Deu uma certa tristeza ler os comentários aqui, então já vou começar rebatendo a crítica mais repetida. É proposital a ausência de resposta sobre o motivo daqueles acontecimentos porque as ideias centrais do filme são:
1. retratar a impossibilidade de justificar a beligerância e o anti-institucionalismo da política estadunidense contemporânea. O presidente se mantém no governo pelo terceiro mandato (o subtexto leva a crer que de modo autocrático), e faz discursos praticamente aleatórios que nada dizem. É o poder pelo poder. 2. retratar a desumanização inerente à máquina de guerra, elemento central pra constituição da hegemonia dos EUA, que é imposta ao Sul global, reiterando que a militarização da própria sociedade estadunidense é parte desse mesmo processo. 3. a importância e o risco atrelados à atividade da imprensa, especialmente dos segmentos que cobrem eventos extremos.
Os EUA e o próprio modelo de governo federalista nasceram como resposta e resolução conciliadora para uma guerra civil cuja peça central era o modelo econômico desumanizante da escravidão e a divisão Norte-Sul que as perspectivas em torno dele causaram.
Na contramão, o futuro que o Alex Garland vê e nos mostra é marcado por uma guerra generalizada de sentido e objetivo indeterminados, fragmentada, desfronteirizada, que só é possível no país em que a indústria da Guerra é tão economicamente fundamental, que inseparabilidade entre população civil, armamento e veículos militares é normalizada.
Definitivamente não é um filme sem roteiro, sem repertório e sem sentido que nada tem a dizer. Pelo contrário, é certeiro e extremamente necessário nesse momento político específico que vive-se por lá.
Larry Clark do alto do seu moralismo adulto retratando o cotidiano (sem em momento algum tratar dos panos de fundos e nuances formadores de qualquer um dos personagens) de adolescentes viciados em sexo e drogas.
Puniu a personagem principal com HIV por ser uma virgem inocente demais e depois a puniu novamente com um estupro, por ela ter se atrevido a ficar muito louca em uma festa. Praticamente um "vai pra festa fica muito loca, agora foi estuprada olha aí...". Puniu o garoto que a estuprou com HIV [porque o vírus é castigo pro diretor] e puniu seu amigo viciado em sexo e estuprador de virgens, também com HIV.
Realmente, merecia premio moralismo de ouro Larry Clark.
Uma narrativa metafórica sobre racismo e biopolítica. Parte do mais tocante sobre esse filme, é reduzir minorias raciais a cachorros mantendo uma humanidade maior à representação desses grupos que a indústria cinematográfico é capaz de conceder.
Surpreendente a qualidade do diálogo e a retrato da complexidade da protagonista interpretada pela Jodie Foster. Conseguiu elevar a estética dos filmes coming-of-age com outro nível de respeito e profundidade pelos problemas da fase final da adolescência.
Um puta filme do Pasolini. Releitura do mito grego atualizada para abordar outras possibilidades históricas, de-colonialismo e provocações ao machismo. Vale ler o mito antes de assistir porque o filme tem vários saltos temporais e flashbacks, meio perigoso se perder na história.
Os atores deixam a desejar e a narrativa romântica hollywoodiana chega a dar vergonha, mas vale a pena ver o filme pela reorientação do conceito de viagem no tempo que ele faz.
Não assista esse filme acompanhado. Ele é extremamente triste, tem atmosfera pesadíssima e não tem um único momento de alívio (muito menos comicidade). A proposta artística de carregar o expectador por quase 2h de angústia ininterrupta é bastante incomum, mas verdadeiramente interessante. É uma crítica extremamente bem colocada sobre a indústria do entretenimento e a moral do "politicamente incorreto".
Guerra Civil
3.5 649 Assista AgoraDeu uma certa tristeza ler os comentários aqui, então já vou começar rebatendo a crítica mais repetida. É proposital a ausência de resposta sobre o motivo daqueles acontecimentos porque as ideias centrais do filme são:
1. retratar a impossibilidade de justificar a beligerância e o anti-institucionalismo da política estadunidense contemporânea. O presidente se mantém no governo pelo terceiro mandato (o subtexto leva a crer que de modo autocrático), e faz discursos praticamente aleatórios que nada dizem. É o poder pelo poder.
2. retratar a desumanização inerente à máquina de guerra, elemento central pra constituição da hegemonia dos EUA, que é imposta ao Sul global, reiterando que a militarização da própria sociedade estadunidense é parte desse mesmo processo.
3. a importância e o risco atrelados à atividade da imprensa, especialmente dos segmentos que cobrem eventos extremos.
Os EUA e o próprio modelo de governo federalista nasceram como resposta e resolução conciliadora para uma guerra civil cuja peça central era o modelo econômico desumanizante da escravidão e a divisão Norte-Sul que as perspectivas em torno dele causaram.
Na contramão, o futuro que o Alex Garland vê e nos mostra é marcado por uma guerra generalizada de sentido e objetivo indeterminados, fragmentada, desfronteirizada, que só é possível no país em que a indústria da Guerra é tão economicamente fundamental, que inseparabilidade entre população civil, armamento e veículos militares é normalizada.
Definitivamente não é um filme sem roteiro, sem repertório e sem sentido que nada tem a dizer. Pelo contrário, é certeiro e extremamente necessário nesse momento político específico que vive-se por lá.
Kids
3.5 682Larry Clark do alto do seu moralismo adulto retratando o cotidiano (sem em momento algum tratar dos panos de fundos e nuances formadores de qualquer um dos personagens) de adolescentes viciados em sexo e drogas.
Puniu a personagem principal com HIV por ser uma virgem inocente demais e depois a puniu novamente com um estupro, por ela ter se atrevido a ficar muito louca em uma festa. Praticamente um "vai pra festa fica muito loca, agora foi estuprada olha aí...".
Puniu o garoto que a estuprou com HIV [porque o vírus é castigo pro diretor] e puniu seu amigo viciado em sexo e estuprador de virgens, também com HIV.
Realmente, merecia premio moralismo de ouro Larry Clark.
Quando Nem Um Amante Resolve
3.5 8"Meu marido é um canibal que está devorando a minha vida! Assim como o seu está devorando a sua vida. Larque ele! Largue ele!"
Deus Branco
3.7 177 Assista AgoraUma narrativa metafórica sobre racismo e biopolítica. Parte do mais tocante sobre esse filme, é reduzir minorias raciais a cachorros mantendo uma humanidade maior à representação desses grupos que a indústria cinematográfico é capaz de conceder.
Gatinhas
3.1 18Surpreendente a qualidade do diálogo e a retrato da complexidade da protagonista interpretada pela Jodie Foster. Conseguiu elevar a estética dos filmes coming-of-age com outro nível de respeito e profundidade pelos problemas da fase final da adolescência.
Medéia, A Feiticeira do Amor
3.7 41Um puta filme do Pasolini. Releitura do mito grego atualizada para abordar outras possibilidades históricas, de-colonialismo e provocações ao machismo. Vale ler o mito antes de assistir porque o filme tem vários saltos temporais e flashbacks, meio perigoso se perder na história.
Heroes and Gay Nazis
4.4 1Von Praunheim como sempre provocador, resolveu investigar o fetiche gay pela hipermasculinidade dos movimentos nazista, neonazista e skinhead alemães.
Sincronizados
3.0 79 Assista AgoraOs atores deixam a desejar e a narrativa romântica hollywoodiana chega a dar vergonha, mas vale a pena ver o filme pela reorientação do conceito de viagem no tempo que ele faz.
V de Vingança
4.3 3,1K Assista AgoraAbordagem pseudorrevolucionária profundamente rasa e liberal. Decepcionado
Entertainment
2.7 10Não assista esse filme acompanhado. Ele é extremamente triste, tem atmosfera pesadíssima e não tem um único momento de alívio (muito menos comicidade). A proposta artística de carregar o expectador por quase 2h de angústia ininterrupta é bastante incomum, mas verdadeiramente interessante. É uma crítica extremamente bem colocada sobre a indústria do entretenimento e a moral do "politicamente incorreto".
Super High Me
3.0 76Super entediante
Lucy
3.3 3,4K Assista AgoraClichezão
Smiley Face: Louca de Dar Nó
3.3 219Morri. Simples assim