De um milhão de maneiras de fazer rir numa sátira do velho oeste, este filme escolheu pouquíssimas... poucas foram as piadas boas. Escatologia, sátiras sem graça e uma historinha de amor xumbrega enfraqueceram demais este filme. Decepção.
Numa época romântica, num paradisíaco do sul da França, com figurinos elegantes do início do século e sob um belo luar, tudo praticamente ajuda a construir um clima romântico, exceto o nosso protagonista, que o que menos tem em seus trejeitos é romance... cético, ácido, arrogante e pessimista, ele tenta desmascarar a médium mas acaba tendo dificuldades.
O que reina inquestionável é que a maior "Magia ao Luar", que é inexplicável e imponderável, seria mesmo o amor. E após um final singelo e bacana como o do filme, não tem como não sair do cinema com um sorriso no rosto.
Brilhante! Uma fábula de jornada desse concierge em meio a uma história cheia de surrealidades e humor. Além de ser excepcionalmente bem filmado. Nao sou grande a de Wes Anderson, mas tenho que admitir o quanto este filme é bom e talvez seja o mais digerível de sua obra...
Tem que entrar na história pra poder curtir, pois o lance do uso do cérebro vai nos levando em uma viagem... ainda assim, é um filme bacana de ação, muito bem filmado, com momentos de calmaria e muita pretensão, apesar do desfecho, que certamente muitos não vão conseguir engolir.
Passou nos festivais no ano passado sob o título "A Imigrante", mais coerente com o original em inglês ("The Immigrant"). Logo de cara, o maior problema é que esse título novo escolhido pela distribuidora acaba sugerindo um tom grandioso, ou épico, ou fabuloso, tons que simplesmente não tem nada a ver com o que a obra nos traz.
De uma certa forma o Emil de Jeremy Renner representa o lado do sonho, da ilusão e da salvação da terra das oportunidades. Por outro o Bruno de Joaquin Phoenix traz a malandragem, a imoralidade e a crueldade da cidade grande. O interessante é ver como esses lados são trabalhados, pois simbolizam exatamente o contexto de sucesso ou tragédia que todo mundo que chegava à América acabava tendo que lidar. E vemos isso pelo lado da angustiada, frágil e confusa Ewa, que sofre em sua jornada de erros e acertos.
Com uma boa caracterização de época e fotografia, o filme é uma viagem pelos anos 20 em uma cidade fascinante e em pleno crescimento. As atuações do trio principal enriquecem muito o filme, que tem um ritmo lento porém adequado à trama, que se peca em algo é por não conseguir nos envolver tão intensamente como poderia. Entrentanto, antes ser frio do ser um dramalhão barato...
"Era uma Vez em Nova York" mostra a realidade angustiante e sofrida de uma frágil imigrante num mundo tão diferente, trágico e por vezes cruel. Quem não se sente assim num lugar novo? Repleto de cenas bem fotografadas, seja por causar mistério ou aguçar nosso interesse, o filme é um excelente exemplar de uma época difícil para tantos sem perspectiva. Recomendo pelo valor da obra, pois são poucos os filmes dessa qualidade.
A personagem da Tris simboliza mais uma vez o momento meio girl power das historias dos jovens de hoje: ela protagoniza a história, tenta resolver muitos de seus problemas por conta própria, compete com homens em diversos momentos e mostra brio, força e coragem em ocasiões decisivas, ainda que pela sua inexperiência, tenha que recorrer a apoios providenciais em sua aventura.
O filme não "diverge" de suas inspirações claras em "Crepúsculo" ou "Jogos Vorazes" e pega carona em elementos de ambos, perdendo em originalidade. A divergência, que seria o grande gancho do filme, talvez seja algo ligado a uma rebeldia juvenil, ou a uma promessa de futuro diferente, livre e sem autoritarismo, pois o governo poda todos a uma vidinha regrada pelos preceitos de suas facções, sejam elas altruísmo, paz, coragem, justiça e conhecimento.
Só que o filme peca por suas cenas de ação forçadas, pois é meio difícil de embarcar nas decisões que os personagens tomam e nas escolhas do roteiro. Espero que essas situações tenham sido adaptadas de forma diferente do livro original (que não li), pois são muito tolas. O espectador fica também sem saber como é o governo, a questão da muralha, o mundo exterior, a comunicação... Pode ser que o livre detalhe melhor, mas no filme, não. Aliás, fora os grupos que a Tris interage, todo o resto é pouco explorado. Tudo ocorre dentro da muralha e com uma população pequena e contida.
Sem delongas, "Divergente" tem elementos bacanas para adolescentes, traz à discussão as pressões familiares, o peso das escolhas, o conflito entre o mais conveniente e o que nosso instinto pede, além do destino rumo a um futuro que nem sempre se consegue planejar... tem elementos muito atuais, como a necessidade de aceitação, de fazer o nome aparecer e a competitividade estimulada desde jovem. Infelizmente, acaba se constituindo em uma produção mais do mesmo (ligeiramente melhor que a maioria) voltada a um público específico. Contudo, padece do mal que assola estes filmes baseados em séries de livros: ele não tem um desfecho eficiente. O mal continua, as promessas ficam pendentes e tudo tem que ser resolvido no(s) próximo(s) filme(s). O contexto e o universo criado permitem filmes que sejam bem melhores. O público merece!
É o tipo de filme que você pensa que vai prestar... mas não tem como. Horrível. A premissa boa lançada (e desperdiçada) no primeiro filme aqui continua um fracasso, com atores e cenas de ação ainda piores. A crítica social existe, mas é mau conectada com a ação que eles buscam imprimir no filme. "The Purge: Anarchy" é ruim como filme slasher, de sustos ou de perseguições. Podia ser muito melhor, talvez com outro diretor. Não recomendo.
"Mercenários 3" é o maior exemplo de filme "for fun" que existe: seus realizadores devem rir e se divertir até mais do que seus espectadores! Comandados por Sylvester Stallone, os tais mercenários ganharam mais uma continuação com novos reforços, destacando: Harrison Ford, Mel Gibson, Wesley Snipes e Antonio Banderas. Aliás, os 4 tem seus bons momentos.
No nível de muitas porcarias que saem por aí hoje em dia, eu confidencio que curto ver esses caras ainda fazendo piada e palhaçada. Nada de muitos gadgets, a coisa é mais crua e bruta mesmo. O mais legal não são apenas as cenas de ação, às vezes meio forçadas e pouco originais. É notar também as piadas e diálogos, pois todos tem um detalhe que faz graça com os próprios atores ou seus papéis mais famosos. Preste atenção.
Descompromissado, o filme atende exatamente o que o seu público quer: tiros, explosões, socos, chutes, facadas e risadas! E em sua simplicidade de história, é melhor e mais eficiente que o anterior. Quem eles vão "desenterrar" pro próximo?
Rara novidade no contexto recente da Marvel, essa grande aposta funciona que é uma beleza. O tom é de humor o tempo todo, mantendo o padrão de qualidade dos filmes mais recentes, com novos heróis e uma história leve, ainda que ligada ao universo existente.
O grupo mostra muita química e a produção é impecável na maquiagem e nos efeitos. Além disso, praticamente não há furos. Todas as idéias e motivações são totalmente coerentes e em prol da história. Isso só mostra como o roteiro é bem encaixadinho, redondo mesmo! Prova de que não tem que ser brilhante: basta ser bem construído pra ser bom.
Há defeitos? Claro! A história é bem simples e muitas cenas são apenas pra encaixar algumas piadinhas... E apesar do apelo a um estilo mais familiar do grupo, com o jeito mercenário notório da maioria dos personagens, fica meio estranho essa camaradagem se a gente parar pra pensar. A própria classificação do filme (pg-13) - pra ter mais público, breca um pouco da violência que seria necessária pro impacto das lutas e batalhas de muitos momentos da história.
Os maiores destaques de "Guardiões", sua ousadia e seu ineditismo, fazem o filme valer a pena por ser simplesmente muito divertido. E isso já é mais do que suficiente. Como vai ter uma continuação, o efeito novidade, raridade nesse mundo de franquias e sequências, durará pouco.
Sem contar muitos detalhes para não perder a graça, admito que o clima de mistério é intenso e nos segura até o final, gerando um certo suspense e um grande envolvimento, mesmo notando a antipatia e arrogância que o protagonista traz.
O desfecho, que pode não ser surpreendente para alguns, mas é super coerente com todo o tom do filme, seu mistério reinante, sua arte exibida, suas pistas mostradas. Admito no final ter sentido uma reação parecida com a do personagem, pois ele nos envolve. Ponto pro filme!
Há um bom contraponto entre o isolamento (quase reclusão) de certos personagens, seja num mundo fechado sem relações pessoais, seja num mundo isolado por um quarto fechado por sentir agorafobia (medo de estar em espaços abertos), que realmente soam verossímeis com esses personagens...
Outro contraponto interessante é a questão de obra-prima x falsificação que a história traz. Como fazer tal distinção no mundo real, ainda mais alguém que vive isolado e pouco se relaciona com os outros? Existiria uma falsificação do amor e de sentimentos?
Neste sentido, o próprio título do filme é brilhante, afinal, a melhor oferta seria a troca de paixão por arte por uma paixão por alguém? O filme tem muitas camadas, e desperta discussões pra quem se interessa por esse jogo psicológico que ele nos traz, sem ter respostas muito diretas, apesar de apontar o caminho.
Por vezes admito que pensei que a melhor oferta foi descongelar um coração frio e mostrar que ele era capaz de sentir alguma coisa, mesmo que isso significasse uma grande perda por um lado... E nesse mundo da arte, um universo tão peculiar e sofisticado, não seria a melhor oferta o amor? Grande filme!
Ele recicla um pouco da já batida idéia do "found footage", misturando com a história dos exploradores e acho que traz uma explicação muito clara pro que aconteceu, na versão fictícia do filme.
No frigir dos ovos, lembra um pouco o fraquíssimo "Chernobyl", mas com muito mais qualidade e inteligência, e mais bem filmado. A grande diferença que acaba sendo o grande trunfo é que além da qualidade técnica, por trás da trama da expedição está uma explicação bem mirabolante para os fatos, que pode irritar ou chocar alguns espectadores, mas que foi bem coerente com o que o filme apresenta até ali (parando pra pensar há umas inconsistências, mas faz parte).
Acreditando ou não, quem entendê-la como verossímil, vai curtir. Quem não embarcar nessa idéia e for muito cético, vai odiar. Porém, eu prefiro aqueles que ousam e tentam algo fora do convencional do que apostar nas mesmas baboseiras de sempre. Isso é cinema, né? Achei muito bacana.
A história do filme é muito interessante, e é baseada em um livro, e também em fatos reais, o que impressiona.
Talvez o maior defeito do longa seja a forma como essa trama tão bacana é montada no roteiro, pois infelizmente, apesar do grande elenco o filme é extremamente enfadonho em grande parte.
Confesso que não notei facilmente o quanto tempo essa missão durou nem os locais que foram visitados. Além disso, a parte não militar da exploração e da busca das obras de arte acabou não sendo muito explorada, já que muito se objetivava em tirar estas obras dos russos, que vinham do leste e havia outros interesses em torno das obras.
A maior reflexão lançada pelo filme, e esse sim foi um grande acerto, acaba sendo justamente: valeria a pena sacrificar vidas por arte? Apesar de alguns discursos motivadores, e algumas idéias bem citadas, essa resposta fica mesmo pra cada um de nós. Quantos, independente do contexto de guerra e da Era em que viveram, não foram os que morreram em busca, por, com ou pela Arte, seja para criá-la, expressá-la, apreciá-la ou possui-la?
A história é bem bacana mas infelizmente o filme não. Apesar de boas atuações, o início é muito embaralhado, confuso mesmo, e o desenvolvimento da trama não é bom, deixando escapar oportunidades de fazer um filme melhor. Ficou um resultado meio genérico com um suspense e um clímax fracos, já que o assassino já revelado desde o início. Ainda assim, pra quem gosta do gênero policial, vale a pena dar uma conferida.
Um grande filme, independente da fidelidade à obra original do Saramago. O tom é de mistério e até suspense, num ritmo tenso e lento que nos intriga. Traz uma reflexão sobre identidade, fidelidade, curiosidade e felicidade no meio de metáforas e simbologias, que podem até não serem muito bem compreendidas, mas o filme traz pistas para que todo mundo possa ter sua própria compreensão. Muito diferente do comum, e muito bem dirigidio.
A produção do filme é de qualidade, tem uma fotografia de destaque, bons atores e uma estrutura narrativa inspirada em "Dama de Ferro", com Meryl Streep. Acaba sendo um bom exemplo do que o cinema brasileiro pode fazer, sem apelação excessivamente novelesca, violência em excesso ou temas bobos.
É uma oportunidade bacana para que novas gerações possam conhecer obras importantes como essa. Uma aula de história disfarçada. Infelizmente, condensar uma obra desse porte em 2h traz malefícios ao filme. E o arco no povoado com o Cpt Rodrigo acabou ficando mal desenvolvido. Sinceramente torço para que outros momentos da nossa história voltem a ser retratadas no cinema. Nesse contexto de comédias Globo Filmes lançadas umas após as outras (e que revelam número de bilheteria altos que pressupõe a sua continuidade...), de vez em quando é bom ter histórias com uma maior riqueza e conteúdo.
Nessa última empreitada cinematográfica de Woody Allen há uma peculiaridade: ele apenas atua como coadjuvante e alívio cômico na história dirigida e protagonizada pelo ator John Turturro, o tal gigolô do título original em inglês. Allen se destaca totalmente nessa trama (mesmo fazendo aquele papel que muitos definem como interpretar a si mesmo: e ainda assim é muito engraçado) como o cafetão neurótico do tal Fioravante, que atende beldades como Sharon Stone, Vanessa Paradis e Sofia Vergara.
Na verdade, a atuação do Turturro é muito fraca, simples, séria, sem palavras e sem emoções... Às vezes é meio nula e mal desenvolvida e é o ponto fraco do filme, que em si é leve, com pitadas de humor espalhadas sutilmente. Há nas piadas, sim, uma crítica forte a temas como racismo e principalmente religião. Mas ainda poderia ter sido melhor explorada.
O principal que Turturro quis mostrar (sua esposa é judia e o Woody Allen também) é que o fanatismo e o jeito conservador sempre pesam muito nas decisões das pessoas, sejam elas boas ou ruins, independente de se concordar com os costumes e tradições. Na verdade, a religião controladora é que indiretamente tira o gigolô de seu caminho hedonista, ao ponto em que essa mesma religião poda a alegria e a sensação de libertação da viúva durante o luto já de 2 anos (retratada por atos como por exemplo um sorriso ou o simples soltar dos cabelos). E não é que às vezes negamos nossos prazeres ou necessidades importantes simplesmente por convenções comportamentais, sociais, religiosas etc? Talvez não precisasse ser tão radical assim.
Fato é que há leves semelhanças com a obra de Allen, principalmente na escolha da trilha sonora, na boa participação dos outros atores (fora o protagonista), na caracterização dos locais, na sutileza da história e na escolha do tema. Só que as diferenças, ah, são muitas. Da inteligência do roteiro ao próprio tom de comédia. Isso, não tem como copiar, tem que criar!
Para quem gosta do timing cômico do Woody Allen, não tenho dúvidas de que vai curtir esse filme. Aqui ele é, aliás, o principal atrativo, apesar de haver outros bons momentos. Os que não tem esse apreço por ele, talvez considerem o longa dispensável.
Um senhor filme de mutantes! Ação, atores, efeitos. Tudo muito legal. Na verdade, o filme é o passa a borracha reboot de leve: zera algumas inconsistências. Porém, deixa outras. O próximo vai mostrar o que essa geração primeira classe pode trazer.
Não é é a bomba que falam, nem é tão bom assim. Criticaram muito o sotaque do Travolta ( aqueles que sabem diferenciar sérvio de bósnio etc.), mas para nós que não conhecemos direito, tá valendo. As locações e a fotografia são interessantes, e o filme funciona como uma catarse de guerra, com destaque maior mais pelo apelo e qualidade do de Niro e do Travolta. Esquecível. Mas não tão ruim assim.
O filme se encarrega de contar o ponto de vista da Malevola e não faz a menor cerimônia de se escorar na sua grande estrela e lhe dar todo o tempo de tela para que ela carregue o filme. A princesa Aurora, o príncipe e cia são apenas coadjuvantes. Mas o bom é que Angelina está muito bem no que o papel exige (fantástica maquiagem!), e antes que alguém venha com implicância com a atuação dela, é só notar o trabalho de voz que ela traz à personagem: é muito parecido e super coerente como original do desenho (desculpe, fãs de dublagem, mas é da voz do original em inglês).
Outro ponto bacana é ressaltar o quanto a direção de arte deste filme é bonita, sendo um deleite pros olhos e pra dar inveja a qualquer animação ou live action. Esse é o lado bom de um filme caro. Apesar do 3D não ser interessante, as cores são vivas e fortes, o reino é bonito e a floresta muito bem caracterizada. Além disso, as cenas que fazem relação com a animação original são perfeitas. A cena da maldição ao bebê, então, ficou impecável! A música clássica "Once Upon a Time" tem uma nova versão, mais sombria mas igualmente bela e marcante. Infelizmente, só notei que ela apareceu nos créditos finais...
O filme mantém um certo tom infantil, então os pequenos também vão curtir. Contudo, há algumas mudanças em relação ao clássico... mas não pretendo estragar as surpresas e novidades. Fato é que a Disney mais uma vez reafirma a tendência de trazer personagens que evoquem o tal girl power (como em "Frozen"), ainda que ligeiramente. Nada de princesas extremamente indefesas e passivas. As mulheres demonstram atitude e independência frente às situações. O tema do tão falado amor verdadeiro aqui é novamente abordado de um jeito igualmente moderno. E como em muitos outros filmes mais novos, vemos o maniqueísmo em torno da Malévola e outros ser simplesmente desconstruído, o que é legal.
Tem falhas? Sim. O ritmo do filme peca um pouco. O clímax é falho em termos de tempo narrativo, apesar das cenas serem caprichadíssimas. E admito que algumas das criaturas criadas por computação não são tão atraentes, ao passo que os cenários são estupendos. Ah, o nome Malévola, para uma fada, como se vê na introdução do filme, é algo tosco e meio estranho de engolir. A própria forma física dela como fada não é claramente explicada, pois ela é muito destoante das demais.
"Malévola" diverte e deslumbra com grande atuação de sua estrela e uma abordagem surpreendente para a, até então, grande vilã dos contos de fada. Certamente, ver este filme tende a mudar a percepção que temos do original. Ele desperdiça um pouco o potencial de ter sido uma obra primorosa, mas ainda assim é um bom filme. Só posso esperar que as novas adaptações desse tipo (e vão vir mais) mantenham o nível de comprometimento com beleza, arte e desempenho, ou sejam ainda melhores, trazendo pra telona estas boas histórias de forma honesta, pra divertir e encantar novamente jovens e adultos.
Um bom drama, tocante e sensível, apesar do tema da história parecer um pouco bruto. Os traumas de cada personagem são bem explicados, e essas camadas vão sendo descascadas cena a cena. Vale o confere!
Gostei do filme mas ainda falta muita coisa pra ser espetacular como o título diz. Visualmente é lindo: o 3D e a NY nas cenas do aranha já vale o ingresso. O maior problema é aquela trama do pai do Parker junto com o excesso de vilões e de informação como um todo, que impedem que o filme foque melhor justamente no que mais importa. O casal principal está ótimo. É um bom filme, divertido e que melhorou muito em relacão ao anterior.
Com dois atores desse porte atuando bem, o filme já ganha muitos pontos. A caracterização de época é muito boa, apesar de haver alguns errinhos de continuidade. O título nacional não revela os protagonistas: o foco da história não é o Disney, é a Sra Travers, assim como também não é a Mary Poppins, mas sim o Sr Banks, o pai das crianças que a contrata.
A "batalha" entre Disney e Travers é bem montada, num geral de forma maniqueísta, com a mal humorada Travers do lado antagônico ao andamento da produção e o adorável Disney do outro lado, tendo que ceder a seus caprichos. Só que há diálogos inteligentes e este embate não se resume a apenas isso. No fundo, ambos tem suas personalidades "desconstruídas", tendo sido crianças com problemas, só que cada um cresceu ou respondeu a isto de forma diferente, um otimista e a outra pessimista, por exemplo. Travers aparece mais (e é de fato a protagonista) e revela suas frustrações não apenas com as modificações sugeridas em sua obra, mas com sua vida e com o seu passado, já que inconscientemente não quer o mesmo destino de sua vida no filme. Este desfecho é muito rico, só vendo pra entender (sem que eu adiante e estrague).
Em suma, é um filme muito bom, principalmente para quem viu "Mary Poppins" (há muitos detalhes que fazem a experiência ser melhor pra quem viu), apesar de tentar nos emocionar de qualquer jeito no seu final. Isto, ele de fato consegue, pois nos cativa ao trazer um situação muito interessante dos bastidores de um filme tão marcante para diversas gerações nesses já 50 anos de história! Diversos elementos contextualizam o quanto aquela versão de babá era uma fantasia e um resumo de experiências diversas idealizadas da vida da autora. Aliás, as reações da autora em ver modificações em suas personagens só mostraram o quanto estas eram de fato a sua própria vida!
Thor, Hulk, Homem de Ferro. Sinto muito. Mas o herói que está mandando melhor é o Capitão América. E sem nada de super aqui, apenas um soldado com a maior capacidade física de toda a humanidade e uma perícia estupenda com seu escudo. Digo isso por que "Capitão América 2 - Soldado Invernal" é um excelente filme de herói. Ou melhor, de ação, de espionagem e de aventura. Depende de como você o olhar, por que ele funciona perfeitamente em todos os aspectos.
O que eles conseguiram foi dar uma nova vertente ao Capitão, mais moderna, e tirar dele a identificação meramente patriótica e americana que ele historicamente sempre teve. Ele continua como o sentinela da liberdade, mas não se curva aos comandantes e aprende que os inimigos de hoje não usam suásticas, mas podem estar infiltrados ou disfarçados no nosso meio.
O filme é maduro e trata de temas como liberdade e os limites do uso da força e do controle sobre a população. O estilo é meio que inspirado no Bond ou no Bourne. Esse tom adulto é bem mesclado com cenas espetaculares de ação, criativas, fluidas e dinâmicas. Tiroteios, luta corporal, perseguição. Piadas. Tem de tudo um pouco. E outra grande qualidade desse filme, além da história, é justamente o quanto ele é bem filmado. Dá gosto ver um produto tão bem acabado assim! Cinemão de primeira!
São muitas qualidades mesmo. Sem dúvida, é o melhor filme Marvel. Eu já tinha gostado do primeiro, e essa continuação melhora tudo no original, amarra algumas questões não resolvidas dele, tem personagens bons e bem desenvolvidos, soma muito ao universo existente e sobe o sarrafo da Marvel a um nível bem difícil de superar. Tremenda bola dentro!
Vizinhos
3.1 888 Assista AgoraHumor grosseiro mas o filme tem qualidades. Não é o tipo de comédia que eu mais gosto.
Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola
3.1 550 Assista AgoraDe um milhão de maneiras de fazer rir numa sátira do velho oeste, este filme escolheu pouquíssimas... poucas foram as piadas boas. Escatologia, sátiras sem graça e uma historinha de amor xumbrega enfraqueceram demais este filme. Decepção.
Magia ao Luar
3.4 574 Assista AgoraNuma época romântica, num paradisíaco do sul da França, com figurinos elegantes do início do século e sob um belo luar, tudo praticamente ajuda a construir um clima romântico, exceto o nosso protagonista, que o que menos tem em seus trejeitos é romance... cético, ácido, arrogante e pessimista, ele tenta desmascarar a médium mas acaba tendo dificuldades.
O que reina inquestionável é que a maior "Magia ao Luar", que é inexplicável e imponderável, seria mesmo o amor. E após um final singelo e bacana como o do filme, não tem como não sair do cinema com um sorriso no rosto.
O Grande Hotel Budapeste
4.2 3,0KBrilhante! Uma fábula de jornada desse concierge em meio a uma história cheia de surrealidades e humor. Além de ser excepcionalmente bem filmado. Nao sou grande a de Wes Anderson, mas tenho que admitir o quanto este filme é bom e talvez seja o mais digerível de sua obra...
Lucy
3.3 3,4K Assista AgoraTem que entrar na história pra poder curtir, pois o lance do uso do cérebro vai nos levando em uma viagem... ainda assim, é um filme bacana de ação, muito bem filmado, com momentos de calmaria e muita pretensão, apesar do desfecho, que certamente muitos não vão conseguir engolir.
Era Uma Vez em Nova York
3.5 296 Assista AgoraPassou nos festivais no ano passado sob o título "A Imigrante", mais coerente com o original em inglês ("The Immigrant"). Logo de cara, o maior problema é que esse título novo escolhido pela distribuidora acaba sugerindo um tom grandioso, ou épico, ou fabuloso, tons que simplesmente não tem nada a ver com o que a obra nos traz.
De uma certa forma o Emil de Jeremy Renner representa o lado do sonho, da ilusão e da salvação da terra das oportunidades. Por outro o Bruno de Joaquin Phoenix traz a malandragem, a imoralidade e a crueldade da cidade grande. O interessante é ver como esses lados são trabalhados, pois simbolizam exatamente o contexto de sucesso ou tragédia que todo mundo que chegava à América acabava tendo que lidar. E vemos isso pelo lado da angustiada, frágil e confusa Ewa, que sofre em sua jornada de erros e acertos.
Com uma boa caracterização de época e fotografia, o filme é uma viagem pelos anos 20 em uma cidade fascinante e em pleno crescimento. As atuações do trio principal enriquecem muito o filme, que tem um ritmo lento porém adequado à trama, que se peca em algo é por não conseguir nos envolver tão intensamente como poderia. Entrentanto, antes ser frio do ser um dramalhão barato...
"Era uma Vez em Nova York" mostra a realidade angustiante e sofrida de uma frágil imigrante num mundo tão diferente, trágico e por vezes cruel. Quem não se sente assim num lugar novo? Repleto de cenas bem fotografadas, seja por causar mistério ou aguçar nosso interesse, o filme é um excelente exemplar de uma época difícil para tantos sem perspectiva. Recomendo pelo valor da obra, pois são poucos os filmes dessa qualidade.
Divergente
3.5 2,1K Assista AgoraA personagem da Tris simboliza mais uma vez o momento meio girl power das historias dos jovens de hoje: ela protagoniza a história, tenta resolver muitos de seus problemas por conta própria, compete com homens em diversos momentos e mostra brio, força e coragem em ocasiões decisivas, ainda que pela sua inexperiência, tenha que recorrer a apoios providenciais em sua aventura.
O filme não "diverge" de suas inspirações claras em "Crepúsculo" ou "Jogos Vorazes" e pega carona em elementos de ambos, perdendo em originalidade. A divergência, que seria o grande gancho do filme, talvez seja algo ligado a uma rebeldia juvenil, ou a uma promessa de futuro diferente, livre e sem autoritarismo, pois o governo poda todos a uma vidinha regrada pelos preceitos de suas facções, sejam elas altruísmo, paz, coragem, justiça e conhecimento.
Só que o filme peca por suas cenas de ação forçadas, pois é meio difícil de embarcar nas decisões que os personagens tomam e nas escolhas do roteiro. Espero que essas situações tenham sido adaptadas de forma diferente do livro original (que não li), pois são muito tolas. O espectador fica também sem saber como é o governo, a questão da muralha, o mundo exterior, a comunicação... Pode ser que o livre detalhe melhor, mas no filme, não. Aliás, fora os grupos que a Tris interage, todo o resto é pouco explorado. Tudo ocorre dentro da muralha e com uma população pequena e contida.
Sem delongas, "Divergente" tem elementos bacanas para adolescentes, traz à discussão as pressões familiares, o peso das escolhas, o conflito entre o mais conveniente e o que nosso instinto pede, além do destino rumo a um futuro que nem sempre se consegue planejar... tem elementos muito atuais, como a necessidade de aceitação, de fazer o nome aparecer e a competitividade estimulada desde jovem. Infelizmente, acaba se constituindo em uma produção mais do mesmo (ligeiramente melhor que a maioria) voltada a um público específico. Contudo, padece do mal que assola estes filmes baseados em séries de livros: ele não tem um desfecho eficiente. O mal continua, as promessas ficam pendentes e tudo tem que ser resolvido no(s) próximo(s) filme(s). O contexto e o universo criado permitem filmes que sejam bem melhores. O público merece!
Uma Noite de Crime: Anarquia
3.5 1,2K Assista AgoraÉ o tipo de filme que você pensa que vai prestar... mas não tem como. Horrível. A premissa boa lançada (e desperdiçada) no primeiro filme aqui continua um fracasso, com atores e cenas de ação ainda piores. A crítica social existe, mas é mau conectada com a ação que eles buscam imprimir no filme.
"The Purge: Anarchy" é ruim como filme slasher, de sustos ou de perseguições. Podia ser muito melhor, talvez com outro diretor. Não recomendo.
Os Mercenários 3
3.2 914 Assista Agora"Mercenários 3" é o maior exemplo de filme "for fun" que existe: seus realizadores devem rir e se divertir até mais do que seus espectadores! Comandados por Sylvester Stallone, os tais mercenários ganharam mais uma continuação com novos reforços, destacando: Harrison Ford, Mel Gibson, Wesley Snipes e Antonio Banderas. Aliás, os 4 tem seus bons momentos.
No nível de muitas porcarias que saem por aí hoje em dia, eu confidencio que curto ver esses caras ainda fazendo piada e palhaçada. Nada de muitos gadgets, a coisa é mais crua e bruta mesmo. O mais legal não são apenas as cenas de ação, às vezes meio forçadas e pouco originais. É notar também as piadas e diálogos, pois todos tem um detalhe que faz graça com os próprios atores ou seus papéis mais famosos. Preste atenção.
Descompromissado, o filme atende exatamente o que o seu público quer: tiros, explosões, socos, chutes, facadas e risadas! E em sua simplicidade de história, é melhor e mais eficiente que o anterior. Quem eles vão "desenterrar" pro próximo?
Guardiões da Galáxia
4.1 3,8KRara novidade no contexto recente da Marvel, essa grande aposta funciona que é uma beleza. O tom é de humor o tempo todo, mantendo o padrão de qualidade dos filmes mais recentes, com novos heróis e uma história leve, ainda que ligada ao universo existente.
O grupo mostra muita química e a produção é impecável na maquiagem e nos efeitos.
Além disso, praticamente não há furos. Todas as idéias e motivações são totalmente coerentes e em prol da história. Isso só mostra como o roteiro é bem encaixadinho, redondo mesmo! Prova de que não tem que ser brilhante: basta ser bem construído pra ser bom.
Há defeitos? Claro! A história é bem simples e muitas cenas são apenas pra encaixar algumas piadinhas... E apesar do apelo a um estilo mais familiar do grupo, com o jeito mercenário notório da maioria dos personagens, fica meio estranho essa camaradagem se a gente parar pra pensar. A própria classificação do filme (pg-13) - pra ter mais público, breca um pouco da violência que seria necessária pro impacto das lutas e batalhas de muitos momentos da história.
Os maiores destaques de "Guardiões", sua ousadia e seu ineditismo, fazem o filme valer a pena por ser simplesmente muito divertido. E isso já é mais do que suficiente. Como vai ter uma continuação, o efeito novidade, raridade nesse mundo de franquias e sequências, durará pouco.
O Melhor Lance
4.1 372Sem contar muitos detalhes para não perder a graça, admito que o clima de mistério é intenso e nos segura até o final, gerando um certo suspense e um grande envolvimento, mesmo notando a antipatia e arrogância que o protagonista traz.
O desfecho, que pode não ser surpreendente para alguns, mas é super coerente com todo o tom do filme, seu mistério reinante, sua arte exibida, suas pistas mostradas. Admito no final ter sentido uma reação parecida com a do personagem, pois ele nos envolve. Ponto pro filme!
Há um bom contraponto entre o isolamento (quase reclusão) de certos personagens, seja num mundo fechado sem relações pessoais, seja num mundo isolado por um quarto fechado por sentir agorafobia (medo de estar em espaços abertos), que realmente soam verossímeis com esses personagens...
Outro contraponto interessante é a questão de obra-prima x falsificação que a história traz. Como fazer tal distinção no mundo real, ainda mais alguém que vive isolado e pouco se relaciona com os outros? Existiria uma falsificação do amor e de sentimentos?
Neste sentido, o próprio título do filme é brilhante, afinal, a melhor oferta seria a troca de paixão por arte por uma paixão por alguém? O filme tem muitas camadas, e desperta discussões pra quem se interessa por esse jogo psicológico que ele nos traz, sem ter respostas muito diretas, apesar de apontar o caminho.
Por vezes admito que pensei que a melhor oferta foi descongelar um coração frio e mostrar que ele era capaz de sentir alguma coisa, mesmo que isso significasse uma grande perda por um lado... E nesse mundo da arte, um universo tão peculiar e sofisticado, não seria a melhor oferta o amor? Grande filme!
O Mistério da Passagem da Morte
2.7 296Ele recicla um pouco da já batida idéia do "found footage", misturando com a história dos exploradores e acho que traz uma explicação muito clara pro que aconteceu, na versão fictícia do filme.
No frigir dos ovos, lembra um pouco o fraquíssimo "Chernobyl", mas com muito mais qualidade e inteligência, e mais bem filmado. A grande diferença que acaba sendo o grande trunfo é que além da qualidade técnica, por trás da trama da expedição está uma explicação bem mirabolante para os fatos, que pode irritar ou chocar alguns espectadores, mas que foi bem coerente com o que o filme apresenta até ali (parando pra pensar há umas inconsistências, mas faz parte).
Acreditando ou não, quem entendê-la como verossímil, vai curtir. Quem não embarcar nessa idéia e for muito cético, vai odiar. Porém, eu prefiro aqueles que ousam e tentam algo fora do convencional do que apostar nas mesmas baboseiras de sempre. Isso é cinema, né? Achei muito bacana.
Caçadores de Obras-Primas
3.1 482 Assista AgoraA história do filme é muito interessante, e é baseada em um livro, e também em fatos reais, o que impressiona.
Talvez o maior defeito do longa seja a forma como essa trama tão bacana é montada no roteiro, pois infelizmente, apesar do grande elenco o filme é extremamente enfadonho em grande parte.
Confesso que não notei facilmente o quanto tempo essa missão durou nem os locais que foram visitados. Além disso, a parte não militar da exploração e da busca das obras de arte acabou não sendo muito explorada, já que muito se objetivava em tirar estas obras dos russos, que vinham do leste e havia outros interesses em torno das obras.
A maior reflexão lançada pelo filme, e esse sim foi um grande acerto, acaba sendo justamente: valeria a pena sacrificar vidas por arte? Apesar de alguns discursos motivadores, e algumas idéias bem citadas, essa resposta fica mesmo pra cada um de nós. Quantos, independente do contexto de guerra e da Era em que viveram, não foram os que morreram em busca, por, com ou pela Arte, seja para criá-la, expressá-la, apreciá-la ou possui-la?
Sangue no Gelo
3.3 365 Assista AgoraA história é bem bacana mas infelizmente o filme não. Apesar de boas atuações, o início é muito embaralhado, confuso mesmo, e o desenvolvimento da trama não é bom, deixando escapar oportunidades de fazer um filme melhor. Ficou um resultado meio genérico com um suspense e um clímax fracos, já que o assassino já revelado desde o início. Ainda assim, pra quem gosta do gênero policial, vale a pena dar uma conferida.
O Homem Duplicado
3.7 1,8K Assista AgoraUm grande filme, independente da fidelidade à obra original do Saramago. O tom é de mistério e até suspense, num ritmo tenso e lento que nos intriga. Traz uma reflexão sobre identidade, fidelidade, curiosidade e felicidade no meio de metáforas e simbologias, que podem até não serem muito bem compreendidas, mas o filme traz pistas para que todo mundo possa ter sua própria compreensão. Muito diferente do comum, e muito bem dirigidio.
O Tempo e o Vento
3.6 456 Assista AgoraA produção do filme é de qualidade, tem uma fotografia de destaque, bons atores e uma estrutura narrativa inspirada em "Dama de Ferro", com Meryl Streep. Acaba sendo um bom exemplo do que o cinema brasileiro pode fazer, sem apelação excessivamente novelesca, violência em excesso ou temas bobos.
É uma oportunidade bacana para que novas gerações possam conhecer obras importantes como essa. Uma aula de história disfarçada. Infelizmente, condensar uma obra desse porte em 2h traz malefícios ao filme. E o arco no povoado com o Cpt Rodrigo acabou ficando mal desenvolvido. Sinceramente torço para que outros momentos da nossa história voltem a ser retratadas no cinema. Nesse contexto de comédias Globo Filmes lançadas umas após as outras (e que revelam número de bilheteria altos que pressupõe a sua continuidade...), de vez em quando é bom ter histórias com uma maior riqueza e conteúdo.
Amante a Domicílio
3.2 233 Assista AgoraNessa última empreitada cinematográfica de Woody Allen há uma peculiaridade: ele apenas atua como coadjuvante e alívio cômico na história dirigida e protagonizada pelo ator John Turturro, o tal gigolô do título original em inglês. Allen se destaca totalmente nessa trama (mesmo fazendo aquele papel que muitos definem como interpretar a si mesmo: e ainda assim é muito engraçado) como o cafetão neurótico do tal Fioravante, que atende beldades como Sharon Stone, Vanessa Paradis e Sofia Vergara.
Na verdade, a atuação do Turturro é muito fraca, simples, séria, sem palavras e sem emoções... Às vezes é meio nula e mal desenvolvida e é o ponto fraco do filme, que em si é leve, com pitadas de humor espalhadas sutilmente. Há nas piadas, sim, uma crítica forte a temas como racismo e principalmente religião. Mas ainda poderia ter sido melhor explorada.
O principal que Turturro quis mostrar (sua esposa é judia e o Woody Allen também) é que o fanatismo e o jeito conservador sempre pesam muito nas decisões das pessoas, sejam elas boas ou ruins, independente de se concordar com os costumes e tradições. Na verdade, a religião controladora é que indiretamente tira o gigolô de seu caminho hedonista, ao ponto em que essa mesma religião poda a alegria e a sensação de libertação da viúva durante o luto já de 2 anos (retratada por atos como por exemplo um sorriso ou o simples soltar dos cabelos). E não é que às vezes negamos nossos prazeres ou necessidades importantes simplesmente por convenções comportamentais, sociais, religiosas etc? Talvez não precisasse ser tão radical assim.
Fato é que há leves semelhanças com a obra de Allen, principalmente na escolha da trilha sonora, na boa participação dos outros atores (fora o protagonista), na caracterização dos locais, na sutileza da história e na escolha do tema. Só que as diferenças, ah, são muitas. Da inteligência do roteiro ao próprio tom de comédia. Isso, não tem como copiar, tem que criar!
Para quem gosta do timing cômico do Woody Allen, não tenho dúvidas de que vai curtir esse filme. Aqui ele é, aliás, o principal atrativo, apesar de haver outros bons momentos. Os que não tem esse apreço por ele, talvez considerem o longa dispensável.
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido
4.0 3,7K Assista AgoraUm senhor filme de mutantes! Ação, atores, efeitos. Tudo muito legal. Na verdade, o filme é o passa a borracha reboot de leve: zera algumas inconsistências. Porém, deixa outras. O próximo vai mostrar o que essa geração primeira classe pode trazer.
Temporada de Caça
3.0 192 Assista AgoraNão é é a bomba que falam, nem é tão bom assim. Criticaram muito o sotaque do Travolta ( aqueles que sabem diferenciar sérvio de bósnio etc.), mas para nós que não conhecemos direito, tá valendo.
As locações e a fotografia são interessantes, e o filme funciona como uma catarse de guerra, com destaque maior mais pelo apelo e qualidade do de Niro e do Travolta.
Esquecível. Mas não tão ruim assim.
Malévola
3.7 3,8K Assista AgoraO filme se encarrega de contar o ponto de vista da Malevola e não faz a menor cerimônia de se escorar na sua grande estrela e lhe dar todo o tempo de tela para que ela carregue o filme. A princesa Aurora, o príncipe e cia são apenas coadjuvantes. Mas o bom é que Angelina está muito bem no que o papel exige (fantástica maquiagem!), e antes que alguém venha com implicância com a atuação dela, é só notar o trabalho de voz que ela traz à personagem: é muito parecido e super coerente como original do desenho (desculpe, fãs de dublagem, mas é da voz do original em inglês).
Outro ponto bacana é ressaltar o quanto a direção de arte deste filme é bonita, sendo um deleite pros olhos e pra dar inveja a qualquer animação ou live action. Esse é o lado bom de um filme caro. Apesar do 3D não ser interessante, as cores são vivas e fortes, o reino é bonito e a floresta muito bem caracterizada. Além disso, as cenas que fazem relação com a animação original são perfeitas. A cena da maldição ao bebê, então, ficou impecável! A música clássica "Once Upon a Time" tem uma nova versão, mais sombria mas igualmente bela e marcante. Infelizmente, só notei que ela apareceu nos créditos finais...
O filme mantém um certo tom infantil, então os pequenos também vão curtir. Contudo, há algumas mudanças em relação ao clássico... mas não pretendo estragar as surpresas e novidades. Fato é que a Disney mais uma vez reafirma a tendência de trazer personagens que evoquem o tal girl power (como em "Frozen"), ainda que ligeiramente. Nada de princesas extremamente indefesas e passivas. As mulheres demonstram atitude e independência frente às situações. O tema do tão falado amor verdadeiro aqui é novamente abordado de um jeito igualmente moderno. E como em muitos outros filmes mais novos, vemos o maniqueísmo em torno da Malévola e outros ser simplesmente desconstruído, o que é legal.
Tem falhas? Sim. O ritmo do filme peca um pouco. O clímax é falho em termos de tempo narrativo, apesar das cenas serem caprichadíssimas. E admito que algumas das criaturas criadas por computação não são tão atraentes, ao passo que os cenários são estupendos. Ah, o nome Malévola, para uma fada, como se vê na introdução do filme, é algo tosco e meio estranho de engolir. A própria forma física dela como fada não é claramente explicada, pois ela é muito destoante das demais.
"Malévola" diverte e deslumbra com grande atuação de sua estrela e uma abordagem surpreendente para a, até então, grande vilã dos contos de fada. Certamente, ver este filme tende a mudar a percepção que temos do original. Ele desperdiça um pouco o potencial de ter sido uma obra primorosa, mas ainda assim é um bom filme. Só posso esperar que as novas adaptações desse tipo (e vão vir mais) mantenham o nível de comprometimento com beleza, arte e desempenho, ou sejam ainda melhores, trazendo pra telona estas boas histórias de forma honesta, pra divertir e encantar novamente jovens e adultos.
Refém da Paixão
3.7 509Um bom drama, tocante e sensível, apesar do tema da história parecer um pouco bruto. Os traumas de cada personagem são bem explicados, e essas camadas vão sendo descascadas cena a cena. Vale o confere!
O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro
3.5 2,6K Assista AgoraGostei do filme mas ainda falta muita coisa pra ser espetacular como o título diz. Visualmente é lindo: o 3D e a NY nas cenas do aranha já vale o ingresso. O maior problema é aquela trama do pai do Parker junto com o excesso de vilões e de informação como um todo, que impedem que o filme foque melhor justamente no que mais importa. O casal principal está ótimo. É um bom filme, divertido e que melhorou muito em relacão ao anterior.
Walt nos Bastidores de Mary Poppins
3.8 576 Assista AgoraCom dois atores desse porte atuando bem, o filme já ganha muitos pontos. A caracterização de época é muito boa, apesar de haver alguns errinhos de continuidade. O título nacional não revela os protagonistas: o foco da história não é o Disney, é a Sra Travers, assim como também não é a Mary Poppins, mas sim o Sr Banks, o pai das crianças que a contrata.
A "batalha" entre Disney e Travers é bem montada, num geral de forma maniqueísta, com a mal humorada Travers do lado antagônico ao andamento da produção e o adorável Disney do outro lado, tendo que ceder a seus caprichos. Só que há diálogos inteligentes e este embate não se resume a apenas isso. No fundo, ambos tem suas personalidades "desconstruídas", tendo sido crianças com problemas, só que cada um cresceu ou respondeu a isto de forma diferente, um otimista e a outra pessimista, por exemplo. Travers aparece mais (e é de fato a protagonista) e revela suas frustrações não apenas com as modificações sugeridas em sua obra, mas com sua vida e com o seu passado, já que inconscientemente não quer o mesmo destino de sua vida no filme. Este desfecho é muito rico, só vendo pra entender (sem que eu adiante e estrague).
Em suma, é um filme muito bom, principalmente para quem viu "Mary Poppins" (há muitos detalhes que fazem a experiência ser melhor pra quem viu), apesar de tentar nos emocionar de qualquer jeito no seu final. Isto, ele de fato consegue, pois nos cativa ao trazer um situação muito interessante dos bastidores de um filme tão marcante para diversas gerações nesses já 50 anos de história! Diversos elementos contextualizam o quanto aquela versão de babá era uma fantasia e um resumo de experiências diversas idealizadas da vida da autora. Aliás, as reações da autora em ver modificações em suas personagens só mostraram o quanto estas eram de fato a sua própria vida!
Capitão América 2: O Soldado Invernal
4.0 2,6K Assista AgoraThor, Hulk, Homem de Ferro. Sinto muito. Mas o herói que está mandando melhor é o Capitão América. E sem nada de super aqui, apenas um soldado com a maior capacidade física de toda a humanidade e uma perícia estupenda com seu escudo. Digo isso por que "Capitão América 2 - Soldado Invernal" é um excelente filme de herói. Ou melhor, de ação, de espionagem e de aventura. Depende de como você o olhar, por que ele funciona perfeitamente em todos os aspectos.
O que eles conseguiram foi dar uma nova vertente ao Capitão, mais moderna, e tirar dele a identificação meramente patriótica e americana que ele historicamente sempre teve. Ele continua como o sentinela da liberdade, mas não se curva aos comandantes e aprende que os inimigos de hoje não usam suásticas, mas podem estar infiltrados ou disfarçados no nosso meio.
O filme é maduro e trata de temas como liberdade e os limites do uso da força e do controle sobre a população. O estilo é meio que inspirado no Bond ou no Bourne. Esse tom adulto é bem mesclado com cenas espetaculares de ação, criativas, fluidas e dinâmicas. Tiroteios, luta corporal, perseguição. Piadas. Tem de tudo um pouco. E outra grande qualidade desse filme, além da história, é justamente o quanto ele é bem filmado. Dá gosto ver um produto tão bem acabado assim! Cinemão de primeira!
São muitas qualidades mesmo. Sem dúvida, é o melhor filme Marvel. Eu já tinha gostado do primeiro, e essa continuação melhora tudo no original, amarra algumas questões não resolvidas dele, tem personagens bons e bem desenvolvidos, soma muito ao universo existente e sobe o sarrafo da Marvel a um nível bem difícil de superar. Tremenda bola dentro!