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Últimas opiniões enviadas

  • Thiago S. Sevla

    Adoro a franquia, desde o primeiro, Cloverfield – Monstro, já achava tudo ótimo (detalhe que nem curto filmes found footage, com raras exceções). O segundo, Rua Cloverfield 10, então nem se fala, achei excelente, com um suspense corrosivo e imprevisível, elenco formidável, direção magnífica também. Entretanto, esse terceiro teve tantos deslizes e equívocos, que fica difícil defender, mesmo para um fã inveterado.

    Achei uma ideia promissora e perspicaz que desde 2008, cada um tivesse seu formato, gênero e linguagem própria: o primeiro, found footage, é mais um terror desmesurado e caótico; o segundo um baita suspense, tenso, com um personagem desequilibrado e paranoico, confinamento, toques de terror e ficção científica no final; o terceiro ambientado quase que completamente no espaço, ficção científica pura. No entanto, o grande problema, a meu ver, foi no desenvolvimento e erros crassos no roteiro, tão pueris que chegam até a transmitir um amadorismo, diluindo toda a seriedade da trama e grandiosidade da produção. Diga-se de passagem, O Paradoxo Cloverfield foi produzido por J.J. Abrams (um baita cineasta que já vem cuidando da produção desde o primeiro) e Drew Goddard, roteirista de Cloverfield - Monstro. Ou seja, ainda teve o aval de dois grandes profissionais, bem experientes e respeitáveis, como que deixaram passar batido os equívocos gritantes desse roteiro?

    Várias cenas extremamente insólitas e incoerentes que são indefensáveis. Eis algumas delas, que me deu vontade até de desistir de ver o filme:

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    1 – Aquela cena em que o Mundy perde o braço, como que numa mutilação, sem uma gota de sangue, não sente nada, e a expressão que fica, nada convincente, por si só já seria intragável. Mas depois ainda piora, segue como se nada tivesse acontecido, logo depois começa a fazer piadas.

    2 – Mais a diante, Schmidt escuta um ruído assustador, tudo sugere que será uma criatura monstruosa, e no fim encontra apenas o braço do outro sujeito dando um rolê pela nave, no melhor estilo Mãozinha da Família Addams.

    3 – Posteriormente, exibem o tal braço decepado ainda se mexendo, “pensando” e escrevendo por conta própria! Com uma justificativa tacanha e insustentável.

    4 – A bussola da nave some e vai parar misteriosamente dentro do corpo do finado Volkov! E ainda só descobrem porque a mãozinha escreveu!

    Já estava insosso e pouco envolvente, mas depois disso tudo acabou de desandar. Nem mesmo o drama subjetivo da Ava Hamilton e boa atuação da atriz, fez com que trouxesse mais empatia para a trama; e me pareceu que tentaram reproduzir algo muito parecido com que é mostrado em “A Chegada” e “Interestelar”, especificamente no âmbito dos respectivos protagonistas. Uma tentativa frustrada, nesse caso.

    Sem contar outros momentos que são mostrados, quase que de forma aleatória, irrisória e sem agregar nada:

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Lá pela metade, antes da cena do braço decepado, Volkov adoece misteriosamente, como se tivesse sido infectado sem de fato ter uma infecção. Depois tem um ataque epilético, na sequência vomita as trocentas minhocas que tinham sumido e foram aparecer justo no estômago dele. Aliás, para que os sujeitos guardavam aquelas minhocas?? Estimação?? Levaram pra passear no espaço??

    Monk, um sujeito que é médico (e brasileiro ainda por cima), mas na hora que necessitam que faça uma incisão no corpo do defunto russo, diz que não consegue... Aí a chinesa, que é uma engenheira, que se dispõe a fazer o serviço. E a verossimilhança mais uma vez é jogada no espaço...

    Outro fator que parece um detalhe trivial, mas faz toda a diferença: O trecho que aparece o escritor/especialista da teoria que leva o nome do filme, alertando que não devem jamais continuar com a missão, e já entrega todas as consequências. Isso além de óbvio gera expectativas que o filme não cumpre. E o tempo todo fazem isso, sugerem que algo realmente nefasto vai acontecer naquele reduto, mas no fim não é nada... Uma broxada atrás da outra.

    A produção é relativamente curta, mas gastam tanto tempo com problemas secundários, intrigas pouco convincentes entre os personagens, nem mesmo boas lutas corpo a corpo (sei que não é um filme de ação, mas se o roteirista se dispõe a inserir, que seja realmente bem elaboradas e minimamente aceitáveis, e não uma mulher retirando o manete de um pebolim para bater em outra). Essas e tantas outras coisas dão a impressão que o filme é longo, bem sem nexo e fatidicamente arrastado. Há tantos deslizes, que atenuaram o plot principal e em vários momentos deixaram a trama cair no ridículo.

    Também parecia boa a ideia de criar um terceiro filme para preencher as lacunas deixadas nos dois primeiros, (não gosto de usar o termo “explicar”, visto que não precisa ser algo didático) mas fizeram tudo de forma tão desleixada, que acabou sendo quase irrelevante. Seria melhor ter mantido alguns mistérios e dúvidas do que fazer com que a franquia ficasse em descrédito.

    Sei que não é fácil criar um enredo, cada página de um roteiro equivale aproximadamente a um minuto de filme, ou seja, um filme de 140 minutos vai ter cerca de 140 páginas, praticamente um livro. E um roteiro tem suas peculiaridades, não é como escrever um romance ou um conto grande. Ainda mais do gênero de ficção científica. Além de exigir profunda experiência de quem escreve, necessita de um conhecimento prévio em ciências, nesse caso engenharia eletrônica/mecânica, física e principalmente astronomia e lógica! Óbvio que o sujeito não precisa ser profissional em uma dessas áreas, mas que ao menos leia muito, muito mesmo sobre isso. Para que tenha segurança em desenvolver algo consistente e crível. Veja por exemplo, H. G. Wells, H.P. Lovecraft (creio que Drew Goddard deva ter se inspirado nele para projetar o primeiro filme) e Isaac Asimov, os caras não eram cientistas ou astrônomos, mas tinham um repertório gigantesco, além disso, foram bastante observadores com seus semelhantes e com a sociedade num todo, por isso criaram bons personagens, ótimas tramas e obras atemporais.

    Enfim. O segundo filme, Rua Cloverfield 10, também focou bastante num conflito interno entre os personagens, mas tudo acontecia de forma inteligente, intrigante, realista e densa. Aí no final, que surge de fato o monstro, fica sendo a cereja do bolo. Já esse terceiro, além de mostrar apenas alguns segundos do monstro no final, não possuiu uma trama sólida e empática o suficiente para sustentar o interesse do espectador. Acabou diluindo o plot, que era muito bom, entregando um grande enfado e decepção no fim. Lamentável, o potencial era imenso.

    Infelizmente, com exceção de alguns efeitos, não há nada realmente admirável nesse filme. O Roteiro é medíocre, Fotografia e Direção de Arte medianas, Trilha Sonora displicente, Montagem razoável, Direção ruim.

    Já soube que terá mais um filme na franquia, não vou deixar de assistir. Mas como fã de longa data, realmente espero que mantenham a qualidade presente nos dois primeiros. E para tanto, de modo algum deveriam permitir que Oren Uziel escreva o próximo filme!! Não vi os outros trabalhos dele, mas nesse gênero já demonstrou ser péssimo! O mais adequado seria que Drew Goddard que redigiu o primeiro filme, escrevesse o quarto, ou então o excelente trio que roteirizou o segundo: Josh Campbell, Matt Stuecken e Damien Chazelle. E se não for pedir muito, que um dos diretores responsáveis pelos anteriores, talvez o próprio J.J. Abrams ou um diretor competente dirija a produção.

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  • Thiago S. Sevla

    Ver o Pierce Brosnan na correria e distribuindo porrada aos sessenta e tantos anos, pode ser bem divertido e gratificante.

    Realmente, segue a linha dos filmes “Busca Implacável”: tiro, porrada e bomba, com algumas atuações relevantes e com sorte, um ou outro plot twist. Mas achei acima da média, tampouco cansativo ou previsível como alguns indivíduos disseram. A menos que se chame de previsível algo que se mostre indubitável nos últimos vinte minutos (que é o desfecho).

    Seria óbvio as comparações que fariam com 007, por se tratar basicamente da mesma temática. Porém, neste filme Pierce Brosnan interpreta um espião aposentado, bem mais velho, misterioso, fora do arquétipo de galã sedutor, sem alguns escrúpulos, sem nenhuma pompa e sem doses de ironia do famoso 007. (Diga-se de passagem, no último filme que ele interpretou James Bond,”Um Novo Dia Para Morrer”, estava com uma atuação bem austera, densa e dramática, divergindo muito dos anteriores que protagonizou). Ele é um ator bastante versátil, sou fã do trabalho dele. Tão quanto o Liam Neeson, protagonista de “Busca Implacável”. Aliás, eles têm um ótimo filme western/drama que atuaram juntos, chamado “À Procura da Vingança”, recomendo.

    Enfim, de fato o roteiro não é uma obra-prima. Claro que os filmes 007 ainda são superiores, visto que são adaptações de uma série de livros, com trama mais sólida, melhor estruturada, mais carismática, com personagens bem desenvolvidos e vilões icônicos, (sem contar os famigerados veículos e brinquedos do agente secreto britânico). Entretanto, November Man vale pela atuação do Pierce Brosnan, e ainda conta uma boa Fotografia e Trilha Sonora bem competente. Ótimas cenas de ação para os apreciadores.

    E para os saudosistas, vale sim, pra saciar parte da nostalgia de quando ele atuava na franquia 007. Todavia, saiba que não é uma cópia, e também ele não vai aparecer de smoking, flertando com belas mulheres, nem bebendo Dry Martini ou Vodka.

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