Excelente! Me lembrou muito de "As Bestas" do Rodrigo Sorogoyen.
Acabe com eles é um estudo incisivo sobre como a masculinidade se perpetua em ambientes isolados. O diretor conseguiu demonstrar uma habilidade muito sensível ao usar o cinema não apenas como entretenimento, mas como espelho de dinâmicas sociais urgentes. O filme deixa uma marca perturbadora, questionando até que ponto esses ciclos transgeracionais podem ser quebrados, ou se estão fadados a se repetir eternamente.
A possibilidade de ruptura parece estar concentrada nas mulheres da trama: a mãe de Michael que decide fugir do ambiente angustiante em que vivia (mas infelizmente morre ao se manifestar) e a esposa de Gary, em sua constante busca por empregos no ambiente urbano.
A densidade narrativa é muito tocante. A todo momento convivi com a sensação de que os personagens, principalmente os homens, queriam falar algo do qual lhes faltavam palavras, como se tivessem algo a dizer mas não conseguissem. Uma verdadeira claustrofobia emocional.
O desfecho do longa justifica sua construção lenta ao entregar uma catarse brutal e poeticamente inevitável. A atuação de Abbott e Keoghan conseguiram transcender o estereótipo masculino, humanizando personagens que poderiam ser meros arquétipos da violência.
Não há como negar que o longa também me fez lembrar de "Ataque dos Cães", de 2021, principalmente pelo compartilhamento de um certo estilo narrativo e ambientação.
Temporada extremamente tímida em resolver suas questões. É como se a direção sempre estivesse pensando que seria "cedo demais" para entregar ao público algum desfecho. No final das contas tudo foi resolvido nos últimos 15 minutos da temporada, de forma muito apressada e fraca.
Boa parte das construções de enredo que demoraram vários episódios para serem feitas se tornaram irrelevantes no final das contas.
De todo modo continua sendo uma série instigante, mas aquele sentimento de "vai dar merda a qualquer momento" que existia em todas as temporadas se perdeu um pouco.
O diferente em relação a outras versões de Nosferatu fica por conta da estética impecável que agrega muito na narrativa do longa. É surpreendente o que Eggers fez aqui! Assistir o filme nas telonas do cinema é uma experiência de fascínio quase hipnotizante.
No entanto, algumas semanas após ver o filme tenho a sensação de que apenas isso "permaneceu" comigo: a estética. A direção peca muito na missão de transmitir algo através dos personagens; é como se realmente não nos importássemos com nenhum deles.
Os primeiros momentos do filme são sufocantes! A Gravação em tomada única dos momentos angustiantes do parto de Martha consegue ampliar o sentimento desesperador da personagem praticamente em tempo real. É como se estivéssemos nos fazendo presentes ali, junto aos personagens, igualmente desesperados pela tragédia iminente. É quase impossível não se comover com Martha nesse momento!
Uma bela aproximação com a vida real para mostrar como a pobreza existencial contemporânea pode nos fazer delirar dentro de nossas neuroses, trilhando um caminho de inevitável ruína subjetiva em meio a tentativas sempre frustradas de sermos vistos e reconhecidos. A partir de um ideal obsessivo apregoado na cultura atual, o longa mostra como o aniquilamento da própria vida acaba sendo irrelevante em detrimento dos "prazeres" oferecidos por esse protótipo de satisfação imediata.
Me parece que o filme possui muitas camadas a serem exploradas por quem se sentir convocado e acredito que ótimas reflexões podem resultar disso, afinal, o longa dá muito pano pra manga. Mas é tanto pano que eu não saberia nem por onde começar a falar. A quantidade de metáforas, analogias, simbolismos e representações é tanta que acabou deixando o filme carregado de conteúdo mal explorado.
Odeio julgar um filme como "pretencioso", mas não tenho dúvidas que essa é uma palavra cabível aqui. Difícil acreditar que pertence ao mesmo diretor de Ex Machina.
Confesso que não compreendi ao certo se a programação do roteiro pretendia explorar uma crítica filosófica sobre a arte ou algo do gênero. Mas se a resposta for afirmativa, é possível que a crítica tenha ficado um tanto quanto velada ou até mesmo abstrata ao ponto de não capturar o expectador.
Talvez o longa tenha se apegado muito na engenharia teórica necessária para solucionar o problema do protagonista e acabou não se atentando em desenvolver alguma metáfora sobre o universo da arte (caso essa fosse sua real intenção). Isso pode ter causado certa confusão sobre o que pensar do filme em um contexto geral...
De todo modo, vale elogios para o Dafoe que precisou sustentar o filme praticamente sozinho.
Tecnicamente muito bem dirigido, mas de um roteiro um pouco preguiçoso. Pode-se resumir o roteiro de maneira esdrúxula dizendo que se trata da trama de um adolescente em busca de uma resposta para a pergunta: "como é ser adulto?". A partir de tal indagação a solução do personagem é trancar os pais em um bunker e tentar viver uma vida de adulto por conta própria. Uma solução porca e sem nexo, sem a menor coerência, uma vez que o roteiro não apresenta os indicativos psicológicos que serviriam como motivação para o personagem.
Enfim, enquanto o protagonista "viveu" uma vida de adulto por demanda espontânea, a outra garota teve que amadurecer às pressas devido o abandono da mãe. Metáfora tão solta que facilmente passa despercebida pelo espectador e ainda pode ser causa de constrangimento.
Um bando de adolescentes decide destruir a única cidade que resta no planeta - e que possuía os principais recursos pra salvar a humanidade - pra ir morar na praia.
Pensemos o curta de Gaspar Noé com a máxima exemplificada pelo psicanalista francês Jacques Lacan: "não há relação sexual!".
Pois bem, por mais que o enredo do curta aponte que ambos personagens se liguem à um propósito comum - os dois assistem o mesmo filme e com o mesmo objetivo, por exemplo-, notamos que eles se desconectam desse propósito na exata medida em que cada qual esbarra em suas próprias fantasias. Ou seja, a conexão dos dois é improvável se pensarmos pela lógica de que as fantasias de um sujeito sempre colocam o outro no lugar de um objeto ao qual ele não corresponde. Logo, a relação sexual está mais ligada aos desejos e fantasias de cada um do que a união dos corpos propriamente dita.
No curta isso se apresenta como crítica metalinguística à pornografia. Na pornografia não há contato se não com a própria fantasia, esse é o único contato possível. Os dois personagens estão no mesmo ambiente, separados apenas por uma parede, eles assistem ao mesmo filme e "gozam" ao mesmo tempo. Isso nos faz questionar: afinal, por quê eles não estão juntos? Bem... há aqui um esvaziamento das relações humanas; não fosse a pornografia eles estariam juntos...
Eggers fez uma escolha muito feliz ao transformar seu primeiro curta-metragem em um filme mudo. Com certeza é uma homenagem pra era do cinema mudo do gênero de terror!
O mais interessante é que a direção consegue recriar com muita meticulosidade a sensação de assistir os primeiros filmes do movimento expressionista alemão: visuais contrastados, edição simples, atuações extremamente enfáticas, trilha sonora estridente, iluminação e ângulos de câmera exagerados e muito dramáticos!
"Nimic" é uma palavra que se assemelha muito a "mimic", do inglês "mímica". Para mim não restam dúvidas de que o curta revela algo muito próximo a isso!
"Que horas são?" é a pergunta que faz o personagem interpretado por Matt Dillon ter sua identidade roubada por uma mulher misteriosa, que o acaso o fez encontrar em um metrô. Essa mulher segue-o até sua casa e passa a adotar todos todos os seus trejeitos, falas e costumes, literalmente lhe imitando. O ocorrido é tão perturbador ao ponto em que nem mesmo a esposa e os filhos do homem sabem diferenciar um do outro. "Digam à mãe quem é o verdadeiro pai" diz ele aos filhos que agora titubeiam ao tentar reconhecê-lo.
Para solucionar o problema a família faz um teste: cada um dos dois deita-se com a mãe e quem lhe figurar maior intimidade sem dúvidas será o "verdadeiro pai". Dito e feito: a família escolhe a mulher desconhecida e ela assume o posto do pai.
O curta se encerra no momento em que o personagem de Matt Dillon volta ao metrô e um rapaz lhe pergunta: "que horas são?"; a câmera fica alternando entre os dois em um movimento que agrega um suspense muito meticuloso. Bem, por aí já se entende que chegou a vez d'ele roubar a personalidade de alguém... .
É incrível como a linguagem cinematográfica marca uma enorme presença nos trabalhos do Lanthimos. Percebam que no início da história é o homem assume o papel de violoncelista na orquestra, já no final da história quem assume o posto de violoncelista é a mulher desconhecida, consumando a teoria de que ela lhe roubou a identidade.
Também achei incrível o fato de que a trilha sonora é engendrada pela própria orquestra que compõe as cenas do curta do início ao fim. Algo assim aconteceu em Birdman, do Iñárritu, onde percebemos que o som de uma bateria frenética que acompanhava um extenso plano sequência estava presente na cena em si, onde um rapaz estava tocando o instrumento em uma das calçadas da Broadway por onde passava um dos personagens. Simplesmente sensacional!
A identidade cinematográfica que Lanthimos adquiriu é tão singular que chega a ser atemorizante. A marca do diretor é grifada de maneira tão nítida em suas obras que às tornam completamente inconfundíveis (e até mesmo incomparáveis, eu diria).
Não há hesitação em sua forma particular de contar histórias; o grotesco encontra o estapafúrdio e dá origem ao excêntrico. Ao passo em que tudo é estranhamente artificial, supérfluo e inexpressivo, suas narrativas demonstram as mais profundas inquietações humanas!
A premissa da série é relativamente simples: um fazendeiro encontra um imenso buraco em sua fazenda e percebe que o buraco mascara algo que está para além da compreensão humana. A partir disso a história começa a se desenrolar.
Uma premissa simples mas tão bem construída que logo no primeiro episódio já vemos se criar uma atmosfera muito misteriosa e que nos prende com muita facilidade, afinal, queremos saber o que diabos é aquele "buraco". A grande questão aqui é que a série se prende muito em construir toda essa ambientação que simplesmente esquece de utilizar ela pra resolver o mistério que ela mesmo criou.
Em meu ver, em 8 episódios a série poderia ter, talvez, mais respostas do que perguntas. Poxa, em seu penúltimo episódio a série ainda estava lançando questionamentos, ao invez de já começar a dar solução a alguns problemas.
O último episódio, mesmo que tarde, poderia dar o braço a torcer e investir em resoluções mais pontuais; pois bem dizer, a série demora 8 capítulos para chegar no clímax esperado, e quando chega, se encerra. É como se você ficasse 3 horas morrendo de fome enquanto prepara um jantar muito bem pensando mas quando ele finalmente está pronto você desliga o fogo, tampa as panelas e decide comer só no próximo ano.
Acho que isso foi uma escolha errada, pois no fim das contas a primeira temporada se resume à especulações presunçosas sobre o que seria o tal "buraco". Acho imprudente desatar todos os nós somente na segunda temporada, creio que o público não vai ter a paciência que os produtores esperam...
A série em si tem seus méritos, que não são poucos, confesso. Com exceção de um ou outro ator, a grande maioria faz um bom trabalho. Fotografia, direção de arte, composição e trilha sonora são de cair o queixo!
Acabe com Eles
3.3 41 Assista AgoraExcelente! Me lembrou muito de "As Bestas" do Rodrigo Sorogoyen.
Acabe com eles é um estudo incisivo sobre como a masculinidade se perpetua em ambientes isolados. O diretor conseguiu demonstrar uma habilidade muito sensível ao usar o cinema não apenas como entretenimento, mas como espelho de dinâmicas sociais urgentes. O filme deixa uma marca perturbadora, questionando até que ponto esses ciclos transgeracionais podem ser quebrados, ou se estão fadados a se repetir eternamente.
A possibilidade de ruptura parece estar concentrada nas mulheres da trama: a mãe de Michael que decide fugir do ambiente angustiante em que vivia (mas infelizmente morre ao se manifestar) e a esposa de Gary, em sua constante busca por empregos no ambiente urbano.
A densidade narrativa é muito tocante. A todo momento convivi com a sensação de que os personagens, principalmente os homens, queriam falar algo do qual lhes faltavam palavras, como se tivessem algo a dizer mas não conseguissem. Uma verdadeira claustrofobia emocional.
O desfecho do longa justifica sua construção lenta ao entregar uma catarse brutal e poeticamente inevitável. A atuação de Abbott e Keoghan conseguiram transcender o estereótipo masculino, humanizando personagens que poderiam ser meros arquétipos da violência.
Não há como negar que o longa também me fez lembrar de "Ataque dos Cães", de 2021, principalmente pelo compartilhamento de um certo estilo narrativo e ambientação.
The White Lotus (3ª Temporada)
3.6 243 Assista AgoraTemporada extremamente tímida em resolver suas questões. É como se a direção sempre estivesse pensando que seria "cedo demais" para entregar ao público algum desfecho. No final das contas tudo foi resolvido nos últimos 15 minutos da temporada, de forma muito apressada e fraca.
Boa parte das construções de enredo que demoraram vários episódios para serem feitas se tornaram irrelevantes no final das contas.
De todo modo continua sendo uma série instigante, mas aquele sentimento de "vai dar merda a qualquer momento" que existia em todas as temporadas se perdeu um pouco.
Nosferatu
3.6 937 Assista AgoraO diferente em relação a outras versões de Nosferatu fica por conta da estética impecável que agrega muito na narrativa do longa. É surpreendente o que Eggers fez aqui!
Assistir o filme nas telonas do cinema é uma experiência de fascínio quase hipnotizante.
No entanto, algumas semanas após ver o filme tenho a sensação de que apenas isso "permaneceu" comigo: a estética. A direção peca muito na missão de transmitir algo através dos personagens; é como se realmente não nos importássemos com nenhum deles.
MaXXXine
3.1 672 Assista AgoraA perfeita materialização dos desastrosos resultados de se tentar tirar leite de pedra!
Pedaços De Uma Mulher
3.8 545 Assista AgoraOs primeiros momentos do filme são sufocantes!
A Gravação em tomada única dos momentos angustiantes do parto de Martha consegue ampliar o sentimento desesperador da personagem praticamente em tempo real. É como se estivéssemos nos fazendo presentes ali, junto aos personagens, igualmente desesperados pela tragédia iminente. É quase impossível não se comover com Martha nesse momento!
Doente de Mim Mesma
3.8 137Uma bela aproximação com a vida real para mostrar como a pobreza existencial contemporânea pode nos fazer delirar dentro de nossas neuroses, trilhando um caminho de inevitável ruína subjetiva em meio a tentativas sempre frustradas de sermos vistos e reconhecidos. A partir de um ideal obsessivo apregoado na cultura atual, o longa mostra como o aniquilamento da própria vida acaba sendo irrelevante em detrimento dos "prazeres" oferecidos por esse protótipo de satisfação imediata.
Men: Faces do Medo
3.2 482 Assista AgoraMe parece que o filme possui muitas camadas a serem exploradas por quem se sentir convocado e acredito que ótimas reflexões podem resultar disso, afinal, o longa dá muito pano pra manga. Mas é tanto pano que eu não saberia nem por onde começar a falar. A quantidade de metáforas, analogias, simbolismos e representações é tanta que acabou deixando o filme carregado de conteúdo mal explorado.
Odeio julgar um filme como "pretencioso", mas não tenho dúvidas que essa é uma palavra cabível aqui. Difícil acreditar que pertence ao mesmo diretor de Ex Machina.
Dentro
2.7 136 Assista AgoraConfesso que não compreendi ao certo se a programação do roteiro pretendia explorar uma crítica filosófica sobre a arte ou algo do gênero. Mas se a resposta for afirmativa, é possível que a crítica tenha ficado um tanto quanto velada ou até mesmo abstrata ao ponto de não capturar o expectador.
Talvez o longa tenha se apegado muito na engenharia teórica necessária para solucionar o problema do protagonista e acabou não se atentando em desenvolver alguma metáfora sobre o universo da arte (caso essa fosse sua real intenção). Isso pode ter causado certa confusão sobre o que pensar do filme em um contexto geral...
De todo modo, vale elogios para o Dafoe que precisou sustentar o filme praticamente sozinho.
American Horror Story: Delicate (12ª Temporada)
2.5 103O enredo mais batido de Hollywood. Quem aguenta?
Herman's Cure-All Tonic
3.2 2Meu deus! O Harold ouvindo Tom Jobim na farmácia!!
Basically
3.1 3Senti uma pegada meio Wes Anderson!
Um Lugar Secreto
2.3 179 Assista AgoraTecnicamente muito bem dirigido, mas de um roteiro um pouco preguiçoso. Pode-se resumir o roteiro de maneira esdrúxula dizendo que se trata da trama de um adolescente em busca de uma resposta para a pergunta: "como é ser adulto?". A partir de tal indagação a solução do personagem é trancar os pais em um bunker e tentar viver uma vida de adulto por conta própria. Uma solução porca e sem nexo, sem a menor coerência, uma vez que o roteiro não apresenta os indicativos psicológicos que serviriam como motivação para o personagem.
Enfim, enquanto o protagonista "viveu" uma vida de adulto por demanda espontânea, a outra garota teve que amadurecer às pressas devido o abandono da mãe. Metáfora tão solta que facilmente passa despercebida pelo espectador e ainda pode ser causa de constrangimento.
E o que foi o pai do garoto perguntando "se ele já havia olhado debaixo da cama?"
The Twilight Zone (2ª Temporada)
3.4 68Teria que se esforçar mais pra chegar a ser ruim.
Prehistoric Cabaret
2.8 7Visceral é um ótimo adjetivo!
Maze Runner: A Cura Mortal
3.3 585 Assista AgoraUm bando de adolescentes decide destruir a única cidade que resta no planeta - e que possuía os principais recursos pra salvar a humanidade - pra ir morar na praia.
A Escada
4.0 14Uma aula sobre montagem em 5 minutos!
We Fuck Alone
2.7 90Pensemos o curta de Gaspar Noé com a máxima exemplificada pelo psicanalista francês Jacques Lacan: "não há relação sexual!".
Pois bem, por mais que o enredo do curta aponte que ambos personagens se liguem à um propósito comum - os dois assistem o mesmo filme e com o mesmo objetivo, por exemplo-, notamos que eles se desconectam desse propósito na exata medida em que cada qual esbarra em suas próprias fantasias. Ou seja, a conexão dos dois é improvável se pensarmos pela lógica de que as fantasias de um sujeito sempre colocam o outro no lugar de um objeto ao qual ele não corresponde. Logo, a relação sexual está mais ligada aos desejos e fantasias de cada um do que a união dos corpos propriamente dita.
No curta isso se apresenta como crítica metalinguística à pornografia. Na pornografia não há contato se não com a própria fantasia, esse é o único contato possível. Os dois personagens estão no mesmo ambiente, separados apenas por uma parede, eles assistem ao mesmo filme e "gozam" ao mesmo tempo. Isso nos faz questionar: afinal, por quê eles não estão juntos? Bem... há aqui um esvaziamento das relações humanas; não fosse a pornografia eles estariam juntos...
SebastiAn: Thirst
3.7 2Gaspar Noé e seus planos-sequência ambientados no inferno!
João e Maria
3.1 5Eggers fez uma escolha muito feliz ao transformar seu primeiro curta-metragem em um filme mudo. Com certeza é uma homenagem pra era do cinema mudo do gênero de terror!
O mais interessante é que a direção consegue recriar com muita meticulosidade a sensação de assistir os primeiros filmes do movimento expressionista alemão: visuais contrastados, edição simples, atuações extremamente enfáticas, trilha sonora estridente, iluminação e ângulos de câmera exagerados e muito dramáticos!
Comida
4.5 79Pra quem se interessar, tem disponível no Youtube dividido em 3 partes!
Breakfast: https://www.youtube.com/watch?v=7abCEq0Qla4
Lunch: https://www.youtube.com/watch?v=0yM3uxZjdfo
Dinner: https://www.youtube.com/watch?v=nSkBBy8N4Bs
Nimic
3.5 67"Nimic" é uma palavra que se assemelha muito a "mimic", do inglês "mímica". Para mim não restam dúvidas de que o curta revela algo muito próximo a isso!
"Que horas são?" é a pergunta que faz o personagem interpretado por Matt Dillon ter sua identidade roubada por uma mulher misteriosa, que o acaso o fez encontrar em um metrô. Essa mulher segue-o até sua casa e passa a adotar todos todos os seus trejeitos, falas e costumes, literalmente lhe imitando. O ocorrido é tão perturbador ao ponto em que nem mesmo a esposa e os filhos do homem sabem diferenciar um do outro. "Digam à mãe quem é o verdadeiro pai" diz ele aos filhos que agora titubeiam ao tentar reconhecê-lo.
Para solucionar o problema a família faz um teste: cada um dos dois deita-se com a mãe e quem lhe figurar maior intimidade sem dúvidas será o "verdadeiro pai". Dito e feito: a família escolhe a mulher desconhecida e ela assume o posto do pai.
O curta se encerra no momento em que o personagem de Matt Dillon volta ao metrô e um rapaz lhe pergunta: "que horas são?"; a câmera fica alternando entre os dois em um movimento que agrega um suspense muito meticuloso. Bem, por aí já se entende que chegou a vez d'ele roubar a personalidade de alguém...
.
É incrível como a linguagem cinematográfica marca uma enorme presença nos trabalhos do Lanthimos. Percebam que no início da história é o homem assume o papel de violoncelista na orquestra, já no final da história quem assume o posto de violoncelista é a mulher desconhecida, consumando a teoria de que ela lhe roubou a identidade.
Também achei incrível o fato de que a trilha sonora é engendrada pela própria orquestra que compõe as cenas do curta do início ao fim. Algo assim aconteceu em Birdman, do Iñárritu, onde percebemos que o som de uma bateria frenética que acompanhava um extenso plano sequência estava presente na cena em si, onde um rapaz estava tocando o instrumento em uma das calçadas da Broadway por onde passava um dos personagens. Simplesmente sensacional!
Alpes
3.4 91 Assista AgoraA identidade cinematográfica que Lanthimos adquiriu é tão singular que chega a ser atemorizante. A marca do diretor é grifada de maneira tão nítida em suas obras que às tornam completamente inconfundíveis (e até mesmo incomparáveis, eu diria).
Não há hesitação em sua forma particular de contar histórias; o grotesco encontra o estapafúrdio e dá origem ao excêntrico. Ao passo em que tudo é estranhamente artificial, supérfluo e inexpressivo, suas narrativas demonstram as mais profundas inquietações humanas!
Titane
3.5 433 Assista AgoraCronenberg caminhou pra Ducournal correr!
Além da Margem (1ª Temporada)
3.3 105 Assista AgoraA premissa da série é relativamente simples: um fazendeiro encontra um imenso buraco em sua fazenda e percebe que o buraco mascara algo que está para além da compreensão humana. A partir disso a história começa a se desenrolar.
Uma premissa simples mas tão bem construída que logo no primeiro episódio já vemos se criar uma atmosfera muito misteriosa e que nos prende com muita facilidade, afinal, queremos saber o que diabos é aquele "buraco". A grande questão aqui é que a série se prende muito em construir toda essa ambientação que simplesmente esquece de utilizar ela pra resolver o mistério que ela mesmo criou.
Em meu ver, em 8 episódios a série poderia ter, talvez, mais respostas do que perguntas. Poxa, em seu penúltimo episódio a série ainda estava lançando questionamentos, ao invez de já começar a dar solução a alguns problemas.
O último episódio, mesmo que tarde, poderia dar o braço a torcer e investir em resoluções mais pontuais; pois bem dizer, a série demora 8 capítulos para chegar no clímax esperado, e quando chega, se encerra. É como se você ficasse 3 horas morrendo de fome enquanto prepara um jantar muito bem pensando mas quando ele finalmente está pronto você desliga o fogo, tampa as panelas e decide comer só no próximo ano.
Acho que isso foi uma escolha errada, pois no fim das contas a primeira temporada se resume à especulações presunçosas sobre o que seria o tal "buraco". Acho imprudente desatar todos os nós somente na segunda temporada, creio que o público não vai ter a paciência que os produtores esperam...
A série em si tem seus méritos, que não são poucos, confesso. Com exceção de um ou outro ator, a grande maioria faz um bom trabalho. Fotografia, direção de arte, composição e trilha sonora são de cair o queixo!