Sensacional! Tarantino é um diretor formidável. É impressionante a capacidade que ele tem de envolver o espectador, de despertar reflexões, mesmo fazendo rir. Sua violência brutal chega a ser tosca, mas é uma assinatura pessoal que valhe a pena na trama. Django Livre foi um daqueles filmes que me fez vibrar e sair extasiada do cinema. Pra mim a direção foi impecável. Destaque também pra trilha sonora. E, como já é de costume nos filmes de Tarantino, as interpretações são irretocáveis. Também não posso deixar de mencionar o fundo social e político que o filme aborda, de maneira ácida, inclusive. Enfim, um filme que não deve ser visto, deve ser contemplado, degustado.
Direção de arte e montagem impecáveis. O ritmo te envolve de uma tal forma que é impossível não se contagiar com toda a psicodelia tropicália. Peca na ausência de legenda em certos trechos, pois o aúdio original de alguns vídeos da época é quase inaldível. Também tem que se dizer que o brilho é todo para Caetano e Gil, apesar de ter dado algum espaço para os outros artistas do movimento, fica claro qual o argumento do doc. Mas como obra cinematográfica está de parabéns!
Uma viagem no tempo. A efervescência cultural de 1960 sintetizada no Festival de 67, com a consagração de grandes nomes da música popular brasileira. Fantástico pelas imagens, pelos depoimentos, pela direção de um modo geral. Chico Buarque com "Roda Viva", Gilberto Gil com "Domingo no Parque", Caetano Veloso com "Alegria, Alegria" e a grande estrela da noite, de Edu Lobo, "Ponteio". Um orgasmo sonoro.
Revolução em Dagenham, do título original Made In Dagenham, dirigido por Nigel Cole, é um filme de 2010, que conta a história real de Rita O’Grady, interpretada por Sally Hawkins, operária da Ford e principal nome da greve de 1968, ocorrida na fábrica de Dagenham – localizada em Londres, Inglaterra –, protagonizada por mulheres que almejavam igualdade salarial. Logo no início do filme o narrador fala que a fábrica em questão “é um dos peso-pesados da indústria de motores”. Continua informando que nesta, Dagenham, e em outras fábricas da Britânia, se monta 3.000 carros por dia. A Ford de Dagenham era nada mais nada menos que a maior fábrica de motores de toda a Europa e a quarta maior do mundo. Em 1968 havia 55 mil homens e, apenas, 187 mulheres, trabalhando na fábrica Ford de Dagenham. O episódio da greve de Dagenham, retratado no longa de Nigel Cole, faz parte da história do movimento feminista. Rita O’Grady e sua luta pelo direito a salários iguais para mulheres e homens na Inglaterra, retoma a luta secular de seu gênero, da qual fazem parte figuras como Christine de Pisan, primeira mulher a ser indicada poeta oficial da corte francesa, no século XIV, que escreveu um dos primeiros tratados do feminismo de que se tem registro, intitulado A Cidade das Mulheres, no qual afirma a igualdade entre os sexos; Olympe de Gouges, escritora, também francesa, defensora dos ideais revolucionários do Iluminismo, que publicou em 1791 o texto intitulado Os Direitos da Mulher e da Cidadã que propõe a inserção da mulher francesa, na vida política e civil, em condições de igualdade à dos homens; Simone de Beauvoir, que escreveu no final da década de 1940 o livro O Segundo Sexo, surgiu como uma voz isolada no período de refluxo da organização das mulheres e denunciou as raízes culturais da desigualdade sexual, para isso realizou uma análise profunda que levou em consideração a biologia, a psicanálise, o materialismo histórico, a educação, os mitos e a história. A análise de Simone de Beauvoir foi um marco fundamental para nortear o movimento feminista que eclode na década de 1960. Rita O’Grady é um expoente de seu tempo, pois surgiu justamente na década em que data o início da ascensão do Movimento Feminista, após um refluxo que teve início por volta de 1930, durante o nazi-facismo. O feminismo que surge no calor das lutas sociais da década de 1960 incorpora outras frentes de atuação, que não deixa de reivindicar a igualdade no exercício de direitos civis, políticos e trabalhistas – tema abordado na trama de Cole –, mas que vai além, passando a questionar a predeterminação biológica e cultural que mantém a mulher em um patamar de inferioridade aos homens. As mulheres questionam as relações de poder e hierarquia entre os sexos, ou seja, trata-se de uma crítica ao papel social ocupado pela mulher. Uma crítica à tradição e a cultura patriarcal. Também data desse contexto o surgimento de inúmeros grupos organizados de mulheres que se enfrentam contra governos, empresas e valores sociais historicamente estabelecidos. Essa agitação política de mulheres surge nos Estados Unidos e depois toma de assalto a Europa. A famosa Revolução Cultural-Sexual, encabeçada por mulheres, também ocorre em 1968, na França. O filme mostra como as operárias inglesas tomam consciência de sua importância no processo produtivo e na sociedade e passam a se auto-organizar politicamente como classe. A tomada de consciência dessas mulheres aparece na trama de modo a entender que o processo pelo qual o indivíduo toma para si a tarefa de romper com sua submissão, é de sua responsabilidade. O filme de Nigel Cole faz um importante panorama sobre o papel social da mulher, sua organização política e sua auto-organização. Além de colocar em questão valores tradicionais que até hoje seguem sendo pautados pela sociedade. A contestação de Rita O’Grady ainda é atual, pois mesmo no século XXI ainda é real a diferença salarial entre mulheres e homens. Talvez o filme, que foi produzido em 2010, tente mostrar que tanto se fez, importantes nomes se insurgiram contra a diferenciação entre mulheres e homens, mas mesmo assim as mulheres ainda não conseguiram se postular em um patamar de igualdade aos homens. Resta a pergunta: porquê?
Tinha tudo pra ser um bom filme, mas se perdeu completamente no enredo e virou qualquer coisa desinteressante sobre drogas e sexo, não necessariamente nessa ordem. Digamos que tenha um bom início e final, excluindo uns 40min do meio, poderia ser interessante pra assistir numa tarde de domingo na qual não houvesse nada mais divertido pra fazer.
Control é uma biografia particularmente especial. Lembro que assisti pela primeira vez em 2007, ano de seu lançamento. Foi amor à primeira vista! Em todos os sentidos. Primeiro por se tratar de um filme com uma direção de arte magnífica, no qual a fotografia é tão bela, tão bela, que já seria o único motivo para ver o filme. Segundo porque a interpretação de Sam Riley é simplesmente incontestável. Ele consegue nos alcançar com um olhar tão penetrante quanto vazio, que indica a depressividade de Curtis. Terceira e última coisa: inegavelmente esse filme é um release não só do Ian Curtis, mas também da banda Joy Division, isso porque o longa nos leva a mergulhar fundo na produção artística e na turbulência do Ian. Pra mim, Control se diferencia de outras biografias por não agradar somente fãs, pois você pode não conhecer a banda e depois do filme não procurar conhecê-la (apesar de achar essa hipótese menos provável), mas o filme tocará você e impedirá que um dia você esqueça quem foi o Ian Curtis do Joy Division.
Uma poesia em forma de filme. E não qualquer poesia, daquelas dignas de Bertold Brecht. Que são tão belas e tão intensas que arrepiam e arrancam lágrimas.
Vou me atrever a dizer que foi a melhor animação que já assisti. Nem sei o que me fascinou mais, a estética impecável ou a crítica mordaz. De todo modo, foram minutos prazerosos, recomendo.
Um documentário excelente, uma verdadeira aula de sociologia. Ônibus 174 mostra os descaminhos de uma pessoa que é tomada por toda sorte de dificuldades e levada aos braços do crime. Sandro sobreviveu à chacina da Candelária não à desigualdade social brasileira, que faz milhares de vítimas todos os dias. O filme também é extremamente relevante por sair do fútil jornalismo comercial que só quer vender uma estória, sem análisar os porquês dela ter ocorrido. José Padilha e Felipe Lacerda foram no âmago da questão para realizar essa obra brilhante.
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Django Livre
4.4 5,8K Assista AgoraSensacional! Tarantino é um diretor formidável. É impressionante a capacidade que ele tem de envolver o espectador, de despertar reflexões, mesmo fazendo rir. Sua violência brutal chega a ser tosca, mas é uma assinatura pessoal que valhe a pena na trama. Django Livre foi um daqueles filmes que me fez vibrar e sair extasiada do cinema. Pra mim a direção foi impecável. Destaque também pra trilha sonora. E, como já é de costume nos filmes de Tarantino, as interpretações são irretocáveis. Também não posso deixar de mencionar o fundo social e político que o filme aborda, de maneira ácida, inclusive. Enfim, um filme que não deve ser visto, deve ser contemplado, degustado.
Tropicália
4.1 289 Assista AgoraDireção de arte e montagem impecáveis. O ritmo te envolve de uma tal forma que é impossível não se contagiar com toda a psicodelia tropicália. Peca na ausência de legenda em certos trechos, pois o aúdio original de alguns vídeos da época é quase inaldível. Também tem que se dizer que o brilho é todo para Caetano e Gil, apesar de ter dado algum espaço para os outros artistas do movimento, fica claro qual o argumento do doc. Mas como obra cinematográfica está de parabéns!
Uma Noite em 67
4.2 270 Assista AgoraUma viagem no tempo. A efervescência cultural de 1960 sintetizada no Festival de 67, com a consagração de grandes nomes da música popular brasileira. Fantástico pelas imagens, pelos depoimentos, pela direção de um modo geral. Chico Buarque com "Roda Viva", Gilberto Gil com "Domingo no Parque", Caetano Veloso com "Alegria, Alegria" e a grande estrela da noite, de Edu Lobo, "Ponteio". Um orgasmo sonoro.
Revolução em Dagenham
3.9 87 Assista AgoraRevolução em Dagenham, do título original Made In Dagenham, dirigido por Nigel Cole, é um filme de 2010, que conta a história real de Rita O’Grady, interpretada por Sally Hawkins, operária da Ford e principal nome da greve de 1968, ocorrida na fábrica de Dagenham – localizada em Londres, Inglaterra –, protagonizada por mulheres que almejavam igualdade salarial. Logo no início do filme o narrador fala que a fábrica em questão “é um dos peso-pesados da indústria de motores”. Continua informando que nesta, Dagenham, e em outras fábricas da Britânia, se monta 3.000 carros por dia. A Ford de Dagenham era nada mais nada menos que a maior fábrica de motores de toda a Europa e a quarta maior do mundo. Em 1968 havia 55 mil homens e, apenas, 187 mulheres, trabalhando na fábrica Ford de Dagenham.
O episódio da greve de Dagenham, retratado no longa de Nigel Cole, faz parte da história do movimento feminista. Rita O’Grady e sua luta pelo direito a salários iguais para mulheres e homens na Inglaterra, retoma a luta secular de seu gênero, da qual fazem parte figuras como Christine de Pisan, primeira mulher a ser indicada poeta oficial da corte francesa, no século XIV, que escreveu um dos primeiros tratados do feminismo de que se tem registro, intitulado A Cidade das Mulheres, no qual afirma a igualdade entre os sexos; Olympe de Gouges, escritora, também francesa, defensora dos ideais revolucionários do Iluminismo, que publicou em 1791 o texto intitulado Os Direitos da Mulher e da Cidadã que propõe a inserção da mulher francesa, na vida política e civil, em condições de igualdade à dos homens; Simone de Beauvoir, que escreveu no final da década de 1940 o livro O Segundo Sexo, surgiu como uma voz isolada no período de refluxo da organização das mulheres e denunciou as raízes culturais da desigualdade sexual, para isso realizou uma análise profunda que levou em consideração a biologia, a psicanálise, o materialismo histórico, a educação, os mitos e a história. A análise de Simone de Beauvoir foi um marco fundamental para nortear o movimento feminista que eclode na década de 1960.
Rita O’Grady é um expoente de seu tempo, pois surgiu justamente na década em que data o início da ascensão do Movimento Feminista, após um refluxo que teve início por volta de 1930, durante o nazi-facismo. O feminismo que surge no calor das lutas sociais da década de 1960 incorpora outras frentes de atuação, que não deixa de reivindicar a igualdade no exercício de direitos civis, políticos e trabalhistas – tema abordado na trama de Cole –, mas que vai além, passando a questionar a predeterminação biológica e cultural que mantém a mulher em um patamar de inferioridade aos homens. As mulheres questionam as relações de poder e hierarquia entre os sexos, ou seja, trata-se de uma crítica ao papel social ocupado pela mulher. Uma crítica à tradição e a cultura patriarcal.
Também data desse contexto o surgimento de inúmeros grupos organizados de mulheres que se enfrentam contra governos, empresas e valores sociais historicamente estabelecidos. Essa agitação política de mulheres surge nos Estados Unidos e depois toma de assalto a Europa. A famosa Revolução Cultural-Sexual, encabeçada por mulheres, também ocorre em 1968, na França.
O filme mostra como as operárias inglesas tomam consciência de sua importância no processo produtivo e na sociedade e passam a se auto-organizar politicamente como classe. A tomada de consciência dessas mulheres aparece na trama de modo a entender que o processo pelo qual o indivíduo toma para si a tarefa de romper com sua submissão, é de sua responsabilidade.
O filme de Nigel Cole faz um importante panorama sobre o papel social da mulher, sua organização política e sua auto-organização. Além de colocar em questão valores tradicionais que até hoje seguem sendo pautados pela sociedade. A contestação de Rita O’Grady ainda é atual, pois mesmo no século XXI ainda é real a diferença salarial entre mulheres e homens. Talvez o filme, que foi produzido em 2010, tente mostrar que tanto se fez, importantes nomes se insurgiram contra a diferenciação entre mulheres e homens, mas mesmo assim as mulheres ainda não conseguiram se postular em um patamar de igualdade aos homens. Resta a pergunta: porquê?
Império dos Sonhos
3.8 441Perdeu a mão na viagem e tornou-se neura, ponto.
Na Estrada
3.3 1,9KTinha tudo pra ser um bom filme, mas se perdeu completamente no enredo e virou qualquer coisa desinteressante sobre drogas e sexo, não necessariamente nessa ordem. Digamos que tenha um bom início e final, excluindo uns 40min do meio, poderia ser interessante pra assistir numa tarde de domingo na qual não houvesse nada mais divertido pra fazer.
Controle: A História de Ian Curtis
4.3 718 Assista AgoraControl é uma biografia particularmente especial. Lembro que assisti pela primeira vez em 2007, ano de seu lançamento. Foi amor à primeira vista! Em todos os sentidos. Primeiro por se tratar de um filme com uma direção de arte magnífica, no qual a fotografia é tão bela, tão bela, que já seria o único motivo para ver o filme. Segundo porque a interpretação de Sam Riley é simplesmente incontestável. Ele consegue nos alcançar com um olhar tão penetrante quanto vazio, que indica a depressividade de Curtis. Terceira e última coisa: inegavelmente esse filme é um release não só do Ian Curtis, mas também da banda Joy Division, isso porque o longa nos leva a mergulhar fundo na produção artística e na turbulência do Ian. Pra mim, Control se diferencia de outras biografias por não agradar somente fãs, pois você pode não conhecer a banda e depois do filme não procurar conhecê-la (apesar de achar essa hipótese menos provável), mas o filme tocará você e impedirá que um dia você esqueça quem foi o Ian Curtis do Joy Division.
Os Fantasmas Se Divertem
3.9 1,8K Assista AgoraUm clássico da minha geração, com certeza.
Up: Altas Aventuras
4.3 3,8K Assista AgoraLindo. Essa é a palavra que melhor descreve esse filme.
Ladrões de Bicicleta
4.4 544 Assista AgoraUma poesia em forma de filme. E não qualquer poesia, daquelas dignas de Bertold Brecht. Que são tão belas e tão intensas que arrepiam e arrancam lágrimas.
Valsa com Bashir
4.2 309 Assista AgoraVou me atrever a dizer que foi a melhor animação que já assisti. Nem sei o que me fascinou mais, a estética impecável ou a crítica mordaz. De todo modo, foram minutos prazerosos, recomendo.
Ônibus 174
3.9 300 Assista AgoraUm documentário excelente, uma verdadeira aula de sociologia. Ônibus 174 mostra os descaminhos de uma pessoa que é tomada por toda sorte de dificuldades e levada aos braços do crime. Sandro sobreviveu à chacina da Candelária não à desigualdade social brasileira, que faz milhares de vítimas todos os dias. O filme também é extremamente relevante por sair do fútil jornalismo comercial que só quer vender uma estória, sem análisar os porquês dela ter ocorrido. José Padilha e Felipe Lacerda foram no âmago da questão para realizar essa obra brilhante.