final, para os fãs, realmente foi péssimo pra horrível, acho que agradou mesmo o público comum.
Vamos ver o que o futuro traz para a franquia em termos de série, e como elas serão trabalhadas daqui pra frente, se tivermos mais shows como esse.
(Assistido em 24/12/2024)
Iluminadas (1ª Temporada)
4.0 137A proposta de 'Shining Girls' já me deixou interessado desde o começo, quando fiquei sabendo do que se trataria a série, e logo depois, quando anunciaram a Elisabeth Moss e Wagner Moura como protagonistas. Somando-se a eles a Phillipa Soo (de Hamilton) e Chris Chalk (de Gotham), dois atores que gosto muito e os conferi nos trabalhos mencionados.
Esse mistério todo nos 3 primeiros episódios, de Kirby ter sua realidade alterada consistentemente me deixou muito preso ao querer saber como e porque aquilo acontecia. Qual seria o problema que ela herdou, ou algo do tipo, para essas coisas acontecerem?
O plot de Dan também começa a se tornar interessante, quando descobrimos que além de ter uma história com bebidas, ele também tem um filho, do qual cuida, mas com o passar dos episódios, os dois casos ficam mal desenvolvidos, só no raso, apenas a bebida é mais citada, mas mesmo assim, esperava um pouco mais de luz nesses dois temas trazidos ao plot de Dan.
E o vilão do show, Harper, interpretado por Jamie Bell, por mais que seja aquele clássico vilão asqueroso, feito para ser odiado mesmo, o clássico do clássico... é meio impossível você não se sentir atraído pelos seus métodos. Quando digo isso, não os métodos do assassinato, mas o fato de estar um passo sempre a frente, de ser esperto, de ser arrogantemente presunçoso, uma confiança excessiva que se justifica... existe um certo charme na sua moralidade dúbia, e obvio, você não se pegará torcendo pelo vilão, mas também não vai querer que ele se ferre tão cedo, porque você quer saber até onde ele pode chegar com essa arrogância excessiva toda. É meio edificante acompanhar sua trajetória. Enfim.
Mais pro fim da série, nós somos presenteados com algumas resoluções e respostas do que acontece na trama, que tanto estamos curiosos para descobrir... umas delas são muito boas, fazem a gente pensar "Não pensei nisso antes". Outras já são saídas mais fáceis, eu já não achei tão interessante assim...
Esse lance de se ter uma casa mágica no meio do nada, não colou muito, achei que poderia ter algo a mais para ser mais condizente com o que Harper fazia... achei que Kirby também teria algo único, e por isso que a realidade dela muda e confunde Harper quando os dois se enfrentam no Bar/lavanderia.
Começo a ficar meio fantasioso demais, algo que era um mistério bacana de se desvendar, e o final pra mim não colou 100%, mas também não foi tão decepcionante assim para se jogar a experiência fora.
Eu acredito que a série criou algo muito bacana e original em seus primeiros episódios, estava um mistério gostoso de se acompanhar e tentar desvendar, com personagens carismáticos e atuações competentes.
Porém, da metade do show pra frente, já foi perdendo um pouco o brilho, respostas começaram a ser dadas e aquele mistério foi dando lugar a soluções mais baratas, e viagens ao passado para se explicar certas questões, e uma saída muito fácil para se encerrar a trama... pelo menos ao meu ver.
Em questão de cenografia e fotografia o show foi muito bem, está em altíssimo nível, e o mesmo eu digo da trilha sonora, que me agradou muito.
Dois episódios do show foram dirigidos pela Elisabeth Moss (ou foi um só?), e isto é algo que ela já vem aprendendo e desenvolvendo de suas experiências em 'Mad Men' e 'The Handmaid's Tale'', e seus episódio(s) dirigido(s) são(é) competente(s), é legal ver a mão dela ali na produção, além de ser creditada como Produtora Executiva.
É uma boa série e gostei muito de ter acompanhado, mas me prendeu mesmo até sua metade, uns 5 episódios, depois cai numa obviedade comum de séries holywoodianas, o que não tira o brilho completo da série, mas também não a faz ser tão especial assim.
(Assistido em 18/11/24 - Apple TV)
O Urso (2ª Temporada)
4.5 298Pra mim, fica difícil dizer se foi ou não foi melhor que a primeira temporada, pois o primeiro ano eu acho primoroso, algo novo, uma linguagem diferente, uma abordagem diferente, tudo muito áspero e direto e personagens tão caóticos e apaixonantes... praticamente uma obra-prima.
Este segundo ano começa um pouco mais com o freio de mão puxado, não está tão calcado no caótico como no ano anterior, mas tem um cuidado muito grande com os personagens, em levá-los a novos caminhos, em tratá-los com mais abertura e novas propostas... definitivamente uma nova abordagem para se tocar a série. Até o relacionamento do Carmy com a Claire Bear traz um senso de calmaria para os primeiros 4-5 episódios do novo ano, deixando ele desfocado da abertura do novo restaurante.
À partir do sexto episódio, com os 7 peixes, que nada mais é que um flashback que mostra cada membro da família Berzatto, e suas personalidades, é que 'The Bear' volta aos trilhos do caótico e da sétima marcha engatada.
Este é aquele episódio onde tudo acontece ao mesmo tempo, tem muita gritaria, muita informação cruzada, muito dedo na cara, mas temos uma leitura bem clara de quem eram cada membro da família de Carmy, e do porque ele e sua irmã Natalie Sugar são tão transtornados da cabeça, tendo crescido em uma família tão disfuncional.
Diferente dos demais episódios do show, de 30 a 40 minutos de duração, esse sexto episódio tem 1h3m de duração que é um show a parte de interpretação e construção de personagens onde só temos os monstros da atuação, como a ganhadora do Oscar Jamie Lee Curtis (Irreconhecível no papel), Bob "Saul" Odenkirk (perfeito no papel), Sarah Poulson, a volta do incrível Jon Bernthal como Mike, e o já competente Oliver Platt.
Um murro no estômago o episódio com uma cena improvisada de Jon, quando vira a mesa de janta, que deixa o final do episódio uma verdadeira bomba atômica. Incrível como tem críticas ao episódio que foi tão bem dirigido e interpretado, acho que pra quem não curtiu, larguem a série, não é pra vocês.
E quando eu achava que não tinha mais como superar esse episódio, que seria o arrasa quarteirão da temporada, me vem o episódio do estágio de Richie (Ebon Moss Bachrach) que é um personagem tão canastrão e FDP na primeira temporada, e consegue ser o mais amado na segunda... como cresceu o Richie de uma temporada pra outra, é incrível, se tornou um personagem super interessante e pra quem a gente torce genuinamente.
Acompanhar o seu estágio em um dos melhores restaurantes do mundo, é como fazer amizade com ele, é impossível não gostar de Richie a medida que ele entende o porque de ter sido colocado lá por Carmy, e a partir do momento que ele aceita ser parte do lugar, que se doa para os funcionários e os clientes, e é gratificante ver ele se dando bem e se tornando um profissional melhor, um homem melhor, um ser humano melhor... coisa linda de episódio. Sendo que ainda conta com a participação especial da mais querida de todas as atrizes, e uma das mais versáteis também... Olivia Colman.
(Vale ressaltar aqui também o ótimo episódio de Marcus estagiando na Europa, com a participação certeira de Will Poulter no episódio).
Melhor que o primeiro ano, não sei, mas com 3-4 episódios mais memoráveis que o primeiro ano isso aqui nós temos... ou seja, "The Bear" continua mantendo o nível sendo diferente e igual ao seu primeiro ano ao mesmo tempo. Uma das melhores séries da atualidade, pra desespero livre dos haters.
(Assistido 18-11-24)
Sonic Prime (1ª Temporada)
3.4 7Obviamente que a melhor animação do Sonic, ainda continua sendo o Sonic X... e citando ainda que o Sonic Boom, é uma animação bem mais infantil, com outra pegada, visando um outro tipo de público.
Sonic Prime foi feito exclusivamente para Streaming, visando o público que já conhece o universo do ouriço nos games, e claro, querendo também arrebatar novos fãs, que também é uma das principais funções do desenho.
Eu gostei bastante desta primeira temporada, achei a ideia muito interessante, nos apresentaram uma nova pedra, o Prisma do Poder, tirando o foco das Esmeraldas do Caos.
As novas realidades são bem interessantes, e únicas, sendo a mais bacana, obviamente a New Yoke, e o melhor personagem com certeza, o Nine.
Na questão dos personagens, o Team Sonic está ali com a adição da Rouge e em alguns episódios o Big The Cat.
O Big eu acho uma bela adição, ele serve bem ali nos episódios e o lance dele tem que ser mais 'cameo' mesmo, quase como um alívio cômico, acho que hoje essa é a premissa principal do personagem.
Já a Rouge, ela é mais do Team Shadow, ela não é muito de andar com Sonic e os demais, então eu estranhei ela inserida junto a eles no começo da série... mas é explicado logo porque ela está andando com eles, e no final serviu bem aos episódios que se passam em outras realidades.
E, claro, tem o Shadow... o personagem mais amado pela fanbase da série Sonic. Aqui, ele ainda não está mostrando tudo o que conhecemos dele dos jogos, mas fica a torcida para ele entrar de vez arrebentando na trama na próxima temporada do desenho.
Nas vozes, todo o elenco que conhecemos dos jogos, foram trocados por novos dubladores, que são exclusivos do Sonic Prime. E eles fazem um belo trabalho... eu gostei bastante.
O Deven Mack veste muito bem a voz do Sonic, nem parece que trocou o Roger Craig Smith por ele, dado o tom que é muito parecido, que denota bem a personalidade do azulão.
Ashleigh Ball como Tails está ótima, o Brian Drummond que faz o Eggman faz um trabalho que não deixa a desejar em nada, comparado ao trabalho de mais de uma década de Mike Pollock nos jogos.
O dublador do Knuckles, da Amy e da Rouge também vestiram bem seus personagens... e Ian Hanlin, faz um trabalho ótimo, porque ele dá voz ao Shadow de uma forma nova, que ainda não havíamos visto, menos sombrio a voz, e mais direta ao ponto... e ele também dubla o Big, que está com uma voz menos analasada e mais limpa... ótimo dublador.
As realidades que se passam na Floresta e no oceano, foram os que menos me pegaram, New Yoke é a mais original e a que mais me agradou e deve ater agradado a maior parte dos fãs.
Aprovo com pouquíssimas ressalvas essa nova série. Queremos mais!
(19-12-24)
Only Murders in the Building (3ª Temporada)
3.8 72Comparada as duas temporadas anteriores, esta aqui fica um pouco abaixo, acho que a adição da Meryl Streep e do Paul Rudd fez muito bem ao show, os dois tem personagens muito carismáticos, e o texto deles não é cansativo.
Porém, me parece que a trama se perdeu muito em seu desenrolar, o fato do personagem e Paul Rudd morrer na ´serie não é nenhum spoiler, mas esperava algo mais bem construído... isso mal serviu para os nossos três protagonistas fazerem o podcast sobre o assassinato de forma decente.
O que faltou nesse ano também foi a falta dos três se juntarem e fazerem o podcast sobre o assassinato, cada um estava lidando com seus próprios problemas, e o carro chefe da série, que é a paixão dos três por solucionarem um crime por meio de um podcast trabalhando juntos, ficou em segundo plano.
É legal de se acompanhar, ainda mais para nós que somos fãs, mas enquanto assistimos fica claro que falta alguma coisa no a, que está deixando a série dever um pouco.
No mais é muito bem dirigido (muito mesmo), o figurino está impecável, o elenco de apoio também está ótimo com as cars que já conhecemos, e algumas novas que foram boas adições ao show.
Dos nossos três protagonistas, acho que todos continuam muito bem, mas o texto de Steve Martin e da Selena Gomez, faltou um pouco de capricho e inspiração em alguns episódios.
Espero que o que foi criado e construído nos dois anos anteriores, retorne na próxima temporada, para não termos algo muito fora do foco...e o foco são os três trabalhando juntos no podcast para solucionar crimes, com algumas de suas crises pessoais recheando os episódios, e não como ponto principal.
(19-12-24)
O Urso (1ª Temporada)
4.3 474Uma das melhores séries de 2022, criada e dirigida por Christopher Storer, "The Bear" (O Urso), foi uma ótima surpresa quando eu a conferi. Por estar indicada a série Comédia/Musical no Globo de Ouro, eu achei que ela seria um pouco mais cômica que o normal, mas a minha surpresa foi que o humor na série é bem contida, está mais nas entrelinhas, não fica à mostra ou descarado como em outros shows.
Na verdade a série é totalmente carregado no drama, com todos os personagens principais carregando um pouco de carga dramática em algo pessoal de sua vida, ou no fato de o restaurante onde trabalham, não ser mais comandado por Mikey Berzatto, o dono que se suicidou.
A série parte deste princípio, Mikey Berzatto (interpretado em participação especial por Jon Bernthal) que era dono do restaurante 'The Original Beef de Chigagoland' comete suicídio, deixando o seu restaurante para Carmy, seu irmão, que virou um chef cultuado no ramo da gastronomia, ganhando prêmios importantes e sendo bem respeitado... Carmy deixa os holofotes para comandar o restaurante de seu irmão, que é uma espelunca, amontoado em dívidas, possui um equipe que não se respeita e faz os afazeres sem atenção, e ainda têm seu primo Richie na sua cola, que também administra o local e vive em rota de briga com Carmy.
Carmy sofre de vários problemas, sono conturbado, problema com bebida, pavio curto, explode facilmente, e trabalha em um ramo onde a pressão na cozinha existe da hora que em que se abre até a hora em que se fecha um restaurante.
Agora Carmy precisa levantar o local, educar a equipe que lá trabalha, se esforçar ao máximo para não arrebentar a cara de seu primo, e tentar ficar são, pois o suicídio de seu irmão o afetou bastante, uma vez que os dois não estavam tendo uma boa relação antes de Mikey morrer.
A série é ótima, dinâmica, dramática, tem umas pitadas de humor bem condensada, trabalha muito bem os problemas que os personagens passam, sendo que cada um deles têm seu drama pessoal, e tenta lidar com eles da melhor forma possível, e mesmo que discutam muito uns com os outros, conseguem aprender lições valiosas com as quais devem lidar, mesmo não reconhecendo para as demais pessoas.
No restaurante trabalham Carmy, Richie, Sydney, Marcus, Tina, Ebrahein e Fak... alguns se dão bem, outros já não se vão com a cara, se estranham demais, há muita faísca quando o restaurante está lotado e a coisa está pegando fogo. Muitos deles começam a perder a compostura e acabam sendo megamente mal educados com quem eles não vão com a cara, como Richie e Sydney, Tina e Sydney, Richie e Fak e claro, Richie e Carmy.
O trunfo da série mesmo é o drama desses personagens, o quão eles são afetados por seu erros, falhas, medos e esperanças, como eles lidam uns com os outros, a forma como tentam resolver suas diferenças, o amor que eles carregam pela profissão que exercem e pelo local que eles trabalham.
Claro que o protagonista, Carmy, é de longe o personagem mais interessante da série, afinal, o que Carmy tem de defeitos não está escrito. Não consegue se expressar com os outros, não demonstra seus sentimentos, não mantém boa relação com seu primo e sua irmã Natalie, ao contratar Sydney para trabalhar no restaurante, tem uma relação de altos e baixos com ela e pena demais para tentar colocar a equipe do restaurante na linha para que eles funcionem da maneira mai coesa possível.
O elenco é a cereja do bolo do show:
- Jeremy Allen White, que faz Carmy, é O CARA... que ator, que veia dramática, incrível, Jeremy tem um talento gigante, deu alma para Carmy, deu personalidade, vê-lo perdendo o controle e despirocando geral em alguns episódios (principalmente nos dois últimos) é muito bom, dá vontade de perder o controle com ele e sair gritando pra geral. Jeremy consegue transmitir todos os sentimentos que Carmy quer demonstrar em cena, tem uma presença de sensacional descomunal. Sério, Jeremy é um Atorzaço com A maiúsculo e já virei fã.
-Ayo Edebiri, que faz Sydney, outra ótima atriz, com uma ótima personagem, com seu próprio drama pessoal, e que faz uma parceria bacana com Carmy na série;
-Ebon Moss Cachrach, que faz Richie, primo de Carmy, outro bom ator, seu personagem além de ser muito estourado e encrenqueiro, é muito engraçado também.
-Oliver Platt (X-Men Primeira Classe), faz Cicero, a quem Mikey deve muita grana, gosto muito de ver Oliver atuar, o acho um ator completo e bem interessante de ver atuando.
-Jon Bernthal (Justiceiro da Netflix), faz justamente Mikey, irmão de Carmy e que se suicida, ele aparece apenas no episódio 7, no começo em um flashback.
-Abby Elliott interpreta Natalie 'Sugar', irmã de Carmy e Mikey, ela é casada e tem uma relação complicada com Carmy, e Accy aparece esporadicamente nos episódios, a atua muito bem pro pouco que aparece.
Todos os episódios sem exceção são ótimos, difícil encontrar uma série hoje em dia com esse grau de excelência, sem embarrigamento e nem encheção de linguiça... mas de longe,o episódio 7 é o mais interessante e o de melhor resultado final, ele se liga do começo ao fim, a gente sabe que um episódio liga o outro nas séries, mas este 7º ele começa e termina, ele se fecha, se completa singularmente. O começo é bem gostoso de acompanhar com Carmy, Natalie, Richie e Mikey conversando enquanto cozinham a receita da família, uma macarronada, e mais a frente no episódio, vemos Carmy lentamente perder a calma e explodir em fúria e palavrões com todos os funcionários do restaurante, especialmente com Marcus e Sydney. Acho que esse episódio foi muito bem escrito, interpretado e dirigido.
'The Bear' teve inúmeras indicações me muitas premiações:
- No Globo de Ouro a série foi indicada a Melhor Série Comédia/Musical, perdendo para 'Abbott Elementary', e Jeremy Allen White venceu como Melhor Ator em série Comédia, prêmio justíssimo, aliás.
- No Critics Choice Awards foi indicado a Melhor Série de Comédia perdendo novamente para 'Abbott Elementary' e Melhor Atriz Coadjuvante para Ayo Edebiri, perdendo para Sheryl Lee Ralph de 'Abbott Elementary'. Venceu novamente na categoria de Melhor Ator para Jeremy Allen White.
Na minha opinião, deveria ter ganhado aqui em melhor série no lugar de 'Abbott'.
- No Satelitte Awards está indicado em Série de Drama (aí sim), e Melhor Ator em série Drama para Jeremy Allen white, irei torcer para levar os dois prêmios.
-No SAG's Awards, está indicado a Melhor Elenco em série de Comédia e Melhor Ator em série de Comédia para Jeremy Allen White, também terá minha torcida; Também concorre no Spirit Awards em Roteiro de Série Nova e Atuação Coadjuvante em Série Nova para Ebon Moss Bachrach e Ayo Edebiri.
Eu considero a melhor série de 2022 a princípio, faltando conferir outras como The White Lotus, Pachinko, Better Call Saul e etc...
Oito episódios empolgantes, interessantes, a vontade é continuar assistindo e não acabar nunca, você se vê conectado a trama e acaba se apegando aos personagens, que são carismáticos ao seus modos... é como se você quisesse que fosse uma novela da Globo para vê-los todos os dias no mesmo horário.
Impacientemente aguardando a segunda temporada já encomendada.
(29/01/2023 - Star Plus)
Mulher-Hulk: Defensora de Heróis
3.1 473 Assista AgoraQuando eu era criança eu tinha muitos gibis, trocentos, todos infantis: Os Trapalhões, Turma da Mônica, Mickey, Pato Donald, Tio Patinhas, Pateta, Angélica, enfim... e eu tinha apenas 1 revista da Marvel, que eu só fui dar atenção em 1994 quando eu tinha 11 anos e virei fã dos X-Men vendo o desenho na TV Colosso. Eu comecei a comprar as revistas dos X-Men e então me deparei com essa revista que já não tinha mais capa, e eu nunca tinha lido porque nunca tinha me interessado.
Era uma revista do Hulk, esqueci o número, de 1989, e a primeira página dessa revista, que não tinha mais capa, era a Mulher Hulk abrindo as portas de uma das alas de um hospital com as duas mãos, bradando bem alto: "Onde está meu Primo, onde está Bruce?". O restante da história é o Hulk enfrentando o Homem de Ferro e o Namor, mas essa primeira página, pela revista não ter capa, ficou na minha cabeça por anos, e querendo ou não, mesmo sem eu lembrar, é meu primeiro contato com o Universo Marvel nas HQ's.
Tudo isso apenas para apresentar a Mulher-Hulk, personagem da qual sou mega fã, seja em suas histórias solo, ou junto dos Vingadores (ou até mesmo do Quarteto), e que finalmente ganhou um projeto em forma de série no MCU.
Sempre que eu imaginava um filme da Mulher-Hulk, ou no caso uma série, que combinaria mais com ela, eu pensava que eles deveriam abordar a fase dela nas HQ's onde ela atuava mais como advogada, e as histórias eram mais cômicas, com a Mulher-Hulk mais baladeira e a Jen mais boladona de não fazer tanto sucesso como seu alter ego. E também que seria uma boa ideia também usar a quebra da quarta parede que ela também faz em suas revistas.
E foi exatamente isso que Kevin Feige, junto à Jessica Gao (criadora do show), Brad Winderbaum (produtor executivo) e Kat Coiro (produtora e diretora dos episódios), trazendo a Mulher Hulk para o MCU em um show onde ela é advogada e precisa lidar com seu trabalho e com sua nova posição de Hulk, acidentalmente adquirido em uma viagem de carro junto de seu primo Bruce Banner (Mark Rufallo).
O que eu posso dizer sobre a série? É ótima, muito divertida, muito bem escrita, muito bem dirigida, um elenco excelente, acertaram em cheio no cômico, principalmente no roteiro, criaram um enredo bem amarrado, deixando a Mulher Hulk bem solta, e com inúmeras referências à cultura pop.
Tatiana Maslany (premiadíssima por Orphan Black) É A JENNIFER WALTERS/MULHER-HULK... da cabeça aos pés, tudo que está nas HQ's, Tatiana traz para as telas, a forma de falar, alguns trejeitos, alguns olhares, o jeito meio blasé, o deboche, ela é a Jennifer inteira, nunca vi ninguém tão perfeita interpretando um personagem de quadrinhos, acho que só o Christopher Reeves rivaliza com ela.
E ela é quem é a alma do show, óbvio, porque sua Mulher-Hulk é carismática ao extremo, a forma como escreveram a Verdona pro show, as coisas que ela faz e fala, é tudo o que você esperaria que ela fizesse e que você reconhece das páginas dos quadrinhos.
Os 9 episódios são bem redondos, pouco mais de meia hora, passam voando de tão bons que são, e a química entre Tatiana Maslany e Mark Rufallo é perfeita, parece que nasceram para contracenar... Mark se deu muito bem em cena com ela e fica nítido em tela o quanto os dois, além de serem primos, são muito amigos e um se preocupa com o outro.
O show é bem completo, mescla situações no escritório de advocacia onde Jen trabalha, a GLKH, vinda diretamente da fase de Dan Slott, com os mesmos coadjuvantes, Holloway, 'Pug' Pugliese, Mallory Book... e também coloca Jen em rota de colisão consigo mesma ao não aceitar sua nova condição ser uma Hulk, mas também aos poucos abraçando esses poderes.
Na série, ela festeja, badala, dança até o chão com Megan Thee Stalion, sai transando com geral como Mulher Hulk e como Jen mesmo, enche a cara, vai a casamentos, enfim, aproveita a vida como uma mulher que chama a atenção aproveitaria.
Alguns cidadãos, que claramente nunca leram um gibi na vida, reclamaram muito que a série é ruim, que nada a ver fazerem uma Mulher-Hulk, que ela não luta com ninguém só faz coisa de mulher, que era melhor ter feito uma série do Hulk, e quebrar a quarta parede é forçado, que é série pra lacrar e blá blá blá...
Claramente esses marmanjos não sabem o que falam, são apenas um bando de caras que assistem a tudo apenas para criticar, e não conhecem 1% do que a Jen realmente é.
E esse papo de: "A Essência do Hulk, que é estar bravo e destruir tudo, que agora o Hulk é molenga e blá blá blá"... sério, quem liga pra opinião dessa gente desavisada e sem conhecimento do que fala?
Os episódios vão melhorando a cada semana que eram lançados, e verdade seja dita, um dos melhores mesmo foi quando Matt Murdock apareceu como Demolidor... interpretado novamente por Charlie Cox, diretamente do show da Netflix, agora integrado ao MCU de vez, ele teve uma química absurda com Maslany e o episódio é divertidíssimo, com muita ação, um Demolidor mais canastrão, um flerte entre os dois gigante, um final épico, uma transa foda entre os dois... que episódio!
Ainda durante o show apareceram alguns personagens da Marvel que só os fãs como eu, que leem tudo, sabem quem são, uns do terceiro escalão, outros do quarto, enfim...
Temos o personagem 'O Sapo' aparecendo de forma bem bacana na série;
Para minha surpresa e da geral, 'A Gangue da Demolição' também aparece, todos os quatro, Aríete, Maça, Destruidor e Bate Estaca... com o Destruidor aparecendo depois no retiro do Abominável;
Sr. Imortal também aparece, ele é um mutante líder de uma equipe de super-heróis chamada 'The Great Lakes', que aqui no Brasil ficou conhecido como Vingadores Centrais, mudando de nome varias vezes até chegar ao nome mais recente que é Campeões Centrais, por essa aparição eu não esperava, mas aqui ele está beeeem diferente dos quadrinhos;
No retiro espiritual de Emil Blonsky aparecem quatro personagens, todos vilões nas HQ's... 'Homem Touro', 'El Águila' (um mutante), 'Porco Espinho' e 'Sarraceno' (um vampiro igual Blade).
No elenco, temos o já citado Emil Blonsky/Abominável, interpretado por Tim Roth, direto do filme de 2008 'O Incrível Hulk' que foi estrelado por Edward Norton, e tem uma brincadeira com isso numa das falas de Bruce 'Rufallo' Banner.
Jameela Jamil faz Titânia, que nos quadrinhos é vilã mesmo da Mulher-Hulk, e aqui ela é poderosa e forte como nas HQ's, mas é retratada com uma influenciadora digital do que propriamente uma vilã, é mais como uma rival...ficou boa essa adaptação.
Ginger Gonzaga faz Nikki Ramos melhor amiga de Jennifer e Josh segarra faz Pug Pugliese. Renée Elise Goldsberry (Hamilton) faz Mallory Book e Steve Voulter fez Holden Holloway.
As surpresa da série ficaram pela participação também de Benedict Wong como Wong em três episódios, e sua amizade inusitada com a patricinha vida cor de rosa e baladeira, Madisynn (Patty Gunggenheim), aquela que é com dois 'n' e com 'y' mas não onde você pensa. O sucesso de Madisynn foi enorme, sua personagem é engraçadíssima, teve uma química surpreendente com Benedict Wong em cena, muita coisa dos dois juntos foi improvisada, outras escritas na hora por Jessica Gao. Patty é muito boa e velha conhecida de Kat Coiro, a diretora da maioria dos episódios.
O final foi a coisa mais bem pensada da série e do MCU...simplesmente a Jennifer quebra literalmente a quarta parede ao transitar pelo menu do Disney Plus, afim de chegar até os escritórios da Marvel Studios e conversar com Jessica Gao, Kat Coiro e os demais produtores, para mudar o final da sua série, que ela não estava achando que estava bom (e não estava mesmo). Quebra da quarta parede total, coisa que John Byrne fez muito quando escreveu a revista da Mulher Hulk por anos, e os dois viviam se ofendendo e brigando com Jennifer rasgando as páginas direto para confrontar John Byrne.
Restou piada até para Kevin Feige, que na série foi retratado como uma inteligência artificial em forma de um robô, que arquiteta tudo que acontece nos projetos do MCU. Jennifer não só mudou todo o final de sua série, persuadindo K.E.V.I.N (o robô), como ainda teve a cara de pau de perguntar quando veremos os X-Men (!!!)
O que mais posso dizer... a trilha sonora é ótima, um dos episódios termina com a ótima 'Say My Name' da cantora Tove Styrke, outro termina com a Mulher Hulk dançando com Megan Thee Stalion sua música 'Body'.
Seu uniforme está bem parecido com a dos quadrinhos.
Com certeza é uma das melhores séries do MCU, junto com WandaVision, e os fãs estão ávidos por uma segunda temporada o quanto antes.
O MCU que vinha batendo na trave com suas últimas séries, acertando um pouco e errando um pouco mais, acertou em cheio com Mulher Hulk: Attorney At Law. Esperamos mais séries com essa pegada e coragem.
(Assistido entre Agosto e Outubro 2022)
(29/01/2023)
Pam & Tommy
3.8 79A MTV foi praticamente uma escola pra mim, escola de música, de entretenimento, de comportamento sexual, de caráter, enfim... a melhor emissora que já existiu no Brasil. E no ano em que eu comecei assistir, que foi em 1997, depois de alguns meses quando eu já tinha um entendimento melhor do cenário musical e da realidade atual e passada do Rock, é que comecei a crescer os meus ouvidos para um assunto que já dominava os noticiários da emissora à algum tempo... a fita de sexo entre Pamela Anderson e Tommy Lee.
Nunca havia visto SOS Malibu (Baywatch) mas vi uma cena ou outra em comerciais da TV Globo que passava a série na década de 90, então eu estava familiarizado com Pamela. Já Tommy Lee, eu sabia que ele era do Motley Crue, mas como não sou muito entusiasta do rock Glam farofa dos anos 80 (tirando Whitesnake e Bon Jovi) só conhecia os sucessos da banda e não conhecia muito deles ou os curtia, e só sabia do Tommy pelo nome mesmo.
E eu dentro da minha inocência e ignorância (até porque eu era só um adolescente), achava que aquela sex tape deles, mesmo sendo noticiado que tinha sido vazada, achava que eles se aproveitavam do sucesso da fita para se promoverem, ou que eles não ligavam e que isso não afetava a vida pessoal deles. Como disse, inocência e ignorância.
Realmente foi uma ideia até um tanto controversa fazer uma série sobre a história do vazamento dessa sex tape, e quando "PAM & TOMMY" foi anunciada eu fiquei surpreso por sair uma série contando essa história, mas curioso pra ver como seria o resultado final e em conhecer mais a fundo como se deu todos esses acontecimentos.
No fim das contas eu gostei do show, o elenco é ótimo, a condução da maioria dos episódios é boa, está bem caracterizado nos anos 90 como comerciais da época, posters da época, lojas de discos, clipes, músicas, enfim.
Mas realmente a série dá uma enrolada bem grande, arrasta ali uns dois episódios, dá umas embarrigadas pra preencher os protocolares 8 episódios encomendados, e chega uma hora que pode cansar quem assiste. Vai cansar mais quem não conhece, quem não está por dentro da década de 90, quem não gosta de rock, quem chegou de paraquedas e só quer conferir mesmo. Quem já está imersivo no universo do rock, entretenimento, quem já conhece esse fato e sabe quem são os dois, a série consegue segurar esses espectadores (como ei), mas a gente reconhece... se arrasta bastante.
Apesar de ter todo esse teor sexual, a série não se escora nisto, existe um drama em toda a situação que respinga diretamente em Pamela, que é a que mais foi afetada pelo vazamento do vídeo. Estando a semanas de lançar seu filme, que seria amplamente divulgado, e sonhando em se tornar uma grande estrela de Hollywood, Pamela ficou vista na mídia como a modelo que fez um vídeo de sexo, um pornô caseiro, ao invés de ser reconhecida como atriz em si. Ela perdeu papéis em filmes que eu assisti e até hoje sequer sabia que ela esteve cotada ou fez testes papa participar, como LA - Cidade Proibida e Austin Powers, na época grávida de seu primeiro filho, mas sofrendo essas recusas por conta da exposição do vídeo que vazou.
E naquela época, não era como hoje, não havia discussão sobre nada, todos os temas que hoje são exaltados e levantados, defendidos, não eram debatidos, as coisas iam mesmo pra debaixo do pano, era normal, era a vida... machismo, preconceito, racismo, LGBTQIA+ e por aí vai.
A série tenta dar esse drama para Tommy Lee, pelo fato de ele sofrer com o fato de sua banda não ser mais relevante na década de 90, com o estouro do movimento grunge e sucesso de bandas como o Nirvana, Soundgarden, ou a ascenção de bandas como Guns 'N Roses e Stone Temple Pilots, e até novos artistas com novos estilos de rock alternativo como o Beck.
Porém esse drama não cola, quem conhecia e quem sabe, entende muito bem que Tommy Lee sempre foi um "Asshole", que só se importava com suas próprias merdas, e esse tom dramático e de coitado sequer veste a pessoa de Tommy Lee.
Quem segura mesmo a série são os dois protagonistas... Lily James, que faz Pamela está perfeita no papel, sem exageros, acho que é o melhor trabalho de Lily como atriz até hoje. Está totalmente imersa e caracterizada na personagem, é a própria Pamela Anderson ali, os trejeitos, o sorriso, a risadinha, o tom de voz, sendo que ela ainda usou uma prótese nos seios para ficar volumoso e usou uma peruca descolorida para ficar idêntica à canadense. Não tem uma cena onde Lily exagere ou pareça forçada, ela está incrível mesmo, e fico feliz em vê-la em um grau tão alto de atuação, pois ou muito dela já tem uns anos.
Sebastian Stan que faz Tommy Lee, hoje dispensa comentários, por ser uma das estrelas do MCU, e também está atuando muito bem como Tommy, caracterizado de tatuagens ao redor do corpo, uma atitude rock 'n roll, um jeito canastrão, soube incorporar com que tem de melhor em Tommy e também o que tem de pior. Tem uma cena em particular onde Pamela exige que ele assine o documento onde eles cedem o vídeo de graça pra uma nova empresa, e ele atua demais, em um ataque de fúria, gritando, derrubando mesa, aquele surto clássico de cinema, assustando Pamela e tudo. Mandou bem demais.
Pagou alguns micos rsrsrsrsrsrsrsrs... como no começo da série, com aquela sunga fio dental enfiada no rabo (que isso parceiro, parece que todo machão em casa vira um gatinho), e também na cena onde ele conversa com o próprio pinto, quando ele confessa que está apaixonado e seu pinto se mostra sensato dizendo para ele não cair nessa. Na boa, na vida real, nunca que um pinto vai ser mais sensato que o Homem em si.
Por falar nisso, aquela cena onde Sebastian mostra o pinto para Pamela é computação gráfica... claro que Tommy Lee é conhecido por ser pintudo, foi abençoado ao nascer, mas aquilo tá muito exagerado e na conversa entre Tommy e seu pinto, isso fica muito claro.
Além deles, a série ainda traz Seth Rogen (The Fabelmans) como Rand Gauthier, que foi o homem a vazar esse vídeo no mundo, e aqui Seth tem uma atuação mais condensada, aquela atuação que chove no molhado, atuação de segurança, de série dos anos 90 mesmo. Ele também é o produtor executivo da série.
Nick Offerman (The Last of Us), fez Miltie, dono de uma das produtoras pornôs de sucesso da época por fazer "Garganta Profunda" obra-prima do cinema pornô. Offerman esteve bem demais, bem caracterizado como homem forte da indústria pornográfica, sempre cercado por drogas, bebidas e as mais diversas profissionais do sexo, enquanto Gauthier se ferrava em dobro.
Além de Taylor Schilling (Orange is the New Black) que fez a ex-esposa de Gauthier, Erica, uma ex atriz pornô, e Taylor também está bem nas cenas em que aparece, principalmente quando contracena com Seth Rogen.
A série foi criada por Robert Siegel, de 'Fome de Poder' e 'O Lutador';
E dirigida por Craig Gillespie, de 'Eu Tonya' e 'Cruella'.
Possui inúmeros sucessos da década de 90 do rock alternativo, tem de tudo... Fatboy Slim com Praise You, Nine Inch Nails com Closer, Primal Scream, The Cardigans com Lovefool e My Favourite Game, New Radicals, 4 Non Blondes e seu What's Up, Alanis como You Oughta Know, os otários do Third Eye Blind, Roxy Music e Tears For Fears dos anos 80, Supergrass e o mega hit Alright, e ainda tivemos a clássica Made You Own Kind of Music de Cass Elliott no fim de um dos episódios, entre tantos outros. Pra mim, foi um prato cheio.
A série foi indicada este ano no Globo de Ouro a Melhor Minissérie ou Filme Para TV, Melhor Ator Minisséire para Sebastian, Melhor Atriz Minissérie para Lily James e Melhor Ator Coadjuvante Minissérie para Seth Rogen.
No Critics Choice Awards, Foi indicado a Minissérie, Ator Minissérie e Atriz Minissérie.
No Emmy do ano passado, a série foi indicada a Melhor Minissérie, Série Antológica, Ator Minissérie, Atriz Minissérie e Ator Coadjuvante Minissérie.
No Satelitte Awards ainda está indicada para Melhor Atriz Minissérie com Lily James.
Em todas as premiações que já concorreu, perdeu nas categorias para as séries The White Lotus e The Dropout.
É um bom show, mas vale mais a pena para quem gosta de rock, quem foi dos anos 90, quem conhece Pam & Tommy, quem está mais familiarizado, pois quem não tem conhecimento e vai assistir mais para conhecer, vai achar a série muito arrastada, e é mesmo, pois demora para contar uma história que nem teve tantas idas e vindas assim.
Mas ganha pelo elenco, eu particularmente acho que Lily James deveria ter ganhado um prêmio por sua atuação de Pamela Anderson... espero que o Satelitte Awards faça jus ao trabalho dela.
(28/01/2023 - Star Plus)
Abbott Elementary (1ª Temporada)
4.1 63Abbott Elementary é a nova queridinha do momento nos EUA em termos de comédia, sucesso no horário nobre, com episódios de 23 minutos de duração (com comerciais é claro) trazendo uma trama leve filmada no estilo documentário fictício.
Um documentário fictício é quando você retrata algo em tela numa linguagem e filmagem como se fosse real, o estilo de filmagem já tem aqueles desenquadros clássicos de como se fosse filmado amadoramente, e junto, temos os depoimentos dos personagens do programa, eles são filmados no dia a dia e discursam sobre esses acontecimentos para a câmera, um gênero bem tradicional nos EUA já visto em diversas séries ao longo das décadas, como The Office, Oz, entre outros.
Criado e estrelado por Quinta Brunson (de IZombie), a série segue um grupo de professores que dá aulas em um colégio marjoritariamente de alunos negros, e que sofre com pouca verba e uma diretora que se preocupa mais com seus Status nas redes sociais do que com o bem estar dos alunos. Obviamente é cômica, leve, e serve para toda a família.
Não aquela série, bem comum hoje em dia nos shows cômicos, onde você irá se acabar em gargalhadas, dar muita risada, como em shows mais famosos como Will and Grace, Two And a Half Men e outros, o cômico dela está dentro das situações, do texto, em algumas tiradas entre os personagens sobre a cultura pop, situações, expressões faciais e por aí vai.
O show é ótimo, os personagens são todos carismáticos, rapidamente você irá se identificar com eles, e começar a definir os seus preferidos (o meu é a Ava, ela é ótima), os alunos também são ótimos, pouco exigidos, mas quando eles aparecem mais forte em alguns episódios, dão um show junto com o elenco principal.
Acho que um dos melhores episódios foi o do desafio de pular as cadeiras, junto com o episódio do namorado do Jacob.
É um show para toda a família poder relaxar, curtir, ter um bom entretenimento, mas se percebe que ela se mostra bem diversificada... Brunson, por ser negra, obviamente se preocupou em dar esse protagonismo em mostrar uma escola com crianças marjoritariamente negras, protagonistas e coadjuvantes negros, como ela, Barbara, Mr. Johnson, Gregory e Ava, tendo dois personagens brancos, uma sendo Melissa, e Jacob sendo gay. Ela mostra diversificação de hoje em dia no mundo e que, sim, é uma coisa normal em qualquer ambiente da sociedade, e no dia a dia... e isso é muito bom de se ver em um show com esse alcance na TV americana.
Além de Brunson, nós temos o eterno Chris que todo mundo odeia (Tyler James Williams) como Gregory, temos Sheryl Lee Ralph como Barbara (muito boa), Janelle James como Ava (Janelle está perfeita na série, de longe a mais cômica), Lisa Ann Walter como Melissa (ela está ótima também, perfeito timing vômivo), Chris Perfetti como Jacob e William Stanford Davis como Mr Johnson, sendo que William também rouba a cena com seu coadjuvantismo que entra na hora certa.
O show foi indicado no Critics Awards em Série de Comédia, Atriz para Quinta Brunson, Atriz Coadjuvante para Sheryl Lee Ralph e Janelle James, e Ator Coadjuvante para Chris Perfetti e Tyler James Williams.
No Satelitte Awards, apenas Quinta Brunson foi a única a levar a indicação por Melhor Atriz em série de Comédia.
No Globo de ouro deste ano, o show venceu três prêmios:
-Melhor Série de Comédia ou Musical;
-Atriz em Série Comédia para Quinta Brunson;
-Ator Coadjuvante em Série Comédia para Tyler James Williams;
Além de Sheyl Lee Ralph e Janelle James terem concorrido para Atriz Coadjuvante em Série Comédia e perdido para Julia Garner de Ozark.
Fora isso, no ano passado (2022) o show ganhou dois Emmy's, um de Melhor Elenco e outro para Sheryl Lee Ralph em Atriz Coadjuvante em Série de Comédia. Estes prêmios pela primeira Temporada da série, pois os do Globo de Ouro são pela segunda temporada que ainda não chegou ao catálogo do Star Plus.
Série muito boa e que mereceu levar o prêmio no Globo de ouro este ano e á favorita para levar o Critics Awards também amanhã.
(10/01/2023 - Star Plus)
Wandinha (1ª Temporada)
4.0 711Desde 1993 quando saiu o segundo filme d'A Família Addams, que nada em termos de live action foi feito da família que nasceu nos anos 1930 em tiras de quadrinhos no jornal 'The New Yorker', mas que ganhou notoriedade entre o grande público em uma série televisiva na década de 1960.
A Netflix, hoje gigante do streaming, tratou de encomendar uma série baseada em 'Wednesday' (me recuso a chamá-la de Wandinha), filha mais velha do casal Gomez e Mortícia, e irmã de Pugsley, focando em sua estadia no colégio para excluídos 'Never More', onde terá que aprender a se relacionar com adolescentes que são tão diferentes quanto ela.
A premissa da série é ótima, se basear nos tempos acadêmicos de Wednesday, mesmo colégio onde sua mãe estudou e fez história, e vermos Wednesday tentar se relacionar com adolescentes que vão de quase sereia, a menina lobo, homens-medusa e outros mais.
Wednesday já é uma figura por si só, fechada, fala pouco, mórbida, não sorri de jeito nenhum, só anda de preto, só usa maquiagem preta, seu hobby é torturar seu irmão, não tem amigos e é insociável. E para interpretá-la trouxeram a nova sensação teen cinematográfica, Jenna Ortega, que nestes últimos anos deu as caras em filmes e séries de destaque como 'A Vida Depois', 'Pânico 5', 'X- Marca da Morte', 'Você' da Netflix, ou seja, Jenna está badalada e caiu como uma luva no papel da gótica Addams.
Jenna incorporou bem a personagem, foi ótima, personificou a própria Wednesday em tela, seus trejeitos, seus olhares, seu desdém, a forma como recitava suas falas, até sua dança maravilhosa na festa do colégio ao som de The Cramps... Jenna é uma atriz sensacional.
Fora ela, de destaque, ainda cito a belíssima Emma Myers que fez a Enid, personagem mais cativante do show, na minha opinião, aquela pessoa que você quer ter como amiga, adorei ela atuando. Percy Hynes White que fez Xavier também foi um ator que me chamou atenção, assim como Moosa Mostafa e Joy Sunday, como Eugene e Bianca respectivamente.
Quem achei bem sem sal e pouco inspirado foram Hunter Doohan que fez Tyler, zero carisma, e zeroquímica com Jenna Ortega em cena e Jamie McShane que fez o Xerife Galpin e que ficou devendo em tela na minha opinião, com uma atuação bem sem alma.
No show ainda tivemos os já conhecidos e ótimos Luís Guzmán e Catherine Zeta Jones como Gomez e Mortícia, Gwendoline Christie ótima como Diretora Weems e Christina Ricci como Marilyn Thornhill, ela que foi a Wednesday nos dois filmes dos anos 90.
Ainda, Fred Armisen (ex marido de Elisabeth Moss) fez uma participação no episódio 7 como Tio Fester.
Porém, infelizmente, a série tem mais pontos negativos que positivo... idealizado e escrito por Alfred Gough & Miles Millar (roteiristas do terceiro A Múmia, Homem Aranha 2, Máquina Mortífera 4) eles começaram bem nos dois primeiros episódios, contextualizando Wednesday em Never More, apresentando os coadjuvantes e mapeando o mistério do show. Mas com o decorrer dos episódios, você percebe que toda a trama é clichê, bem batido, com várias passagens já conhecidas de filmes besteirol de adolescentes dos anos 2000, com situações que facilmente descobrimos o que há de errado ou que segredo está sendo mantido.
Tudo que acontece enquanto Wednesday tenta desvendar quem está por trás do monstro, quem é o monstro e o segredo que envolve a família de Lena, é muito clichê, de fácil entendimento e que quem for atento já desvenda muito antes do episódio final, de tão na cara que certas coisas foram concebidas no roteiro.
Os quatro primeiros episódios foram dirigidos nada mais nada menos, que pelo mestre Tim Burton, que deu seu toque soturno já conhecido, na escola Never More e pela cidadezinha onde ela se localiza... e a série vai bem até aí.
O episódio final, é o mais broxante e sem graça da série, a forma como Gough e Millar escolheram pra já nos mostrar a revelação do monstro, sem nenhum clímax, em um episódio bem mal dirigido e editado por James Marshall, chega a ser vergonhoso... quebra todo o clima da série.
Sobre quem é a mestre do monstro, a cabeça por trás de todos os atos indigestos cometidos em 'Never More'... estava na cara que era a personagem de Christina Ricci, e isso eu já comecei a suspeitar no episódio 5.
Claramente, Ricci, que foi a Wednesday nos dois filmes dos Addams nos anos 90, estava nessa série mais como uma homenagem por ter interpretado a personagem antigamente... e nunca que iriam trazê-la pro show para ser uma personagenzinha qualquer. Sua Marilyn Thornhill, não faz nada no show, não agrega em nada, não brilha, não se mostra, nem coadjuvantismo direito ela tem, sendo que está desesperadamente agradando todos e principalmente a Wednesday... É claro que ela iria ter algum protagonismo ou antagonismo alguma hora, uma atriz conhecida como Ricci, que está lá como uma forma de homenagem, não ia ficar ali só de escanteio... eis que cravei, "ela está por trás destes atos todos"... não deu outra, muito na cara, quem for atento pega essas coisas rápido... muito clichê, e bem broxante em ermos de roteiro gente, na boa.
Apesar dos pontos negativos da série, e de um último episódio com relevações bem anti clímax, insosso e mal dirigido, a série possui uma trilha sonora perfeita, que foi arranjada e performada pelo já gênio contemporâneo Danny Elfman (do extinto Oingo Boingo) e musicado por Chris Bacon, acertaram em cheio na música do filme, os arranjos, a orquestra, os instrumentos musicais que remete ao tema d'A Família Addams.
Tanto a cenografia, direção de arte e principalmente a Fotografia da série estão incrivelmente perfeitas, muito bem planejadas e dão todo um toque único para o show. Mencionado também o figurino, rico demais nos mínimos detalhes.
Wednesday foi indicada apenas no Globo de Ouro em Série Comédia/Musical, e para a talentosíssima Jenna Ortega para Atriz em Série Comédia/Musical, sendo esnobada completamente do Critics Awards.
Não acho que a série tenha chances, mas Jenna quem sabe não tire o favoritismo de Jean Smart por Hacks, ou que surpreenda Quinta Brunson ou Selena Gomez.
O final foi bem sem graça, falta de criatividade total, apenas para deixar as portas abertas para um temporada 2. Por conta desses pequenos deslizes, 'Wednesday' poderia ser melhor, muito melhor do que potencialmente ela pode ser.
O que é uma pena, pois tem um ritmo agradável, mas os roteiristas nos fazem de besta a série inteira, desafiam nossa inteligência, nos fazem de bobos, plantando falsas pistas que são fáceis demais de desvendar, e fazem a trama ser boba ao extremo, com clichês bem desnecessários. Mas visualmente e conceitualmente, a série é boa.
(03/01/2023 - Netflix)
Only Murders in the Building (2ª Temporada)
4.0 94O segundo ano de 'Only Murders in The Building' consegue superar o primeiro de longe...
Os episódios são mais dinâmicos, a trinca de protagonistas está mais que bem entrosada, Steve Martin, Martin Short e Selena Gomez, são um colírio para os olhos, muito gostoso de ver os três atuarem juntos, as tiradas cômicas, as cenas onde eles se embaraçam todo, as cenas mais dramáticas... enfim, muitos adjetivos!
O crime desta temporada é mais envolto ainda em mistério, a cada hora você começa a suspeitar de alguém, do mais óbvio até os menos óbvios, de quem é jogado na sua cara (dois personagens são tão descaradamente jogados na sua cara, que chega a ser leviano suspeitar deles, ao mesmo tempo que pode até ser) aos que a série sequer os cogita como o assassino(a), mas você vai querer ligar os pontos de qualquer que tenha alguma atitude suspeita.
Na verdade, o verdadeiro assassino(a) está beeeem na cara, a série não deixa implícito em momento algum, vai brincando com a gente, mas cada vez que os episódios passam, mais vai começando a fazer sentido que é aquela pessoa... mas eu, burro como sempre, só fui pegar no episódio final mesmo.
Não só o responsável do crime neste ano, foi muito bem escrito e arquitetado, como ele se 'linka' com todos os acontecimentos da primeira temporada, sendo o ponto chave para Charles, Oliver e Mabel acabarem formando uma amizade por algo em comum. Achei um costurado de roteiro muito bem criado, não sei se desde o início do show havia essa premissa em se conectar tudo no segundo ano, independente disto, como os dois anos se ligam, é muito gostoso acompanhar de uma vez só, e ficou um tiro certeiro para ganhar o público.
Gosto muito destas comédias modernas, onde a piada não é aquela para você rolar de rir e coisa e tal... gosta dessa coisa nova de o cômico estar na situação, no texto bem escrito, cheio de referências da cultura pop e cinematográfica, nos acontecimentos constrangedores, no embate de personalidade entre os personagens, principais ou não... uma comédia mais deliciosa.
'Only Murders in The Building' virou uma das minhas séries favoritas, aquelas que você cita como favoritos de cabeceira... já estou sentindo falta do show e espero ansiosamente o terceiro ano.
A série foi indicada este ano no Globo de Ouro para Série Comédia/Musical, Ator para Steve Martin e Martin short e Atriz para Selena Gomez.
No Critics Awards este ano a série foi um pouco esnobada, dando apenas a indicação para Steve Martin em Ator Comédia.
Já no Satellite Awards levou indicação para Martin Short e Selena Gomez em Ator e Atriz em série de comédia, além da indicação para Série de Comédia/Musical.
Este ano tivemos a adição de Cara Delevigne ao elenco, mas pouco chamou a atenção, a personagem dela não mostrou a que veio e ela pareceu um pouco desconexa com o que a série tem a propor. De resto todo mundo está ótimo, da monstra Tina Fey, a Amy Schumer, o retorno de Amy Ryan, e a aparição de Zoe Coletti, como Lucy, uma espécie de ex-filha de Charles.
De longe, Oliver Putnan de Martin Short é meu personagem preferido da série...mas obviamente eu gosto muito dos três, que são carisma pura.
(02/01/2023 - Star Plus)
Disque Amiga para Matar (3ª Temporada)
3.8 56 Assista AgoraE chega ao final 'Dead To Me', sua terceira e final temporada, para dar um fechamento para a história de Jen Harding, Judy Hale e Ben Wood, juntando todas as pontas soltas, e amarrando outras.
Um final satisfatório? Nem tanto.
'Dead To Me' é uma série que eu me apaixonei desde o primeiro episódio, com uma primeira temporada arrebatadora, e uma segunda beirando a perfeição com episódios tão viciantes, que se torna quase impossível não assistir tudo de uma vez só.
Mas é nítido que a terceira e última temporada teve umas decisões de Liz Fedlman (a criadora da série) bem apressadas, querendo dar uma conclusão final a certas resoluções e uma falta de atenção com seu elenco de apoio que não dá para entender.
Infelizmente o nível do show cai um pouco em alguns episódios desta temporada final... alguns dos deslizes que a temporada teve, foi o excesso de cenas onde Jen, Judy e até Ben se afogam em mentiras. Foram inúmeras as cenas onde, se criava um cenário onde algum deles iria revelar um segredo, ou eles iriam confessar o que eles escondem desde a primeira temporada para alguém, e entra aquela fundo musical tenso de possível revelação, e em seguida eles mentem inventando outra história... se você faz isso uma vez, até duas, beleza, nos anos anteriores isso era o combustível da trama, mas aqui ficou batido, manjado, sempre que vinha uma possível revelação e aquele fundo musical de tensão, eu sabia que vinha uma mentira em seguida, era tão batido que dava um desânimo da cena em questão. Liz Feldman não soube dosar isso em sua conclusão.
Outro ponto é o pouco destaque no elenco de apoio, tanto os filhos de Jen, como a 'namorada' de Judy, Michelle, o oficial Nick Prager e Detetive Perez foram mau aproveitados durante a temporada final, e não tiveram seus finais satisfatórios. Não houve uma conclusão final para o caso que Perez investigava, assim como o policial Prager. Colocaram uns gregos no episódio final, que Jen e Judy facilmente se livram em torno de 1 minuto e meio, e de repente por eles darem cabo de Garrett Dillahunt (de Fear The Walking Dead, adoro ele), o caso é encerrado como se os gregos fossem os culpados por tudo que Jen e Judy esconderam... achei muito broxante!
Henry e Charlie também tiveram destaque razoável e mau lidaram com o fato de eles terem que lidar com o câncer de Judy. Michelle foi jogada para escanteio.
Colocaram o Ben na cadeia porque parecia a escolha mais fácil a se fazer, e ele perdeu a importância no final da série.
E o pior, foi que tudo que foi criado durante toda a série, todas as atrocidades que Jen e Judy fizeram, nós esperávamos que em algum momento do show, ou no fim, isso viria a tona, ou por descobrirem o crime, ou pelas duas, que confessariam o crime ás autoridades, ou a Ben, ou a família dele ou aos filhos de Jen pela própria mão ou pela Judy.
Mas não, Judy sequer abriu o bico, e Jen, na última cena e fala do show, ela se vira para Ben e diz que tem algo a dizer a ele... e fim. E aí? Ficamos com água na boca?
Achei uma péssima ideia de Liz Feldman, tudo que ela não deveria ter feito.
Apesar desses deslizes, o show tem um final que comove e se torna de uma certa forma aceitável... assistir toda a temporada final é prazerosa, e tanto Applegate como Linda Cardellini continuam impecáveis e sagazes como Jen e Judy, a dupla dinâmica...
E James Marsden, ele tem tantas camadas para brincar com Ben neste último ano, que deixa a interpretação dele mais rica, gostei demais das várias nuances de Ben com o passar dos episódios.
Tanto Christina Applegate, quanto James Marsden foram indicados a Atriz Principal e Ator Coadjuvante em série de comédia no Critics Awards, e foram merecidíssimos. Acho que só faltou indicar a Linda pelo conjunto da obra, porque o que ela fez com Judy Hale, poucas atrizes conseguiriam fazer... faltou olho crítico pro pessoal do Critics (sem trocadilhos).
Uma pena, a série vai deixar saudade, Jen e Judy vão deixar saudades, porém, sempre dá pra voltar e ver tudo de novo quando a saudade apertar.
Espero pelo próximo trabalho de Liz Feldman com ansiedade e que ela nos surpreenda com outro texto que nos prensa atenção, com personagens tão carismáticos e únicos.
(21/12/2022 - Netflix)
Only Murders in the Building (1ª Temporada)
4.1 225Tem sido comum nos últimos anos, aparecerem séries cômicas que não são tão "escrachadas" se assim posso dizer, aquelas que fazem você rir como se estivesse vendo um episódio de Chaves, ou os Trapalhões... esses shows que têm surgido tem aquele teor cômico mais "inteligente" ou "Chique", como citei no comentário de "O Método Kominsky", e se percebe em outras séries cômicas como "Fleabag" ou "Dead To Me", para citar algumas.
"Only Murders In The Building" têm exatamente esse teor, é um show cômico com uma leve pitada de drama, mas bem leve mesmo, sendo aquela comédia mais sagaz, não está exatamente nos acontecimentos, nem nos atos dos personagens, mas está no texto, na construção do texto, na forma como ele se desenrola e em como os personagens da trama se tratam. è o novo humor, aquele que não vai fazer você gargalhar ou rir à beça. Na verdade você irá rir de canto de boca, dar aquele sorriso de que pegou a piada lançada, vai achar super bem feito como a piada foi criada... é um novo jeito de se fazer séries cômicas... e eu adoro shows com essa nova linguagem.
Criada por Steve Martin (AtorZAÇO, monstro da comédia, de quem eu sou fã de carteirinha) e John Hoffman, "Only Murders..." trata de três pessoas que não se conhecem e moram em seus apartamentos no edifício Arconia, levando suas vidas monótonas e cada um com seu jeito antipático...os três na verdade partilham de um gosto em comum, são ouvintes diários de um podcast de homicídios apresentado por Cinda Canning (Tina "Fucking" Fey). Esse é o lance que os une, e logo em seguida, há um assassinato no prédio onde moram, envolvendo um de seus moradores, Tim Kono, e deste ponto em diante, com esse gosto em comum, os três resolvem criar seu próprio Podcast para solucionar este caso que as autoridades não solucionou de forma apropriada.
A série é ótima, magnífica, viciante... os seus três primeiros episódios, irão desafiar a paciência do espectador, pois demora bastante para a trama realmente se desenrolar e você começar a gostar e conhecer os protagonistas, porém, logo após, ou no desenrolar do terceiro, o show anda com as próprias pernas e você se verá preso dentro de um mistério que até você tentará solucionar antes deles, com as evidências que o show lhe apresenta.
O assassino(a) é quem você menos espera, mas eu mesmo até cogitei que fosse, mas pelo álibi, descartei, e qual foi minha surpresa, era tão óbvio em se tratando de uma história de assassinato com personagens entrando e saindo da trama.
O elenco de apoio é apaixonante, conseguem ser tão engraçados quanto os próprios protagonistas, quem tem aquela veia cômica sutil, mas perceptível e bem afiada, alinhada com as referências cinematográficas e musicais atuais.
O monstro da atuação Steve Martin, que dispensa comentários, é 'Charles-Haden Savage', vulgo 'Brazzos' ex-ator que fez um seriado de muito sucesso que levava o nome de seu personagem já citado, seu único e grande sucesso, que ainda vive do passado, e se vê animado com a criação do podcast para desvendar o assassino, pois seu personagem 'Brazzos' resolvia crimes em seu show. Steve tem a veia cômica como se fosse o ar que respira, inteligentíssimo, criou a série e interpreta Charles de uma maneira única, trazendo toda a experiência que tem de trabalhos anteriores e sua notável experiência de Hollywood.
Martin Short (de Vício Inerente) que já fez parte do SNL nos anos 80, faz Oliver Putnan, um ex-diretor de teatro e cinema, meio fracassado em tudo que já fez, e que embarca de cabeça no Podcast para revelar o assassino, lidando como se fosse sua redenção na carreira, conseguindo também ser um chato de galocha em alguns momentos. Martin está ótimo também no show e faz uma ótima dupla com Steve Martin. E ele tem uma veia cômica gigante, pega as deixas certinho para tirar algo satírico daquele momento.
Pra finalizar o trio, temos a incrível Selena Gomez (que todos conhecem de sua carreira musical) que está demais da conta na pele de Mabel Mora, uma moça ranzinza que acaba se afeiçoando aos dois velhos Charles e Oliver, pelo gosto em Podcasts de homicídio, e participa junto com os três do podcast que criaram. Ela fisga todas as deixas para fazer com que a cena fique cômica, de um jeito bem peculiar, nada atravessado demais para desbancar em gargalhadas infinitas.
Fora o trio de protagonistas, que também são produtores executivos do show, temos a super engraçada Tina Fey como participação especial no show, como Cinda Vanning, o músico Sting, interpretando ele mesmo e Amy Ryan como Jan.
Um dos melhores episódios do show, é o sexto, "O garoto do 6B", que é focado em Theo Dimas, o filho surdo de Teddy Dimas, dois dos antagonistas da série... todo o episódio nos coloca nos coloca na pelo de Theo, ou seja, não escutamos nada como ele, e o episódio vai além, ninguém no episódio fala nada, zero, nenhum pio, apenas interpretam por gestos... temos apenas uma fala de Charles Savage no fim do episódio, uma sacada genial para se criar um episódio, graças a sagacidade de Steve Martin e John Hoffman
ao criarem o 'não-texto' do episódio. Ficou algo bacana de tratarem um episódio focado em Theo, que é surdo, nos colocarem nas perspectiva dele, de quem não escuta nada, tendo um ator, James Caverly, que é surdo desde o nascimento, um lance bacana de representatividade, e sagacidade no roteiro, com a questão em mãos.
Por falar em representatividade, ainda temos um casal LGBTQIA+ no show, sendo das duas a de maior destaque Da'Vine Joy Randolph, a detetive Dee Williams... ambas são negras, e isso é algo raro de se encontrar na Hollywood de hoje em dia, então é bom ver essa abertura e diversidade cada vez mais crescendo.
Além é claro da participação de Jane Lynch, nos dois últimos episódios, fazendo o papel da antiga dublê de Charles na série Brazzos, Sazz Pataki... Jane, que é lésbica assumida, já é conhecida da extinta série 'Two and a Half Men', era a terapeuta de Charlie, e tal era como lá, onde possuía uma veia cômica enorme, aqui ela está mais explêndida ainda, sempre muito bem vê-la em cena, ainda mais com um monstro como Steve Martin.
A série recebeu neste começo de 2022 va´rias indicações a Melhor Série de Comédia/Musical nas principais premiações, como Sag's, Critics Awards, Globo de Ouro, Emmy e Satellite Awards, assim como Steve Martin e Martin Short para Melhor Ator. Já Selena Gomez foi esnobada pelo Emmy, mas indicada tanto no Golden Gloves como no Satellite Awards.
É uma das melhores comédias no Streaming hoje, diversão e mistérios garantidos, e um elenco protagonista matador nas atuações e principalmente na química, 'Only Murders in The Building' só peca mesmo em ter apenas 10 episódios de por como mais de 30 minutos cada... quando acaba, fica aquele gosto de quero mais, e para quem gosta de maratonar de uma vez, vai ficar órfão da série cedo, cedo.
(20/12/2022 - Star Plus)
Ms. Marvel
3.1 244 Assista AgoraCom a chegada do Disney Plus ao mercado, a Marvel Studios entrou de cabeça nas séries/minisséries, que hoje é o grande hype e o grande foco do público e dos estúdios de Hollywood. Com a explosão e sucesso da Netflix, as séries ganharam uma força gigantesca planeta afora como nunca havia tido antes... mas somente mundo afora, nos EUA, sempre foram carro chefe, mas principalmente, na TV a Cabo.
Com a advendo do Streaming, Kevin Feige iria poder contar histórias que nunca conseguiriam ser contadas no cinema, porém é meio nítido que no quesito séries, a Marvel Studios ainda não acertou a mão em cheio, uma vez que elas olham para elas como um filme de 6 ou 8 horas de duração, ao invés de uma história que precisa ser fluída entre seus episódios e se amarrar para chegar em êxtase na sua "season finale".
De todas, até o momento, vejo apenas 'WandaVision" como a única série que sustenta e que é coesa, fugindo um pouco das amarras cinemáticas que as outras séries acabam ficando presas. Com Ms Marvel não é diferente, pois parte da mesma premissa, e ao mesmo tempo que acerta em cheio, escorrega com força.
Pra começar, não conheço Kamala Khan, ela apareceu nas HQ's a poucos anos atrás, e como estou atrasado nas revistas ainda não cheguei em sua estréia, não li nada da personagem, e vim para a série sem nenhuma referência da personagem, portando, o fato de ela não ter seus poderes originários das Névoas Terrígenas dos Inumanos não me atinge. Vou aceitar e degustar o que está sendo criado pelo MCU.
Kamala foi criada por Sana Amanat, G Willow Wilson e Adrian Alphona (desenhista que também criou os Fugitivos) Kamala é paquistanesa, mora em Jersey City, se inspira em Carol Danvers, a Capitã Marvel, é Inumana e seu nome é uma homenagem ao já saudoso Stan Lee, pois nome e sobrenome possuem o a mesma letra, K, assim como Stan fez com os demais personagens da Casa das Ideias, como Matt Murdock, Stephen Strange e por aí vai...
A série é boa? Sim, eu gostei bastante, como fã da Marvel, é um produto que vai divertir grande parte do público... criticamente falando, derrapa demais, pra não dizer muuuuuuito.
O primeiro episódio da série "Geração Porque" é, sem sombra de dúvidas, 'O Melhor Episódio de todas as séries do MCU juntas'... de muito longe, é PERFEITO, sem nenhum erro, divertido, engraçado, simpático, grandioso, lúdico. Possui um tom próprio, nunca antes visto ainda no MCU, uma arte visual atual, que conversa com os jovens do seu tempo, a arte salta a tela, de forma animada, de forma inanimada, uma linguagem visual bem quadrinística, que vai encher os olhos daqueles que são leitores de HQ's.
A série começou lá no alto, nota 11 de 10 pro primeiro episódio, tinha tudo pra ser a melhor série do MCU, e o nível se manteve no segundo episódio, uma continuidade visual e de narrativa ótimas, nos fazendo se apaixonar mais ainda pela Kamala e sua família, e nos imergindo em seu próprio pequeno universo.
(Aquele começo de série, com aquele tema oitentístico vindo dos trailers, tocando de fundo e logo em seguida a Kamala com seu vídeo em seu canal no Youtube, narrando a batalha contra Thanos, aquilo é a coisa mais gostosa da face da Terra).
Poréééééém... nem tudo são flores, infelizmente, e o Marvel Studios não consegue manter uma narrativa funcional em suas séries, onde os episódios se conversam e amarrem algumas tramas e pontos, para chegarem de mãos dadas no último e eletrizante episódios que toda a série deveria ter. Com esse olhar, ou premissa de filme de 6 horas, eles tem caído em uma armadilha vista em todas as séries até o momento (inclusive WandaVision), a já famosa 'embarrigada' que serve nada mais nada menos, para cozinhar a trama , pois não há muita coisa a ser mostrada até sua conclusão e cumprir x números de episódios encomendados para o show.
O quarto e quinto episódios da série são ruins, nem são fracos, são ruins mesmo... tá, o quinto é só fraco, mas o quarto é ruim com força de dar dó. Mal escrito, mal editado (e põe mal editado nisso, beira o amadorismo, que vergonha...) mal conduzido e também mal dirigido... como pode uma série ter ao mesmo tempo o melhor episódio de todas as suas séries juntas e também ter o pior episódio de todas as suas séries juntas?
É tudo tão clichê nesse episódio, tantas ideias furadas e ultrapassadas, que é cômico demais ver tanta incapacidade dos profissionais que começaram acertando em cheio no alvo, e agora sequer sabiam o que fazer com o que tinha em mãos... esse episódio foi sofrido demais, muito ruim.
O quinto episódio é bem fraquinho, se sustenta ali e acolá, mas tem também umas resoluções, principalmente com a família de Kamala, muito apressadas, pouco explicadas, que broxa na hora o espectador que vê a qualidade da série cair pelo ralo em queda brusca.
A 'Season Finale' até que é promissora, bem feitinha, redondinha, anima bastante, mas também cai no clichê, deixa a desejar, não consegue definir um antagonista para Kamala, faz ela se perder em certas atitudes já manjadas, por 'crushes' mal resolvidos e prefere dar um desfecho onde joga na segurança (muito inspirado em Homem Aranha 2 de Sam Raimi), do que apostar em algo mais inovador e espetacular.
O elenco da série é ótimo, tanto o núcleo familiar, como o núcleo de amigos de Kamala, os atores escolhidos mandaram muito bem... já os antagonistas não brilharam, nem os Djinns, nem Kamram, e nem Deever do Controle de Danos, todos esses atores, estiveram um degrau abaixo e entregaram atuações mais genéricas, que para mim, não agradaram tanto.
Porém, é de Iman Vellano que quero exaltar, pois ela, fã de carteirinha da Kamala Khan dos quadrinhos, leu toda a série, além de ser fã tanto da Marvel Comics, como da Marvel Studios, foi a escolha perfeita e certeira para o papel da heroína.
Vellani é tão fã de Kamala, que foi fantasiada como Ms Marvel em uma Comic Con, e dizia ser o sonho dela interpretar a personagem na Marvel Studios... e 'buuuuum', lá está ela em uma estreia arrasadora. Ela é perfeita mesmo para o papel, é uma grande atriz, talentosa, engraçada, performática, e nos conquista já de cara... não tem como não se apaixonar por Iman Vellani, e ela já está eternizada como uma dos maiores astros do MCU.
Ms Marvel tanto acertou em seu começo, como errou gigante em seu meio, para finalizar na segurança de um episódio que pouco empolga, mas impacta com uma revelação bem controversa. Abaixo nos Spoilers, discorro de o porquê destruíram uma série que já estava pronta, para refilmar e dar outro tom e final pro show, o que acarretou episódios ruins e fracos e fez a qualidade cair, em prol de uma citação que nem poderia caber nesta série.
Como mencionei, Kamala Khan, nos quadrinhos é uma Inumana, e seus poderes de esticar o corpo e imitar esteticamente outras pessoas vêm dessa exposição às névoas terrígenas inumanas, que lhe conferiram esses poderes.
MS Marvel foi idealizado e filmado no MCU como Kamala sendo Inumana, mesmo que na série, ela use um bracelete que com certeza tem origem Kree (mais sobre eles no filme da Capitã Marvel), e esse bracelete é que lhe confere poderes na série.
A agência DODC, de controle de danos, tinha outro nome nas primeiras gravações da série, quando as fotos foram divulgadas na época das gravações externas da série... mas mudaram para DODC por outras razões, ou seja, já tivemos refilmagens neste ponto.
Os Djinns, ou ClaDestinos, seriam na verdade um grupo de Inumanos, que se autodenominariam dessa raça na série, porém, foi ordenado a mudança de nome deles de Inumanos, para Djinns, que tem a ver com a cultura muçulmana, e nesse ponto temos mais refilmagens para excluir qualquer menção a palavra Inumanos, e também mudando o tom de várias cenas que começariam a perder o sentido e a relevância dentro do show.
A explosão que aconteceu quando a mãe de Kamram tentou adentrar o portal que levava para o mundo natal dos Djinns, na verdade seria uma explosão de cristais terrígenes, que faria com que a névoa dessa explosão se espalhasse pela cidade (não sei se o mundo) onde pela exposição à névoa terrígena, iria despertar o gene Inumano na população terrestre. Mas isto foi mudado na série, com regravações para não se ter nenhuma menção aos Inumanos, mudando totalmente o sentido da missão desses Djinns, que ficou sem sentido, sem base e muito mal finalizado nessa cena do quinto episódio.
Ou seja, desde o começo, Kamala Khan seria uma Inumana nesta série, não sei o que se passou com Kevin Feige para mudar isto, se foi o fato de não querer ligar a personagem com a série mal sucedida dos Inumanos, ou querer de fato limá-los do MCU... mas aí não bate com o fato de toda a série ser gravada com ela sendo Inumana, e depois termos regravações da série para tirar isso do enredo e da personagem, e obviamente, adiar a estreia da série que seria em fevereiro e passou para Junho.
E aí tiveram essa ideia que ainda estou digerindo, de Bruno (Matt Lintz) dizer a Kamala na cena final de Ms Marvel, que ela possui um gene diferenciado em seus sistema, uma espécie de 'MUTAÇÃO', e quando ele diz essa palavra, de fundo, toca timidamente o tema de abertura do desenho animado dos anos 90 dos X-MEN, tema este que toca quando o Patrick Stewart aparece como Professor Xavier em 'Doutor estranho no Multiverso da Loucura', caracterizado como o Xavier do desenho, com a cadeira flutuante amarela.
Ou seja, os mutantes foram citados pela PRIMEIRA VEZ no MCU, e Kamala, ou é a primeira mutante, ou ela só foi a primeira mesmo a aparecer.
Mudaram todo o tom do show, todo o sentido de algumas cenas, toda a incursão do grupo conhecido como Djinns, que seriam Inumanos, apenas para fazer com que Kamala fosse a primeira mutante do MCU, para dar um ponto de partida no vindouro projeto envolvendo os mutantes e os X-Men.
Não que eu não achei isso legal ou bacana...mas é uma mudança muito brusca, não há muita necessidade de você mudar a Kamala de Inumana para mutante no MCU, não iria confundir o público, pelo menos ao meu ver. Acho um desperdício para com a personagem torná-la mutante, mas se a o caminho que eles querem seguir, que façam bem feito daqui para frente.
Toda essa mudança feita na série, depois de ser totalmente gravada, fez ela cair de nível de uma forma absurda, e acabou perdendo muito de sua relevância e de sua identidade. Algo que começou como um arrasa-quarteirão e se transformou em uma paródia de si mesma. Realmente erraram feio, mas muito feio com a premissa da série. Ou faz bem feito e bem organizado, ou não faz gente... fazer e depois mudar tudo quando já está finalizado? Porque não decidiram isto antes? Olha a bagunça que a série se tornou... lamentável!!!
As poucas estrela vão para o mencionado acima... mas MS Marvel ainda é uma série divertida que vale muito a conferida, possui um começo que dificilmente será superado em séries futuras, diverte, entretém... mas como produto final, com as mudanças já citadas, ficou muito a desejar. Que Kevin Feige, Victoria Alonso e demais produtores aprendam com esse erro grotesco.
(16/07/2022 - Disney Plus)
Agentes da S.H.I.E.L.D. (6ª Temporada)
3.7 51O sexto ano de Marvel's Agents of Shield, diferentemente dos outros anos, tem apenas 13 episódios, bem mais enxuto, e com uma trama que vai direto ao ponto, sem episódios embarrigados, e com um ritmo alucinante que pega o espectador.
Já dando indícios que a série estava rumando para seu fim, pelo fato de ter seu ano encurtado nos episódios, Agents of Shield ainda traz uma boa trama, se reinventando para manter o seu fiel público, mas pecando ainda no vilão principal do arco, que continua sendo um vilão mais clichê, sem desenvolvimento e fraco.
O ponto forte deste ano foi o suspiro que Clark Gregg ganhou na série, depois que seu personagem Phil Coulson, morre definitivamente no MCU (sim, pra mim, a série é canônica e problema é do Zé boné, não meu). Gregg retorna ao show como o vilão Sarge, que é de longe o melhor personagem do ano, muito bem criado...
Você fica entre adorá-lo ou odiá-lo, é uma mescla que muda a cada episódio, pois Gregg agora tem uma camada maior para atuar e brincar com seu personagem.
Como acontece em quase todos os anos da série, ele não é o principal vilão da temporada, os produtores colocam um vilão como bode expiatório, para o verdadeiro antagonista se revelar nos capítulos finais, e esse papel neste ano coube a Karolina Wylder, no papel de Izel, uma vilã que aparece mostrando que é imponente, porém vai caindo na breguice e na clichezice comum dos vilões de fim de ano da série.
Uma pena, pois tinha potencial ali para ela ser mais barra pesada, ameaçadora, amedrontar mesmo os nossos heróis, mas é muito clichê, muitas frases de efeito, muita cara blasè de quem pode derrotar todos em 3 segundos, mas fica ali cozinhando e cozinhando...
Os agentes precisam deter Sarge e sua gangue que vêm de outro planeta, e que querem destruir o planeta para que Izel não liberte o povo deles, que virá para dominar o planeta Terra.
Os primeiros episódios são arrasadores e prendem a atenção de quem assistir, porém, nos 5 ou 4 capítulos finais vai cair um pouco de nível, pela pesada de mão com a vilã Izel.
Gostei muito de Jeff Ward como Deke Shaw neste ano, tentando se encontrar em um tempo onde ele não se encaixa, e parece ser perfeito para ele. Seu personagem, hoje muito mais cômico, do que quando apareceu na temporada passada, ganhou o tom certo para não ser só alívio cômico, e poder tirar o que de melhor Deke pode oferecer, e o melhor da atuação mais despojada de Jeff.
O resto do elenco dispensa comentários, estão todos ótimos e no mesmo nível de sempre de excelência, com um destaque especial para Natalia Cordova-Buckley, a Yo Yo Ramirez, que neste ano está dramática no ponto certo, fazendo Natalia atuar em garbo e elegância.
Não gosto de finais que deixam mais perguntas do que respostas, mas foi satisfatório e competente com o que foi criado para este ano.
De destaque entre os episódios, todo o arco do começo do ano, que se passa no espaço com Daisy, Simmons, Piper e Davis, procurando por Fitz e Enoch é ótima, e foi a mais interessante de se acompanhar... mesmo tendo todo aquele arco de Sarge, Snowflake, Jaco, chegando na Terra e enfrentando a SHIELD de Alphonso Mackenzie.
(07/07/2022 - Disney Plus)
Cavaleiro da Lua
3.5 421 Assista AgoraO mais novo capítulo do Marvel Studios em sua fase 4, vem em forma de minissérie, e apresenta para os espectadores do MCU mais um "super-herói" da editora/estúdio que atua de uma forma mais urbana... o Cavaleiro da Lua (Moon Kinght no original).
O Cavaleiro da Lua apareceu pela primeira vez nas HQ's em 1975 na revista Werewolf By Night, o Lobisomem, personagem que ganhará um especial de Halloween em Outubro pelo próprio Marvel Studios, dentro do Disney Plus. Ganhou fama mesmo na sua primeira revista solo, cinco anos depois nas mãos do famoso e renomado Bill Sienkiewicz (que é homenageado na série, levando o nome do hospital psiquiátrico que aparece no último episódio), que já trabalho nas revistas do Demolidor e do Thor na Marvel, entre outros.
Eu mesmo conheci o Cavaleiro da Lua apenas nocomeço da década de 2000, durante o arco da revista Marvel Knights, quando ele financiou uma equipe composta pelo Demolidor, Justiceiro, Viúva Negra, Manto e Adaga, para agirem urbanamente contra os malfeitores. Mas me afeiçoei mesmo ao personagem no arco escrito por Charlie Huston e desenhado pelo gênio da arte David Finch, onde ele nos mostra um Marc Spector mais perturbado, tentando voltar a ser digno de Konshu, e sofrendo pelo fato de ter assassinado um de seus principais inimigos, que agora reside em sua cabeça, e resolve palpitar em seus atos de vigilante. Esse arco é sensacional, e foi aí que pude conhecer mais a fundo sobre o Cavaleiro da Lua e suas múltiplas personalidades.
A série do Disney Plus, é baseada principalmente no arco de Jeff Lemire e Greg Smallwood, mais recente de 2016, e este arco eu nunca li, apenas conheço o que foi mostrado do Cavaleiro da Lua no arco de Huston da década de 2000, portanto cheguei bem desalinhado da proposta da série para o personagem, pelo o que eu conhecia dele.
Marc Spector é o alter ego do Cavaleiro da Lua, que faz um pacto com Konshu, Deus grego da Lua, para se tornar seu avatar e levar a justiça para aqueles que fazem o mal. Porém, Marc possui outro alter ego que se chama, Stephen Grant, uma outra personalidade de Marc, bem diferente, como se fosse uma pessoa completamente diferente. E uma outra personalidade ainda, chamada Jake Lockley, sendo que este eu ainda não havia conhecido e nem ouvido falar nas HQ's.
Portanto vim assistir a série com a cabeça livre, sem me prender ao que conhecia dos quadrinhos, e aproveitando mesmo a experiência de ver o que a Marvel havia criado e construído para a série. E a experiência foi muito positiva.
Protagonizado por Oscar Isaac (Duna) e Ethan Hawke (dispensa apresentações), Cavaleiro da Lua traz muito da cultura egípcia para série, traz uma trama intrigante, que dá espaço e ênfase tanto a Marc, quanto a Stephen, passando também por Harrow, o vilão de Ethan Hawke.
O Cavaleiro da Lua não é caracterizado nesta série muito como super-herói, ele luta pelos próprios motivos e princípios, tenta deter o maior inimigo de Konshu, além de Marc ter que lidar com Stephen, seu outro alter ego, e sua esposa Layla El-Faouly (interpretada pela ótima atriz, May Calamawy).
A série segue um bom ritmo durante seus 6 episódios de 50 minutos em média. Leva muito tempo explicando tudo nos mínimos detalhes para espectadores de primeira viagem que não conhecem o personagem e sua mitologia, que não ficam perdidos durante o desenrolar da trama, mas também podem acabar achando um pouco enfadonho não desenrolar a trama demais em seu começo, e ficar embarrigando demais os acontecimentos. Ou seja, espectadores de primeira viagem, ou que não costumam acompanhar o MCU, terão que ter uma paciência maior nos 3 primeiros episódios, até a ação desenrolar de uma maneira fluída.
O CGI e os efeitos visuais do filme estão dentro do padrão esperado para minisséries televisivas, muitos podem estranhar um pouco as CGI, que não são tão genuínas, ou até mesmo notar os personagens Konshu e Anmmit, que dão a impressão de serem mais borrachudos, mas para mim, em nada atrapalhou a experiência de conferir a série, e em tela, não chega a ser tão gritante assim esses detalhes.
Pelo pouco que conheço do Cavaleiro da Lua, gostei do que foi apresentado na Minissérie, mesmo sendo bem diferente do pouco que conheço dele do arco de Charlie Huston de duas décadas atrás. Aqui, ele não tem seu amigo francês de longa data que o ajuda no dia a dia de vigilante, ele não é podre de rico, para financiar sua vida de vigilantismo, usando um helicóptero em forma de lua para se locomover pela cidade. Seu uniforme feito a mão com tecidos resistentes à prova de balas e outros ataques, não foi retratado na série, uma vez que no MCU a entidade Konshu é que dá a Marc o poder para conjurar seu próprio uniforme com um pensamento e ainda lhe concede uma espécie de fator de cura.
Acho que quem segura mesmo a série é Oscar Isaac e Ethan Hawke, eles fazem um trabalho esplêndido interpretando Marc Spector/Stephen Grant e Arthur Harrow, respectivamente.
Ethan já um ator veterano, muito competente e talentoso, e voltou às raízes em um papel de um personagem que remete muito aos papéis que ele fez no começo da carreira que o alçou dentro de Hollywood ao estrelato. E o seu vilão é muito bem construído e suas motivações são puramente malignas, para nós, porque em sua visão, ele considera estar fazendo um ato de caridade e não de vilania.
Já Oscar Isaac, com toda certeza dá um show interpretando dois personagens que são tão diferentes, mas se completam, sendo uma pessoa só... Marc Spector, com sotaque americano e destemido, experiente, soldado e tudo mais... e Stephen Grant, mais retraído, um pouco bunda-mole, sotaque britânico, cabelo bagunçado.
Oscar brinca demais com essas duas personalidades distintas, e apenas cresce durante a série, com o ápice sendo o quinto episódio, quando Marc e Stephen estão juntos no pré-Morte, ou pré Além vida, e graças a magia do cinema, nós temos dois Oscar Isaac em cena, e ele se sai muito bem atuando duas personalidades distintas e tão diferentes e iguais ao mesmo tempo, em tela, contracenando juntos.
E devo dizer que o quinto episódio da série é de longe o meu favorito!!!
Dou destaque também para May Calamawy que fez Layla, esposa de Marc, uma triz sensacional que tem um carisma enorme em tela, me peguei muito torcendo por ela, e que tem uma química com Oscar muito boa e que dá um frescor a mais para a série.
Criado por Jeremy Slater, o showrunner da série, e dirigido pelo trio Mohamed Diab, Justin Benson e Aaron Moorhead, que fizeram um ótimo trabalho nos 6 episódios em termos de direção, 'Cavaleiro da Lua' sofre apenas do mal do clichê.
Toda a construção do personagem vigilante, da sua relação com a esposa Layla, de seus embates filosóficos entre Marc e Stephen, que dividem o mesmo corpo, e o famoso encontro entre o mocinho, no caso Stephen, e o vilão Arthur Harrow, que cordialmente se conhecem e conversam e tomam chá juntos, para depois partirem para hostilidade por partilharem de visões e opiniões distintas de heroísmo e vilanismo, é muito clichê... já é algo visto por aí afora em dezenas de filmes e séries ao decorrer das décadas. É uma narrativa já batida, muito comum de ser usada e reusada... e pelo menos aqui, esperava uma originalidade maior para se criar um cenário onde herói e vilão percorreriam outro caminho para seu embate moral.
A trilha sonora da série, composta por Hesham Nazih é ótima, um ponto forte do show, compõe bem as cenas, os personagens, traz faixas únicas para Marc, quando em cena, e para Stephen, quando em cena, para Layla, Konshu, e está centrada em um tom totalmente egípcio, mais teatral, mais endeusístico, se assim posso dizer... não está totalmente único, mas tira o que de melhor pode ter no folclore egípcio e grego de divindades antigas, se tornando uma trilha inteligente, performática e que completa bem a proposta da série.
Outro ponto positivo da série, é não ter nenhuma menção sequer, a nenhum outro personagem ou super-herói que já pareceu no MCU... ninguém aparece, ninguém é mencionado, nenhum ato é mencionado, nenhum acontecimento é mencionado. É totalmente fechado no Cavaleiro da Lua, e estava faltando algo dentro do MCU que fosse assim, um arco fechado focado no personagem em questão, sem preocupações em amarrar a outras produções e citações de outros filmes e/ou séries. Bem como acontece também nos quadrinhos... você não precisar citar, mostrar ou situar, para mostrar que está se passando no mesmo universo. Simplesmente se passa no mesmo universo e ponto, apenas aproveite a experiência.
É mais uma ótima série do MCU, não chega a ser a melhor do estúdio, ou seja, não bate WandaVision, em minha humilde opinião, é claro... tem poucos pontos negativos, e mais pontos positivos, é inteligente, sagaz, engraçada, e bem construída... pecando apenas um pouco em alguns clichês básicos.
Mas acaba sendo uma série que muitos esquecerão com mais facilidade depois de uns meses, o que é uma pena, pois a série é riquíssima em conteúdo e traz consigo algumas gotas de originalidade, apesar de pecar nesse ponto também, tinha margem para muito mais.
(Assistido entre 19 e 24/06/2022 Disney Plus)
The Beatles: Get Back
4.7 119 Assista AgoraQuando a música entrou de verdade na minha vida foi em 1997 conhecendo a MTV. Antes de isso eu só conhecia os Beatles porque meu pai sabia os nomes deles de cor, mas só os nomes, as músicas que era bom, nada. Discos então ele não tinha, então eu só conhecia as versões brasileiras das músicas deles, Submarino Amarelo, Hey Jude do Kiko Zambianchi, todas as versões da Jovem Guarda pros Beatles, aquela versão horrenda da Simone pro Merry Xmas do John Lennon, enfim...
Eventualmente, com a MTV, conheci a fundo e obviamente virei fã incondicional não dos Beatles, do catálogo, do trabalho, mas de tudo o que permeia e cerca a história e existência da banda. Só quem é fã mesmo vai saber do que estou falando, ser fã de Beatles é algo meio único, é tanta coisa, tanta história, tantos mitos, tantas músicas, tantas fases...
Acho que o Get Back era algo que todo fã da banda queria, mas também qualquer fã de qualquer banda e artista iria querer... acompanhar seus artistas prediletos que os inspiram, no estúdio, compondo e criando as músicas que você irá ouvir a exaustão quando colocar o disco na vitrola ou no CD Player. Conversando, se divertindo, as vezes discutindo, criando arranjos, letras...
Em janeiro de 1969, os Beatles entraram em estúdio para gravar seu novo disco, mas queriam fazê-lo de forma ao vivo e com platéia, então alugaram o Twickenham Studios para ensaiar novas composições para entrar neste disco. Ao mesmo tempo que ensaiavam, eles chamaram o diretor e amigo da banda, Michael Lindsay-Hogg para fazer um documentário sobre todo o processo de criação do novo álbum, e gravar o show que viria a ser o novo disco da banda, e este documentário iria sair possivelmente junto com o disco novo.
Lyndsay-Hogg gravou mais de 80 horas de imagens da banda, tanto no Twickenham Studios, como na Abbey Road Studios para este documentário que NUNCA saiu, nunca foi lançado... e o disco ao vivo que a banda queria gravar também não saiu. Ao invés disto, a banda, já na Abbey Road Studios, gravou o disco de mesmo nome, e, depois do fim da banda no ano seguinte, as músicas que foram ensaiadas e criadas no Twickenham Studios e Abbey Road Studios fizeram parte do Let It Be, último disco da carreira da banda.
Para trazer todo este material, há muito sem ver a luz do dia, foi chamado um dos melhores diretores da indústria cinematográfica moderna, Peter Jackson, da trilogia 'O Senhor dos Anéis' e da trilogia 'O Hobbit'. Sem falar que Jackson também é um fervoroso fã dos Beatles, imagina a felicidade do homem em poder pôr as mãos neste material...
E ouso dizer que este é um dos melhores trabalhos do Peter Jackson... foi incrível a tato que ele teve para poder montar este documentário, o que ele soube escolher para mostrar em cena, aonde ele focou, como ele dividiu as partes do filmes para nos dar uma ideia clara do que realmente estava acontecendo antes de começar a gravar as sessões na Twickenham, durante o processo, e depois ao chegarem na Abbey Road Studios.
Este documentário só poderia mesmo ver a luz do dia em formato de Streaming, pois muita coisa ficaria de fora se ele se tornasse um filme como 3h ou 3h30 de duração.
Get Back é dividido em três partes no Disney Plus, a primeira mesmo tem 3h de duração, com as duas seguintes com pouco mais de 2h30, ou seja, são um pouco mais de 8 horas de um material cuidadosamente escolhido, editado e montado pelo mestre e fã Peter Jackson.
A primeira parte do documentário foca nos ensaios na Twickenham Studios, já na primeira semana de 1969, onde os Beatles andam meio esparsos, tirando Paul, os demais andam conforme a maré e não se concentram demais nas coisas,,, depois da morte do empresário deles, Brian Epstein, que os colocavam na rédea, eles foram cada vez mais se desligando da responsabilidade e Paul acabou ocupando esse papel de chamar a atenção deles, de tentar colocá-los na rédea, de tentar fazer com que eles tenham disciplina e atenção para poderem criar canções para seu próximo trabalho.
É daí que sai a primeira rusga entre eles, focada em Paul e George, que chega ao ponto de George deixar a banda e não aparecer mais nos estúdios para gravar, o que faz com que John fique mais desleixado, sem ligar muito para o que vai acontecer daqui para frente, e de uma certa maneira colocando a uma parcela da carga de culpa em Paul pelo fato de George ter deixado a banda e de como eles não conseguem se compromete no estúdio.
A carga desse primeiro episódio é tão pesada,mas tão pesada, que mesmo sabendo que os Beatles não acabariam ali, nós temos uma impressão que não tem jeito, eles estão acabando aos poucos e é questão de minutos no filme para podermos contemplar este fim, porque é um caminho sem volta, tá muito nítido em tela, e você não vê uma forma que as coisas se resolvam para que do nada eles voltem a ter a química de antes e se acertem para voltar a criar grandes canções.
Por incrível que pareça, é exatamente DO NADA, que George se acerta com Paul, depois de um encontro entre a banda na casa de George, que não foi gravado, que as coisas começam a se acertar e George aparece na segunda-feira seguinte para voltar a ensaiar na Twickenham... e é naquela semana, ou naquele dia (esqueci agora), que magicamente Paul, junto a Ringo e George, começa a dedilhar e cantarolar o que viria a ser a música 'Get Back', enquanto esperavam John chegar no estúdio.
Não tem nada mais especial, mais mágico, mais incrível no mundo, ver como essa pérola de música foi criada assim... do nada, do mais nada possível... fica ali Paul dedilhando alguns minutos, sem letra, e aí começa a cantar 'Get Back to where you once belonged'. Então George e Ringo entram no dedilhar de Paul e ali começa a se formar a base demo da melodia da canção... e conforme o episódio passa, a cação se constrói, a letra brota, e vemos Get Back ganhando a luz do dia...é incrível, sem palavras... e isso acontece sutilmente com outras canções também.
O segundo episódio já temos a mudança deles da Twickenham para a Abbey Road Studios, aonde o clima muda consideravelmente, e tudo fica mais leve e vemos os Beatles criando mesmo, da forma mais pura, se divertindo, tendo novas ideias, relembrando coisas do início da carreira, viagens que fizeram, tocando músicas dos outros discos, de outros artistas... é um deleite para nós fãs... sempre digo que o segundo episódio é o melhor dos 3, é o mais divertido, o mais puro, o que passa voando, dado o entretenimento que ele proporciona.
Principalmente com o adendo de Billy Preston nos teclados, praticamente um quinto Beatle, ali que a banda se soltou, que começaram a falar a mesma língua, que as diferenças foram deixadas de lado, e se apareciam eram resolvidas tão rápidas que se você piscar, nem vai perceber que elas apareceram.
Foi com este documentário que sacramentei algo que vinha me segurando em afirmar há muitos anos... que John Lennon é meu Beatle favorito. Em termos musicais, focado no trabalho solo, ou em composições dentro dos Beatles mesmo, George era meu favorito, tinha muito apreço por ele, e também pelo John, mas sempre exaltando um pouco mais George.
Com 'Get Back', pude perceber que John tem muito a ver comigo, além de ser tímido, é muito, mas muito zoeiro quando está cercado por pessoas com quem tem intimidades para poder ser ele mesmo, sem medo de ser julgado ou apontado... para ser bobo mesmo.
Por ser fã de Oasis e sempre ter preferido o Noel Gallagher ao Liam, pelo fato dele compor as canções da banda e além der líder, ficar ali no canto do palco fazendo os solos incríveis que ele fazia, e também os backing vocals que intercalavam bem com os de Liam, sempre preferi no palco, músicos que tocam, fazem os backing vocals, e compõem... e John é um músico assim... ele toca a guitarra base, deixando os solos pro George, mas fazendo solos quando necessário, geralmente em suas composições, e faz muitos backings nas mais diversas canções dos Beatles, assumindo os vocais mesmo mais em suas composições... isso já me assemelha mais a ele, junto ao fato da personalidade boba e palhaça, mesclado á timidez e a sensatez também nas entrevistas e com causas mais séria...é meu Beatle preferido com certeza.
A Terceira parte culmina no famoso show no telhado em Salvine Row, que viria a ser a última apresentação ao vivo dos Beatles para o público... uma apresentação que teve muitas canções repetidas mas que metade delas integram o disco 'Let It Be' lançado um ano depois.
Essa apresentação também que foi levada para os cinemas, e que pude conferir ao ar livre no festival Open Air no Jockey Clube aqui de São Paulo, a chuva não ajudou muito e deixou o povo meio tímido para cantar e curtir mais... mas ainda assim foi uma experiência incrível onde no final todos aplaudiram essa incrível performance.
Ver os quatro tocando juntos, se divertindo, sem pressões, isso sim é Beatles em sua forma pura, e fecha o documentário com chave de ouro.
Pra qualquer pessoa que goste de música, este documentário é praticamente obrigatório, pois é muito gratificante ver uma banda no estúdio criando suas canções... e dá muita vontade de ver seus outros artistas favoritos fazendo o mesmo, para saber como é o processo criativo de cada um.
A duração, pouco mais de 8 horas ao todo, dividido em três capítulos, não é desculpa para ninguém assistir, afinal, quem não gosta de assistir películas longas, por favor, vai assistir o Luciano Huck então... porque pelo amor né!!!
Peter Jackson com seu melhor trabalho até então, uma 'Masterpiece', uma pérola, um deleite completo para os fãs dos Fab Four... para ser visto e revisto sempre, a qualquer hora, a todo momento...
Nota 1000.
(Assistido em Novembro 2021)
(Get Back: The Rooftop Concert, visto em 09/06/2022 no Vibra Open Air)
(Sempre reassistindo)
Gavião Arqueiro
3.5 332No final de 2021, o Marvel Studios resolveu lançar seu último projeto do ano, e a sua última série como uma forma de festejar as festas de Natal e Ano novo junto a seus fãs... coube a Gavião Arqueiro ocupar este cargo.
Tendo Jonathan Isla como Showrunner e dirigido por Rhys Thomas, Gavião Arqueiro parte do ponto onde Ultimato terminou, Clint agora está realmente aposentado da vida de herói e para compensar os 5 anos em que sua família desapareceu no Blip, ele resolve ir a New York com seus filhos para aproveitar os dias que antecedem o natal, aproveitando para ver o (infame) musical 'Rogers-The Musical' que conta muito provavelmente a história de Steve Rogers, mas que na série vemos apenas a parte do musical onde os Vingadores se unem para derrotar Loki na batalha de Nova York.
A série é baseada no arco dos quadrinhos de mesmo nome escrito por Matt Fraction e David Aja, onde a arte de Aja é um pouco mais para um visual pastel, que também engloba ali o cartoon, com cores mais frias predominando o roxo que sempre foi a cor usada por Clint em seus uniformes... e onde também tem a participação de Kate Bishop neste arco.
Nunca li este arco dos quadrinhos, cronologicamente ainda não cheguei nesta parte, mas conheço a personagem Kate Bishop, que nos quadrinhos é a Gaviã Arqueira, fã de Clint e que integra a equipe de 'Jovens Vingadores'.
Na série, Kate é interpretada por Hailee Steinfeld (de Bumblebee), e ela foi muito bem no papel da nova heroína. Tem sua própria liberdade criativa para interpretá-la, uma vez que ela e a Katie dos quadrinhos diferem um pouco no quesito personalidade, mas tem semelhanças em outros pontos, e Hailee segura o protagonismo brilhantemente, sendo uma grata surpresa e uma ótima adição ao MCU.
Por ser baseada no arco de Matt Fraction, a série tinha tudo para ser boa, porém seu resultado final foi bem abaixo do esperado e a série infelizmente, em minha opinião, é muito fraca no roteiro e na direção, pouquíssima inspirada e sendo uma das produções mais fracas do MCU, junto a Thor O Mundo Sombrio e Homem de Ferro 3.
Acho que o melhor episódio da série, que possui seis, é o primeiro, pois o resto, peca ali e acolá. Temos a Gangue do Agasalho, que pelo que vi é mais ameaçadora nas HQ's, e aqui eles mais parecem um bando de trapalhões musculosos, do que um grupo que intimida e realmente irá desafiar as habilidades dos dois Gaviões.
Uma das antagonistas do show é Maya Lopez, interpretada pela atriz surda 'Alaqua Cox'. Maya nos quadrinhos se tornou 'Eco', contratada pelo rei do Crime para matar o Demolidor, acabou morrendo e foi ressucitada pelo Tentáculo, se tornou o Ronin, passou o manto para Clint Barton e depois integrou durante um tempo os 'Novos Vingadores'. Na série, ela perde o pai pelas mãos de Ronin, durante o Blip, em uma cena que entrega um fan service, e então passa a liderar a Gangue do Agasalho e se torna obcecada em matar o Ronin quando o mesmo supostamente volta a ativa em Nova York.
Alaqua está muito bem no papel, é umas das poucas que se salvam na série, e sua história de origem foi muito bem escrita, e contada, e tanto sua atuação como da atriz mirim que a interpreta na infância são muito convincentes. Ficou apressado demais por ser apresentada na série do Gavião, e poderia ser melhor desenvolvida se fosse em uma série própria.
Além de ser pouco inspirado, não ter uma trama tão cativante, e ter personagens que são bons até, mais que não te conquistam a ponto de você torcer por eles (tirando Katie e Maya), 'Gavião Arqueiro' tem um final HORROROSO de ruim e mal escrito.
Temos uma luta no gelo entre Clint, Katie e a Gangue do Agasalho, porém durante toda as série vimos no máximo uns 15 integrantes dessa gangue. De repente no último episódio, os produtores resolveram meter sem medo de errar uns 100 membros da gangue cercando os dois heróis, apenas para vermos em tela eles usando diversas flechas especiais com os mais variados truques embutidos nelas. Achei uma ideia bem mal escrita, bem mal pensada, pouco criativa... uma cena que não me convenceu.
Também temos uma luta entre Maya e Kazi (Fra Fee), muito curta, muito obvia, com um texto batido, mal atuado e com uma resolução brega. Fra Fee até que foi bem durante a série, mas nesta cena ele foi péssimo demais, graças ao texto.
Ainda tivemos uma série com os amigos que Clint fez durante a série, os membros da LARP, que se vestem como personagens de jogos de RPG de magia de mundos fantasiosos, e fazem batalhas vestidos a rigor por prazer. Aqui, para ajudar a evacuar o prédio atacado pelos Agasalhos, eles se vestem ridicularmente com suas fantasias bregas e ajudam o povo a sair (des)organizadamente, aos mesmo tempo que dá uns socos aqui e acolá nos Agasalhos, que eram para serem casca grossas... que vergonha alheia.
Dos demais atores na série, Florence Pugh aparece como participação especial como a Yelena Belova, irmã de Natasha, que foi contratada no fim de 'Viúva Negra' pela Condessa Valentina De La Fontaine para matar Clint Barton. Mas na série foi revelado que ela foi contratada pela mãe de Katie, ficou meio confuso, mas pode ser que ela pode ter chegado e Valentina pelos contatos que possuía por trabalhar com o Rei.
Florence tem uma dinâmica ótima com Hailee, suas cenas no elevador e na conversa entre as duas no apartamento de Katie são as melhores delas e da série. Mas Yelena tem uma luta no final com Clint, para se vingar da irmã, muito chula e brega, com frases de efeito e chega a ser ridículo ver como Yelena está equivocada e não percebe que a culpa não foi de Clint... não aceita nada do que ele fala, e no fim acaba se convencendo de que ele não teve culpa na morte da irmã, por algo que ele fala que é menos explicativo do que tudo que ele já havia falado a ela. Sabe aquela resolução fraca e boba,? É como se ela fosse inserida na série apenas para lutar com Clint e depois perceber que está errada e se arrepender e fiar amiguinha dele... que coisa ais mal escrita gente, que desperdício de atores.
Outro grande ator que aparece é Vincent D'Onofrio, diretamente da série Demolidor da Netflix, para interpretar seu Rei do Crime mas do que perfeito. Só aparece no último episódio, dá um show de interpretação, mata a pau, que ator é Vincent, e aquele com certeza não foi seu final definitivo.
Vera Farmiga faz a mãe de Katie, Eleanor Bishop e tem momentos bons e momentos mornos na série, foi pouco exigida em termos de roteiro e presença de cena.
Tony Dalton, ótimo ator, versátil, gostoso de vê-lo em cena, faz Jack Duquesne, noivo de Eleanor, a quem Katie não confia de forma alguma por achar que ele está envolvido no assassinato do próprio tio. Nas HQ's, Jack é o vingador conhecido como 'Espadachim', personagem do quinto escalão da Marvel, e aqui Jack tem sim habilidades de esgrima, mas seu personagem foi tão mal aproveitado na série, mas tão mal aproveitado, um desperdício imenso do talento do ator que não fez nada a série inteira, para no último episódio, ter uma fala ridícula de: "Agora é minha hora", e então lutar de espada com alguns capangas da Gangue dos Agasalhos...cruzes, até eu escreveria esse personagem melhor.
Simon Callow, que já fez Quatro Casamentos e Um Funeral e Ace Ventura 2, fez o tio de Jack, Armand Duquesne, e apesar de só aparecer no primeiro episódio, dá um show com seu sotaque britânico (sim, acho os britânicos melhores que os americanos), e se porta bem demais em cena, pena que sua participação foi curta.
Linda Cardelini volta como Laura Barton, esposa de Clint, mas em pouquíssimas cenas e Ava Russo volta como Lila Barton, filha de Clint.
'Gavião Arqueiro' infelizmente é uma série muito fraca, com pouquíssimas cenas de destaque, como a da perseguição de carro pela cidade que se encontra no trailer, cena parecidíssima com a cena de perseguição de carro de Natasha e Yelena em Budapeste no filme da Viúva. É mais mal dirigido que bem dirigido, não soube aproveitar os ótimos atores que estavam no elenco da série, muito mal roteirizado, uma trama fraca que não convence, uma reviravolta que surpreende zero pessoas, e que possui um último episódio de 1 hora sofrível, horroroso, cheio de péssimas ideias, que poucas cenas se salvam dali.
É uma série que não vou negar, diverte, entretém, mas enquanto você assiste você percebe o quanto eles erraram a mão produzindo e dirigindo esta produção.
Pra variar, na sua famosa cenas pós créditos (nas séries, cena pós último episódio né), eles nos brindam com a sequência COMPLETA do musical 'Rogers The Musical', que vimos cortado no primeiro episódio.
Aquilo é uma vergonha alheia... é... mas de tão tosco, é divertido, é engraçado, e o principal, é muito bem feito, muito bem dirigido, muito bem coreografado, e tirando os atores que fazem os Vingadores na peça, que não estão ruim devo dizer, os dois atores que começam a cantar e interpretar no início de terno, são ótimos em cena, cantam muito bem, se portam primorosamente em cena, parece que são dois profissionais experientes da Broadway sabe... é tosco, mas é bom (!!!!!) O que te sobra é dar risada, aquela nervosa, de anime, que sai uma gotona de suor da sua testa.
PS: Alaqua Cox retorna com sua própria série, Eco, que muito provavelmente deve trazer Vincent D'Onofrio , o Rei Do Crime, de volta.
(Assistido Novembro 2021)
(reassistido 30/05/2022)
Legion (1ª Temporada)
4.2 286 Assista AgoraO que caracteriza uma obra-prima...? Muitas pessoas vão ter inúmeras opiniões e visões de como elas caracterizam uma obra-prima em um filme ou em uma série, ou em qualquer meio de entretenimento, visual ou literário.
Da forma como eu vejo, uma Obra-Prima é algo que transcende o comum, que sai do óbvio, que brinca com as ferramentas que tem em mãos e as usa de uma forma não antes pensada, ou que mergulha no que de melhor já foi feito, colocando ou um tom de originalidade, ou o seu próprio tom.
Pra mim uma Obra-Prima dita um novo olhar no que você tende a entender que conhece, que sabe como funciona, que recomhece quais os caminhos usados para se chegar a tal fim. É algo que usa uma linguagem que você não sabia que existia, que nos fascina com formas que nunca poderíamos imaginar, ou que até imaginamos, mas não havíamos pensado que poderiam ter sido usados de tal forma.
É um roteiro que intriga, que seduz, que penetra na sua mente, que brinca com seu regojizar, que sai do óbvio e vai para além da imaginação, que tira o certeiro dos assuntos mais complexos, que faz você sair do ponto A e cair no E, sem passar por D ou C, sem explicar e contextualizar, e ainda assim você estará mergulhado naquele texto de uma forma tão profunda, que tudo que aconteça mesmo que não faça muito sentido, terá o seu total entendimento.
Viajei demais na maionese, só pra dizer que "Legion" série exibida pelo canal FX entre 2017 e 2019, em sua primeira temporada é uma das obras primas visuais e linguísticas mais impressionantes da década de 2010 e dos últimos, sei lá, 20 anos(???) talvez...
Um fato curioso, "Legion" é uma série Marvel, baseada no filho do Professor Xavier, David Haller, que tem poderes mutantes de alteração da realidade e da matéria, ele sozinho pode alterar toda uma realidade se quiser. Mas não era a ideia inicial fazer uma série sobre o Legião, filho de Professor X... a ideia de toda a história que permeia a série já havia sido idealizada por Noah Hawley (criador da série Fargo), e quando pintou o convite da Marvel para Hawley fazer uma série com eles, Hawley apenas disse que queria um personagem que se encaixasse na proposta de seu roteiro... tudo já estava pronto, Legião só caiu de para-quedas. pra mim, isso já é genial.
E Dito isto, pra mim, Noah Hawley é um gênio, um mestre em criar histórias interessantes, inteligentes, um mestre na arte da direção, em imaginar todo este universo, na criação da psique de seus personagens. Coisa magnífica, bonita e gostosa de se acompanhar, um verdadeiro deleite.
Noah Hawley se inspirou em grandes trabalhos que podem ser considerados obras-primas para compor e inspirar sua história, visualmente ou dentro do seu texto.
Você verá em tela muita coisa linguística e visual tirada de: 'Laranja Mecânica', 'O Iluminado', 'Psicose', muita coisa do próprio Hitchcock, 'Vinte Mil Léguas Submarinas' de Júlio Verne, muitas inspirações na série dos anos 60 'Além da Imaginação'.
Fora essas obras primas que inspiram a série, temos suaves quebras de quarta parede, cenas que homenageiam o cinema mudo e um protagonista que acaba sendo uma mistura de Jack Torrance de 'O Iluminado' com o Coringa de Joaquim Phoenix, dentro do que foi idealizado por Ingmar Bergman.
"Legion" se aprofunda na mente doente de David Haller (Dan Stevens) que além de ser um mutante poderoso, supostamente sofre de esquizofrenia, e são muitas as viagens criativas de Hawley na mente problemática de David, é onde grande parte da mágica da série acontece.
Possuído por um parasita conhecido como 'Rei Das Sombras' ou Ahmal Farouk, david constantemente tem dificuldades em distinguir o que é realidade e o que é delírio, sonho, pesadelo, irreal, mesmo quando os demais mutantes da ClockWorks vem em seu resgate no 'manicônio' para tentar livrá-lo das investidas da Divisão 3, que pretende exterminar o mutante mais poderoso da terra.
Os mutantes da Divisão 3, não existem nos quadrinhos, foram livremente criados por Hawley e consistem em Sydney Barrett (Rachel Keller) que tem o poder de trocar de corpo com quem a toca (lembra a Vampira? Claro!), Ptonomy (Jeremie Harris) que consegue penetrar nas memórias das pessoas, Cary e Kerry (Bill Irwin e Amber Midthunder) dois mutantes que dividem o mesmo corpo e Melanie Bird (Jean Smart) a líder e dona da ClockWorks.
Temos uma sequência a partir do episódio 5, onde em uma situação, quando David e os outros são emboscados na sua antiga casa, e estão prestes a morrer baleados, Sydney acaba adentrando no plano astral junto a David, que impulsionado pelo domínio do Rei das Sombras, faz com que todos no quarto também acabem indo para lá, e todo aquele momento é parado no tempo enquanto todos estão confinados no plano astraç em uma realidade criada pelo Rei das Sombras. Toda sequência é algo genial, muito bem escrito, transplantado em tela, de uma criatividade e liberdade cinemática, onde estamos em um outro plano de existência, dentro da mente de David e Rei das Sombras, e dentro daquela realidade criada, nós adentramos a mais realidades criadas por David, ou o outro Plano Astral de Oliver Bird, marido de Melanie que está preso no Plano Astral há décadas. Tudo soa confuso, e ao mesmo tempo tudo soa certo e avança gradativamente durante três episódios até tudo ser solucionado e todos voltarem aquele exato ponto que foi parado no tempo. Surreal!!!
O elenco de "Legion" é um dos elencos mais competentes que já vi em séries por aí a fora, praticamente no patamar de excelência de séries como 'Mad Men', 'Breaking Bad'.
Tanto Dan Stevens, como Jean Smart dão um show e os demais Coadjuvantes são ótimos e mais do que carismáticos.
Mas com certeza destaco dois atores, uma é a competente e talentosa Aubrey Plaza que faz Lenny Busker, amiga de David no 'manicônio' que morre já no começo e é dominada pelo Rei das Sombras que a usa para perturbar e bagunçar a mente e a realidade de David. Ela dá UM SHOW em tela, dança, performa, declama, faz tudo, tem toda uma sequência de dança no episódio 6 em um take que lembra um pouco ou não cenas de 'Chicago' ou uma estética mais 'Moulin Rouge'. Ela é incrível, atriz com A maiúsculo.
Além dela temos Jemaine Clement como Oliver Bird... de longe o melhor na série, tem um "q" de homem sessentista, da década eu digo, uma menira de se comunicar, de falar, de andar, de se movimentar.
Jemaine é um atorzaço, dá pra aprender muita coisa com ele em termos de atuação, tem as sacadas na hora certa, dança excelentemente bem, canta afinadíssimo, existe algo shakesperiano nele, eu não sei. Ele é o tipo de artista que eu gostaria de ser, impecável, suas cenas são arte puríssima, um personagem gostoso de escrever, interpretar e assistir.
Simplesmente a primeira temporada de "Legion" é uma das coisas mais incríveis que já assisti. Lembro que havia assistido algo semelhante, com uma pegada parecida, brllhante, que tinha potencial, a série "Maniac" original Netflix, e aquilo havia me virado a cabeça. Mas Noah Hawley superou minhas expectativas além da conta com "Legion".
Uma série que eu não dava nada, quando fiquei sabendo de sua produção, não achei uma boa ideia fazer uma série televisiva de um personagem que as pessoas mal conhecem ou têm apreço como o Legião. Mal imaginava eu a história surreal que dava para contar com ele.
Por mais que seja baseada nas HQ's da Marvel, a série não tem nada de super-herói, nada de heroísmo, grande vilão, grande equipe, fan service ou o que for. É uma série que brinca com a psique das pessoas, com sua noção de realidade, e que sabe fazer como ninguém seus personagens evoluírem do ponto A ao B, episódio por episódio, em uma crescente que ao fim da primeira temporada, eles já não são os mesmo do primeiro episódio.
É uma pena a série não ser tão reconhecida, pois com sua liberdade criativa, é uma das melhores produções que a Marvel já fez, de todos os tempos, e uma obra-prima audiovisual incrível. De um texto rico e inteligente, e uma linguagem visual inspirada nas principais obras já existentes de grandes visionários.
Noah Hawley é um gênio moderno da sétima arte atual, sem medo.
Toda a série se encontra na Netflix e no Star Plus.
(Assistido a primeira vez em 2020)
(Reassistido 23-05-2022)