Contra todas as minhas expectativas, é um filme divertidíssimo. Talvez por não ter visto o original, considerado uma das melhores comédias já feitas, não fiquei tão incomodado quanto outros espectadores. Inclusive, o que me conquistou foi justamente o ponto que desagradou tanta gente: o tom exagerado e absurdo presente em cada cena. Há momentos que me pegaram muito desprevinido, como o pombo fazendo saudação naz... digo, saudação romanda, ou o teste para o papel de Hitler.
Mas é preciso reconhecer que o elenco tem seus altos e baixos. Matthew Broderick tem o carisma e o talento de uma árvore cenográfica. Felizmente, ao lado deles temos Nathan Lane se entregando de corpo e alma ao papel do produtor sedutor de velhinhas. Ele canta, dança, tem ótimas tiradas cômicas e faz uso até de humor físico.
E mesmo gostando, sentia que algo me incomodava e não tardou para eu perceber o que era. Além de ser inspirada no clássico filme de Mel Brooks, essa refilmagem também faz uso dos números musicais elaborados para o musical da Broadway (a diretora inclusive foi responsável por uma das montagens da peça). O problema não são os números musicais em si, apesar de alguns serem bem longos e desnecessários, mas sim que não houve um trabalho de adaptação deles para o cinema. Eles apenas foram gravados da forma como foram pensados para os palcos. Mesmo as atuações, exageradas e bastante expressivas, são típicas do teatro. Os próprios cenários por vezes parecem falsos demais.
Faltou um trabalho de adaptação na hora de transpor essa história de volta para o cinema, com números de dança e cenários pensados para a telona.
Gosto de pensar que se o Sam Raimi quisesse, ele já teria feito a limpa no Oscar e outras premiações. Mas ele não tem paciência pra essa chatice e prefere se divertir fazendo filme sobre bode possuído e gente comendo inseto.
E o bom é que a gente se diverte junto. Socorro! traz de volta aquele Sam Raimi que faz aquela mistura perfeita de gore com humor escrachado que mais ninguém consegue fazer igual. Dessa vez, o mestre do terrir volta para satirizar o predatório mundo dos negócio e mostrar como certos predadores não são nada longe de seus habitats.
Quem também parece ter curtido bastante participar da produção são Rachel McAdams e Dylan O'Brien, que entregam atuações deliciosamente exageradas e que acompanham a escalada de loucura do filme. Cada nova cena de um dos dois tentando ferrar com o outro era uma garantia de risada genuína, algo que poucos longas atuais conseguem arrancar de mim.
E por mais que ele tenha uma duração extensa para sua proposta, Socorro! é tão gostoso de assistir que eu não consigo pensar qual cena eu cortaria. Pelo menos para mim, o verdadeiro defeito é que ele não vai tão longe quanto poderia, tanto na questão da violência quanto no desenvolvimento da história. Parece que chega um momento que o diretor decide pisar no freio.
Ainda assim, o novo filme de Sam Raimi é um oásis em uma indústria que esqueceu que filmes podem abordar temas importantes e ainda assim serem divertidos de se ver.
É o filme mais DreamWorks da Pixar e isso não é nem um pouco. Tem os típicos momentos que emocionam a gente, mas também traz junto um senso de humor caótico e até mesmo anárquico que me pegou desprevenido em inúmeras cenas.
Só peguei para assistir porque estava prestes a sair da HBO Max e sabe-se lá quando ou em qual streaming esse filme iria ressurgir. E mesmo sendo muito fã do Jackie Chan, dei play sem animação nenhuma, pois parecia ser uma produção o próprio ator deve ter esquecido que participou. Inclusive, descobri apenas agora, após ler alguns comentários de outros usuários, que se trata de um filme da franquia Police Story.
Em poucos minutos minha apatia desapareceu. Como já era de se esperar, a trama de Primeiro Impacto é qualquer coisa. Começa envolvendo uma ogiva nuclear e em 15 minutos ela é completamente esquecida. Mas as cenas de ação são de cair o queixo. Tem perseguição na neve, luta com pernas de pau, escada sendo usada como arma, embate de baixo d'água e mais um monte de stunts protagonizados pelo destemido Jackie Chan. Cada nova setpiece é empolgante e completamente diferente da anterior, com alguns momentos de humor físico hilários.
Destaco a variedade das cenas de ação, pois é isso que falta nas produções do gênero atualmente. John Wick, apesar de suas ótimas coreografias, não saiu até hoje (basta assistir Bailarina) dos tiroteios em baladas e inimigos que são desarmados na base de torção no braço.
Claro que Primeiro Impacto tem seus defeitos, como os personagens que claramente sofreram overdub na pós-produção. Algumas vozes chegam a ser ridículas de tão caricatas. Ou o ritmo extramamente acelerado, resultado das várias cenas que foram deletadas. Mas tudo isso fica pequeno comparado à dedicação de Jackie Chan às sequências de luta e à diversão proporcionada por cada nova estripulia do ator.
Talvez o que falte nas produções de ação atuais seja esse senso de diversão. Todas são muito sisudas e feitas a toque de caixa. Para a sorte dos fãs do gênero, o que não falta são filmes do Jackie Chan para ver e rever.
Gosto muito do John Carpenter e me divirto bastante com filmes ruins, mas esse daqui não deu. Se fosse só ruim, até poderia ser um bom passatempo, só que o problema de Fantasmas de Marte é que ele é chato. Mais da metade do filme consiste nos personagens andando para lá e para cá num cenário digno das piores seres de televisão daquela época.
E os personagens só são bons quando não abrem a boca, especialmente o que é interpretado pelo Jason Statham. Tudo que o sujeito fala tem apenas uma finalidade: tentar convencer a personagem da Cameron Diaz genérica dar pra ele. Então, quando cada membro da equipe morre, o único sentimento possível é de felicidade. Ou pelo seria felicidade, já que as mortes são mal filmadas e boa parte delas acontece numa mesma cena de correria.
Não julgo que o John Carpenter tenha deixado de fazer filmes depois desta bomba. Se após uma carreira cheia de clássicos, eu tivesse feito um troço ruim desses, também iria preferir me aposentar e ficar jogando video game.
Antes do filme ser lançado, saíram notícias sobre ele ter passado por regravações e isso ficou bastante evidente enquanto eu assistia. Há partes que não se encaixam e acabaram sobrando no corte final. Por exemplo, as várias motivações da Eva empregar sua vingança: começa com a morte do pai, depois tem o sequestro da garota,
aí tem a morte da irmã que ela havia acabado de descobrir a existência...
E nada disso é particularmente bem trabalhado, em dado momento eu até esqueci que a garotinha existia.
Outro sinal de que o filme passou por regravações e foi todo picotado é a forma como ele lida com distância e passagem de tempo. A protagonista vai de um país para o outro como quem vai comprar fruta na quitanda. Em dado momento, eu pisquei e ela já estava em Praga. Fora o final, em que ela tinha menos de meia hora para dar um fim no vilão, e para isso precisou sair de uma igreja em ruínas (ou o que quer que fosse aquilo), chegar até o vilarejo e enfrentar uma porrada de capangas.
Mas nesse tipo de filme, o que importa são as cenas de ação, né? E ele até que tem umas divertidas. Uma evolução, pelo menos para mim, em relação aos filmes do John Wick é que esse daqui aposta bastante no sangue e violência gráfica. Sempre me incomodou muito que os longos protagonizados por Keanu Reeves fossem muito limpinhos e assépticos. Apesar disso, acho que já passou da hora da franquia superar os tiroteios em baladas com luz neon. Não é possível que alguém ainda se empolgue vendo aquilo. Aquele duelo de lança-chamas foi muito mais divertido de ver.
Em meio a tantos problemas, Ana de Armas faz o que pode para manter sua personagem e seu filme de pé em meio a esses tropeços. Mas parece que os próprios realizadores não tinham muita fé nela, tanto que John Wick aparece para salvar ela em determinado momento (uma decisão bem duvidosa, vale dizer).
Apesar de alguns momentos divertidos, Bailarina evidencia o cansaço desse universo. Se não for para apresentar e fazer coisas, qual o sentido de expandi-lo?
Indiana Jones está longe de ser um dos meus personagens. Gosto do aventureiro canastrão e carismático vivido por Harrison Ford e de seus três primeiros filmes, mas não o suficiente para me considerar fã dele. Ainda assim, até eu fico abismado com o nível de desrespeito e incompetência dessa 5ª (e espero que última) aventura do personagem.
Para começar, quem realmente achou que era uma boa ideia fazer um filme de aventura com um protagonista de 80 anos? A franquia sempre foi recheada de momentos fantásticos, só que nada no mundo me faz acreditar que um idoso octogenário saltaria de um carro em movimento, mergulharia com enguias ou levaria um soco na boca de um capanga de 2,10m sem ir direto pro hospital.
A impressão que dá é que até os roteiristas perceberam o quão absurdo é isso, então da metade para o final, Indy passa a ser expectador do seu próprio filme, sendo arrastado de um lado para o outro por algum personagem.
Simplesmente não há motivo para o vilão levá-lo em sua viagem ao passado em vez de meter uma bala na cabeça do aventureiro, só que isso acontece apenas porque se trata do protagonista.
E isso não é exclusividade do final, em vários momentos dá para perceber que o roteiro não consegue justificar a presença e desenvolver seu protagonista. Para ser justo, A Relíquia do Destino parte de uma premissa bastante interessante: após uma vida dedicada ao passado e com todos tão empolgados com o futuro, Indiana Jones não vê sentido em seu presente. Roteiristas competentes usariam as duas horas seguintes para trabalhar o personagem de forma que ele percebesse que a vida em 1969 ainda vale a pena. O que culminaria num final em que Indy decidiria entre ficar no passado ou voltar para sua época. Mas não estamos falando de roteiristas competentes, além de não conseguirem desenvolver o personagem ao longo de quase 2h30, outra personagem toma a decisão por ele após apagá-lo com um soco.
Os outros personagens também não escapam do amadorismo dos envolvidos. Sallah volta simplesmente porque sim, sem ter nenhuma utilidade para a trama, além de dar uma carona para o aeroporto (e gritar o nome do protagonista no meio da rua mesmo ele sendo procurado por meio mundo).
Já a personagem da Fleabag nunca se decide se é aliada ou rival, o que torna ainda mais forçado seu apego ao padrinho quando na cena em que tenta convencê-lo a voltar para 1969.
E a criança prodígio é apenas irritante, estando em cena apenas para fazer referência ao Shortround. Ou melhor, irritante e inverossímil, pois é preciso uma boa dose de boa vontade para me convencer que é possível aprender a pilotar um avião com panelas e cassarolas.
São momentos como esse que me fazem acreditar que o filme foi gravado a partir de uma fanfic e não de um roteiro de verdade. E os efeitos extremamente artificias - inclusive em momentos simples, como Indy atravessando a rua - só contribuem para a sensação de que não estou diante de uma aventura oficial de Indiana Jones, mas sim de uma imitação. Se os três primeiros Indiana Jones são uma verdadeira joias do cinema, A Relíquia do Destino está mais para uma imitação bastante mal feita e sem cuidado nenhum.
Terrorzinho pressão baixa. Em qualquer outra produção do gênero, o assassino perseguiria as vítimas, resultando em cenas de tensão. Nesse aqui, elas praticamente vão até o vilão e ficam esperando serem mortas.
A protagonista com aquele jeitinho sonso também não ajuda, assim como todo o resto dos personagens. Não serve nem para dizer que é o tipo de filme que a gente torce pelo assassino, pois ele também é sem-graça, a começar pelo visual.
O que vale é o gore. Algumas cenas de desmembramento são bem feitas. Apesar que o filme é tão parado e incapaz de criar tensão que é bem provável que algumas pessoas não tenham ficado acordadas para assistir.
De tempos em tempos, a Netflix lança seu filme mais caro de todos os tempos da última semana. De acordo com as minhas pesquisas, The Electric State custou US$ 320 milhões. E em meio a tantos milhões, parece que nenhum centavo foi gasto em um design de produção decente, aulas de atuação para a Millie Bob Brown ou uma revisão de roteiro.
A superprodução da Netflix é tipo aquelas imagens que a gente pede pro ChatGPT ou pro Gemini gerar. Num primeiro momento, ela enche nossos olhos e realmente parece algo digno de nossa atenção. Mas quanto mais prestamos atenção, mais erros vamos percebendo.
Tudo parece feito no piloto automático, a começar pelas atuações. A protagonista vivida por Millie Bob Brown diz que sente falta do irmão com a mesma expressividade que qualquer outra pessoa usaria para dizer que deixou o Tamagochi morrer, enquanto Chris Pratt parece ainda estar preso ao Senhor das Estrelas (mas sem um texto engraçado como o dos filmes dos Guardiões da Galáxia).
A direção preguiçosa também não ajuda. Anthony e Joe Russo são incapazes de evocar qualquer emoção em seu filme. As cenas de ação não empolgam, os momentos de drama não emocionam e as cenas de comédia são apenas constrangedoras. Em seus episódios de paintball em Community, os irmãos entregaram muito mais com um orçamento infinitamente menor.
É curioso como em seu final, Electric State apele para a importância das conexões humanas sendo que ao longo de duas horas ele se mostrou incapaz de nos conectar com seus personagens.
Considero o primeiro Zootopia um dos maiores acertos da Disney nos últimos anos. O universo é interessantíssimo, os personagens são carismáticos e a trama funciona para todos os públicos. Crianças vem um filme sobre animais fofinhos correndo de um lado para o outro enquanto adultos enxergam o subtexto sobre preconceito e aceitação. Quando o filme terminou, eu já estava pronto para o próximo. Que veio quase 10 anos depois.
Mas para os personagens, o intervalo de tempo foi de apenas alguns dias. Lá estão eles investigando um novo caso que promete virar a cidade de cabeça para baixo. Zootopia 2 tem muitos méritos, a começar pelo ritmo. O filme começa frenético e não desacelera em nenhum momento.
Aquela cena com o soro antiofídico é deixar o coração na garganta...
E como se passou apenas uma semana, Judy e Nick estão um pouco diferentes, ainda que essencialmente sejam a mesma raposa cínica e coelha insegura. O desafio agora é funcionarem juntos apesar de suas diferenças.
E é interessante notar como essa é uma lição que a própria cidade parece precisar aprender.
Afinal, a trama central de Zootopia 2 gira em torno da exclusão dos répteis, sobre como eles foram marginalizados para que os mamíferos tivessem mais espaço.
Algo que pode ser resumido numa palavra muito adulta e nada bonita: gentrificação. Algo que nem nos meus maiores devaneios eu imaginei que poderia ser abordado num filme da Disney.
Então, basicamente, Zootopia 2 é sobre como as pessoas... Digo, os bichos, podem e precisam funcionar juntos sem se anular. Sim, Nick e Judy são muito diferentes um do outro (algo ressaltado pelas outras duplas de policiais formados por animais da mesma espécie), ainda assim eles são ótimos juntos. E é claro a olhos nus que mamíferos e répteis não tem nada em comum, mas mesmo assim eles precisam encontrar uma maneira de conviver sem apagar as características que fazem ser quem eles são. Sim, viver em sociedade e conviver com pessoas... Digo, bichos, é difícil, mas vale o esforço. Tem que valer.
Zootopia 2 também acerta ao ter plena consciência de suas similaridades com o primeiro filme. Em vários momentos, o filme brinca com acontecimentos do filme anterior, chegando a fazer rimas visuais e quebrando a expectativa de quem está assistindo.
Note como, tal qual o primeiro filme, uma situação chave dessa sequência é resolvida com uma caneta.
E falando em rima visual, assim como aconteceu em 2016, em 2025 em saí da sala de cinema pronto para a próxima aventura de Judy e Nick, demore o tempo que for preciso.
Uma comédia de ação em que as partes cômicas não tem graça nenhuma e as sequências de ação não empolgam em momento algum. Para piorar, todos os personagens (sem exceção, dos protagonistas aos coadjuvantes) são nada menos que insuportáveis. Harrison Ford e Josh Hartnett juntos funcionam tão bem quanto um chimpanzé e uma metralhadora carregada.
Chega um momento de Hollywood Homicide que o filme parece simplesmente esquecer o caso que a dupla de policiais está investigando. São longos e intermináveis minutos insistindo na mesma piada sobre o personagem de Harrison Ford ser um tira que faz bico de corretor de imóveis. É um daqueles casos em que uma piada sem graça é repetida à exaustão.
O crime pode até não compensar, mas ainda é uma decisão melhor do que pegar esse filme para assistir.
A palavra que melhor define o Frankenstein de Guillermo Del Toro é: bobo.
Os visuais são lindos, como já era de se esperar de algo feito por ele, mas a forma como a história é construída deixa muito a desejar.
Victor Frankenstein contando sua própria história parece ter satisfação em dizer que foi mentiroso, arrogante, talarico, egocêntrico, infantil. E a atuação canastrona do Oscar Isaac só deixa tudo pior. Então quando chega a vez da criatura contar a versão dela, tudo que eu consegui pensar foi:
- E precisa?
Não existe nuance ou margem para interpretação. O Victor é malvado, a criatura é uma coitada e acabou. E caso, ainda assim, o espectador não tenha entendido há uma cena em que é dito com todas as letras e com direito a pausa dramática quem é o verdadeiro monstro da história.
A falta de sutileza do novo filme de Del Toro é tanta que ele coloca várias cenas do cientista bebendo leite para que o público entenda que ele está tomando para si o dom da vida. O que era para ser apenas subtexto acaba sendo escancarado pela insistência do diretor.
Entendo que adaptações não precisam ser 100% fiéis ao material original, mas todas as mudanças que foram feitas parece que foi para pior. Entendo que enxergar beleza onde o restante do mundo vê apenas o grotesco é uma marca da filmografia de Del Toro, no entanto, neste caso só serviu para tirar toda a profundidade de um dos maiores clássicos de todos os tempos.
Apocalipse de Gelo tem uma tarefa difícil: agradar os fãs dos filmes antigos ao mesmo tempo que tenta estabelecer os novos. Como resultado, temos um excesso de personagens que parecem nunca ter tempo de tela o suficiente.
Esse novo Caça-Fantasmas (sério, eu me recuso a chamar de Ghostbusters) até traz algumas boas ideias, como toda subtrama da personagem da McKenna Grace, e tem um elenco bem carismático. Destaco o Dan Aykroyd, que mesmo após todos esses anos ainda parece nutrir um carinho genuíno por seu personagem e aquele universo.
Ainda assim, boa parte disso se perde em meio aos excessos. Além dos inúmeros personagens, que estão sempre chegando, a trama fica mais e mais megalomaníaca a cada cena. Fico com a impressão que tentaram dar uma escala nível Vingadores (o famigerado raio no céu não me deixa mentir) para algo que poderia ser muito mais contido.
Para uma franquia chamada Caça-Fantasmas, é curioso como nunca pensaram em levar os personagens para uma aventura mais contida, numa mansão mal-assombrada ou algo do tipo. Talvez seja hora de fazer isso.
Para quem quiser se divertir muito mais, recomendo Willy's Wonderland. Trata-se de uma cópia protagonizada pelo Nicolas Cage que ao menos se assume como trash.
A diferença é que lá o filme não se leva tão a sério e temos o Nicolas Cage, sem dizer uma palavra o filme todo, sentando a porrada nos animatrônicos. Tem gore e diversão, duas coisas que faltaram nesse daqui.
Não achei a atrocidade que muitos comentam por aí. Tem uma boa direção de arte, sem medo de ser ridículo. E as piadas seguem a mesma lógica, sendo tão absurdas quanto possível. A cena do gato desdobrando o porta-retrato da mãe do protagonista como um pôster da Playboy me fez rir alto por ser inesperada e principalmente por ser muito errada para um filme infantil.
O curioso é que cenas assim só são possíveis graças ao Gato. Ao mesmo tempo que ele proporciona os melhores momentos, ele é de longe a pior coisa possível. E nem digo apenas pela face que entra com vontade no Vale da Estranheza. A própria "escolha" de Mike Myers para o papel foi bastante equivocada (entre aspas por o comediante foi praticamente obrigado judicialmente a protagonizar o filme). Chega a ser irritante a mania que Myers tem de pontuar cada uma de suas punchlines com uma careta (o que só piora o Vale da Estranheza do personagem-título). E eu tenho certeza que isso é um costume do ator, já que ele faz exatamente a mesma coisa em Austin Powers.
O resultado disso é que após um tempo, mesmo o senso de humor anárquico da produção se torna bastante cansativo.
Se eu ganhasse uma moeda para cada vez que o De Palma dirigiu um suspense com inspirações em Alfred Hitchcock e toques de voyuerismo, eu teria três moedas. O que não é muito, mas é estranho que tenha acontecido tantas vezes.
O roteiro é, sendo bem generoso, inexistente. Muito do que acontece não tem conclusão e nem consequência nenhuma. O mercado do tio do Jackie Chan é completamente destruído em certo momento e nem chegamos a ver a reação do velho quando descobre.
Mas, sinceramente, quem se importa? O carisma e a dedicação do Jackie Chan fazem a gente relevar qualquer defeito.
Toda história - as boas pelo menos - é um reflexo do momento em que ela é contada. E este novo Superman, dirigido pelo James Gunn, é um ótimo exemplo disso. Todos já sabemos de cor e salteado a origem do último filho de Krypton: a explosão de seu planeta natal, a criação pelo casal do Kansas e todo resto. É uma história que já foi contada e parodiada diversas vezes nas últimas décadas.
Partindo desse pressuposto, James Gunn usa o primeiro super-herói não para contar mais uma vez o seu início, mas para abordar temas atuais como perseguição a imigrantes e genocídios. Outrora um símbolo máximo do jeito americano de ser, em 2025 o Superman se posiciona contra atrocidades que não deveriam ser aceitas por ninguém, algumas delas perpetratadas pelo próprio EUA que o "adotou". Diferente de muitos, o Superman não consegue ficar em paz e sem agir ao saber que magnatas e chefes de estado (alguns, ilegítimos) estão lucrando com a morte de inocentes. Tá tudo ali, na tela de cinema e, infelizmente, também está todo dia nas telas dos noticiários e smartphones.
Não vou mentir, o longa de James Gunn tem seus defeitos. O ritmo apressado e a duração curta prejudicam ele. Uns 20 minutos a mais, para desenvolver algumas relações, principalmente com o casal Kent, fariam bem ao filme. Em alguns momentos também fica um pouco difícil entender o que está acontecendo em tela durante os confrontos. Parece que o James Gunn gostou tanto dos elogios que recebeu pelo plano-sequência de Guardiões da Galáxia 3 que agora todas as cenas de ação tentam repeti-lo: sempre a câmera girando em torno de um ou mais personagens enquanto o embate acontece. Funciona com a espetacular sequência com o Mr. Terrific (com aquele T gigante estampado na cara dele, me nego a chamar ele de Sr. Incrível), porém não é tão bem-sucedido quando tenta repetir o efeito em outras duas ou três lutas, soando confuso e repetitivo.
Outro ponto que pode deixar algumas pessoas confusas é que o filme já começa com a história andando. Em vez de ler uma revistinha número 1, é como se você pegasse a edição 30 e tivesse que entender tudo que aconteceu antes. A mim não incomodou, foi realmente como ver um quadrinho transportado para a telona. Chega até a ser poético que
as câmaras da prisão interdimensional de Lex Luthor se pareçam tanto com o grid de uma página de HQ, e quando o Superman finalmente escapa é como se ele estivesse saindo do papel e ganhando as telas.
Muito se falava sobre a versão anterior do Superman para os cinemas. Que era moderno, adulta e realista. Durante um tempo, eu mesmo pensava isso. Depois percebi que nenhum desses adjetivos realmente descrevia aquele Superman inexpressivo, sem carisma e excessivamente depressivo.
Será apenas uma coincidência que um dos vilões do longa se revele uma versão dark e sem emoções do herói?
Nada disso, esse novo Superman, com todas as suas cores e inocência, é adulto e moderno. Só não é realista, mas aí já é um problema da humanidade atualmente.
Tenho a impressão de que assisti um filme diferente dos demais que comentaram aqui. Não vi essa obra-prima que muitos estão comentando, pelo contrário, foram as 2h30 mais torturantes que lembro de ter passado recentemente.
Poderia dizer que Perfume de Mulher é clichê, afinal todos já vimos histórias de personagens díspares que vão se entendendo aos poucos. Mas o filme em questão não é ruim por ser clichê, e sim por ser mal-executado. É desnecessariamente longo, com cenas que duram além do necessário e outras que nem precisavam existir.
E o que faz tudo parecer ainda mais longo são os personagens e seus intérpretes. Al Pacino é incontestavelmente uma lenda do cinema, ninguém pode tirar esse mérito deles, no entanto aqui ele exagerou muito no overacting. A forma como Frank foi escrito já o torna irritante, mas a atuação exagerada de Pacino (WHOO AAH!!!) faz ele beirar ao insuportável. Em alguns momentos me perguntei a razão do Charlie apenas não deixar aquele velho maldito se ma**r.
A resposta é que o personagem de Chris O'Donnell não fez isso porque ele não tem o mínimo de personalidade. Nessas produções, o contraponto ao velho ranzinza é um jovem rebelde que sempre tem respostas à altura, é o que torna a dinâmica da dupla interessante. Perfume de Mulher se difere dos demais ao trazer um jovem completamente apático e com um drama chato e muito fácil de ser resolvido: era só entregar os riquinhos. Fim. Toda essa lengalenga seria muito mais fácil de suportar se Charlie não fosse um pamonha que passa o filme todo de cabeça baixa ouvindo as atrocidades de Frank.
Sempre que eu me sentir mal por não ter visto algum clássico, vou me lembrar de Perfume de Mulher. Pode ser que eu não esteja perdendo nada.
Nas mãos de um Steven Spielberg ou de um Denis Villeneuve, um conceito desses renderia um filmaço. Infelizmente, não foi o caso e tivemos um filme que daria vergonha aos piores episódios da novela Os Mutantes.
Antes apenas os efeitos especiais fossem ruins (até porque não foram finalizados), mas vários outros aspectos dele deixam muito a desejar. Algumas atuações beiram ao ridículo, principalmente o ricaço que fica se tremendo de medo durante a viagem. A edição é sem ritmo e manteve cenas que acabam sobrando, como aquela do protagonista com a "prima" dele. Os figurinos e as armas parecem ter saído de uma loja de brinquedos.
Poderia passar horas descrevendo da forma mais preguiçosa possível tudo de desastroso que foi feito em O Som do Trovão, só que nem isso essa tranqueira merece. Finalizo meu comentário com uma piadinha óbvia, do jeito que O Som do Trovão merece: para consertar esse filme, só voltando no tempo para impedir que ele seja feito.
Mas que jeito desastroso de encerrar uma franquia, hein? Cansativo e expositivo ao máximo, Missão Impossível: O Acerto Final tenta desesperadamente criar uma mitologia para uma série de filmes que nunca foi sobre isso.
Além das conexões desnecessárias com os capítulos anteriores, transformaram Ethan Hunt, que até então eram apenas um agente secreto muito ousado, na personificação de Jesus Cristo (- Você é o escolhido, Ethan, está destinado a derrotar o Pai das Mentiras e a se sacrificar pela humanidade). A impressão que dá é que, após Top Gun: Maverick, o Tom Cruise realmente passou a achar que ele era o salvador do cinema. Não que antes os filmes não fossem megalomaníacos, só que pelo menos eles eram divertidos, a gente ficava querendo saber qual seria a próxima loucura do protagonista.
Esse novo Missão Impossível até tem boas cenas de ação, a do avião que encerra o filme é de tirar o fôlego, mas até chegar ela temos quase uma hora de flashbacks e diálogos expositivos que deixariam Christopher Nolan orgulhoso. Então quando chegam as setpieces, o cansaço é tanto que mal dá para se empolgar como elas mereciam. A necessidade de deixar tudo bem explicado é tanta que há flashbacks de cenas que vimos há 5 minutos. O resultado disso é que, em quase 3 horas, temos duas grandes cenas de ação. Agora, explicações, ah, isso temos de sobra.
Se Missão Impossível 2 era alvo de piadas pela galhofa, pelo menos ele se entende como filme de ação. Em meio a galhofa e pombas voando, ainda dá para se entreter. Já O Acerto Final é só uma extensão do ego do Tom Cruise, uma ode ao quão incrível e necessário ele é.
Como fã da franquia, esse final é frustrante. Cresci vendo os dois primeiros na TV aberta, aluguei o terceiro para ver em DVD e a partir de Protocolo Fantasma vi todos no cinema. Torço para que esse não seja o último filme, Missão Impossível não merece chegar ao filme desse jeito. Quem sabe com a surra que Tom Cruise levou nas bilheterias de Barbie, Oppenheimer e Lilo & Stitch e com o fracasso dos dois longas mais recentes da franquia (especula-se que o 8º tenha custado US$ 400 milhões, logo ele precisa arrecadar por volta de US$ 1 bilhão PARA COMEÇAR A SE PAGAR) a bola dele tenha baixado pouco e ator aceite fazer um filme que não o endeusa tempo todo. Ou talvez, domar o grande ego do astro de 1,60m seja a verdadeira Missão Impossível.
Parece que diferente de andar de bicicleta, é possível, sim, desaprender a fazer filmes de ação e tá aqui o Gareth Evans que não me deixa mentir.
Filmado durante a pandemia e engavetado por 4 anos (talvez isso explique o CGI pavoroso nos prédios, carros e sangue), Caos e Destruição passa longe das obras-primas que são The Raid e The Raid 2. Se os dois filmes citados se destacaram pelas cenas de luta empolgantes e muito bem coreografadas, esse novo lançamento da Netflix parece mais perdido que cego em tiroteio. A inspiração no cinema de ação de John Woo é óbvia, só que Evans não tem a maestria do diretor chinês para orquestrar trocas de tiro. Em vez de serem absurdos e excessivos, eles são apenas bagunçados mesmo, deixando o espectador perdido em vários momentos.
Tá certo que filmes de ação não são conhecidos por terem roteiros intrincados, mas esse aqui abusa da boa vontade do espectador. Além da trama desnecessariamente rocambolesca, há um detalhe que invalida o filme todo:
em poucos segundos o personagem do Tom Hardy percebeu por conta das cápsulas de bala que o filho do Forest Whitaker não era culpado, então por que ninguém mais prestou atenção nisso? Não é como se fosse algo muito difícil de perceber.
E nem o elenco recheado de estrelas salva Caos e Destruição. Tom Hardy parece totalmente desinteressado e Timothy Olyphant pouco pode fazer com o ínfimo tempo de tela que tem.
Ainda assim, sigo mantendo a esperança nos filmes do Gareth Evans, os dois The Raid não podem ser sorte de principiante. Só que daqui para frente acho que o diretor terá que usar rodinhas.
Extravagante, exagerado e divertidíssimo. A Outra Face é a epítome dos excessos dos filmes de ação dos anos 90, em que tudo resultava em tiroteio e explosão. Troca de rostos? Bomba com 10 dias para explodir? Prisão com chão magnético? Chegou um momento que só fiquei curioso pelo próximo pelo próximo absurdo que iria surgir.
A direção do John Woo é um daqueles elementos que tentaram copiar à exaustão nos anos seguintes, ainda que poucos tenham conseguido. É uma infinidade de coisas acontecendo na tela, corte atrás de corte, e ainda assim é possível saber exatamente o que está acontecendo na tela. Você fica tão envolvido nas cenas que ignora as armas que disparam balas infinitas ou o personagens que conseguem mirar enquanto estão no ar.
A dupla de protagonistas faz parte dos excessos que o filme se propõe, surtados o tempo todo. Por mais que eu seja fã de cartetirinha do Nicolas Cage, ver o John Travolta sem freios é um deleite. Dá para ver que ele se diverte demais no papel.
Seria um filme meia boca se não fosse o Nicolas Cage (que sempre entrega tudo de si independente do papel) e a direção do De Palma, que sabe usar a câmera como ninguém. Graças aos dois, temos um thriller que garante uma boa diversão.
Dá para ver que tem fortes inspirações nos suspenses do Hitchcock, a começar por aquele plano sequência absurdo que dá início ao filme.
Os Produtores
3.3 156 Assista AgoraContra todas as minhas expectativas, é um filme divertidíssimo. Talvez por não ter visto o original, considerado uma das melhores comédias já feitas, não fiquei tão incomodado quanto outros espectadores. Inclusive, o que me conquistou foi justamente o ponto que desagradou tanta gente: o tom exagerado e absurdo presente em cada cena. Há momentos que me pegaram muito desprevinido, como o pombo fazendo saudação naz... digo, saudação romanda, ou o teste para o papel de Hitler.
Mas é preciso reconhecer que o elenco tem seus altos e baixos. Matthew Broderick tem o carisma e o talento de uma árvore cenográfica. Felizmente, ao lado deles temos Nathan Lane se entregando de corpo e alma ao papel do produtor sedutor de velhinhas. Ele canta, dança, tem ótimas tiradas cômicas e faz uso até de humor físico.
E mesmo gostando, sentia que algo me incomodava e não tardou para eu perceber o que era. Além de ser inspirada no clássico filme de Mel Brooks, essa refilmagem também faz uso dos números musicais elaborados para o musical da Broadway (a diretora inclusive foi responsável por uma das montagens da peça). O problema não são os números musicais em si, apesar de alguns serem bem longos e desnecessários, mas sim que não houve um trabalho de adaptação deles para o cinema. Eles apenas foram gravados da forma como foram pensados para os palcos. Mesmo as atuações, exageradas e bastante expressivas, são típicas do teatro. Os próprios cenários por vezes parecem falsos demais.
Faltou um trabalho de adaptação na hora de transpor essa história de volta para o cinema, com números de dança e cenários pensados para a telona.
Socorro!
3.3 198Gosto de pensar que se o Sam Raimi quisesse, ele já teria feito a limpa no Oscar e outras premiações. Mas ele não tem paciência pra essa chatice e prefere se divertir fazendo filme sobre bode possuído e gente comendo inseto.
E o bom é que a gente se diverte junto. Socorro! traz de volta aquele Sam Raimi que faz aquela mistura perfeita de gore com humor escrachado que mais ninguém consegue fazer igual. Dessa vez, o mestre do terrir volta para satirizar o predatório mundo dos negócio e mostrar como certos predadores não são nada longe de seus habitats.
Quem também parece ter curtido bastante participar da produção são Rachel McAdams e Dylan O'Brien, que entregam atuações deliciosamente exageradas e que acompanham a escalada de loucura do filme. Cada nova cena de um dos dois tentando ferrar com o outro era uma garantia de risada genuína, algo que poucos longas atuais conseguem arrancar de mim.
E por mais que ele tenha uma duração extensa para sua proposta, Socorro! é tão gostoso de assistir que eu não consigo pensar qual cena eu cortaria. Pelo menos para mim, o verdadeiro defeito é que ele não vai tão longe quanto poderia, tanto na questão da violência quanto no desenvolvimento da história. Parece que chega um momento que o diretor decide pisar no freio.
Ainda assim, o novo filme de Sam Raimi é um oásis em uma indústria que esqueceu que filmes podem abordar temas importantes e ainda assim serem divertidos de se ver.
Cara de Um, Focinho de Outro
3.9 36É o filme mais DreamWorks da Pixar e isso não é nem um pouco. Tem os típicos momentos que emocionam a gente, mas também traz junto um senso de humor caótico e até mesmo anárquico que me pegou desprevenido em inúmeras cenas.
Police Story 4: Primeiro Impacto
3.4 72Só peguei para assistir porque estava prestes a sair da HBO Max e sabe-se lá quando ou em qual streaming esse filme iria ressurgir. E mesmo sendo muito fã do Jackie Chan, dei play sem animação nenhuma, pois parecia ser uma produção o próprio ator deve ter esquecido que participou. Inclusive, descobri apenas agora, após ler alguns comentários de outros usuários, que se trata de um filme da franquia Police Story.
Em poucos minutos minha apatia desapareceu. Como já era de se esperar, a trama de Primeiro Impacto é qualquer coisa. Começa envolvendo uma ogiva nuclear e em 15 minutos ela é completamente esquecida. Mas as cenas de ação são de cair o queixo. Tem perseguição na neve, luta com pernas de pau, escada sendo usada como arma, embate de baixo d'água e mais um monte de stunts protagonizados pelo destemido Jackie Chan. Cada nova setpiece é empolgante e completamente diferente da anterior, com alguns momentos de humor físico hilários.
Destaco a variedade das cenas de ação, pois é isso que falta nas produções do gênero atualmente. John Wick, apesar de suas ótimas coreografias, não saiu até hoje (basta assistir Bailarina) dos tiroteios em baladas e inimigos que são desarmados na base de torção no braço.
Claro que Primeiro Impacto tem seus defeitos, como os personagens que claramente sofreram overdub na pós-produção. Algumas vozes chegam a ser ridículas de tão caricatas. Ou o ritmo extramamente acelerado, resultado das várias cenas que foram deletadas. Mas tudo isso fica pequeno comparado à dedicação de Jackie Chan às sequências de luta e à diversão proporcionada por cada nova estripulia do ator.
Talvez o que falte nas produções de ação atuais seja esse senso de diversão. Todas são muito sisudas e feitas a toque de caixa. Para a sorte dos fãs do gênero, o que não falta são filmes do Jackie Chan para ver e rever.
Fantasmas de Marte
2.3 179 Assista AgoraGosto muito do John Carpenter e me divirto bastante com filmes ruins, mas esse daqui não deu. Se fosse só ruim, até poderia ser um bom passatempo, só que o problema de Fantasmas de Marte é que ele é chato. Mais da metade do filme consiste nos personagens andando para lá e para cá num cenário digno das piores seres de televisão daquela época.
E os personagens só são bons quando não abrem a boca, especialmente o que é interpretado pelo Jason Statham. Tudo que o sujeito fala tem apenas uma finalidade: tentar convencer a personagem da Cameron Diaz genérica dar pra ele. Então, quando cada membro da equipe morre, o único sentimento possível é de felicidade. Ou pelo seria felicidade, já que as mortes são mal filmadas e boa parte delas acontece numa mesma cena de correria.
Não julgo que o John Carpenter tenha deixado de fazer filmes depois desta bomba. Se após uma carreira cheia de clássicos, eu tivesse feito um troço ruim desses, também iria preferir me aposentar e ficar jogando video game.
Bailarina
3.4 295 Assista AgoraAntes do filme ser lançado, saíram notícias sobre ele ter passado por regravações e isso ficou bastante evidente enquanto eu assistia. Há partes que não se encaixam e acabaram sobrando no corte final. Por exemplo, as várias motivações da Eva empregar sua vingança: começa com a morte do pai, depois tem o sequestro da garota,
aí tem a morte da irmã que ela havia acabado de descobrir a existência...
Outro sinal de que o filme passou por regravações e foi todo picotado é a forma como ele lida com distância e passagem de tempo. A protagonista vai de um país para o outro como quem vai comprar fruta na quitanda. Em dado momento, eu pisquei e ela já estava em Praga. Fora o final, em que ela tinha menos de meia hora para dar um fim no vilão, e para isso precisou sair de uma igreja em ruínas (ou o que quer que fosse aquilo), chegar até o vilarejo e enfrentar uma porrada de capangas.
Mas nesse tipo de filme, o que importa são as cenas de ação, né? E ele até que tem umas divertidas. Uma evolução, pelo menos para mim, em relação aos filmes do John Wick é que esse daqui aposta bastante no sangue e violência gráfica. Sempre me incomodou muito que os longos protagonizados por Keanu Reeves fossem muito limpinhos e assépticos. Apesar disso, acho que já passou da hora da franquia superar os tiroteios em baladas com luz neon. Não é possível que alguém ainda se empolgue vendo aquilo. Aquele duelo de lança-chamas foi muito mais divertido de ver.
Em meio a tantos problemas, Ana de Armas faz o que pode para manter sua personagem e seu filme de pé em meio a esses tropeços. Mas parece que os próprios realizadores não tinham muita fé nela, tanto que John Wick aparece para salvar ela em determinado momento (uma decisão bem duvidosa, vale dizer).
Apesar de alguns momentos divertidos, Bailarina evidencia o cansaço desse universo. Se não for para apresentar e fazer coisas, qual o sentido de expandi-lo?
Indiana Jones e a Relíquia do Destino
3.2 357 Assista AgoraIndiana Jones está longe de ser um dos meus personagens. Gosto do aventureiro canastrão e carismático vivido por Harrison Ford e de seus três primeiros filmes, mas não o suficiente para me considerar fã dele. Ainda assim, até eu fico abismado com o nível de desrespeito e incompetência dessa 5ª (e espero que última) aventura do personagem.
Para começar, quem realmente achou que era uma boa ideia fazer um filme de aventura com um protagonista de 80 anos? A franquia sempre foi recheada de momentos fantásticos, só que nada no mundo me faz acreditar que um idoso octogenário saltaria de um carro em movimento, mergulharia com enguias ou levaria um soco na boca de um capanga de 2,10m sem ir direto pro hospital.
A impressão que dá é que até os roteiristas perceberam o quão absurdo é isso, então da metade para o final, Indy passa a ser expectador do seu próprio filme, sendo arrastado de um lado para o outro por algum personagem.
Simplesmente não há motivo para o vilão levá-lo em sua viagem ao passado em vez de meter uma bala na cabeça do aventureiro, só que isso acontece apenas porque se trata do protagonista.
E isso não é exclusividade do final, em vários momentos dá para perceber que o roteiro não consegue justificar a presença e desenvolver seu protagonista. Para ser justo, A Relíquia do Destino parte de uma premissa bastante interessante: após uma vida dedicada ao passado e com todos tão empolgados com o futuro, Indiana Jones não vê sentido em seu presente. Roteiristas competentes usariam as duas horas seguintes para trabalhar o personagem de forma que ele percebesse que a vida em 1969 ainda vale a pena. O que culminaria num final em que Indy decidiria entre ficar no passado ou voltar para sua época. Mas não estamos falando de roteiristas competentes, além de não conseguirem desenvolver o personagem ao longo de quase 2h30, outra personagem toma a decisão por ele após apagá-lo com um soco.
Os outros personagens também não escapam do amadorismo dos envolvidos. Sallah volta simplesmente porque sim, sem ter nenhuma utilidade para a trama, além de dar uma carona para o aeroporto (e gritar o nome do protagonista no meio da rua mesmo ele sendo procurado por meio mundo).
Já a personagem da Fleabag nunca se decide se é aliada ou rival, o que torna ainda mais forçado seu apego ao padrinho quando na cena em que tenta convencê-lo a voltar para 1969.
São momentos como esse que me fazem acreditar que o filme foi gravado a partir de uma fanfic e não de um roteiro de verdade. E os efeitos extremamente artificias - inclusive em momentos simples, como Indy atravessando a rua - só contribuem para a sensação de que não estou diante de uma aventura oficial de Indiana Jones, mas sim de uma imitação. Se os três primeiros Indiana Jones são uma verdadeira joias do cinema, A Relíquia do Destino está mais para uma imitação bastante mal feita e sem cuidado nenhum.
Rua do Medo: Rainha do Baile
2.2 157 Assista AgoraTerrorzinho pressão baixa. Em qualquer outra produção do gênero, o assassino perseguiria as vítimas, resultando em cenas de tensão. Nesse aqui, elas praticamente vão até o vilão e ficam esperando serem mortas.
A protagonista com aquele jeitinho sonso também não ajuda, assim como todo o resto dos personagens. Não serve nem para dizer que é o tipo de filme que a gente torce pelo assassino, pois ele também é sem-graça, a começar pelo visual.
O que vale é o gore. Algumas cenas de desmembramento são bem feitas. Apesar que o filme é tão parado e incapaz de criar tensão que é bem provável que algumas pessoas não tenham ficado acordadas para assistir.
The Electric State
2.8 167 Assista AgoraDe tempos em tempos, a Netflix lança seu filme mais caro de todos os tempos da última semana. De acordo com as minhas pesquisas, The Electric State custou US$ 320 milhões. E em meio a tantos milhões, parece que nenhum centavo foi gasto em um design de produção decente, aulas de atuação para a Millie Bob Brown ou uma revisão de roteiro.
A superprodução da Netflix é tipo aquelas imagens que a gente pede pro ChatGPT ou pro Gemini gerar. Num primeiro momento, ela enche nossos olhos e realmente parece algo digno de nossa atenção. Mas quanto mais prestamos atenção, mais erros vamos percebendo.
Tudo parece feito no piloto automático, a começar pelas atuações. A protagonista vivida por Millie Bob Brown diz que sente falta do irmão com a mesma expressividade que qualquer outra pessoa usaria para dizer que deixou o Tamagochi morrer, enquanto Chris Pratt parece ainda estar preso ao Senhor das Estrelas (mas sem um texto engraçado como o dos filmes dos Guardiões da Galáxia).
A direção preguiçosa também não ajuda. Anthony e Joe Russo são incapazes de evocar qualquer emoção em seu filme. As cenas de ação não empolgam, os momentos de drama não emocionam e as cenas de comédia são apenas constrangedoras. Em seus episódios de paintball em Community, os irmãos entregaram muito mais com um orçamento infinitamente menor.
É curioso como em seu final, Electric State apele para a importância das conexões humanas sendo que ao longo de duas horas ele se mostrou incapaz de nos conectar com seus personagens.
Zootopia 2
3.7 163Considero o primeiro Zootopia um dos maiores acertos da Disney nos últimos anos. O universo é interessantíssimo, os personagens são carismáticos e a trama funciona para todos os públicos. Crianças vem um filme sobre animais fofinhos correndo de um lado para o outro enquanto adultos enxergam o subtexto sobre preconceito e aceitação. Quando o filme terminou, eu já estava pronto para o próximo. Que veio quase 10 anos depois.
Mas para os personagens, o intervalo de tempo foi de apenas alguns dias. Lá estão eles investigando um novo caso que promete virar a cidade de cabeça para baixo. Zootopia 2 tem muitos méritos, a começar pelo ritmo. O filme começa frenético e não desacelera em nenhum momento.
Aquela cena com o soro antiofídico é deixar o coração na garganta...
E como se passou apenas uma semana, Judy e Nick estão um pouco diferentes, ainda que essencialmente sejam a mesma raposa cínica e coelha insegura. O desafio agora é funcionarem juntos apesar de suas diferenças.
E é interessante notar como essa é uma lição que a própria cidade parece precisar aprender.
Afinal, a trama central de Zootopia 2 gira em torno da exclusão dos répteis, sobre como eles foram marginalizados para que os mamíferos tivessem mais espaço.
Então, basicamente, Zootopia 2 é sobre como as pessoas... Digo, os bichos, podem e precisam funcionar juntos sem se anular. Sim, Nick e Judy são muito diferentes um do outro (algo ressaltado pelas outras duplas de policiais formados por animais da mesma espécie), ainda assim eles são ótimos juntos. E é claro a olhos nus que mamíferos e répteis não tem nada em comum, mas mesmo assim eles precisam encontrar uma maneira de conviver sem apagar as características que fazem ser quem eles são. Sim, viver em sociedade e conviver com pessoas... Digo, bichos, é difícil, mas vale o esforço. Tem que valer.
Zootopia 2 também acerta ao ter plena consciência de suas similaridades com o primeiro filme. Em vários momentos, o filme brinca com acontecimentos do filme anterior, chegando a fazer rimas visuais e quebrando a expectativa de quem está assistindo.
Note como, tal qual o primeiro filme, uma situação chave dessa sequência é resolvida com uma caneta.
E falando em rima visual, assim como aconteceu em 2016, em 2025 em saí da sala de cinema pronto para a próxima aventura de Judy e Nick, demore o tempo que for preciso.
Divisão de Homicídios
2.9 76 Assista AgoraUma comédia de ação em que as partes cômicas não tem graça nenhuma e as sequências de ação não empolgam em momento algum. Para piorar, todos os personagens (sem exceção, dos protagonistas aos coadjuvantes) são nada menos que insuportáveis. Harrison Ford e Josh Hartnett juntos funcionam tão bem quanto um chimpanzé e uma metralhadora carregada.
Chega um momento de Hollywood Homicide que o filme parece simplesmente esquecer o caso que a dupla de policiais está investigando. São longos e intermináveis minutos insistindo na mesma piada sobre o personagem de Harrison Ford ser um tira que faz bico de corretor de imóveis. É um daqueles casos em que uma piada sem graça é repetida à exaustão.
O crime pode até não compensar, mas ainda é uma decisão melhor do que pegar esse filme para assistir.
Frankenstein
3.7 596 Assista AgoraA palavra que melhor define o Frankenstein de Guillermo Del Toro é: bobo.
Os visuais são lindos, como já era de se esperar de algo feito por ele, mas a forma como a história é construída deixa muito a desejar.
Victor Frankenstein contando sua própria história parece ter satisfação em dizer que foi mentiroso, arrogante, talarico, egocêntrico, infantil. E a atuação canastrona do Oscar Isaac só deixa tudo pior. Então quando chega a vez da criatura contar a versão dela, tudo que eu consegui pensar foi:
- E precisa?
Não existe nuance ou margem para interpretação. O Victor é malvado, a criatura é uma coitada e acabou. E caso, ainda assim, o espectador não tenha entendido há uma cena em que é dito com todas as letras e com direito a pausa dramática quem é o verdadeiro monstro da história.
A falta de sutileza do novo filme de Del Toro é tanta que ele coloca várias cenas do cientista bebendo leite para que o público entenda que ele está tomando para si o dom da vida. O que era para ser apenas subtexto acaba sendo escancarado pela insistência do diretor.
Entendo que adaptações não precisam ser 100% fiéis ao material original, mas todas as mudanças que foram feitas parece que foi para pior. Entendo que enxergar beleza onde o restante do mundo vê apenas o grotesco é uma marca da filmografia de Del Toro, no entanto, neste caso só serviu para tirar toda a profundidade de um dos maiores clássicos de todos os tempos.
Ghostbusters: Apocalipse de Gelo
2.7 188 Assista AgoraApocalipse de Gelo tem uma tarefa difícil: agradar os fãs dos filmes antigos ao mesmo tempo que tenta estabelecer os novos. Como resultado, temos um excesso de personagens que parecem nunca ter tempo de tela o suficiente.
Esse novo Caça-Fantasmas (sério, eu me recuso a chamar de Ghostbusters) até traz algumas boas ideias, como toda subtrama da personagem da McKenna Grace, e tem um elenco bem carismático. Destaco o Dan Aykroyd, que mesmo após todos esses anos ainda parece nutrir um carinho genuíno por seu personagem e aquele universo.
Ainda assim, boa parte disso se perde em meio aos excessos. Além dos inúmeros personagens, que estão sempre chegando, a trama fica mais e mais megalomaníaca a cada cena. Fico com a impressão que tentaram dar uma escala nível Vingadores (o famigerado raio no céu não me deixa mentir) para algo que poderia ser muito mais contido.
Para uma franquia chamada Caça-Fantasmas, é curioso como nunca pensaram em levar os personagens para uma aventura mais contida, numa mansão mal-assombrada ou algo do tipo. Talvez seja hora de fazer isso.
Five Nights At Freddy's: O Pesadelo Sem Fim
2.5 366 Assista AgoraPara quem quiser se divertir muito mais, recomendo Willy's Wonderland. Trata-se de uma cópia protagonizada pelo Nicolas Cage que ao menos se assume como trash.
A diferença é que lá o filme não se leva tão a sério e temos o Nicolas Cage, sem dizer uma palavra o filme todo, sentando a porrada nos animatrônicos. Tem gore e diversão, duas coisas que faltaram nesse daqui.
O Gato
3.0 393 Assista AgoraNão achei a atrocidade que muitos comentam por aí. Tem uma boa direção de arte, sem medo de ser ridículo. E as piadas seguem a mesma lógica, sendo tão absurdas quanto possível. A cena do gato desdobrando o porta-retrato da mãe do protagonista como um pôster da Playboy me fez rir alto por ser inesperada e principalmente por ser muito errada para um filme infantil.
O curioso é que cenas assim só são possíveis graças ao Gato. Ao mesmo tempo que ele proporciona os melhores momentos, ele é de longe a pior coisa possível. E nem digo apenas pela face que entra com vontade no Vale da Estranheza. A própria "escolha" de Mike Myers para o papel foi bastante equivocada (entre aspas por o comediante foi praticamente obrigado judicialmente a protagonizar o filme). Chega a ser irritante a mania que Myers tem de pontuar cada uma de suas punchlines com uma careta (o que só piora o Vale da Estranheza do personagem-título). E eu tenho certeza que isso é um costume do ator, já que ele faz exatamente a mesma coisa em Austin Powers.
O resultado disso é que após um tempo, mesmo o senso de humor anárquico da produção se torna bastante cansativo.
Vestida Para Matar
3.8 286 Assista AgoraSe eu ganhasse uma moeda para cada vez que o De Palma dirigiu um suspense com inspirações em Alfred Hitchcock e toques de voyuerismo, eu teria três moedas. O que não é muito, mas é estranho que tenha acontecido tantas vezes.
Arrebentando em Nova York
3.5 123 Assista AgoraO roteiro é, sendo bem generoso, inexistente. Muito do que acontece não tem conclusão e nem consequência nenhuma. O mercado do tio do Jackie Chan é completamente destruído em certo momento e nem chegamos a ver a reação do velho quando descobre.
Mas, sinceramente, quem se importa? O carisma e a dedicação do Jackie Chan fazem a gente relevar qualquer defeito.
Superman
3.6 917 Assista AgoraToda história - as boas pelo menos - é um reflexo do momento em que ela é contada. E este novo Superman, dirigido pelo James Gunn, é um ótimo exemplo disso. Todos já sabemos de cor e salteado a origem do último filho de Krypton: a explosão de seu planeta natal, a criação pelo casal do Kansas e todo resto. É uma história que já foi contada e parodiada diversas vezes nas últimas décadas.
Partindo desse pressuposto, James Gunn usa o primeiro super-herói não para contar mais uma vez o seu início, mas para abordar temas atuais como perseguição a imigrantes e genocídios. Outrora um símbolo máximo do jeito americano de ser, em 2025 o Superman se posiciona contra atrocidades que não deveriam ser aceitas por ninguém, algumas delas perpetratadas pelo próprio EUA que o "adotou". Diferente de muitos, o Superman não consegue ficar em paz e sem agir ao saber que magnatas e chefes de estado (alguns, ilegítimos) estão lucrando com a morte de inocentes. Tá tudo ali, na tela de cinema e, infelizmente, também está todo dia nas telas dos noticiários e smartphones.
Não vou mentir, o longa de James Gunn tem seus defeitos. O ritmo apressado e a duração curta prejudicam ele. Uns 20 minutos a mais, para desenvolver algumas relações, principalmente com o casal Kent, fariam bem ao filme. Em alguns momentos também fica um pouco difícil entender o que está acontecendo em tela durante os confrontos. Parece que o James Gunn gostou tanto dos elogios que recebeu pelo plano-sequência de Guardiões da Galáxia 3 que agora todas as cenas de ação tentam repeti-lo: sempre a câmera girando em torno de um ou mais personagens enquanto o embate acontece. Funciona com a espetacular sequência com o Mr. Terrific (com aquele T gigante estampado na cara dele, me nego a chamar ele de Sr. Incrível), porém não é tão bem-sucedido quando tenta repetir o efeito em outras duas ou três lutas, soando confuso e repetitivo.
Outro ponto que pode deixar algumas pessoas confusas é que o filme já começa com a história andando. Em vez de ler uma revistinha número 1, é como se você pegasse a edição 30 e tivesse que entender tudo que aconteceu antes. A mim não incomodou, foi realmente como ver um quadrinho transportado para a telona. Chega até a ser poético que
as câmaras da prisão interdimensional de Lex Luthor se pareçam tanto com o grid de uma página de HQ, e quando o Superman finalmente escapa é como se ele estivesse saindo do papel e ganhando as telas.
Muito se falava sobre a versão anterior do Superman para os cinemas. Que era moderno, adulta e realista. Durante um tempo, eu mesmo pensava isso. Depois percebi que nenhum desses adjetivos realmente descrevia aquele Superman inexpressivo, sem carisma e excessivamente depressivo.
Será apenas uma coincidência que um dos vilões do longa se revele uma versão dark e sem emoções do herói?
Nada disso, esse novo Superman, com todas as suas cores e inocência, é adulto e moderno. Só não é realista, mas aí já é um problema da humanidade atualmente.
Perfume de Mulher
4.3 1,3K Assista AgoraTenho a impressão de que assisti um filme diferente dos demais que comentaram aqui. Não vi essa obra-prima que muitos estão comentando, pelo contrário, foram as 2h30 mais torturantes que lembro de ter passado recentemente.
Poderia dizer que Perfume de Mulher é clichê, afinal todos já vimos histórias de personagens díspares que vão se entendendo aos poucos. Mas o filme em questão não é ruim por ser clichê, e sim por ser mal-executado. É desnecessariamente longo, com cenas que duram além do necessário e outras que nem precisavam existir.
E o que faz tudo parecer ainda mais longo são os personagens e seus intérpretes. Al Pacino é incontestavelmente uma lenda do cinema, ninguém pode tirar esse mérito deles, no entanto aqui ele exagerou muito no overacting. A forma como Frank foi escrito já o torna irritante, mas a atuação exagerada de Pacino (WHOO AAH!!!) faz ele beirar ao insuportável. Em alguns momentos me perguntei a razão do Charlie apenas não deixar aquele velho maldito se ma**r.
A resposta é que o personagem de Chris O'Donnell não fez isso porque ele não tem o mínimo de personalidade. Nessas produções, o contraponto ao velho ranzinza é um jovem rebelde que sempre tem respostas à altura, é o que torna a dinâmica da dupla interessante. Perfume de Mulher se difere dos demais ao trazer um jovem completamente apático e com um drama chato e muito fácil de ser resolvido: era só entregar os riquinhos. Fim. Toda essa lengalenga seria muito mais fácil de suportar se Charlie não fosse um pamonha que passa o filme todo de cabeça baixa ouvindo as atrocidades de Frank.
Sempre que eu me sentir mal por não ter visto algum clássico, vou me lembrar de Perfume de Mulher. Pode ser que eu não esteja perdendo nada.
O Som do Trovão
2.4 215 Assista AgoraNas mãos de um Steven Spielberg ou de um Denis Villeneuve, um conceito desses renderia um filmaço. Infelizmente, não foi o caso e tivemos um filme que daria vergonha aos piores episódios da novela Os Mutantes.
Antes apenas os efeitos especiais fossem ruins (até porque não foram finalizados), mas vários outros aspectos dele deixam muito a desejar. Algumas atuações beiram ao ridículo, principalmente o ricaço que fica se tremendo de medo durante a viagem. A edição é sem ritmo e manteve cenas que acabam sobrando, como aquela do protagonista com a "prima" dele. Os figurinos e as armas parecem ter saído de uma loja de brinquedos.
Poderia passar horas descrevendo da forma mais preguiçosa possível tudo de desastroso que foi feito em O Som do Trovão, só que nem isso essa tranqueira merece. Finalizo meu comentário com uma piadinha óbvia, do jeito que O Som do Trovão merece: para consertar esse filme, só voltando no tempo para impedir que ele seja feito.
Missão: Impossível - O Acerto Final
3.6 260 Assista AgoraMISSÃO IMPOSSÍVEL 2, TEMOS VISITA
Mas que jeito desastroso de encerrar uma franquia, hein? Cansativo e expositivo ao máximo, Missão Impossível: O Acerto Final tenta desesperadamente criar uma mitologia para uma série de filmes que nunca foi sobre isso.
Além das conexões desnecessárias com os capítulos anteriores, transformaram Ethan Hunt, que até então eram apenas um agente secreto muito ousado, na personificação de Jesus Cristo (- Você é o escolhido, Ethan, está destinado a derrotar o Pai das Mentiras e a se sacrificar pela humanidade). A impressão que dá é que, após Top Gun: Maverick, o Tom Cruise realmente passou a achar que ele era o salvador do cinema. Não que antes os filmes não fossem megalomaníacos, só que pelo menos eles eram divertidos, a gente ficava querendo saber qual seria a próxima loucura do protagonista.
Esse novo Missão Impossível até tem boas cenas de ação, a do avião que encerra o filme é de tirar o fôlego, mas até chegar ela temos quase uma hora de flashbacks e diálogos expositivos que deixariam Christopher Nolan orgulhoso. Então quando chegam as setpieces, o cansaço é tanto que mal dá para se empolgar como elas mereciam. A necessidade de deixar tudo bem explicado é tanta que há flashbacks de cenas que vimos há 5 minutos. O resultado disso é que, em quase 3 horas, temos duas grandes cenas de ação. Agora, explicações, ah, isso temos de sobra.
Se Missão Impossível 2 era alvo de piadas pela galhofa, pelo menos ele se entende como filme de ação. Em meio a galhofa e pombas voando, ainda dá para se entreter. Já O Acerto Final é só uma extensão do ego do Tom Cruise, uma ode ao quão incrível e necessário ele é.
Como fã da franquia, esse final é frustrante. Cresci vendo os dois primeiros na TV aberta, aluguei o terceiro para ver em DVD e a partir de Protocolo Fantasma vi todos no cinema. Torço para que esse não seja o último filme, Missão Impossível não merece chegar ao filme desse jeito. Quem sabe com a surra que Tom Cruise levou nas bilheterias de Barbie, Oppenheimer e Lilo & Stitch e com o fracasso dos dois longas mais recentes da franquia (especula-se que o 8º tenha custado US$ 400 milhões, logo ele precisa arrecadar por volta de US$ 1 bilhão PARA COMEÇAR A SE PAGAR) a bola dele tenha baixado pouco e ator aceite fazer um filme que não o endeusa tempo todo. Ou talvez, domar o grande ego do astro de 1,60m seja a verdadeira Missão Impossível.
Caos e Destruição
2.9 139 Assista AgoraParece que diferente de andar de bicicleta, é possível, sim, desaprender a fazer filmes de ação e tá aqui o Gareth Evans que não me deixa mentir.
Filmado durante a pandemia e engavetado por 4 anos (talvez isso explique o CGI pavoroso nos prédios, carros e sangue), Caos e Destruição passa longe das obras-primas que são The Raid e The Raid 2. Se os dois filmes citados se destacaram pelas cenas de luta empolgantes e muito bem coreografadas, esse novo lançamento da Netflix parece mais perdido que cego em tiroteio. A inspiração no cinema de ação de John Woo é óbvia, só que Evans não tem a maestria do diretor chinês para orquestrar trocas de tiro. Em vez de serem absurdos e excessivos, eles são apenas bagunçados mesmo, deixando o espectador perdido em vários momentos.
Tá certo que filmes de ação não são conhecidos por terem roteiros intrincados, mas esse aqui abusa da boa vontade do espectador. Além da trama desnecessariamente rocambolesca, há um detalhe que invalida o filme todo:
em poucos segundos o personagem do Tom Hardy percebeu por conta das cápsulas de bala que o filho do Forest Whitaker não era culpado, então por que ninguém mais prestou atenção nisso? Não é como se fosse algo muito difícil de perceber.
E nem o elenco recheado de estrelas salva Caos e Destruição. Tom Hardy parece totalmente desinteressado e Timothy Olyphant pouco pode fazer com o ínfimo tempo de tela que tem.
Ainda assim, sigo mantendo a esperança nos filmes do Gareth Evans, os dois The Raid não podem ser sorte de principiante. Só que daqui para frente acho que o diretor terá que usar rodinhas.
A Outra Face
3.7 721 Assista AgoraExtravagante, exagerado e divertidíssimo. A Outra Face é a epítome dos excessos dos filmes de ação dos anos 90, em que tudo resultava em tiroteio e explosão. Troca de rostos? Bomba com 10 dias para explodir? Prisão com chão magnético? Chegou um momento que só fiquei curioso pelo próximo pelo próximo absurdo que iria surgir.
A direção do John Woo é um daqueles elementos que tentaram copiar à exaustão nos anos seguintes, ainda que poucos tenham conseguido. É uma infinidade de coisas acontecendo na tela, corte atrás de corte, e ainda assim é possível saber exatamente o que está acontecendo na tela. Você fica tão envolvido nas cenas que ignora as armas que disparam balas infinitas ou o personagens que conseguem mirar enquanto estão no ar.
A dupla de protagonistas faz parte dos excessos que o filme se propõe, surtados o tempo todo. Por mais que eu seja fã de cartetirinha do Nicolas Cage, ver o John Travolta sem freios é um deleite. Dá para ver que ele se diverte demais no papel.
Olhos de Serpente
3.2 141 Assista AgoraSeria um filme meia boca se não fosse o Nicolas Cage (que sempre entrega tudo de si independente do papel) e a direção do De Palma, que sabe usar a câmera como ninguém. Graças aos dois, temos um thriller que garante uma boa diversão.
Dá para ver que tem fortes inspirações nos suspenses do Hitchcock, a começar por aquele plano sequência absurdo que dá início ao filme.