Demorei muito tempo para conseguir escrever esse pequeno texto sobre o novo longa do Quarteto Fantástico. Tal demora se deu por não querer ser injusto a um estúdio que tem feito um bom trabalho mantendo vivo o legado dos filmes X-Men nos cinemas. Alguns melhores, outros piores, mas que no fim, querendo ou não, acabam lotando as salas e trazendo para as telas histórias inspiradas nos quadrinhos. O que quero dizer é que a Fox tem um papel muito grande nessa longa história toda de heróis no cinema, e a sua tentativa de trazer novamente o Quarteto Fantástico às telas é extremamente válida, mesmo não sendo o filme que todos esperavam. Minha primeira reação ao chegar os créditos finais foi: “tá, mas e aí?”. É o filme de origem que mais fez jus ao nome “origem” dentre todos já propostos... Continue lendo em: www.plugou.com
Era uma vez um estúdio chamado Disney, que fez sua fama e dinheiro através de alguns contos escritos pelos irmãos Grimm… E também um rato. Porém Walt Disney adaptava as histórias para ficarem mais leves e agradáveis para o público infantil. É… eram outros tempos dentro da Disney onde havia inocência e finais felizes. Hoje o mundo mudou e a história é outra. As crianças não são mais tão vulneráveis a contos onde dedos e calcanhares são cortados para entrar em um sapatinho de cristal. Certas coisas que em 1950 eram inadimissíveis dentro do reino de Disney, hoje são aceitáveis. E é nisso que CAMINHOS DA FLORESTA vem retratar ao meio de sua reimaginação de alguns contos.
É inegável que Stephen Hawking merecia uma homenagem cinematográfica. Sua mente brilhante e sua história de vida não são apenas elementos de admiração, mas um exemplo a ser seguido. Porém, A Teoria de Tudo, filme que propõe tal homenagem, vai mais para o lado pessoal/familiar, focando desacerbadamente em sua doença, e oferecendo uma parcela muito pequena do filme para suas conquistas.
Inspirado na biografia homônima escrita por sua ex-esposa Jane Hawking, o filme chega ser despretensioso quando o assunto é eleger um antagonista para a história. Do início da trama, que se passa por volta dos anos 60 até o final, que se foca na atualidade, o longa se faz medroso ao apenas pincelar determinados assuntos dentro da vida de Stephen. Do ateismo do protagonista à aparente depressão sofrida pela personagem interpretada por Felicity Jones, o longa sempre dá um jeito de “mudar de assunto” e não deixar focado no que poderá gerar uma grande polêmica ou vilanizar uma personagem essencial para a história.
Quando o assunto é a trilogia O Hobbit, o que as pessoas mais queixam é o fato de Peter Jackson pegar um livro com um pouco mais de 100 páginas e dividir em 3 filmes com mais de 2 horas cada. Até o lançamento de O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, eu sempre fui de opinião contrária alegando que o livro é apenas o argumento do filme, dá sim para pegar um texto pequeno e trabalhar cenas mais elaboradas para a criação de um longa metragem. Apesar da história ser o elemento principal de um filme, ele não se faz apenas com ela, mas também com um aglomerado de elementos como imagens, música, sequências, ações que se juntam para se formar uma obra. Exigir que o longa siga exatamente cena a cena o que o livro retrata é uma tarefa que beira o impossível, pois se tratam de mídias diferentes. Em O Hobbit, há sim bastante argumento para ação, afinal, o próprio título da terceira parte foi trocado de “De Lá e de Volta Outra Vez” para “A Batalha dos Cinco Exércitos“. Ambos títulos possuem uma coesão muito grande com o livro. O primeiro se refere à jornada de Bilbo, o Hobbit título da história, o segundo se refere ao encerramento da obra literária onde exércitos vão atrás de um tesouro que faz parte da trama. Muito bem, onde quero chegar com tudo isso? Peter Jackson, independente do que fez no longa, manteve uma coesão com o livro e de certa forma se justificou com o excesso de ação o porque fazer 3 filmes ao invés de 2. Contudo, a terceira parte de O Hobbit conseguiu ser um filme sem história, sem protagonista definido e sem uma trilha sonora marcante, apenas com uma gordura imensa que conversa diretamente com a principal temática do filme: ambição.
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) não é apenas um filme. Ele consegue ser um grito de desabafo de Michael Keaton, que desde Batman – O Retorno de 1992, não emplacou nada em sua carreira. Quase nenhum filme consegue captar tão bem a essência humana como Birdman. Ele da um tapa na cara de cada um que faz exatamente isso o que estou fazendo: falar sobre o trabalho alheio como se soubesse metade da história por trás do processo.
O interessante de pensar sobre esse filme vem inicialmente de seu título. Porque Birdman? E esse “ou” que lhe oferece uma opção de escolha sobre o título? O longa não poderia ser mais atual. Trás elementos que hoje são realidade na carreira cinematográfica de qualquer ator: os filmes de super heróis. O excelente roteiro faz questão de mencionar figuras como Robert Downey Jr., que é claramente chamado de “sem talento” e Jeremy Renner como um coitado que não conseguiu fugir de uma “capa (de super herói)”.
Keaton dentro do longa é Riggan, um ator que chegou no ponto da carreira onde só é conhecido por seu papel de Birdman, longa dos anos 90 que iniciou uma inesgotável fonte de dinheiro para os estúdios: os filmes de heróis. Já Keaton nos anos 90 foi Batman, que também é conhecido por ser um dos pioneiros no estilo herói. Lidando com seu fracasso na carreira, Riggan se prepara para sua estréia no teatro, mas o seu alter ego do passado insiste em lhe mostrar o quanto ele foi apenas mais um dentro de uma indústria que ignora o talento e só pensa em números de bilheteria.
Em 1996 a Disney tentou reviver seus antigos animados. A ideia era pegar antigos desenhos clássicos e fazer suas versões em live action. Porém, na época, a releitura feita do animado 101 Dálmatas repetia quase que passo a passo a jornada dos cães ameaçados de se tornarem um casaco de pele. A visão sobre a vilã Cruela Cruel, brilhantemente vivido pela atriz Glenn Close, foi o ponto máximo, mas o foco do filme era os adoráveis cãezinhos. Felizmente essa ideia de transformar os animados em live action, na época, não foi muito para frente, pois a nova visão sobre a história não agregava nada novo para o conto, apenas a recontava exatamente igual para uma nova geração. Mas a Disney não dorme no ponto, e percebe que para essa nova garotada criada com leite e iPhone seus clássicos não funcionam mais como antes. O mundo era mais lento. As coisas eram mais calmas. O ritmo frenético que temos hoje em longas como Frozen não fazia parte da realidade dos velhos clássicos do tio Walt. Não só as crianças, mas também os adultos eram muito mais pacientes para digerir calmamente um filme como A Bela Adormecida que inclui longos diálogos dos personagens intercalados com uma excelente, mas vagarosa trilha sonora. Em 1959 Malévola era a bruxa má sem razões, apenas por querer ser má. Não havia uma motivação clara e seu visual assustador já era o suficiente para entendermos que aquela mulher era para quem iríamos torcer contra.
Se você assistiu Frozen, o último animado dos estúdios Disney, pode perceber que a figura de princesa encantada atrás de seu príncipe não faz mais parte dos moldes tradicionais. Temos uma história muito mais familiar, que exalta a importância de um caminho, e não do “viveram felizes para sempre”. Hoje os personagens possuem necessidades e personalidades muito mais humanas. Não existe propriamente um lado bom ou ruím, existem situações que fazem você mudar de opinião devido as necessidades e objetivos. Em Malévola , do diretor iniciante Robert Stromberg, temos a origem da considerada maior vilão Disney de todos os tempos, mas também temos a história de Aurora, a menina que é amaldiçoada logo em seu nascimento. O mesmo conto que já conhecemos, agora é narrado através do ponto de vista da antagonista, se é que podemos chamá-la assim nesse filme, já que a antagonista é a protagonista… e vice e versa… Uma ideia no mínimo atrativa e curiosa já que estamos assistindo a um filme do estúdio que mais prega o “fazer o bem”.
Angelina Jolie foi a escolha ideal para o papel. Ela divaga muito bem entre a heroína à personagem que já conhecemos do animado em 1959. A narração inicial do filme já nos revela que iremos ouvir uma história já contada anteriormente, porém que nem todos os fatos que conhecemos são verdadeiros. Mesmo com a narração mastigando a história o tempo inteiro (incomodando em muitos momentos), até dá para aceitar por se tratar de um conto de fadas.
Na versão do animado temos uma história de amor entre a princesa e o principe, aqui somos expostos ao lado B do conto, que de certa forma acaba invalidando os acontecimentos do desenho. Descobrimos que nos bastidores estava sempre presente uma vilã com sentimentos maternal protegendo algo que lhe assombrava. Descobrimos que dentro da carcaça de um vilão há um complexo sentimento de culpa e prazer por estar prosperando em seus objetivos, porém prejudicando um inocente.
No clássico animado, as 3 fadas madrinhas Flora, Fauna e Primavera são as que comandam a história, elas que guiam todos os outros personagens para chegarem a um destino. Na versão de 2014, as três são colocadas como meras coadjuvantes exercendo um papel de fuga cômica. Pode-se até pensar que as personagens tiveram uma pequena inspiração nos Três Patetas.
Quando olhamos Tom Cruise no cartaz de um filme, podemos esperar qualquer coisa. De um roqueiro bêbado dos anos 80 a um clone que vive em uma estação espacial, o ator vem acumulando uma série de insucessos na carreira desde Missão Impossível: Protocolo Fantasma. O que anima em falar de No Limite do Amanhã é que finalmente podemos dizer que o cinquentão volta à sua boa forma em um filme bom e intrigante. Ao lado da irreconhecível Emily Blunt protagoniza a segunda produção do verão americano de 2014 que tem suas raízes no oriente.
No Limite do Amanhã é um longa inspirado no mangá All You Need is Kill (em uma tradução livre seria “tudo o que você precisa é morrer“) escrita por Hiroshi Sakurazaka e lançada em 2004. O título do mangá expressa extremamente bem o que o protagonista do longa precisa para resolver todos os seus problemas. Esse que é o principal estopim da história consegue ser a parte mais divertida e ao mesmo tempo prejudica o senso de urgência no filme.
Tom Cruise é um major do exército desempenhando um papel de relações públicas quando seus superiores o colocam na linha de frente na luta contra um grupo de alienígenas numa batalha considerada invencível. Visto pelos colegas como um completo inútil rapidamente é morto em batalha. Contudo, inexplicavelmente ele acorda no dia seguinte e repete tudo o que passou anteriormente, e quando morto novamente, acorda de novo. Claro que com isso ele vai ganhando experiência e descobrindo a um passo de cada vez o que aconteceu, principalmente quando encontra a personagem de Emily Blunt, que parece entender bem o que o rapaz está passando.
O filme agrada muito a fãs de ficção científica e apaixonados por viagens no tempo (como eu), porém acaba perdendo um pouco a sensação de perigo na jornada por ter uma solução muito fácil para o problema ali apresentado: morrer e começar novamente. O longa possui um início um pouco travado no qual nos apresenta aquela nova realidade desenhada na história, mas depois disso entra num ritmo frenético com exoesqueletos, alienígenas, invasões, guerras e explosões que fazem valer a pena o valor gasto no ingresso do cinema, porém, depois da explicação do porque ele volta à vida toda vez que fracassa no campo de batalha, o filme dá uma caída e tudo o que você quer saber é o desfecho da história.
Num primeiro momento pode-se até confundir o filme com muitos outros que você assistiu. Sua atmosfera lembra muito Tropas Estrelares, mas logo ganha uma identidade própria . Os apreciadores de games logo irão ter uma identificação com a premissa apresentada. Alias, talvez se na conclusão tivéssemos apenas um “game over” o final teria sido um pouco mais interessante. No momento que a trama exige um pouco mais do personagem, e lhe é apresentado um problema que não teria uma fácil solução, a história logo providencia uma ponta para que o filme possa ganhar uma possível sequência.
O tralho corporal que os dois protagonistas tiveram para esse filme é admirável. Tom Cruise já pontua seus 52 anos e continua correndo como ninguém. O ator consegue protagonizar cenas de ação com muito mais energia que muitos atores de vinte e poucos anos por aí. Emily Blunt, por sua vez, está bombada. Para viver a personagem Rita, percebe-se que precisou ter uma rotina de exercícios muito intensa. Até esse filme Emily era pra mim ainda aquela menina que queria ir para Paris em O Diabo Veste Prada, agora, é uma incrível atriz de ação que pode facilmente protagonizar possíveis filmes do gênero… além de poder destruir Paris, como o próprio cartaz do filme nos mostra.
No Limite do Amanhã pode não ser um filme marco na carreira de ninguém. O diretor Doug Liman ainda vai ser conhecido por Identidade Bourne e Mr. & Mrs Smith, mas isso não anula o fato de ser um excelente entretenimento no gênero ficção científica. Torçamos que Tom Cruise venha com a mesma energia para seu próximo filme, o quinto longa da série Missão Impossível que estréia ano que vem.
Review publicado originalmente em www.CuradoriaPOP.com.br
Quando ouço o título Planeta dos Macacos, automaticamente lembro do filme que teve um dos melhores plot twistes da história do cinema. Quando o personagem George Taylor descobre que esteve o tempo todo na Terra o público reagiu da mesma maneira que o personagem. Porém, essa nova versão de Planeta dos Macacos, que se iniciou com A Origem de 2011 e agora chega com O Confronto, veio com um novo objetivo. Contar o que rolou na Terra entre os anos que a nave Ícaro esteve no espaço, inicialmente pareceu uma premissa boba, sem muito sentido, mas quando Planeta dos Macacos: O Origem estreou provou que tinha suco para ser espremido ainda dessa laranja. Porém, para os que esperam uma boa história em Planeta dos Macacos: O Confronto, pode se decepcionar um pouco.
É extremamente válido o cinema usar de sua narrativa como base para críticas sociais e protestos. Afinal, cinema é um veículo acessível e que gera reflexão entre seus espectadores. Contudo, um filme não pode ser só isso. Alias, poder até pode, mas quando estamos lidando com uma franquia antiga, que tem um histórico a ser respeitado, pautar a narrativa somente sobre isso chega ser um pouco enfadonho.
Planeta dos Macacos tem como temática central a intolerância. Sempre uma espécie domina a outra na narrativa dos filmes da série lançados até hoje. Planeta dos Macacos: O Confronto obedece a essa falta de tato entre uma espécie e outra… e só. A trama do filme é extremamente simples, sem grandes surpresas ou viradas de roteiro.
Dez anos se passam desde os acontecimentos vistos em Planeta dos Macacos: A Origem, e o vírus se espalhou rapidamente pelo planeta, deixando a raça humana à beira da extinção. Um dos poucos grupos remanescentes busca a sobrevivência nesse cenário apocalíptico, até confrontarem-se com os evoluídos macacos, que agora vivem em uma sociedade organizada tendo como líder o velho Cesar (que continua sendo brilhantemente interpretado por Andy Serkis). Entre afetos e desafetos entre as duas espécies, o confronto em busca da dominância e soberania é inevitável.
Apesar da fraca premissa, o filme ganha em efeitos visuais e fidelidade de movimentos e expressões dos personagens digitais. Realmente é um excelente momento para ser feito filmes com a técnica de captura de movimentos. O relacionamento entre os macacos é tocante, e mesmo sem precisar dizer uma única palavra o sentimento é bem retratado. Diferentemente do filme de 2011, que ainda possui uma referência ao clássico, esse abandona completamente as referências que tentam amarrar os filmes, mas convenhamos, isso é extremamente desnecessário já que a ideia aqui é contar uma nova história.
Planeta dos Macacos: A Origem, apesar de sua história morna não é um filme que decepciona, muito pelo contrário, tem ritmo, tem bons personagens, tem muita ação e tem a imaginação de um mundo extremamente interessante. É impossível não notar o evento cíclico que faz os humanos, dentro do filme, serem obrigados a voltar muitas fases de sua evolução, já que “somos todos macacos”. Aguardarei ansioso por uma sequência que consiga completar esse episódio com uma boa história e não apenas confronto.
Se você foi criança na década de 80, vai se lembrar com muito apreço quando em 1990 chegou aos cinemas o primeiro filme As Tartarugas Ninja, inspirado nos personagens que provavelmente você conheceu nos quadrinhos ou desenho animado. Quando anunciado que uma nova versão chegaria aos cinemas, aposto que um sentimento nostálgico tomou conta de você. Contudo, quando anunciaram que Michael Bay estaria por trás da produção, um desespero bateu. Comparado com os desastrosos Transformers, Tartarugas Ninja consegue se destacar e ter na medida os elementos que se espera de um filme do gênero. Mas quando pensado individualmente, você sente que foi um pouco enganado ao sair da sala de projeção. Nesse novo filme, fica apenas o legado do nome, pois é um longa completamente diferente dos que tivemos anteriormente. Infelizmente a trama trabalha muito pouco a apresentação dos protagonistas da história e em seu lugar dá mais atenção à personagem humana. O design das tartarugas ajuda distinguimos uma das outras, mas a personalidade marcante de cada uma é pouco explorada.Talvez esse tenha sido o maior erro do longa: acreditar que todo o público já tenha familiaridade com os personagens.
Apesar de Megan Fox continuar sendo um colírio para os olhos, a falta de expressão dada à personagem April O’Neil incomoda demais, principalmente por ela ter um destaque muito grande no filme. Teriam muito mais atrizes em Hollywood que encarnariam a repórter de forma mais expressiva. Tão despercebido quanto a sua atuação, temos o vilão Destruidor no filme. O personagem é muito raso, sem o impacto que deveria ter.
Porém, apesar de todos esses pesares, o filme tem seus méritos. As cenas de ação e luta são excelentes tanto no timing quanto nas coreografias. Algumas referências à elementos da cultura pop também estão presentes nas piadas que quebram o clima de tensão deixado pela brutalidade dos personagens. Foram bem dosadas e não tiraram o clima “dark” proposto nessas nova roupagem. Depois de se acostumar com o visual horroroso das tartarugas, e ignorar tudo o que o filme poderia ter sido, o sentimento de nostalgia consegue chegar mais uma vez e você se divertir. A luta do mestre Splinter é tão bacana quanto a cena da neve. A montagem de ambas as sequências merecem um ponto positivo.
Eu particularmente quando for lembrar das Tartarugas Ninja continuarei com a velha lembrança dos personagens de borracha dos filmes dos anos 90. Eles conseguiram me contar uma história muito mais concreta e divertida. Não digo que não aguardarei ansioso pela sequência já anunciada para 2016, pois ainda bate uma ânsia de que esses velhos tempos da infância ainda possam ser representados de forma digna para uma nova geração.
Quando se vê mais um filme de catástrofe chegando aos cinemas, já sabemos o que esperar: muita destruição, pouca história e muitas cabeças no elenco para morrerem ao decorrer do filme. No Olho do Tornado quase completa essa lista de clichês do formato, porém não deixa de ser um longa divertido. Com um diretor fraco e um elenco mal aproveitado que tem potencial, o filme não deixa de ser comparado com o clássico de 1996 Twister, que mesmo com uma computação gráfica mais deficitária, consegue funcionar melhor como um filme. Quando penso em filmes desse gênero inevitavelmente lembro de Titanic. James Cameron contou a trágica história em aproximadamente 3 horas, sendo que na primeira metade apenas fez com que o público amasse seus protagonistas. Recordo-me que em um determinado momento do filme, achei que tinham esquecido de afundar o navio. que pensar sobre isso? Para se fazer um filme desse porte, é necessário ter tempo para que uma história seja contada, diferentemente de No Olho do Tornado, que em 89 minutos não explora de forma eficaz seus muitos personagens. Quando um deles fatalmente morre devido o desastre natural, você não se importa. Tem muitos outros para seguir adiante com a trama. Todos os personagens possuem uma única característica: o pai solteiro, a mãe longe da filha, os irmãos que se amam mas entram em conflito, um ambicioso cinegrafista… não sabemos muito mais dessas pessoas que estão prestes a enfrentar uma aventura em suas vidas. No Olho do Tornado consegue entregar um CGI impressionante, com cenas de ação excelentes, porém só consegue humanizar seus personagens nas últimas cenas do filme. Talvez sua sensação ao sair vai ser de um bom filme, pois ele realmente melhora no final, mas quando reflete no conjunto da obra, percebe-se que o longa teria muito mais potencial se fosse intenso e emotivo desde o início.
Review publicado originalmente em www.CuradoriaPOP.com.br
A teoria de que o homem usa apenas 10% de seu cérebro é um prato cheio para o cinema. Já tivemos alguns bons frutos como o recente “Sem Limites” que tem uma premissa semelhante com a esse novo longa de Luc Besson, Lucy. Se você teve a oportunidade de assistir ao trailer, já sabe que o filme ganha muito em efeitos visuais, mas seu grande mérito não é visual pois você irá se surpreender com um roteiro rico de diálogos que lhe deixará ainda mais atônico para a conclusão da história. A origem de heróis nem sempre são suscetíveis à nossas crenças. De alienígenas vindo do espaço a garoto picado por aranha, temos muita abstração da realidade para aceitar o ser poderoso que salvará a humanidade. No caso de Lucy não é diferente. Através de uma droga sintética a personagem começa desenvolver maior capacidade cerebral com o decorrer do filme. Apesar da droga ter toda uma explicação científica coerente, a forma que é descrita no contexto da trama é pouco plausível. O filme tem seu grande mérito pela excelente atuação de Scarlett que passa de uma garota promiscua a uma mulher poderosa no pouco tempo que o filme tem. O uso de uma personagem feminina para um filme do gênero pseudoherói hoje é raro. Ambientado grande parte de suas cenas no oriente, o longa tem uma crítica muito bem explicita no seu contexto. Enquanto Morgan Freeman, um cientista que busca em Lucy conhecimentos sobre seus poderes, os orientais fazem o papel de vilões buscando apenas lucro com a droga inserida na garota. Há uma frase no roteiro bem interessante que registra bem esse lado politizado do filme: “o homem só se preocupa em ter, e não em ser”. Lucy é uma excelente surpresa que chega aos cinemas agora dia 28 de agosto de 2014. Divertido e inteligente na medida certa.
GO, ゴジラ, GO! Inesperadamente, o icônico Godzilla se tornou o filme mais aguardado de 2014 por diversos fatores: elenco (Aaron Taylor-Johnson, Bryan Cranston), diretor (Gareth Edwards que apesar de novato é conhecido pelo longa ‘Monsters‘) e uma promessa de manter o Godzilla clássico, o monstrengo originalzão do Japão que esse ano completa 60 anos. A expectativa não podia ser maior. Depois do excelente trabalho de marketing que a Warner fez sobre o filme, hoje finalmente pude conferir a nova roupagem (dessa vez sem zipper aparecendo – badum tsss) do nosso querido destruidor, e valeu a pena. Valeu muito a pena! O filme é muito bom em diversos aspectos!
Essa crítica publiquei no site plugou.com Confira ela inteira: http://goo.gl/vdg17L
> Esse review publiquei originalmente no site www.plugou.com Link: http://www.plugou.com/philomena-critica-do-filme/#.U2vzHa1dWlY
Philomena é um filme simples que lhe gera uma centena de pensamentos, e em sua maioria quanto à rigidez que a igreja católica trata determinados assuntos. Ainda mais por se tratar de uma história verídica o filme consegue ser tocante e o drama de seu protagonista é compartilhado facilmente com o público. Porém, quando se chega ao longa, o primeiro pensamento que temos é “estou indo assistir um dos indicados ao Oscar de melhor filme esse ano“, e infelizmente ao sair da sessão você pensa “ué, cade esse filme“.
O longa dirigido por Stephen Frears é tocante e emotivo, e está longe de ser um filme ruim, mas também está longe de ser um dos melhores do ano. Na trama, Philomena, interpretada por Judi Dench, uma mulher solitária e assombrada pelo seu passado, é apresentada ao jornalista Steve Coogan (Martin Sixsmith) um cinquentão que busca uma história boa para ser contata em seu livro, já que ninguém se interessa pelo assunto de sua escolha, Revolução Russa. O drama de Philomena é pautado na separação que teve de seu filho há quase 50 anos, e a falta de informações de seu paradeiro. Steve, com seu alto poder investigativo aceita o desafio de ajudar a pobre senhora e os dois partem numa busca pelo filho perdido de Philomena.
Diferente do que o espectador espera, a história é resolvida rapidamente, e a expectativa que o filme cria é quebrada para dar lugar a um drama maior trocando o foco da investigação dos personagens, deixando-o mais tenso e pesado. Algo que se torna bem paradoxal com seu cartaz amarelado e positivo.
Contudo não deixa de ser interessante analisar o relacionamento que os dois até então desconhecidos constroem. Aos poucos e a cada descoberta, os personagens com realidades diferentes acabam se aproximando, e o filho que Philomena tanto busca acaba de certa forma sendo projetado na pessoa que a ajuda resolver a pedra deixada em sua vida no passado.
Philomena é um filme que critica principalmente a igreja católica e coloca o espectador numa posição de questionamento das atitudes tomadas dentro dos conventos. Entretanto, depois de mostrar os absurdos realizados por algumas das freiras, que fizeram da vida de Philomena uma angústia, a bondosa velhinha facilmente as perdoa colocando-se acima da maldade realizada contra ela. Dificilmente você, público, perdoaria.
Philomena é um filme simpático. Um grande drama que se destaca mais por ser uma história verídica do que propriamente uma boa história. Infelizmente não consegui ler o livro a tempo de ver o filme, porém imagino que na literatura os acontecimentos relatados sejam mais descritivos. É um dos indicados a melhor filme do ano, e só isso já é o suficiente para conferir nos cinemas e tentar entender o que a academia viu de tão especial.
> Esse review publiquei originalmente no site www.plugou.com Link: http://www.plugou.com/o-espetacular-homem-aranha-2-critica-do-filme/#.U2vyh61dWlY
Em 2012 quando fui assistir ao recente remake realizado pela Sony do filme O Espetacular Homem-Aranha, minha expectativa não poderia ser maior, afinal, o próprio estúdio quando anunciou Andrew Garfield como substituto de Tobey Maguire o vendeu como um Peter Parker mais próximo dos quadrinhos. O tamanho da repercussão foi enorme, mas a entrega foi falha e minha decepção foi grande. No final tivemos um longa que não conseguiu se desvincular da trilogia já definida por Sam Raime. Apesar de muitos fãs das HQs aprovarem as aproximações que o filme trouxe ao universo de origem de herói, como uma produção cinematográfica, O Espetacular Homem-Aranha foi monótono e repetitivo. Entretanto, em O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro (o título é tão longo que é quase uma sinopse), o diretor Marc Webb nos entrega um produto que já se mostra superior logo nas primeiras sequências. É um grande exemplo de como aprender com os erros do passado provando que é possível agradar os ortodoxos das HQs como os amantes do cinema. O Espetacular Homem-Aranha 2 é simplesmente o melhor filme dos 5 longas inspirados no herói. Pra mim superou a sequência de 2004 Homem-Aranha 2. A trama em suas duas horas e vinte não apenas deu novos significados ao personagem como também repara arcos deixados abertos no primeiro filme que até então não fizeram sentido nenhum na história.
Talvez o que menos importe nesse momento é o alter ego do personagem título, mas sim o casal Peter Parker e Gwen Stacy (Emma Stone). Para a sorte do diretor, os dois não estão juntos apenas na ficção, mas também na vida real e isso deu uma química tão forte entre os personagens que só intensificou o que Marc Webb sabe fazer de melhor: dilemas humanos traduzidos poeticamente com a ajuda de uma excelente trilha sonora contemporânea e imagens capturadas de forma que expressam conforto e nostalgia.
A química entre elenco não se limita ao casal. Sally Field finalmente conseguiu fazer uma nova tia May, agregando à personagem uma mulher mais forte, que de certa forma, também veste sua máscara de heroína. Deixou de ser apenas a idosa em perigo. Por outro lado, o que os veteranos de elenco ganham, os novatos perdem. O elo fraco do filme fica por conta das interpretações duvidosas de Jamie Foxx e Paul Giamatti. Infelizmente nenhum dos dois encontraram a tonalidade certa de seus personagens.
A inserção de um novo Harry Osborn (Dane DeHaan) por mais que tenha sido um pouco mais do mesmo já entregue nos primeiros longas do Homem-Aranha, o ator conseguiu tomar a cena com a nova motivação dada às suas atitudes. O público consegue digerir melhor as razões que o levam virar o Duende Verde, mesmo que esse tenha uma participação tímida, preparando o terreno para os próximos filmes. A necessidade de criar um universo cinematográfico expandido inspirado nas HQs do Homem-Aranha nada mais é do que um reflexo do bem sucedido universo Marvel que a Disney constrói com os Vingadores. Só resta saber se a Sony terá tanta competência para tal feito.
O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro é uma analogia completa em relação a tempo e trajetos que a vida lhe traça. Podemos perceber que o relógio é uma figura importante dentro da trama e que o personagem título tem o tempo como seu aliado ou, em grande parte, inimigo. Temos um Homem-Aranha muito mais diplomático, tentando ser muito mais verbal do que porradeiro. E isso é excelente. Somos contemplados com excelentes diálogos no roteiro. O filme é fluido e repleto de pontas abertas para os próximos longas, que agora, finalmente consigo dizer que fez mérito ao Homem-Aranha que já havia conhecido anteriormente nos cinemas.
> Esse review publiquei originalmente no site www.plugou.com Link: http://www.plugou.com/mulheres-ao-ataque-critica-do-filme/#.U2vxtK1dWlY
Mulheres ao Ataque seria o tipo de filme que meu preconceito faria sair da sala de cinema com a cara fechada, braços cruzados e lamentando por perder mais duas horas preciosas de minha vida. Seria, mas não foi. O novo filme do diretor Nick Cassavetes conhecido por dirigir “Diários de uma Paixão“e “Alpha Dog” traz no elenco Cameron Diaz, Leslie Mann, Nikolaj Coster-Waldau e Kate Upton e para o gênero que se enquadra é surpreendentemente bom.
Mark King (Nikolaj Coster-Waldau), um investidor de novas empresas logo de cara nos é apresentado como um homem infiel a sua esposa Kate King (Leslie Mann), que por sua vez é uma dona de casa que confia friamente no marido. Carly Whitten (Cameron Diaz), por sua vez, é uma mulher completamente diferente de Kate: uma advogada muito bem resolvida que não leva seus relacionamentos a sério, até se envolver com Mark. Entretanto, não demora muito para descobrir que ele é casado e ela na verdade é a amante. Quando esposa e amante acabam se encontrando, o sentimento de traição logo some e uma amizade entre as duas mulheres nasce, mas quando elas descobrem que ainda há uma terceira mulher envolvida, a vingança irá leva-las descobrir muito mais que a traição conjugal.
A história tem lá seus furos e diálogos que muitas vezes podem trazer sentimentos de indignação no início do filme, pois estamos lidando com uma das protagonistas completamente submissa ao marido, aceitando de certa forma a traição causada por ele. Contudo, o crescimento da personagem da esposa se torna tão interessante que o filme lhe prende do começo ao fim. O caminho entre dona de casa à mulher que se torna faz uma completa metáfora da ascensão feminina no mercado de trabalho. Em uma determinada cena, tal personagem está com trajes que lembram muito a moda dos anos 60, sendo essa cena marcada como um ponto final na personalidade que tanto lhe prejudicou.
Por outro lado temos a personagem da amante, muito bem vivida por Cameron, que apesar de não perder em nenhum momento sua feminilidade possui uma postura rígida dentro do seu ambiente de trabalho, mostrando ser uma mulher que mantém o respeito e que sabe dividir sua vida profissional da pessoal. A personagem está constantemente usando cores completamente claras ou cores completamente escuras, que ilustra bem a dualidade que há em sua vida.
A terceira mulher, que infelizmente só conhecemos mais para o final do filme, não tem tanta identidade dentro da trama. É uma mulher muito mais nova que as outras duas que chega para concluir a trama ao despertar nas outras duas um desejo de vingança, que até então não existia. Além de Cameron Diaz no auge de seus 42 anos ainda esta esbanjando charme, temos Leslie Mann que toma a cena quando resolve beber para esquecer dos problemas, mesmo a atriz perdendo um pouco o tom e deixando a comédia mais escrachada do que de fato deveria ser. Destaco também a trilha sonora do filme que passeia entre Cyndi Lauper, Frank Sinatra e trilhas de ação como o tema de Missão Impossível, deixando o filme mais leve e divertido.
Mulheres ao Ataque me surpreendeu pelo crescimento de seus personagens e entregar uma comédia descompromissada e divertida que lhe fará se entreter durante as duas horas de projeção.
Esse review eu publiquei originalmente no site Plugou.com
Gravidade é um filme que consegue ao mesmo tempo ser simples e complexo. Tal complexidade não vem apenas nos desafios que o diretor Alfonso Cuarón deve ter tido para fazer um filme inteiro com seus personagens sem tocar o chão, mas também na reflexão que é a vida vista do espaço, esse que no contexto do filme é o grande vilão. Assim como começa o filme, “é impossível a existência de vida no espaço”.
Com longas sequências, o filme consegue prender a atenção do início ao fim, e a imersão que a película causa consegue transformar a própria platéia em astronautas. Com o bem usado 3D e a predominante ambientação escura do espaço com a da sala de cinema, torna essa mescla uma unidade só e faz a tensão da trama ficar ainda maior. Você não assiste ao filme, mas sim participa dele.
Sem explosões espetaculares, o longa mantém o máximo de fidelidade com a física e consegue sem esforço deixar a aventura vivida pela personagem de Sandra Bullock ainda mais real. Cenas marcantes como a chegada de estilhaços ao Hubble no qual desencadeia toda a trajetória vivida pelos personagens, certamente transformarão o filme uma referência ao cinema do gênero. Uma outra cena incrível é a da personagem de Bullock dentro de uma base retirando sua enorme roupa de astronauta. A analogia a um feto fica ainda mais marcando com o final escolhido pelo diretor.
Gravidade é de longe o melhor filme de 2013 até o momento. Alfonso Cuarón conseguiu extrair de Sandra Bullock e George Clooney o melhor que cada um dos atores há muito tempo não oferecia. Perdemos qualquer referência dos filmes ruins de ambos de tão convincente são eles em seus papeis (apesar dos diálogos serem bem mornos).
Gravidade, é muito mais do que um filme. É uma reflexão de quão frágil e pequenos nós humanos somos. O planeta Terra se torna um terceiro personagem, e nele está a salvação daqueles que vimos em tela. O azul contrastando com a cor preta do espaço explode na tela quando é exibido. Ao subir os créditos certamente o filme irá estimular uma reflexão da importância que encaramos determinados fatos da vida e o quão pouco damos valor a pequenas coisas.
> Esse review publiquei originalmente no site Plugou.com <
Existe uma coisa nos reality shows que sempre me chamou a atenção e que em 100% dos grupos que não se permitem ingerir qualquer conteúdo me condenou com críticas ao parecer procurar uma razão para a existência de um estilo de programa visivelmente vazio de conteúdo. Pegar uma amostra de pessoas e coloca-las em observação durante 24 horas é um tremendo estudo comportamental humano, que pode nos adentrar nas mais obscuras verdades sobre essas pessoas. A quebra de filtro social e os limites onde o humano chega para atingir seu objetivo e conquistar seu prêmio dentro dosreality shows é apenas uma parte daquilo que todos nós somos no cotidiano. Em Entre Nós, somos convidados a entrar na vida de 7 amigos em uma viagem a uma casa de campo. Uma viagem não, duas. A primeira em 1992 e a segunda em 2002. Na primeira, jovens cheios de sonhos, buscando a concretização de um ideal de vida. Na segunda, pessoas que chegaram na metade da vida observando que o tempo passou rápido e que seus sonhos estão ficando para trás. Dirigido por Paulo Morelli e seu filho Pedro Morelli, Entre Nós é o filme nacional que surpreendentemente vai ao sentido contrário de tudo que chegou aos cinemas tupiniquins nos últimos anos. Um longa maturo, que prova que cinema é feito de história e não de piadas prontas e nem explosões. Na trama que começa em 1992, Felipe (Caio Blat) e Rafael (Lee Taylor), dois aspirantes a autor literário, estão em uma viagem junto com seus amigos e discutem os caminhos que seus livros devem ser tomados, quando um acidente de carro muda a vida do grupo dos 7 amigos que se reencontram 10 anos depois para abrir uma cápsula do tempo que haviam feito na mesma época.
Somos convidados pelo diretor a conhecer os desejos e segredos de cada um dos personagens, nos revelando em doses homeopáticas as vontades e dilemas que esses personagens vivem 10 anos após conhecermos suas fases imaturas e idealistas. Interessantemente, apesar de termos o foco em praticamente 3 personagens dentro da trama principal, em nenhum momento conseguimos julgar as escolhas errôneas que eles podem ter tido em suas vidas. Apesar da falta de caráter completa de algumas ações, não escolhemos nenhum deles para ser herói ou vilão da trama. Mesmo que num primeiro momento nos sentimos um pouco confusos, pois nem todos os personagens são bem desenvolvidos de imediato, o filme resgata diversas vezes quem é cada um que estamos acompanhando. Durante diversos momentos o longa me lembrou o filme ‘Antes do Amanhecer’ (Before Sunrise, do diretor Richard Linklater, 1995). Mesmo parecendo uma comparação esdrúxula, devido a alta qualidade do filme, ele nos remete muito a umreality show que só depois de um tempo entendemos quem é quem dentro da história que nos contam. Entre Nós é um filme simples, de diálogos naturais, que em muitos momentos me fizeram acreditar que aquelas pessoas realmente existem. A interação entre eles me soou natural a ponto de imaginar que os atores estariam interpretando eles próprios. Mesmo com algumas cenas que quebram o drama principal, algumas boas outras nem tanto, o filme merece um grande mérito por conseguir ser lançado em um país onde tramas mais complexas beiram à proibição entre o atual consumidor de cinema nacional. Posso estar empolgado por encontrar um produto brasileiro de tão alta qualidade, mas nesse momento Entre Nós, para mim, é um de meus filmes nacionais favoritos.
> Esse review publiquei originalmente no site Plugou.com <
Toque de Mestre pareceu ser mais do que realmente é. Quando cheguei ao trailer percebi um filme de suspense no qual um fanático abordaria um pianista exigindo desse a perfeição na execução de uma obra clássica. O fanatismo parecia ser um dos temas principais desse novo longa estrelado por Elijah Wood, dirigido por Damien Chazelle. No filme, Tom Selznick (Wood) é um excelente pianista a caminho de um concerto que prestará uma homenagem seu grande mestre falecido recentemente. O sucesso de público seria inevitável já que não apenas os admiradores da música clássica marcaria presença, mas muitos curiosos estariam no teatro para chegar perto da esposa de Tom, Emma Selznick (Kerry Bishé), uma famosa atriz hollywoodiana que estaria no teatro para prestigiar a apresentação de seu marido. Prestes a começar o concerto, Tom rasga uma partitura, conhecida por ser uma música extremamente difícil de tocar, mas ao sentar ao piano descobre que existe um psicopata apontando uma arma para ele e que a condição de não mata-lo seria que ele tocasse com perfeição a música que ele acabara de rasgar a partitura. O filme tem um climax bem interessante, que lembra um pouco alguns clássicos de suspense. A mescla com a música clássica junto com as longas tomadas de plano sequência causam uma imersão interessante. A dificuldade que o diretor deve ter tido para manter coesa todas as sequências são de parabeniza-lo. Infelizmente, nem toda história consegue manter seu ritmo interessante, e a motivação que o antagonista possui estraga toda experiência que o filme poderia proporcionar. O que teria potencial de ser um novo ‘Louca Obsessão‘(filme de 1990 inspirado na obra de Stephen King), se torna um simples filme de roubo e caça ao tesouro. Toque de Mestre frustra bastante, principalmente por sua conclusão. Mesmo tendo pontos admiráveis, como poder ver Elijah Wood mostrando um novo talento como pianista (sim, em algumas cenas é ele mesmo que toca o piano), o filme se perde e entrega uma conclusão boba e sem surpresa.
> Essa crítica publiquei originalmente no site Plugou.com<
Antes de mais nada, eu não sou um grande conhecedor das histórias bíblicas, tão pouco saberei dizer se o que o diretor Darren Aronofsky me mostrou em seu filme Noé se fez fidedigno aos fatos descritos no livro sagrado. O que posso dizer é que pela primeira vez tive a oportunidade de ver um filme religioso em um IMAX 3D pelas mãos de um excelente diretor, porém, com uma história que para mim é muito mais uma fábula. Acho que serei repetitivo ao contar do que o filme se trata, afinal a história de Noé (Russell Crowe) é muito conhecida. Apesar de até hoje não ter tido um filme que o representasse numa pegada mais “realista”. Noé é o escolhido por Deus para construir uma arca e colocar nela todos os animais da Terra em pares, visto que a humanidade estava tão degradada que não era mais negócio para Deus mante-los vivos. Veio o grande dilúvio que foi o reboot divino na Terra. O filme é bem explicativo quanto a detalhar do porque Deus desistiu dos humanos naquele momento. O diretor opta explicar o que aconteceu desde a criação da Terra, Adão e Eva e seus três filhos Caim, Abel e Sete. Caim mata Abel (acho que isso não deve ser um spoiler…) e o mundo é divido entre os descendentes de Sete e Caim, sendo que os desse, dentro do filme, são de certa forma uma representatividade do mau, e deles gerou todo o desgosto de Deus por seus representantes na Terra. Eu sempre tive uma visão infantilizada de Noé, tanto que a primeira lembrança que me vem quando me recordo da história é do segmento do Pato Donalddentro do filme Fantasia 2000 da Disney. A visão fabulosa do homem com uma lista de animais, checando se todos eles estão devidamente postos dentro da arca, é substituída por um homem que diz conversar com Deus e ter uma missão a seguir: extinguir o mau sobre a Terra. As cenas com os animais é bem pouco representada dentro do longa. O carinho que Noé possui pelos bichos é demostrado no começo do filme quando esse se mostra preocupado por uma espécie fugindo de seus caçadores. Podemos dizer inclusive que o filme desnecessariamente abraça uma causa vegetariana ao colocar os vilões como carnívoros. Com diversas repetições de cenas dentro do decorrer da história, somos confrontados no mínimo umas 3 vezes com a imagem do homem caindo em tentação e comendo o fruto proibido. Essa pausa que o diretor toda hora insiste em colocar incomoda e dá um ritmo bem lerdo para o que realmente as pessoas queriam ver: dilúvio. Percebe-se que há a necessidade de tudo ter um sentido que volta para o rastejar da tentação contemplando o homem comendo o fruto proibido. Tal proibição terá no futuro da história com a relação da personagem de Emma Watson e Anthony Hopkins. Por mais que o filme tente ser realista, não há como leva-lo a sério com a inserção dos Guardiões dentro da história. São retratados como seres divinos encarnados em gigantes de pedra. Eu realmente não sei se existe essas criaturas na bíblia, mas no filme eles dão um aspecto de “Senhor dos Anéis“em uma trama que prioritariamente seria religiosa. Os efeitos visuais são excelentes. A animação travada nos guardiões, remetendo um pouco os efeitos em stop motion não incomodam e dá sentido maior à dureza dos personagens. O 3D não é dos piores, mas apesar de todos os esforços em manter o longa tecnologicamente impecável, o que faz dele mais interessante são as cenas pós dilúvio, onde a família de Noé dentro da arca, começa julga-lo por não ter salvo nada além dos animais. O drama existencial daquelas pessoas ao depararem que são a única esperança de procriação da humanidade é excelente, e a complexidade dos personagens cresce, dando novas camadas na história. Estava na hora de um filme mais sério sobre a arca de Noé ser lançado. Apesar de todo apelo comercial existente em seu lançamento, o filme ainda é uma história bíblica e que inevitavelmente gerará polemicas religiosas. Fiquei de fato mais curioso para conhecer os relatos escritos no livro sagrado e ver até onde o filme foi fiel e em quais momentos o diretor resolveu colocar seu dedo na história. Aconselharia ler a bíblia antes de assistir ao filme, talvez chegando à sala tendo uma noção menos infantil da história, o aproveitamento do filme possa ser maior.
> Esse review foi originalmente publicada no site Plugou.com <
Existe uma característica bem específica nos filmes que a Marvel vem construindo anualmente, que é a presença de um humor equilibrado mediante a uma história de heróis contra vilões. Em Capitão América 2 – O Soldado Invernal, tal característica é presente, mas com uma dose muito menor das que estamos acostumados a ver. Depois de anunciados os diretores Anthony Russo e Joe Russo imaginava-se que o filme iria ter a mesma tonalidade leve que o primeiro teve, afinal ambos são conhecidos por dirigirem comédia para a TV, porém Capitão América 2 é muito mais um Missão Impossível ligado nos 220V. Percebemos no filme que Steve Rogers (Chris Evans) está constantemente em queda, sendo introduzido à força em uma nação que mudou nos últimos 70 anos. As pessoas que ele conhecia antes de ser congelado ou estão mortas ou muito idosas, e a necessidade de se conectar a um novo mundo mostra que mesmo após 2 anos dos acontecimentos de New York ele ainda possui dificuldades de entender tanta mudança. O filme é sério. Muito sério. É uma trama política que mescla o governo, a SHIELD e a HIDRA. A história lhe traz um excesso de novas informações nesse novo universo que mostra quais são os caminhos que a Marvel Studios quer seguir a partir de agora, e se eu tiver que apostar em alguma coisa, apostaria que, a partir do final dessa segunda fase e começo da terceira fase de filmes, teremos longas muito mais adultos do que lúdicos. É capaz que os filmes mais “leves” ficarão a cargo dos Guardiões da Galáxia. Todos os personagens secundários ganham uma profundidade maior nesse filme. Nick Fury (Samuel L. Jackson), por exemplo, chega a ter seu momento badass assim como a agente Maria Hill (Cobie Smulders). Natasha Romanoff, a Viúva Negra (Scarlett Johansson) continua ganhando as atenções mas também deixa encaminhado um possível desdobramento para um spinoff de sua história, em muitos momentos percebemos que ela esconde algo em seu passado. Sam Wilson, o Falcão (Anthony Mackie) entra na trama fazendo de tudo para agradar desde sua primeira aparição nos momentos iniciais do longa. É um personagem muito carismático que faz o Capitão América ter um laço de amizade nos tempos atuais. Por outro lado, achei a participação do Soldado Invernal, que intitula o filme, tão rápida em tela, que dá aquele gosto de “quero saber mais sobre esse cara”. Talvez esse sentimento tenha ficado entre os bastidores, pois é um pouco disso que uma das cenas pós créditos nos revela. Falando nelas, as famosas e tradicionais cenas, que a Marvel gosta de colocar nos seus longas, estão lá, e assim como em Thor – O Mundo Sombrio, uma cena de fazer o fã da franquia ficar em pé (empolgante e assustador ao mesmo tempo), e outra que é mais leve mas que pode revelar algo muito maior no futuro. Capitão América 2 – O Soldado Invernal é um excelente filme, mas destoa de tudo o que já foi feito até agora dentro do universo Marvel. É corajoso, não teve receio de quebrar a expectativa que o público possivelmente está ao aguarda-lo. Possui cenas de ação e de lutas muito bem feitas… talvez as melhores até aqui. Certamente fará você chegar em casa para assistir a série Agents of SHIELD, pois tudo apresentado no longa pode fazer o destino tanto dos filmes quanto da série mudar. Estou muito curioso para saber que caminhos serão tomados em Os Vingadores 2.
Ah Disney… Lembro-me como adorava esperar julho para poder assistir a um longa animado dessa empresa que sempre foi referência no ramo da animação. Uma empresa que presenteou o mundo nos anos 90 com “O Rei Leão”, “A Bela e a Fera”, “Aladdin”, “O Corcunda de Notre Dame” e que caiu tanto a qualidade de seus filmes nos pós 2000, com suas raras exceções, deixando uma geração tão carente de bons filmes e empolgação. Porém, quando a luz está se apagando, que surge novas ideias e modos diferentes de se contar uma história, como foi o caso de “Enrolados” em 2011, ou então “A Princesa e o Sapo” em 2010. Quando não esperávamos mais nada, mesmo após a enterrada de dedo que a empresa visivelmente pôs em “Valente” da Pixar, que chega a nossos ouvidos que a Disney iria produzir uma animação que contaria a história de um vilão de um game de 8 bits cansado de não ser amado pelas pessoas. A principio pensei: “ok” o fato de usar a premissa de games em um filme é interessante, porém um vilão protagonista deixou de ser novidade nas animações há algum tempo. “Megamente” e “Meu Malvado Favorito” já estavam por aí nas mãos da concorrente fazendo sucesso. Contudo, eis que somos surpreendidos novamente. “Detona Ralph” não apenas se trataria de um game de 8 bits, mas também seria uma enorme homenagem aos games clássicos dos anos 80 e 90 como Sonic, Mário, Street Fighter, Pac Man, Mortal Kombat, entre muitos outros que fizeram a expectativa desse filme subir absurdamente. Não teríamos mais uma história de apenas um vilão arrependido, mas de um vilão que seria guiado por aqueles personagens que já eram de conhecimento do público geral, trazendo um ar nostálgico da infância. E hoje, após assistir o tão aguardado e promissor “Detona Ralph” você me pergunta: “O filme de fato consegue fazer isso?”. Consegue. Somente por vinte minutos.
Rich Moore, conhecido por dirigir alguns animados como Simpsons e Futurama, assume a direção. John C. Reilly, Sarah Silverman, Jack McBrayer, Jane Lynch, Adam Carolla emprestam suas vozes para os personagens. Na dublagem nacional temos Tiago Abravanel, Rafael Cortez e Marimoon, que conseguem fazer um trabalho de dublagem infinitamente melhor que Luciano Hulk em “Enrolados”.
Como já era de se esperar, o filme consegue ser criativo e mostra nos cinemas uma série de personagens de games que gerou na plateia uma reação extremamente positiva. Eles de fato funcionaram dentro da ambientação que o filme propôs a explorar, porém as melhores e principais cenas do filme ficaram já expostas nos trailers, vídeos promocionais e imagens de divulgação do animado deixando a expectativa de quem esperava mais aparições dos personagens em tela não serem correspondidas. Contudo, o filme não deixa de ser bom com o seu desenvolvimento e conclusão, pois possui um roteiro muito bem amarrado que não deixa brechas soltas para uma possível continuação. Não que isso não possa acontecer, afinal o universo de games é bastante extenso e possibilidades para sequências é o que mais temos nesse plot.
Ralph já é apresentado como uma personagem que trabalha dentro de um jogo de arcade às vésperas de completar 30 anos de trabalho. Exausto de sua tarefa e exclusão social, tema principal dentro desse arco da história, ele resolve buscar ajuda em um grupo de vilões que visam aceitação em suas carreiras profissionais. O longa trabalha muito bem a argumentação de “mau dentro dos games é apenas uma representação e não a realidade”. Não obtendo sucesso com a resposta do grupo, ele resolve tomar iniciativa e socializar mais com os outros membros do game no qual faz parte, porém tudo que ele consegue é preconceito e rejeição, fazendo-o decidir fugir do game e buscar um mérito no qual lhe traga respeito e admiração.
Esse é o começo da história, que explora muito bem Ralph e sua realidade. Trás soluções visuais inteligentes para a história, como o fato de usar a extensão de tomadas como uma central de trens que partem para as máquinas do fliperama. A partir desse momento o filme começa cair no quesito de originalidade, e trás alguns clichês já habituais do universo Disney. A história deixa de ser do Ralph e passa focar numa outra personagem. Entretanto, esse fato não faz com que o filme perca qualidade, apenas ignora o espectador que foi atrás de mais elementos que fizessem relações com o universo dos games. O filme poderia facilmente ser rotulado como um título da Pixar, pois consegue extrair com seus personagens cenas com um teor emocional desacerbado.
É impossível ignorar que a relação que Ralph mantém com a personagem Vanellope é exatamente a mesma que Sulley e Boo possuem em “Monstros S.A.”, ou até perceber que o design da garota não lembre uma das filhas do filme “Meu Malvado Favorito”. Apesar disso, todo o novo arco construído dentro do filme, que envolve uma corrida, é bem desenvolvido, porém é um filme a parte daquilo que “Detona Ralph” vendeu em sua divulgação. O uso de termos relacionados ao mundo dos games é a única referência que temos durante muito tempo dentro da história para nos lembrar que o lugar onde os personagens estão é dentro de uma máquina de arcade e não em um conto de fadas.
O contraponto visual entre os ambientes do filme mostram exatamente o posicionamento de cada personagem na trama. Temos basicamente 4 cenários bem distintos que se fundem. O Game de 8 bits possui um visual noturno, com poucas cores e personagens representados com limitações de movimentos. O game de ação no qual apresenta a personagem Calhoun é sombrio e possui um design parecido com traços de animes com maiores detalhamentos. O terceiro ambiente, que é explorado muito pouco, representa um fliperama aparentemente pequeno, que sobreviveu ao tempo. Impossível não notar as artes nos arcades e um visual com tonalidades mais puxadas para o marrom, mostrando que aquele espaço está ali há muito tempo. Existe uma ótima cena na qual mostra os anos passando rapidamente que faz o público viajar 30 anos em apenas alguns segundos. O quarto e último ambiente, responsável por grande parte do filme, representa um jogo de corrida onde tudo é muito colorido, feito por doces e tons claros, deixando a tela mais infantilizada, principalmente pela escolha do design das personagens.
O filme acaba ignorando o fato de que a tecnologia evoluiu tanto que hoje os games de 8 bits são jogados em smartphones, porém só por aqueles que viveram a época. Para uma criança eles podem parecer antiquados e monótonos. A popularização de tecnologias em games domésticos responsáveis pelo desaparecimento de muitas lojas de fliperama também não é retratada dentro do filme que opta mostrar mais um ambiente nostálgico que ainda vive e que de fato atrairá muitas pessoas com seus vinte e poucos anos/trinta para os cinemas. Também não deixa de lado piadas no qual retrata que hoje retro é moderno e gags visuais que se tornaram popularizadas pelo Youtube.
Se você nasceu fazendo seus combos nos consoles e espera um filme que retrate 100% esse mundo pode se decepcionar um pouco a partir do segundo ato do filme, que se torna infantil, e claro, se tratando de Disney, não iria deixar de colocar uma princesa no meio da história (não crie ilusões, não é a princesa do Mário). Contudo, o filme não deixa de ser criativo e atraente para um público acostumado ao velho estilo Disney de ser. É um bom filme que abrirá as portas do cinema em 2013, e esperamos que a qualidade dos filmes mantenha-se alta.
PS.: Se você ficar aguardando o “Mário que sempre se atrasa” depois dos créditos do filme, desencana, deixaram de fazer uma ótima piada no final… _____________________________________ Crítica publicada no site www.plugou.com.br
Não existe outra palavra além de nostalgia quando começam os primeiros acordes da trilha sonora e as imagens de O Hobbit – Uma Jornada Inesperada. Com um simples “My Dear Frodo” já percebemos que estávamos novamente com aqueles personagens que há quase 10 anos lotaram as salas dos cinemas e que emocionaram com uma produção merecidamente ganhada de diversos Oscars.
Retornar à Terra Média para mim é algo muito especial. No cunho pessoal foi o período de tempo no qual me projetei no herói da história de uma forma que nunca havia feito antes; história que me fez buscar mais conhecimento dentro da obra de Tolkien e estudar todas as analogias e pensamentos associados à fábula contada. Dizendo isso, saibam que essa crítica está sendo escrita por alguém que tem um carinho mais do que especial ao produto envolvido. Porém, existem dois caminhos a serem considerados quando se propõe a esse trabalho, o primeiro é deixar o seu emocional se envolver com a análise ou ser racional o bastante para admitir que aquilo que você tem apreço na verdade não é tão bom quando visto com olhos técnicos. E nisso começa meu dilema.
A Sociedade do Anel foi um marco na minha vida de cinéfilo, nunca havia visto algo tão ambicioso como aquele filme. Entretanto, hoje estou imaginando alguém que nunca conheceu a obra de Tolkien indo ao cinema para assistir O Hobbit e não consigo imaginar essa pessoa aberta para conhecer mais sobre a obra de Tolkien. Como um grande fã, assistir ao filme é mais do que o meu tradicional ritual de chegar cedo ao cinema, fazer um “X” na sala de projeção para tentar sentar na cadeira exatamente do centro e assim ter um campo de visão e audição privilegiado (sim, nesse momento ouço de longe algumas pessoas me chamando de Sheldon… eu não ligo rs), assistir O Hobbit é ver a concretização daqueles personagens que viveram durante muitos anos no imaginário. É agregar à história recursos de som e vídeo o que até o momento eram apenas letras transformadas em imaginação.
Quando nos primeiros minutos começa surgir na tela aquela tipografia semelhante do filme Senhor dos Anéis a sensação de estar ali finalmente é a de presenciar a chegada do homem à lua, ou uma final de copa do mundo, ou o nascimento de um filho… ok, talvez esteja exagerando, mas pra mim é algo grandioso no sentido emocional. Porém, passada a euforia inicial eu me propus olhar para O Hobbit como o que ele realmente é: um filme.
Não sei até que ponto você leitor pode considerar um spoiler, mas não irei entregar nada que irá estragar a trama e ao mesmo tempo, se me referir a pedaços dela, tenho em mente que estou falando de uma história publicada em 1937, se ela é de tamanha importância para você certamente já deva ter lido, certo? Caso não seja de seu interesse saber como o filme começa, se Smaug aparece ou não, até que ponto do livro o filme vai… então… abraços… volte depois de ver o filme.
Incrivelmente dirigido por Peter Jackson, o mesmo diretor de O Senhor dos Anéis e que depois da sucedida trilogia caiu num declínio, pois nada que ele fez desde então foi tão épico quanto ao seu trabalho nos três filmes, começa de forma mais plausível possível. Ele conseguiu em poucos minutos mostrar a origem da história agora a ser contada e ao mesmo tempo fazer uma relação com o começo do filme A Sociedade do Anel. Temos a incrível narração de Ian Holm que retorna ao personagem Bilbo momentos antes do início da jornada do anel, escrevendo suas memórias “Lá e de volta outra vez”. Ele que nos explica como um pequeno e pacato hobbit que só quer saber de seu lar acabou parando numa aventura junto com 13 anões e um mago.
Para quem já leu ao livro, quando os primeiros parágrafos são lidos em forma de narração chega ser arrepiante. Nisso a história nos leva 60 anos antes, quando o velho mago Gandalf está à procura de alguém que aceite entrar na expedição. A partir desse momento, a narrativa dos acontecimentos é a mais fiel possível quanto à história. Dos diálogos às canções é exatamente aquilo que o livro nos entrega. E aí que começa o problema.
Se você é um louco fanático pela obra vai adorar, se você é um telespectador comum, que não conhece o livro e enxerga O Hobbit como apenas mais um filme vai começar se sentir incomodado por diversos motivos. O primeiro é a quantidade de personagem que lhe é apresentado ao mesmo tempo, tanto que não há espaço para que todos tenham diálogos e desenvolvimento de história. Acaba tendo um punhado de anões que estão ali porque obrigatoriamente precisam fidelizar o livro. Depois temos uma sequência extremamente longa, onde os anões simplesmente invadem a toca de Bilbo, comem e tomam cerveja. Até o momento que Thorin chega tudo o que foi mostrado na sequência não foi relevante para o filme em si, mesmo porque, o público normal depois de um tempo mal vai se lembrar quais dos anões ali presentes tiveram um desenvolvimento maior na história.
Contudo nessa sequência já somos testemunhas de quão certa foi a escolha de Martin Freeman no papel do jovem Bilbo. Com todo seu time inglês de comédia o ator consegue arrancar rizadas com apenas um olhar. Diferentemente das exageradas maquiagens e figurinos que as imagens promocionais do filme apresentam os anões, eles fluem bem melhor do que o esperado e conseguem convencer. Uma coisa interessante é que em muitos momentos não tem como não se lembrar dos anões do desenho Branca de Neve e os Sete Anões, principalmente quando eles formam um círculo para chegarem num consenso de opinião.
Com algumas adaptações que não prejudicam os acontecimentos, a jornada se inicia. Uma série de imagens magnificas da Nova Zelândia predominam as cenas intermediárias da história. A fotografia do filme é incrível. Com o 3D a imersão nessas paisagens se torna ainda mais profunda. A dimensionalidade provocada te leva a uma viagem de helicóptero para as montanhas e vales da região. A única coisa que peca é o excesso. Existem muitas… mas muitas sequências dos anões, Bilbo e Gandalf apenas andando nas paisagens. Até se compreende o motivo delas serem usadas, pois é um recurso que Jackson usou para nos dar noção de tempo e distância, mas junta isso ao excesso e à trilha sonora com corais, o sono chega ser inevitável.
Começa a segunda parte do filme na qual você aguarda a fidedignidade que estava tendo com o livro até o momento, porém é aí que começam os materiais extras que filme prometeu. Temos trechos que não possuem no livro, que eu não saberei dizer ao certo se eles pertencem ao Simarillion ou aos Contos Inacabados. O grande problema dessas duas sequências que incluem o material não pertencente ao livro O Hobbit é a prévia dialogada dos acontecimentos na cena anterior, deixando-nos confusos em uma delas. Questionamos se o que estamos vendo se trata de uma cena que aconteceu no passado ou se é um acontecimento que ocorre naquele mesmo período de tempo. Apesar de revelarem logo em seguida, a cena acaba perdendo um pouco da força que teria se não houvesse a apresentação inicial.
A inserção do personagem Radagast, faz com que a razão da jornada dos anões se torne algo maior e justifica o porque Gandalf está ali. Todas as cenas que fazem uma referência aos acontecimentos vistos em O Senhor dos Anéis, diminui o lado “infantil” do livro O Hobbit , e mostra que essa nova trilogia possui como um pano de fundo o despertar do mau na Terra Média. Uma escolha interessantíssima para manter uma unidade entre os 6 filmes que existirão no futuro.
Percebemos que nesses 9 anos que separam O Retorno do Rei de O Hobbit a técnica de animação de personagens digitais evoluiu muito. Quando Smeagol entra em cena conseguimos ver que é o mesmo personagem visto há 9 anos, porém a fluidez de seus movimentos e expressões conseguem fazer o que naquela época parecia ser impossível: se superar. Andy Serkis presenteia mais uma vez aos fãs com seu talento natural de interpretar esse tipo de personagem, e no caso de Smeagol ele retorna de forma magnifica. O uso das caixas soundaround e em alguns momentos o afastamento do personagem nas sombras transforma a criatura ainda mais tenebrosa.
Howard Shore, o responsável pela trilha do filme conseguiu mais uma vez criar um tema chiclete, porém belíssimo. A melodia da canção dos anões é o tema usando em boa parte do filme. Ele também usou trechos da trilha composta para O Senhor dos Anéis para alguns momentos como a aparição do Um Anel e apresentação da Hobbiton. A música tema do filme, apesar de muito bonita não consegue ser colocada no mesmo patamar de “May it Be” interpretada por Enya em A Sociedade do Anel ou “Into the West” de Annie Lennox para O Retorno do Rei.
A cena máxima de ação do filme é a fuga da Cidade dos Orcs. A direção de arte transformou a cidade em uma grande favela digital onde casas de madeira e pontes construídas de forma irregular são responsáveis por grande parte do valer a pena de ver o filme em 3D. A sequência, propositalmente ou não, nos remete um pouco de Indiana Jones, principalmente por ter nela uma pedra gigante rolando em direção aos personagens (não na mesma angulação vista no filme de Steven Spielberg, mas com o mesmo sentido).
“Vocês não confiaram em mim, mas eu consigo”. Talvez esse não possa apenas ser um diálogo de Bilbo chegando próximo do final da primeira parte da trilogia. Para muitos isso foi Peter Jackson sabendo que estava fazendo um grande trabalho em cima da obra de Tolkien respondendo muitas indagações da crítica ao falar que O Hobbit não teria material bom o suficiente para se tornar um filme. Hoje, após assistir-lo, entendo o porquê ele optou fazer 3 filmes e não apenas um. Se você assistir ao animado de 1977 inspirado no livro vai perceber o quanto ficaria pobre de conteúdo um único filme. A ideia de fazer 3 filmes agrada muito aos fãs, agrega à história que pode ser explorada com mais cuidado à obra original, agrega uma história secundária que nos relata o que iria acontecer 60 anos depois dali e principalmente agrega ao bolso da Warner Bros. que conseguiu colocar no seu cardápio de filmes mais uma trilogia de sucesso. Fazer uma adaptação, como já disse em críticas anteriores, é um desafio enorme, pois você não estará falando apenas para os fãs do material original, mas também para uma nova gama de pessoas que terão acesso àquele conteúdo pela primeira vez. O Hobbit, diferentemente de O Senhor dos Anéis, conversa muito mais com os fãs do que com a grande gama de telespectadores comuns. Pra mim, que sou um adorador da obra, é uma festa no condado, para o público que quer tudo mastigado e resumido talvez O Hobbit não cumpra o procurado. _____________________________________ Crítica plublicada no site www.plugou.com.br
Fé é o grande mote que move a humanidade. Sem que a crença de algo maior esteja nos esperando ao virar a esquina, não nos moveríamos e a cômoda aceitação de uma condição estaria fardada ao perpétuo. Esse é o grande mote que move o herói de “As Aventuras de Pi”. Adaptado no livro “A Vida de Pi” de Yann Martel, o filme é dirigido pelo aclamado diretor Ang Lee que possui em seu currículo filmes como “O Tigre e o Dragão”, “Hulk” e o “Segredo de Brokeback Mountain”. No elenco temos o novato ator indiano Suraj Sharma, Irrfan Khan (O Espetacular Homem-Aranha), Rafe Spall (Prometheus). Na trama, Pi Pastel, nome que causou muita frustração ao personagem no período escolar, é um jovem indiano que é obrigado a se mudar de seu país através da decisão dos pais, e ir para a América. Seu pai é dono de um zoológico, então o convívio com os animais é habitual para ele desde a infância. Contudo a embarcação que o garoto viajava com sua família e o animal do zoológico naufraga e o único sobrevivente é justamente ele, que, no impulso acaba salvando um tigre chamado Richard Parker, que Pi tem grande admiração desde pequeno. Sozinho em um barco salva vidas, ele tem que saber como conviver com um tigre em alto mar e aguardar que um dia algum socorro venha a seu encontro. Em um primeiro momento assistir “As Aventuras de Pi” pode parecer que você foi enganado e que a história contada não tem uma profundidade suficiente para a produção de um filme. Mas o interessante dele é a grande metáfora que envolve os signos apresentados no filme. O nome Pi, origina de piscina, uma grande piscina pública em Paris que os pais do garoto admiravam. Logo percebemos que o elemento água estaria presente na vida do personagem que mais pra frente enfrentaria um náufrago. O fato dele sempre fugir do nome devido aos bullyings causados pelos colegas, Pi sempre trabalhou em cima do número Pi (3,14…), se apresentando como algo muito mais complexo do que duas letras. O conflito e complexo com o nome do herói também é refletido no nome do tigre, Richard Parker no qual o personagem se espelha desde pequeno. O grande triunfo do filme está em sua direção de arte. Infelizmente o filme está sendo vendido como o novo “Avatar” devido à mega tecnologia envolvida para gerar o 3D, porém tirando meia dúzia de cenas que impressionam pela grandiosidade, o 3D do filme é bem mediano. Esse mote comercial envolvendo o filme infelizmente acaba gerando um paradoxo com a essência do filme. É uma história simples que funcionaria muito bem mesmo sem a imersão de 3D, ou altas tecnologias e efeitos visuais. “As Aventuras de Pi” é um filme de significados, que mergulha na espiritualidade de seus elementos. Não é um filme que necessitaria de tantos detalhes para deixa-lo fidedigno com a realidade. Seria o bom exemplo do “menos é mais”. Esse filme é um ótimo exemplo que retrata a supervalorização da estética e o menosprezo com a essência. O grande público pode se sentir frustrado ao final do filme, justamente porque não verá um novo “Avatar” conforme a publicidade vende. A meu ver, a história contada supera a trama de “Avatar” pois é mais sutil, mais poética e menos explícita. Quando for assistir ao filme abra a mente para o irreal, e saiba que uma história quando contada por alguém sempre pode ser distorcida. A realidade quando representada em palavras e não presencialmente pode ser muito mais magnifica do que de fato é. Talvez ler ao livro seja mais interessante do que ver ao filme, pois acima de tudo “As Aventuras de Pi” exige fé e imaginação. --------------------------------------------------------- Crítica publicada no site plugou.com.br
Este site usa cookies para oferecer a melhor experiência possível. Ao navegar em nosso site, você concorda com o uso de cookies.
Se você precisar de mais informações e / ou não quiser que os cookies sejam colocados ao usar o site, visite a página da Política de Privacidade
Quarteto Fantástico
2.2 1,7K Assista AgoraDemorei muito tempo para conseguir escrever esse pequeno texto sobre o novo longa do Quarteto Fantástico. Tal demora se deu por não querer ser injusto a um estúdio que tem feito um bom trabalho mantendo vivo o legado dos filmes X-Men nos cinemas. Alguns melhores, outros piores, mas que no fim, querendo ou não, acabam lotando as salas e trazendo para as telas histórias inspiradas nos quadrinhos. O que quero dizer é que a Fox tem um papel muito grande nessa longa história toda de heróis no cinema, e a sua tentativa de trazer novamente o Quarteto Fantástico às telas é extremamente válida, mesmo não sendo o filme que todos esperavam.
Minha primeira reação ao chegar os créditos finais foi: “tá, mas e aí?”. É o filme de origem que mais fez jus ao nome “origem” dentre todos já propostos...
Continue lendo em: www.plugou.com
Caminhos da Floresta
2.9 1,7K Assista AgoraEra uma vez um estúdio chamado Disney, que fez sua fama e dinheiro através de alguns contos escritos pelos irmãos Grimm… E também um rato. Porém Walt Disney adaptava as histórias para ficarem mais leves e agradáveis para o público infantil. É… eram outros tempos dentro da Disney onde havia inocência e finais felizes. Hoje o mundo mudou e a história é outra. As crianças não são mais tão vulneráveis a contos onde dedos e calcanhares são cortados para entrar em um sapatinho de cristal. Certas coisas que em 1950 eram inadimissíveis dentro do reino de Disney, hoje são aceitáveis. E é nisso que CAMINHOS DA FLORESTA vem retratar ao meio de sua reimaginação de alguns contos.
Meu texto completo está em: http://goo.gl/JTjMJD
A Teoria de Tudo
4.1 3,4K Assista AgoraÉ inegável que Stephen Hawking merecia uma homenagem cinematográfica. Sua mente brilhante e sua história de vida não são apenas elementos de admiração, mas um exemplo a ser seguido. Porém, A Teoria de Tudo, filme que propõe tal homenagem, vai mais para o lado pessoal/familiar, focando desacerbadamente em sua doença, e oferecendo uma parcela muito pequena do filme para suas conquistas.
Inspirado na biografia homônima escrita por sua ex-esposa Jane Hawking, o filme chega ser despretensioso quando o assunto é eleger um antagonista para a história. Do início da trama, que se passa por volta dos anos 60 até o final, que se foca na atualidade, o longa se faz medroso ao apenas pincelar determinados assuntos dentro da vida de Stephen. Do ateismo do protagonista à aparente depressão sofrida pela personagem interpretada por Felicity Jones, o longa sempre dá um jeito de “mudar de assunto” e não deixar focado no que poderá gerar uma grande polêmica ou vilanizar uma personagem essencial para a história.
Minha crítica completa aqui: http://goo.gl/I0EUqK
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
3.9 2,0K Assista AgoraQuando o assunto é a trilogia O Hobbit, o que as pessoas mais queixam é o fato de Peter Jackson pegar um livro com um pouco mais de 100 páginas e dividir em 3 filmes com mais de 2 horas cada. Até o lançamento de O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, eu sempre fui de opinião contrária alegando que o livro é apenas o argumento do filme, dá sim para pegar um texto pequeno e trabalhar cenas mais elaboradas para a criação de um longa metragem. Apesar da história ser o elemento principal de um filme, ele não se faz apenas com ela, mas também com um aglomerado de elementos como imagens, música, sequências, ações que se juntam para se formar uma obra. Exigir que o longa siga exatamente cena a cena o que o livro retrata é uma tarefa que beira o impossível, pois se tratam de mídias diferentes. Em O Hobbit, há sim bastante argumento para ação, afinal, o próprio título da terceira parte foi trocado de “De Lá e de Volta Outra Vez” para “A Batalha dos Cinco Exércitos“. Ambos títulos possuem uma coesão muito grande com o livro. O primeiro se refere à jornada de Bilbo, o Hobbit título da história, o segundo se refere ao encerramento da obra literária onde exércitos vão atrás de um tesouro que faz parte da trama. Muito bem, onde quero chegar com tudo isso? Peter Jackson, independente do que fez no longa, manteve uma coesão com o livro e de certa forma se justificou com o excesso de ação o porque fazer 3 filmes ao invés de 2. Contudo, a terceira parte de O Hobbit conseguiu ser um filme sem história, sem protagonista definido e sem uma trilha sonora marcante, apenas com uma gordura imensa que conversa diretamente com a principal temática do filme: ambição.
Minha crítica completa, aqui: http://goo.gl/HQGMFh
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
3.8 3,4K Assista AgoraBirdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) não é apenas um filme. Ele consegue ser um grito de desabafo de Michael Keaton, que desde Batman – O Retorno de 1992, não emplacou nada em sua carreira. Quase nenhum filme consegue captar tão bem a essência humana como Birdman. Ele da um tapa na cara de cada um que faz exatamente isso o que estou fazendo: falar sobre o trabalho alheio como se soubesse metade da história por trás do processo.
O interessante de pensar sobre esse filme vem inicialmente de seu título. Porque Birdman? E esse “ou” que lhe oferece uma opção de escolha sobre o título? O longa não poderia ser mais atual. Trás elementos que hoje são realidade na carreira cinematográfica de qualquer ator: os filmes de super heróis. O excelente roteiro faz questão de mencionar figuras como Robert Downey Jr., que é claramente chamado de “sem talento” e Jeremy Renner como um coitado que não conseguiu fugir de uma “capa (de super herói)”.
Keaton dentro do longa é Riggan, um ator que chegou no ponto da carreira onde só é conhecido por seu papel de Birdman, longa dos anos 90 que iniciou uma inesgotável fonte de dinheiro para os estúdios: os filmes de heróis. Já Keaton nos anos 90 foi Batman, que também é conhecido por ser um dos pioneiros no estilo herói. Lidando com seu fracasso na carreira, Riggan se prepara para sua estréia no teatro, mas o seu alter ego do passado insiste em lhe mostrar o quanto ele foi apenas mais um dentro de uma indústria que ignora o talento e só pensa em números de bilheteria.
Minha crítica completa, aqui: http://goo.gl/9wohhP
Malévola
3.7 3,8K Assista AgoraEm 1996 a Disney tentou reviver seus antigos animados. A ideia era pegar antigos desenhos clássicos e fazer suas versões em live action. Porém, na época, a releitura feita do animado 101 Dálmatas repetia quase que passo a passo a jornada dos cães ameaçados de se tornarem um casaco de pele. A visão sobre a vilã Cruela Cruel, brilhantemente vivido pela atriz Glenn Close, foi o ponto máximo, mas o foco do filme era os adoráveis cãezinhos. Felizmente essa ideia de transformar os animados em live action, na época, não foi muito para frente, pois a nova visão sobre a história não agregava nada novo para o conto, apenas a recontava exatamente igual para uma nova geração. Mas a Disney não dorme no ponto, e percebe que para essa nova garotada criada com leite e iPhone seus clássicos não funcionam mais como antes. O mundo era mais lento. As coisas eram mais calmas. O ritmo frenético que temos hoje em longas como Frozen não fazia parte da realidade dos velhos clássicos do tio Walt. Não só as crianças, mas também os adultos eram muito mais pacientes para digerir calmamente um filme como A Bela Adormecida que inclui longos diálogos dos personagens intercalados com uma excelente, mas vagarosa trilha sonora. Em 1959 Malévola era a bruxa má sem razões, apenas por querer ser má. Não havia uma motivação clara e seu visual assustador já era o suficiente para entendermos que aquela mulher era para quem iríamos torcer contra.
Se você assistiu Frozen, o último animado dos estúdios Disney, pode perceber que a figura de princesa encantada atrás de seu príncipe não faz mais parte dos moldes tradicionais. Temos uma história muito mais familiar, que exalta a importância de um caminho, e não do “viveram felizes para sempre”. Hoje os personagens possuem necessidades e personalidades muito mais humanas. Não existe propriamente um lado bom ou ruím, existem situações que fazem você mudar de opinião devido as necessidades e objetivos.
Em Malévola , do diretor iniciante Robert Stromberg, temos a origem da considerada maior vilão Disney de todos os tempos, mas também temos a história de Aurora, a menina que é amaldiçoada logo em seu nascimento. O mesmo conto que já conhecemos, agora é narrado através do ponto de vista da antagonista, se é que podemos chamá-la assim nesse filme, já que a antagonista é a protagonista… e vice e versa… Uma ideia no mínimo atrativa e curiosa já que estamos assistindo a um filme do estúdio que mais prega o “fazer o bem”.
Angelina Jolie foi a escolha ideal para o papel. Ela divaga muito bem entre a heroína à personagem que já conhecemos do animado em 1959. A narração inicial do filme já nos revela que iremos ouvir uma história já contada anteriormente, porém que nem todos os fatos que conhecemos são verdadeiros. Mesmo com a narração mastigando a história o tempo inteiro (incomodando em muitos momentos), até dá para aceitar por se tratar de um conto de fadas.
Na versão do animado temos uma história de amor entre a princesa e o principe, aqui somos expostos ao lado B do conto, que de certa forma acaba invalidando os acontecimentos do desenho. Descobrimos que nos bastidores estava sempre presente uma vilã com sentimentos maternal protegendo algo que lhe assombrava. Descobrimos que dentro da carcaça de um vilão há um complexo sentimento de culpa e prazer por estar prosperando em seus objetivos, porém prejudicando um inocente.
No clássico animado, as 3 fadas madrinhas Flora, Fauna e Primavera são as que comandam a história, elas que guiam todos os outros personagens para chegarem a um destino. Na versão de 2014, as três são colocadas como meras coadjuvantes exercendo um papel de fuga cômica. Pode-se até pensar que as personagens tiveram uma pequena inspiração nos Três Patetas.
Texto original em www.CuradoriaPOP.com.br
No Limite do Amanhã
3.8 1,5K Assista AgoraQuando olhamos Tom Cruise no cartaz de um filme, podemos esperar qualquer coisa. De um roqueiro bêbado dos anos 80 a um clone que vive em uma estação espacial, o ator vem acumulando uma série de insucessos na carreira desde Missão Impossível: Protocolo Fantasma. O que anima em falar de No Limite do Amanhã é que finalmente podemos dizer que o cinquentão volta à sua boa forma em um filme bom e intrigante. Ao lado da irreconhecível Emily Blunt protagoniza a segunda produção do verão americano de 2014 que tem suas raízes no oriente.
No Limite do Amanhã é um longa inspirado no mangá All You Need is Kill (em uma tradução livre seria “tudo o que você precisa é morrer“) escrita por Hiroshi Sakurazaka e lançada em 2004. O título do mangá expressa extremamente bem o que o protagonista do longa precisa para resolver todos os seus problemas. Esse que é o principal estopim da história consegue ser a parte mais divertida e ao mesmo tempo prejudica o senso de urgência no filme.
Tom Cruise é um major do exército desempenhando um papel de relações públicas quando seus superiores o colocam na linha de frente na luta contra um grupo de alienígenas numa batalha considerada invencível. Visto pelos colegas como um completo inútil rapidamente é morto em batalha. Contudo, inexplicavelmente ele acorda no dia seguinte e repete tudo o que passou anteriormente, e quando morto novamente, acorda de novo. Claro que com isso ele vai ganhando experiência e descobrindo a um passo de cada vez o que aconteceu, principalmente quando encontra a personagem de Emily Blunt, que parece entender bem o que o rapaz está passando.
O filme agrada muito a fãs de ficção científica e apaixonados por viagens no tempo (como eu), porém acaba perdendo um pouco a sensação de perigo na jornada por ter uma solução muito fácil para o problema ali apresentado: morrer e começar novamente. O longa possui um início um pouco travado no qual nos apresenta aquela nova realidade desenhada na história, mas depois disso entra num ritmo frenético com exoesqueletos, alienígenas, invasões, guerras e explosões que fazem valer a pena o valor gasto no ingresso do cinema, porém, depois da explicação do porque ele volta à vida toda vez que fracassa no campo de batalha, o filme dá uma caída e tudo o que você quer saber é o desfecho da história.
Num primeiro momento pode-se até confundir o filme com muitos outros que você assistiu. Sua atmosfera lembra muito Tropas Estrelares, mas logo ganha uma identidade própria . Os apreciadores de games logo irão ter uma identificação com a premissa apresentada. Alias, talvez se na conclusão tivéssemos apenas um “game over” o final teria sido um pouco mais interessante. No momento que a trama exige um pouco mais do personagem, e lhe é apresentado um problema que não teria uma fácil solução, a história logo providencia uma ponta para que o filme possa ganhar uma possível sequência.
O tralho corporal que os dois protagonistas tiveram para esse filme é admirável. Tom Cruise já pontua seus 52 anos e continua correndo como ninguém. O ator consegue protagonizar cenas de ação com muito mais energia que muitos atores de vinte e poucos anos por aí. Emily Blunt, por sua vez, está bombada. Para viver a personagem Rita, percebe-se que precisou ter uma rotina de exercícios muito intensa. Até esse filme Emily era pra mim ainda aquela menina que queria ir para Paris em O Diabo Veste Prada, agora, é uma incrível atriz de ação que pode facilmente protagonizar possíveis filmes do gênero… além de poder destruir Paris, como o próprio cartaz do filme nos mostra.
No Limite do Amanhã pode não ser um filme marco na carreira de ninguém. O diretor Doug Liman ainda vai ser conhecido por Identidade Bourne e Mr. & Mrs Smith, mas isso não anula o fato de ser um excelente entretenimento no gênero ficção científica. Torçamos que Tom Cruise venha com a mesma energia para seu próximo filme, o quinto longa da série Missão Impossível que estréia ano que vem.
Review publicado originalmente em www.CuradoriaPOP.com.br
Planeta dos Macacos: O Confronto
3.9 1,8K Assista AgoraQuando ouço o título Planeta dos Macacos, automaticamente lembro do filme que teve um dos melhores plot twistes da história do cinema. Quando o personagem George Taylor descobre que esteve o tempo todo na Terra o público reagiu da mesma maneira que o personagem. Porém, essa nova versão de Planeta dos Macacos, que se iniciou com A Origem de 2011 e agora chega com O Confronto, veio com um novo objetivo. Contar o que rolou na Terra entre os anos que a nave Ícaro esteve no espaço, inicialmente pareceu uma premissa boba, sem muito sentido, mas quando Planeta dos Macacos: O Origem estreou provou que tinha suco para ser espremido ainda dessa laranja. Porém, para os que esperam uma boa história em Planeta dos Macacos: O Confronto, pode se decepcionar um pouco.
É extremamente válido o cinema usar de sua narrativa como base para críticas sociais e protestos. Afinal, cinema é um veículo acessível e que gera reflexão entre seus espectadores. Contudo, um filme não pode ser só isso. Alias, poder até pode, mas quando estamos lidando com uma franquia antiga, que tem um histórico a ser respeitado, pautar a narrativa somente sobre isso chega ser um pouco enfadonho.
Planeta dos Macacos tem como temática central a intolerância. Sempre uma espécie domina a outra na narrativa dos filmes da série lançados até hoje. Planeta dos Macacos: O Confronto obedece a essa falta de tato entre uma espécie e outra… e só. A trama do filme é extremamente simples, sem grandes surpresas ou viradas de roteiro.
Dez anos se passam desde os acontecimentos vistos em Planeta dos Macacos: A Origem, e o vírus se espalhou rapidamente pelo planeta, deixando a raça humana à beira da extinção. Um dos poucos grupos remanescentes busca a sobrevivência nesse cenário apocalíptico, até confrontarem-se com os evoluídos macacos, que agora vivem em uma sociedade organizada tendo como líder o velho Cesar (que continua sendo brilhantemente interpretado por Andy Serkis). Entre afetos e desafetos entre as duas espécies, o confronto em busca da dominância e soberania é inevitável.
Apesar da fraca premissa, o filme ganha em efeitos visuais e fidelidade de movimentos e expressões dos personagens digitais. Realmente é um excelente momento para ser feito filmes com a técnica de captura de movimentos. O relacionamento entre os macacos é tocante, e mesmo sem precisar dizer uma única palavra o sentimento é bem retratado. Diferentemente do filme de 2011, que ainda possui uma referência ao clássico, esse abandona completamente as referências que tentam amarrar os filmes, mas convenhamos, isso é extremamente desnecessário já que a ideia aqui é contar uma nova história.
Planeta dos Macacos: A Origem, apesar de sua história morna não é um filme que decepciona, muito pelo contrário, tem ritmo, tem bons personagens, tem muita ação e tem a imaginação de um mundo extremamente interessante. É impossível não notar o evento cíclico que faz os humanos, dentro do filme, serem obrigados a voltar muitas fases de sua evolução, já que “somos todos macacos”. Aguardarei ansioso por uma sequência que consiga completar esse episódio com uma boa história e não apenas confronto.
Review publicado em www.CuradoriaPOP.com.br
As Tartarugas Ninja
3.1 1,3K Assista AgoraSe você foi criança na década de 80, vai se lembrar com muito apreço quando em 1990 chegou aos cinemas o primeiro filme As Tartarugas Ninja, inspirado nos personagens que provavelmente você conheceu nos quadrinhos ou desenho animado. Quando anunciado que uma nova versão chegaria aos cinemas, aposto que um sentimento nostálgico tomou conta de você. Contudo, quando anunciaram que Michael Bay estaria por trás da produção, um desespero bateu. Comparado com os desastrosos Transformers, Tartarugas Ninja consegue se destacar e ter na medida os elementos que se espera de um filme do gênero. Mas quando pensado individualmente, você sente que foi um pouco enganado ao sair da sala de projeção.
Nesse novo filme, fica apenas o legado do nome, pois é um longa completamente diferente dos que tivemos anteriormente. Infelizmente a trama trabalha muito pouco a apresentação dos protagonistas da história e em seu lugar dá mais atenção à personagem humana. O design das tartarugas ajuda distinguimos uma das outras, mas a personalidade marcante de cada uma é pouco explorada.Talvez esse tenha sido o maior erro do longa: acreditar que todo o público já tenha familiaridade com os personagens.
Apesar de Megan Fox continuar sendo um colírio para os olhos, a falta de expressão dada à personagem April O’Neil incomoda demais, principalmente por ela ter um destaque muito grande no filme. Teriam muito mais atrizes em Hollywood que encarnariam a repórter de forma mais expressiva. Tão despercebido quanto a sua atuação, temos o vilão Destruidor no filme. O personagem é muito raso, sem o impacto que deveria ter.
Porém, apesar de todos esses pesares, o filme tem seus méritos. As cenas de ação e luta são excelentes tanto no timing quanto nas coreografias. Algumas referências à elementos da cultura pop também estão presentes nas piadas que quebram o clima de tensão deixado pela brutalidade dos personagens. Foram bem dosadas e não tiraram o clima “dark” proposto nessas nova roupagem.
Depois de se acostumar com o visual horroroso das tartarugas, e ignorar tudo o que o filme poderia ter sido, o sentimento de nostalgia consegue chegar mais uma vez e você se divertir. A luta do mestre Splinter é tão bacana quanto a cena da neve. A montagem de ambas as sequências merecem um ponto positivo.
Eu particularmente quando for lembrar das Tartarugas Ninja continuarei com a velha lembrança dos personagens de borracha dos filmes dos anos 90. Eles conseguiram me contar uma história muito mais concreta e divertida. Não digo que não aguardarei ansioso pela sequência já anunciada para 2016, pois ainda bate uma ânsia de que esses velhos tempos da infância ainda possam ser representados de forma digna para uma nova geração.
Review em www.CuradoriaPOP.com.br
No Olho do Tornado
3.0 632 Assista AgoraQuando se vê mais um filme de catástrofe chegando aos cinemas, já sabemos o que esperar: muita destruição, pouca história e muitas cabeças no elenco para morrerem ao decorrer do filme. No Olho do Tornado quase completa essa lista de clichês do formato, porém não deixa de ser um longa divertido.
Com um diretor fraco e um elenco mal aproveitado que tem potencial, o filme não deixa de ser comparado com o clássico de 1996 Twister, que mesmo com uma computação gráfica mais deficitária, consegue funcionar melhor como um filme.
Quando penso em filmes desse gênero inevitavelmente lembro de Titanic. James Cameron contou a trágica história em aproximadamente 3 horas, sendo que na primeira metade apenas fez com que o público amasse seus protagonistas. Recordo-me que em um determinado momento do filme, achei que tinham esquecido de afundar o navio. que pensar sobre isso? Para se fazer um filme desse porte, é necessário ter tempo para que uma história seja contada, diferentemente de No Olho do Tornado, que em 89 minutos não explora de forma eficaz seus muitos personagens. Quando um deles fatalmente morre devido o desastre natural, você não se importa. Tem muitos outros para seguir adiante com a trama. Todos os personagens possuem uma única característica: o pai solteiro, a mãe longe da filha, os irmãos que se amam mas entram em conflito, um ambicioso cinegrafista… não sabemos muito mais dessas pessoas que estão prestes a enfrentar uma aventura em suas vidas.
No Olho do Tornado consegue entregar um CGI impressionante, com cenas de ação excelentes, porém só consegue humanizar seus personagens nas últimas cenas do filme. Talvez sua sensação ao sair vai ser de um bom filme, pois ele realmente melhora no final, mas quando reflete no conjunto da obra, percebe-se que o longa teria muito mais potencial se fosse intenso e emotivo desde o início.
Review publicado originalmente em www.CuradoriaPOP.com.br
Lucy
3.3 3,4K Assista AgoraMinha crítica do site CuradoriaPop.com.br
A teoria de que o homem usa apenas 10% de seu cérebro é um prato cheio para o cinema. Já tivemos alguns bons frutos como o recente “Sem Limites” que tem uma premissa semelhante com a esse novo longa de Luc Besson, Lucy. Se você teve a oportunidade de assistir ao trailer, já sabe que o filme ganha muito em efeitos visuais, mas seu grande mérito não é visual pois você irá se surpreender com um roteiro rico de diálogos que lhe deixará ainda mais atônico para a conclusão da história.
A origem de heróis nem sempre são suscetíveis à nossas crenças. De alienígenas vindo do espaço a garoto picado por aranha, temos muita abstração da realidade para aceitar o ser poderoso que salvará a humanidade. No caso de Lucy não é diferente. Através de uma droga sintética a personagem começa desenvolver maior capacidade cerebral com o decorrer do filme. Apesar da droga ter toda uma explicação científica coerente, a forma que é descrita no contexto da trama é pouco plausível.
O filme tem seu grande mérito pela excelente atuação de Scarlett que passa de uma garota promiscua a uma mulher poderosa no pouco tempo que o filme tem. O uso de uma personagem feminina para um filme do gênero pseudoherói hoje é raro.
Ambientado grande parte de suas cenas no oriente, o longa tem uma crítica muito bem explicita no seu contexto. Enquanto Morgan Freeman, um cientista que busca em Lucy conhecimentos sobre seus poderes, os orientais fazem o papel de vilões buscando apenas lucro com a droga inserida na garota. Há uma frase no roteiro bem interessante que registra bem esse lado politizado do filme: “o homem só se preocupa em ter, e não em ser”.
Lucy é uma excelente surpresa que chega aos cinemas agora dia 28 de agosto de 2014. Divertido e inteligente na medida certa.
Godzilla
3.1 2,1K Assista AgoraGO, ゴジラ, GO! Inesperadamente, o icônico Godzilla se tornou o filme mais aguardado de 2014 por diversos fatores: elenco (Aaron Taylor-Johnson, Bryan Cranston), diretor (Gareth Edwards que apesar de novato é conhecido pelo longa ‘Monsters‘) e uma promessa de manter o Godzilla clássico, o monstrengo originalzão do Japão que esse ano completa 60 anos. A expectativa não podia ser maior. Depois do excelente trabalho de marketing que a Warner fez sobre o filme, hoje finalmente pude conferir a nova roupagem (dessa vez sem zipper aparecendo – badum tsss) do nosso querido destruidor, e valeu a pena. Valeu muito a pena! O filme é muito bom em diversos aspectos!
Essa crítica publiquei no site plugou.com Confira ela inteira: http://goo.gl/vdg17L
Philomena
4.0 918 Assista Agora> Esse review publiquei originalmente no site www.plugou.com
Link: http://www.plugou.com/philomena-critica-do-filme/#.U2vzHa1dWlY
Philomena é um filme simples que lhe gera uma centena de pensamentos, e em sua maioria quanto à rigidez que a igreja católica trata determinados assuntos. Ainda mais por se tratar de uma história verídica o filme consegue ser tocante e o drama de seu protagonista é compartilhado facilmente com o público. Porém, quando se chega ao longa, o primeiro pensamento que temos é “estou indo assistir um dos indicados ao Oscar de melhor filme esse ano“, e infelizmente ao sair da sessão você pensa “ué, cade esse filme“.
O longa dirigido por Stephen Frears é tocante e emotivo, e está longe de ser um filme ruim, mas também está longe de ser um dos melhores do ano. Na trama, Philomena, interpretada por Judi Dench, uma mulher solitária e assombrada pelo seu passado, é apresentada ao jornalista Steve Coogan (Martin Sixsmith) um cinquentão que busca uma história boa para ser contata em seu livro, já que ninguém se interessa pelo assunto de sua escolha, Revolução Russa. O drama de Philomena é pautado na separação que teve de seu filho há quase 50 anos, e a falta de informações de seu paradeiro. Steve, com seu alto poder investigativo aceita o desafio de ajudar a pobre senhora e os dois partem numa busca pelo filho perdido de Philomena.
Diferente do que o espectador espera, a história é resolvida rapidamente, e a expectativa que o filme cria é quebrada para dar lugar a um drama maior trocando o foco da investigação dos personagens, deixando-o mais tenso e pesado. Algo que se torna bem paradoxal com seu cartaz amarelado e positivo.
Contudo não deixa de ser interessante analisar o relacionamento que os dois até então desconhecidos constroem. Aos poucos e a cada descoberta, os personagens com realidades diferentes acabam se aproximando, e o filho que Philomena tanto busca acaba de certa forma sendo projetado na pessoa que a ajuda resolver a pedra deixada em sua vida no passado.
Philomena é um filme que critica principalmente a igreja católica e coloca o espectador numa posição de questionamento das atitudes tomadas dentro dos conventos. Entretanto, depois de mostrar os absurdos realizados por algumas das freiras, que fizeram da vida de Philomena uma angústia, a bondosa velhinha facilmente as perdoa colocando-se acima da maldade realizada contra ela. Dificilmente você, público, perdoaria.
Philomena é um filme simpático. Um grande drama que se destaca mais por ser uma história verídica do que propriamente uma boa história. Infelizmente não consegui ler o livro a tempo de ver o filme, porém imagino que na literatura os acontecimentos relatados sejam mais descritivos. É um dos indicados a melhor filme do ano, e só isso já é o suficiente para conferir nos cinemas e tentar entender o que a academia viu de tão especial.
O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro
3.5 2,6K Assista Agora> Esse review publiquei originalmente no site www.plugou.com
Link: http://www.plugou.com/o-espetacular-homem-aranha-2-critica-do-filme/#.U2vyh61dWlY
Em 2012 quando fui assistir ao recente remake realizado pela Sony do filme O Espetacular Homem-Aranha, minha expectativa não poderia ser maior, afinal, o próprio estúdio quando anunciou Andrew Garfield como substituto de Tobey Maguire o vendeu como um Peter Parker mais próximo dos quadrinhos. O tamanho da repercussão foi enorme, mas a entrega foi falha e minha decepção foi grande. No final tivemos um longa que não conseguiu se desvincular da trilogia já definida por Sam Raime. Apesar de muitos fãs das HQs aprovarem as aproximações que o filme trouxe ao universo de origem de herói, como uma produção cinematográfica, O Espetacular Homem-Aranha foi monótono e repetitivo. Entretanto, em O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro (o título é tão longo que é quase uma sinopse), o diretor Marc Webb nos entrega um produto que já se mostra superior logo nas primeiras sequências. É um grande exemplo de como aprender com os erros do passado provando que é possível agradar os ortodoxos das HQs como os amantes do cinema.
O Espetacular Homem-Aranha 2 é simplesmente o melhor filme dos 5 longas inspirados no herói. Pra mim superou a sequência de 2004 Homem-Aranha 2. A trama em suas duas horas e vinte não apenas deu novos significados ao personagem como também repara arcos deixados abertos no primeiro filme que até então não fizeram sentido nenhum na história.
Talvez o que menos importe nesse momento é o alter ego do personagem título, mas sim o casal Peter Parker e Gwen Stacy (Emma Stone). Para a sorte do diretor, os dois não estão juntos apenas na ficção, mas também na vida real e isso deu uma química tão forte entre os personagens que só intensificou o que Marc Webb sabe fazer de melhor: dilemas humanos traduzidos poeticamente com a ajuda de uma excelente trilha sonora contemporânea e imagens capturadas de forma que expressam conforto e nostalgia.
A química entre elenco não se limita ao casal. Sally Field finalmente conseguiu fazer uma nova tia May, agregando à personagem uma mulher mais forte, que de certa forma, também veste sua máscara de heroína. Deixou de ser apenas a idosa em perigo. Por outro lado, o que os veteranos de elenco ganham, os novatos perdem. O elo fraco do filme fica por conta das interpretações duvidosas de Jamie Foxx e Paul Giamatti. Infelizmente nenhum dos dois encontraram a tonalidade certa de seus personagens.
A inserção de um novo Harry Osborn (Dane DeHaan) por mais que tenha sido um pouco mais do mesmo já entregue nos primeiros longas do Homem-Aranha, o ator conseguiu tomar a cena com a nova motivação dada às suas atitudes. O público consegue digerir melhor as razões que o levam virar o Duende Verde, mesmo que esse tenha uma participação tímida, preparando o terreno para os próximos filmes. A necessidade de criar um universo cinematográfico expandido inspirado nas HQs do Homem-Aranha nada mais é do que um reflexo do bem sucedido universo Marvel que a Disney constrói com os Vingadores. Só resta saber se a Sony terá tanta competência para tal feito.
O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro é uma analogia completa em relação a tempo e trajetos que a vida lhe traça. Podemos perceber que o relógio é uma figura importante dentro da trama e que o personagem título tem o tempo como seu aliado ou, em grande parte, inimigo. Temos um Homem-Aranha muito mais diplomático, tentando ser muito mais verbal do que porradeiro. E isso é excelente. Somos contemplados com excelentes diálogos no roteiro. O filme é fluido e repleto de pontas abertas para os próximos longas, que agora, finalmente consigo dizer que fez mérito ao Homem-Aranha que já havia conhecido anteriormente nos cinemas.
Mulheres ao Ataque
3.2 657 Assista Agora> Esse review publiquei originalmente no site www.plugou.com
Link: http://www.plugou.com/mulheres-ao-ataque-critica-do-filme/#.U2vxtK1dWlY
Mulheres ao Ataque seria o tipo de filme que meu preconceito faria sair da sala de cinema com a cara fechada, braços cruzados e lamentando por perder mais duas horas preciosas de minha vida. Seria, mas não foi. O novo filme do diretor Nick Cassavetes conhecido por dirigir “Diários de uma Paixão“e “Alpha Dog” traz no elenco Cameron Diaz, Leslie Mann, Nikolaj Coster-Waldau e Kate Upton e para o gênero que se enquadra é surpreendentemente bom.
Mark King (Nikolaj Coster-Waldau), um investidor de novas empresas logo de cara nos é apresentado como um homem infiel a sua esposa Kate King (Leslie Mann), que por sua vez é uma dona de casa que confia friamente no marido. Carly Whitten (Cameron Diaz), por sua vez, é uma mulher completamente diferente de Kate: uma advogada muito bem resolvida que não leva seus relacionamentos a sério, até se envolver com Mark. Entretanto, não demora muito para descobrir que ele é casado e ela na verdade é a amante. Quando esposa e amante acabam se encontrando, o sentimento de traição logo some e uma amizade entre as duas mulheres nasce, mas quando elas descobrem que ainda há uma terceira mulher envolvida, a vingança irá leva-las descobrir muito mais que a traição conjugal.
A história tem lá seus furos e diálogos que muitas vezes podem trazer sentimentos de indignação no início do filme, pois estamos lidando com uma das protagonistas completamente submissa ao marido, aceitando de certa forma a traição causada por ele. Contudo, o crescimento da personagem da esposa se torna tão interessante que o filme lhe prende do começo ao fim. O caminho entre dona de casa à mulher que se torna faz uma completa metáfora da ascensão feminina no mercado de trabalho. Em uma determinada cena, tal personagem está com trajes que lembram muito a moda dos anos 60, sendo essa cena marcada como um ponto final na personalidade que tanto lhe prejudicou.
Por outro lado temos a personagem da amante, muito bem vivida por Cameron, que apesar de não perder em nenhum momento sua feminilidade possui uma postura rígida dentro do seu ambiente de trabalho, mostrando ser uma mulher que mantém o respeito e que sabe dividir sua vida profissional da pessoal. A personagem está constantemente usando cores completamente claras ou cores completamente escuras, que ilustra bem a dualidade que há em sua vida.
A terceira mulher, que infelizmente só conhecemos mais para o final do filme, não tem tanta identidade dentro da trama. É uma mulher muito mais nova que as outras duas que chega para concluir a trama ao despertar nas outras duas um desejo de vingança, que até então não existia. Além de Cameron Diaz no auge de seus 42 anos ainda esta esbanjando charme, temos Leslie Mann que toma a cena quando resolve beber para esquecer dos problemas, mesmo a atriz perdendo um pouco o tom e deixando a comédia mais escrachada do que de fato deveria ser. Destaco também a trilha sonora do filme que passeia entre Cyndi Lauper, Frank Sinatra e trilhas de ação como o tema de Missão Impossível, deixando o filme mais leve e divertido.
Mulheres ao Ataque me surpreendeu pelo crescimento de seus personagens e entregar uma comédia descompromissada e divertida que lhe fará se entreter durante as duas horas de projeção.
Gravidade
3.9 5,0K Assista AgoraEsse review eu publiquei originalmente no site Plugou.com
Gravidade é um filme que consegue ao mesmo tempo ser simples e complexo. Tal complexidade não vem apenas nos desafios que o diretor Alfonso Cuarón deve ter tido para fazer um filme inteiro com seus personagens sem tocar o chão, mas também na reflexão que é a vida vista do espaço, esse que no contexto do filme é o grande vilão. Assim como começa o filme, “é impossível a existência de vida no espaço”.
Com longas sequências, o filme consegue prender a atenção do início ao fim, e a imersão que a película causa consegue transformar a própria platéia em astronautas. Com o bem usado 3D e a predominante ambientação escura do espaço com a da sala de cinema, torna essa mescla uma unidade só e faz a tensão da trama ficar ainda maior. Você não assiste ao filme, mas sim participa dele.
Sem explosões espetaculares, o longa mantém o máximo de fidelidade com a física e consegue sem esforço deixar a aventura vivida pela personagem de Sandra Bullock ainda mais real. Cenas marcantes como a chegada de estilhaços ao Hubble no qual desencadeia toda a trajetória vivida pelos personagens, certamente transformarão o filme uma referência ao cinema do gênero. Uma outra cena incrível é a da personagem de Bullock dentro de uma base retirando sua enorme roupa de astronauta. A analogia a um feto fica ainda mais marcando com o final escolhido pelo diretor.
Gravidade é de longe o melhor filme de 2013 até o momento. Alfonso Cuarón conseguiu extrair de Sandra Bullock e George Clooney o melhor que cada um dos atores há muito tempo não oferecia. Perdemos qualquer referência dos filmes ruins de ambos de tão convincente são eles em seus papeis (apesar dos diálogos serem bem mornos).
Gravidade, é muito mais do que um filme. É uma reflexão de quão frágil e pequenos nós humanos somos. O planeta Terra se torna um terceiro personagem, e nele está a salvação daqueles que vimos em tela. O azul contrastando com a cor preta do espaço explode na tela quando é exibido. Ao subir os créditos certamente o filme irá estimular uma reflexão da importância que encaramos determinados fatos da vida e o quão pouco damos valor a pequenas coisas.
Entre Nós
3.6 612 Assista Agora> Esse review publiquei originalmente no site Plugou.com <
Existe uma coisa nos reality shows que sempre me chamou a atenção e que em 100% dos grupos que não se permitem ingerir qualquer conteúdo me condenou com críticas ao parecer procurar uma razão para a existência de um estilo de programa visivelmente vazio de conteúdo. Pegar uma amostra de pessoas e coloca-las em observação durante 24 horas é um tremendo estudo comportamental humano, que pode nos adentrar nas mais obscuras verdades sobre essas pessoas. A quebra de filtro social e os limites onde o humano chega para atingir seu objetivo e conquistar seu prêmio dentro dosreality shows é apenas uma parte daquilo que todos nós somos no cotidiano. Em Entre Nós, somos convidados a entrar na vida de 7 amigos em uma viagem a uma casa de campo. Uma viagem não, duas. A primeira em 1992 e a segunda em 2002. Na primeira, jovens cheios de sonhos, buscando a concretização de um ideal de vida. Na segunda, pessoas que chegaram na metade da vida observando que o tempo passou rápido e que seus sonhos estão ficando para trás.
Dirigido por Paulo Morelli e seu filho Pedro Morelli, Entre Nós é o filme nacional que surpreendentemente vai ao sentido contrário de tudo que chegou aos cinemas tupiniquins nos últimos anos. Um longa maturo, que prova que cinema é feito de história e não de piadas prontas e nem explosões. Na trama que começa em 1992, Felipe (Caio Blat) e Rafael (Lee Taylor), dois aspirantes a autor literário, estão em uma viagem junto com seus amigos e discutem os caminhos que seus livros devem ser tomados, quando um acidente de carro muda a vida do grupo dos 7 amigos que se reencontram 10 anos depois para abrir uma cápsula do tempo que haviam feito na mesma época.
Somos convidados pelo diretor a conhecer os desejos e segredos de cada um dos personagens, nos revelando em doses homeopáticas as vontades e dilemas que esses personagens vivem 10 anos após conhecermos suas fases imaturas e idealistas. Interessantemente, apesar de termos o foco em praticamente 3 personagens dentro da trama principal, em nenhum momento conseguimos julgar as escolhas errôneas que eles podem ter tido em suas vidas. Apesar da falta de caráter completa de algumas ações, não escolhemos nenhum deles para ser herói ou vilão da trama.
Mesmo que num primeiro momento nos sentimos um pouco confusos, pois nem todos os personagens são bem desenvolvidos de imediato, o filme resgata diversas vezes quem é cada um que estamos acompanhando. Durante diversos momentos o longa me lembrou o filme ‘Antes do Amanhecer’ (Before Sunrise, do diretor Richard Linklater, 1995). Mesmo parecendo uma comparação esdrúxula, devido a alta qualidade do filme, ele nos remete muito a umreality show que só depois de um tempo entendemos quem é quem dentro da história que nos contam.
Entre Nós é um filme simples, de diálogos naturais, que em muitos momentos me fizeram acreditar que aquelas pessoas realmente existem. A interação entre eles me soou natural a ponto de imaginar que os atores estariam interpretando eles próprios. Mesmo com algumas cenas que quebram o drama principal, algumas boas outras nem tanto, o filme merece um grande mérito por conseguir ser lançado em um país onde tramas mais complexas beiram à proibição entre o atual consumidor de cinema nacional. Posso estar empolgado por encontrar um produto brasileiro de tão alta qualidade, mas nesse momento Entre Nós, para mim, é um de meus filmes nacionais favoritos.
Toque de Mestre
2.9 174 Assista Agora> Esse review publiquei originalmente no site Plugou.com <
Toque de Mestre pareceu ser mais do que realmente é. Quando cheguei ao trailer percebi um filme de suspense no qual um fanático abordaria um pianista exigindo desse a perfeição na execução de uma obra clássica. O fanatismo parecia ser um dos temas principais desse novo longa estrelado por Elijah Wood, dirigido por Damien Chazelle.
No filme, Tom Selznick (Wood) é um excelente pianista a caminho de um concerto que prestará uma homenagem seu grande mestre falecido recentemente. O sucesso de público seria inevitável já que não apenas os admiradores da música clássica marcaria presença, mas muitos curiosos estariam no teatro para chegar perto da esposa de Tom, Emma Selznick (Kerry Bishé), uma famosa atriz hollywoodiana que estaria no teatro para prestigiar a apresentação de seu marido. Prestes a começar o concerto, Tom rasga uma partitura, conhecida por ser uma música extremamente difícil de tocar, mas ao sentar ao piano descobre que existe um psicopata apontando uma arma para ele e que a condição de não mata-lo seria que ele tocasse com perfeição a música que ele acabara de rasgar a partitura.
O filme tem um climax bem interessante, que lembra um pouco alguns clássicos de suspense. A mescla com a música clássica junto com as longas tomadas de plano sequência causam uma imersão interessante. A dificuldade que o diretor deve ter tido para manter coesa todas as sequências são de parabeniza-lo.
Infelizmente, nem toda história consegue manter seu ritmo interessante, e a motivação que o antagonista possui estraga toda experiência que o filme poderia proporcionar. O que teria potencial de ser um novo ‘Louca Obsessão‘(filme de 1990 inspirado na obra de Stephen King), se torna um simples filme de roubo e caça ao tesouro.
Toque de Mestre frustra bastante, principalmente por sua conclusão. Mesmo tendo pontos admiráveis, como poder ver Elijah Wood mostrando um novo talento como pianista (sim, em algumas cenas é ele mesmo que toca o piano), o filme se perde e entrega uma conclusão boba e sem surpresa.
Noé
3.0 2,6K Assista Agora> Essa crítica publiquei originalmente no site Plugou.com<
Antes de mais nada, eu não sou um grande conhecedor das histórias bíblicas, tão pouco saberei dizer se o que o diretor Darren Aronofsky me mostrou em seu filme Noé se fez fidedigno aos fatos descritos no livro sagrado. O que posso dizer é que pela primeira vez tive a oportunidade de ver um filme religioso em um IMAX 3D pelas mãos de um excelente diretor, porém, com uma história que para mim é muito mais uma fábula.
Acho que serei repetitivo ao contar do que o filme se trata, afinal a história de Noé (Russell Crowe) é muito conhecida. Apesar de até hoje não ter tido um filme que o representasse numa pegada mais “realista”. Noé é o escolhido por Deus para construir uma arca e colocar nela todos os animais da Terra em pares, visto que a humanidade estava tão degradada que não era mais negócio para Deus mante-los vivos. Veio o grande dilúvio que foi o reboot divino na Terra.
O filme é bem explicativo quanto a detalhar do porque Deus desistiu dos humanos naquele momento. O diretor opta explicar o que aconteceu desde a criação da Terra, Adão e Eva e seus três filhos Caim, Abel e Sete. Caim mata Abel (acho que isso não deve ser um spoiler…) e o mundo é divido entre os descendentes de Sete e Caim, sendo que os desse, dentro do filme, são de certa forma uma representatividade do mau, e deles gerou todo o desgosto de Deus por seus representantes na Terra.
Eu sempre tive uma visão infantilizada de Noé, tanto que a primeira lembrança que me vem quando me recordo da história é do segmento do Pato Donalddentro do filme Fantasia 2000 da Disney. A visão fabulosa do homem com uma lista de animais, checando se todos eles estão devidamente postos dentro da arca, é substituída por um homem que diz conversar com Deus e ter uma missão a seguir: extinguir o mau sobre a Terra. As cenas com os animais é bem pouco representada dentro do longa. O carinho que Noé possui pelos bichos é demostrado no começo do filme quando esse se mostra preocupado por uma espécie fugindo de seus caçadores. Podemos dizer inclusive que o filme desnecessariamente abraça uma causa vegetariana ao colocar os vilões como carnívoros.
Com diversas repetições de cenas dentro do decorrer da história, somos confrontados no mínimo umas 3 vezes com a imagem do homem caindo em tentação e comendo o fruto proibido. Essa pausa que o diretor toda hora insiste em colocar incomoda e dá um ritmo bem lerdo para o que realmente as pessoas queriam ver: dilúvio. Percebe-se que há a necessidade de tudo ter um sentido que volta para o rastejar da tentação contemplando o homem comendo o fruto proibido. Tal proibição terá no futuro da história com a relação da personagem de Emma Watson e Anthony Hopkins.
Por mais que o filme tente ser realista, não há como leva-lo a sério com a inserção dos Guardiões dentro da história. São retratados como seres divinos encarnados em gigantes de pedra. Eu realmente não sei se existe essas criaturas na bíblia, mas no filme eles dão um aspecto de “Senhor dos Anéis“em uma trama que prioritariamente seria religiosa. Os efeitos visuais são excelentes. A animação travada nos guardiões, remetendo um pouco os efeitos em stop motion não incomodam e dá sentido maior à dureza dos personagens. O 3D não é dos piores, mas apesar de todos os esforços em manter o longa tecnologicamente impecável, o que faz dele mais interessante são as cenas pós dilúvio, onde a família de Noé dentro da arca, começa julga-lo por não ter salvo nada além dos animais. O drama existencial daquelas pessoas ao depararem que são a única esperança de procriação da humanidade é excelente, e a complexidade dos personagens cresce, dando novas camadas na história.
Estava na hora de um filme mais sério sobre a arca de Noé ser lançado. Apesar de todo apelo comercial existente em seu lançamento, o filme ainda é uma história bíblica e que inevitavelmente gerará polemicas religiosas. Fiquei de fato mais curioso para conhecer os relatos escritos no livro sagrado e ver até onde o filme foi fiel e em quais momentos o diretor resolveu colocar seu dedo na história. Aconselharia ler a bíblia antes de assistir ao filme, talvez chegando à sala tendo uma noção menos infantil da história, o aproveitamento do filme possa ser maior.
Capitão América 2: O Soldado Invernal
4.0 2,6K Assista Agora> Esse review foi originalmente publicada no site Plugou.com <
Existe uma característica bem específica nos filmes que a Marvel vem construindo anualmente, que é a presença de um humor equilibrado mediante a uma história de heróis contra vilões. Em Capitão América 2 – O Soldado Invernal, tal característica é presente, mas com uma dose muito menor das que estamos acostumados a ver. Depois de anunciados os diretores Anthony Russo e Joe Russo imaginava-se que o filme iria ter a mesma tonalidade leve que o primeiro teve, afinal ambos são conhecidos por dirigirem comédia para a TV, porém Capitão América 2 é muito mais um Missão Impossível ligado nos 220V.
Percebemos no filme que Steve Rogers (Chris Evans) está constantemente em queda, sendo introduzido à força em uma nação que mudou nos últimos 70 anos. As pessoas que ele conhecia antes de ser congelado ou estão mortas ou muito idosas, e a necessidade de se conectar a um novo mundo mostra que mesmo após 2 anos dos acontecimentos de New York ele ainda possui dificuldades de entender tanta mudança.
O filme é sério. Muito sério. É uma trama política que mescla o governo, a SHIELD e a HIDRA. A história lhe traz um excesso de novas informações nesse novo universo que mostra quais são os caminhos que a Marvel Studios quer seguir a partir de agora, e se eu tiver que apostar em alguma coisa, apostaria que, a partir do final dessa segunda fase e começo da terceira fase de filmes, teremos longas muito mais adultos do que lúdicos. É capaz que os filmes mais “leves” ficarão a cargo dos Guardiões da Galáxia.
Todos os personagens secundários ganham uma profundidade maior nesse filme. Nick Fury (Samuel L. Jackson), por exemplo, chega a ter seu momento badass assim como a agente Maria Hill (Cobie Smulders). Natasha Romanoff, a Viúva Negra (Scarlett Johansson) continua ganhando as atenções mas também deixa encaminhado um possível desdobramento para um spinoff de sua história, em muitos momentos percebemos que ela esconde algo em seu passado.
Sam Wilson, o Falcão (Anthony Mackie) entra na trama fazendo de tudo para agradar desde sua primeira aparição nos momentos iniciais do longa. É um personagem muito carismático que faz o Capitão América ter um laço de amizade nos tempos atuais. Por outro lado, achei a participação do Soldado Invernal, que intitula o filme, tão rápida em tela, que dá aquele gosto de “quero saber mais sobre esse cara”. Talvez esse sentimento tenha ficado entre os bastidores, pois é um pouco disso que uma das cenas pós créditos nos revela.
Falando nelas, as famosas e tradicionais cenas, que a Marvel gosta de colocar nos seus longas, estão lá, e assim como em Thor – O Mundo Sombrio, uma cena de fazer o fã da franquia ficar em pé (empolgante e assustador ao mesmo tempo), e outra que é mais leve mas que pode revelar algo muito maior no futuro.
Capitão América 2 – O Soldado Invernal é um excelente filme, mas destoa de tudo o que já foi feito até agora dentro do universo Marvel. É corajoso, não teve receio de quebrar a expectativa que o público possivelmente está ao aguarda-lo. Possui cenas de ação e de lutas muito bem feitas… talvez as melhores até aqui. Certamente fará você chegar em casa para assistir a série Agents of SHIELD, pois tudo apresentado no longa pode fazer o destino tanto dos filmes quanto da série mudar. Estou muito curioso para saber que caminhos serão tomados em Os Vingadores 2.
Detona Ralph
3.9 2,6K Assista AgoraAh Disney… Lembro-me como adorava esperar julho para poder assistir a um longa animado dessa empresa que sempre foi referência no ramo da animação. Uma empresa que presenteou o mundo nos anos 90 com “O Rei Leão”, “A Bela e a Fera”, “Aladdin”, “O Corcunda de Notre Dame” e que caiu tanto a qualidade de seus filmes nos pós 2000, com suas raras exceções, deixando uma geração tão carente de bons filmes e empolgação. Porém, quando a luz está se apagando, que surge novas ideias e modos diferentes de se contar uma história, como foi o caso de “Enrolados” em 2011, ou então “A Princesa e o Sapo” em 2010. Quando não esperávamos mais nada, mesmo após a enterrada de dedo que a empresa visivelmente pôs em “Valente” da Pixar, que chega a nossos ouvidos que a Disney iria produzir uma animação que contaria a história de um vilão de um game de 8 bits cansado de não ser amado pelas pessoas. A principio pensei: “ok” o fato de usar a premissa de games em um filme é interessante, porém um vilão protagonista deixou de ser novidade nas animações há algum tempo. “Megamente” e “Meu Malvado Favorito” já estavam por aí nas mãos da concorrente fazendo sucesso. Contudo, eis que somos surpreendidos novamente. “Detona Ralph” não apenas se trataria de um game de 8 bits, mas também seria uma enorme homenagem aos games clássicos dos anos 80 e 90 como Sonic, Mário, Street Fighter, Pac Man, Mortal Kombat, entre muitos outros que fizeram a expectativa desse filme subir absurdamente. Não teríamos mais uma história de apenas um vilão arrependido, mas de um vilão que seria guiado por aqueles personagens que já eram de conhecimento do público geral, trazendo um ar nostálgico da infância. E hoje, após assistir o tão aguardado e promissor “Detona Ralph” você me pergunta: “O filme de fato consegue fazer isso?”. Consegue. Somente por vinte minutos.
Rich Moore, conhecido por dirigir alguns animados como Simpsons e Futurama, assume a direção. John C. Reilly, Sarah Silverman, Jack McBrayer, Jane Lynch, Adam Carolla emprestam suas vozes para os personagens. Na dublagem nacional temos Tiago Abravanel, Rafael Cortez e Marimoon, que conseguem fazer um trabalho de dublagem infinitamente melhor que Luciano Hulk em “Enrolados”.
Como já era de se esperar, o filme consegue ser criativo e mostra nos cinemas uma série de personagens de games que gerou na plateia uma reação extremamente positiva. Eles de fato funcionaram dentro da ambientação que o filme propôs a explorar, porém as melhores e principais cenas do filme ficaram já expostas nos trailers, vídeos promocionais e imagens de divulgação do animado deixando a expectativa de quem esperava mais aparições dos personagens em tela não serem correspondidas. Contudo, o filme não deixa de ser bom com o seu desenvolvimento e conclusão, pois possui um roteiro muito bem amarrado que não deixa brechas soltas para uma possível continuação. Não que isso não possa acontecer, afinal o universo de games é bastante extenso e possibilidades para sequências é o que mais temos nesse plot.
Ralph já é apresentado como uma personagem que trabalha dentro de um jogo de arcade às vésperas de completar 30 anos de trabalho. Exausto de sua tarefa e exclusão social, tema principal dentro desse arco da história, ele resolve buscar ajuda em um grupo de vilões que visam aceitação em suas carreiras profissionais. O longa trabalha muito bem a argumentação de “mau dentro dos games é apenas uma representação e não a realidade”. Não obtendo sucesso com a resposta do grupo, ele resolve tomar iniciativa e socializar mais com os outros membros do game no qual faz parte, porém tudo que ele consegue é preconceito e rejeição, fazendo-o decidir fugir do game e buscar um mérito no qual lhe traga respeito e admiração.
Esse é o começo da história, que explora muito bem Ralph e sua realidade. Trás soluções visuais inteligentes para a história, como o fato de usar a extensão de tomadas como uma central de trens que partem para as máquinas do fliperama. A partir desse momento o filme começa cair no quesito de originalidade, e trás alguns clichês já habituais do universo Disney. A história deixa de ser do Ralph e passa focar numa outra personagem. Entretanto, esse fato não faz com que o filme perca qualidade, apenas ignora o espectador que foi atrás de mais elementos que fizessem relações com o universo dos games. O filme poderia facilmente ser rotulado como um título da Pixar, pois consegue extrair com seus personagens cenas com um teor emocional desacerbado.
É impossível ignorar que a relação que Ralph mantém com a personagem Vanellope é exatamente a mesma que Sulley e Boo possuem em “Monstros S.A.”, ou até perceber que o design da garota não lembre uma das filhas do filme “Meu Malvado Favorito”. Apesar disso, todo o novo arco construído dentro do filme, que envolve uma corrida, é bem desenvolvido, porém é um filme a parte daquilo que “Detona Ralph” vendeu em sua divulgação. O uso de termos relacionados ao mundo dos games é a única referência que temos durante muito tempo dentro da história para nos lembrar que o lugar onde os personagens estão é dentro de uma máquina de arcade e não em um conto de fadas.
O contraponto visual entre os ambientes do filme mostram exatamente o posicionamento de cada personagem na trama. Temos basicamente 4 cenários bem distintos que se fundem. O Game de 8 bits possui um visual noturno, com poucas cores e personagens representados com limitações de movimentos. O game de ação no qual apresenta a personagem Calhoun é sombrio e possui um design parecido com traços de animes com maiores detalhamentos. O terceiro ambiente, que é explorado muito pouco, representa um fliperama aparentemente pequeno, que sobreviveu ao tempo. Impossível não notar as artes nos arcades e um visual com tonalidades mais puxadas para o marrom, mostrando que aquele espaço está ali há muito tempo. Existe uma ótima cena na qual mostra os anos passando rapidamente que faz o público viajar 30 anos em apenas alguns segundos. O quarto e último ambiente, responsável por grande parte do filme, representa um jogo de corrida onde tudo é muito colorido, feito por doces e tons claros, deixando a tela mais infantilizada, principalmente pela escolha do design das personagens.
O filme acaba ignorando o fato de que a tecnologia evoluiu tanto que hoje os games de 8 bits são jogados em smartphones, porém só por aqueles que viveram a época. Para uma criança eles podem parecer antiquados e monótonos. A popularização de tecnologias em games domésticos responsáveis pelo desaparecimento de muitas lojas de fliperama também não é retratada dentro do filme que opta mostrar mais um ambiente nostálgico que ainda vive e que de fato atrairá muitas pessoas com seus vinte e poucos anos/trinta para os cinemas. Também não deixa de lado piadas no qual retrata que hoje retro é moderno e gags visuais que se tornaram popularizadas pelo Youtube.
Se você nasceu fazendo seus combos nos consoles e espera um filme que retrate 100% esse mundo pode se decepcionar um pouco a partir do segundo ato do filme, que se torna infantil, e claro, se tratando de Disney, não iria deixar de colocar uma princesa no meio da história (não crie ilusões, não é a princesa do Mário). Contudo, o filme não deixa de ser criativo e atraente para um público acostumado ao velho estilo Disney de ser. É um bom filme que abrirá as portas do cinema em 2013, e esperamos que a qualidade dos filmes mantenha-se alta.
PS.: Se você ficar aguardando o “Mário que sempre se atrasa” depois dos créditos do filme, desencana, deixaram de fazer uma ótima piada no final…
_____________________________________
Crítica publicada no site www.plugou.com.br
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
4.1 4,7K Assista AgoraNão existe outra palavra além de nostalgia quando começam os primeiros acordes da trilha sonora e as imagens de O Hobbit – Uma Jornada Inesperada. Com um simples “My Dear Frodo” já percebemos que estávamos novamente com aqueles personagens que há quase 10 anos lotaram as salas dos cinemas e que emocionaram com uma produção merecidamente ganhada de diversos Oscars.
Retornar à Terra Média para mim é algo muito especial. No cunho pessoal foi o período de tempo no qual me projetei no herói da história de uma forma que nunca havia feito antes; história que me fez buscar mais conhecimento dentro da obra de Tolkien e estudar todas as analogias e pensamentos associados à fábula contada. Dizendo isso, saibam que essa crítica está sendo escrita por alguém que tem um carinho mais do que especial ao produto envolvido. Porém, existem dois caminhos a serem considerados quando se propõe a esse trabalho, o primeiro é deixar o seu emocional se envolver com a análise ou ser racional o bastante para admitir que aquilo que você tem apreço na verdade não é tão bom quando visto com olhos técnicos. E nisso começa meu dilema.
A Sociedade do Anel foi um marco na minha vida de cinéfilo, nunca havia visto algo tão ambicioso como aquele filme. Entretanto, hoje estou imaginando alguém que nunca conheceu a obra de Tolkien indo ao cinema para assistir O Hobbit e não consigo imaginar essa pessoa aberta para conhecer mais sobre a obra de Tolkien. Como um grande fã, assistir ao filme é mais do que o meu tradicional ritual de chegar cedo ao cinema, fazer um “X” na sala de projeção para tentar sentar na cadeira exatamente do centro e assim ter um campo de visão e audição privilegiado (sim, nesse momento ouço de longe algumas pessoas me chamando de Sheldon… eu não ligo rs), assistir O Hobbit é ver a concretização daqueles personagens que viveram durante muitos anos no imaginário. É agregar à história recursos de som e vídeo o que até o momento eram apenas letras transformadas em imaginação.
Quando nos primeiros minutos começa surgir na tela aquela tipografia semelhante do filme Senhor dos Anéis a sensação de estar ali finalmente é a de presenciar a chegada do homem à lua, ou uma final de copa do mundo, ou o nascimento de um filho… ok, talvez esteja exagerando, mas pra mim é algo grandioso no sentido emocional. Porém, passada a euforia inicial eu me propus olhar para O Hobbit como o que ele realmente é: um filme.
Não sei até que ponto você leitor pode considerar um spoiler, mas não irei entregar nada que irá estragar a trama e ao mesmo tempo, se me referir a pedaços dela, tenho em mente que estou falando de uma história publicada em 1937, se ela é de tamanha importância para você certamente já deva ter lido, certo? Caso não seja de seu interesse saber como o filme começa, se Smaug aparece ou não, até que ponto do livro o filme vai… então… abraços… volte depois de ver o filme.
Incrivelmente dirigido por Peter Jackson, o mesmo diretor de O Senhor dos Anéis e que depois da sucedida trilogia caiu num declínio, pois nada que ele fez desde então foi tão épico quanto ao seu trabalho nos três filmes, começa de forma mais plausível possível. Ele conseguiu em poucos minutos mostrar a origem da história agora a ser contada e ao mesmo tempo fazer uma relação com o começo do filme A Sociedade do Anel. Temos a incrível narração de Ian Holm que retorna ao personagem Bilbo momentos antes do início da jornada do anel, escrevendo suas memórias “Lá e de volta outra vez”. Ele que nos explica como um pequeno e pacato hobbit que só quer saber de seu lar acabou parando numa aventura junto com 13 anões e um mago.
Para quem já leu ao livro, quando os primeiros parágrafos são lidos em forma de narração chega ser arrepiante. Nisso a história nos leva 60 anos antes, quando o velho mago Gandalf está à procura de alguém que aceite entrar na expedição. A partir desse momento, a narrativa dos acontecimentos é a mais fiel possível quanto à história. Dos diálogos às canções é exatamente aquilo que o livro nos entrega. E aí que começa o problema.
Se você é um louco fanático pela obra vai adorar, se você é um telespectador comum, que não conhece o livro e enxerga O Hobbit como apenas mais um filme vai começar se sentir incomodado por diversos motivos. O primeiro é a quantidade de personagem que lhe é apresentado ao mesmo tempo, tanto que não há espaço para que todos tenham diálogos e desenvolvimento de história. Acaba tendo um punhado de anões que estão ali porque obrigatoriamente precisam fidelizar o livro. Depois temos uma sequência extremamente longa, onde os anões simplesmente invadem a toca de Bilbo, comem e tomam cerveja. Até o momento que Thorin chega tudo o que foi mostrado na sequência não foi relevante para o filme em si, mesmo porque, o público normal depois de um tempo mal vai se lembrar quais dos anões ali presentes tiveram um desenvolvimento maior na história.
Contudo nessa sequência já somos testemunhas de quão certa foi a escolha de Martin Freeman no papel do jovem Bilbo. Com todo seu time inglês de comédia o ator consegue arrancar rizadas com apenas um olhar. Diferentemente das exageradas maquiagens e figurinos que as imagens promocionais do filme apresentam os anões, eles fluem bem melhor do que o esperado e conseguem convencer. Uma coisa interessante é que em muitos momentos não tem como não se lembrar dos anões do desenho Branca de Neve e os Sete Anões, principalmente quando eles formam um círculo para chegarem num consenso de opinião.
Com algumas adaptações que não prejudicam os acontecimentos, a jornada se inicia. Uma série de imagens magnificas da Nova Zelândia predominam as cenas intermediárias da história. A fotografia do filme é incrível. Com o 3D a imersão nessas paisagens se torna ainda mais profunda. A dimensionalidade provocada te leva a uma viagem de helicóptero para as montanhas e vales da região. A única coisa que peca é o excesso. Existem muitas… mas muitas sequências dos anões, Bilbo e Gandalf apenas andando nas paisagens. Até se compreende o motivo delas serem usadas, pois é um recurso que Jackson usou para nos dar noção de tempo e distância, mas junta isso ao excesso e à trilha sonora com corais, o sono chega ser inevitável.
Começa a segunda parte do filme na qual você aguarda a fidedignidade que estava tendo com o livro até o momento, porém é aí que começam os materiais extras que filme prometeu. Temos trechos que não possuem no livro, que eu não saberei dizer ao certo se eles pertencem ao Simarillion ou aos Contos Inacabados. O grande problema dessas duas sequências que incluem o material não pertencente ao livro O Hobbit é a prévia dialogada dos acontecimentos na cena anterior, deixando-nos confusos em uma delas. Questionamos se o que estamos vendo se trata de uma cena que aconteceu no passado ou se é um acontecimento que ocorre naquele mesmo período de tempo. Apesar de revelarem logo em seguida, a cena acaba perdendo um pouco da força que teria se não houvesse a apresentação inicial.
A inserção do personagem Radagast, faz com que a razão da jornada dos anões se torne algo maior e justifica o porque Gandalf está ali. Todas as cenas que fazem uma referência aos acontecimentos vistos em O Senhor dos Anéis, diminui o lado “infantil” do livro O Hobbit , e mostra que essa nova trilogia possui como um pano de fundo o despertar do mau na Terra Média. Uma escolha interessantíssima para manter uma unidade entre os 6 filmes que existirão no futuro.
Percebemos que nesses 9 anos que separam O Retorno do Rei de O Hobbit a técnica de animação de personagens digitais evoluiu muito. Quando Smeagol entra em cena conseguimos ver que é o mesmo personagem visto há 9 anos, porém a fluidez de seus movimentos e expressões conseguem fazer o que naquela época parecia ser impossível: se superar. Andy Serkis presenteia mais uma vez aos fãs com seu talento natural de interpretar esse tipo de personagem, e no caso de Smeagol ele retorna de forma magnifica. O uso das caixas soundaround e em alguns momentos o afastamento do personagem nas sombras transforma a criatura ainda mais tenebrosa.
Howard Shore, o responsável pela trilha do filme conseguiu mais uma vez criar um tema chiclete, porém belíssimo. A melodia da canção dos anões é o tema usando em boa parte do filme. Ele também usou trechos da trilha composta para O Senhor dos Anéis para alguns momentos como a aparição do Um Anel e apresentação da Hobbiton. A música tema do filme, apesar de muito bonita não consegue ser colocada no mesmo patamar de “May it Be” interpretada por Enya em A Sociedade do Anel ou “Into the West” de Annie Lennox para O Retorno do Rei.
A cena máxima de ação do filme é a fuga da Cidade dos Orcs. A direção de arte transformou a cidade em uma grande favela digital onde casas de madeira e pontes construídas de forma irregular são responsáveis por grande parte do valer a pena de ver o filme em 3D. A sequência, propositalmente ou não, nos remete um pouco de Indiana Jones, principalmente por ter nela uma pedra gigante rolando em direção aos personagens (não na mesma angulação vista no filme de Steven Spielberg, mas com o mesmo sentido).
“Vocês não confiaram em mim, mas eu consigo”. Talvez esse não possa apenas ser um diálogo de Bilbo chegando próximo do final da primeira parte da trilogia. Para muitos isso foi Peter Jackson sabendo que estava fazendo um grande trabalho em cima da obra de Tolkien respondendo muitas indagações da crítica ao falar que O Hobbit não teria material bom o suficiente para se tornar um filme. Hoje, após assistir-lo, entendo o porquê ele optou fazer 3 filmes e não apenas um. Se você assistir ao animado de 1977 inspirado no livro vai perceber o quanto ficaria pobre de conteúdo um único filme. A ideia de fazer 3 filmes agrada muito aos fãs, agrega à história que pode ser explorada com mais cuidado à obra original, agrega uma história secundária que nos relata o que iria acontecer 60 anos depois dali e principalmente agrega ao bolso da Warner Bros. que conseguiu colocar no seu cardápio de filmes mais uma trilogia de sucesso. Fazer uma adaptação, como já disse em críticas anteriores, é um desafio enorme, pois você não estará falando apenas para os fãs do material original, mas também para uma nova gama de pessoas que terão acesso àquele conteúdo pela primeira vez. O Hobbit, diferentemente de O Senhor dos Anéis, conversa muito mais com os fãs do que com a grande gama de telespectadores comuns. Pra mim, que sou um adorador da obra, é uma festa no condado, para o público que quer tudo mastigado e resumido talvez O Hobbit não cumpra o procurado.
_____________________________________
Crítica plublicada no site www.plugou.com.br
As Aventuras de Pi
3.9 4,4K Assista AgoraFé é o grande mote que move a humanidade. Sem que a crença de algo maior esteja nos esperando ao virar a esquina, não nos moveríamos e a cômoda aceitação de uma condição estaria fardada ao perpétuo. Esse é o grande mote que move o herói de “As Aventuras de Pi”.
Adaptado no livro “A Vida de Pi” de Yann Martel, o filme é dirigido pelo aclamado diretor Ang Lee que possui em seu currículo filmes como “O Tigre e o Dragão”, “Hulk” e o “Segredo de Brokeback Mountain”. No elenco temos o novato ator indiano Suraj Sharma, Irrfan Khan (O Espetacular Homem-Aranha), Rafe Spall (Prometheus).
Na trama, Pi Pastel, nome que causou muita frustração ao personagem no período escolar, é um jovem indiano que é obrigado a se mudar de seu país através da decisão dos pais, e ir para a América. Seu pai é dono de um zoológico, então o convívio com os animais é habitual para ele desde a infância. Contudo a embarcação que o garoto viajava com sua família e o animal do zoológico naufraga e o único sobrevivente é justamente ele, que, no impulso acaba salvando um tigre chamado Richard Parker, que Pi tem grande admiração desde pequeno. Sozinho em um barco salva vidas, ele tem que saber como conviver com um tigre em alto mar e aguardar que um dia algum socorro venha a seu encontro.
Em um primeiro momento assistir “As Aventuras de Pi” pode parecer que você foi enganado e que a história contada não tem uma profundidade suficiente para a produção de um filme. Mas o interessante dele é a grande metáfora que envolve os signos apresentados no filme. O nome Pi, origina de piscina, uma grande piscina pública em Paris que os pais do garoto admiravam. Logo percebemos que o elemento água estaria presente na vida do personagem que mais pra frente enfrentaria um náufrago. O fato dele sempre fugir do nome devido aos bullyings causados pelos colegas, Pi sempre trabalhou em cima do número Pi (3,14…), se apresentando como algo muito mais complexo do que duas letras. O conflito e complexo com o nome do herói também é refletido no nome do tigre, Richard Parker no qual o personagem se espelha desde pequeno.
O grande triunfo do filme está em sua direção de arte. Infelizmente o filme está sendo vendido como o novo “Avatar” devido à mega tecnologia envolvida para gerar o 3D, porém tirando meia dúzia de cenas que impressionam pela grandiosidade, o 3D do filme é bem mediano. Esse mote comercial envolvendo o filme infelizmente acaba gerando um paradoxo com a essência do filme. É uma história simples que funcionaria muito bem mesmo sem a imersão de 3D, ou altas tecnologias e efeitos visuais. “As Aventuras de Pi” é um filme de significados, que mergulha na espiritualidade de seus elementos. Não é um filme que necessitaria de tantos detalhes para deixa-lo fidedigno com a realidade. Seria o bom exemplo do “menos é mais”. Esse filme é um ótimo exemplo que retrata a supervalorização da estética e o menosprezo com a essência.
O grande público pode se sentir frustrado ao final do filme, justamente porque não verá um novo “Avatar” conforme a publicidade vende. A meu ver, a história contada supera a trama de “Avatar” pois é mais sutil, mais poética e menos explícita. Quando for assistir ao filme abra a mente para o irreal, e saiba que uma história quando contada por alguém sempre pode ser distorcida. A realidade quando representada em palavras e não presencialmente pode ser muito mais magnifica do que de fato é. Talvez ler ao livro seja mais interessante do que ver ao filme, pois acima de tudo “As Aventuras de Pi” exige fé e imaginação.
---------------------------------------------------------
Crítica publicada no site plugou.com.br