A impressão que dá é que o nome da série é "Sem Querer Querendo" não como referência ao clássico bordão do Chaves, mas porque o Roberto Bolaños é sempre retratado fazendo as coisas por acidente. Ora, ele não queria trair a esposa com uma colega de elenco, foi tudo por acaso. Ele até mesmo tentou dar um fim no caso dos dois. Se Chespirito foi um pai ausente, foi contra sua vontade. Assim como também nunca foi sua intenção ficar cego pelo sucesso. Pobre Roberto Bolaños, não passava de uma vítima sua própria fama.
Mesmo seus icônicos personagens são retratados como se fossem fruto da combinação das experiências pessoais do comediante e um arroubo momentâneo de genialidade. Mais um feliz acidente que fez Roberto Bolaños ser quem é. Pesquisar? Se inspirar? Refação? Gênios não precisam disso.
Enquanto Bolaños é retratado com um gênio trágico, outros nomes que integraram o programa não têm a mesma sorte. A personagem que representa Florinda Meza é mostrada constantemente incentivando o comediante a abandonar sua vida familiar, já o intérprete do Quico é quase sempre mostrado como um encrenqueiro ingrato.
Mas apesar de tudo isso, a série funciona como série? Mais ou menos. A parte técnica é impecável, em especial a reconstrução da época. A maquiagem também merece elogios, em especial no último episódio, com Bolaños já envelhecido sem parecer exagerado ou cartunesco.
Agora, o roteiro, de vez em quando dá umas derrapadas. Para reforçar que Chespirito era um gênio trágico e injustiçado, a histórias vezes toma rumos que não fazem sentido. Por exemplo, se Chapolin foi um sucesso, não faz sentido mostrar que a emissora não levava fé na criação da Turma do Chaves. Parece algo feito só para criar uma tensão barata. A própria gravação do primeiro episódio do Chapolin é desnecessariamente dramática, com a equipe fazendo tudo de madrugada sem a autorização da emissora.
Parece que após 50 anos, os filhos de Roberto Bolaños (produtores da série) ainda não entenderam que seu pai era um ser humano, e, assim como todo ser humano, estava sujeito a cometer erros e ter defeitos por conta própria. Ninguém precisava obrigar ele a fazer nada, ainda mais na posição que ele estava. Até porque é de conhecimento público que Florinda Meza não foi sua primeira amante. O melhor que os filhos de Bolaños podem fazer com o dinheiro que ganharam com essa série é ir fazer terapia, talvez assim eles resolvam algumas questões.
O Danny McBride tem boas ideias, no entanto, ele claramente não sabe como conduzir e muito menos como concluir elas. Gemstones se encerra de forma bagunçada e apressada, sem terminar muitos arcos que abriu e os que foram concluídos, acabou sendo de forma preguiçosa.
Ainda assim, comparado com Vice Principals, série anterior do ator e produtos, Gemstones pelo menos chegou ao fim de forma menos problemática.
como matar o Foggy Nelson logo no início da temporada. Lembro que na época cheguei a dizer que servia para mostrar as consequências da atuação do Matt Murdock como Demolidor, talvez se tivessem deixado para o meio da temporada fosse melhor, mas ainda assim não estavam errados em fazê-lo.
No entanto, com o passar dos episódios percebi que a série não chegava a lugar nenhum. Toda semana ficava mais evidente que Demolidor: Renascido era um monstro de Frankenstein formado pelas cenas que haviam sido gravadas originalmente e pelo material produzido nas regravações.
Por exemplo, muito se alardeou sobre o Muse, que seria um vilão que iria transformar a vida do Demônio de Hell's Kitchen num inferno. Na prática, foi um arco que mal durou 2 episódios. Do nada, é revelado que o sujeito
matou 60 pessoas e ele aparece dizendo para a terapeuta o ajudou descobrir quem realmente era. Mas como isso aconteceu? O que ela disse para o Muse entendesse isso? Como 60 pessoas desaparecem e ninguém dá pela falta delas? O que ele tinha contra o Fisk para produzir aqueles grafittis por NY? Se fosse para apostar, diria que isso e muitos mais foi limado na sala de edição.
O último episódio escancara de vez que a série foi praticamente refeita pelos editores e reescrita às pressas. Ele se passa ao longo de um noite, logo após o Matt levar um tiro pelo Rei do Crime, certo? Eu consigo até acreditar tudo aquilo aconteceu nesse espaço de tempo, mas, a não ser que
Karen Page tenha um poder de teletransporte não revelado, não faz o menos sentido ela ter ido da Califórnia para NY em poucas horas, assim que ficou sabendo o que aconteceu com o amigo. A personagem cruzou os EUA de costa a costa como quem vai na padaria. Fora as conveniências de roteiro, como Frank Castle encontrar o Matt Murdock no apê do advogado, sendo que eles nem haviam combinado. Se o protagonista não tivesse, convenientemente, fugido do hospital, provavelmente o Justiceiro ainda estaria lá esperando.
Tudo isso para quê? Para agradar fã. Dane-se a lógica, coloca mais fanservice.
De tudo que decaiu em relação às temporadas da Netflix, o mais gritante são as cenas de ação. Fomos de sequências dignas de John Wick e The Raid para momentos que poderiam estar nos piores filmes para home video do Steven Seagal.
Lembro que na época, elas viraram referência entre os fãs pela coreografia e pela forma como elas eram filmadas. Em Demolidor: Renascido, a coreografia é inexistente, em vez disso temos cortes e mais. A cena corta três vez para que um personagem dê um soco e mais três para mostrar o adversário sendo golpeado. A luta do herói contra o Muse é um ótimo exemplo disso. Mas o cúmulo, novamente, fica para o último episódio, em que tiveram a brilhante ideia de fazer o embate do Demolidor e do Justiceiro contra os policiais corruptos totalmente no escuro. Talvez a proposta fosse fazer uma cena imersiva, fazendo o espectador se sentir como um cego sem entender o que está acontecendo na tela.
E a principal desculpa para as regravações era que antes a série estava inassistível. Levando em conta o que eu assisti, fica difícil imaginar que podia ter sido pior.
Com potencial para ser muito mais do que entregou, essa primeira temporada de Ahsoka é apenas divertida. Para começar, o nome da série nem deveria ser Ahsoka, já que a personagem fica em segundo plano em muitos momentos e o foco parece ser mais dar continuidado aos projetos do Filoni.
E na tentativa de conectar tudo, muitos pontos acabam ficando mal explicados e algumas conexões soam forçadas. O melhor exemplo disso é o personagem do saudoso Ray Stevenson que fica num eterno "vem aí" sem nunca entendermos direito o que ele quer. Se temos a impressão de que ele é inescrupuloso e ameaçador, muito se deve à atua de Stevenson, que era expert em dar vida a personagens assim.
Já o tão temido Thrawn... Bem, se você não tiver conhecimento prévio de quem ele é, vai só achar ele patético, já que em nenhum momento ele faz algo realmente digno de nota. Talvez o verdadeiro vilão da primeira temporada de Ahsoka seja a necessidade de se conectar com inúmeras outras obras, o que acaba prendendo a série sem permitir que ela saia do lugar.
Melhorou bastante em relação à temporada anterior. Todos os personagens tiveram ótimos momentos, principalmente o Hal. É até injusto pensar que o Bryan Cranston nunca ganhou nenhum prêmio grande pelo papel, é admirável o quanto ele se entrega pelo personagem, de momentos de comédia física até cenas da mais pura vergonha alheia.
Minhas ressalvas são, assim como na 3ª temporada, com o núcleo do Francis. Mesmo que a fazenda e as situações envolvendo ela tenham ajudado o personagem a evoluir e tenham sido bem mais divertidas do que aquela história no Alaska, fiquei com mais vontade de ver vida de casado com a Piama.
Já faz duas temporadas que ela é esposa do Francis, ainda assim a série segue relegando-a ao papel de personagem secundária que ocasionamelmente pode aparecer entre um ou outro episódio. Teria sido bem mais interessante ver o dia a dia do jovem casal do que ver o Francis livrando o Otto de mais uma trapalhada.
e seus mais de 500 anos de vida. Sei que Fargo sempre teve elementos de fantasia e realismo fantástico, só que o personagem de Sam Spruell parecia não ter conexão com o restante da história que estava sendo contada. Certo, ele é um matador de aluguel que viveu séculos, mas e daí? Até a última cena, eu não estava entendendo o papel dele ali.
Aí veio a última cena, que começa muio tensa. Tudo podia acontecer ali,
estamos vendo um personagem que ao que pode muito bem ser imortal e uma protagonista capaz de fazer qualquer coisa para sobreviver e proteger aqueles que ama. E o rumo que a cena toma é completamente inesperado, até para os padrões de Fargo.
a importância de perdoar, de ser amado e como isso pode quebrar um ciclo de violência e mortes, foi lindo. Principalmente se levarmos em conta que o tema central da temporada foram dívidas, sejam financeiras ou de honra. Como elas são usadas para justificar derramamentos de sangue e enriquecimento absurdos. Como algumas pessoas tem suas vidas arruinadas por elas.
Ainda preciso destacar as atuações de ambos atores. Juno Temple faz uma Dorothy doce ou determinada de acordo com o que a cena pede, sem que a personagem perca a identidade. Já o Ole Munch de Sam Spruell, com sua fala truncada e jeito rústico, não nos deixa duvidar que o personagem foi mal tratado e passou por todo tipo de perrengue ao longo dos séculos. E ainda tem o incrível Jon Hamm, que não estava na cena final, mas que deu vida a um vilão que dá gosto da gente odiar.
Foram 15 minutos que deixaram o que já estava bom, ainda melhor!
Se você, assim como eu, jogou aos games de Need For Speed e adorava passar horas tunando os carros, deve se lembrar daquelas calotas que ficavam rodando mesmo quando o veículo estava parado. The Boys é assim: gira, gira e gira, sem nunca sair do lugar.
Como eu já havia observado durante a 3ª temporada, parece que o Eric Kripke ainda acha que está fazendo série procedural, porque nada nunca tem consequência e nem vai pra lugar nenhum. Em Supernatural, Sam e Dean viviam brigando entre si, faziam as pazes no final do episódio e no episódio seguinte se desentendiam de novo. Com The Boys é a mesma coisa: Hughie e Starlight estão sempre brigando por alguma coisa
(o cúmulo para mim foi no último episódio, quando ela fica brava porque ele não percebeu que estava com uma transmorfa)
, o Leitinho tá sempre cabrero com o Butcher por algum motivo, este por sua vez tem sempre um plano infalível para derrotar o Capitão Pátria, mas que nunca dá em nada.
E ainda assim, a série consegue chegar ao fundo do poço com a relação entre Kimiko e Francês.
É uma indecisão que não dá para entender. No final da temporada passada a personagem tinha dito que não queria nada e no final dessa, sem nenhum tipo de desenvolvimento, ela decide que está assim apaixonada pelo seu colega de equipe. E a culpa que o Francês sentia por ter assassinado a família do ex-namorado? Isso a série convenientemente esquece, até porque se o Francês passou uns dias na cadeia, então já tá tudo resolvido.
E por falar em fundo do poço, por que o Profundo ainda tá vivo? Tem umas duas temporadas que o personagem fica sendo jogado de um lado para o outro sem nenhuma serventia dentro da trama. Na verdade, não só ele, mas a série já se mostrou covarde em matar os principais personagens. Os figurantes perdem a vida das formas mais absurdas e sangrentas que se pode imaginar, já os principais nunca correm perigo algum. Em determinado episódio, Capitão Pátria flagrou o Hughie espionando e deixou ele escapar sem nenhuma consequência. Estamos falando de um vilão que já assassinou muita gente por motivos mais bestas. Não faz o menor sentido ele não ter ido atrás do Hughie e da família dele para cometer atrocidades inimagináveis.
A impressão que dá é que a personalidade dos personagens vive variando dependendo do momento, como, por exemplo, o Ryan que nunca decide de qual lado está. Até porque deve ser muito difícil escolher entre um assassino estuprador e qualquer outra pessoa. Os poderes dos supers também variam conforme a necessidade da história, numa hora a Starlight não consegue nem ser uma lanterna direito, enquanto na outra ela sai voando sem a menor dificuldade.
Deve ter aprendido com o Butcher, que em questão de minutos descobriu que tinha um poder e ainda aprendeu a controlá-lo.
E já está melhor que a Firecracker, cujo poder cabe ao público imaginar qual é.
Vou mentir se disser que The Boys não é divertida, as paródias que eles fazem dos filmes de heróis e os comentários ácidos sobre a realidade sempre me tiram uma risada. No entanto, depois de um tempo, a gente percebe que existem coisas mais divertidas para se fazer do que ver uma roda girar.
Pecou pelo excesso. Foram personagens demais, subtramas demais e até plot principal foi esticado demais.
Como se não bastasse isso, alguns dos personagens principais são interpretados por atores muito canastrões. Vejo todo mundo falando do Chris Rock, que até se esforçou bastante, já o intérprete do Gaetano... Era para ele ser ameaçador, mas toda vez que eu via ele com os olhos arregalados, só conseguia pensar no quão forçada era a atuação dele. E ainda temos um elenco recheado de grandes nomes que não são devidamente aproveitados.
E mesmo com todos esses defeitos, a pior temporada de Fargo continua sendo a melhor temporada de Fargo lançada naquele ano. Todo aquele apuro técnico que enche os nossos olhos ainda está lá. A reconstrução de época está irretocável e fica ainda melhor graças a uma das melhores fotografias da TV atualmente. Os personagens, apesar de mal trabalhados, continuam deliciosamente falhos.
Sabe quando você pega uma Coca-Cola para beber bem geladinha e acha uma delícia, só que esquece de fechar direito e no outro dia ela até que tá ok, mas sem gás? Assim foi a 2ª temporada de Invencível.
Aquele episódio especial sobre a Atomic Eve lançado antes da estreia do novo ano me deixou bastante esperançoso a respeito do que estava por vir. Nele, a personagem foi muito bem trabalhada e a animação estava notavelmente melhor, mais detalhada e com uma fluidez de movimentos muito melhore em relação à 1ª temporada. Aí conforme os episódios foram sendo lançados, acabei ficando com a impressão de que a história estava sem rumo.
Em grande parte tive essa percepção por conta do excessivo número de personagens que a animação parece fazer questão de trabalhar. Numa hora estamos vendo
os dilemas do Mark, aí na cena seguinte o Rex Splode tá tendo uma crise de maturidade, depois vemos o Nolan se arrependendo de tudo que ele fez e vai pulando de cena em cena porque, aparentemente, todos são muito importantes e só um desenho animado muito adultão mesmo daria profundidade a todos 47 personagens. Só que fica muito maçante!
E dividir uma temporada de apenas 8 episódios em duas partes não foi uma decisão das mais inteligentes. Só serviu para diminuir o hype de uma série que já estava em marcha lenta. Enquanto na temporada anterior, o burburinho em cima de Invencível crescia a cada semana, nessa ninguém parecia dar a mínima.
Aquele último episódio totalmente perdido sem cara de último episódio
Como vi muitas sitcoms com risadas de fundo nos últimos tempos, devo admitir que levei um tempo pra pegar o ritmo de Veep. Nessa produção da HBO, cada comentário ácido e maldoso é dito com a maior naturalidade do mundo, é capaz até de perder alguns se der bobeira e ficar esperando alguma reação dos demais personagens. Então, durante a primeira metade da temporada não estava achando muito engraçado.
Só que em algum momento, entre as paranoias da Selina e ambição do Dan, eu consegui me encontrar. Entendi que Veep não é aquele tipo de comédia que te faz rolar de rir, e sim uma sátira crua da política americana. É tão cru que em certos momentos você chega a pensar que está vendo algo real. Não duvido que no Congresso e na Casa branca haja pessoas tão mesquinhas e vazias como Selina e sua equipe. A melhor definição que consegui encontrar é a de que Veep é a irmã mais velha, maldosa e interesseira de Parks and Recreation.
O ágil roteiro permite que Julia Louis-Dreyfus deite e role (literalmente, em alguns momentos) quando está em cena. Sua Selina Meyers consegue ser tão insegura que variar em questão de segundos entre uma raiva que a faz berrar a plenos pulmões com um subalterno a uma falsa humildade de dar nojo. É uma personagem patética que dá gosto de ver em cena.
Foi de 100 a 0 em apenas 8 episódios. De momento não consigo me lembrar de uma série que me decepcionou tanto.
Os dois primeiros episódios apresentam um mistério intrigante e com vários suspeitos possíveis. Aí, com o passar da temporada, o tom de investigação vai se diluindo em meio a brigas de casal e arrependimentos, com direito a pistas caindo no colo dos personagens sem mais nem menos.
A resolução só não é mais preguiçosa que o final ambíguo deixa em aberto se o protagonista realmente encontrou a menina ou se tudo aquilo foi apenas um delírio da mente senil dele.
Sem falar nas várias subtramas que aparecem e são descartadas sem a menor explicação,
como o caso do filho do Hays com a jornalista (seria um jeito de dizer que ele vai cometer os mesmos erros do pai, que também se envolveu com uma mulher que investigava o caso?) ou o próprio documentário que simplesmente não serviu pra nada. Em determinado momento é dado a entender que o protagonista e sua filha se desentenderam, só que isso nunca mais é mencionado.
Outro ponto que deixa a desejar é a estrutura de flashbacks, além do vai e vem ser cansativo, ele ainda acentua a impressão de que a trama não evolui.
O que salva é o elenco. Elogiar o Mahershala Ali a essa altura do campeonato seria chover no molhado. O Purple Hays dele é provavelmente um dos personagens mais críveis e reais já apresentados numa série de TV. Mesmo no começo da temporada, quando ainda não sabemos toda a história, já podemos notar um quê de frustração no Hays dos anos 90 e notas de arrependimento em sua versão envelhecida. Stephen Dorff, um ator que sinceramente nunca chamou minha atenção, também não faz feio em alguns momentos tocantes pelos quais seu personagem passa. Para a nossa infelicidade, o restante desse 3º ano não estava à altura das atuações entregues por eles.
Pelo que li, muita gente lá nos EUA meio que desistiu da série após saírem com o TJ Miller e darem um final duvidoso pro Erlich. Pelo jeito os gringos curtiam bastante o humor babacão do personagem. Pra mim foi o contrário: foi a partir disso que a série começou a evoluir.
Apesar de ter seus momentos engraçados, o humor de maconheiro do personagem acabou destoando da série conforme a Pied Piper evoluía. A saída dele parece que serviu para os produtores e roteiristas se desapegarem de certas coisas que já não faziam mais sentido, como o cenário da casa-encubadora e eterna falta de verba da empresa. Chegou um ponto em que a série estava apenas se repetindo. Inclusive, considero a 5ª temporada uma evolução natural da segunda, uma vez que a 3ª e a 4ª temporada só fazem enrolar sem nunca levar nada adiante.
É a partir do 5º ano que Richard começa a ter que lidar com novos desafios, como gerenciar uma equipe maior e com as responsabilidades de estar à frente de uma gigante da tecnologia. Os desafios crescem junto com o valor de mercado da Pied Piper, e Richard, um jovem ensimesmado, nem sempre vai saber lidar com a situação. Mesmo o Gavin Belson, que estava perdido há tempos dentro da série, teve alguma serventia para o programa.
E apesar do final parecer esperançoso, Richard ainda guarda uma cópia do código da nova internet, assim como Monica parece ter contato com a NSA e Gilfoyle e Dinesh são donos de uma grande empresa de segurança digital. Ao que tudo indica, eles não conseguiram abrir mão da criação da Pied Piper. Ninguém abre mão do poder assim tão fácil, ainda mais um que está a um ENTER de distância.
Apesar de continuar com momentos bem engraçados e críticas bastante acertadas sobre o cenário das big techs, isso não é o suficiente para manter essa temporada no mesmo nível das duas primeiras. Junto com a terceira, é praticamente uma temporada filler que não adiciona em nada à jornada da Pied Piper e nem na construção do Richard.
Só no último episódio temos um pequeno vislumbre do nosso protagonista se tornando
alguém inescrupuloso que é capaz de passar por cima de tudo e de todos para atingir seus objetivos, um típico gênio da tecnologia.
No mais, foi só mais uma sequência de episódios com a fórmula "surge problema, Pied Piper em risco de fechar, Richard tenta resolver e faz merda, Erlich também faz droga, Pied Piper é salva de uma forma mirabolante". Todo impacto de uma reviravolta se esvai quando se percebe que elas são usadas em excesso, sempre com o mesmo efeito: livrar os personagens de qualquer perigo.
Repito o que disse no comentário da temporada anterior: gosto dos personagens e das interações entre eles, mas a série parece sem rumo e o ápice disse é nessa temporada. Talvez o cancelamento tenha sido um tiro de misericórdia, já que os roteiristas não sabiam o que fazer com a Christine.
Ao mesmo tempo que ela começa a fazer terapia (e desiste poucos episódios depois), também toma atitudes ainda mais estranhas. O mesmo vale pros outros personagens. O Matthew volta com a ex (que estava prestes a se casar) para terminar com ela no episódio seguinte! O Richard ficou noivo da Barb, uma relação que mal é citada ao longo dos episódios.
A impressão que eu tenho é que os roteiristas apenas pensavam um monte de situações malucas sem se preocupar em como isso afetaria os personagens.
A ideia da série é bastante interessante e bem original, só que tem um porém: eu ri em raríssimas ocasiões. E isso num programa de comédia é um problema grave. Só continuei assistindo por causa do carisma e da simpatia do Ronald. Imagino o desastre que seria se o rapaz revelasse um baita de um escroto.
A série é divertida, os personagens são engraçados e a química entre eles é ótima, só tenho a impressão que depois de 4 temporadas, os responsáveis ainda não haviam se decidido sobre a relação da Christine com o Richard. Parece que eles nunca conseguem seguir adiante.
Antes ela fosse só inferior à primeira temporada, o que já era esperado já que ela é um das produções televisivas mais influentes dos últimos anos, mas ela também é chata e desinteressante.
Em nenhum momento eu me senti tocado pelo drama dos personagens, quando algo acontecia com eles eu simplesmente não importava. E quando o caso desse segundo ano foi finalmente desvendado, eu só consegui dizer: - Ah tá, então é isso. E ainda tem aqueles takes intermináveis da cidade e das estradas vistas de cima todo santo episódio. Imagino como deve ter sido decepcionante para quem viu na época.
Como bem disse o tradutor Érico Assis, Atlanta é aquela série que você assiste sem saber como será cada temporada, cada episódio ou mesmo cada cena. É tudo tão imprevisível que você não tem como saber o que vem a seguir. Tudo que dá para prever é que será algo muito bem roteirizado, dirigido, atuado e com críticas sociais em doses surreais, de resto é apertar o play e se surpreender.
Nessa temporada eles foram até o limite da experimentação, o que, pelo menos pra mim, só tornou tudo mais interessante. Há episódios que misturam comédia, terror, drama, em alguns momentos tudo na mesma cena.
Atlanta é televisão em seu mais alto nível sem precisar subestimar a inteligência do espectador ou apelar para ganchos baratos para prender a audiência.
Me sinto um velho conservador por dizer isso, mas o desenho seria bem melhor se não insistisse tanto em piadinhas sexuais.
A animação é de encher os olhos e a ideia de brincar com as celebridades e teorias da época é muito boa, só não foi devidamente desenvolvida porque a produção perdia mais tempo fazendo graça com pinto. O ápice foi um episódio que dedicou metade do seu tempo a uma subtrama envolvendo um molde de gesso da jeba de um dos personagens.
Lembro que gostava bastante da série na 1ª temporada. Ela sabia como mesclar humor, questões existenciais e violência. Com o perdão do trocadilho, não era nada de outro mundo, mas era divertido, você ainda conseguia se conectar com os personagens.
Só que essa 3ª temporada perdeu a mão. É muito personagem em tela fazendo papel de bobo, muita cena do Gary fazendo drama por tudo e muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Talvez se não tivessem criado tantos problemas para serem resolvidos, a série poderia até ter sido finalizada. Mesmo que ela continuasse, eu não sei se veria uma 4ª temporada, de tão maçante que eu achei esses últimos episódios.
para o Alasca. Cada novo episódio só evidenciava que os roteiristas não tinham a mínima ideia do que fazer com ele.
Trocaria tudo aquilo por mais dele com a Piama, achei genial a decisão de fazer o Francis casar com uma mulher tão agressiva e controladora quanto a Lois.
Além de fazer várias referências à Lawrence da Arábia (amarrando com uma fala do Marco Pasternak lá na primeira temporada), ele também mostra o Jimmy/Saul renegando de vez os seus princípios. A partir do momento que ele se sujou de sangue, não tinha mais volta, ele estava de vez no mundo co crime.
Isso ficou evidente quando o carro e o copo (ambos com o padrão amarelo-vermelho, presente até no logo da série) ficam inutilizáveis após o tiroteio. Depois disso, o vermelho, usado para representar personagens criminosos e de moral dúbia, se faria mais presente na vida do protagonista.
Sobrou até para o finado Chuck. Quando Jimmy/Saul se nega a usar o cobertor-térmico num momento de necessidade e termina o episódio pisando nele, é como se ele renegasse tudo aquilo que o irmão lhe ensinou. Chuck, o freio moral do protagonista, havia ficado para trás.
Fico embasbacado com a capacidade dos realizadores criarem tantas cenas com atuações, fotografia, diálogos e cortes impecáveis. Tem série com várias temporadas que não consegue uma única cena memorável, já Better Call Saul tem uma coleção delas em cada episódio.
Sempre se valendo dos ângulos mais inusitados, mas não por firula visual, mas para refletir os sentimentos de cada personagem. Note como Jimmy sempre aparece minúsculo ou descentralizado em várias cenas, principalmente naquelas em que ela está com o Chuck. Sem falar do simples, mas genial, esquema azul-vermelho para identificar personagens e locais que estão dentro ou fora da lei.
Ao longo do episódio do julgamento do Chuck, podemos ver "spoilers" de qual será o resultado, quando vemos Jimmy ao lado de uma máquina de refrigerantes com um azul gritante enquanto há uma cena longa do irmão numa sala com um aviso de saída vermelho brilhando ao fundo.
Mas o que faz tudo funcionar com perfeição são os personagens. Em sua maioria, não são heróis ou vilões. Por mais clichê que seja dizer isso, são pessoas comuns com defeitos, qualidades e arrependimentos.
Apesar de bastante severo com o irmão, Chuck se revela alguém disposto a fazer o que é certo sempre possível, um verdadeiro apaixonado pelo Direito. Já Jimmy, apesar de carismático e extrovertido (características invejadas pelo irmão), não hesita em tentar tirar vantagem de alguma situação sempre que possível. E, assim como acontece com pessoas reais, o relacionamento entre os dois serviu para reforçar esses traços de personalidade. Chuck quer porque quer fazer tudo certo por não suportar ver o caçula ser amado por todos apesar das tendências trapaceiras.
Enfim, o que já era bom em Breaking Bad está ainda melhor em Better Call Saul.
Chespirito: Sem Querer Querendo
3.5 109 Assista AgoraA impressão que dá é que o nome da série é "Sem Querer Querendo" não como referência ao clássico bordão do Chaves, mas porque o Roberto Bolaños é sempre retratado fazendo as coisas por acidente. Ora, ele não queria trair a esposa com uma colega de elenco, foi tudo por acaso. Ele até mesmo tentou dar um fim no caso dos dois. Se Chespirito foi um pai ausente, foi contra sua vontade. Assim como também nunca foi sua intenção ficar cego pelo sucesso. Pobre Roberto Bolaños, não passava de uma vítima sua própria fama.
Mesmo seus icônicos personagens são retratados como se fossem fruto da combinação das experiências pessoais do comediante e um arroubo momentâneo de genialidade. Mais um feliz acidente que fez Roberto Bolaños ser quem é. Pesquisar? Se inspirar? Refação? Gênios não precisam disso.
Enquanto Bolaños é retratado com um gênio trágico, outros nomes que integraram o programa não têm a mesma sorte. A personagem que representa Florinda Meza é mostrada constantemente incentivando o comediante a abandonar sua vida familiar, já o intérprete do Quico é quase sempre mostrado como um encrenqueiro ingrato.
Mas apesar de tudo isso, a série funciona como série? Mais ou menos. A parte técnica é impecável, em especial a reconstrução da época. A maquiagem também merece elogios, em especial no último episódio, com Bolaños já envelhecido sem parecer exagerado ou cartunesco.
Agora, o roteiro, de vez em quando dá umas derrapadas. Para reforçar que Chespirito era um gênio trágico e injustiçado, a histórias vezes toma rumos que não fazem sentido. Por exemplo, se Chapolin foi um sucesso, não faz sentido mostrar que a emissora não levava fé na criação da Turma do Chaves. Parece algo feito só para criar uma tensão barata. A própria gravação do primeiro episódio do Chapolin é desnecessariamente dramática, com a equipe fazendo tudo de madrugada sem a autorização da emissora.
Parece que após 50 anos, os filhos de Roberto Bolaños (produtores da série) ainda não entenderam que seu pai era um ser humano, e, assim como todo ser humano, estava sujeito a cometer erros e ter defeitos por conta própria. Ninguém precisava obrigar ele a fazer nada, ainda mais na posição que ele estava. Até porque é de conhecimento público que Florinda Meza não foi sua primeira amante. O melhor que os filhos de Bolaños podem fazer com o dinheiro que ganharam com essa série é ir fazer terapia, talvez assim eles resolvam algumas questões.
P.S.: era melhor ter ido ver a série do Pelé.
The Righteous Gemstones (4ª Temporada)
3.4 11O Danny McBride tem boas ideias, no entanto, ele claramente não sabe como conduzir e muito menos como concluir elas. Gemstones se encerra de forma bagunçada e apressada, sem terminar muitos arcos que abriu e os que foram concluídos, acabou sendo de forma preguiçosa.
Ainda assim, comparado com Vice Principals, série anterior do ator e produtos, Gemstones pelo menos chegou ao fim de forma menos problemática.
Demolidor: Renascido (1ª Temporada)
3.6 173 Assista AgoraQueria muito ter gostado mais, até cheguei a defender algumas questões bastante questionáveis,
como matar o Foggy Nelson logo no início da temporada. Lembro que na época cheguei a dizer que servia para mostrar as consequências da atuação do Matt Murdock como Demolidor, talvez se tivessem deixado para o meio da temporada fosse melhor, mas ainda assim não estavam errados em fazê-lo.
No entanto, com o passar dos episódios percebi que a série não chegava a lugar nenhum. Toda semana ficava mais evidente que Demolidor: Renascido era um monstro de Frankenstein formado pelas cenas que haviam sido gravadas originalmente e pelo material produzido nas regravações.
Por exemplo, muito se alardeou sobre o Muse, que seria um vilão que iria transformar a vida do Demônio de Hell's Kitchen num inferno. Na prática, foi um arco que mal durou 2 episódios. Do nada, é revelado que o sujeito
matou 60 pessoas e ele aparece dizendo para a terapeuta o ajudou descobrir quem realmente era. Mas como isso aconteceu? O que ela disse para o Muse entendesse isso? Como 60 pessoas desaparecem e ninguém dá pela falta delas? O que ele tinha contra o Fisk para produzir aqueles grafittis por NY? Se fosse para apostar, diria que isso e muitos mais foi limado na sala de edição.
O último episódio escancara de vez que a série foi praticamente refeita pelos editores e reescrita às pressas. Ele se passa ao longo de um noite, logo após o Matt levar um tiro pelo Rei do Crime, certo? Eu consigo até acreditar tudo aquilo aconteceu nesse espaço de tempo, mas, a não ser que
Karen Page tenha um poder de teletransporte não revelado, não faz o menos sentido ela ter ido da Califórnia para NY em poucas horas, assim que ficou sabendo o que aconteceu com o amigo. A personagem cruzou os EUA de costa a costa como quem vai na padaria. Fora as conveniências de roteiro, como Frank Castle encontrar o Matt Murdock no apê do advogado, sendo que eles nem haviam combinado. Se o protagonista não tivesse, convenientemente, fugido do hospital, provavelmente o Justiceiro ainda estaria lá esperando.
De tudo que decaiu em relação às temporadas da Netflix, o mais gritante são as cenas de ação. Fomos de sequências dignas de John Wick e The Raid para momentos que poderiam estar nos piores filmes para home video do Steven Seagal.
Lembro que na época, elas viraram referência entre os fãs pela coreografia e pela forma como elas eram filmadas. Em Demolidor: Renascido, a coreografia é inexistente, em vez disso temos cortes e mais. A cena corta três vez para que um personagem dê um soco e mais três para mostrar o adversário sendo golpeado. A luta do herói contra o Muse é um ótimo exemplo disso. Mas o cúmulo, novamente, fica para o último episódio, em que tiveram a brilhante ideia de fazer o embate do Demolidor e do Justiceiro contra os policiais corruptos totalmente no escuro. Talvez a proposta fosse fazer uma cena imersiva, fazendo o espectador se sentir como um cego sem entender o que está acontecendo na tela.
E a principal desculpa para as regravações era que antes a série estava inassistível. Levando em conta o que eu assisti, fica difícil imaginar que podia ter sido pior.
Star Wars: Ahsoka (1ª Temporada)
3.9 148Com potencial para ser muito mais do que entregou, essa primeira temporada de Ahsoka é apenas divertida. Para começar, o nome da série nem deveria ser Ahsoka, já que a personagem fica em segundo plano em muitos momentos e o foco parece ser mais dar continuidado aos projetos do Filoni.
E na tentativa de conectar tudo, muitos pontos acabam ficando mal explicados e algumas conexões soam forçadas. O melhor exemplo disso é o personagem do saudoso Ray Stevenson que fica num eterno "vem aí" sem nunca entendermos direito o que ele quer. Se temos a impressão de que ele é inescrupuloso e ameaçador, muito se deve à atua de Stevenson, que era expert em dar vida a personagens assim.
Já o tão temido Thrawn... Bem, se você não tiver conhecimento prévio de quem ele é, vai só achar ele patético, já que em nenhum momento ele faz algo realmente digno de nota. Talvez o verdadeiro vilão da primeira temporada de Ahsoka seja a necessidade de se conectar com inúmeras outras obras, o que acaba prendendo a série sem permitir que ela saia do lugar.
Malcolm (4ª Temporada)
4.2 14 Assista AgoraMelhorou bastante em relação à temporada anterior. Todos os personagens tiveram ótimos momentos, principalmente o Hal. É até injusto pensar que o Bryan Cranston nunca ganhou nenhum prêmio grande pelo papel, é admirável o quanto ele se entrega pelo personagem, de momentos de comédia física até cenas da mais pura vergonha alheia.
Minhas ressalvas são, assim como na 3ª temporada, com o núcleo do Francis. Mesmo que a fazenda e as situações envolvendo ela tenham ajudado o personagem a evoluir e tenham sido bem mais divertidas do que aquela história no Alaska, fiquei com mais vontade de ver vida de casado com a Piama.
Já faz duas temporadas que ela é esposa do Francis, ainda assim a série segue relegando-a ao papel de personagem secundária que ocasionamelmente pode aparecer entre um ou outro episódio. Teria sido bem mais interessante ver o dia a dia do jovem casal do que ver o Francis livrando o Otto de mais uma trapalhada.
Fargo (5ª Temporada)
4.1 68 Assista AgoraMesmo gostando do andamento da temporada, tinha algo que me incomodava: o personagem Ole Munch
e seus mais de 500 anos de vida. Sei que Fargo sempre teve elementos de fantasia e realismo fantástico, só que o personagem de Sam Spruell parecia não ter conexão com o restante da história que estava sendo contada. Certo, ele é um matador de aluguel que viveu séculos, mas e daí? Até a última cena, eu não estava entendendo o papel dele ali.
Aí veio a última cena, que começa muio tensa. Tudo podia acontecer ali,
estamos vendo um personagem que ao que pode muito bem ser imortal e uma protagonista capaz de fazer qualquer coisa para sobreviver e proteger aqueles que ama. E o rumo que a cena toma é completamente inesperado, até para os padrões de Fargo.
O discurso da Dot, sobre
a importância de perdoar, de ser amado e como isso pode quebrar um ciclo de violência e mortes, foi lindo. Principalmente se levarmos em conta que o tema central da temporada foram dívidas, sejam financeiras ou de honra. Como elas são usadas para justificar derramamentos de sangue e enriquecimento absurdos. Como algumas pessoas tem suas vidas arruinadas por elas.
Ainda preciso destacar as atuações de ambos atores. Juno Temple faz uma Dorothy doce ou determinada de acordo com o que a cena pede, sem que a personagem perca a identidade. Já o Ole Munch de Sam Spruell, com sua fala truncada e jeito rústico, não nos deixa duvidar que o personagem foi mal tratado e passou por todo tipo de perrengue ao longo dos séculos. E ainda tem o incrível Jon Hamm, que não estava na cena final, mas que deu vida a um vilão que dá gosto da gente odiar.
Foram 15 minutos que deixaram o que já estava bom, ainda melhor!
The Boys (4ª Temporada)
3.6 369 Assista AgoraSe você, assim como eu, jogou aos games de Need For Speed e adorava passar horas tunando os carros, deve se lembrar daquelas calotas que ficavam rodando mesmo quando o veículo estava parado. The Boys é assim: gira, gira e gira, sem nunca sair do lugar.
Como eu já havia observado durante a 3ª temporada, parece que o Eric Kripke ainda acha que está fazendo série procedural, porque nada nunca tem consequência e nem vai pra lugar nenhum. Em Supernatural, Sam e Dean viviam brigando entre si, faziam as pazes no final do episódio e no episódio seguinte se desentendiam de novo. Com The Boys é a mesma coisa: Hughie e Starlight estão sempre brigando por alguma coisa
(o cúmulo para mim foi no último episódio, quando ela fica brava porque ele não percebeu que estava com uma transmorfa)
E ainda assim, a série consegue chegar ao fundo do poço com a relação entre Kimiko e Francês.
É uma indecisão que não dá para entender. No final da temporada passada a personagem tinha dito que não queria nada e no final dessa, sem nenhum tipo de desenvolvimento, ela decide que está assim apaixonada pelo seu colega de equipe. E a culpa que o Francês sentia por ter assassinado a família do ex-namorado? Isso a série convenientemente esquece, até porque se o Francês passou uns dias na cadeia, então já tá tudo resolvido.
E por falar em fundo do poço, por que o Profundo ainda tá vivo? Tem umas duas temporadas que o personagem fica sendo jogado de um lado para o outro sem nenhuma serventia dentro da trama. Na verdade, não só ele, mas a série já se mostrou covarde em matar os principais personagens. Os figurantes perdem a vida das formas mais absurdas e sangrentas que se pode imaginar, já os principais nunca correm perigo algum. Em determinado episódio, Capitão Pátria flagrou o Hughie espionando e deixou ele escapar sem nenhuma consequência. Estamos falando de um vilão que já assassinou muita gente por motivos mais bestas. Não faz o menor sentido ele não ter ido atrás do Hughie e da família dele para cometer atrocidades inimagináveis.
A impressão que dá é que a personalidade dos personagens vive variando dependendo do momento, como, por exemplo, o Ryan que nunca decide de qual lado está. Até porque deve ser muito difícil escolher entre um assassino estuprador e qualquer outra pessoa. Os poderes dos supers também variam conforme a necessidade da história, numa hora a Starlight não consegue nem ser uma lanterna direito, enquanto na outra ela sai voando sem a menor dificuldade.
Deve ter aprendido com o Butcher, que em questão de minutos descobriu que tinha um poder e ainda aprendeu a controlá-lo.
Vou mentir se disser que The Boys não é divertida, as paródias que eles fazem dos filmes de heróis e os comentários ácidos sobre a realidade sempre me tiram uma risada. No entanto, depois de um tempo, a gente percebe que existem coisas mais divertidas para se fazer do que ver uma roda girar.
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Fargo (4ª Temporada)
3.6 91 Assista AgoraPecou pelo excesso. Foram personagens demais, subtramas demais e até plot principal foi esticado demais.
Como se não bastasse isso, alguns dos personagens principais são interpretados por atores muito canastrões. Vejo todo mundo falando do Chris Rock, que até se esforçou bastante, já o intérprete do Gaetano... Era para ele ser ameaçador, mas toda vez que eu via ele com os olhos arregalados, só conseguia pensar no quão forçada era a atuação dele. E ainda temos um elenco recheado de grandes nomes que não são devidamente aproveitados.
E mesmo com todos esses defeitos, a pior temporada de Fargo continua sendo a melhor temporada de Fargo lançada naquele ano. Todo aquele apuro técnico que enche os nossos olhos ainda está lá. A reconstrução de época está irretocável e fica ainda melhor graças a uma das melhores fotografias da TV atualmente. Os personagens, apesar de mal trabalhados, continuam deliciosamente falhos.
Invencível (2ª Temporada)
3.8 125 Assista AgoraSabe quando você pega uma Coca-Cola para beber bem geladinha e acha uma delícia, só que esquece de fechar direito e no outro dia ela até que tá ok, mas sem gás? Assim foi a 2ª temporada de Invencível.
Aquele episódio especial sobre a Atomic Eve lançado antes da estreia do novo ano me deixou bastante esperançoso a respeito do que estava por vir. Nele, a personagem foi muito bem trabalhada e a animação estava notavelmente melhor, mais detalhada e com uma fluidez de movimentos muito melhore em relação à 1ª temporada. Aí conforme os episódios foram sendo lançados, acabei ficando com a impressão de que a história estava sem rumo.
Em grande parte tive essa percepção por conta do excessivo número de personagens que a animação parece fazer questão de trabalhar. Numa hora estamos vendo
os dilemas do Mark, aí na cena seguinte o Rex Splode tá tendo uma crise de maturidade, depois vemos o Nolan se arrependendo de tudo que ele fez e vai pulando de cena em cena porque, aparentemente, todos são muito importantes e só um desenho animado muito adultão mesmo daria profundidade a todos 47 personagens. Só que fica muito maçante!
E dividir uma temporada de apenas 8 episódios em duas partes não foi uma decisão das mais inteligentes. Só serviu para diminuir o hype de uma série que já estava em marcha lenta. Enquanto na temporada anterior, o burburinho em cima de Invencível crescia a cada semana, nessa ninguém parecia dar a mínima.
Aquele último episódio totalmente perdido sem cara de último episódio
e que enrola até não poder mais a luta contra o Angstrom Levy é a prova definitiva da falta de rumo de Invencível.
Veep (1ª Temporada)
4.1 94 Assista AgoraComo vi muitas sitcoms com risadas de fundo nos últimos tempos, devo admitir que levei um tempo pra pegar o ritmo de Veep. Nessa produção da HBO, cada comentário ácido e maldoso é dito com a maior naturalidade do mundo, é capaz até de perder alguns se der bobeira e ficar esperando alguma reação dos demais personagens. Então, durante a primeira metade da temporada não estava achando muito engraçado.
Só que em algum momento, entre as paranoias da Selina e ambição do Dan, eu consegui me encontrar. Entendi que Veep não é aquele tipo de comédia que te faz rolar de rir, e sim uma sátira crua da política americana. É tão cru que em certos momentos você chega a pensar que está vendo algo real. Não duvido que no Congresso e na Casa branca haja pessoas tão mesquinhas e vazias como Selina e sua equipe. A melhor definição que consegui encontrar é a de que Veep é a irmã mais velha, maldosa e interesseira de Parks and Recreation.
O ágil roteiro permite que Julia Louis-Dreyfus deite e role (literalmente, em alguns momentos) quando está em cena. Sua Selina Meyers consegue ser tão insegura que variar em questão de segundos entre uma raiva que a faz berrar a plenos pulmões com um subalterno a uma falsa humildade de dar nojo. É uma personagem patética que dá gosto de ver em cena.
True Detective (3ª Temporada)
3.9 296Foi de 100 a 0 em apenas 8 episódios. De momento não consigo me lembrar de uma série que me decepcionou tanto.
Os dois primeiros episódios apresentam um mistério intrigante e com vários suspeitos possíveis. Aí, com o passar da temporada, o tom de investigação vai se diluindo em meio a brigas de casal e arrependimentos, com direito a pistas caindo no colo dos personagens sem mais nem menos.
A resolução só não é mais preguiçosa que o final ambíguo deixa em aberto se o protagonista realmente encontrou a menina ou se tudo aquilo foi apenas um delírio da mente senil dele.
Sem falar nas várias subtramas que aparecem e são descartadas sem a menor explicação,
como o caso do filho do Hays com a jornalista (seria um jeito de dizer que ele vai cometer os mesmos erros do pai, que também se envolveu com uma mulher que investigava o caso?) ou o próprio documentário que simplesmente não serviu pra nada. Em determinado momento é dado a entender que o protagonista e sua filha se desentenderam, só que isso nunca mais é mencionado.
O que salva é o elenco. Elogiar o Mahershala Ali a essa altura do campeonato seria chover no molhado. O Purple Hays dele é provavelmente um dos personagens mais críveis e reais já apresentados numa série de TV. Mesmo no começo da temporada, quando ainda não sabemos toda a história, já podemos notar um quê de frustração no Hays dos anos 90 e notas de arrependimento em sua versão envelhecida. Stephen Dorff, um ator que sinceramente nunca chamou minha atenção, também não faz feio em alguns momentos tocantes pelos quais seu personagem passa. Para a nossa infelicidade, o restante desse 3º ano não estava à altura das atuações entregues por eles.
Silicon Valley (6ª Temporada)
3.8 42 Assista AgoraPelo que li, muita gente lá nos EUA meio que desistiu da série após saírem com o TJ Miller e darem um final duvidoso pro Erlich. Pelo jeito os gringos curtiam bastante o humor babacão do personagem. Pra mim foi o contrário: foi a partir disso que a série começou a evoluir.
Apesar de ter seus momentos engraçados, o humor de maconheiro do personagem acabou destoando da série conforme a Pied Piper evoluía. A saída dele parece que serviu para os produtores e roteiristas se desapegarem de certas coisas que já não faziam mais sentido, como o cenário da casa-encubadora e eterna falta de verba da empresa. Chegou um ponto em que a série estava apenas se repetindo. Inclusive, considero a 5ª temporada uma evolução natural da segunda, uma vez que a 3ª e a 4ª temporada só fazem enrolar sem nunca levar nada adiante.
É a partir do 5º ano que Richard começa a ter que lidar com novos desafios, como gerenciar uma equipe maior e com as responsabilidades de estar à frente de uma gigante da tecnologia. Os desafios crescem junto com o valor de mercado da Pied Piper, e Richard, um jovem ensimesmado, nem sempre vai saber lidar com a situação. Mesmo o Gavin Belson, que estava perdido há tempos dentro da série, teve alguma serventia para o programa.
E apesar do final parecer esperançoso, Richard ainda guarda uma cópia do código da nova internet, assim como Monica parece ter contato com a NSA e Gilfoyle e Dinesh são donos de uma grande empresa de segurança digital. Ao que tudo indica, eles não conseguiram abrir mão da criação da Pied Piper. Ninguém abre mão do poder assim tão fácil, ainda mais um que está a um ENTER de distância.
Silicon Valley (4ª Temporada)
4.1 35 Assista AgoraApesar de continuar com momentos bem engraçados e críticas bastante acertadas sobre o cenário das big techs, isso não é o suficiente para manter essa temporada no mesmo nível das duas primeiras. Junto com a terceira, é praticamente uma temporada filler que não adiciona em nada à jornada da Pied Piper e nem na construção do Richard.
Só no último episódio temos um pequeno vislumbre do nosso protagonista se tornando
alguém inescrupuloso que é capaz de passar por cima de tudo e de todos para atingir seus objetivos, um típico gênio da tecnologia.
As Novas Aventuras da Velha Christine (5ª Temporada)
4.2 54Repito o que disse no comentário da temporada anterior: gosto dos personagens e das interações entre eles, mas a série parece sem rumo e o ápice disse é nessa temporada. Talvez o cancelamento tenha sido um tiro de misericórdia, já que os roteiristas não sabiam o que fazer com a Christine.
Ao mesmo tempo que ela começa a fazer terapia (e desiste poucos episódios depois), também toma atitudes ainda mais estranhas. O mesmo vale pros outros personagens. O Matthew volta com a ex (que estava prestes a se casar) para terminar com ela no episódio seguinte! O Richard ficou noivo da Barb, uma relação que mal é citada ao longo dos episódios.
A impressão que eu tenho é que os roteiristas apenas pensavam um monte de situações malucas sem se preocupar em como isso afetaria os personagens.
Na Mira do Júri (1ª Temporada)
4.2 126 Assista AgoraA ideia da série é bastante interessante e bem original, só que tem um porém: eu ri em raríssimas ocasiões. E isso num programa de comédia é um problema grave. Só continuei assistindo por causa do carisma e da simpatia do Ronald. Imagino o desastre que seria se o rapaz revelasse um baita de um escroto.
As Novas Aventuras da Velha Christine (4ª Temporada)
4.2 21A série é divertida, os personagens são engraçados e a química entre eles é ótima, só tenho a impressão que depois de 4 temporadas, os responsáveis ainda não haviam se decidido sobre a relação da Christine com o Richard. Parece que eles nunca conseguem seguir adiante.
True Detective (2ª Temporada)
3.6 788Antes ela fosse só inferior à primeira temporada, o que já era esperado já que ela é um das produções televisivas mais influentes dos últimos anos, mas ela também é chata e desinteressante.
Em nenhum momento eu me senti tocado pelo drama dos personagens, quando algo acontecia com eles eu simplesmente não importava. E quando o caso desse segundo ano foi finalmente desvendado, eu só consegui dizer: - Ah tá, então é isso. E ainda tem aqueles takes intermináveis da cidade e das estradas vistas de cima todo santo episódio. Imagino como deve ter sido decepcionante para quem viu na época.
Atlanta (3ª Temporada)
4.4 86Como bem disse o tradutor Érico Assis, Atlanta é aquela série que você assiste sem saber como será cada temporada, cada episódio ou mesmo cada cena. É tudo tão imprevisível que você não tem como saber o que vem a seguir. Tudo que dá para prever é que será algo muito bem roteirizado, dirigido, atuado e com críticas sociais em doses surreais, de resto é apertar o play e se surpreender.
Nessa temporada eles foram até o limite da experimentação, o que, pelo menos pra mim, só tornou tudo mais interessante. Há episódios que misturam comédia, terror, drama, em alguns momentos tudo na mesma cena.
Atlanta é televisão em seu mais alto nível sem precisar subestimar a inteligência do espectador ou apelar para ganchos baratos para prender a audiência.
Agente Elvis (1ª Temporada)
3.0 9Me sinto um velho conservador por dizer isso, mas o desenho seria bem melhor se não insistisse tanto em piadinhas sexuais.
A animação é de encher os olhos e a ideia de brincar com as celebridades e teorias da época é muito boa, só não foi devidamente desenvolvida porque a produção perdia mais tempo fazendo graça com pinto. O ápice foi um episódio que dedicou metade do seu tempo a uma subtrama envolvendo um molde de gesso da jeba de um dos personagens.
Final Space (3ª Temporada)
3.7 29Lembro que gostava bastante da série na 1ª temporada. Ela sabia como mesclar humor, questões existenciais e violência. Com o perdão do trocadilho, não era nada de outro mundo, mas era divertido, você ainda conseguia se conectar com os personagens.
Só que essa 3ª temporada perdeu a mão. É muito personagem em tela fazendo papel de bobo, muita cena do Gary fazendo drama por tudo e muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Talvez se não tivessem criado tantos problemas para serem resolvidos, a série poderia até ter sido finalizada. Mesmo que ela continuasse, eu não sei se veria uma 4ª temporada, de tão maçante que eu achei esses últimos episódios.
Malcolm (3ª Temporada)
4.2 10 Assista AgoraContinua sendo engraçada, mas dá para notar que deu uma decaída, principalmente por conta da decisão de mandar o Francis
para o Alasca. Cada novo episódio só evidenciava que os roteiristas não tinham a mínima ideia do que fazer com ele.
Trocaria tudo aquilo por mais dele com a Piama, achei genial a decisão de fazer o Francis casar com uma mulher tão agressiva e controladora quanto a Lois.
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Malcolm (2ª Temporada)
4.3 17 Assista Agora- Não se preocupe, Dewey, tenho certeza que o Jujuba está bem. Gatos são animais noturnos, assim como coiotes, cães de rua e adoradores do demônio.
Better Call Saul (5ª Temporada)
4.6 331 Assista AgoraO 8º episódio é uma pequena obra-prima.
Além de fazer várias referências à Lawrence da Arábia (amarrando com uma fala do Marco Pasternak lá na primeira temporada), ele também mostra o Jimmy/Saul renegando de vez os seus princípios. A partir do momento que ele se sujou de sangue, não tinha mais volta, ele estava de vez no mundo co crime.
Isso ficou evidente quando o carro e o copo (ambos com o padrão amarelo-vermelho, presente até no logo da série) ficam inutilizáveis após o tiroteio. Depois disso, o vermelho, usado para representar personagens criminosos e de moral dúbia, se faria mais presente na vida do protagonista.
Sobrou até para o finado Chuck. Quando Jimmy/Saul se nega a usar o cobertor-térmico num momento de necessidade e termina o episódio pisando nele, é como se ele renegasse tudo aquilo que o irmão lhe ensinou. Chuck, o freio moral do protagonista, havia ficado para trás.
Better Call Saul (3ª Temporada)
4.4 317 Assista AgoraFico embasbacado com a capacidade dos realizadores criarem tantas cenas com atuações, fotografia, diálogos e cortes impecáveis. Tem série com várias temporadas que não consegue uma única cena memorável, já Better Call Saul tem uma coleção delas em cada episódio.
Sempre se valendo dos ângulos mais inusitados, mas não por firula visual, mas para refletir os sentimentos de cada personagem. Note como Jimmy sempre aparece minúsculo ou descentralizado em várias cenas, principalmente naquelas em que ela está com o Chuck. Sem falar do simples, mas genial, esquema azul-vermelho para identificar personagens e locais que estão dentro ou fora da lei.
Ao longo do episódio do julgamento do Chuck, podemos ver "spoilers" de qual será o resultado, quando vemos Jimmy ao lado de uma máquina de refrigerantes com um azul gritante enquanto há uma cena longa do irmão numa sala com um aviso de saída vermelho brilhando ao fundo.
Mas o que faz tudo funcionar com perfeição são os personagens. Em sua maioria, não são heróis ou vilões. Por mais clichê que seja dizer isso, são pessoas comuns com defeitos, qualidades e arrependimentos.
Apesar de bastante severo com o irmão, Chuck se revela alguém disposto a fazer o que é certo sempre possível, um verdadeiro apaixonado pelo Direito. Já Jimmy, apesar de carismático e extrovertido (características invejadas pelo irmão), não hesita em tentar tirar vantagem de alguma situação sempre que possível. E, assim como acontece com pessoas reais, o relacionamento entre os dois serviu para reforçar esses traços de personalidade. Chuck quer porque quer fazer tudo certo por não suportar ver o caçula ser amado por todos apesar das tendências trapaceiras.
Enfim, o que já era bom em Breaking Bad está ainda melhor em Better Call Saul.