Apesar do ritmo lento, tem uma crítica bastante pertinente para pensarmos o amor nos tempos atuais. Me lembrou o livro “Mulheres que escolhem demais” da Lori Gottlieb. Quem se interessar pelo tema, vale a leitura!
A primeira parte do filme foi até legal de assistir. Mas da segunda em diante tem muita muita muita gritaria, tanta que até me deu nervoso… Por fim, as cenas que mais chamaram atenção foram justamente as atravessadas pelos silêncios e olhares dos personagens. Captavam bem mais do que as cenas de excessos… Obs: haja paciência para suportar o russo mimado até o final!
Esse diálogo final me fez pensar em muitos contextos de dependência emocional e relacionamento abusivo, principalmente naqueles finais infelizes quando a mulher tem uma breve oportunidade de sair da situação mas acaba retornando e morrendo... seja nos filmes ou na vida real.
Iris: "Posso te matar agora." Josh: "Pode. Eu sei que pode. Mas você não vai me matar. Você me ama muito. Não preciso de um celular para te controlar. Faço parte de você. Acha que não sou nada para você? Sou tudo para você."
Li vários comentários interessantes aqui e esse é um filme muito rico para despertar reflexões. Mas o ponto do roteiro que mais me marcou, foi aquela frase: "uma não existe sem a outra".
Isso me faz pensar nas ambivalências, na dualidade existencial... No quanto somos as partes feias e bonitas, as partes boas e ruins e que existe valor nisso.
Muitas vezes escondemos em um "quartinho" aquilo que não aceitamos ou não gostamos em nós mesmos. Tiramos de vista e "esquecemos". Mas pensar que também somos aquilo que tentamos esconder, me faz pensar na coexistência dessa "melhor" versão com a "pior" versão.
"Tirar do campo de visão" é algo que aparece em vários momentos do filme...
quando demitem Elizabeth da TV e retiram o envelhecimento de cena; quando ela mesma remove o quadro da sala do apartamento; quando os quadros da emissora são retirados; quando removem o outdoor da Elizabeth; quando a "melhor versão" esconde o corpo antigo no quarto escuro; entre tantos outros momentos...
Mas aquilo que está lá, escondido, ora ou outra volta para "assombrar", volta através dos atos falhos e das sabotagens que cometemos... Um paralelo interessante com os movimentos da neurose em Psicanálise.
Enfim, um filme que vale ser assistido! Seja pela boa atuação das atrizes, seja pela estética e fotografia super anos 80, seja pelas tantas críticas sociais feitas, seja pelo gore e pelo "estranho" que grita em vários momentos da edição e da filmagem...
No início do filme Tess conversa com Keith sobre se sentir mal porque fica sempre voltando para homens/relações ruins e fala a seguinte frase - "os homens vão te usar enquanto você deixar".
Essa frase aparece durante o filme inteiro...
Em VÁRIOS momentos Tess tem a chance de pegar a chave do carro e meter o pé. Mas ela sempre volta para ouvir, para convencer ou para tentar salvar um cara. E durante todo o filme ela se ferra porque escolhe ficar ao invés de buscar a melhor saída. Ser capturada e levar um tiro não foi o bastante, ela precisava ainda ser jogada de uma altura absurda.
Quantas chances precisam ser dadas até a pessoa aprender algo com isso?
"Noites Brutais" é só um filme de terror mediano, com personagens medianos. Mas na vida real existem muitas mulheres que escolhem voltar e ficar em cenários lamentáveis por causa de homem. Uma tentativa tola de receber validação através da fantasia de salvá-lo.
Keith e Tess discutiam sobre a lição da vida... Talvez uma boa lição seja:
PARE de tentar salvar alguém enquanto a sua própria vida está na merda!
ATENÇÃO: Se você é mulher e vive uma relação parecida com essa, leia esse comentário até o final.
O filme retrata a história de uma mulher que vive uma relação abusiva e as consequências dessa relação na sua saúde mental.
Simon é passivo-agressivo em vários momentos, faz gaslighting, controla o que Alice pode comer, como ela deve se arrumar, faz críticas disfarçadas em tom de incentivo, força relações sexuais, culpabiliza Alice e se vitimiza manipulando o emocional dela.
Arrancar os cabelos é uma das “respostas” encontradas por Alice para lidar com a ansiedade que sofre devido às pressões impostas por Simon. Esse ato é considerado um distúrbio chamado tricotilomania.
Apesar da maioria das cenas entre Alice e Simon serem mostradas em flashs, não é imaginação ou fantasia. Isso se comprova quando Simon chega na cabana sem avisar.
Simon xinga de forma agressiva diante da uma pequena frustração (quando quebra o vidro de azeitonas), briga quando Alice tenta ajudar, assume que estava vigiando o Instagram das amigas de Alice, fala de forma hostil sobre o corpo da mulher encontrada e arranca o jornal das mãos de Alice, ridiculariza quando ela mostra o batom achado, implica com o cabelo dela, pressiona sobre ela ter sumido quando estão a sós no quarto e intimida Alice, novamente demonstrando ser passivo-agressivo e tentando ter relação sexual a força. Por fim, quando vai embora, xinga os ciclistas e quando as amigas de Alice aparecem para tirá-la do carro, ele assume uma postura agressiva de forma verbal e corporal.
É notável a mudança de comportamento de Alice quando Simon chega na cabana. A agitação física, os puxões no cabelo, a necessidade de parecer perfeita com a maquiagem, o retraimento. E durante o filme, Alice demonstrou diversos sinais de abuso emocional.
Foi angustiante ver a personagem minimizar a relação abusiva durante metade do filme. Mas após o surto e conforme ela começa a falar sobre isso, quando se distancia do celular e reconhece que algo está errado, é perceptível a mudança na postura corporal, como ela volta a fazer as coisas que gostava, a comer, a sorrir, a interagir com as amigas e a ser ela mesma.
A parte da mulher desaparecida e a busca de Alice pode ser visto como uma metáfora para a própria situação de quem vive uma relação abusiva. A pessoa se perde e aos poucos vai morrendo, deixando de ser uma pessoa vivaz e se tornando uma pessoa retraída, apagada, dependente e sem personalidade.
Enquanto Alice buscava pela mulher desaparecida, aos poucos retornava para si mesma. Quando o marido diz que a mulher havia morrido, simbolicamente representa o destino de Alice caso ela voltasse para relação. No final, a própria Alice diz que não sabia se sobreviveria ao relacionamento e falava sobre a vergonha que sentia. A cena da respiração após o mergulho, é outra metáfora representando que a paciente havia se libertado, foi um respiro de quem podia então retomar a própria vida.
Uma pessoa que sustenta uma relação abusiva, tem questões emocionais não tratadas. Por ter um emocional mais fragilizado, acaba se tornando (de forma mais fácil) vítima de um abusador, que aproveita esse contexto para mantê-la submetida a ele.
Se você vive algo parecido, BUSQUE TERAPIA. É possível romper com esse tipo de relação e viver uma vida digna sem tanto sofrimento.
Antes de ir ao cinema, li uma resenha descrevendo o filme como o melhor terror do ano e confesso que fiquei com medo de criar muita expectiva. Fui na cara e na coragem e me surpreendi demais! De fato, um dos melhores filmes de terror lançados nos últimos anos. Como fã do gênero, esse entrou para as minhas recomendações. Valeu o ingresso!
Um filme que mostra o quanto as crianças são reflexos do seu ambiente. Consegue misturar o drama de crescer em meio a uma sociedade alienante com a descoberta do mundo e dos próprios sentimentos a partir do encontro com um outro visto como “o estranho”. A judia promoveu ao Jojo um entendimento de que antes de ser uma “raça”, ela era alguém que sentia e também provocava sentimentos e questionamentos nele. Uma graça de encontro! Tem partes provocativas e partes tão leves que te faz rir despretensiosamente. Impossível terminar o filme e não lembrar do amigo Yorki ou das formas de matar o Natan 😂
Mostra como a criança é negligenciada, como os papéis de mãe e filha se invertem em vários momentos, como a criança busca mecanismos para lidar com a solidão e ausência dos cuidados maternos, como ela reproduz os vícios da mãe até mesmo no brincar e como as relações dela com os outros são afetadas pela relação fragilizada que tem com a mãe. Em muitas cenas é perceptível a tentativa de aproximação da filha com a imagem dessa mãe ausente, como quando bebe, quado usa as roupas dela, como quando se maquia ou escreve cartões para si mesma como se fosse sua mãe.
É a história de uma criança que tenta de todas as formas ser enxergada e receber um mínimo de afeto e cuidado. Uma criança que quer ser criança mas que acaba por repetir os maus hábitos da mãe como uma maneira de se aproximar dela.
Logo no início já tem uma cena bastante desconcertante que choca mesmo. E ao contrário do que dizem sobre o filnal, achei que houve sim uma justificativa para toda a história. Não é o tipo de filme que deixa um final aberto para adivinharmos os motivos de tais bizarrices terem acontecido.
Ponto positivo porque o filme não é marcado pelo jump scare. Cria-se uma atmosfera mais tensa através do desenrolar da história e isso gera um terror mais voltado para o psicológico.
“Incapaz de definir a tua forma, eu vejo você ao meu redor. Tua presença enche meus olhos de amor. Ela acanha meu coração. Porque você está em todo lugar.”
Li várias explicações e comentários. Mas fiquei pensando a respeito de ninguém no contexto atual saber da existência desse ex-marido e se o Edward de fato existiu ou se foi uma criação da Susan, que se dizia incapaz de ser criativa. Outra cena que me chamou atenção foi ela saber da traição do marido e agir passivamente, entre tantas outras cenas em que pareceu que sua vida era negligenciada por ela mesma. No fim, o Tony "passivo" não era tão diferente da Susan "passiva". Não seria Tony/Edward um alterego de Susan?
Apesar do que dizem sobre o diretor não ter seguido a ideia de final original, achei que isso acabou gerando um significado ainda maior.
Acredito que a cena final nos testa, nos colocando na posição da Lina. Qual versão nós compramos? A do Johnnie arrependido ou a do Johnnie manipulador/mentiroso? Assim como Lina não podia prever o futuro do seu marido, nós também não pudemos saber o que aconteceria após aquele desfecho.
Me pareceu que Johnnie quis sim matar Lina, mas acabou não conseguindo e então tentou convencê-la de que ela o afastou enquanto ele tentava ajudá-la a não cair. Logo em seguida assumiu um papel de vítima, dizendo que se entregaria, para que ela ficasse ao seu lado.
Ela escolheu acreditar que o Johnnie vilão era um delírio dela, mas no que o telespectador acredita?
Podemos acreditar, conforme Lina, que no fundo, apesar de picareta, ele tinha um bom coração. Ou podemos acreditar que Lina não estava delirando e que várias coisas serviram de indício para provar que ele poderia sim matá-la num futuro próximo.
Tomei raiva da manipuladora da Rebecca sem nem conhecê-la!
E sobre a Mrs. de Winter, dava a entender que era tão insignificante na história que nem nome a personagem tinha. Acho que a ausência de um nome próprio sustenta a irrelevância dela como pessoa naquele lugar, pois seu único papel era ser apenas a mulher substituta, ingênua, que nunca chegaria aos pés da "verdadeira" senhora Winter.
Enquanto que Rebecca era tão influente na casa que suas iniciais estavam espalhadas por todo o canto, assim como suas decisões, vide a cena do molho oferecido no jantar (!!). Não era apenas a esposa do senhor Winter, era uma figura marcante por si só que se fazia presente mesmo estando morta.
Achei um bom filme! Só teria empurrado Mrs Danvers da janela naquela oportunidade, mas isso desconstruiria o papel da doce e inocente Mrs de Winter rss
Para os psicólogos é um prato cheio! Mas é um filme lento, que exige atenção para perceber as mudanças do personagem e paciência para acompanhar o desenrolar da sua identidade final. A atuação do James está incrível!
Sobre os flashbacks da Casey, achei coerente colocarem no filme sim, pois fazem um paralelo com a infância do Dennis, mostrando como abusos sofridos na infância podem afetar o desenvolvimento físico e psicológico da pessoa. E no decorrer do filme é como se um se identificasse com o outro na posição de vítima,
Em meio a tantas questões e sentimentos despertos, o filme nos leva a olhar os dois lados da moeda. Uma parte que traduz bem isso é quando um paciente é apontado como um possível risco para a sociedade, para os "normais". Mas ao invés de colocar em risco a sociedade, ele tem a chance de se apaixonar, embora com isso sofra os danos desse sentimento incompreendido.
Ambos os lados geram consequências na vida do paciente, tanto a internação e a medicamentação excessiva, quanto a tentativa de encaixe do paciente na sociedade. Mas privá-lo dessa experiência social seria um erro tão grande quanto não oferecer um olhar e um cuidado psiquiátrico. Ambas as propostas devem caminhar juntas a fim de proporcionar uma melhor qualidade de vida para o sujeito. E isso é mostrado no filme!
Vale muito a pena ver e rever sempre que surgir a oportunidade..
No início do filme eu não sabia nem identificar em que ano tudo aquilo se passava. Aquelas cores fortes também me deixaram com a sensação de ser um tempo distante, algo diferente do que a maioria dos filmes trazem.
A história é simples e tem vários enredos parecidos por aí, vide Cafe Society. Mas a simplicidade da história não corta a profundidade de cada personagem nesse filme, principalmente quando estes te envolvem no meio da música. É bonito e gostoso de assistir!
E o final.. Acho que é aquilo o que acontece vez ou outra na vida, quando passa na nossa cabeça cenas de como poderia ter sido se tivéssemos tomado um caminho ao invés de outro e nos questionamos se poderia ter dado certo...
É curioso observar até que ponto um ser humano está disposto a chegar para sobreviver e como através disso ele consegue alcançar o que antes era inalcançável e ultrapassar os próprios limites. As sacadas que o Mark teve foram fundamentais, mas o que mais me cativou no personagem foi o seu senso de humor e a sua fé, que levaram ele a acreditar que era possível se manter vivo naquele contexto tão isolado e inédito. Mas ao mesmo tempo em que tentava se salvar por si mesmo, também tentava se salvar pelo avanço da ciência. O que o manteve vivo não foi só um instinto de sobrevivência, mas a paixão por quem ele era e pelo que ele fazia. Filmaço!
Obs: pirei com a trilha sonora disco e mais ainda quando tocou Starman do David Bowie!
(Alguns spoilers abaixo) Sobre a personagem Holly, ela aparenta uma dificuldade de manter laços que vão além das superficialidades. O único com quem demonstra algum vínculo real é o irmão Fred. Curioso ver como o Paul passa a ocupar esse lugar do "Fred" e como ela associa os dois logo de cara. Mas quando ela percebe que o Paul pode mexer com ela a níveis mais profundos, Holly o afasta usando a "desculpa" do status social, dizendo até que se ele fosse rico já estariam casados. A forma como ela escolhe seus futuros maridos também revela o quanto ela foge de si mesma. Homens ricos ou que ofereçam boas condições de vida ocupam o lugar do parceiro provedor, que ao oferecer luxo sustenta a falsa identidade socialite da Holy. É como se o luxo distanciasse a lembrança do passado sofrido e da vida como Lula Mae. No final, quando sua tentativa de casamento com o brasileiro falha e Paul se mostra disponível mais uma vez para ela, Holy se vê numa crise de identidade. A fantasia de casamento com milionários é desfeita, a fantasia de ter uma casa com o irmão Fred e um gato com nome foi perdida com a morte do irmão e a vontade de estar com o Paul é sufocada quando ela coloca em pauta a falta de pertencimento para justificar sua incapacidade de se entregar a alguém que gosta. Acredito que no final uma terceira identidade foi criada. Nem Holy e nem Lula Mae. A personagem assumiu seus sentimentos tanto pelo gato quanto pelo Paul e se permitiu viver algo real, algo que ela sentia, passando por cima das suas teorias e frustrações do passado, longe das fantasias da Holy e dos sofrimentos da Lula Mae.
Amores Materialistas
3.1 405 Assista AgoraApesar do ritmo lento, tem uma crítica bastante pertinente para pensarmos o amor nos tempos atuais. Me lembrou o livro “Mulheres que escolhem demais” da Lori Gottlieb. Quem se interessar pelo tema, vale a leitura!
Anora
3.4 1,2K Assista AgoraA primeira parte do filme foi até legal de assistir. Mas da segunda em diante tem muita muita muita gritaria, tanta que até me deu nervoso… Por fim, as cenas que mais chamaram atenção foram justamente as atravessadas pelos silêncios e olhares dos personagens. Captavam bem mais do que as cenas de excessos…
Obs: haja paciência para suportar o russo mimado até o final!
Acompanhante Perfeita
3.4 606 Assista AgoraEsse diálogo final me fez pensar em muitos contextos de dependência emocional e relacionamento abusivo, principalmente naqueles finais infelizes quando a mulher tem uma breve oportunidade de sair da situação mas acaba retornando e morrendo... seja nos filmes ou na vida real.
Iris: "Posso te matar agora."
Josh: "Pode. Eu sei que pode. Mas você não vai me matar. Você me ama muito. Não preciso de um celular para te controlar. Faço parte de você. Acha que não sou nada para você? Sou tudo para você."
Não Fale o Mal
3.3 653Que tensão com esse filme! 90% do estrago poderia ser evitado se não fosse pela relevância daquele coelho e pela falta de atitude do Ben.
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraLi vários comentários interessantes aqui e esse é um filme muito rico para despertar reflexões. Mas o ponto do roteiro que mais me marcou, foi aquela frase: "uma não existe sem a outra".
Isso me faz pensar nas ambivalências, na dualidade existencial... No quanto somos as partes feias e bonitas, as partes boas e ruins e que existe valor nisso.
Muitas vezes escondemos em um "quartinho" aquilo que não aceitamos ou não gostamos em nós mesmos. Tiramos de vista e "esquecemos". Mas pensar que também somos aquilo que tentamos esconder, me faz pensar na coexistência dessa "melhor" versão com a "pior" versão.
"Tirar do campo de visão" é algo que aparece em vários momentos do filme...
quando demitem Elizabeth da TV e retiram o envelhecimento de cena; quando ela mesma remove o quadro da sala do apartamento; quando os quadros da emissora são retirados; quando removem o outdoor da Elizabeth; quando a "melhor versão" esconde o corpo antigo no quarto escuro; entre tantos outros momentos...
Mas aquilo que está lá, escondido, ora ou outra volta para "assombrar", volta através dos atos falhos e das sabotagens que cometemos... Um paralelo interessante com os movimentos da neurose em Psicanálise.
Enfim, um filme que vale ser assistido! Seja pela boa atuação das atrizes, seja pela estética e fotografia super anos 80, seja pelas tantas críticas sociais feitas, seja pelo gore e pelo "estranho" que grita em vários momentos da edição e da filmagem...
Noites Brutais
3.4 1,2K Assista Agora<Tem spoiler!>
No início do filme Tess conversa com Keith sobre se sentir mal porque fica sempre voltando para homens/relações ruins e fala a seguinte frase - "os homens vão te usar enquanto você deixar".
Essa frase aparece durante o filme inteiro...
Em VÁRIOS momentos Tess tem a chance de pegar a chave do carro e meter o pé. Mas ela sempre volta para ouvir, para convencer ou para tentar salvar um cara. E durante todo o filme ela se ferra porque escolhe ficar ao invés de buscar a melhor saída. Ser capturada e levar um tiro não foi o bastante, ela precisava ainda ser jogada de uma altura absurda.
Quantas chances precisam ser dadas até a pessoa aprender algo com isso?
"Noites Brutais" é só um filme de terror mediano, com personagens medianos. Mas na vida real existem muitas mulheres que escolhem voltar e ficar em cenários lamentáveis por causa de homem. Uma tentativa tola de receber validação através da fantasia de salvá-lo.
Keith e Tess discutiam sobre a lição da vida... Talvez uma boa lição seja:
PARE de tentar salvar alguém enquanto a sua própria vida está na merda!
Querida Alice
2.8 104ATENÇÃO: Se você é mulher e vive uma relação parecida com essa, leia esse comentário até o final.
O filme retrata a história de uma mulher que vive uma relação abusiva e as consequências dessa relação na sua saúde mental.
Simon é passivo-agressivo em vários momentos, faz gaslighting, controla o que Alice pode comer, como ela deve se arrumar, faz críticas disfarçadas em tom de incentivo, força relações sexuais, culpabiliza Alice e se vitimiza manipulando o emocional dela.
Arrancar os cabelos é uma das “respostas” encontradas por Alice para lidar com a ansiedade que sofre devido às pressões impostas por Simon. Esse ato é considerado um distúrbio chamado tricotilomania.
Apesar da maioria das cenas entre Alice e Simon serem mostradas em flashs, não é imaginação ou fantasia. Isso se comprova quando Simon chega na cabana sem avisar.
Simon xinga de forma agressiva diante da uma pequena frustração (quando quebra o vidro de azeitonas), briga quando Alice tenta ajudar, assume que estava vigiando o Instagram das amigas de Alice, fala de forma hostil sobre o corpo da mulher encontrada e arranca o jornal das mãos de Alice, ridiculariza quando ela mostra o batom achado, implica com o cabelo dela, pressiona sobre ela ter sumido quando estão a sós no quarto e intimida Alice, novamente demonstrando ser passivo-agressivo e tentando ter relação sexual a força. Por fim, quando vai embora, xinga os ciclistas e quando as amigas de Alice aparecem para tirá-la do carro, ele assume uma postura agressiva de forma verbal e corporal.
É notável a mudança de comportamento de Alice quando Simon chega na cabana. A agitação física, os puxões no cabelo, a necessidade de parecer perfeita com a maquiagem, o retraimento. E durante o filme, Alice demonstrou diversos sinais de abuso emocional.
Foi angustiante ver a personagem minimizar a relação abusiva durante metade do filme. Mas após o surto e conforme ela começa a falar sobre isso, quando se distancia do celular e reconhece que algo está errado, é perceptível a mudança na postura corporal, como ela volta a fazer as coisas que gostava, a comer, a sorrir, a interagir com as amigas e a ser ela mesma.
A parte da mulher desaparecida e a busca de Alice pode ser visto como uma metáfora para a própria situação de quem vive uma relação abusiva. A pessoa se perde e aos poucos vai morrendo, deixando de ser uma pessoa vivaz e se tornando uma pessoa retraída, apagada, dependente e sem personalidade.
Enquanto Alice buscava pela mulher desaparecida, aos poucos retornava para si mesma. Quando o marido diz que a mulher havia morrido, simbolicamente representa o destino de Alice caso ela voltasse para relação. No final, a própria Alice diz que não sabia se sobreviveria ao relacionamento e falava sobre a vergonha que sentia. A cena da respiração após o mergulho, é outra metáfora representando que a paciente havia se libertado, foi um respiro de quem podia então retomar a própria vida.
Uma pessoa que sustenta uma relação abusiva, tem questões emocionais não tratadas. Por ter um emocional mais fragilizado, acaba se tornando (de forma mais fácil) vítima de um abusador, que aproveita esse contexto para mantê-la submetida a ele.
Se você vive algo parecido, BUSQUE TERAPIA. É possível romper com esse tipo de relação e viver uma vida digna sem tanto sofrimento.
Violência Gratuita
3.8 764 Assista AgoraJorginho foi o que mais tentou fazer alguma coisa, porque os pais... sinceramente!
Fale Comigo
3.5 1,1K Assista AgoraAntes de ir ao cinema, li uma resenha descrevendo o filme como o melhor terror do ano e confesso que fiquei com medo de criar muita expectiva. Fui na cara e na coragem e me surpreendi demais! De fato, um dos melhores filmes de terror lançados nos últimos anos. Como fã do gênero, esse entrou para as minhas recomendações. Valeu o ingresso!
Jojo Rabbit
4.2 1,6K Assista AgoraUm filme que mostra o quanto as crianças são reflexos do seu ambiente. Consegue misturar o drama de crescer em meio a uma sociedade alienante com a descoberta do mundo e dos próprios sentimentos a partir do encontro com um outro visto como “o estranho”. A judia promoveu ao Jojo um entendimento de que antes de ser uma “raça”, ela era alguém que sentia e também provocava sentimentos e questionamentos nele. Uma graça de encontro! Tem partes provocativas e partes tão leves que te faz rir despretensiosamente. Impossível terminar o filme e não lembrar do amigo Yorki ou das formas de matar o Natan 😂
Meu Anjo
3.5 39 Assista AgoraÉ um filme angustiante desde as primeiras cenas até o final.
Mostra como a criança é negligenciada, como os papéis de mãe e filha se invertem em vários momentos, como a criança busca mecanismos para lidar com a solidão e ausência dos cuidados maternos, como ela reproduz os vícios da mãe até mesmo no brincar e como as relações dela com os outros são afetadas pela relação fragilizada que tem com a mãe. Em muitas cenas é perceptível a tentativa de aproximação da filha com a imagem dessa mãe ausente, como quando bebe, quado usa as roupas dela, como quando se maquia ou escreve cartões para si mesma como se fosse sua mãe.
É a história de uma criança que tenta de todas as formas ser enxergada e receber um mínimo de afeto e cuidado. Uma criança que quer ser criança mas que acaba por repetir os maus hábitos da mãe como uma maneira de se aproximar dela.
Bastante reflexivo o final onde Elli tenta o suicídio no mar enquanto recita a poesia da pequena sereia.
Hereditário
3.8 3,1K Assista AgoraLogo no início já tem uma cena bastante desconcertante que choca mesmo. E ao contrário do que dizem sobre o filnal, achei que houve sim uma justificativa para toda a história. Não é o tipo de filme que deixa um final aberto para adivinharmos os motivos de tais bizarrices terem acontecido.
Ponto positivo porque o filme não é marcado pelo jump scare. Cria-se uma atmosfera mais tensa através do desenrolar da história e isso gera um terror mais voltado para o psicológico.
Vale conferir!
A Forma da Água
3.9 2,7KFilme estranhamente belo!
“Incapaz de definir a tua forma, eu vejo você ao meu redor. Tua presença enche meus olhos de amor. Ela acanha meu coração. Porque você está em todo lugar.”
Animais Noturnos
4.0 2,2K Assista AgoraContém spoiler!
Li várias explicações e comentários. Mas fiquei pensando a respeito de ninguém no contexto atual saber da existência desse ex-marido e se o Edward de fato existiu ou se foi uma criação da Susan, que se dizia incapaz de ser criativa. Outra cena que me chamou atenção foi ela saber da traição do marido e agir passivamente, entre tantas outras cenas em que pareceu que sua vida era negligenciada por ela mesma. No fim, o Tony "passivo" não era tão diferente da Susan "passiva". Não seria Tony/Edward um alterego de Susan?
Suspeita
3.7 125 Assista AgoraApesar do que dizem sobre o diretor não ter seguido a ideia de final original, achei que isso acabou gerando um significado ainda maior.
Acredito que a cena final nos testa, nos colocando na posição da Lina. Qual versão nós compramos? A do Johnnie arrependido ou a do Johnnie manipulador/mentiroso? Assim como Lina não podia prever o futuro do seu marido, nós também não pudemos saber o que aconteceria após aquele desfecho.
Me pareceu que Johnnie quis sim matar Lina, mas acabou não conseguindo e então tentou convencê-la de que ela o afastou enquanto ele tentava ajudá-la a não cair. Logo em seguida assumiu um papel de vítima, dizendo que se entregaria, para que ela ficasse ao seu lado.
Ela escolheu acreditar que o Johnnie vilão era um delírio dela, mas no que o telespectador acredita?
Podemos acreditar, conforme Lina, que no fundo, apesar de picareta, ele tinha um bom coração. Ou podemos acreditar que Lina não estava delirando e que várias coisas serviram de indício para provar que ele poderia sim matá-la num futuro próximo.
Afinal, ninguém bebeu o leite para saber. Bebeu?
Rebecca, a Mulher Inesquecível
4.2 374 Assista AgoraTomei raiva da manipuladora da Rebecca sem nem conhecê-la!
E sobre a Mrs. de Winter, dava a entender que era tão insignificante na história que nem nome a personagem tinha. Acho que a ausência de um nome próprio sustenta a irrelevância dela como pessoa naquele lugar, pois seu único papel era ser apenas a mulher substituta, ingênua, que nunca chegaria aos pés da "verdadeira" senhora Winter.
Enquanto que Rebecca era tão influente na casa que suas iniciais estavam espalhadas por todo o canto, assim como suas decisões, vide a cena do molho oferecido no jantar (!!). Não era apenas a esposa do senhor Winter, era uma figura marcante por si só que se fazia presente mesmo estando morta.
Achei um bom filme! Só teria empurrado Mrs Danvers da janela naquela oportunidade, mas isso desconstruiria o papel da doce e inocente Mrs de Winter rss
Fragmentado
3.9 3,0K Assista AgoraPara os psicólogos é um prato cheio! Mas é um filme lento, que exige atenção para perceber as mudanças do personagem e paciência para acompanhar o desenrolar da sua identidade final. A atuação do James está incrível!
Sobre os flashbacks da Casey, achei coerente colocarem no filme sim, pois fazem um paralelo com a infância do Dennis, mostrando como abusos sofridos na infância podem afetar o desenvolvimento físico e psicológico da pessoa. E no decorrer do filme é como se um se identificasse com o outro na posição de vítima,
tanto que na cena final a besta percebe que Casey também sofria por algo, devido às suas cicatrizes, e não a ataca.
No geral, um bom filme :)
Dá Para Fazer
4.4 72Em meio a tantas questões e sentimentos despertos, o filme nos leva a olhar os dois lados da moeda. Uma parte que traduz bem isso é quando um paciente é apontado como um possível risco para a sociedade, para os "normais". Mas ao invés de colocar em risco a sociedade, ele tem a chance de se apaixonar, embora com isso sofra os danos desse sentimento incompreendido.
Ambos os lados geram consequências na vida do paciente, tanto a internação e a medicamentação excessiva, quanto a tentativa de encaixe do paciente na sociedade. Mas privá-lo dessa experiência social seria um erro tão grande quanto não oferecer um olhar e um cuidado psiquiátrico. Ambas as propostas devem caminhar juntas a fim de proporcionar uma melhor qualidade de vida para o sujeito. E isso é mostrado no filme!
Vale muito a pena ver e rever sempre que surgir a oportunidade..
La La Land: Cantando Estações
4.1 3,6K Assista AgoraNo início do filme eu não sabia nem identificar em que ano tudo aquilo se passava. Aquelas cores fortes também me deixaram com a sensação de ser um tempo distante, algo diferente do que a maioria dos filmes trazem.
A história é simples e tem vários enredos parecidos por aí, vide Cafe Society. Mas a simplicidade da história não corta a profundidade de cada personagem nesse filme, principalmente quando estes te envolvem no meio da música. É bonito e gostoso de assistir!
E o final.. Acho que é aquilo o que acontece vez ou outra na vida, quando passa na nossa cabeça cenas de como poderia ter sido se tivéssemos tomado um caminho ao invés de outro e nos questionamos se poderia ter dado certo...
Resumo da obra: bacana!
Perdido em Marte
4.0 2,4K Assista AgoraÉ curioso observar até que ponto um ser humano está disposto a chegar para sobreviver e como através disso ele consegue alcançar o que antes era inalcançável e ultrapassar os próprios limites. As sacadas que o Mark teve foram fundamentais, mas o que mais me cativou no personagem foi o seu senso de humor e a sua fé, que levaram ele a acreditar que era possível se manter vivo naquele contexto tão isolado e inédito. Mas ao mesmo tempo em que tentava se salvar por si mesmo, também tentava se salvar pelo avanço da ciência. O que o manteve vivo não foi só um instinto de sobrevivência, mas a paixão por quem ele era e pelo que ele fazia. Filmaço!
Obs: pirei com a trilha sonora disco e mais ainda quando tocou Starman do David Bowie!
Bonequinha de Luxo
4.1 1,7K Assista AgoraAudrey tem uma meiguice cativante <3 Lindíssima!
(Alguns spoilers abaixo)
Sobre a personagem Holly, ela aparenta uma dificuldade de manter laços que vão além das superficialidades. O único com quem demonstra algum vínculo real é o irmão Fred. Curioso ver como o Paul passa a ocupar esse lugar do "Fred" e como ela associa os dois logo de cara. Mas quando ela percebe que o Paul pode mexer com ela a níveis mais profundos, Holly o afasta usando a "desculpa" do status social, dizendo até que se ele fosse rico já estariam casados. A forma como ela escolhe seus futuros maridos também revela o quanto ela foge de si mesma. Homens ricos ou que ofereçam boas condições de vida ocupam o lugar do parceiro provedor, que ao oferecer luxo sustenta a falsa identidade socialite da Holy. É como se o luxo distanciasse a lembrança do passado sofrido e da vida como Lula Mae. No final, quando sua tentativa de casamento com o brasileiro falha e Paul se mostra disponível mais uma vez para ela, Holy se vê numa crise de identidade. A fantasia de casamento com milionários é desfeita, a fantasia de ter uma casa com o irmão Fred e um gato com nome foi perdida com a morte do irmão e a vontade de estar com o Paul é sufocada quando ela coloca em pauta a falta de pertencimento para justificar sua incapacidade de se entregar a alguém que gosta. Acredito que no final uma terceira identidade foi criada. Nem Holy e nem Lula Mae. A personagem assumiu seus sentimentos tanto pelo gato quanto pelo Paul e se permitiu viver algo real, algo que ela sentia, passando por cima das suas teorias e frustrações do passado, longe das fantasias da Holy e dos sofrimentos da Lula Mae.