Sabe aquele filme que não chega fazendo barulho, mas entrando de mansinho, quase como um amigo que se senta ao teu lado e diz: “respira, vamos juntos”? O Filho de Mil Homens é exatamente isso. Ele não tenta te conquistar, ele te acolhe. É um abraço quieto, desses que não prometem consertar nada, mas que te lembram que você não está sozinho na luta. O cenário ajuda muito nessa sensação. Aquela praia enorme, aberta, com uma luz que parece vir do próprio silêncio… tudo ali funciona como se o mundo tivesse sido lavado antes das cenas começarem. A areia, o vento, o mar, tudo é meio personagem. O oceano não está só de fundo, ele guarda, devolve, ecoa. Principalmente quando os gritos de libertação surgem. É como se cada grito atravessasse o peito, corresse pela praia e mergulhasse fundo na água, levando embora um pouco do peso que os personagens carregam. Aquele mar escuta. E devolve outra coisa, espaço, força, vida nova. E no meio disso tudo, o filme continua com seus diálogos pequeninos, diretos, tão simples que chegam a parecer cotidianos, mas que são enormes por dentro. São falas que não existem pra explicar a história, existem pra costurar gente. São conversas que você acha que passou batido, mas ficam vibrando na memória, como um verso de música que a gente repete sem perceber. A violência está ali, mas não manda em nada. O que guia é o rompimento dela. A coragem de criar laços. A aparição daquele estranho que, sem se anunciar, salva mais vidas do que imagina. O filme transforma encontros em resgates. Faz da ternura um ato político. Mostra que família é muito mais escolha do que sangue. E enquanto tudo isso acontece, o mar continua lá, testemunha silenciosa das dores que se desfazem e das libertações que explodem. É bonito. É necessário. E é daquele tipo de beleza que você sente mais do que entende. O Filho de Mil Homens deixa uma paz estranha, uma leveza que parece caber inteira num suspiro. Uma sensação de que o mundo é duro, sim, mas que uma fresta de cuidado pode iluminar tudo ao redor. E agora… agora posso limpar minhas lágrimas e reconhecer que, mesmo machucado, o coração ainda sabe abrir passagem para o que é bonito.
A Grande Viagem da Sua Vida é um daqueles filmes que dividem o público — e talvez esse seja justamente o seu propósito. Há quem se encante pela jornada, pelas pequenas descobertas e pelas pausas contemplativas que o filme oferece; e há quem sinta falta de um destino mais claro, de uma narrativa que saiba exatamente para onde está indo.
O longa é, antes de tudo, uma experiência de sensações. Ele convida o espectador a embarcar sem mapa, apenas com a promessa de que algo será aprendido no caminho. Os diálogos são o ponto alto: bem escritos, às vezes até mais interessantes que a própria trama, carregados de uma sensibilidade que revela mais dos personagens do que as cenas em si.
Margot entrega uma atuação contida, delicada, enquanto Colin Farrell parece buscar uma sintonia que nunca se concretiza — a química entre eles é quase inexistente, o que pode ser interpretado tanto como falha quanto como uma escolha narrativa. Talvez o filme queira justamente mostrar duas pessoas que caminham lado a lado sem realmente se encontrarem.
No fim, A Grande Viagem da Sua Vida é um filme “gostosinho”, desses que se assiste com prazer, mas que deixa uma leve sensação de desordem. Ele é bagunçado, sim, mas também honesto na sua bagunça. E talvez essa seja a sua força: mostrar que, entre a viagem e o destino, o que realmente importa é o quanto estamos dispostos a nos perder um pouco pelo caminho.
Amores Materialistas tem uma temática bastante atual e relevante, que chama a atenção logo no começo. O primeiro ato é muito bom, com uma construção sólida que prende o espectador e desperta interesse. A direção de Celine Song mostra potencial, mas infelizmente o filme não mantém o mesmo nível de profundidade e reflexão que seu trabalho anterior, Vidas Passadas.
A partir da metade, a narrativa começa a perder força, e a trajetória da personagem principal acaba ficando confusa e sem impacto. Embora o filme aborde subtemas importantes, eles são apresentados de forma superficial, o que faz com que a trama perca o foco. Isso prejudica a construção da história e deixa a sensação de que o filme poderia ter explorado muito mais seu potencial.
No geral, Amores Materialistas é uma obra interessante que vale a pena ser assistida, mas fica claro que Celine Song não alcançou a mesma profundidade de seu trabalho anterior. Ainda assim, é um bom filme, principalmente diante das escassas produções da indústria.
"Nonnas" é uma comédia leve e saborosa, um verdadeiro abraço cinematográfico. Baseado numa história real emocionante, o filme acompanha a jornada de um neto (Joe Scaravella), que transforma as receitas da sua avó e das suas amigas nonnas num restaurante que existe até hoje, celebrando tradições, sabores e afetos que atravessam gerações.
É um filme delicinha e aconchegante, que exalta os valores da família e a importância de preservar as raízes. A tradição das nonnas continua viva, cozinhando com alma e amor, como sempre foi.
Nunca é tarde para começar algo que faz o coração bater mais forte.
Se você assistiu e não ficou com água na boca, você assistiu errado...rs.
Pecadores é aquele tipo raro de filme que desafia rótulos. É blues em forma de cinema. É um musical que se recusa a cantar de forma explícita, um filme de vampiros que sangra simbolismo em vez de presas, e um terror que causa calafrios mais pela memória ancestral do que pelo susto imediato. Tudo isso embalado por uma estética crua e visceral que evoca o sul dos Estados Unidos, as feridas raciais, a espiritualidade negra e a eterna luta entre culpa, identidade e sobrevivência.
Logo nos primeiros minutos, somos envolvidos por uma trilha sonora potente, onde o blues não apenas embala cenas, ele vive nelas. Cada som de guitarra é como um grito preso na garganta, um pedido de ajuda, uma lembrança de onde vieram. A música aqui não é trilha, é personagem, é alma.
Mas nada se compara à cena da ancestralidade, o momento mais poderoso do filme. Num rito silencioso, envolto em fumaça e velas, vemos corpos se moverem ao som de tambores que parecem vir de milênios atrás. Não é flashback, não é sonho, é memória coletiva. É nesse instante que o filme transcende e nos lembra que o horror real não está nos monstros da fantasia, mas na herança histórica que assombra os corpos negros até hoje. Uma sequência que arrepia pela beleza estética e pelo peso político e espiritual.
Apesar de flertar com o sobrenatural, "Pecadores" foge do óbvio. Os vampiros aqui não brilham, não seduzem, eles penam. São metáforas ambulantes da maldição, da sede que não passa, da alma corrompida por séculos de opressão. O "terror" do filme é psicológico, cultural, e por isso mesmo mais denso, mais profundo. Há violência, sim, mas ela é simbólica, quase ritual.
O final é incrível. Não tem aquele final feliz arrumadinho, mas tem força. Traz uma sensação de "foi como precisava ser". Há redenção, mas não da forma tradicional. Há sobrevivência, mas não sem perdas. O filme nos deixa com um silêncio cheio de som, como um último acorde do blues que continua ecoando mesmo depois do escurecimento da tela.
E, claro, a cena pós-créditos é uma joia. Quem esperou até o fim foi premiado com uma reviravolta sutil e genial, que recontextualiza parte do filme sem desmontá-lo. É como uma nota final, inesperada, que dá ainda mais sentido ao que veio antes.
"Pecadores" é o tipo de filme que você sente mais do que entende. Ele mistura música, passado, dor e resistência de um jeito forte e bonito. É um filme que fala daquilo que a gente carrega no sangue, no corpo, na pele, e de como a arte pode ser grito, cura e memória.
"O Auto da Compadecida 2" é uma verdadeira celebração do clássico que marcou gerações, trazendo uma homenagem calorosa e bem-humorada à obra original. Desde o início, fica claro que a proposta não é continuar a história, mas sim prestar tributo à essência que conquistou o público. O filme nos presenteia com uma narrativa leve e divertida, com um roteiro bem estruturado que mantém a atenção do início ao fim.
Os icônicos Chicó e João Grilo brilham novamente, entregando diálogos afiados e cheios de graça, que arrancam risadas genuínas. A química entre os personagens continua tão forte quanto antes, e o humor simples, mas inteligente, faz jus ao espírito de Ariano Suassuna. Para os fãs do primeiro filme, "O Auto da Compadecida 2" é um abraço nostálgico, repleto de carinho e respeito pela obra que tanto amamos.
Um prato cheio para quem busca uma comédia cativante e uma boa dose de saudade! 🎟️🍿
Uma bela homenagem ao filme anterior (já deixaram claro desde o início que não era uma continuação). História gostosa, divertida e bem amarradinha. Valeu o ingresso e a pipoca. 😀 🍿
O cinema latino americano tem se consolidado como um espaço potente de reflexão sobre suas histórias políticas e sociais. Dois filmes que exemplificam essa vocação são o argentino "Argentina, 1985" (2022) e o brasileiro "Ainda Estou Aqui" (2023), ambos ancorados em suas ditaduras militares e em como essas feridas moldaram gerações. Enquanto o primeiro foca na luta por justiça e responsabilização, o segundo aborda o luto, o silenciamento e a memória. Esses enfoques contrastantes revelam posturas nacionais distintas diante do legado da repressão.
"Argentina, 1985", dirigido por Santiago Mitre, narra o julgamento dos militares que lideraram a ditadura argentina (1976-1983). Com um roteiro que equilibra tensões judiciais e dramas pessoais, o filme celebra o papel da democracia ao trazer líderes genocidas ao tribunal. No Brasil, porém, a Lei da Anistia (1979) garantiu que os responsáveis pela tortura e desaparecimentos políticos durante a ditadura militar (1964-1985) escapassem de processos criminais. Esse contexto torna o universo de "Ainda Estou Aqui", dirigido por Walter Salles, uma crônica de perdas sem resolução.
O filme brasileiro explora o impacto da ausência, seguindo as histórias de filhos e netos de desaparecidos políticos, que crescem sem respostas ou justiça. Aqui, a ausência do tribunal, tão central em "Argentina, 1985", se torna a maior dor, como se a impunidade fosse um segundo golpe.
Se "Argentina, 1985" carrega a catarse de ver algo acontecer, mesmo que décadas depois, "Ainda Estou Aqui" se sustenta no lado emocional cru e no não dito. A ambientação do filme brasileiro é densa e melancólica, utilizando cenários domésticos e objetos esquecidos para evocar memórias que não encontram descanso. Cada detalhe, desde a escolha do figurino até a direção de arte, reforça a ideia de um país que vive com fantasmas.
O uso de roupas que remetem a diferentes décadas, de uniformes de estudantes a peças discretas de trabalhadores, conecta visualmente os personagens ao passado e ao presente, como se o tempo estivesse preso em uma mesma dor. Isso contrasta com "Argentina, 1985", onde o figurino e os cenários mostram o otimismo cauteloso da época, com ternos, cartazes políticos e o ambiente do tribunal sublinhando a formalidade de uma nação que tenta virar uma página.
No final, o grande diferencial é o que cada filme entrega sobre memória e justiça. O argentino oferece esperança, mostrando que, embora atrasada, a justiça é possível. Já o brasileiro reforça o sentimento de que o Brasil, enquanto país, continua incapaz de lidar com seus traumas históricos. Essa diferença não é apenas política, mas profundamente emocional.
A ausência de respostas concretas no filme brasileiro reflete o próprio estado do país: as feridas permanecem abertas, e o silenciamento dos crimes ainda reverbera em novas gerações. É um chamado para que o espectador olhe para a história e pergunte: até quando?
Enquanto "Argentina, 1985" dialoga com o triunfo da justiça sobre a barbárie, "Ainda Estou Aqui" mergulha no vazio deixado por uma anistia que nunca deveria ter sido irrestrita. Ambos são essenciais para compreender como duas nações lidam, ou falham em lidar, com seus passados sombrios. Um celebra a ação, o outro, o lamento.
Não é melhor que Assassinato no Expresso do Oriente, mas com certeza é melhor que Morte no Nilo. Boa sacada o lançamento na época do Helloween, um flertezinho com terror...
"...quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração, e quem irá dizer que não existe razão..."
Eduardo e Mônica deixa de ser "apenas" uma música ícone da Legião Urbana (uma canção muito boa, vale dizer), já que a moda agora é execrar esse clássico, e se torna também um filme.
Pode confiar, o diretor não entrega nada no trailer, o longa é lindo. Traz a trama de um romance e todos os seus percalços já citados na letra, afinal "eram nada parecidos"...
O diretor usa de sua liberdade artística e insere coadjuvantes extremamente relevantes no roteiro, entre eles o amigo de Eduardo, Victor Lamoglia (Inácio), rouba a cena toda vez, é praticamente um alívio cômico no meio da turbulência de sentimentos que o casal protagonista vive, exala carisma, mandou bem demais. Quanto a Alice Braga e Gabriel Leone, que sorriso, meus amigos, a química começa aí.
Nunca tinha parado pra refletir sobre o avô de Eduardo, a música faz ele parecer um senhor mais amoroso, mas pensando na época que o filme é rodado e no contexto de Brasília, faz sentido total, uma pena, mesmo sendo uma visão do diretor.
A obra do diretor Rene Sampaio vai te emocionar, seja na relação familiar, na relação de amizade ou na relação amorosa dos dois, diálogos extremamente realistas de personagens que vão ganhando maturidade com o passar dos anos. Você fica o tempo todo pensando na vida, no que deu certo, no que deu errado, não só pra você, mas também para seus amigos próximos que dividem tudo contigo.
É o segundo nacional que vou assistir em pouquíssimo tempo e é o segundo que me surpreende positivamente, me emocionei bastante, o filme ilustra a letra e entrega tudo. Talvez um compiladinho de fotos da vida de Eduardo e Mônica no final fecharia com chave de ouro.
Vale ressaltar a ótima trilha sonora, canções escolhidas a dedo que encaixam perfeitamente nas cenas. Quero ver você não passar a semana cantarolando Total Eclipse of the Heart...rs.
Ah, quero ver tbm vc não cantarolar as partes de "Eduardo e Mônica" na sua cabeça enquanto as cenas daquele verso da música vão acontecendo na telona.
"...quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração, e quem irá dizer que não existe razão..."
É com essa mensagem que chega as telonas a "Turma da Mônica - Lições", o segundo filme dos personagens de Maurício de Sousa, uma obra que investiu mais em emoção e menos em aventura e humor, comparado ao primeiro (Laços).
Desde as primeiras cenas você é tomado pelo saudosismo, o diretor Daniel Rezende caprichou em cada detalhe dessa sequência, trouxe para história toda turminha, trouxe um enredo que agrada as crianças e os adultos, foi perfeito na fotografia e no figurino e acertou em cheio na mensagem a ser absorvida, vale lembrar também da ótima trilha sonora, da qual fiz questão de baixar e ouvir em casa muitas vezes.
As crianças foram perfeitas, é impossível não se sentir cativado pelo carisma que cada uma possui, uma autenticidade incrível. Você se envolve com os conflitos de cada personagem de uma forma que se pega o tempo todo emocionado. E vai por mim, a quantidade de lágrimas não é pouca, você sente, tudo flui naturalmente, não se sente piegas em nenhum momento, pois os sentimentos são reais, é verdadeiro, seja no momento de tensão, no de reflexão (muitas) ou no de alívio.
Voltando para as crianças, enquanto a primeira aventura em "Laços" funcionou por conta do quarteto permanecer unido o tempo todo, em "Lições" foi o contrário, cada personagem teve seu momento de brilhar na telinha de forma separada, não fizeram feio, mostraram que são capazes, o amadurecimento de cada um é perceptível em cada cena.
Daniel Rezende esta de parabéns, são pouquíssimos os diretores que conseguem trazer todo um universo literário para o cinema de forma fidedigna, mantendo toda sua essência. É com essa sensibilidade incrível que você sairá da sala de cinema com um brilho no olhar, aquele que você talvez tenha perdido em algum momento da pandemia.
Ah, pra finalizar, há uma cena pós crédito, melhor que qualquer uma do universo Marvel (e olhe que sou bem fã), que é praticamente a cereja do bolo. Mais uma vez, Rezende, parabéns. Não se preocupe em fechar a trilogia com o "Lembranças", apesar de achar que isso não vai acontecer, você cumpriu com maestria seu papel nesses dois filmes dos personagens mais queridos do gibi.
Rapaz, o melhor programa que eu poderia ter escolhido pra uma sexta a noite. Eu simplesmente rachei de rir na sala de cinema, quando não era pelo diálogo engraçado, eram pelas cenas surreais. Sensacional!
A franquia virou isso, quer vcs queiram ou não, já sabem o que vão encontrar qdo assistirem Velozes e Furiosos, se cansaram e/ou se tornou chato, se poupem. Simples assim! Assistir pra depois ficar cornetando é dureza.
Mais do mesmo. Estamos em 2021 e ainda tem roteirista que apela pro tema EUA x Rússia, uma pitada de vingança, plot manjado e representatividade pra abafar a crítica. É isso, como sempre, vai agradar uma galera.
O Filho de Mil Homens
4.1 174 Assista AgoraSabe aquele filme que não chega fazendo barulho, mas entrando de mansinho, quase como um amigo que se senta ao teu lado e diz: “respira, vamos juntos”? O Filho de Mil Homens é exatamente isso. Ele não tenta te conquistar, ele te acolhe. É um abraço quieto, desses que não prometem consertar nada, mas que te lembram que você não está sozinho na luta.
O cenário ajuda muito nessa sensação. Aquela praia enorme, aberta, com uma luz que parece vir do próprio silêncio… tudo ali funciona como se o mundo tivesse sido lavado antes das cenas começarem. A areia, o vento, o mar, tudo é meio personagem. O oceano não está só de fundo, ele guarda, devolve, ecoa. Principalmente quando os gritos de libertação surgem. É como se cada grito atravessasse o peito, corresse pela praia e mergulhasse fundo na água, levando embora um pouco do peso que os personagens carregam. Aquele mar escuta. E devolve outra coisa, espaço, força, vida nova.
E no meio disso tudo, o filme continua com seus diálogos pequeninos, diretos, tão simples que chegam a parecer cotidianos, mas que são enormes por dentro. São falas que não existem pra explicar a história, existem pra costurar gente. São conversas que você acha que passou batido, mas ficam vibrando na memória, como um verso de música que a gente repete sem perceber.
A violência está ali, mas não manda em nada. O que guia é o rompimento dela. A coragem de criar laços. A aparição daquele estranho que, sem se anunciar, salva mais vidas do que imagina. O filme transforma encontros em resgates. Faz da ternura um ato político. Mostra que família é muito mais escolha do que sangue.
E enquanto tudo isso acontece, o mar continua lá, testemunha silenciosa das dores que se desfazem e das libertações que explodem. É bonito. É necessário. E é daquele tipo de beleza que você sente mais do que entende.
O Filho de Mil Homens deixa uma paz estranha, uma leveza que parece caber inteira num suspiro. Uma sensação de que o mundo é duro, sim, mas que uma fresta de cuidado pode iluminar tudo ao redor.
E agora… agora posso limpar minhas lágrimas e reconhecer que, mesmo machucado, o coração ainda sabe abrir passagem para o que é bonito.
A Grande Viagem Da Sua Vida
2.9 52 Assista AgoraA Grande Viagem da Sua Vida é um daqueles filmes que dividem o público — e talvez esse seja justamente o seu propósito. Há quem se encante pela jornada, pelas pequenas descobertas e pelas pausas contemplativas que o filme oferece; e há quem sinta falta de um destino mais claro, de uma narrativa que saiba exatamente para onde está indo.
O longa é, antes de tudo, uma experiência de sensações. Ele convida o espectador a embarcar sem mapa, apenas com a promessa de que algo será aprendido no caminho. Os diálogos são o ponto alto: bem escritos, às vezes até mais interessantes que a própria trama, carregados de uma sensibilidade que revela mais dos personagens do que as cenas em si.
Margot entrega uma atuação contida, delicada, enquanto Colin Farrell parece buscar uma sintonia que nunca se concretiza — a química entre eles é quase inexistente, o que pode ser interpretado tanto como falha quanto como uma escolha narrativa. Talvez o filme queira justamente mostrar duas pessoas que caminham lado a lado sem realmente se encontrarem.
No fim, A Grande Viagem da Sua Vida é um filme “gostosinho”, desses que se assiste com prazer, mas que deixa uma leve sensação de desordem. Ele é bagunçado, sim, mas também honesto na sua bagunça. E talvez essa seja a sua força: mostrar que, entre a viagem e o destino, o que realmente importa é o quanto estamos dispostos a nos perder um pouco pelo caminho.
Os Caras Malvados 2
3.5 36 Assista AgoraDreamWorks acertou novamente, belíssima sequência. Divertida, engraçada e com um ritmo excelente.
Amores Materialistas
3.1 388 Assista AgoraAmores Materialistas tem uma temática bastante atual e relevante, que chama a atenção logo no começo. O primeiro ato é muito bom, com uma construção sólida que prende o espectador e desperta interesse. A direção de Celine Song mostra potencial, mas infelizmente o filme não mantém o mesmo nível de profundidade e reflexão que seu trabalho anterior, Vidas Passadas.
A partir da metade, a narrativa começa a perder força, e a trajetória da personagem principal acaba ficando confusa e sem impacto. Embora o filme aborde subtemas importantes, eles são apresentados de forma superficial, o que faz com que a trama perca o foco. Isso prejudica a construção da história e deixa a sensação de que o filme poderia ter explorado muito mais seu potencial.
No geral, Amores Materialistas é uma obra interessante que vale a pena ser assistida, mas fica claro que Celine Song não alcançou a mesma profundidade de seu trabalho anterior. Ainda assim, é um bom filme, principalmente diante das escassas produções da indústria.
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Jurassic World: Recomeço
2.7 452 Assista AgoraEu quero um bote que não estoura nem com dentada de T-Rex. Será que tem na shoope? rs
Nonnas
3.5 73 Assista Agora"Nonnas" é uma comédia leve e saborosa, um verdadeiro abraço cinematográfico. Baseado numa história real emocionante, o filme acompanha a jornada de um neto (Joe Scaravella), que transforma as receitas da sua avó e das suas amigas nonnas num restaurante que existe até hoje, celebrando tradições, sabores e afetos que atravessam gerações.
É um filme delicinha e aconchegante, que exalta os valores da família e a importância de preservar as raízes. A tradição das nonnas continua viva, cozinhando com alma e amor, como sempre foi.
Nunca é tarde para começar algo que faz o coração bater mais forte.
Se você assistiu e não ficou com água na boca, você assistiu errado...rs.
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Pecadores
4.0 1,2K Assista AgoraPecadores é aquele tipo raro de filme que desafia rótulos. É blues em forma de cinema. É um musical que se recusa a cantar de forma explícita, um filme de vampiros que sangra simbolismo em vez de presas, e um terror que causa calafrios mais pela memória ancestral do que pelo susto imediato. Tudo isso embalado por uma estética crua e visceral que evoca o sul dos Estados Unidos, as feridas raciais, a espiritualidade negra e a eterna luta entre culpa, identidade e sobrevivência.
Logo nos primeiros minutos, somos envolvidos por uma trilha sonora potente, onde o blues não apenas embala cenas, ele vive nelas. Cada som de guitarra é como um grito preso na garganta, um pedido de ajuda, uma lembrança de onde vieram. A música aqui não é trilha, é personagem, é alma.
Mas nada se compara à cena da ancestralidade, o momento mais poderoso do filme. Num rito silencioso, envolto em fumaça e velas, vemos corpos se moverem ao som de tambores que parecem vir de milênios atrás. Não é flashback, não é sonho, é memória coletiva. É nesse instante que o filme transcende e nos lembra que o horror real não está nos monstros da fantasia, mas na herança histórica que assombra os corpos negros até hoje. Uma sequência que arrepia pela beleza estética e pelo peso político e espiritual.
Apesar de flertar com o sobrenatural, "Pecadores" foge do óbvio. Os vampiros aqui não brilham, não seduzem, eles penam. São metáforas ambulantes da maldição, da sede que não passa, da alma corrompida por séculos de opressão. O "terror" do filme é psicológico, cultural, e por isso mesmo mais denso, mais profundo. Há violência, sim, mas ela é simbólica, quase ritual.
O final é incrível. Não tem aquele final feliz arrumadinho, mas tem força. Traz uma sensação de "foi como precisava ser". Há redenção, mas não da forma tradicional. Há sobrevivência, mas não sem perdas. O filme nos deixa com um silêncio cheio de som, como um último acorde do blues que continua ecoando mesmo depois do escurecimento da tela.
E, claro, a cena pós-créditos é uma joia. Quem esperou até o fim foi premiado com uma reviravolta sutil e genial, que recontextualiza parte do filme sem desmontá-lo. É como uma nota final, inesperada, que dá ainda mais sentido ao que veio antes.
"Pecadores" é o tipo de filme que você sente mais do que entende. Ele mistura música, passado, dor e resistência de um jeito forte e bonito. É um filme que fala daquilo que a gente carrega no sangue, no corpo, na pele, e de como a arte pode ser grito, cura e memória.
O Auto da Compadecida 2
3.0 444 Assista Agora"O Auto da Compadecida 2" é uma verdadeira celebração do clássico que marcou gerações, trazendo uma homenagem calorosa e bem-humorada à obra original. Desde o início, fica claro que a proposta não é continuar a história, mas sim prestar tributo à essência que conquistou o público. O filme nos presenteia com uma narrativa leve e divertida, com um roteiro bem estruturado que mantém a atenção do início ao fim.
Os icônicos Chicó e João Grilo brilham novamente, entregando diálogos afiados e cheios de graça, que arrancam risadas genuínas. A química entre os personagens continua tão forte quanto antes, e o humor simples, mas inteligente, faz jus ao espírito de Ariano Suassuna. Para os fãs do primeiro filme, "O Auto da Compadecida 2" é um abraço nostálgico, repleto de carinho e respeito pela obra que tanto amamos.
Um prato cheio para quem busca uma comédia cativante e uma boa dose de saudade! 🎟️🍿
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O Auto da Compadecida 2
3.0 444 Assista AgoraUma bela homenagem ao filme anterior (já deixaram claro desde o início que não era uma continuação). História gostosa, divertida e bem amarradinha. Valeu o ingresso e a pipoca. 😀 🍿
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraPouco me interessa o Oscar...
O cinema latino americano tem se consolidado como um espaço potente de reflexão sobre suas histórias políticas e sociais. Dois filmes que exemplificam essa vocação são o argentino "Argentina, 1985" (2022) e o brasileiro "Ainda Estou Aqui" (2023), ambos ancorados em suas ditaduras militares e em como essas feridas moldaram gerações. Enquanto o primeiro foca na luta por justiça e responsabilização, o segundo aborda o luto, o silenciamento e a memória. Esses enfoques contrastantes revelam posturas nacionais distintas diante do legado da repressão.
"Argentina, 1985", dirigido por Santiago Mitre, narra o julgamento dos militares que lideraram a ditadura argentina (1976-1983). Com um roteiro que equilibra tensões judiciais e dramas pessoais, o filme celebra o papel da democracia ao trazer líderes genocidas ao tribunal. No Brasil, porém, a Lei da Anistia (1979) garantiu que os responsáveis pela tortura e desaparecimentos políticos durante a ditadura militar (1964-1985) escapassem de processos criminais. Esse contexto torna o universo de "Ainda Estou Aqui", dirigido por Walter Salles, uma crônica de perdas sem resolução.
O filme brasileiro explora o impacto da ausência, seguindo as histórias de filhos e netos de desaparecidos políticos, que crescem sem respostas ou justiça. Aqui, a ausência do tribunal, tão central em "Argentina, 1985", se torna a maior dor, como se a impunidade fosse um segundo golpe.
Se "Argentina, 1985" carrega a catarse de ver algo acontecer, mesmo que décadas depois, "Ainda Estou Aqui" se sustenta no lado emocional cru e no não dito. A ambientação do filme brasileiro é densa e melancólica, utilizando cenários domésticos e objetos esquecidos para evocar memórias que não encontram descanso. Cada detalhe, desde a escolha do figurino até a direção de arte, reforça a ideia de um país que vive com fantasmas.
O uso de roupas que remetem a diferentes décadas, de uniformes de estudantes a peças discretas de trabalhadores, conecta visualmente os personagens ao passado e ao presente, como se o tempo estivesse preso em uma mesma dor. Isso contrasta com "Argentina, 1985", onde o figurino e os cenários mostram o otimismo cauteloso da época, com ternos, cartazes políticos e o ambiente do tribunal sublinhando a formalidade de uma nação que tenta virar uma página.
No final, o grande diferencial é o que cada filme entrega sobre memória e justiça. O argentino oferece esperança, mostrando que, embora atrasada, a justiça é possível. Já o brasileiro reforça o sentimento de que o Brasil, enquanto país, continua incapaz de lidar com seus traumas históricos. Essa diferença não é apenas política, mas profundamente emocional.
A ausência de respostas concretas no filme brasileiro reflete o próprio estado do país: as feridas permanecem abertas, e o silenciamento dos crimes ainda reverbera em novas gerações. É um chamado para que o espectador olhe para a história e pergunte: até quando?
Enquanto "Argentina, 1985" dialoga com o triunfo da justiça sobre a barbárie, "Ainda Estou Aqui" mergulha no vazio deixado por uma anistia que nunca deveria ter sido irrestrita. Ambos são essenciais para compreender como duas nações lidam, ou falham em lidar, com seus passados sombrios. Um celebra a ação, o outro, o lamento.
Deadpool & Wolverine
3.7 922 Assista AgoraE eu só queria saber por que o Thor estava chorando...rs.
Divertida Mente 2
4.0 645 Assista AgoraA moda da pochete voltando em pleno 2024. Aguardem...🤣🤣🤣
Anatomia de uma Queda
4.0 974 Assista AgoraO fato é que independentemente de ter sido assassinato, suicídio ou acidente, tudo o que aconteceu anteriormente contribuiu para essa queda.
Eu como jurado (e o filme propõe isso) inocentaria, mas com a convicção de que houve um "assassinato emocional".
A Noite das Bruxas
3.2 217Não é melhor que Assassinato no Expresso do Oriente, mas com certeza é melhor que Morte no Nilo. Boa sacada o lançamento na época do Helloween, um flertezinho com terror...
Elementos
3.7 501Eu senti! s2
Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania
2.8 536 Assista AgoraPow, o Darren parece o Ovo do desenho do Gato de Botas (rs).
Ingresso Para o Paraíso
3.1 162Aquele feijão com arroz feito pela avó, arranca sorrisos da primeira a última bocada.
Eduardo e Mônica
3.6 391"...quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração, e quem irá dizer que não existe razão..."
Eduardo e Mônica deixa de ser "apenas" uma música ícone da Legião Urbana (uma canção muito boa, vale dizer), já que a moda agora é execrar esse clássico, e se torna também um filme.
Pode confiar, o diretor não entrega nada no trailer, o longa é lindo. Traz a trama de um romance e todos os seus percalços já citados na letra, afinal "eram nada parecidos"...
O diretor usa de sua liberdade artística e insere coadjuvantes extremamente relevantes no roteiro, entre eles o amigo de Eduardo, Victor Lamoglia (Inácio), rouba a cena toda vez, é praticamente um alívio cômico no meio da turbulência de sentimentos que o casal protagonista vive, exala carisma, mandou bem demais. Quanto a Alice Braga e Gabriel Leone, que sorriso, meus amigos, a química começa aí.
Nunca tinha parado pra refletir sobre o avô de Eduardo, a música faz ele parecer um senhor mais amoroso, mas pensando na época que o filme é rodado e no contexto de Brasília, faz sentido total, uma pena, mesmo sendo uma visão do diretor.
A obra do diretor Rene Sampaio vai te emocionar, seja na relação familiar, na relação de amizade ou na relação amorosa dos dois, diálogos extremamente realistas de personagens que vão ganhando maturidade com o passar dos anos. Você fica o tempo todo pensando na vida, no que deu certo, no que deu errado, não só pra você, mas também para seus amigos próximos que dividem tudo contigo.
É o segundo nacional que vou assistir em pouquíssimo tempo e é o segundo que me surpreende positivamente, me emocionei bastante, o filme ilustra a letra e entrega tudo. Talvez um compiladinho de fotos da vida de Eduardo e Mônica no final fecharia com chave de ouro.
Vale ressaltar a ótima trilha sonora, canções escolhidas a dedo que encaixam perfeitamente nas cenas. Quero ver você não passar a semana cantarolando Total Eclipse of the Heart...rs.
Ah, quero ver tbm vc não cantarolar as partes de "Eduardo e Mônica" na sua cabeça enquanto as cenas daquele verso da música vão acontecendo na telona.
"...quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração, e quem irá dizer que não existe razão..."
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Turma da Mônica: Lições
3.9 280 Assista Agora"É possível crescer sem deixar de ser criança"
É com essa mensagem que chega as telonas a "Turma da Mônica - Lições", o segundo filme dos personagens de Maurício de Sousa, uma obra que investiu mais em emoção e menos em aventura e humor, comparado ao primeiro (Laços).
Desde as primeiras cenas você é tomado pelo saudosismo, o diretor Daniel Rezende caprichou em cada detalhe dessa sequência, trouxe para história toda turminha, trouxe um enredo que agrada as crianças e os adultos, foi perfeito na fotografia e no figurino e acertou em cheio na mensagem a ser absorvida, vale lembrar também da ótima trilha sonora, da qual fiz questão de baixar e ouvir em casa muitas vezes.
As crianças foram perfeitas, é impossível não se sentir cativado pelo carisma que cada uma possui, uma autenticidade incrível. Você se envolve com os conflitos de cada personagem de uma forma que se pega o tempo todo emocionado. E vai por mim, a quantidade de lágrimas não é pouca, você sente, tudo flui naturalmente, não se sente piegas em nenhum momento, pois os sentimentos são reais, é verdadeiro, seja no momento de tensão, no de reflexão (muitas) ou no de alívio.
Voltando para as crianças, enquanto a primeira aventura em "Laços" funcionou por conta do quarteto permanecer unido o tempo todo, em "Lições" foi o contrário, cada personagem teve seu momento de brilhar na telinha de forma separada, não fizeram feio, mostraram que são capazes, o amadurecimento de cada um é perceptível em cada cena.
Daniel Rezende esta de parabéns, são pouquíssimos os diretores que conseguem trazer todo um universo literário para o cinema de forma fidedigna, mantendo toda sua essência. É com essa sensibilidade incrível que você sairá da sala de cinema com um brilho no olhar, aquele que você talvez tenha perdido em algum momento da pandemia.
Ah, pra finalizar, há uma cena pós crédito, melhor que qualquer uma do universo Marvel (e olhe que sou bem fã), que é praticamente a cereja do bolo. Mais uma vez, Rezende, parabéns. Não se preocupe em fechar a trilogia com o "Lembranças", apesar de achar que isso não vai acontecer, você cumpriu com maestria seu papel nesses dois filmes dos personagens mais queridos do gibi.
Gavião Arqueiro
3.5 332O Legolas da Marvel nunca decepciona. Série bem gostosa de assistir.
Velozes & Furiosos 9
2.8 418 Assista AgoraRapaz, o melhor programa que eu poderia ter escolhido pra uma sexta a noite. Eu simplesmente rachei de rir na sala de cinema, quando não era pelo diálogo engraçado, eram pelas cenas surreais. Sensacional!
A franquia virou isso, quer vcs queiram ou não, já sabem o que vão encontrar qdo assistirem Velozes e Furiosos, se cansaram e/ou se tornou chato, se poupem. Simples assim! Assistir pra depois ficar cornetando é dureza.
Sem Remorso
3.0 290 Assista AgoraMais do mesmo. Estamos em 2021 e ainda tem roteirista que apela pro tema EUA x Rússia, uma pitada de vingança, plot manjado e representatividade pra abafar a crítica. É isso, como sempre, vai agradar uma galera.
Liga da Justiça de Zack Snyder
4.0 1,3KDeixe aqui seu agradecimento a Zack Snyder!
Obrigado, Zack Snyder! De verdade.
Borat: Fita de Cinema Seguinte
3.6 554 Assista AgoraImpossível ser mais assertivo nas críticas que esse filme. Eu apoio uma versão de Borat no Brasil, só vem...rs.