Corroborando com o que outros já disseram aqui: Este Cemitério Maldito é um forte candidato a pior filme do ano. O que nele aterroriza, em verdade, é ficar mais de 1h vendo um elenco preguiçoso viver essa adaptação previsível e formulaica. Para aqueles que conseguem aproveitar filmes de terror ruins para dar boas risadas, talvez sirva a sessão; mas se pelo contrário, você espera um mínimo de qualidade na execução de um filme, por mais despretensioso que ele seja - Provável que saia da sala bem irritado, se decidir perder seu tempo vendo essa bobagem nos cinemas.
Mas que delícia de série! Tem um humor bobo, às vezes nosense, mas que funciona muito bem. Gabriela Poester e Eduardo Mendonça dão um show a parte, suas personagens são hilárias. Que venham mais temporadas!
Gosto dos filmes do Mundruczó, e ainda que não meu preterido, Lua de Júpiter é um filme interessante, e tem momentos incríveis. Mas enfim, concordando comigo ou não, quem é que não ficou zonzo com a câmera girando que nem uma hélice toda vez que o menino voava? hahaha
As sequências de ação e escape exigem mais que suspensão de descrença, é preciso descrer em qualquer lei física que regule a realidade, haha, mas acho que é justamente isso que faz de Tomb Raider: A Origem, uma adaptação divertida e bem vinda - agora, usando de todos os recursos que o cinema de aventura atual oferecem. Além disso, Alicia Vikander traz uma Lara Croft com a qual se simpatiza nos primeiros minutos do flime, e espero ver mais dela em ação, caso vejamos uma sequência (e não uma franquia, se não ninguém aguenta, né).
Fiquei triste com o cancelamento da série. Claro, não foi uma temporada perfeita. Momentos incríveis eram intercalados com outros demasiado estúpidos. Uma temporada menor seria certamente mais dinâmica, visto que só houve um desenvolvimento relevante na narrativa nos três últimos episódios. Mesmo assim, a 1º temporada me surpreendeu em alguns aspectos, como o desenvolvimento de Mia Lambert e da Sra. Nathalie, a conclusão de sua disputa com o padre Romanov, a atuação competente de Russel Posner, e o dilema paterno do policial Heisel. Demais, o elenco não segura as pontas, o que imprime um aspecto medíocre em quase tudo. Acredito que com outra oportunidade, The Mist amadureceria, e entregaria uma 2º temporada aproveitando os acertos, e tolhendo os exageros e tontices. Uma pena. Com ressalvas, ainda recomendo, para assistir de pouco e sem muita expectativa, e já adianto um pequeno desapontamento com relação aos ganchos interessantes que o último episódio deixa para a finada continuação.
É provável que ao fim de Les Affamés, fique a sensação de que tenha acabado de ver um bom filme, contudo, um filme estranho. A ambientação é tétrica, e mesmo com os personagens se encontrando e seguindo juntos na narrativa, a solidão dessas figuras é marcante, como se a distopia silenciasse as pessoas. Aqui não há esperança - Há no mínimo uma necessidade de sobreviver, não porque a vida seja defensável em um contexto distópico, mas porque morrer assusta em qualquer contexto. Nunca fui grande fã dos filmes de apocalipse zumbi, mas Les Affamés está mais próximo de uma perspectiva realista em que,
ser sobrevivente numa distopia, tem mais haver com sorte do que com coragem, e por isso, a morte chega um pouco mais tarde para alguns, nunca deixando de chegar.
Esse é o primeiro terror que vejo no ano, e com grata satisfação. A princípio, me pareceu que os quatro personagens centrais não seriam nem um pouco cativantes, e em verdade, só Luke recebe mais camadas do roteiro e desperta algum interesse, mas todo o trauma e culpa vividos por Rafe Spall me foram suficientes para assisti-lo até o fim. Outra impressão negativa que tive até os primeiros momentos do grupo na floresta, foi a de que estava assistindo a uma cópia safada da Bruxa de Blair, mas por sorte, na medida em que a narrativa avança, The Ritual vai dando passos originais e corajosos em termos de cinema de horror. Recomendo muito, pois se a premissa dos amigos perdidos na floresta macabra parece batida (e é mesmo), o desenvolvimento disso é bastante surpreendente.
O grande mérito de Hapy Death Day, é dar o "Slasher Movie" um respiro gratificante, mesmo que parta de premissas já visitadas com frequência no cinema: o assassino mascarado e o time loop. Em verdade, o filme é mais uma brincadeira com o imaginário dessas premissas, do que um grande goore alucinante e macabro. Há um balanço pleno entre o humor e o suspense, sem que isso prejudique a experiência da projeção - um filme despretensioso e simples, mas que não ofende a inteligência do espectador, brincando com nossas suspeitas em cada minuto. Importa salientar, também, que parte desse mérito se sustenta na atuação competente e graciosa de Jessica Rothe, sem ela, Happy Death Day poderia facilmente ter caído no ridículo.
É um humor bem despojado, e tem ótimas referências! Pena que na segunda metade cai num dramalhão paterno, mas ainda assim, dei boas risadas. Little Evil é um terrir simples mas eficiente, como gosto.
Ao fabular sobre o caso de um garoto siciliano sequestrado pela máfia, e deixado 779 dias em cativeiro, esse filme dá uma aula sobre a função reparadora do mito, e do sonho.
Antonio Piazza e Fabio Grassadonian, numa breve apresentação sobre a 8 1/2 Festa do Cinema Italiano, disseram que Sicilian Ghost Story é um conto de fadas, um conto de fadas sombrio, mais ainda assim um conto de fadas, e sobretudo uma história de amor. É verdade, trata-se de uma trama mítica e onírica, onde o sonho cumpre função de dar suporte a um difícil trauma: Quando o amor e a perda se seguem num rompante trágico que se revela, a cada momento, mais irreversível. Apesar do ritmo vagaroso (que foi me ganhando aos poucos), e ainda que force uma comoção que poderia ser mais espontânea, Sicilian Ghost Story é maravilhoso, é como um sonho que ficamos tentando recobrar ao longo do dia, mesmo tendo algo de tenebroso e triste, porque há dizeres ali que nos inspiram uma reflexão sobre o amor, a saudade, e a perda. Acordar é difícil, mas necessário.
O que Atômica tem de interessante e divertido, é a fotografia e ambientação, com uma pegada neon, cyberpunk, e claro, as cenas de ação fantásticas - Inclusive: O melhor plano sequência de ação que já vi na vida. Charlize Theron está ótima, assim como James McAvoy e Sofia Boutella. Contudo, Atômica é menos frenético do que os trailers sugerem, as constantes cenas de interrogatório de Lorraine parecem, no primeiro ato, redundar o que já vemos em Berlim, tornando o desenvolvimento arrastado em alguns momentos. Do segundo ato em diante, há uma troca significativa entre o interrogatório e a história de fato, mas ainda assim, essa abordagem de idas e vindas no tempo erra a mão ao tentar dar conta de explicar uma complexa trama de espionagem (que apesar de complexa, não tem nada de nova). Outro ponto que particularmente acho negativo, é essa intenção atual de transformar a trilha sonora de um filme em uma playlist estilosa de Spotfy, o que também me incomodou em Babydriver e Esquadrão Suicida (no primeiro caso, justificado pela história).
Em termos de ritmo, Atômica não é tão certeiro quanto John Wick, mas junto com o segundo da franquia (um novo dia para matar), considero um dos melhores filmes de ação do ano.
Grave chegou em território nacional quase que com um subtítulo criado popularmente: "O filme que causou desmaios". Estou certo de que houve uma frustração enorme em quem esperava, por isso, um 'gore a francesa', com várias cenas indigestas mas bem fotografadas. Bem, é isso também, mas não só, Julia Ducournau faz um magismo peculiar e gratificante: entrega cenas grotescas (os desmaios no Festival de Toronto são compreensíveis), mas perfeitamente encaixadas numa trama que narra, em primeiro plano, o ritual bonito e ao mesmo tempo perturbador, da passagem de uma menina para a adolescência. Com isso, Grave é grotesco e poético ao mesmo tempo, não há exageros, há só a necessidade de se conhecer o mundo pela boca, assim como fazem os bebês.
Peca, talvez, ao diluir até demais as significações possíveis com relação ao canibalismo e as mulheres da família - percebemos que há algo muito específico querendo ser dito com isso, mas não conseguimos nos aproximar com segurança desse subtexto - e um bom subtexto em cinema, é aquele que mantém uma distância do texto superficial que não ofenda a inteligência do espectador, mas que ao mesmo tempo não seja inacessível pra ele. Mesmo assim, Grave é para mim, um dos melhores filmes de 2016.
Achei escondidinho ali na Netflix e fiquei relativamente surpreso. Se entendi a trama? Pouco, se é que entendi. Mas fui firme até o final por dois motivos: Bonitos enquadramentos, e cenas de luta naturalistas (na estrita medida do possível, é claro), que são muito bem coreografadas! Nem sempre a montagem e os cortes dão conta de acompanhar, mas é sem dúvida o ponto alto do filme. O que mais me incomodou foi a trilha sonora destoante e repetitiva, mas que não é insuportável. Juiz Arqueiro é um dos filmes de artes marciais mais diferentes que já vi, e isso é muito positivo, já que o gênero é consumido há tempos por clichês narrativos e CGIs mal feitos (o que esse filme não tem, amém).
Sei nem o que dizer desse filme, se não que é marcante, mais até que seu antecessor. Jodoroswsky, figura excêntrica na poesia e no cinema, aos 87 anos está a todo vapor na produção de sua série autobiográfica, tendo nos prometido ambiciosos cinco filmes! Nunca tive saco pra cinebiografias, mas o que esse senhor faz é diferente, transfere suas memórias para uma região alegórica, colorida, ritualística (como de praxe em sua obra), fazendo com que sua intensa vida artística, através de potentes representações visuais, simbólicas e performáticas, ecoe em nossas próprias trajetórias de vida, de modo quase arquetípico. Fiquei absurdamente emocionado, até porque mariposas, na forma de alegoria constante no filme, me marcam profundamente como representações de minha própria relação com o fazer poético.
Esse filme precisa ser visto, não só porque fala do grande Alejandro Jodoroswsky, velho viciado em autorreferências (e o filme todo é prova disso), mas principalmente porque em muitos momentos, Poesia sem Fim está falando da gente.
Cemitério Maldito
2.7 885Corroborando com o que outros já disseram aqui: Este Cemitério Maldito é um forte candidato a pior filme do ano. O que nele aterroriza, em verdade, é ficar mais de 1h vendo um elenco preguiçoso viver essa adaptação previsível e formulaica. Para aqueles que conseguem aproveitar filmes de terror ruins para dar boas risadas, talvez sirva a sessão; mas se pelo contrário, você espera um mínimo de qualidade na execução de um filme, por mais despretensioso que ele seja - Provável que saia da sala bem irritado, se decidir perder seu tempo vendo essa bobagem nos cinemas.
Necrópolis (1ª Temporada)
3.7 44 Assista AgoraMas que delícia de série! Tem um humor bobo, às vezes nosense, mas que funciona muito bem. Gabriela Poester e Eduardo Mendonça dão um show a parte, suas personagens são hilárias. Que venham mais temporadas!
Tito e os Pássaros
3.5 32Manoel de Barros iria gostar muito desse filme.
Derry Girls (1ª Temporada)
4.0 71 Assista AgoraAlguém me explica porque não fizeram no mínimo uns 80 episódios dessa maravilha?
Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas
3.5 177 Assista AgoraValeu a pena ser o único adulto na sala de cinema que não estava acompanhando uma criança, e ri mais que todas elas.
"Acho que você é o Deadpool sim, olha pra lá e fala alguma coisa sem noção"
The Chasing World
3.4 85O clássico não entendi mas gostei
Gravity Falls (2ª Temporada)
4.7 121Eu gostei tanto dessa série, que enrolei um mês para ver o último episódio, porque não queria que acabasse, hahaha. Caiu até uma lágrima no fim.
Lua de Júpiter
3.0 41 Assista AgoraGosto dos filmes do Mundruczó, e ainda que não meu preterido, Lua de Júpiter é um filme interessante, e tem momentos incríveis. Mas enfim, concordando comigo ou não, quem é que não ficou zonzo com a câmera girando que nem uma hélice toda vez que o menino voava? hahaha
Tomb Raider: A Origem
3.2 946 Assista AgoraAs sequências de ação e escape exigem mais que suspensão de descrença, é preciso descrer em qualquer lei física que regule a realidade, haha, mas acho que é justamente isso que faz de Tomb Raider: A Origem, uma adaptação divertida e bem vinda - agora, usando de todos os recursos que o cinema de aventura atual oferecem. Além disso, Alicia Vikander traz uma Lara Croft com a qual se simpatiza nos primeiros minutos do flime, e espero ver mais dela em ação, caso vejamos uma sequência (e não uma franquia, se não ninguém aguenta, né).
Porto, Uma História de Amor
3.1 17Esse filme é um poema.
O Nevoeiro (1ª Temporada)
3.0 463Fiquei triste com o cancelamento da série. Claro, não foi uma temporada perfeita. Momentos incríveis eram intercalados com outros demasiado estúpidos. Uma temporada menor seria certamente mais dinâmica, visto que só houve um desenvolvimento relevante na narrativa nos três últimos episódios. Mesmo assim, a 1º temporada me surpreendeu em alguns aspectos, como o desenvolvimento de Mia Lambert e da Sra. Nathalie, a conclusão de sua disputa com o padre Romanov, a atuação competente de Russel Posner, e o dilema paterno do policial Heisel. Demais, o elenco não segura as pontas, o que imprime um aspecto medíocre em quase tudo. Acredito que com outra oportunidade, The Mist amadureceria, e entregaria uma 2º temporada aproveitando os acertos, e tolhendo os exageros e tontices. Uma pena. Com ressalvas, ainda recomendo, para assistir de pouco e sem muita expectativa, e já adianto um pequeno desapontamento com relação aos ganchos interessantes que o último episódio deixa para a finada continuação.
Famintos
2.9 68 Assista AgoraÉ provável que ao fim de Les Affamés, fique a sensação de que tenha acabado de ver um bom filme, contudo, um filme estranho. A ambientação é tétrica, e mesmo com os personagens se encontrando e seguindo juntos na narrativa, a solidão dessas figuras é marcante, como se a distopia silenciasse as pessoas. Aqui não há esperança - Há no mínimo uma necessidade de sobreviver, não porque a vida seja defensável em um contexto distópico, mas porque morrer assusta em qualquer contexto. Nunca fui grande fã dos filmes de apocalipse zumbi, mas Les Affamés está mais próximo de uma perspectiva realista em que,
ser sobrevivente numa distopia, tem mais haver com sorte do que com coragem, e por isso, a morte chega um pouco mais tarde para alguns, nunca deixando de chegar.
O Ritual
3.2 507 Assista AgoraEsse é o primeiro terror que vejo no ano, e com grata satisfação. A princípio, me pareceu que os quatro personagens centrais não seriam nem um pouco cativantes, e em verdade, só Luke recebe mais camadas do roteiro e desperta algum interesse, mas todo o trauma e culpa vividos por Rafe Spall me foram suficientes para assisti-lo até o fim. Outra impressão negativa que tive até os primeiros momentos do grupo na floresta, foi a de que estava assistindo a uma cópia safada da Bruxa de Blair, mas por sorte, na medida em que a narrativa avança, The Ritual vai dando passos originais e corajosos em termos de cinema de horror. Recomendo muito, pois se a premissa dos amigos perdidos na floresta macabra parece batida (e é mesmo), o desenvolvimento disso é bastante surpreendente.
Projeto Flórida
4.1 1,1KÉ com certeza um dos melhores retratos da infância que já vi no cinema, e também um dos melhores filmes do ano passado. Chorei, haha.
The Whispering Star
3.7 19Agora sempre que caminho numa rua sozinho acho que estou em outro planeta. Que lindo, haha.
Perigo Próximo
3.4 496 Assista AgoraQue o filme é bom é, mas dá um ódio!
Severina
3.4 51 Assista AgoraEsse filme é um delicioso 'delírio literário'.
A Morte Te Dá Parabéns
3.3 1,5K Assista AgoraO grande mérito de Hapy Death Day, é dar o "Slasher Movie" um respiro gratificante, mesmo que parta de premissas já visitadas com frequência no cinema: o assassino mascarado e o time loop. Em verdade, o filme é mais uma brincadeira com o imaginário dessas premissas, do que um grande goore alucinante e macabro. Há um balanço pleno entre o humor e o suspense, sem que isso prejudique a experiência da projeção - um filme despretensioso e simples, mas que não ofende a inteligência do espectador, brincando com nossas suspeitas em cada minuto. Importa salientar, também, que parte desse mérito se sustenta na atuação competente e graciosa de Jessica Rothe, sem ela, Happy Death Day poderia facilmente ter caído no ridículo.
Que olhinho não ciscou naquela cena dela conversando com o pai? haha
Pequeno Demônio
2.7 245 Assista AgoraÉ um humor bem despojado, e tem ótimas referências! Pena que na segunda metade cai num dramalhão paterno, mas ainda assim, dei boas risadas. Little Evil é um terrir simples mas eficiente, como gosto.
O Fantasma da Sicília
3.4 21 Assista AgoraAo fabular sobre o caso de um garoto siciliano sequestrado pela máfia, e deixado 779 dias em cativeiro, esse filme dá uma aula sobre a função reparadora do mito, e do sonho.
Antonio Piazza e Fabio Grassadonian, numa breve apresentação sobre a 8 1/2 Festa do Cinema Italiano, disseram que Sicilian Ghost Story é um conto de fadas, um conto de fadas sombrio, mais ainda assim um conto de fadas, e sobretudo uma história de amor. É verdade, trata-se de uma trama mítica e onírica, onde o sonho cumpre função de dar suporte a um difícil trauma: Quando o amor e a perda se seguem num rompante trágico que se revela, a cada momento, mais irreversível. Apesar do ritmo vagaroso (que foi me ganhando aos poucos), e ainda que force uma comoção que poderia ser mais espontânea, Sicilian Ghost Story é maravilhoso, é como um sonho que ficamos tentando recobrar ao longo do dia, mesmo tendo algo de tenebroso e triste, porque há dizeres ali que nos inspiram uma reflexão sobre o amor, a saudade, e a perda. Acordar é difícil, mas necessário.
Atômica
3.6 1,1K Assista AgoraO que Atômica tem de interessante e divertido, é a fotografia e ambientação, com uma pegada neon, cyberpunk, e claro, as cenas de ação fantásticas - Inclusive: O melhor plano sequência de ação que já vi na vida. Charlize Theron está ótima, assim como James McAvoy e Sofia Boutella. Contudo, Atômica é menos frenético do que os trailers sugerem, as constantes cenas de interrogatório de Lorraine parecem, no primeiro ato, redundar o que já vemos em Berlim, tornando o desenvolvimento arrastado em alguns momentos. Do segundo ato em diante, há uma troca significativa entre o interrogatório e a história de fato, mas ainda assim, essa abordagem de idas e vindas no tempo erra a mão ao tentar dar conta de explicar uma complexa trama de espionagem (que apesar de complexa, não tem nada de nova). Outro ponto que particularmente acho negativo, é essa intenção atual de transformar a trilha sonora de um filme em uma playlist estilosa de Spotfy, o que também me incomodou em Babydriver e Esquadrão Suicida (no primeiro caso, justificado pela história).
Em termos de ritmo, Atômica não é tão certeiro quanto John Wick, mas junto com o segundo da franquia (um novo dia para matar), considero um dos melhores filmes de ação do ano.
Grave
3.4 1,1KGrave chegou em território nacional quase que com um subtítulo criado popularmente: "O filme que causou desmaios". Estou certo de que houve uma frustração enorme em quem esperava, por isso, um 'gore a francesa', com várias cenas indigestas mas bem fotografadas. Bem, é isso também, mas não só, Julia Ducournau faz um magismo peculiar e gratificante: entrega cenas grotescas (os desmaios no Festival de Toronto são compreensíveis), mas perfeitamente encaixadas numa trama que narra, em primeiro plano, o ritual bonito e ao mesmo tempo perturbador, da passagem de uma menina para a adolescência. Com isso, Grave é grotesco e poético ao mesmo tempo, não há exageros, há só a necessidade de se conhecer o mundo pela boca, assim como fazem os bebês.
Peca, talvez, ao diluir até demais as significações possíveis com relação ao canibalismo e as mulheres da família - percebemos que há algo muito específico querendo ser dito com isso, mas não conseguimos nos aproximar com segurança desse subtexto - e um bom subtexto em cinema, é aquele que mantém uma distância do texto superficial que não ofenda a inteligência do espectador, mas que ao mesmo tempo não seja inacessível pra ele. Mesmo assim, Grave é para mim, um dos melhores filmes de 2016.
Juiz Arqueiro
2.0 15Achei escondidinho ali na Netflix e fiquei relativamente surpreso. Se entendi a trama? Pouco, se é que entendi. Mas fui firme até o final por dois motivos: Bonitos enquadramentos, e cenas de luta naturalistas (na estrita medida do possível, é claro), que são muito bem coreografadas! Nem sempre a montagem e os cortes dão conta de acompanhar, mas é sem dúvida o ponto alto do filme. O que mais me incomodou foi a trilha sonora destoante e repetitiva, mas que não é insuportável. Juiz Arqueiro é um dos filmes de artes marciais mais diferentes que já vi, e isso é muito positivo, já que o gênero é consumido há tempos por clichês narrativos e CGIs mal feitos (o que esse filme não tem, amém).
Poesia Sem Fim
4.3 89Sei nem o que dizer desse filme, se não que é marcante, mais até que seu antecessor. Jodoroswsky, figura excêntrica na poesia e no cinema, aos 87 anos está a todo vapor na produção de sua série autobiográfica, tendo nos prometido ambiciosos cinco filmes! Nunca tive saco pra cinebiografias, mas o que esse senhor faz é diferente, transfere suas memórias para uma região alegórica, colorida, ritualística (como de praxe em sua obra), fazendo com que sua intensa vida artística, através de potentes representações visuais, simbólicas e performáticas, ecoe em nossas próprias trajetórias de vida, de modo quase arquetípico. Fiquei absurdamente emocionado, até porque mariposas, na forma de alegoria constante no filme, me marcam profundamente como representações de minha própria relação com o fazer poético.
Esse filme precisa ser visto, não só porque fala do grande Alejandro Jodoroswsky, velho viciado em autorreferências (e o filme todo é prova disso), mas principalmente porque em muitos momentos, Poesia sem Fim está falando da gente.